São Jorge é festejado no Laguinho com missa, novena e marabaixo


Cumprindo a tradição, a família Prazeres, do bairro Laguinho, festeja nesta segunda-feira, 23, o santo guerreiro, São Jorge. Ele, que não renunciou sua fé em Cristo apesar da pressão de militares superiores, tem em Macapá centenas de devotos que se dedicam à orações de agradecimento e pedidos diante da imagem que o mostra sua batalha com o mítico dragão, numa referência às lutas travadas diariamente. A família Prazeres segue a  fé, herança deixada pela matriarca Tia Geralda, já falecida, e reúne religiosos para os festejos onde estão incluídas missa, café da manhã, novena e marabaixo.

Os religiosos que se dedicam à São Jorge, na maioria, se aproxima do santo pela sua história de persistência que não deixou que sua fé fosse abalada. Nascido na Capadócia, em 280, Jorge ingressou no exército do imperador  Diocleciano e logo chegou ao posto de Tribuno Militar. As perseguições aos seguidores de Cristo, comandadas por Diocleciano, exigiam que todos negassem sua fé, o que não foi atendido por Jorge. A desobediência resultou em torturas, que foram suportadas por ele. Seu corpo foi atingido por lanças, uma imensa pedra foi colocada sobre ele que ainda sofreu ao ser obrigado e ficar em uma fornalha.

A cada batalha vencida por Jorge, mais soldados iam se convertendo ao cristianismo, o que  fez com que o imperador tentasse acabar com a força de Jorge dando-lhe duas poções, mas não conseguiu. O próprio feiticeiro que fez o veneno, vendo a resistência e fé de Jorge, se converteu, assim como a esposa do imperador. O soldado foi degolado a mando de Diocleciano em 23 de abril de 303, deixando uma legião de devotos que passaram a crer ainda mais em Cristo. Para muitos católicos a história de São Jorge, que resistiu firme em sua crença até o final é um estímulo para que ninguém se deixe abater diante dos desafios.

“Todo mundo passa por dificuldades na vida, mas temos que nos manter firmes e enfrentar com coragem os problemas, assim como São Jorge, que tem uma história exemplar que devemos seguir”, diz a devota Danniela Ramos. A coordenadora do grupo de marabaixo Raimundo Ladislau não abre mão de participar da festa todos os anos levando crianças e jovens para a homenagem. O santo é também cultuado nas religiões de matriz africana, onde é chamado de Ogum.

A partir das 6:00 da manhã uma salva de fogos dá inicio à programação. Às 8:00 é rezada a missa especial para o santo seguido de um café da manhã. Ao meio-dia é serve-se o almoço enquanto os devotos preparam a festa da noite, que inicia às 20:00 com a ladainha e logo depois começa as apresentações de marabaixo que encerram meia-noite. A festa é aberta para todos os seguidores de São Jorge. A casa da Tia Geralda fica na avenida Nações Unidas, atual José Tupinambá e rua São José.

Mariléia Maciel
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