Poema de agora: URBE – Patrícia Andrade

URBE

a lentidão dos dias
revela impulsos estranhos
da janela dá pra ver
a fúria da cidade movendo-se sob céus difusos

seres repletos de ausência
escrevem frases indecifráveis
em cartazes muros e faixas
promessas vagas
desejos obscuros

a noite se infiltra nos becos
luzes pálidas iluminam
o passo solitário do poeta
anda em busca de asas
para erguer-se além
do mundo real

quer alcançar
a leveza das nuvens
o diáfano das galáxias
o íntimo das paixões

quer decifrar
o que há de oculto
nos túneis invisíveis
do urbano sombrio

Patrícia Andrade

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