Poema de agora: Tem um Nefelibata no Céu do Macacolândia (Fernando Canto)

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Foto: Elton Tavares

Tem um Nefelibata no Céu do Macacolândia

Ei, você, me dê uma força aí
Pra que eu possa fisgar um peixe azul do fundo da terra
Cansei de comer carne de urubus e sapos e de apanhar sopapos do inimigo
Oh, o céu está sujo de moedas velhas, papel despedaçados, flores más, Bromélias prenhas de larvas do dengue e de mosquitos emboscados
Ah, tem uns orangotangos debruçados no balcão
Observando o ensaio da tua banda na garagem
Mexendo as pernas tortas quando pinta um rocktango

Oh, my god, tem ouro
Tem fumaça Tem filme da Disneylândia
E um nefelibata
No céu da Macacolândia

Ah, gente do céu, você aí no poste, ou você que faz que lê o jornal
Me dê um soco no nariz para que eu possa me lembrar
O quanto sou cara de pau e mau
Revisitando a terra feita de barro e de cabelos verdes

Bora lá, me dá um chute forte, um tranco, um bofetão
Joga um caco de telha no meu cocuruto
Eu já não fico puto, eu curto o céu da tarde ouvindo rock e reggae no quintal

Oh, my god, tem ouro
Tem fumaça Tem filme da Disneylândia
E um nefelibata
No céu da Macacolândia

Ah, lamento, cara, te dizer assim
Vai ver se estou naquele canto
Vai pentear macaco na floresta ou assistir um show de sacanagem na TV
Pra te tornares onanista de plantão
Pô , apesar de tudo, me dá uma força aí
Porque estou liso, tô pelado, tô na lama, oxidado pelo tempo dos relógios
Acabrunhado pela bronha matinal
Ai, vou remeter uma carta floreada aos querubins
Meu coração só de pulsar já sangra pela moça loira que mora no cemitério
Porque sou um flamenguista de carteira
Um vencedor um torcedor qualquer e amante
Que veio visitar a terra virgem dos loucos megatérios

Oh, my god, tem ouro
Tem fumaça Tem filme da Disneylândia
E um nefelibata
No céu da Macacolândia

Fernando Canto

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