‘Tradição há mais de 40 anos’, diz pescador durante soltura de 7 mil quelônios da Amazônia, no AP

Por Rafael Aleixo

Mais de 7 mil filhotes de quelônios da Amazônia, espécie popularmente chamada de tracajá, foram soltos no sábado (10) na maior região de lagos do Amapá, no município de Pracuúba, a 256 quilômetros de Macapá.

A soltura foi autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A soltura foi acompanhada por populares e autoridades de Pracuúba e municípios vizinhos.

De acordo com o Ibama, a chance de sobrevivência seria reduzida drasticamente por conta da ação humana e de predadores na própria natureza. A ação de manejo e proteção é feita através do Programa Quelônios da Amazônia.

“Como o tracajá desova no meio do campo, toda manhã a equipe sai fazendo busca das covas e faz o transplante para esta área que a gente chama de berçário. Aqui as covas serão protegidas, e os ovos depois de 58 dias, começam a nascer os filhotes”, explicou a coordenadora do programa no Amapá, Márcia Bueno.

O processo tem o apoiado do morador e pescador Mário Vaz. A soltura também foi feita com participação de agentes da Polícia Militar, Polícia Civil e Marinha.

“É uma tradição há mais de 40 anos na família. Meu pai protegia os ovos e nos ensinou. Tenho orgulho de continuar cuidando e preservando os quelônios aqui do lago e da região”, descreveu o pescador.

O local fica na Ilha da Ponta Baixa, dentro do Retiro São Tiago, em Pracuúba. A ilha é cercada pelo chamado Lago Cumprido, onde também é a casa dos tracajás. A coleta dos ovos ocorre sempre no mês agosto e os ninhos são montados em um espaço chamado de chocadeira. Cada buraco tem cerca de 30 ovos, em média

Quando foi criado o programa do Ibama, há 40 anos, a espécie estava desaparecendo dos lagos de Pracuúba, e na lista de quelônios em extinção. De lá pra cá mais de 150 mil filhotes ganharam a chance de tentar a vida no ambiente natural.

Fonte: G1 Amapá

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