Trump já indicou desinfetante contra a Covid. Como travar com um homem desse um debate de alto nível?

É impressionante como a Imprensa americana e boa parte da europeia estão repercutindo – negativamente, é claro – o primeiro debate da eleição presidencial nos EUA, entre Donald Trump e Joe Biden.
O confronto está sendo pintado como vazio de conteúdo e desprezível na forma, com bate-boca, interrrupções frequentes do adversário (sobretudo por parte do republicano) e xingamentos explícitos.
Vi o debate por inteiro – do começo ao fim.
De fato, achei-o frustrante, não em relação a Trump, de quem espera-se apenas a baixeza abissal, mas em relação ao democrata Joe Biden.
Mas, pensando bem, minha frustração – não sei se a de outros que assistiram – não faz sentido. Isso porque, afinal de contas, ninguém pode esperar um debate de alto nível em que Trump esteja presente.
No debate, ele foi o que é e sempre foi: um mentiroso compulsivo, um ególatra doentio, um racista muito próximo de bradar que vidas negras não importam e um negacionista impregnado até o último fio de cabelo com o vírus infame da negação.
Como esperar, então, que alguém, por mais elegante, comedido e convincente que seja, possa travar com Donald Trump um debate de alto nível?
Agora, é certo que Biden perdeu uma grande oportunidade de destroçá-lo.
Quando se tem alguém pela frente como Trump, que já prescreveu desinfetante contra a Covid-19, é um sonegador que se recusa a mostrar suas declarações de renda e se excede com suas teses conspiracionistas, diante de um homem como esse, portanto, outra alternativa não resta a não ser lembrá-lo, de minuto a minuto, que ele é sonegador, mentiroso, lunático e outros qualificativos correlatos.
Biden, elegante demais, não conseguiu fazer isso.
Mas lavou nossa alma quando chamou Trump, ainda que poucas vezes, de “mentiroso” e de “palhaço”.
Pelo menos isso.

Fonte: Espaço Aberto.

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