Ronaldo Rony definitivo (pelo menos, por enquanto…) – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Aconteceu uma coisa legal na carreira do Ronaldo Rony e ele achou que seria procurado para algumas entrevistas. Como isso não ocorreu, ele convocou o escritor Ronaldo Rodrigues, com quem tem uma certa (ou incerta) afinidade, e este levou um papo definitivo com o nosso cartunista. Vamos à entrevista!

Ronaldo Rodrigues: Olá! Estamos aqui com o cartunista Ronaldo Rony e vamos logo ao assunto: fala aí, Ronaldo Rony, o que é um cartunista?

Ronaldo Rony: Cartunista é o cara que desenha humor, faz graça com o cotidiano, extrai de fatos corriqueiros o tema para os seus desenhos. Gosto sempre de usar uma frase minha que acho muito legal: cartunista é o artista que fala sério brincando, enquanto a maioria das pessoas brinca de falar sério.

Ronaldo Rodrigues: Legal mesmo! Agora, a pergunta clássica que sempre está na pauta de quem entrevista cartunistas: qual a diferença entre charge e cartum?

Ronaldo Rony: A charge tem a ver com um fato jornalístico da atualidade, algum assunto que esteja em destaque no Brasil e no mundo. Ela tem data de validade porque, como a história e a vida são coisas dinâmicas, os assuntos vão sendo substituídos numa velocidade grande. A charge perde o impacto depois que o fato ou a pessoa deixa de ser notícia. Já o cartum é mais livre no sentido de tu teres uma ideia dentro de qualquer tema e fazer um desenho que pode ser entendido na maioria dos lugares do mundo e em qualquer época. O cartum é atemporal, ele retrata conceitos que não prescrevem e não perdem o impacto passe o tempo que passar. E pode ser algo que nem precisa provocar imediatamente o riso. Pode provocar estranheza, reflexão, dúvida… Pode ter uma pegada mais filosófica ou poética e tal.

Ronaldo Rodrigues: E a caricatura?

Ronaldo Rony: A caricatura é o retrato de uma pessoa com exagero nos traços, mas que não deixa de mostrar a semelhança entre o desenho e a pessoa desenhada.

Ronaldo Rodrigues: Tu fazes caricatura?

Ronaldo Rony: Essa é outra pergunta que sempre fazem. Mas eu não faço. Às vezes, eu consigo, mas não é algo que eu domine, portanto digo que não faço.

Ronaldo Rodrigues: Sei que tens vários personagens, mas eu gostaria de enforcar um em especial: o Capitão Açaí!

Ronaldo Rony: Pois é! O Capitão Açaí tem mais de 20 anos, surgiu quando eu morava ainda em Belém. Como o açaí é um produto bem característico de Belém, eu pensei num super-herói que obtivesse seus poderes tomando açaí. O açaí dá uma força imensa para o cara, mas vem acompanhado do sono, que é também imenso. E é com essa preguiça, mas com muito boa intenção, que o Capitão Açaí tenta resolver os problemas de quem precisa dele.

Ronaldo Rodrigues: E onde esse personagem aparece?

Ronaldo Rony: Ele foi publicado em tiras diárias em 1996 num jornal de Belém que já nem existe mais, A Província do Pará. Falar na Província é bom porque foi lá que publiquei meu primeiro desenho de humor, em 1986, quando eu tinha 20 anos. Esse jornal, através da página Xibé, deu espaço para cartunistas que começavam naquela época e hoje estão aí, como eu, Paulo Emmanuel, Junior Lopes, Atorres. Hoje, fazemos parte de um time muito bom de cartunistas do Pará, que conta com Biratan Porto, J. Bosco, Ropi, Luiz Pinto, Walter Pinto. Voltando ao Capitão Açaí, ele é o personagem que mais aparece. Olha ele aqui!

Ronaldo Rodrigues: Nós temos a notícia de que tiveste, muito recentemente, trabalhos selecionados em salões de humor! Fala aí pra gente sobre isso!

Ronaldo Rony: Pois é! Foi pra falar disso que vim aqui! Primeiro é bom falar o que é um salão de humor, que muita gente pensa que é festival de stand-up! Salão de humor é uma espécie de concurso de desenhos de humor. É lançada uma convocatória, o cartunista se inscreve, manda os trabalhos via Correio e, agora, pela internet. Aí tem a seleção, depois a exposição dos trabalhos, a premiação em dinheiro. Muitos salões publicam catálogos bem produzidos, com todos os trabalhos selecionados. O barato disso, pra mim, quando sou selecionado, é ver meu trabalho escolhido entre mais de 1.500, às vezes bem mais, de todas as partes do mundo.

Ronaldo Rodrigues: Diz aí alguns salões que já contaram com desenhos teus!

Ronaldo Rony: Fui premiado em dois: Salão Ri… Guamá, promovido pela Universidade Federal do Pará, em 1992. Em 2004, fui primeiro lugar no Salão de Humor de Bragança, Pará, com este desenho.

Ronaldo Rodrigues: Legal! E as outras participações?

Ronaldo Rony: Lá vai minha pequena galeria de títulos: Piracicaba, Campina Grande, Ceará, Pernambuco, Bahia, Volta Redonda. Fora do Brasil: Uruguai e Sérvia. Abaixo alguns catálogos de salões:

Ronaldo Rodrigues: E as mais recentes participações? Que é sobre isso que vieste falar aqui.

Ronaldo Rony: O 9º Salão Medplan de Humor, no Piauí, de 2017. E o mais recente: o 10º Festival de Humor da Amazônia, que vai rolar em Belém agora, de 1º a 10 de junho. O tema é Ecologia no Traço, o desenho que classifiquei foi este e ao lado tem a lista de selecionados:

Ronaldo Rony: O fato de enviar trabalhos para esses salões e ser classificado é uma maneira que tenho de me manter ativo dentro da cena, além de incentivar cartunistas de Macapá, que ainda estão engatinhando nessa área, a também enviarem seus trabalhos. Quando um desenho consegue varar, como se diz aqui, é motivo de comemoração e eu faço a maior onda! Por isso te convidei pra me entrevistar e falar disso. Abaixo, alguns desenhos selecionados em salões:

Ronaldo Rodrigues: Muito bom falar contigo! E esta é mesmo, como disseste nos bastidores, tua última entrevista, a definitiva?

Ronaldo Rony: Sim! É a definitiva! Ou quase…


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