Sarau musical celebra 30 anos do disco Sentinela Nortente, na Ueap

No próximo dia 29 de novembro, a partir das 19h, no Auditório Central da Universidade Estadual do Amapá (Ueap), será realizado um Sarau em homenagem aos 30 anos do disco Sentinela Nortente – um álbum icônico da Música Popular Amapaense (MPA). O objetivo do evento, coordenado pela Pró-Reitoria de Extensão da Ueap, em parceria com o Instituto Accorde Brasil e Sebrae/AP, é resgatar valores históricos, musicais, culturais, sociais, estéticos, filosóficos e emocionais do povo tucuju.

De acordo com a coordenadora do Sarau, maestrina Arnely Schulz, o evento será uma celebração da cultura amapaense, harmonizada nos versos e nas melodias que movem e pulsam o coração e a vida do amapaense. “É importante relembrar uma trajetória de lutas e as vitórias na consecução de um sonho, que norteou e transformou a história da música popular amapaense”, comentou.

Saiba mais AQUI (texto de Arnely Schulz). 

Sentinela Nortente

Por Renivaldo Costa

Em 1989, há 30 anos, o mundo passava por grandes mudanças. Na Europa caía o Muro de Berlim, que durante décadas dividiu as duas Alemanhas. No Brasil, Sarney preparava-se para sair do governo e vencia as eleições presidenciais um político alagoano chamado Fernando Collor. Na Amazônia, surgia uma música diferente. No Pará, Nilson Chaves, Vital Lima e outros músicos difundiam suas letras e rimas, compostas sob o olhar atento do homem que quer a metrópole, mas não ignora o ribeirinho.

No meio dessas mudanças, evidencia-se a poesia de dois jovens músicos. Poesia porque faziam muito mais do que letras e rimas. Grande, aliás, é a resistência em aceitar a letra de música como poesia. Alguns críticos já traçaram listas de fatores que manifestam a diferença entre essas duas artes. E, embora, Manuel Bandeira já tenha dito “que por maiores que sejam as afinidades entre duas artes, sempre as separa uma espécie de abismo”, recorremos à tradição e à história da poesia, que é marcada e acompanhada pela música. O mesmo Manuel Bandeira também disse “que a poesia está em tudo – tanto nos amores como nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas”.

E o poeta Osmar Júnior se embebeu dessa ideia e encontrou a poesia em fatos corriqueiros, em coisas banais, em encontros e desencontros, e procurou levar para a música regional as inquietações do cotidiano dos jovens, os dramas de uma época pós-ditadura, as alegrias, dores e conflitos, conciliando o pessoal com os acontecimentos da época.

Como intérprete de seus manifestos, Osmar Júnior elegeu Amadeu Cavalcante, músico que já se destacava na noite amapaense. Surgia então, o “Sentinela Nortente”, o compacto que representou o grande suspiro da música regional. Sob a influência dos ritmos caribenhos, da salsa, do merengue, e também do brega e da toada, Osmar Júnior compôs clássicos do cancioneiro regional, como “Coração tropical”, “Tajá” e a própria música tema do disco. “Sentinela Nortente” foi o primeiro registro fonográfico do Movimento Costa Norte, que se desenhava naquele momento. Foi tão importante que motivou outros artistas, como Zé Miguel e Val Milhomem, a também lançarem seus LPs.

O disco é, em termos históricos, sociológicos, estéticos, filosóficos, um repositório do universo sociocultural que Osmar Junior tão brilhantemente captou e Amadeu Cavalcante soube interpretar com maestria.

Serviço:

Sarau em homenagem aos 30 anos do disco Sentinela Nortente
Data: 29 de novembro de 2019
Local: Auditório Central da Ueap (Campus I Avenida Presidente Vargas, Centro de Macapá)
Hora: 19h
Entrada Franca
Contato da Organização: Arnely Schulz, 96 99124 3771.

Elton Tavares, com informações da Ueap e do jornalista Renivaldo Costa.

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