Quadrinhos: Lendas amazônicas ganham novo enredo nas mãos de desenhistas, no Amapá

Por Paula Monteiro, do Portal Amazônia

A riqueza da fauna e flora da Amazônia e suas potencialidades no mundo científico sempre aguçaram a imaginação das pessoas, especialmente, dos povos da floresta. A magia sobre o que é mito ou realidade nas lendas amazônicas do ‘Mapinguari’, ‘Boto’ e da ‘Cobra Grande’ inspiraram jovens desenhistas a criarem histórias diferentes para os personagens, no Amapá. O novo enredo das fábulas virou uma coletânea com três histórias inseridas na revista digital ‘Amazônia em Quadrinhos’, lançada no mês de junho deste ano, na capital.

O Mapinguari, um dos mais populares monstros da Amazônia, é conhecido entre os nativos por assustar os caçadores na floresta. Segundo relatos, ele possui um grande olho, boca na barriga e mau cheiro para espantar os intrusos. A figura mística assemelha-se a uma preguiça, o que abriu a discussão entre os cientistas da lenda se tratar de uma nova espécie da família do mamífero. O conflito entre as versões é a base da história criada para a lenda na ‘Amazônia em Quadrinhos’, regada com suspense, drama e desenhos ricos em detalhes e movimento. “Nossa intenção também é desmistificar que as lendas amazônicas sejam apenas didáticas. Por isso, fizemos uma história com elementos da lenda, mas com outros conflitos onde deixamos a critério do leitor a interpretação”, explicou Israel Guedes, coordenador do ‘Ap Quadrinhos’.

Guedes também é responsável pelo desenho e edição da nova história da ‘Lenda do Boto’. A narrativa fala sobre uma garota que imagina ser filha do “homem bonito de roupas brancas e chapéu”- o Boto em pessoa. Ela conta a dois amigos que o que sabe sobre o seu desconhecido pai tem tudo a ver com a lenda. Os elementos são simples e de fácil compreensão, além de permitir ao leitor uma análise particular sobre a existência na vida real do então personagem. “É uma história mais leve com traço simples, aproximando dos desenhos infantis. Tentei dar emoção às cenas na variação dos quadros com metalinguagens”, disse.

Além da revista digital ‘Amazônia em Quadrinhos’, os desenhistas lançaram o segundo trabalho do grupo, intitulado ‘Sonho Brasileiro’, na última terça-feira (24). A publicação trata dos anseios do ser humano, inquietações do subconsciente e a relação dos sonhos com a realidade com doses de humanismo e amor. A história tem o diferencial de ser 100% ilustrada à mão. O encarregado pela arte é Roberto Vanderley, o mesmo desenhista de ‘Mapinguari’. “A abordagem é psicológica e mostra as realidades que o subconsciente constrói seja acordado ou dormindo, onde imprime o medo, expectativas e relacionamentos. As imagens são ilustradas à mão, com todos os efeitos de grafite, sem auxílio digital. Também faz menção à Copa do Mundo de Futebol”, falou o coordenador.

Sobre o ‘AP Quadrinhos’

A ideia de abordar as lendas amazônicas em um contexto diferente do tradicional foi dos jovens desenhistas que integram o grupo ‘AP ‘Quadrinhos’. Criado há dois anos, a organização é a primeira do segmento onde reúne amantes de quadrinhos no Estado e também estimula e descobre novos talentos através de oficinas e divulgação das produções. Atualmente, conta com 15 integrantes atuantes.

Onde ler

Para ter o trabalho mais conhecido e de fácil alcance, o grupo resolveu lançar o ‘Selo Digital AP Quadrinhos’. A ferramenta permite a transposição das histórias em quadrinhos na versão impressa para o digital, gratuitamente. O material pode ser conferido através de links do perfil do grupo nas mídias sociais. Lá, o leitor encontrará a revista ‘Amazônia em Quadrinhos’- a qual reúne três histórias sobre lendas amazônicas em outros contextos – e uma história avulsa e fechada ‘Sonho Brasileiro’.

Na onda do Mangá

No começo de julho deste ano, haverá o lançamento de uma coletânea com três histórias de mangás, abordando a cultura japonesa.  A ideia do ‘AP Quadrinhos’ é navegar por todos os temas e vertentes através da arte sequencial.

A criatividade e o talento na ponta do lápis

Fazer uma história em quadrinhos requer dedicação e criatividade. Para a produção, primeiro é feito o esboço, depois o desenho à lápis, em terceiro lugar o nanquim  (tinta preta própria para o desenho), dependendo do trabalho. Em seguida, a historia é digitalizada, geralmente se escaneia os desenhos, onde é feita a correção de algumas falhas no computador, letramento, e coloca-se algum efeito, caso seja a proposta.

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