Sobre insônia e cartas de amor

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Há um ano e pouco, uma amiga disse: “Elton, vou te enviar uma carta”. Eu: “correio eletrônico?”. Ela: “Não, cara. Uma carta mesmo, escrita em papel, dentro de um envelope e com um selo”.

Pensei: “égua, pode crê”. Lembrei do tempo que trocava correspondências. Recebi muitas nos anos 90. Esse papo me lembrou histórias e memórias afetivas legais. Pura nostalgia.

Passou uma porrada de lembrança em câmara lenta neste minha cachola insone.

O mundo mudou tanto e com ele a praticidade dos e-mails, redes sociais, etc. A comunicação está supersônica nestes dias, mas deu uma saudade daquela sensação de esperar pelo carteiro, abrir e ler os textos açucarados e exagerados daquela época.

Era firmeza receber e enviar cartas. Sou mesmo das antigas, que onda.

Sem nenhuma pretensão ou gabolice, digo-vos: recebi muitas cartas nessa vida. A maioria nem era de amor mesmo. Guardei uma grande quantidade. É, tenho uma caixa grande repleta dessas coisas, pois aproveitei ao máximo o poder e a beleza dos 20 e poucos anos.

Paralelo a essa curtição toda, fiz alguns julgamentos errados, por isso joguei algumas delas fora, tem coisas que é melhor não guardar em nenhuma caixa, muito menos na memória.

Mas na caixa têm de tudo, desde rabiscos em lencinho de papel de lanchonete, escritos coloridos à cartões tipo de crédito daquele casalzinho que tinha o slogan “Amar é…” e uma penca de fotos. Às vezes, o conteúdo era pura pieguice, noutras havia originalidade nas histórias.486027_407711322641261_1123880227_n

Já redigi material suficiente para publicar pelo menos uns três livros, muitos destes textos sobre temas que hoje em dia não fazem nenhum sentido, mas escrevi poucas cartas. E isso é esquisito.

Sobre isso, preciso escrever uma carta com a verdade e endereçar a quem precisa ler sobre o amor. No caso, o meu. Senão, mais que uma lembrança nostálgica da juventude, será uma correspondência não enviada de volta na caixa do meu imaginário. Na verdade, uma chance desperdiçada. É isso.

*Sobre esse devaneio, Ernest Hemingway disse: “Escreva bêbado, revise sóbrio”. Não segui o conselho do mestre, escrevi e publiquei bêbado mesmo (risos).

Elton Tavares

*Republicado pelos mesmos motivos: insônia e carta nunca lida (nem mandada). 

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