Um livro e meia garrafa de cachaça

                                                                                        Por Lúcio Costa Leite

Tenho muitos de livros, já li muitos deles, outros, apenas figuram como floreio consumista de uma lista daquilo que gostaria de ler, mas que me falta tempo.  Nas minhas estantes residem  muitos cronistas, novelistas ou poetas, como é o caso de Artur de Azevedo, Hilda Hilst ,Nelson Rodrigues, Aluísio de Azevedo, Casimiro de Abreu, Lya Luft Machado de Assis , Moacyr Scliar, Monteiro Lobato, Oswald de Andrade, Elio Gaspari , Euclides da Cunha, Fernando Morais, Álvares de Azevedo, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves, Cecília Meireles, Hilda Hilst , João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira , Paulo Leminski , entre outros que me fogem a memória.
Fato é que recentemente arrumando uma estante, esbarrei com o inusitado “Diario de um Mago” de Paulo Coelho, presente recebido pela passagem de meu aniversário. O presenteador já foi riscado de futuras listas de comemorações. Ao presente, reservei um bom lugar no lixeiro da cozinha.

Essa situação me fez lembrar uma discussão que tive com um amigo anos atrás, o assunto principal foi a literatura de Paulo Coelho. Na oportunidade não faltaram farpas, acusações, evasivas, cinismo e agressões verbais.  A amizade foi mantida, mas os argumentos ainda hoje continuam divergentes.

Pensemos em Paulo Coelho e sua obra! Ele sempre foi sinônimo de polêmica entre leitores e da crítica. Em raras vezes há coincidências de opinião a respeito de seus livros, até mesmo porque uma análise objetiva e mais criteriosa das possíveis qualidades de sua obra é uma tarefa ingrata e encarada por poucos.
Alguns dos argumentos em defesa de seu obra se amparam nas traduções de seus livros em mais de 60 idiomas, sua receita de milhões e milhões de reais, a gravação do filme Verônica decide morrer, de sua eleição para Academia Brasileira de Letras – como se isso fosse um ponto de análise para primazia intelectual.
O que tenho analisado é que seus leitores, em sua grande maioria, consultam a obra de Paulo Coelho como um manual esotérico ou como referencial de frases feitas, subproduto que também faz sua fama. Inegavelmente, ele é um bom exemplo de que fazer um grande romance sem saber escrever é possível, afinal ele escreve mal feito poucos, mas é um gênio do marketing para conquistar a mente e os corações de tantas pessoas.
É heresia comparar a obra de Paulo Coelho a de Machado de Assis ou Dostoievski, como muitos fazem, mesmo porque sua obra e de um estilo banal, enraizada em experiências sacais, carecendo de significação, precárias no quesito conhecimento a ser adquirido. Na síntese, um convite à passividade e acomodação.
Muita se fala sobre suas histórias atravessarem às fronteiras, convocando diferentes pessoas a compartilhar as mesmas histórias, mas crendo que não seja ele o tradutor, talvez, as edições estrangeiras tenham algum tipo de coerência.
Acredito que a proliferação desse tipo de literatura esteja no fato da escola não formar leitores. A experiência literária escolar é, de maneira geral, tão pouco marcante ou inexistente (quando não caracterizada pelo desprazer), contribuindo para a proliferação de aberrações literárias como é o caso em questão. Melhor voltar para o outro meio litro de cachaça!
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Commentários
  1. Cortezolli
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  3. Anonymous

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