“Você é um ogro!”, ela disse. “Sou!”, confirmei.


Ao conversar com uma amiga sobre percepções, egoísmo, comportamento dos outros e nossas próprias condutas, a moça chegou a seguinte conclusão: “Elton, você é um ogro!”.

Na mitologia, o “ogro” é um monstro que habita florestas isoladas e lúgubres. O significado de ogro pode ser associado ao bicho-papão, à assustadora figura que amedronta as crianças. A palavra ogro vem do latim “orcus”, que significa “inferno”. No inglês e no francês a grafia é ogre. 

Em muitas ocasiões ogro é sinônimo de Orc, que é igualmente uma figura mitológica. No sentido figurado, chamam de “ogro” para um grosseirão sem noção e afins. 

Óquei! Sou um tanto quanto ogro. Mas no meu interno alvoroço, além de por vezes ser bruto, também sou legal. 

Tudo bem que odeio regras de etiqueta, pois só as aplico em ocasiões profissionais ou eventos que tenho que ir. Ora bolas! Não se trata de pura insubordinação social, não. Sou chato, mas odeio frescura e junta isso com aquele papo de jogar pra galera, fazer “H”, adular e coisa e tal. Sou rock n’ roll, rapá! 

Tenho amor por cinema, livros, fotografias, textos bem escritos, papos inteligentes de mesa de bar, entre tantas outras coisas não tão ogras. Mas sou do tipo Shrek: um ogro tipicamente feio, bom de porrada, mas gente boa. 

Se não ser ogro é viver na monotonia politicamente correta, ta difícil deu “desograr”.
No final das contas e do papo, ela riu. 

Agora chega desse papo de monstros fictícios e condutas chatinhas. É noite de verão e tá quente pra caramba. Ainda por cima, faz 25 anos que o Raul Seixas partiu. Eu vou é tomar uma. Afinal, já admiti a ogrice mesmo, ora bolas.

É isso! 

Elton Tavares
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