Projeto incentivado pela Secult fará premiação para mulheres que mantém festividades tradicionais no Amapá

Foto: Cláudio Rogério

Com objetivo de valorizar e homenagear mulheres referências na manutenção de festividades tradicionais no Amapá, a Associação Cultural Berço do Marabaixo irá promover o prêmio “Natalina Costa- Mãos firmes de um legado”.

A premiação faz parte do projeto “Memória Cultural do Ciclo do Marabaixo no barracão da Tia Gertrudes” que é um dos contemplados pela Lei Aldir Blanc através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). De acordo com o titular da pasta, Evandro Milhomen, fomentar a cultura mesmo em tempos de Covid-19 é essencial para manter a cadeia produtiva da cultura e manter viva as manifestações tradicionais.

“O marabaixo é nossa maior expressão cultural, e parte da identidade de um povo. Essa iniciativa mostra o respeito e o nosso compromisso de manter tradição e memória ativas nesse cenário tão desafiador de pandemia”, pontuou o secretário.

Além da premiação o projeto propõe ações como rodas de conversa, exposição fotográfica, oficinas de dança e percussão, e apresentações de marabaixo que serão transmitidas pela internet.

A programação inicia nesta terça-feira (20) e vai até o dia 19 de junho. Todas as atividades serão transmitidas mas redes sociais do Instituto Tarumã e da Associação Cultural Berço das Tradições Amapaense – Berço do Marabaixo.

Prêmio Natalina Costa – Mãos firmes de um legado

Neta de negros que foram escravizados e filha de Gertrudes Saturnino e Raimundo Pereira da Silva, Maria Natalina Silva da Costa, nascida no Amapá em 27 de fevereiro de 1932, foi criada somente por sua mãe.

Construiu sua história com treze filhos, enfrentando na época o preconceito presente na sociedade brasileira, lutando contra o racismo e rompendo barreiras em busca de espaços para as mulheres.

Natalina herdou de sua mãe, o espirito de luta e de liderança, dedicando-se a manutenção das tradições e dos ritos de origem africana, participando ativamente do carnaval, dos ritos aos orixás e principalmente da cultura afro amapaense do batuque e marabaixo.

Seu amor pelo marabaixo foi tão forte, que a ela os poetas Val Milhomem e Joãzinho Gomes renderam homenagens na música “Mão de Couro” – “Natalina falou, gengibirra não é mole não” e ainda em 2008, foi enredo carnavalesco do Bloco Gaviões da BR.

Natalina Costa nos deixa em 09 de dezembro de 2017, e sem dúvidas, enraizou em nosso chão o legado de uma mulher aguerrida, referência do Marabaixo da Favela e uma das maiores incentivadoras daqueles que trabalham na solidificação da cultura afro-amapaense, no contexto da sociedade.

Ascom Secult, com informações do jornalista Cláudio Rogério

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