Quando a eleição acaba amor e amizade

Por Xico Sá

Até que a eleição nos separe, como diria o Amigo da Onça, o grande personagem de Péricles (na ilustração acima para os mais jovens).

Até que a eleição complique geral os relacionamentos. Seja no amor ou seja na amizade, começa a temporada de relações estremecidas por causa dessa velha invenção grega, a política.

Inevitável algum tipo de rusga quando o tempo fecha no botequim, no almoço de domingo na casa da sogra e principalmente nas redes sociais –essa imensa Boca Maldita virtual, só para lembrar o clássico local onde Curitiba discute as mais relevantes questões da humanidade, incluindo as mordidas do vampiro.

Até o começo dos anos 90, quando as coisas eram mais definidas entre esquerda e direita, dificilmente se formaria, entre os mais politizados, um casal de um(a) petista, por exemplo, com um(a) malufista.

Com a suruba eleitoral de hoje, como definiu o alcaide do Rio, as coisas mudaram muito. Óbvio que não é fácil encontrar um matrimônio entre um(a) jovem do PSOL e um(a) tucano(a).

O barraco ideológico até a apuração será inevitável. Não sei se isso é de tudo ruim. É democrático o embate, o conflito de ideias. Desde que não se bote a mãe no meio, como previsto já na Grécia Antiga.

Tem gente que tem paciência para a discussão; tem gente que não tolera. Óbvio:  se a amizade for firme mesmo, os laços de ternura irão estremecer mas resistirão às urnas.

Relacionamentos apenas virtuais, bem, esses serão destruídos em massa. A chacina já começou faz tempo

Não há manual para sair ileso. Se a Copa já foi politizada ao extremo, quando nego chegou a confundir CBF com órgão público, imagina na eleição, infinitamente mais passional e inflamável.

O arranca-rabo será ao melhor estilo Beco do Cotovelo, a tribuna pública de discussões filosóficas de Sobral (CE). Não foi à toa que ali mesmo, em 1919, a equipe de Albert Einstein comprovou, diante de uma eclipse do sol, a Teoria da Relatividade.

O pau vai cantar. O nível vai ser mais abaixado que mecânico de skate.

E você, leitor(a), já adotou um critério para usar nas redes sociais? Vai limar do seu círculo de relacionamento os amigos da onça?

Mesmo um pacífico anarquista-cristão da linha Tolstói, naturalmente contra o voto burguês, deve perder a paciência em algum momento.

Enfim, em que casos, você acha que é inevitável estragar uma amizade por causa das eleições?

Compartilhe isso!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*