Crítica bem humorada do filme Tropa de Elite 2

Como já disse antes, achei o filme “Tropa de Elite 2” muito bom, mas como dou muita risada dos textos engraçados e inteligentes do site Zero Zen, não podia deixar de postar este aí:

Tropa de Elite 2, em tese, deveria ser mais realista do que seu antecessor. Porém, é, sem sombra de dúvida, o maior filme de ficção jamais feito no Brasil. Por quê? Simples. No momento em que o Capitão Nascimento senta o sarrafo em um político corrupto o público no cinema percebe que nada disso jamais vai acontecer na realidade…

A trama se passa 15 anos depois do primeiro filme. Agora, o Tenente-Coronel Roberto Nascimento (Wagner Moura) deixou o combate ao tráfico de drogas, nas favelas do Rio de Janeiro. Mesmo assim, continua frio e implacável. Em um incidente no presídio Bangu 1 ele espera que duas facções rivais briguem e eliminem o máximo de elementos antes de entrar em ação.

O problema é que seu sucessor no Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) Mathias (André Ramiro) comete um erro. Mata um perigoso bandido chamado Beirada (Seu Jorge) justamente na frente do Fraga (Irandhir Santos), um ativista dos direitos humanos. Ele aproveita para fazer um escândalo e força a saída de Nascimento do Bope.

Aliás, Fraga é casado atualmente Rosane (Maria Ribeiro), a ex-mulher de Nascimento. É realmente impressionante. Nem mesmo no Bope o sujeito está a salvo de um chifre. Sim, pelo que tudo indica, ao invés de faca foi guampa na caveira…

Para piorar as coisas, seu filho adolescente Rafael (Pedro Van-Held) acaba acreditando que o capitão Nascimento é um assassino e que os policiais só servem para matar gente pobre. Até parece que isso acontece em uma cidade pacífica e ordeira como o Rio de Janeiro… Quanta imaginação tem esse garoto.

De qualquer forma, para a população Nascimento se torna um herói depois do incidente em Bangu 1. Com isso, ele sai do Bope para se transformar em subsecretário de Segurança. Finalmente no poder, ele planeja erradicar o tráfico das favelas do Rio. Mas falar é fácil. Na teoria a prática é outra.

Lentamente o protagonista percebe que sua promoção à Subsecretaria de Segurança teve motivação política. Ele é apenas mais uma peça do sistema. O poder dos traficantes é substituído pelo poder das milícias. Criadas por policiais corruptos elas cobram dinheiro para garantir a segurança dos moradores das favelas. Com isso, gente como o Major Rocha (Sandro Rocha) aproveita para prosperar e se tornar amigos de pessoas importantes. Entre elas o ardiloso deputado Fortunato (André Mattos).

Claro que Nascimento percebe o golpe e parte para uma vingança tão alucinada quanto inconcebível. Em um depoimento na tribuna da Assembleia Legislativa do Rio, o protagonista chega a dizer que metade dos parlamentares, ali presentes, deveriam estar na cadeia.

E, acredite quem quiser, em Tropa de Elite 2 os políticos corruptos vão mesmo para a cadeia. Só mesmo no cinema. É muita ficção. Só falta o Capitão Nascimento acreditar em duendes. Moral da história? Não tá fácil pra ninguém. Mas para alguns a vida é bem menos difícil…

J. Tavares

(Tropa de Elite 2, BRA, 2010), Direção: José Padilha, Elenco: Wagner Moura, André Ramiro, Maria Ribeiro, Milhem Cortaz, Pedro Van Held, Seu Jorge, Irandhir Santos, Tainá Müller, Sandro Rocha, André Mattos, Fabrício Boliveira, Emílio Orcillo Neto, Jovem Cerebral, Bruno D’Elia, Dudu Nobre, Duração: 116 min.

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