Protesto de terça

                                                                                             Por Elton Tavares

Pensando aqui com os meus botões, cheguei a conclusão que sou um “estranho chato”, pois eu penso. Vejo os outros, os legais, eles são idiotas, mas são muito bacanões. Levam vidas comuns, como gado, gostam do que os outros gostam, vão para onde todo mundo vai, escutam o que todos escutam, freqüentam boites e academias, possuem muitos “amigos”, acompanham a moda, são baladeiros, não perdem micaretas (diversão preferida de nove entre 10 cidadãos locais), sim, aquele momento de insanidade coletiva que os bacanas pagam para participar. Sufoco por sufoco, prefiro um show de rock and roll. Enfim, não são chatos.
Mas querem saber? Eu, filho mais velho de uma família de classe média baixa, adoro ser um estranho chato, levar uma vida fora do comum é muito mais interessante. As pessoas “superbacanas” são medíocres, não lêem livros, escutam músicas ruins (sim, ruins. Não tenho preconceito musical, tenho é conceito mesmo), freqüentam locais onde todos querem parecer mais ricos do que são, não assistem filmes (só se for dublado, porque legenda da dor de cabeça). Essas criaturas julgam pessoas pelo que elas possuem, agregam valor ao indivíduo.
Serei mais claro, já escutei diversas vezes frases fúteis do tipo: “Fulano do Golf preto” ou “Ciclano, dono da loja tal” ou “Beltrano, chefe do setor” tal. Grandes merdas, eu gosto de gente legal, inteligente e, sobretudo, de bom caráter. Pode ser liso, granado, preto, branco, homo ou hétero. Não sendo um merda do tipo que descrevi, está valendo. É, e no final das contas nós, os chatos, que somos estranhos. Pois não vivemos em cima da esteira da velha linha de montagem do cidadão comum.
Sou chegado em um bom papo, mas assisto Chaves e outras besteiras. Leio livros, mas jogo videogame. Enalteço músicos e artistas e desprezo a maioria das pessoas “bem sucedidas” (aos olhos da sociedade), patrícias, playbas e afins. Sempre existiu reciprocidade entre eu e o High Society, nós nos odiamos. Não atribuo valor aos outros pelos que eles possuem, mas sim pelo que são. Acredito que dinheiro deve ser gasto em felicidade e bem estar das pessoas e não em boçalidades e vaidades afins.
É ótimo presenciar o sucesso das pessoas, quem trabalha e compra suas coisas legais e tals, mas não pensa que é mais por ter mais. Vitória não é ter carro e mulheres fúteis, mas conhecimento, amigos, família e, é claro, um amor.
Falando nos bacanas, muitos deles possuem diversas máscaras. Odeio gente que muda de acordo com o circulo que frequenta. No meio da família é uma coisa, dos amigos é outra, no trabalho então, coloca mais uma máscara. Elas devem sofrer de esquizofrenia alucinatória, com ira narcisista involuntária (filme Eu, eu mesmo e Irene).
É por isso que os chatos estranhos não são amigos de todos, porque possuem preconceito intelectual, não admitem os superbacanas por perto. Eu to precisando atualizar o cérebro, preciso ler algo novo, preciso escutar bandas novas e assistir filmes cults. É irônico, mas no final das contas, nós, os chatos é que somos estranhos (risos).
“Temos, há muito tempo, guardado dentro de nós, um silêncio bastante parecido com estupidez” – Eduardo Galeano.

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