Sem Carnaval, a dispersão veio antes do desfile que nunca virá e todos ficamos parados na ala de palhaços tristes

Não sou dado a dar murro em ponta de faca, mas não sei ficar em silêncio diante de absurdos. Até tentei não escrever nada sobre isso, mas esse papo de lembranças do Facebook todo dia me lembra das notícias do Carnaval passado e anteriores a ele. Ainda mais que divulguei todas matérias da Tica Lemos e do meu Piratão. Triste ver como foi em 2016, 2017 e saber que 2018 será igual: sem desfile das Escolas de Samba.

Certa vez, a Alcilene comentou que está faltando alegria em janeiro. Está mesmo, sem os ensaios, a batucada e a alegria nas quadras das escolas de Samba. É, esse ano não teremos desfile, não teremos Carnaval.

A indisponibilidade financeira do governo amapaense para investimento no orçamento das escolas de samba e restante da programação carnavalesca”. É, todos sabemos o motivo. Mas a crise já tá aí tem tempo.

E é preciso que fique claro: sou do partido dos sem partido. Não quero que esse desabafo seja usado pelas fileiras da massa de manobra, que apontam erros dos outros e não admitem os próprios. Mas é como disparou Fernando Canto: “fazem carnaval o ano inteiro e na hora do povo, negam“. Difícil de entender. Mais difícil ainda é ver a passividade como isso foi aceito.

O Carnaval é a maior alegria do povo. E nem me venham com o lance de “pão é circo”, isso é argumento furado de quem não entende que essa é a maior festa popular do Brasil.

Cheio de memória, arte, homenagens, é muito mais que uma disputa de agremiações em uma grande passeata festiva. O Carnaval é inspiração, vibração, talento, organização, imaginação, arte, luz, cores, alegria, magia e amor. Fala de nossos costumes, história e tradições. Um contagiante evento de luz, cor e muita alegria. Sem falar na rentabilidade. Não tê-lo, é sofrer de desamor.

Sem carnaval, a dispersão chega, mas o desfile que nunca virá. Infelizmente, todos nós, amantes da festa, acabamos saindo em uma grande e unificada ala de palhaços tristes. É isso.

Elton Tavares

*Texto republicado pelo terceiro ano seguido. 

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