Promotoria da Saúde constata falta de equipamentos e paralisação nas obras de reforma do HCAL

Em inspeção realizada nesta terça-feira (24), no Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL), para verificar o andamento das obras de reforma e adequações no local, a Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público do Amapá (MP-AP) confirmou que continuam faltando equipamentos básicos e os serviços estão paralisados, comprometendo, dentre outros, a ampliação do Centro Cirúrgico.

A informação sobre a interrupção da reforma foi repassada pela própria Secretaria de Infraestrutura (SEINF), sob alegação de que a direção do hospital não providenciou a liberação de áreas indispensáveis ao andamento da reforma, como a Central de Materiais e Esterilização (CME). Segundo a gestão do HCAL, o problema está na falta da rede de ar comprido, utilizado pelas autoclaves (máquinas de esterilização), e que o serviço foi solicitado, porém sem data prevista para ser realizado.

Na ocasião, a titular da 2ª Promotoria de Defesa da Saúde, Fábia Nilci, e a assessora técnica Elizeth Paraguassu, foram aos locais recém-reformados para verificar a qualidade dos serviços prestados à população. No setor de Imaginologia, apenas o Raio-X está funcionando normalmente.

O aparelho de ultrassonografia está quebrado e o exame é realizado com aparelho portátil, portanto, com baixa qualidade de imagem, o que pode comprometer o diagnóstico. Além de disso, não está sendo realizada no HCAL a ultrassonografia de tireoide, tampouco a de mama.

O tomógrafo, que não funciona há mais de um ano, segue com problemas no equipamento. “Ingressamos com uma ação, tivemos audiência recente e o Estado continua descumprindo as promessas de que resolveria a questão, mas até agora nada. Com isso, infelizmente, não tem tomografia no hospital”, lamenta a promotora Fábia Nilci.

O Eletroencefalograma está paralisado pela falta de médico para emitir os laudos. O único médico do setor está de férias. Os exames que necessitam de sedação também não podem ser realizados por falta de anestesista. Nos casos de endoscopia e colonoscopia, devido haver apenas um tubo flexível utilizado nos aparelhos, os exames são feitos apenas em pacientes internados da nefrologia ou oncologia.

Carência de medicamentos e materiais

Na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), a equipe plantonista relatou ao MP-AP que continuam faltando itensquadro da falta de remedios básicos, como dipirona, hidrocortizona, aminofilina, plasil, ranitida, omeprazol, dentre outros. Segundo a direção do HCAL, para não agravar ainda mais o quadro, a compra de medicamentos no vem sendo realizada via fundo rotativo do hospital, devido à carência constante na Central de Abastecimento Farmacêutico (CAF).

Dois 11 leitos da UTI, apenas seis estão funcionando pela ausência de ventiladores pulmonares. “Fiz curso de medicina. Não faço milagres”, desabafou uma médica.

Outra situação foi a paralisação dos exames de Gasometria, realizado em pacientes da UTI. Esses exames são terceirizados, via contrato estabelecido farmacia hcalcom a empresa PROMED. Segundo a coordenação do Setor de Analises Clinicas do HCAL, isto acontece pela falta de supervisão do contrato, fato que já teria sido relatado ao responsável.

O HCAL está sem hemogasometria desde o dia 13 de julho. Esse equipamento é utilizado especialmente para os pacientes da UTI e UNACON. Sem ele, as chances de sobrevivência dos enfermos diminuem drasticamente, pois é considerado essencial no atendimento inicial e seguimento dos internados em estado crítico ou pós-operatório.

“Ou seja, sem esse equipamento é impossível internar pacientes eletivos, razão pela qual, muitas cirurgias estão sendo canceladas. O Estado deve resolver imediatamente, afinal, dispõe de relação contratual com empresa especializada, que já deveria ter disponibilizado um homograsometro reserva”, finaliza a promotora.

SERVIÇO:

Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]

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