Poema de agora: URUBUS E AVIÕES – Luiz Jorge Ferreira

URUBUS E AVIÕES

Um velho cão jaz deitado na calçada com a pata ferida, e com o sangue coagulado, ele a deixa estar sob a lua.

Uma lua nova, pálida, e apaixonada por pipas coloridas e astronautas norte Americanos.

Dança um Mambo enquanto se entristece, e se entristece quando o Mambo dança.

Bem do lado onde uma semínima abraça uma colcheia.

Uma pulga afônica, atônita, assobiando Bon Jovi, vinda lá do Rock in Rio. Brinca de bailar com gotas de suor da mulher que tricoteia.

A mulher, vesga, que se veste de testemunha senta próximo a sombra do Sol, tricoteia Pulover de mangas desalinhadas enquanto masca tabaco.

Quem bate a foto, não imagina a falta que faz a música presa ao vidro da janela, junto ao pigarro do homem que vende avelãs lá na esquina.

Quem põe os óculos para ver a cena, não imagina que a cena é obscena, obscura, abstrata, adversa aos versos que o Poeta posta no celular descarregado.

– Bate palmas o carteiro…

Espanta o Rock do Bon Jovi no refrão dedicado ao vinho derramado sobre a mesa.

O cão pensa que é seu o sangue e uiva no mesmo tom do Rock Roll…
Foge a lua para nascer em Oiapoque no meio dos Girassóis de um poeta sentado com os dois pés no sonolento riacho.

Subo a Av.Corifeu de Azevedo Marques, sob Marchas Fúnebres em Lá, que la adiante despidas, sujas e molhadas de suor mergulham no Rio Tietê.
Morto…podre…apustemado.

No aeroporto o Governador esquisitamente todo perfumado.
Vai de avião particular a jato, ver o Danúbio.
Valsas para quem se valse.
Para quem não imagina… #Beba Coca-Cola… “a dar com o pau…”

Luiz Jorge Ferreira

* Poema do livro “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas” – Rumo Editorial (2019) – São Paulo.

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