Recado aos medíocres

                                                                                                 Por Silvio Carneiro

Lembro da reação dos meus pais quando um dia eu cheguei em casa e disse que eu ia fazer meu primeiro vestibular para Jornalismo. Na época, eu não era lá grande exemplo de filho.

Eu cada vez dava menos valor às coisas que a escola tentava me ensinar em vão e, ao mesmo tempo, começava a supervalorizar o que a vida e as ruas me ensinavam. E aquilo pra mim era natural. Eu tinha sede de vida e fome de mundo!

Meus velhos não se surpreenderam nem um pouco. Pra eles, o importante era que eu me formasse em alguma coisa, tivesse um diploma, desde que aquilo me fizesse feliz e me servisse de alguma coisa depois. E foi com essa sede de vida e fome de mundo que entrei para a faculdade de Jornalismo, no já distante ano de 1995.

O Jornalismo já era uma antiga paixão e agora eu estava cada vez mais me sentindo realizado!

Depois, aos poucos, fui aprendendo na prática, trabalhando numa rádio aqui, num jornal impresso ali, numa emissora de TV acolá…

Só quem é JORNALISTA de verdade e que carrega essa vocação na veia, é que pode saber o que eu sinto.

Não adianta apenas você gostar de ler e escrever pra ser jornalista. Isso é apenas uma das habilidades que o jornalista deve ter. Mas é preciso mais! É preciso andar e bater de porta em porta atrás da informação precisa. É preciso caçar os fatos como um lobo faminto atrás de sua presa. É preciso deixar muitas noites de sono, baladas e encontros com o amor da sua vida, e sair correndo quando a notícia chama. É preciso ser abnegado, atencioso, curioso, dedicado, digno, ético e tranparente para poder transmitir os fatos e esclarecer a sociedade sobre o que anda acontecendo.

Um jornalista deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação. Ele precisa divulgar os fatos e as informações de interesse público; lutar pela liberdade de pensamento e de expressão e, acima de tudo, valorizar, honrar e dignificar a sua profissão! Infelizmente muitos não fazem isso…

Muitos ainda usam a profissão apenas como artifício para estarem junto de pessoas importantes. Outros, para mendigar favores em troca de uma foto na coluna social.

É lastimável o jornalista que abre a boca aqui ou em qualquer outra parte do mundo pra dizer que passa fome com sua profissão. Por que isso? Será que uma pessoa dessa acha que só é jornalista os figurões da Rede Globo como o William Bonner? Querem eles ser estrelas da TV?

Esses argumentos são de quem não tem o jornalismo nas veias!

Seja em qual profissão for, sempre haverá profissionais bem sucedidos e outros mal sucedidos. Sempre haverá os que terão sucesso por serem competentes e os que não terão sucesso, por serem medíocres.

É inadmissível que um jornalista fique preocupado, por exemplo, se o governador vai pintar a residência oficial com as cores do seu partido, quando poderia estar muito mais preocupado em denunciar os graves escândalos nos quais seus patrões estão metidos ou se preocupar com a parcela da população que está sem moradia no seu estado!

Hoje, mais de 10 anos depois de formado, graças a Deus, eu posso dizer que sou motivo de orgulho para meus pais, que antes não acreditaram muito naquele jovem rebelde de antes. Mas que hoje podem ter a certeza de que seu filho não passa fome e trabalha digna e honestamente como tantos outros jornalistas profissionais que, que sustentam suas famílias sem precisar estar pedindo esmolas, fazendo fofocas ou se vendendo em troca da ilusão de ser uma estrela.
Eu e meu amigo Silvio, autor deste texto “de rocha”.
Meu recado pra esses maus profissionais: larguem a profissão o quanto antes. Vão ser palhaços ou prostitutos em outro lugar que lhes dê mais dinheiro ou mais prazer! O jornalismo não precisa de gente como vocês! O jornalismo e a sociedade precisam de jornalistas sérios.

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