Poema de agora: Rosa de fogo – Marcelo Autobahn (para Pat Andrade)

Rosa de fogo

Era esplendor e fúria
Era rosa de fogo
Como a cor dos seus cabelos
Na boca, palavras de ordem
Nas mãos, a bandeira
No peito, a estrela
Lutas e batalhas
Que pareciam infindáveis
E incansáveis
A cansaram
E a cronologia das más escolhas
Desbotaram um pouco a sua cor
O seu semblante mudou
A pétala quase murchou
O que era doce e o que não era
Quase se acabou…
Flor-mais-que-humana
Mas, quis Deus
Em sua misericórdia
Que a luz divina pairasse novamente sobre ela
Segurando suas mãos
Guiando seus passos
E seus traços
E o brilho dessa luz a regou
Até a sua raiz
E nas noites de lua cheia
Se via o brilho querendo sair
E saiu
E brilhou
E sorriu
E reagiu
A poesia fluiu
E a curou
A letra se perpetuou
E a alegria nos olhos voltou…
É tão bom ver que a flor ainda aflora
Ainda nos cinge de beleza
Aqui
E pelo mundo afora
Nos encantando de certezas
De que tudo ficou para trás
Tudo que um dia foi desespero
Hoje é alimento
É sustento
É poesia
Minha poetisa
Sua voz se concretiza
E se embeleza
Como riso novo
Da rosa cor do fogo

Marcelo Autobahn, para Pat Andrade


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