Remo x Paysandu, a serviço do inexplicável – Crônica porreta de Marcelo Guido sobre o clássico que rolou ontem

Foto: O Liberal

Crônica porreta de Marcelo Guido

O princípio de tudo antes do nada.

Em mais um domingo, Belém do Pará e toda a região norte viveram mais uma página deste épico confronto.

Lobos e Leões travaram dentro das quatro linhas mais uma batalha em busca da vitória sobre o maior rival, e nem a Santíssima Virgem Maria, a mãe da Amazônia arriscaria um palpite de quem sairá vencedor.

Remo x Paysandu é mais que jogo para se ver, é algo para se sentir, se viver. Uma experiência única que colocaria a tremer o mais puro e sádico hooligan inglês. O gramado seja de qual estádio, é verde e abençoado pelo sangue cabano que corre nas veias de 22 homens. Belém a dita e bem nomeada cidade das mangueiras se divide. E as duas torcidas apaixonadas deleitam se no mais puro espetáculo de adoração por seus pavilhões.

A magia envolvida no “clássico Rei da Amazônia” é impossível de ser explicada, a rivalidade dividida pela Almirante Barroso parece enaltecer e criar vida como verdadeira lenda amazônica.

Não existe favorito, não importa a colocação de ambos não importa nada, RE x PA é intransponível a razão humana, é puro sentimento. O azul do céu contra o azul do mar, um espetáculo escuso quase que pornográfico para quem gosta de futebol.

Não me venha com “Grenal ou Flaflu”, aqui não importa, é vontade sobre a categoria é força sobre a técnica e o mais puro sentido da raça dentro de campo.

Rogerinho profanando o leão, Biro Biro derrubando os muros e assim vai se construindo o clássico, com heróis e vilões prontos a escrever mais uma vez a história. Onde o Mangueirão vibra junto e balança acompanhando a vibração.

De ídolos eternos de cada lado, como Cacaio e Artur ou dos dois Lados como Edil, ou tendo Dadá, o Maravilha, trajando o manto bicolor e um certo Bira vestindo azul, de Hélio a Alcino, ninguém ousaria dizer o resultado.

Mais um clássico no Baenão e o resultado terminou igual | Irene Almeida / Diário do Pará

Seja o maior tabu do mundo para um lado (33 jogos), ou o inesquecível 7×0 para o outro, os dois são face da mesma moeda.

Um inesquecível caso de amor que no domingo de ontem tomou conta do coração.

O maior Clássico do mundo acabou 2×2. Salve o Re X Pa, criado pelos deuses da bola para fazer sorrir e chorar, se tivesse um vencedor, que fosse o melhor, mas como dizem ao apito do árbitro, foram no mínimo 90 minutos onde o tempo e o espaço estavam a serviço do inexplicável.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia.

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