O discurso discriminador do Marabaixo – Texto/Resgate histórico paid’égua de Fernando Canto – @fernando__canto

Foto: Márcia do Carmo

Por Fernando Canto

Não é de hoje que o Marabaixo é discriminado. Aliás, as manifestações culturais de origem africana sempre foram vistas como ilegais ao longo da história do Brasil. Do samba à religião, seus promotores foram vítimas de denúncias que os boletins de ocorrências policiais e os processos judiciais relatam como vadiagem, prática de falsa medicina, curandeirismo e charlatanismo, entre outras acusações, muitas vezes com prisões e invasões de terreiros.

Essa discriminação ocorreu – e ainda ocorre – em contextos históricos e sociais diferenciados, e veio produzida por instituições que tinham o objetivo de combater o que lhes fosse ameaçador ou que achassem associadas às práticas diabólicas, ao crime e à contravenção.

Foto: Max Renê

No caso do Marabaixo, há anos venho relatando episódios de confronto entre a igreja católica (e seus prepostos eclesiásticos e seculares), e os agentes populares do sagrado, estes que, por serem afrodescendentes, mestiços e principalmente por serem pobres, foram e são discriminados, visto o ranço estereotipado de que são “gente ignorante” e supersticiosa.

Foto: Gabriel Penha

É do século XIX a influência do evolucionismo que tomava como modelo de religião “superior” o monoteísmo cristão e via as religiões de transe como formas “primitivas“ ou “atrasadas” de culto. Para Vagner Gonçalves da Silva (Revista Grandes Religiões nº 6), nesse tempo “religião” opunha-se a “magia” da mesma forma que as igrejas (instituições organizadas de religião) opunham-se às “seitas” (dissidências não institucionalizadas ou organizadas de culto).

É do século XIX também os primeiros escritos sobre o marabaixo. Em um deles um anônimo articulista o ataca, dizendo-se aliviado porque “afinal desaparece o o infernal folguedo, a dança diabola do Mar-Abaixo”.

Foto: Márcia do Carmo

Ele afirma que “será uma felicidade, uma ventura, uma medida salutar aos órgãos acústicos se tal troamento não soar mais…”. Na sua narrativa preconceituosa vai mais além ao dizer que “Graças ao Divino Espírito-Santo, symbolo de nossa santa religião, que só exige a prática de boas ações, não ouviremos os silvos das víboras que dansam ao som medonho dos gritos dos maracajás (…), que é suficiente a provocar doudice a qualquer indivíduo”. Assevera adiante “Que o Mar-Abaixo é indecente, é o foco das misérias, o centro da libertinagem, a causa segura da prostituição”. E finaliza conclamando “Que os paes de famílias, não devem consentir as suas filhas e esposas frequentarem tão inconveniente e assustador espetáculo dessa dansa, oriunda dos Cafres”. (Jornal Pinsonia, 25 de junho de 1898).


Discursos de difamação do Marabaixo como este e a posição em favor de sua extinção ocorreram seguidamente. O próprio padre Júlio Maria de Lombaerd quebrou a coroa de prata do Espírito Santo que estava na igreja de São José e mandou entregar os pedaços aos festeiros. O povo se revoltou e só não invadiu a casa padre para matá-lo graças à intervenção do intendente Teodoro Mendes.

Com a chegada do PIME – Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras – em Macapá (1948) o Marabaixo sofreu um período de queda, mas suportado com tenacidade por Julião Ramos, que não o deixou morrer. Tiraram-lhe inclusive a fita da irmandade do Sagrado Coração de Jesus, da qual era sócio fiel.

Colheita da Murta – Foto: Arquivo pessoal de Fernando Canto

Nesse período os padres diziam que o Marabaixo era macumba, que era coisa ruim, e combatiam seus hábitos e crenças, tidos como hediondos e pecaminosos, do mesmo jeito que seus antecessores o fizeram no tempo da catequização dos índios. Mas o bispo dessa época, D. Aristides Piróvano, considerava Mestre Julião “um amigo” (Ver Canto, Fernando in “A Água Benta e o Diabo”. Fundecap, 1998).

O preconceito dos padres italianos com o Marabaixo tem apoio num lastimável “achismo”. Os participantes são católicos e creem nos santos do catolicismo, tanto que a festa é dedicada ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade e não a entidades e voduns como pensam. Nem ao menos há sincretismo nele.


E se assim fosse? Qual o problema? Antes de emitirem um julgamento subjetivo sobre um fato cultural é preciso conhecê-lo. É preciso ter ética. Ora, sabe-se que todos os sistemas religiosos baseiam-se em categorias do pensamento mágico. Uma missa ”comporta uma série de atos simbólicos ou operações mágicas” (Vagner Silva op. cit.). Observem-se as bênçãos, a transubstanciação da hóstia em corpo de Cristo, por exemplo. Um ritual de umbanda comporta a mesma coisa. O Marabaixo tem rituais próprios, ainda que um tanto diferentes. Por isso e apesar do preconceito ainda sobrevive. Valei-nos, Santo Negro Benedito!

(*) Do livro “Adoradores do Sol – Novo Textuário do Meio do Mundo”. Scortecci, São Paulo, 2010.

Hoje é o Dia Estadual do Marabaixo – Meu texto sobre a data da maior manifestação cultural do Amapá

Foto: Márcia do Carmo

Hoje, 16 de junho, é o Dia Estadual do Marabaixo. A data foi escolhida para homenagear a Santíssima Trindade, por conta do Projeto de Lei nº 0049/10, do deputado Dalto Martins, já falecido, que constituiu a celebração.

A Lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amapá e declarou o dia 16 de junho, Dia Estadual do Marabaixo Amapaense, como data comemorativa no âmbito do Estado do Amapá.

Arte: Carol Chaves/Secom/TJAP

O Dia Estadual do Marabaixo foi sancionado em 2010, por conta de protestos realizados em 16 de junho de 2009, quando os festeiros de Macapá, Mazagão, Campina Grande, Ilha Redonda e outras várias comunidades, protestaram contra a falta de apoio do poder público ao Ciclo do Marabaixo.

Naquele ano, a manifestação saiu pelas ruas de Macapá em um grande ato contra a desvalorização do marabaixo. O protesto passou pelo Palácio do Setentrião, Tribunal de Justiça, Câmara de Vereadores, Prefeitura de Macapá e Assembleia Legislativa. Cada instituição recebeu uma carta com reivindicações para o marabaixo.

Foto: Max Renê

O Marabaixo é um tradição secular que passa de geração em geração através dos anos. É dançado na capital, Macapá, anualmente, nos meses de maio, junho e julho, nos bairros do Laguinho, na Favela e na comunidade do Curiaú.

O Marabaixo através da história

Para explicar sus história, seus rituais e sua importância enquanto elemento cultural característico do estado, sobretudo, do município de Macapá, o escritor Fernando Canto lançou o livro “O Marabaixo através da história”.

Na obra, Fernando conta sobre os vários rituais que compõem essa manifestação e dos personagens que dão vida à tradição – tocadores de caixas (tambores), cantadores e dançadeiras – que, em sua maioria, são descendentes de negros que habitavam as localidades de Mazagão Velho, Maruanum, Curiaú e os bairros Laguinho e Santa Rita, antiga Favela.

Foto: Chico Terra

Para saber mais sobre o Marabaixo, assistam o documentário Um documentário completo sobre o Ciclo do Marabaixo, produzido por Thomé Azevedo, Ana Vidigal Vidigal Zezão Reis, Bruno Jerônimo e outros amigos do audiovisual:

Ainda bem que o Poder Público apoia a tradição. Ainda bem que os poetas versam o Marabaixo e os fotógrafos o retratam. Ainda melhor ainda que o amigo Fernando Canto escreve crônicas sobre ele com o amor laguinense que lhe transborda. Ainda bem que a população vai até a Favela, aos campos do Laguinho, Campina Grande e ao Curiaú prestigiar a festa. Viva (vivencie mesmo) o Marabaixo do Amapá!

Foto: Elton Tavares

Elton Tavares, com informações de Fernando Canto, Edgar Rodrigues e Cláudio Rogério.

*Abaixo dois vídeos sobre Marabaixo: 

 

Governo do Amapá fortalece cultura hip-hop com a realização do projeto ‘Evolução das Ruas 2024’

Proporcionar a inclusão social e cultural para jovens e estudantes moradores dos conjuntos habitacionais de Macapá e das comunidades, utilizando a cultura hip-hop como ferramenta dinâmica de transformação e expressão é o objetivo do projeto “Evolução das Ruas 2024”, promovido pelo Governo do Amapá.

A programação, que acontece de 20 a 23 de junho, é coordenada pela Fundação Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Fundação Marabaixo) e Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Serão realizadas oficinas em escolas públicas, batalhas de rap e breaking dance.

As atividades de formação acontecerão nas escolas estaduais Professor Nilton Balieiro Machado, no bairro Marabaixo 2, e Antônio João, no Centro de Macapá. Nos conjuntos habitacionais Macapaba e Açucena e no Trapiche do Santa Inês, ocorrerão as batalhas. O “Evolução de Rua” realizará atividades imersivas nos elementos da cultura hip-hop.

A comunidade poderá participar, de forma intensiva, de atividades como rimas, dança breaking e grafite. A meta da organização é a de ofertar o acesso a atividades culturais gratuitas e de qualidade, contribuindo para a diminuição da exclusão sociocultural e da marginalização da cultura de rua.

O projeto está sendo desenvolvido por meio de fomento com a Associação Laboratório de Danças Urbanas (LAB), entidade voltada à promoção da cultura, arte e dança de rua. Um dos integrantes do Movimento Hip-Hop no Amapá, Alberto Jaime, destaca a união de forças com o Poder Público.

“Essa iniciativa inovadora, vai viabilizar a inclusão social e cultural por meio da arte urbana. Nossa expectativa é que o projeto seja um grande evento de hip-hop, reunindo elementos dessa cultura em um espetáculo inesquecível: batalhas de breaking e de MCs, shows de rap com artistas locais e intervenções de grafite ao vivo, num verdadeiro encontro de talentos e expressões artísticas”, destaca Jaime.

Confira a programação do projeto “Evolução das Ruas 2024”:

Dia 20 de junho (quinta-feira)
Oficinas de Hip-Hop
Local: escolas estaduais Nilton Balieiro e Antônio João
Horário: de 15h às 1h30
Dia 21 de junho (sexta-feira)
Oficinas de rap, DJ, breaking e grafite
Local: habitacionais Macapaba e Açucena
Horário: das 14h às 18h
Dia 22 de junho (sábado)
Batalhas, shows de rap e breaking
Local: Trapiche do Santa Inês
Horário: a partir das 16h
Dia 23 de junho (domingo)
Final das Batalhas, shows de Rap, breaking e encerramento
Local: Trapiche do Santa Inês
Horário: a partir das 16h

Texto: Gabriel Penha
Foto: Gabriel Penha
Secretaria de Estado da Comunicação

Governo do Amapá faz lançamento do ‘Arraiá do Povo 2024’, com 12 dias de programação gratuita

O Governo do Amapá lançou na quarta-feira, 5, no Palácio do Setentrião, a programação do “Arraiá do Povo 2024”. O evento será de 21 de junho a 2 de julho, na Cidade Junina, que será construída pela primeira vez no Parque de Exposições da Fazendinha, em Macapá.

Organizado pelas secretarias de Estado da Cultura (Secult) e do Turismo (Setur), o evento conta com recursos do Tesouro Estadual e emendas parlamentares articuladas pelos senadores Davi Alcolumbre e Randolfe Rodrigues.

“Juntamos esforços para fazer a melhor festa possível para o Amapá. A quadra junina é uma tradição, além de um momento produtivo para a cultura e economia do estado. Vão passar por este palco quadrilhas do Oiapoque ao Jari, se apresentando com orgulho e animação para realizar uma festa inesquecível”, destacou o governador Clécio Luís.

O fomento irá custear toda a estrutura da Cidade Junina, como palcos, tendas, sonorização, iluminação, cachês artísticos, e também integra o investimento direto feito nos grupos juninos para a realização das apresentações.

“Eu sou um apaixonado pelo São João e defendo o que acredito. Nós fomos buscar caminhos com parceiros, e finalmente chegou o dia em que estamos sendo valorizados e respeitados por nossa cultura”, ressaltou o presidente da Liga Junina de Macapá (Ligajum), Cláudio Vaz.

Novidades

Serão 12 dias de programação envolvendo grupos juninos dos 16 municípios do estado, totalizando mais de 80 apresentações. O espaço receberá nestes dias os Festivais Juninos da Ligajum, da Federação das Entidades Juninas e Folclóricas do Amapá (Fejufap) e da Federação de Entidades Folclóricas do Amapá (Fefap) – Arraiá no Meio do Mundo.

“Nossa festa acontece em conjunto com as entidades que fazem a quadra junina. Essa programação é muito esperada, com danças, brincadeiras e trazendo a beleza do segmento. Investir na cultura é economia, pois estimula uma cadeia produtiva que envolve trabalhadores e pessoas que se preparam o ano inteiro para este momento”, evidenciou a secretária de Estado da Cultura, Clícia Vieira Di Miceli.

Entre as novidades da edição 2024, estão a construção de dois palcos e parques com brincadeiras tradicionais, a assistência de hospedagem e alimentação para quadrilheiros que vierem para Macapá, e o apoio para as quadrilhas campeãs representarem o Amapá em competições nacionais.

A programação também conta com dois shows nacionais, nos dias 21 e 27 de junho, na abertura do evento e no Dia do Quadrilheiro.

Texto: Fabiana Figueiredo
Foto: Max Renê/GEA
Secretaria de Estado da Comunicação

Quadrilheiros iniciam ensaios juninos para o ‘Arraiá do Povo 2024’, do Governo do Amapá

Com a chegada do mês de junho, os quadrilheiros amapaenses intensificam os ensaios para as apresentações no Arraiá do Povo, promovido pelo Governo do Amapá. Com disciplina e dedicação, os grupos folclóricos buscam aperfeiçoar as coreografias e os passos marcados nos mínimos detalhes, para impressionar o público e os jurados.

Os ensaios dos grupos ocorrem de segunda a sexta-feira, das 21h à meia-noite. A Cidade Junina montada pelo Governo do Estado neste ano traz novidades, a primeira delas é o local, que dessa vez, será no Parque de Exposições da Fazedinha, na Zona Sul de Macapá. Serão 12 dias de festa, com apresentação de 80 grupos folclóricos dos 16 municípios, além de várias atrações.

Quadrilheiro há 35 anos, Cláudio Vaz, de 47 anos, é fundador do grupo Estrela do Norte. Ele garante que a atual campeã do 5º Forrozão Primo Sebastian, que já coleciona cinco títulos estaduais e um nacional, está muito confiante.

“As expectativas para este ano são as melhores, pois conseguimos o título de campeã em 2023 e a melhor colocação de quadrilha junina do estado em uma competição nacional. Representamos o Amapá e adquirimos uma colocação inédita na competição de miss caipira, que lá fora é rainha junina. Nossa miss caipira foi eleita a melhor rainha junina do Brasil com apenas 15 anos. Estamos confiantes e felizes. O povo merece uma linda festa”, enfatizou o quadrilheiro.

O Arraiá do Povo impulsiona o setor cultural e a economia criativa, e reúne as entidades que promovem a quadra junina no estado. São elas: Liga Junina de Macapá (Ligajum), Federação das Entidades Juninas e Folclóricas do Amapá (Fejufap) e Federação de Entidades Folclóricas do Amapá (Fefap), que se uniu ao Instituto Sociocultural Junino Arraiá no Meio do Mundo. Durante os 12 dias de festa, cada dia será dedicado a uma organização.

Preparação

Planeja daqui, ensaia dali, ajusta de lá, e, assim, seguem os últimos dias dos ensaios preparatórios das quadrilhas juninas amapaenses, que logo entrarão em quadra para apresentar o trabalho de um ano inteiro.

Para a organização das quadrilhas tudo é pensado e planejado com antecedência. Dentre outras funções, uma equipe fica responsável pelos principais personagens como os do casamento, coreografia, figurino e repertório musical. Com reuniões desde janeiro, os grupos começam a ensaiar logo após o carnaval.

Com planejamento, danças, valorização das raízes culturais e caracterizações de personagens que dão vida e despertam sentimentos sobre os costumes e a rotina que envolvem as festividades é que a tradição junina se mantém a cada ano. As quadrilhas são protagonistas de uma festa repleta de animação, disciplina e comprometimento, mas no final é a cultura que ganha com cada apresentação.

Texto: Alexandra Flexa
Foto: Erich Macias/Arquivo GEA
Secretaria de Estado da Comunicação

Hoje é o Dia Mundial da Dança – Minha crônica sobre a data

Hoje é o Dia Internacional da Dança, uma das três principais artes cênicas da antiguidade, ao lado do Teatro e da Música.

Criado em 1982, pelo Comitê Internacional da Dança da Organização das nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), a data homenageia o mestre francês Jean-George Noverre (29/4/1727 – 1810), considerado o precursor do balé moderno, que sistematizou o seu método revolucionário, em um conjunto de cartas sobre esta manifestação artística, intitulado Letterssurladanse (amálgama de palavras, cujo significado é “cartas sobre a dança”).

Por feliz coincidência, a data é também a do nascimento de Márika Gidali, a revolucionária bailarina, nascida em Budapeste – Hungria, radicada em São Paulo, que, com Décio Oteo, fundou o Ballet Stagium em 1971, em São Paulo, que inaugurou no Brasil, em plena ditadura militar, uma nova maneira de se fazer e apreciar a dança.

Apesar de ser um grande perna de pau, admiro quem sabe dançar. Falando nisso, só Deus sabe o quanto sofri com as festas de escola, no auge na famigerada “Lambada”, era osso! Só de lembrar me dá asco.

Falo dos que sabem dançar o nosso Marabaixo, Samba, Salsa, Bolero, Balé, aquela parada que os russos dançam, Valsa, Dança de Salão, Break, Dança do Ventre e até o Forró (apesar de não ser tão fã do estilo, reconheço a importância dele para a cultura nordestina). Tango então? Apesar de achar os argentinos uns boçais, aquilo é bonito de se ver. Ah se é.

Lembro-me de uma antiga história da família, que é natural do município de Mazagão. Meus tios contam que o meu saudoso pai vinha para Macapá, nos anos 60, passar o fim de semana (ele era o mais velho de cinco irmãos) e voltava para a cidade natal dizendo que dançava Twist na capital, só para se gabar para as meninas de lá. O negão era figura mesmo.

Lembro que, nos anos 80, todo moleque queria aprender o “Moonwalk”, parte da “dança sobre a Lua”, criado pelo dançarino de Street Dance Bill Bailey, imortalizado pelo cantor e compositor Michael Jackson.

Enfim, quem for de dança, que dance. E quem for de apreciar, como eu, tome sua cerva e observe. Tenham todos uma ótima semana. É isso.

Elton Tavares

Com apoio do Governo do Amapá, projeto leva cultura do marabaixo para escolas estaduais

A Escola Estadual Reinaldo Damasceno, localizada no bairro Buritizal, em Macapá, recebeu o projeto “Campanha de Popularização do Marabaixo nas Escolas”, na quinta-feira, 25. Incentivada pelo Governo do Amapá, a iniciativa busca difundir a manifestação cultural no estado e promover o conhecimento de estudantes dos ensinos fundamental e médio da rede pública de ensino.

O projeto é da Companhia “Ói Noiz Akí” e recebe apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Além de palestras sobre a história, rituais e elementos, os estudantes participam de oficinas de confecção de caixas de marabaixo.

Durante a ação, o grupo Tia Sinhá foi o responsável pela troca de conhecimentos. A representante, Jane Selma Almeida, que também é professora, destaca a importância da inserção da cultura do marabaixo no fazer pedagógico.

“Nós mostramos a riqueza do marabaixo e recebemos de volta o reconhecimento que difunde a nossa manifestação cultural. É uma troca repleta de amor e felicidade”, relata Jane, emocionada.

Quem venceu a timidez e foi para a roda de marabaixo foi o aluno Luan Andrei Duque, de 10 anos. Estudante do 6º ano, ele diz que gostou da experiência de vivenciar um pouco da tradição. “É muito bonito ver as saias floridas e as rodas. Gostei muito de participar e dançar”, disse o estudante.

Para o professor André Taborda, o projeto agrega valor como atividade extracurricular e traz conhecimento quanto à tradição.

“Esse momento é gratificante, pois é uma oportunidade de nossos estudantes conhecerem e se apropriarem dessa cultura que é autêntica e do nosso Amapá”, finaliza o educador.

Texto: Gabriel Penha
Foto: Gabriel Penha
Secretaria de Estado da Comunicação

Governo do Amapá promove primeira ’Batalha Zulu Nation’ em celebração aos 50 anos do Hip-Hop

Em celebração aos 50 anos do Hip-Hop no mundo, mais de 30 talentos amapaenses participam da “Batalha Zulu Nation” no Amapá. O evento, com apoio do Governo do Estado, terá momentos de socialização e competição, nesta sexta-feira, 15, e sábado, 16, no auditório da Secretaria de Estado da Juventude (Sejuv) e no Trapiche do Santa Inês, na orla de Macapá.

Durante os dois dias, além das disputas de breaking nas modalidades, Bboy, Bgirl e Bboy Kids, também haverá rodas de conversas e oficinas gratuitas sobre os elementos que integram a cultura hip-hop, como discotecagem de DJs, além de aulas de dança nos estilos “pooping” e capacitações em “new style”.

O evento é coordenado em conjunto pela Sejuv, Secretaria de Estado de Desporto e Lazer (Sedel), Secretaria de Estado de Turismo (Setur) e pela Federação Amapaense de Breaking (FAPB).

Nesta primeira edição da Batalha Zulu Nation, o objetivo é proporcionar a valorização e o fortalecimento da cultura de rua no estado, proporcionando oportunidades para atletas e artistas se desenvolverem, fomentando a inclusão social e incentivando a formação de novos talentos.

“A partir desta edição a competição Batalha Zulu Nation entra para o calendário esportivo e cultural amapaense e vamos aproveitar o momento para discutirmos sobre o breaking nas olimpíadas de Paris deste ano”, destaca o produtor cultural e representante da Zulu Nation – UBI no Amapá, Augusto Zulu.

Competição e show

No sábado, 16, a Batalha terá como palco o Trapiche do Santa Inês, que contará com a presença de DJs e jurados. No encerramento, haverá o show de rappers do estado e da Association Doubout Collectif, de Cayenne, Guiana Francesa, que atuarão juntos, com o objetivo de integrar os artistas amapaenses no cenário internacional do hip-hop.

PROGRAMAÇÃO:

Sexta-feira, 15
Local: Auditório da Sejuv
9h – Aulão de dança pooping
Professor: Zulu King Soldier Man (DF)

15h – Oficina de DJ
Professor: Spider

Sábado, 16
Local: Auditório da Sejuv
9h – Aulão de Pooping
Professor: Zulu King Soldier Man (DF)

15h – Oficina de Breaking
Professor: Bboy Roh (França)

16h – Oficina New Style e Pooping
Professor: Laurent Bosse (Guiana Francesa)

Trapiche do Santa INês
17h – Abertura da Batalha Zulu Nation

17h30 – Apresentação de artistas de Rap da Guiana Francesa e local

18h – Início da Batalha Zulu Nation – Bboys e Bgirls

19h30 – Apresentação de artistas de Rap da Guiana Francesa

20h30 – Final da Batalha Zulu Nation

Texto: Bianca Castro e Danilo Paiva
Foto: Ascom/Sedel e Aog Rocha/GEA
Secretaria de Estado da Comunicação

Batuque, Zouk e Marabaixo: neste domingo (25), rola Roda Bandaia no Norte das Águas

Foto: Clicia Di Miceli

Neste domingo (25), a partir das 16h, no bar e restaurante Norte das Águas, rolará mais uma edição da Roda Bandaia. A evento visa o fortalecimento de ritmos, musicalidade e cultura locais. A entrada será gratuita.A Roda de Bandaia conta com os músicos João Amorim (voz e percussão); Adelson preto (voz e percussão); Helder Melo (ContraBaixo); Fabinho Costa (violão) e Paulinho Queiroga (voz e bateria).

O público poderá participar com canto e dança. Ou tocar junto com os músicos. O espaço é para todos que curtem o marabaixo, batuque do Curiaú, zouk, carimbó, e outros ritmos da Amazônia. Tem também o varal de saias coloridas para quem quiser ficar mais bonito ainda. E ainda convidados; Saião para as açucenas, Gengibirra e cerveja gelada.

Norte das Águas

O Norte das Águas é um dos mais conceituados pontos turísticos de Macapá, que fica situado às margens do rio Amazonas, no Complexo Marlindo Serrano (Araxá). O estabelecimento serve boa comida, cervejas enevoadas e drink’s variados. Além do atendimento porreta. Tudo às margens ventiladas do Amazonas, o nosso riozão bonito.

Enfim, quem curte Batuque, Marabaixo, Zouk, Bandaia e Cacicó vai curtir. Recomendo!

Serviço:

Roda de Batuque Bandaia – Complexo do Araxá
Local: Norte das Águas, localizado no Complexo do Araxá, na zona Sul de Macapá.
Data: 25/02/2024
Hora: a partir das 16h.

Elton Tavares, com informações de João Amorim.

Carnaval 2024: Neste domingo (11), rola a sexta edição do irreverente Bloco “Bora lá Só Tu” – @blocoboralasotu

Irreverente, cheio de humor e diversão, mistureba musical, energia positiva, alegria, exemplo de resistência contra todo tipo de preconceitos e de luta política com todas as críticas necessárias ao sistema, de maneira lúdica, criativa, inteligente e sagaz, o Bloco Bora lá Só Tu volta às ruas no domingo de Carnaval, no dia 11 de fevereiro, em Macapá. Será a sexta edição da agremiação carnavalesca, que reúne milhares de foliões da capital amapaense.

O Bora Lá Só Tu este ano estará na Avenida Iracema Carvão Nunes entre a General Rondon e a Eliezer Levy, a partir das 15h. Como sempre, a folia será gratuita. O bloco já é tradição carnavalesca. O cortejo sempre vai embalado por todo tipo de som, pois vai de clássicos do samba até os hits mais recentes.

A energia positiva e alegria contagiantes da marcha alegre transformam as ruas de Macapá em um palco efervescente de diversão, embrulhada em fantasias criativas e adereços extravagantes.

Mas não se engane pela aparência descontraída; por trás da folia, o “Bora lá Só Tu” carrega consigo uma mensagem política e social. As críticas ao sistema, de maneira inteligente e bem-humorada, são parte integrante desse bloco que usa a festa como forma de protesto e de conscientização.

Marquem em seus calendários, tragam suas melhores vibes e vamos juntos fazer do “Bora lá Só Tu” a maior festa da resistência e alegria do Carnaval em Macapá. A contagem regressiva para a diversão começou!

Um dos organizadores e fundadores do Bloco, Manoel Fabrício, falou sobre esta sexta edição:

Amazônia, estamos no meio do mundo e é Carnaval. Esse ano, só temos agradecimentos a fazer. Primeiro a Deus o grande arquiteto do universo, nossas famílias que são os esteios de nossas vidas e aos brincantes que sempre colam conosco.Pensando em todas as edições e aflições que tivemos, pra botar o bloco na rua. Valeu! E vale. Hoje somos um grupo de sete amigos formado por Ohana VIctoria, Manu Cabral, Thiago Gomes, Arnon Tavares, Adrielly Chermont e Rodrigo Aquiles. Todos nós nos empenhamos muito para fazer essa festa maravilhosa que é o carnaval. Tomamos de assalto o domingo de carnaval e assim tendo sido desde 2017. Sexta e Sábado desfile das escolas de samba, no domingo o Bloco Bora Lá Só Tu, na segunda o carnaval fica por conta do Farofa Tropical e na terça, a grandiosa A Banda, o maior bloco de sujos do norte do pais”, detalhou Manoel Fabrício.

Mais sobre o Bora Lá Só Tu

Tradicionalmente, o Bora Lá Só Tu é uma iniciativa coletiva de insatisfeitos, que decidiram fundar o bloco para protesto, reivindicação e diversão.

Fundado em 2017, o bloco de Carnaval “Bora Lá Só Tu”, que levou milhares de pessoas às ruas de Macapá em 2017 a 2020 (com intervalo na pandemia, os anos 2021 e 2022, o bloco não saiu). Acredito que depois da A Banda e dos desfiles das escolas de samba, é o melhor rolê carnavalesco.

Este ano, o Bora Lá Só Tu conta com a parceria do Governo do Estado do Amapá, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), mandato do senador Randolfe Rodrigues e site Blog De Rocha.

Quem já participou do Bora Lá Só Tu não perderá.

Elton Tavares, com informações de Manoel Fabrício.

É Carnaval, é a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração – (Crônica de Elton Tavares sobre a maior festa cultural brasileira)

Essa semana começa mais um Carnaval, a maior festa popular do Brasil. Amo a quadra carnavalesca, particularmente os festejos de rua. A “festa da carne” é paixão e amor, só entende quem sente. Para aqueles que acham tudo uma grande besteira, azar o de vocês, pois não sabem curtir a maior festa cultural brasileira.

Macapá já teve bons carnavais de clube. Na época, os foliões compravam temporadas (as mesas eram “bancas”) carnavalescas, bons tempos. Cresci no meio de gente alegre: meus pais, tios e os amigos deles. Todos “pulavam” nos bailes carnavalescos mais disputados da cidade. Eram realizados no Trem Desportivo Clube ou no extinto Círculo Militar (esse mais elitizado). Ainda adolescente participei de muitas dessas festas memoráveis.

Eu, Rei Momo

Esse ano, desfilarei mais uma vez pela minha amada Piratas da Batucada, como faço desde 1990. O lance é curtir o Carnaval, a emoção e a alegria que ele proporciona. Afinal, “todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto”. Mentira, muitos passam sim, mas a gente gosta assim mesmo.

Não tenho ziriguidum, não toco surdo de repique, tamborim ou bumbo, tudo pra não atravessar o samba. Também não sou pierrô e nem palhaço, mas já fui Rei Momo e serei sempre pirata da batucada.

Eu, no Piratas da Batucada, em 2015 (como faço desde 1990) – Foto: Abinoan Santiago

Sim, sempre fui um folião fervoroso, pois não nasci em fevereiro, mas o Carnaval tá no meu coração. E nem me venham com o lance de ser “pão e circo”, pois isso é argumento furado de quem não entende que essa é a maior festa popular do Brasil. Cheio de memória, arte, homenagens, é muito mais que uma disputa de agremiações em uma grande passeata festiva. Ou “um bando de bêbados nas ruas”, como dizem os desavisados (ou burros mesmo).

O Carnaval é inspiração, vibração, talento, organização, imaginação, arte, luz, cores, alegria, magia e amor. Fala de nossos costumes, história e tradições. Um contagiante evento de luz, cor e muita alegria. Sem falar na importância que possui para a economia, pois faz o dinheiro circular e beneficia toda a cadeia produtiva, comércio formal e informal.

No ensaio aberto do Piratas da Batucada, com a Bruna Cereja, minha namorada – Fevereiro de 2024

Tô louco desfilar na minha amada escola de samba Piratas da Batucada e andar todo o percurso d’A Banda, a louca marcha alegre. Sim, também estarei no Piratão e naquela multidão de máscaras coloridas. Vamos botar pra quebrar nas ruas de Macapá. Como diz a velha marchinha do remador: “Se a canoa não virar, olê, olê, olá, eu chego lá”.

Enfim, o Carnaval é festa que contempla as tradições e a história afro-cultural brasileira e nos dá a falsa sensação de liberdade, música, suor e alegria. Como diz o samba: “É Carnaval, é a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração”. O que resta é esperar a cor que virá depois do cinza. E ela virá (se Deus quiser). Afinal, a festa da carne é isso: ludicidade, beleza e esperança. Tenham todos um ótimo Carnaval!

Elton Tavares – jornalista, escritor e folião. 

Batuque, Zouk e Marabaixo: em nova temporada, Roda Bandaia está de volta ao Norte das Águas neste domingo (4)

Foto: Divulgação Roda Bandaia

Neste domingo (4), a partir das 16h, no bar e restaurante Norte das Águas, será realizada mais uma edição da Roda Bandaia. Idealizado pelo Grupo Bandaia de Batuque e Marabaixo, em novembro de 2015. À época, a iniciativa contou com a presença dos irmãos Moreira (Higo, Hian e Huan Moreira) e João Amorim, na direção musical. A evento visa o fortalecimento de ritmos, musicalidade e cultura locais. Os encontros sempre foram sucesso de público e crítica. A entrada será gratuita.

A Roda de Bandaia conta com os músicos João Amorim (voz e percussão); Adelson preto (voz e percussão); Helder Melo (ContraBaixo); Fabinho Costa (violão) e Paulinho Queiroga (voz e bateria).

Quem quiser pode participar cantando, tocando ou dançando na roda, o espaço é para todos que curtem o marabaixo, batuque do Curiaú, zouk, carimbó, e outros ritmos da Amazônia. Tem também o varal de saias coloridas para quem quiser ficar mais bonito ainda. E ainda convidados; Saião para as açucenas, Gengibirra e cerveja gelada.

Foto: Divulgação Roda Bandaia

A história da Roda Bandaia

A Roda de Bandaia foi iniciada nos bares Beira Rio e Nêgo, em 2016, na Orla de Macapá, ainda com o nome “Roda de Batuque”. O projeto teve continuidade no bar Norte das águas nos anos de 2018 e 2019. Passou pelo Sankofa em 2020 e retornou ao Norte das Águas em 2022. Após um ano de pausa, volta ao mesmo local em 2024.

O projeto Roda de Bandaia foi pensado para ecoar a música regional, à base de tambores e violões, atraindo ao seu redor gente que gosta de cantar, dançar e tocar, ou simplesmente curtir.

A Roda de Bandaia é uma das coisas mais lindas que existem atualmente nesta cidade. É a balada de quem curte dançar ao som de música popular amapaense. Sob a força de uma energia linda, há anos o músico João Amorim idealizou esse projeto e de lá pra cá vem fazendo acontecer e crescer ao lado de outros músicos e parcerias“, comentou a jornalista Andreza Gil, há alguns anos.

A festa foi bolada com o intuito de tocar, de maneira despretensiosa como uma roda de samba numa esquina qualquer do Brasil, música popular dos compositores amapaenses. Marabaixo, Batuque do Curiaú, Zouk e Toada. Mas a receita não foi só isso. Minha mãe costurou 10 saiões com cinturas de elástico, para que qualquer pessoa pudesse usá-las”, relatou João Amorim.

Foi num domingo, dia primeiro de novembro, lá por 18h, primeiro rufar do tambor da primeira Roda de Bandaia. A festa continuou se repetindo todos os domingos ininterruptamente por oito meses quando finalizou sua primeira temporada. Por lá passaram todos ou quase todos os artistas da cena musical amapaense. Os cantores do movimento Costa Norte, Senzalas, Grupos de Marabaixo tradicional, Cantoras, intérpretes… muitos que não tem como falar o nome de cada um aqui. E ainda bailarinas, dançadeiras e poetas. Sempre tem poesia recitada ao som dos tambores tucujus. A gengibirra também está presente em todas as festas, e o cardápio sempre tem o sabor do Amapá. Começou no Bar do Nego e hoje se realiza, já há alguns anos, no Norte das Águas e sempre foi sucesso de público desde 2015”, detalhou João Amorim.

A nova temporada da Roda não será diferente do seu primeiro dia onde trouxe muitos artistas e muito público. Um formigueiro de gente rodando saia e cortejando, girando e cantando. Uma das festas mais bonitas que se pode curtir num Bar às margens do Rio Amazonas. Portanto, neste domingo (4), às 16h em ponto, começaremos a festa no Norte das Águas. presença confirmada de vários artistas amapaenses em várias expressões da arte, gengibirra, saião, por do sol, vento, Peixe, camarão no bafo, cervejinha e muita dança”, finalizou o músico, cantor e coordenador do evento.

Norte das Águas

O Norte das Águas é um dos mais conceituados pontos turísticos de Macapá, que fica situado às margens do rio Amazonas, no Complexo Marlindo Serrano (Araxá). O estabelecimento serve boa comida, cervejas enevoadas e drink’s variados. Além do atendimento porreta. Tudo às margens ventiladas do Amazonas, o nosso riozão bonito.

Enfim, quem curte Batuque, Marabaixo, Zouk, Bandaia e Cacicó vai curtir. Recomendo!

Serviço:

Roda de Batuque Bandaia – Complexo do Araxá
Local: Norte das Águas, localizado no Complexo do Araxá, na zona Sul de Macapá.
Data: 04/02/2024
Hora: a partir das 16h.

Elton Tavares, com informações de João Amorim.

“Conto, Aos Olhos Meus”: espetáculo de dança, música, teatro e poesia homenageia o poeta Fernando Canto

Poeta, atriz e bailarina Hayam Chandra

A poeta, atriz e bailarina Hayam Chandra apresenta o espetáculo “Conto, Aos Olhos Meus”, trata-se de uma imersão nos versos de Fernando Canto. A protagonista, “Açucena”, vai além de uma flor, personificando o amor, força e delicadeza das dançadeiras de Marabaixo. A fusão de música, teatro e dança cria uma experiência envolvente, conduzindo o público por uma jornada sensorial.

A trilha sonora, de Tem Deck? Otto Ramos e Nani Freires, amplifica as emoções dos poemas. Hayam Chandra dá vida aos versos, conectando a plateia à rica poesia de Fernando Canto.

A intervenção poética destaca a resiliência, amor e esperança da alma amazônica.

Serviço:

Espetáculo “Conto, Aos Olhos Meus”, uma imersão nos versos de Fernando Canto, com a bailarina Hayam Chandra
Datas: QUINTA E SEXTA-FEIRA, 25 E 26 DE JANEIRO DE 2024
HORA: 19H
LOCAIS: 25/01 – AUDITORIO DA UEAP
26/01 – BIBLIOGARDEN

Nathanael Zahlouth:
Contato: (96) 99148-8293
Assessoria de imprensa do Espetáculo

Carnaval do Povo: tradição, história e folia retornam para Centro de Macapá, a partir deste domingo, 21

“É carnaval, todo ano já é tradição! Com o Placa Luminosa, atrás do bloco, lá vem o povão”, já anuncia a música ‘Carnaval do Povo’, do álbum ‘Placlarear’, da Banda Placa. O retorno do evento de mesmo nome da canção, acontece, após dez anos, neste domingo, 21, com apoio do Governo do Amapá, marcando o momento de escrever as novas histórias na Praça da Bandeira, em Macapá, com muita animação e nostalgia.

O Carnaval do Povo surgiu em 1984, um ano após a criação da Banda Placa Luminosa, uma iniciativa dos músicos Álvaro Gomes e Carlos Augusto, conhecido como Carlitão, trouxe para a capital amapaense uma alternativa aos bailes e blocos pagos. A proposta foi realizar um carnaval com inclusão social. Tudo começou com uma disputa saudável envolvendo charanga (banda com instrumentos de sopro), o Esporte Clube de Macapá e o coreto da Praça da Bandeira.

“A ideia do Carnaval do Povo começou com uma brincadeira com o dirigente do Esporte Clube Macapá, na época, o Waldir Carrera. Foram dois domingos seguidos disputando quem tinha a melhor charanga; aí falamos: não podemos perder, aí trouxemos os músicos da banda do Oscar Santos, que era nosso tecladista na época, e o Carrera trouxe a fanfarra Rebelde, que era o grupo do Ypiranga; depois disso, decidimos fazer melhor e montamos o equipamento da Placa em cima do coreto da praça, que virou nosso palco, aí o povo foi chegando e se reunindo, e aí ficou”, conta Carlitão.

A Praça da Bandeira, que será ocupada este ano durante quatro domingos com programação para toda a família, virou ponto de encontro. A escolha do local foi estratégica, de acordo com os músicos.

“A gente levou a banda para lá, porque a ideia era tocar cedo na Praça da Bandeira, e depois a gente corria para dentro da sede do Esporte Clube Macapá pra tocar o ‘tertúlia’ lá dentro”, explica Álvaro Gomes com bom humor.

Com mais de 40 anos de história, a Banda Placa e o Carnaval do Povo também são parte da história do Amapá e o retorno do evento faz parte das celebrações dos 80 anos de criação do estado.

“Naquela época nem existia o axé desse jeito que conhecemos, o carnaval era no clube, nos salões, então levamos isso, chegamos a reunir uma média de 15 mil pessoas por domingo, então a gente marcou muito a história e esperamos esse público dos velhos carnavais também esteja lá nesse retorno”, reforça Álvaro.

Onde o Carnaval ia, o Povo estava

O Carnaval do Povo acabou se tornando itinerante a partir de 1996, ocupando outros espaços como Praça Beira Rio e o Sambódromo. Os músicos contam que, na época, imaginavam que a mudança da Praça da Bandeira para outros locais iria dispersar o público, mas a população se manteve fiel e acompanhando aonde quer que eles fossem.

“Mudamos de lugar entre 1996 e 1998, e acabamos indo para a Beira Rio, Sambódromo, achamos que as pessoas iam deixar de nos acompanhar, mas nos surpreendemos porque sempre lotava, todo mundo gostava mesmo. Em 2001 a gente começou a ir para os bairros, escolas e ficou dessa forma, itinerante”, conta Carlitão.

Retorno

A programação seguirá em quatro domingos e é organizada pela Liga Independente dos Blocos Carnavalescos do Amapá (Liba) com apoio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). A iniciativa também traz atividades para crianças e idosos, que terão bailes próprios. Os músicos contam que o público pode esperar muita música e diversão com segurança para relembrar o melhor do carnaval de rua.

“A gente tem preparado um repertório com o que a população gosta, estamos animados e convidamos as pessoas a levarem suas famílias para se divertir e fazer parte dessa história conosco”, reforça Álvaro.

Confira a programação do Carnaval do Povo:

21 de janeiro
18h – Chocolate com Pipoca

19h – Banda Placa

28 de janeiro
18h – Bloco Infantil dos Máscaras (Mazagão Velho-AP)

19h – Banda Placa

4 de fevereiro
18h – Carnaval de rua dos grupos da terceira idade

19h – Banda Placa

11 de fevereiro
18h – Homenagem às vozes femininas do Carnaval de rua com Brenda Melo, Deize Pinheiro e Silmara Lobato

19h – Banda Placa

Texto: Rafaela Bittencourt
Foto: Jorge Junior/GEA e Arquivo pessoal/Banda Placa
Secretaria de Estado da Comunicação