Poesia de agora: POEMA ILHADO PARA UMA CIDADE SUBMERSA – @stkls (Vídeo e voz de Áquila Almeida) @manudosertao

POEMA ILHADO PARA UMA CIDADE SUBMERSA

tem a memória
que do outro lado da porta
brinca de molhar os pés
é sempre um jeito
de me dizer que o rio barrento
é como um milagre
que é um amor
que é uma passagem de Deus
aqui ao menos
o rio será o tempo
um relógio de marés-minutos
que a todo instante
quer beber a cidade
o corpo da cidade
como tudo isso nasceu
eu não sei dizer
esse ruído de rio
esse rio que pula muro
esse rio que já esteve aqui
dentro do peito da cidade
agora é um quintal
onde são josé brinca
faz suas travessuras
sobe nas árvores
adoça a boca com fruta
e volta a olhar a ilha
o sol quando nasce no rio
é partícula de poesia
e vai ficando cheio de sol
e tudo de repente é poesia
vira um poema de rio
vira um poema de verão
penso que se jogar a rede agora
pesco um paneiro cheio de poemas
pesco…
o rio outro dia
estava solitário de maresia
e um barco passando
fez uma linha bem na sua aorta
o rio não revidou
o rio fechou os olhos
cansado do dia
o rio sonhou
que era um menino correndo
brincando nas poças da chuva
você rio maior da poesia
visto do espaço
é um caminho sem fim
um cabelo emaranhado
linhas e linhas de água
riscadas pelas canoas
rio amazonas, no princípio
tinha um poema ilhado
para uma cidade submersa
recortes de histórias
pessoas mistérios e lendas
agora é um caminho sem volta
a cidade sempre fui eu
você me submergiu
cresceu poesia em mim

Pedro Stkls – Vídeo e voz de Áquila Almeida

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