Poetas premiados nacionalmente (Via @alcinea)

Marven Franklin e Tiago Quingosta

Por Alcinéa Cavalcante

Os poetas amapaenses Marven Franklin e Tiago Quingosta brilham no cenário nacional com suas obras. Vencedores de vários concursos, ganharam este ano mais um prêmio para suas coleções e orgulho dos amapaenses. Desta feita eles ficaram entre os 40 melhores poetas brasileiros que participaram do V Prêmio Literário Cidade Poesia promovido pela Associação de Escritores de Bragança Paulista.

A coletânea – que reúne as melhores poesias que disputaram o prêmio – foi lançada no final de maio no III Encontro Nacional de Escritores, realizado em Bragança Paulista.

Eis as poesias premiadas:

350×776

Estrábicas medusas arrastam-se sinuosas
pela calefação das mitocôndrias.
Sussurros despertam a inércia dos rabiscos entrelaçados no vazio.
Escuro e hodierno sol de erupções bucólicas:
Meu corte em transversal da saudade amiúde.
Corações de metal estão pairando sobre o arrebol,
trazem nos calcanhares canções carnívoras que me recordam do dia gris
em que pairei nos teus braços esfumaçados da carvoaria.

Vêm brilhar do fundo do mar as abissais
para que como noiva loba eu te dispa em falsas aquarelas de spleen
e caia no teu enfarto primaveril de Guernica.
Como te dizer que eu te sublimo dos radares que nos multam,
mas não das trepadas que damos até os açaizeiros derrubarem diamantes?
Como te dizer que só me importará o fim, se tivermos relógios para garantir o exclusivismo colonial,
o plantio de novas flores do deserto
e poesias que atinjam a alma como se fossem um soco?

Tiago Quingosta

BORBOLETAS CINÉREAS

I

pelos vales e cordilheiras
óbito da bondade – benevolências que jazem reprimidas
em covas rasas de iniquidades
(ah, rios de lágrimas
– a encharcar plantios de girassóis petrificados –
quando sustarão sua caudalosidade?)

II

sinfonias e hinos fúnebres
a ecoar em esquinas desalumiadas
(dejeções humanas
que rastejam consternados
coalhados de olhares gris)

III

oh, borboletas cinéreas
– culpadas pelos meus macambúzios entardeceres –
onde repousam tão infames
depois de um arroubo bélico pelas cercanias
do fim do mundo?
(será que são as emissárias dos letíficos tsunamis
que abocanham aldeias de beiras de rios?

Marven Franklin

Fonte: blog da Alcinéa Cavalcante.

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