Rima de sábados felizes! – Por Elder de Abreu

Foto: Francisco Benine

Por Elder de Abreu

Sábado é um dia de saudosismo para mim, pois me remete aos anos 90, quando éramos bastante felizes – não que não sejamos hoje. Lembro que todo sétimo dia semanal, costumávamos passar a manhã jogando bola em um campinho que ficava entre a paróquia de São Pedro e a escola estadual Zolito de Jesus Nunes, no antigo bairro das Comunicações, atual bairro do Beirol.

A felicidade era maior ainda quando chovia. O jogo era ainda mais gostoso. Ao final de pelo menos quatro horas de partida, regiamente ao meio dia, quando a broca batia ‘dicunforça’, encerrávamos as atividades, certos de que em casa teríamos um feijão com maxixe e charque adubado para encher o bucho e tirar uma pipira (soneca) até as 17h.

Porém, não íamos embora sem antes trepar no muro da escola para encerrar a bola de todos os sábados com chave de ouro. Não havíamos porque pular o muro para ir embora, pois havia um imenso buraco nele. O propósito era outro: atentar o vigilante da escola.

Mesmo após quatro intensas horas de futebol ainda tínhamos folego para encher o peito e, em couro, soltar a rima, em tom muito alto, que até a vizinhança da avenida Tupiniquins ouvia. Até hoje não sei quem inventou aquela rima irritante para os vigilantes.

“O galo canta
O macaco assovia
Pica de burro
No cu do vigia”.

Sempre terminava com o vigia dando uma carreira na gente. Era divertido demais. Hoje o campinho deu lugar a um bloco escolar infantil e uma quadra poliesportiva. Vida que segue!!

*Elder de Abreu é amapaense, jornalista e assessor de comunicação.

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    Um flash do escritor ( muito bom por sinal)
    Com esse ingresso posso pular o muro dos anos e jogar essa pelada.
    Agora ‘ atentar’o vigilante…faz meu gênero.
    Parabéns.

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