Verba indenizatória: uma lição de cidadania


Se no passado nossos pais lutaram contra a ditadura para nos garantir o direito à liberdade de expressão, hoje, os que foram na segunda, 9, e terça-feira, 10, para a frente da Assembleia Legislativa exigir a redução da verba indenizatória de R$ 100 mil e das diárias de R$ 2,6 mil pagas aos deputados, mostraram que aquela batalha travada no passado não foi em vão, e certamente encheram de orgulho os que sobreviveram nos tempos de chumbo e glorificaram os anônimos que morreram lutando contra o sistema.

O valor pago aos parlamentares do Amapá ainda é imoral. R$ 50 mil continuam sendo a maior verba indenizatória do Brasil, mas já houve avanços, conseguimos obter uma vitória nesta interminável batalha, mas neste artigo queria abordar o valor das diárias.

No Portal da Transparência (http://www.transparencia.ap.gov.br), os valores das diárias para os municípios do interior do Estado e zona rural de Macapá variam de R$ 148,61 a R$ 72,00.

Já os valores das diárias para outras Unidades da Federação variam de R$ 320,77 a R$ 150,67. Detalhe: em ambos os casos o valor integral da diária só é pago caso ocorra a pernoite no local, do contrário o servidor recebe tão somente 50% deste valor.

Já os deputados ganhavam por dia numa viagem R$ 2,6 mil. Agora, com a pressão popular, o valor caiu para R$ 1,6 mil. Ainda sim, é desrespeito com o dinheiro do cidadão, que trabalha o mês inteiro para ganhar R$ 640,00.

Sem contar um detalhe: a diária do servidor é para bancar alimentação e hospedagem e para ser muito sincero, meu pai que é servidor público, diz que muitas vezes nem dá. Mas, no caso dos deputados, eles ainda podem se valer para pagar essa conta da tal verba indenizatória, ficando com o valor integral da diária.

O fato é que no futuro, nós que estivemos na luta, teremos uma história para nossos filhos. Podemos dizer que no passado, nossos pais lutaram contra os generais, e nós, ainda que em minoria, nos erguemos contra os homens que estavam saqueando e envergonhando nosso Estado.  

Mas, atenção: por enquanto é preciso estar vigilante, se manter na trincheira, pois a luta ainda está longe de acabar.
Ricardo Santos é estudante de publicidade e comerciário
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