Poema de agora: Soneto niilista (Apagão, Amapá, 2020) – Bruno Muniz

Soneto niilista (Apagão, Amapá, 2020)

Nada acontece, como um barranco existo.
Sinto sentar-me a alma de preguiça ou pena.
Sobro ao universo; sou entre um ralho e isto;
do ócio que me dura, só esta brisa acena.

Me tornei do mundo um abalroamento.
Me trocaram por lenha deste fogão de canto.
E se me paira à beira um sono ao pensamento:
“pudera a esperança cair num dia santo”.

Cáspita! por Dante! que inferno!
Eu tinha andado inteiro antigamente!
E cá às paredes dos capítulos me interno.

Me tocaram o sentimento ao gado.
Ando que sinto assim feito que sente
que sou da sombra um corpo apeado.

Bruno Muniz

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