Poema de agora: Romeiro – Luiz Jorge Ferreira

Romeiro

Não havia Música.
Mas ao som dos nossos sussurros, começamos a dançar.
Lembro quando lhe conheci…
Haviam dois anjos sentados na calçada.
Haviam retirado as Asas e jogavam Damas.
Eu me aproximei…


A lua estava muito branca, parecia haver tomado um banho de giz…
Por um triz, não pisei no seu destino.
Dei as mãos as suas, e enquanto os Anjos jogavam…
Nos jogamos entre abraços que pareciam altas dunas.
Depois nossas sombras, agora brancas e em desalinho…
Procuraram caminhos estranhamente paralelos.

Lembro que havia um par de chinelos que nossos pés calçaram.
Os passos eu não recordo qual direção tomaram.
Mas era Pôr do Sol quando…As asas vieram a nos perguntar pelos Anjos.
Eu as estendi no chão, e nós deitamos…
Inexplicavelmente…nús.

Luiz Jorge Ferreira

*Do livro “Defronte da Boca da Noite ficam os dias de Ontem…” – Editora Rumo Editorial – São Paulo – Brasil.

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