Três bebedeiras memoráveis

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Bebedeiras fazem parte da vida de um escritor. Tá, tudo bem! Nem de todo escritor. Eu, que me sinto escritor (às vezes) e beberrão (sempre), curto a embriaguez de ser um escritor beberrão. Muitos sabem que gosto de me sentir Charles Bukowski. Quer dizer: poucos sabem e quase ninguém se importa, mas sempre que leio Bukowski recebo a entidade Bukowski e as únicas coisas que me interessam nesses momentos são uma garrafa de cerveja ou vinho barato, um cigarro mais barato ainda e uma puta bem puta mesmo.

Gosto do mito que se cria em torno de um escritor. O mito de Dalton Trevisan e Rubem Fonseca, que não dão entrevistas e não frequentam os lugares. O mito de J. D. Salinger, que não se deixava fotografar. O mito de Paulo Leminski e Jack Kerouac, que viviam uma espécie de convulsão da literatura. E por aí vai, mas voltemos ao título. Que título? O título da crônica, caralho!

As três bebedeiras memoráveis que menciono no título são aquelas que consigo lembrar, claro, já que são memoráveis. Uma delas se deu numa passagem de ano. Era no século passado e eu ainda morava em Belém. A bebida era champanhe e eu não era (e ainda não sou) muito fã de champanhe, pois achava muito fraca. E era aí que estava o erro. Aconteceu aquilo que dizem de champanhe. Ela veio cercando devagarinho e quando me toquei já não me tocava de mais nada e toquei a fazer besteira. Atravessei a Marambaia inteira sob o efeito da champanhe, tirando onda com todo mundo, cantando alto e feliz da vida. E até hoje não sei se é A champanhe ou O champanhe.

Outra bebedeira legal foi na abertura de uma exposição (ou vernissage, como queiram). Não sei como está hoje, já que vivo longe (mas bem perto) de Belém há 17 anos, mas, no final dos anos 80, Belém fervilhava de vernissages. Eu e minha galera da época íamos a uns quatro vernissages por semana. E sempre regados a bons vinhos brancos e outras bebidas. Pois bem: dentro do quesito outras bebidas, certo dia encontrei uma sangria muito doida. Depois de sangrar toda aquela sangria, fiz uma porção de loucuras na galeria até que alguém mais sensato me pediu, educadamente, pra dar o FOOOOOOORA DAQUI, SEU MARGINAAAAAAAAL, ANTES QUE EU FAÇA UMA SANGRIA NA TUA CAAAAAAARA!

A terceira e última bebedeira louca (terceira e última para as finalidades desta crônica, que fique esclarecido!) foi na casa de um amigo, já aqui em Macapá. Depois de um bolo de maconha, muitos baseados e muitas cervejas, apareceu uma garrafa de absinto. Aí, mano, imagine o que aconteceu. Se conseguir imaginar, me diz aí, por que eu, até agora, estou vendo gnomos.

Até a próxima bebedeira ou até a próxima crônica. O que vier primeiro. Saúde!
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