Projetos que preservam costumes e línguas no Norte do AP faturam prêmios e R$ 20 mil do Iphan

Dadi Felisberto, pesquisador indígena dos projeto Peixes e Pesca — Foto: Pauline Laval/Divulgação

Por Caio Coutinho

Dois projetos do Amapá renderam reconhecimento e 2 dos 12 prêmios Rodrigo Franco Melo de Andrade, realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ambos trabalham com o estilo de vida de povos indígenas e não indígenas do Norte do estado.

Cada projeto faturou R$ 20 mil, divididos entre os pesquisadores. Um se chama “Peixes e pesca: Conhecimentos e práticas entre os Povos Indígenas do Baixo Oiapoque, Amapá” e o outro “Projeto: Valorização das Línguas Crioulas do Norte do Amapá”. A divulgação aconteceu na terça-feira (15).

A premiação busca reconhecer trabalhos e iniciativas que preservem patrimônios culturais materiais e imateriais do Brasil. O prêmio, existente desde 1987, está na 33ª edição. Os projetos disputaram com mais de 500 outros inscritos de todo o país.

Projeto de línguas busca preservar idioma usado em comunidades no Norte do AP — Foto: Pauline Laval/Divulgação

De acordo com o Iphan, a pesquisa de peixes e pesca elaborou um grande arquivo sobre conhecimentos indígenas, recursos pesqueiros e ecossistemas da região e promoveu um diálogo entre antropólogos indígenas e não indígenas,

Buscando realizar um “intercâmbio de saberes” com ampla difusão social, o projeto contou com o apoio do Museu Indígena Kuahí, Universidade Federal de São Paulo e Instituto de Pesquisa e Formação Indígena.

“Sublinhou a mobilização de saberes indígenas sobre o ecossistema, cosmovisões e as práticas culturais da região. A ação também preconizou o reconhecimento das especificidades de gênero e dos grupos étnicos envolvidos com o projeto. Apresentando uma metodologia bem detalhada, contou com a contribuição de dezenove pesquisadores indígenas”, informou em ata.

Pesquisadores catalogaram instrumentos de pesca indígenas — Foto: Pauline Laval/Divulgação

Em relação ao projeto de línguas crioulas, o instituto destacou que a iniciativa partiu das demandas das populações locais visando garantir o domínio da escrita voltado para uso próprio de cada grupo étnico, o que pode garantir a integração de diferentes grupos indígenas e a comunidade não indígena.

Segundo Davi Felisberto, pesquisador indígena do projeto sobre peixes e pesca, foram abordados os povos Galibis-Maruornos, Palikur, Karipuna, Galibis-Kalinã e mais de 20 aldeias, todas em Oiapoque. Ele informou que o projeto começou em 2013 e terminou em 2018.

Mais de 20 aldeias foram visitadas — Foto: Pauline Laval/Divulgação

“Na pesquisa nós percebemos um aumento de algumas espécies de peixes como o pirarucu e o desaparecimento de outras. O projeto é muito importante para a preservação dos animais e dos costumes indígenas”, destacou.

Fonte: G1 Amapá

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