Prefácio do livro “O avesso do verso, poemas de mim”, da escritora Pat Andrade, que será lançado nesta quarta-feira – Por Ronaldo Rodrigues – Escritor

Momento de celebrar a poesia

Nos tempos atuais, lançar um livro, abrir uma exposição, montar uma peça, fazer um filme e realizar tantas outras manifestações artísticas é uma vitória do nosso espírito revolucionário, de resistência ao mundo de trevas que estão tentando instalar.

Pat Andrade lança hoje seu livro “O avesso do verso – Poemas de mim“. Fui convidado para escrever o prefácio e, me sentindo extremamente honrado, fiz o possível para estar à altura da obra. Vamos a ele e, logo mais, compareçam ao lançamento para celebrar com a poeta e seus muitos admiradores a força e a suavidade de sua poesia.

PREFÁCIO

O estilo é estilete algumas vezes e, outras vezes, pluma. Ronaldo Rodrigues – Escritor

Estender palavras no varal da página em branco: desafio e resignação. Sabe lá a que sortilégio os poetas estão sujeitos. Talvez apenas a vontade de dizer algo, algo que não quer e não pode calar. A palavra pode se diluir no tráfego intenso das cidades humanas, mas, de repente, pode muito bem se esgueirar pela parede do labirinto e ganhar a liberdade. E resgatar um olhar em direção ao nascer do sol para emoldurá-lo, arrebatá-lo ou invertê-lo, trazendo novos significados ou reafirmando seu revolucionário encanto.

Pat Andrade não abriu mão de se aventurar pela escorregadia e íngreme selva das palavras. Nem se omitiu ao contato da tempestade para trazer de lá a aurora. Nas palavras da poeta, o cotidiano se reveste de dimensões épicas, feitas de retalhos de gestos prosaicos e olhares sutis.

Com o radar fincado no presente, sua poesia olha para o passado vivo e traz de lá o futuro. Quando lança seus livros alternativos, rebeldes, outsiders, dá as mãos à poesia marginal dos anos 1970 (a geração mimeógrafo) e desenvolve um diálogo com as estrelas do infinito, envolvida em engajamento, deleite, relaxamento e compromisso. Ah, sim! Sem esquecer a ironia e a suavidade.

Tudo o que cabe no coração, na mente e no espaço sideral de uma lauda vem à tona e se (re)afirma inquieto, corajoso, urgente e necessário. Os seres que poesificam a vida pedem passagem, com o verso diverso, controverso e divertido de Pat Andrade nos conduzindo. Brindemos! Mais uma taça de ambrosia, no templo deste tempo. Taça de curare e cura, onde a gente se embriaga e transborda.

Fiquem com a poeta, aceitem o convite. O Avesso do Verso – Poemas de mim. Pra vocês.

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