Poema de agora: Todos os Medos – Ori Fonseca

Ilustração: Paul Baudry, Charlotte Corday, 1860.

TODOS OS MEDOS

Tu fecharás meus olhos com teus dedos
E beijarás a minha testa fria,
Irás sentir no ocaso desse dia,
Entre as recordações, todos os medos.
Então confessarás os teus segredos
Aos meus ouvidos surdos de agonia
E me dirás sem raiva ou alegria
Que às vezes me atiraste dos rochedos.
Mas por trás de minha vista enevoada,
Encontrarei tua face distorcida
E quererei não te perder, querida,
Nem das linhas de minha mão gelada,
Nem na vida, em que te fazes chegada,
Nem na morte, em que me faço partida.

Ori Fonseca

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *