Poema de agora: VALSINHA – Luiz Jorge Ferreira

VALSINHA

E se acontecer da dor acontecer
E se esta dor em mim só for você
E se ela me fizer sangrar
E se eu me desmaiar
E se acontecer de eu me esquecer
E se você nunca se lembrar
E se de repente eu não existir
E me ferir e me embriagar
E de manha for eu quem não chegar
E se eu espalhar demais os meus pedaços
E se você por Deus não os juntar
E por acaso eu nunca mais estando
E acontecer em nós da dor voltar
E finde o dia e a gente não perceba.
E a vida fuja e a gente não esteja.
– Como poderemos ser felizes?

E se nos perdermos nas esquinas
E se nos escondermos entre nós
E se dormirmos em noites diferentes
E se for outro o nome de alguém
E se fingirmos ter saudades.
E se um chegar depois
E se desunirem as cidades
E se for frio na sala e o sol brilhar no Hall
E se envelhecermos no Outono
E se diminuirmos a visão
E se desaparecer o seu sorriso
E se o coração tiver razão
E se você vier vestida
E se houver água no mar
E se vier trazendo a vida
E se eu tiver ido banhar

E se dançarmos uma valsa
E se o som vir do luar
E eu sonhar que foi um sonho.

Como poderemos Ser felizes?

Luiz Jorge Ferreira

*Do Livro de poemas “Defronte da Boca da Noite…ficam os dias de Ontem” – Rumo Editorial – São Paulo …Brasil.

 

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