Poema de agora: Qualquer lugar – Jaci Rocha

Qualquer lugar

Se não for
Para saber da margarina,
da Carolina, da Gasolina,
Se não for para saber de mim…

Se não for
Para me ver de perto
Tomar um sorvete ali na lanchonete
Ouvir comigo uma canção do Roberto

Melhor nem vir.

Se não for…

Para me ouvir falar de Caetano
Chico e Belchior
Tomar um porre enquanto deixa a tarde ir
Provar o domingo, meu batom

E me sentir

Melhor nem vir…

Se não for
Para fazer um verso longo, uma paródia
Declamar um poema
Contar segredos e baixar o tom

E até falar das coisas difíceis da lida
Depois sorrir e acreditar
No lado divino e maravilhoso
Da vida…

Ah! Melhor nem vir…

Se não for para amar
Gozar no meu particular céu e inferno
Se não for para sentir
O gosto do instante não-eterno

E se assim
Se não for para ouvir canções de amor
Para chamar de nossas
Pequenos versos que digam coisas

Reais e preciosas

Melhor nem vir…
Eu deixo você ir,
A qualquer lugar
Que não seja aqui.

Mas se você vier
E ensinar as letras do seu vocabulário
Talvez o tempo possa enfim dizer
Que o seu ‘qualquer lugar’

É exatamente aqui.

Jaci Rocha

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