“Por aí a fora” (em homenagem ao comandante Barcellos, que se vivo, faria 100 anos hoje) – Por Pedro Aurélio Penha Tavares

O ex-governador do Amapá, Annibal Barcellos, se estivesse vivo, completaria 100 anos nesta terça-feira (10). Ele morreu no dia 14 de agosto de 2011, aos 93 anos, de causas naturais. O “comandante”, como era chamado por ser oficial da Marinha, era carioca e veio para as bandas de cá no final dos anos 70, nomeado pelo Regime Militar, no período de 1979-1985. E deputado federal constituinte (1987-1991).

Barcellos errou e acertou muito em sua vida política. Ele foi criticado e combatido, como todo gestor público, mas adorado pela maioria da população amapaense, que mesmo depois da abertura política, o elegeu governador 1991-1995 (primeiro eleito) e prefeito de Macapá, de 1997-2001. Em 2004 foi eleito vereador em Macapá. Ao fim do mandato em 2008, encerrou sua carreira política. O homem era carismático e estrategista.

Annibal Barcellos foi sepultado no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, em Macapá. Centenas de pessoas compareceram ao seu velório, realizado na Assembleia Legislativa do Estado (ALE/AP). O cortejo, com direito a homenagens em frente ao Palácio do Setentrião, foi acompanhado por políticos, empresários e centenas de populares.

O ex-governador foi demonizado e endeusado, mas a verdade é que ele preparou o então Território-Federal do Amapá para virar Estado. Em homenagem ao seu centenário, republico o texto “Por aí a fora”, escrito por meu tio, Pedro Aurélio Penha Tavares, escrito para homenageá-lo na época de seu falecimento.

Por aí a fora

Além de todas as obras realizadas pelo comandante Barcellos, visando a estruturação do futuro Estado do Amapá, quando esta terra ainda era Território Federal, o então governador valorizou e capacitou jovens técnicos amapaenses.

Barcellos se preocupou em preparar homens, como constatamos hoje, para comandarem o Amapá. Ele deu condições para muitos cursarem o Nível Superior fora do Amapá, dando bolsas de estudo aos mais carentes e liberando funcionários públicos para se deslocarem a outros estados, em busca do sonhado 3º grau.

Essas pessoas foram prestigiadas quando retornaram ao Amapá, pois muitas delas foram nomeadas para ocuparem cargos na estrutura do Governo de Annibal Barcellos. Essa preocupação com a formação teve continuidade, vários destes amapaenses fizeram especializações e assumiram postos relevantes na gestão do comandante.

Dentre os jovens técnicos que tiveram oportunidade no Governo de Barcellos podemos citar: o delegado Antônio Cardoso, que foi secretário de Segurança Pública; o professor Antonei Lima, que foi secretário de Educação; o engenheiro agrônomo Iraçu Colares, secretário de Agricultura; o administrador Pedro Aurélio Penha Tavares, secretário de Administração; o médico Papaléo Paes, secretário de Saúde; o economista Regildo Salomão, também secretário de Administração, entre tantos outros.

O comandante também deu oportunidade a jovens que não cursaram o nível superior, mas por demonstrarem competência, ocuparam cargos chaves e contribuíram para o desenvolvimento do Amapá. Esse fato mostrou que a preocupação do comandante Barcellos, “efetivamente”, era com o Amapá como um todo.

O visionário

Barcellos chegou a ser questionado pela Justiça, por meio de Ação Popular, quando resolveu construir a Assembleia Legislativa do Amapá, quando ainda não havia deputados. Outro caso similar foi quando o comandante decidiu erguer o prédio do Banco do Estado do Amapá, quando não existia banco e muito menos Estado.

Valorização do amapaense

Vale salientar que, como já foi dito, o comandante sempre deu prioridade aos jovens, entre eles, vale salientar um caso. Quando Barcellos precisou nomear os desembargadores para o Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), na cota destinada ao Judiciário, o então governador procurou saber ser tinha algum amapaense juiz de Direito.

O comandante foi informado que tinha um sim, mas o juiz atuava no estado do Pará. Barcellos mandou chamá-lo e o nomeou desembargador do Tjap, seu nome é Gilberto Pinheiro.

Trocando em miúdos, o comandante Barcellos deixou seu legado, uma história de amor pelo Amapá e pelos amapaenses.

Pedro Aurélio e o “comandante”.

Pedro Aurélio Penha Tavares – Auditor do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que foi chefe de Gabinete e secretário de Estado da Administração do velho comandante.

*Fotos encontradas nos blogs Porta Retrato, Repiquete no Meio do Mundo, do professor Nilson Montoril e da jornalista Alcinéa Cavalcante.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *