Semana da Amazônia: curiosidades sobre serpentes atraem participantes a minicurso no Bioparque da Amazônia

As serpentes por si só chamam atenção, seja pelo sinal iminente de perigo ou pelo fato de ser um animal exótico, nem um pouco comum de ser encontrado no dia a dia. O minicurso “Serpentes peçonhentas e não peçonhentas”, como parte da programação da Semana da Amazônia, realizada pelo Bioparque, atraiu participantes e um grande número de curiosos interessados em conhecer um pouquinho mais sobre esses répteis.

Segundo Anderson Silva Pena, biólogo do Bioparque e instrutor do curso, o objetivo foi passar algumas curiosidades sobre as serpentes, reconhecer os riscos inerentes aos principais animais peçonhentos, prevenção e o que fazer em caso de acidente. “Estamos aqui com algumas cobras em exposição que foram capturadas na área do Bioparque somente para essa atividade lúdica, pois logo em seguida esses animais vão voltar à natureza. Temos também as espécies em formol [taxidermizadas – empalhadas]”, explicou.

Curiosidades

As serpentes são animais de sangue frio. São répteis pertencentes à ordem Squamata (animais que possuem escamas), sendo conhecidas popularmente como cobras. As serpentes endêmicas de climas quentes são ovíparas; enquanto que algumas espécies de climas temperados são vivíparas. Nas espécies vivíparas, os ovos eclodem dentro do corpo da mãe.

Durante a vida, esses animais trocam de pele inúmeras vezes, em um processo chamado de muda. Uma característica muito interessante da serpente é a capacidade que ela tem de abrir a mandíbula para ingerir presas muito maiores do que ela mesma.

No Brasil, existem mais de 405 espécies de serpentes, sendo apenas 63 consideradas peçonhentas. Em quase todas as cobras peçonhentas podemos encontrar uma depressão localizada entre cada olho e a narina, que é chamada de fosseta lacrimal, ou fosseta loreal. Esse órgão é especializado em sentir as variações da temperatura, o que permite à serpente saber se há a presença de outro animal.

A surucucu pico de Jaca é a maior serpente peçonhenta das Américas.

Acidentes

Os acidentes por animais peçonhentos, especialmente os acidentes ofídicos, foram incluídos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na lista das doenças tropicais negligenciadas que acometem, na maioria das vezes, populações pobres que vivem em áreas rurais. Muitas espécies de cobras do Brasil são venenosas, mas apenas duas famílias são consideradas peçonhentas, por sua capacidade de inocular o veneno: elapídeos e viperídeos.

O que fazer em caso de acidente

– Procure atendimento médico imediatamente;

– Informe ao profissional de saúde o máximo possível de características do animal, como: tipo de animal, cor, tamanho, entre outras;

– Se possível, e caso tal ação não atrase a ida do paciente ao atendimento médico, lave o local da picada com água e sabão, mantenha a vítima em repouso e com o membro acometido elevado até a chegada ao pronto socorro;

– Antivenenos são os únicos tratamentos específicos para acidentes ofídicos;

– Mesmo com reações adversas a aplicação não deve ser atrasada sobre nenhum pretexto;

– O tratamento alternativo prova apenas o atraso na aplicação do soro antiofídico que é o único tratamento a ser usado nesses casos.

O que não fazer em caso de acidentes

– Chupar o veneno;

– Torniquete.

Benefícios das serpentes para o humano

Venenos de serpentes são fontes ricas em compostos bioativos potencialmente úteis, podendo ser utilizados na criação de fármacos. Um exemplo: o medicamento Captopril (controlador de hipertensão) é feito a partir do veneno Bothrops jararaca.

Uma toxina encontrada no veneno da cobra cascavel poderia aumentar a sobrevida de casos de câncer de pele em até 70%, segundo um estudo feito com camundongos pelo Instituto Butantã, em São Paulo. A grande vantagem da proteína crotamina é que, na dose certa, ela distingue células normais das cancerosas e consegue entrar dentro destas, com um efeito que dura até 24 horas.

Como prevenir acidentes com animais peçonhentos

O risco de acidentes com animais peçonhentos pode ser reduzido tomando algumas medidas gerais e bastante simples para prevenção:

– Usar calçados e luvas nas atividades rurais e de jardinagem;

– Examinar calçados, roupas pessoais, de cama e banho, antes de usá-las;

– Afastar camas das paredes e evitar pendurar roupas fora de armários;

– Não acumular entulhos e materiais de construção;

– Limpar regularmente móveis, cortinas, quadros, cantos de parede;

– Vedar frestas e buracos em paredes, assoalhos, forros e rodapés;

– Utilizar telas, vedantes ou sacos de areia em portas, janelas e ralos;

– Manter limpos os locais próximos das casas, jardins, quintais, paióis e celeiros;

– Evitar plantas tipo trepadeiras e bananeiras junto às casas e manter a grama sempre cortada;

– Limpar terrenos baldios, pelo menos na faixa de um a dois metros junto ao muro ou cercas.

Conhecimento e convivência

Maria Raimunda Cardoso disse que participou do minicurso para conhecer mais sobre as serpentes. “Pelo que aprendi aqui, nesse curso, as serpentes não são tão vilãs assim como falam. Elas também têm papel importante na natureza e são benéficas a nossa saúde. Precisamos conhecer mais sobre as cobras, como manusear, tratar e conviver em harmonia com esses animais”, observou.

Para Jean Lucas, que também participou do curso, o que mais chamou a atenção foi a beleza das serpentes. “Eu não tenho medo de cobras, tenho paixão por elas. Acho esses animais muito bonitos e vim aqui aprender a conviver com eles, sem precisar matá-los quando encontrar com um na natureza”, declarou.

Secretaria de Comunicação de Macapá
Volnei Oliveira
Assessor de comunicação
Fotos: Rafael Oliveira

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