Sexta é dia de “Encontro com o escritor” na Biblioteca Elcy Lacerda


Nesta sexta-feira o “Encontro com o Escritor” será com o flautista e poeta Obdias Araújo, autor dos livros Apologia (1984), Praça Pinga Poesia & Mágoa (1987) e Versículos de Salomão (2017), dentre outros.

Idealizado pelo diretor da Biblioteca Pública, poeta e professor José Queiroz Pastana, o “Encontro com o Escritor” é realizado uma vez por mês e se tornou sucesso desde a primeira edição. Proporciona a estudantes, professores, leitores, amantes da literatura o contato direto com poetas, contistas, cronistas e romancistas amapaenses. Uma feliz iniciativa que difunde, valoriza e torna mais conhecidos os autores e suas obras.

Além do bate-papo, há declamação de poesias, sessão de autógrafos e show musical.

“Perdoa, meu amor, este meu pranto
Eu não sabia que tentar te esquecer
doía tanto”

(Obdias)

Nascido em Macapá em fevereiro de 1957, Obdias desde criança dedica-se à música e à literatura.“Embora de uma geração mais recente, fez parte do grupo de poetas que tinha como principal líder Alcy Araújo, ou seja: Isnard Lima, Álvaro da Cunha, Cordeiro Gomes, Manoel Bispo”, lembra o escritor Paulo Tarso. Sobre sua poesia, Tarso diz: “Os poemas de Obdias, curtos e de uma linguagem direta e contemporânea, por vezes irônica, conduzem o leitor para o imaginário de um poeta integrado ao seu tempo, que fala de amor, de saudade, de farras. Cultiva o humor, trazendo da vida quotidiana os elementos que constroem o seu tecido poético com cores, sons e ritmos.”

Receita de Bardo
Obdias Araújo

Poeta é feito de tudo
da palavra do silêncio
do absconso do absurdo
do além-do-além das estrelas
vem o brilho do poeta.
Poeta é feito do nada
que o nada também é tudo
e no peito do poeta
se encontra facilmente
o tudo e o nada jungidos.
E se é feito de sombra
de ninho de marimbondo
do balir dos cabritinhos
do estrugir dos vulcões
é que peito de poeta
(coração de mãe que é)
abriga bem a cigarra
metralhadora trombeta
e palavras semeadas
por ceifeiro descuidado
no coração dos mortais.

Fonte: blog da Alcinéa

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