Sobre canalhas e cafajestes

Eu desconheço a maioria das datas fúteis, tudo bem que dia desses, falei sobre o “Dia do Goleiro”, mas é que gosto muito de futebol. Hoje (29) é o Dia do Canalha (pasmem!!). Agora me digam por que cargas d’água o “canalha” tem um dia? Tenha a santa paciência.
Entretanto, li hoje um artigo, muito interessante, do jornalista Renivaldo Costa, que escreveu as diferenças entre canalhas e cafajestes. Leiam:

 
Sobre canalhas e cafajestes
                                                                                                  Por Renivaldo Costa

Odeio os canalhas. São uma espécie asquerosa presente em todos os círculos sociais. O jornalismo, por exemplo, é pródigo de canalhas. Alguns, além de jornalistas, nas horas de folga são advogados, sociólogos e até psicólogos. Vivem da extorsão e da ameaça e, enganando os incautos, conseguem espaço em jornais, rádios e emissoras de TV.
Provavelmente por falta de referência, confundem o cana-lha com o cafajeste. São espécies distintas. O cafajeste, como diria Zeca Baleiro, parafraseando Nelson Rodrigues, é do tempo em que farmácia só vendia remédio, em que os ladrões eram elegantes e até os automóveis davam “bom dia”.
Para dirimir quaisquer dúvidas, pedi a um amigo, um legítimo cafajeste, que me fizesse um compêndio sobre o assunto, que passo a dividir com vocês agora:
O canalha transa com uma garota e sai contando pra todos os seus amigos pra tirar vantagem e descarta ela da sua lista. O cafajeste transa, conta só pra seus amigos mais chegados, mas mantém contato com a garota. Afinal ele pode precisar dos seus favores quando tiver na seca.
O canalha sai beijando todas que vê pela frente na balada. É muito legal ficar disputando com os amigos quem beija mais (afinal seu cérebro parou de se desenvolver aos 14 anos de idade). O cafajeste escolhe uma só, a mais interessante. Fica com ela a noite toda, troca até contatos, por que se não sair do lugar pra transar com ela, vai transar num ou-tro dia.
O canalha não sabe tratar bem uma mulher. É grosso, mal-educado, destrata pessoas humildes ou empregados como prova de superioridade. O cafajeste sabe quando e que intensidade agradar. Compra chocolate, bichinhos-bonitinhos-de-pelúcia e leva a restaurantes finos, com o único objetivo de fazer a mulher se sentir valorizada e assim alcançar seu objetivo, sexo.
O canalha é burro. Seu senso crítico limita-se a análise do gol mais bonito da semana ou de qual a mais gostosa do Big Brother. O cafajeste sabe se virar em qualquer assunto, se é necessário discutir sobre a moda da estação na frente de mulheres ele vira um estilista, se a garota é fã de Chopin ele se torna um freqüentador de concertos, etc
O canalha adora aparecer. Estufa o peito na frente das mulheres, faz piadas prontas, é o amigão de todo mundo e só sabe contar vantagem. O cafajeste não precisa de auto promoção, o boca a boca é feito pelas próprias pessoas que estão ao seu redor. Ele se adapta ao ambiente mudando sua perso-nalidade de acordo com a ocasião. Ou seja, um é pavão o ou-tro camaleão.
O canalha mente. O cafajeste omite.
O canalha não sabe elogiar. O cafajeste sabe elogiar os pontos-chaves da mulher, “nossa, lindo o seu cabelo”, “que sorriso”, “você emagreceu?”.
O canalha não sabe cuidar de mais de uma mulher. Acaba confundindo nomes, esquece de ligar pra uma, dá mais atenção pra outra, deixa pistas, etc. O cafajeste sabe tratar todas por igual, quando não está afim de sair com uma ele liga ou manda um sms “bonitinho” pra não perder contato. E mesmo que a mulher saiba que ele é um cafajeste, ele a faz crer que é especial e que pode rolar algo sério.
O canalha deixa pista. Seu scrapbook é lotado de reca-dinhos de mulheres, no subtitle do seu msn ele cita nomes de mulheres, seu celular está cheio de mensagens comprometedoras e sua mãe sempre entrega o jogo (“o fulano saiu com uma amiga”). O cafajeste apaga todas as pistas, seu scrapbook é apagado diariamente, o msn tem nicks abrangentes que podem ser adaptados pra qualquer uma (“Que saudades de você”), o celular nunca tem mensagens, e sua mãe é grande aliada pois ele sempre diz pra ela que foi na casa de um amigo.
Por fim, canalha é substantivo, cafajeste adjetivo.

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