Sábado da Aleluia tem Marabaixo da Aceitação na Favela (Via @alcinea)

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“Quem tem roupa vai a missa lê lê
quem não tem faz como eu lê lê
Rosa branca açucena lê lê
case com a moça morena lê, lê”

O rufar dos tambores vai ecoar neste sábado da Aleluia por todo o bairro da Favela, a partir das 16h, com o Marabaixo da Aceitação que dá início ao Ciclo do Marabaixo da Santíssima Trindade, no Barracão da Tia Gertrudes (Av. Duque de Caxias, entre Manoel Eudóxio e Professor Tostes)

Mas antes do rufar dos tambores e da dança o festeiro faz uma oração à Santíssima Trindade pedindo proteção para todos que participam do Marabaixo. Após isso todos juntos rezam o Pai Nosso e a Ave Maria. Ouve-se o som das caixas e diante da imagem são cantados os primeiros versos, assim: “Santíssima Trindade venho te louvar/ dá-me a Tua proteção/ na hora que eu precisar.”

É dia de soltar foguetes, beber gengibirra, tirar ladrões e dançar até altas horas. As mulheres de saia florida, blusa branca e toalhinha no ombro para enxugar o suor e os homens de calças e camisas brancas e sandália de couro. Mas vale também bermuda e camisa de qualquer cor.

As mulheres dançam em círculo, arrastando os pés. A coreografia lembra o andar dos escravos de pés acorrentados. Os homens tocam caixa (tambor) e tiram os ladrões, isto é, cantam, e as mulheres fazem o coro. Aliás, hoje as mulheres também tocam caixa e puxam ladrões, como Maria José Libório, a Zezé, 75 anos, filha de Tia Gertudres – um ícone do Marabaixo.

Mas de onde vem esta que é a maior e mais importante expressão cultural do Amapá? Historiadores e pesquisadores dizem que da África, claro. Eles contam que nos navios que traziam os escravos para cá, os negros puxavam um canto que era como um lamento. “O ladrão lembra o lamento firme e vivaz de negros que cultivavam a esperança de voltar para o continente africano”, diz o pesquisador Rostan Martins. “Um participante líder e com habilidades de versar sobre assuntos do dia-a-dia, tira o Ladrão de improviso, como que roubando a “deixa” de outro participante que vai completando na improvisação”, explica.

“Quando eu aqui cheguei
logo na minha chegada
eu amarrei um pé de rosa
que nunca foi amarrada”

O ciclo, que começa neste sábado, só termina no dia 7 de junho, com a derrubada do mastro e a entrega da bandeira da Santíssima Trindade para o festeiro do próximo ano. Nesse período tem o Marabaixo do Trabalhador, do Mastro, da Murta, Missa, novenas, almoço dos inocentes e Corpus Christi. E haja gengibirra – uma bebida feita com cachaça, gengibre e açúcar.

Fonte: Alcinéa Cavalcante

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