Urnas inéditas guardavam bancos funerários quase intactos, em Macapá

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Por Paula Monteiro

Os artefatos encontrados junto às urnas funerárias com três câmaras laterais na comunidade de Curiaú Mirim (distante oito quilômetros da capital), em julho de 2014, no Amapá, só serão analisados a partir de abril de 2015, mas já revelam surpresas. A urna continha urnas com sepultamentos, fragmentos de cerâmica de potes e dois bancos inteiros, situação rara de ocorrer.

Os bancos eram usados em atividades de rituais fúnebres, como apoio das urnas funerárias. Também foram encontrados outros acompanhamentos dos indivíduos sepultados como potes pequenos e médios e tigelas, usados como recipiente para oferendas. “O interessante do banco é que ele está inteiro, o que é muito raro, já que em alguns casos os bancos eram quebrados em alguns rituais para cortar qualquer força negativa, por exemplo”, explicou o arqueólogo Avelino Gambim, mestrando no Museu Nacional/RJ e colaborador do Centro de Pesquisas Arqueológicas (CPArq) do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa).arqueologia11

A origem da urna com três câmaras laterais ainda é desconhecida, mas o modelo indica que houve três sepultamentos, de acordo com o arqueólogo. Os objetos foram retirados do sítio e guardados no CPArq e serão analisados a partir de abril de 2015. Na análise, será possível identificar as possíveis patologias, o sexo e idades dos restos mortais encontrados, além da idade e marcações culturais do achado, as quais indicarão se o sepultamento ocorreu em um evento único ou se aconteceu aos poucos, por exemplo.

Sítio arqueológico do Curiaú

O sítio arqueológico do Curiaú é explorado desde 2010. Na primeira campanha, realizada no mesmo ano, foram encontrados buracos de postes (indicações de esteios para sustentar antigas cabanas) e uma estrutura com formato de fossa que continha sepultamentos. Alguns desses sepultamentos, estavam fora das urnas; depositados diretamente no solo. Foram descobertos, ainda, urnas e fragmentos de vasilhas que remetem aos estilos cerâmicos Koriabo, Caviana, Marajoara e Mazagão, com datação estimada em mil anos depois de Cristo.

A estrutura Caviana guardava restos mortais de um homem com pintura de cor vermelha. A cor pode ser de origem vegetal (feita a partir do pigmento retirado do urucum) ou mineral de hematita (tipo de rocha).arqueologia1

Na segunda campanha de pesquisa, realizada em 2014, os arqueólogos encontraram buracos de postes, fossas (que podem ter sido utilizadas como lixeiras), um poço com câmara lateral e um poço com fragmentos de cerâmica bastante decorada, fragmentos de carvões e uma outra urna funerária, sem estilo atribuído, lisa e protegida com uma tampa.

Dentro desta última, havia restos humanos (possivelmente de um homem e de cerca de três a quatro crianças), de acordo com análise preliminar. O material foi localizado próximo a urna inédita no Brasil; de três câmaras laterais, encontradas em julho de 2014.

Para a análise dos ossos humanos, o Instituto conta com o apoio do Museu Nacional/UFRJ- a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina.

Fonte: Portal Amazônia

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