Segmentos da indústria fonográfica utilizam softwares nas produções artísticas

Joker. Foto: Flávio Lacerda

Por Sávio Leite

As construções de composições harmônicas na criação de melodias, também são elaboradas por artistas que não possuem instrumentos musicais. A engenharia de áudio, hoje, acabou por ser acessível para quem deseja expressar seu talento e estilo por meio da música. O avanço tecnológico proporcionou essa acessibilidade, pois programas de computadores foram criados para serem utilizados na indústria fonográfica.

Há ritmos musicais que utilizam as ferramentas tecnológicas para lapidar o produto final, como na equalização do som para equilibrar as frequências sonoras. Os softwares também são responsáveis pela inserção da personalidade na música. Para cada segmento, os elementos são adicionados para satisfazer o público admirador daquele estilo.

Foto: Flávio Lacerda

A criação na música eletrônica

A música eletrônica, como seu nome diz, é o ramo que mais utiliza os softwares de programação musical e possui um vasto repertório em seus gêneros e subgêneros. As tracks (faixas de áudio) criadas pelos disc jockey (DJs) tentam passar as vibrações aos admiradores do estilo pelas batidas.

Com dez músicas autorais divididas entre o Trance, as vertentes Future Prog e Full On Groove, o amapaense Junior Silva, de 17 anos, conhecido nas pistas como DJ Joker, atua no mercado há dois anos. Aos 15 anos acompanhava os seus DJs favoritos, como telespectador observava as pessoas sentirem a música fluir durante as apresentações, por meio da forma como dançavam e interagiam umas com as outras. A satisfação do público inspirou Joker, que ficou impressionado com aquela explosão de sentimentos que visualizou e decidiu causar as mesmas sensações.

O jovem DJ buscou conhecimento de produção e descobriu inúmeras plataformas digitais para trabalhar na construção das músicas. Utilizar essas ferramentas requer dedicação para produzir um som de qualidade. Atualmente ele utiliza o programa Ableton Live 10 por oferecer uma variedade de opções e ser prático.

Para construir uma música que seja de agrado dos admiradores do ritmo, Joker leva em média um mês para produzir uma faixa. Ele realiza a composição harmônica dos elementos em sua própria casa e ao passar dessa etapa, o som é levado para pista para ser efetuada a fase de teste e os ajustes são realizados de acordo com a reação da plateia.

O DJ acredita que as suas produções foram possíveis por meio do avanço da tecnologia, a qual proporcionou a democracia musical. “Hoje em dia a internet ajudou muito a gente que é produtor, é mais fácil você conseguir um software de produção, fazer sua música e lançar nas plataformas, algumas cobram e outras são gratuitas”, disse.

Quando conheceu a música eletrônica aos 13 anos de idade, Gabriel dos Santos, de 20 anos, apaixonou-se pelo segmento fonográfico. Por admirar o ritmo, ele decidiu mergulhar nos estudos com a intenção de entender o processo de discotecagem para produzir suas próprias tracks. O DJ amapaense é conhecido pelo nome artístico de Psycoservo.

Segundo Psycoservo, é necessário ter paciência para ser alcançado um bom resultado quando está produzindo as faixas. Ao possuir concentração, uma boa produção será entregue. Assim como Joker, ele manuseia o Ableton Live 10 e produz em casa. “No momento utilizo apenas os softwares, mas estou estudando e aprimorando meus conhecimentos para expandir o trabalho com os instrumentos físicos e não virtuais. Futuramente se Deus quiser, irei montar um estúdio para melhorar a qualidade das minhas tracks”, declarou.

Cantores de rap também utilizam softwares musicais

Outra vertente musical que usa com maior frequência os meios eletrônicos para efetuar produções é o Rap. Os versos construídos ganham vida com as batidas idealizadas nos programas de edição musical.

Natural de Laranjal do Jari e atualmente residente em Macapá para dar prosseguimento a sua carreira de cantor, Alerrandro Thierry, de 20 anos, é conhecido como Karpamal. A originalidade está presente no seu conceito de música, pois após ler contos nórdicos ele encaixou as letras que visualizou nas histórias e criou seu nome artístico, para ser de fácil compreensão e ao mesmo tempo, ao ser pronunciado, que apresentasse ao público sonoridade.

Karpamal produz suas letras na própria casa. Quando finalizadas, ele entra em contato com um produtor musical de São Paulo para ser iniciada a engenharia de áudio. Quando o instrumental é elaborado, o cantor desloca-se a um estúdio de Macapá para realizar a gravação. Essa etapa do processo de produção é a única vez que Alerrandro precisa sair de sua residência. Posteriormente, a gravação é encaminhada novamente ao engenheiro de som para ser realizado o processo de mixagem e entrega do produto final. “Hoje a batida do rap, o instrumental, é feita por meio de softwares. Nos últimos anos foram criados programas que possibilitam a criação pelo computador sem sair de casa”, falou.

Para obter uma qualidade profissional, o cantor optou por esse sistema porque ele acredita que o público merece uma qualidade profissional. A evolução tecnológica proporcionou isso a ele, caso não fosse possível promover as produções pelo meio digital, o rapper precisaria de uma mão de obra maior. “Eu sei tocar somente violão, então, se eu fizesse músicas com esse instrumento seria algo mais acústico. Estaria mais limitado. Para tocar de forma analógica precisaria de mais pessoas para tocar comigo. O rap tem essa característica de você não precisar ter uma banda, você consegue fazer sozinho, proporcionando aceleração no processo”, frisou Karpamal.

Originalidade nas produções

O cenário fonográfico amapaense está expandindo os seus horizontes com a nova geração de artistas, pois apostam em ritmos que não são de origem regional. Contudo, possuem a sua originalidade pelo motivo dessas jovens promessas produzirem suas próprias letras e melodias. Ser autêntico é a grande aposta desses músicos.

O DJ Joker atualmente lançou o seu mais novo som: o remix Phantic – P.L.U.R. já está ganhando repercussão no cenário amapaense do estilo eletrônico.

O DJ Psycoservo disponibilizou há dois meses nas suas plataformas a música “Oxia” – Domino  que ele produziu juntamente com o Joker.

Ela tem mais de onze mil acessos.

O rapper Karpamal lançou há oito meses a primeira música produzida de forma profissional, denominada de Portais “Sem Saída” :

 O cantor está produzindo novos singles.

Fonte: Revista Digital Tajá

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