Uma obra de arte do U2: a lindeza do show que comemora os 30 anos do disco The Joshua Tree

Existem muitos elementos que envolvem um show de rock and roll. Além do som, das canções, performance da banda e efeitos visuais, um é fundamental: a paixão ao Rock and Roll. Há seis anos e seis meses, assisti a um show do U2 pela primeira vez. Foi emocionante e inesquecível, mas não tão lindo como o segundo que vi, o concerto do último sábado (21), realizado pela banda irlandesa no mesmo estádio do Morumbi. A turnê que celebra os 30 anos de lançamento do álbum “The Joshua Tree”, o disco que vendeu mais de 25 milhões de cópias e para muito, a obra prima do U2.

A abertura ficou por conta de ninguém menos que Noel Gallagher, ex-Oasis (e gênio por trás da extinta banda), que tocou com sua atual banda, Noel Gallagher’s High Flying Birds, sucessos do Oasis.

Imagine um mundo, em uma realidade paralela, onde pessoas são focos de luz, estrelas dançantes embaladas pelo som elegante do Universo, um eco melódico, poético, vezes romântico e religioso, noutros político e humanitário, entoada por uma banda cujos integrantes abrigam-se em uma imensa árvore, mítica e poderosa, chamada A ÁRVORE DE JOSUÉ.

Sinta-se neste espaço, sideral, surreal, onde tudo é ritmo, felicidade e energia. Agora, imagine que este lugar chama-se MORUMBI, que no dia 21 de outubro de 2017, propiciou a mais de 70 mil corações a imensa alegria de cantar, sentir e viver uma das maiores bandas da história do Rock And Roll, o U2. O show teve ainda homenagens ao país, ditas em inglês, por um Bono Vox emocionado: ‘ Vocês tem um país lindo. Ainda terão políticos que o mereçam’”, comentou a advogada, poeta e minha linda namorada, Jaci Rocha. É, a gente tava lá junto com meu irmão Emerson, cunhada Andresa e amigos Anderson e Cydi.

E a Jaci não exagerou não, queridos leitores. O show foi realmente memorável e emocionante, com direito ao velho suor nos olhos deste velho apaixonado pelo Rock and Roll, em vários momentos da apresentação. A apresentação durou mais de 2h. Logo no início, o telão exibiu parte do discurso “I Have a Dream” (Eu Tenho um Sonho), de Martin Luther King. Lindo demais!

O U2 chegou de voadora, com o hit “Sunday Bloody Sunday”, que não faz parte do “The Joshua Tree”, como outras canções do show, mas essa mistura foi excelente para agradar e emocionar o público.

Foi assim com “With or Without You”, “Where the Streets Have no Name”, “I Still Haven’t Found what I’m Looking for”, “Red Hill Mining Town”, “Bad” e “Running to Stand Still“. Tudo ilustrado com vídeos fantásticos no telão de LED gigantesco montado no palco.

O U2 foi buscar imagens de um seriado dos anos 70, onde um dos personagens dizia: “eu sou Trump e vou construir um muro”, entre outras críticas ao idiota presidente dos Estados Unidos, como os dizeres em mãos gigantes no telão: love (amor) e hate (ódio). Bono falou do debate brasileiro sobre censura artística no início das Mães dos Desaparecidos, observando que “censura, você não vai voltar, o Brasil”.

A banda homenageou as mulheres com “Ultraviolet (Light My Way)”, canção que Bono escreveu para sua esposa, a ativista Ali Hewson. Enquanto a música foi tocada, rostos de personalidades femininas que fizeram e fazem a diferença no mundo ilustravam o telão. Entre elas, as brasileiras irmã Dulce, Maria da Penha e Tarsila de Amaral.

O show foi encerrado com One, a canção de amor que o U2 doou os direitos para o combate a fome na África, com a bandeira do Brasil no telão. Sensacional!

O U2 mais uma vez cantou e tocou sobre temas como o amor, respeito, paz, problemas sociais, ativismo contra injustiças, religiosidade e política. Mas de forma bela, tocante, contextualizada com emoção, arte e aquela sensação boa que a banda irlandesa transmite.

Com toda certeza, Paul David Hewson (Bono Vox), The Edge (guitarra), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr (bateria) são mensageiros do Rock e do amor, pois o U2 segue como um dos maiores grupos musicais de todos os tempos. Para mim, a melhor banda do mundo. A beleza daquela apresentação só reafirmou isso e as excelentes emoções sentidas naquele sábado de outubro não serão esquecidas jamais. É isso.

Elton Tavares

*Fotos: Andresa Ferreira e Emerson Tavares.

Assista a alguns momentos deste show memorável: 

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