Moedas e Curiosidades – “Revolução Constitucionalista de 1932” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Outro item repleto de história da minha coleção de moedas, são essas três moedas de cupro-níquel e data MCMI (1901 – essa foi a única vez que se utilizou algarismos romanos, para datar uma moeda brasileira), com o carimbo da “Campanha do Ouro” da “Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo.

Em 1930, uma revolução derrubara o governo dos grandes latifundiários de Minas Gerais e São Paulo (política do Café com Leite 1898-1930). Getúlio Vargas assumiu a presidência do Brasil em caráter provisório, mas com plenos poderes. Do Congresso Nacional às Câmaras Municipais, todas as instituições legislativas foram fechadas, e os governadores dos estados, foram depostos e substituídos por interventores.

A política centralizadora de Vargas desagradou as oligarquias estaduais, especialmente as de São Paulo, o estado economicamente mais importante da nação. A visível perda de espaço político, sofrida pelos paulistas, impulsionou a organização de novos meios de se recolocar nesse cenário político controlado pelo governo Vargas.

O clima de hostilidades entre os paulistas e Getúlio Vargas aumentou com a nomeação do tenente João Alberto Lins de Barros, ex-participante da Coluna Prestes, como novo governador de São Paulo.

Um grande comício realizado em 23 de maio de 1932, reivindicando uma nova constituição para o Brasil, terminou em conflito armado e quatro estudantes morreram: Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, dando origem ao grande símbolo da revolução: a sigla MMDC. Essas mortes foram o estopim para dar início, em 9 de julho de 1932, à maior guerra civil da história brasileira.

A 14 de julho, o governador de São Paulo Pedro de Toledo, decreta a criação de um bônus de guerra que desempenhe as funções de moeda. Para lastreá-la foi lançada a campanha “Doe ouro para o bem de São Paulo”, centralizada pela associação comercial em conjunto com os bancos. Cria-se a marca – um carimbo com capacete e a legenda “1932 C. O.” (1932 Campanha do Ouro) – que ficou conhecido como o “Carimbo da Campanha do Ouro”.

Em outubro de 1932, após três meses de luta, os paulistas se renderam. Cerca de três mil brasileiros morreram em combates e mais de cinco mil ficaram feridos durante a revolução.

Embora derrotados, os paulistas conseguiram alcançar alguns objetivos. Entre eles, a Constituição que acabou sendo promulgada em julho de 1934, trazendo alguns avanços democráticos e sociais para o país.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

Há 39 anos, morreu Ian Curtis, da banda Joy Division – Uma corda no pescoço do Rock

Ian Curtis

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No dia 18 de maio de 1980, há exatos 39 anos, com uma corda no pescoço do Rock and Rol, cometia suicídio Ian Curtis, compositor inglês, vocalista e líder da banda Joy Division, formada em 1976. Ele tinha 23 anos e se preparava para excursionar com seu grupo musical pelos EUA.

O jovem e atormentado músico era vítima de epilepsia, problemas conjugais e sofria pressão pelo estrondoso sucesso de sua banda. Estes teriam sido os motivos do suicídio de Ian. Sei lá. Existem muitas lendas e teorias sobre a morte do cara

Com somente um disco lançado, Unknown Pleasures, em 1979, o Joy Division e Ian Curtis - Joyhavia concluído a gravação de Closer, estava com o lançamento agendado julho de 1980. A trágica morte de Ian Curtis não impediu que a banda se consagrasse como um dos melhores e mais importantes grupos de rock da década de 80, aliás, a principal do pós-punk.

Após seu falecimento, suas músicas foram distribuídas em mais quatro discos ao vivo, doze compilações, dois EP’s e cinco singles.

Duas versões para o nome da banda. Uma diz que era uma casa de prostituição de uma série chamada The House Of Dolls (1965). Este nome teve origem nos campos de concentração nazistas, e serviam justamente para designar a área reservada às prostitutas.

Outros dizem que Joy Division era o nome dado a área onde prisioneiras judias eram abusadas sexualmente por soldados nazistas durante a WWII. Daí a tradução, “divisão da alegria”. Seja um ou outro motivo, a alcunha é provocativa e irônica.13240491_1234624226562794_8102863326080105118_n

Li em algum lugar, do qual não me recordo agora, que o fantástico compositor suicida escrevia músicas autobiográficas, na vida das pessoas e dele e de outros.

Li também que “Love will tear us apart”, a música mais foda do Joy Division (a minha antiga turma de amigos gritou muito nas festas de rock: “toca Joy Division, pedindo pra The Malk e sterereovitrola executassem a clássica canção) foi escrita como um bilhete de despedida à quase-futura-ex-esposa-e-súbita-viúva de Ian, Deborah.

Após a dissolução do Joy Division, os três integrantes remanescentes Bernard Sumner (guitarra), Peter Hook (contrabaixo) e Stephen Morris (bateria) formaram o New Order, que também arrebentou e embalou muitas festinhas pelo mundo, inclusive em Macapá. No início, o som do NOian_curtis2 era uma continuação do JD. Com o passar do tempo, a banda fortaleceu sua própria identidade, com produções de música eletrônica, pop e dançante.

Ian foi realmente genial. Com vocal grave (barítono), dança desajeitada e bacana pra caramba (dizem que lembra os movimentos dos seus ataques epiléticos), estranha performance de palco, letras obscuras e poéticas, Curtis veio a este mundo, deu o seu recado e partiu para as estrelas. Sua vida foi retratada no cinema no filme Control (recomendo).

Não à toa, Ian Curtis foi ídolo de Bono Vox (U2), Kurt Cobain (Nirvana), Robert Smith (The Cure), Jim Kerr (Simple Minds), Ian McCulloch (Echo & the Bunnymen) e Renato Russo, que copiou dele a famosa dança epilética, entre tantos outros que vieram depois dele.

Em 2014, acompanhado do meu mais que maravilhoso irmão, Emerson Tavares, assisti ao show do New Order. A banda inglesa tocou, além de seus próprios sucesso, quase todos os seus clássicos do Joy Division como Transmission, Atmosphere e Love Will Tear Us Apart. Simplesmente inesquecível!

Foto: Elton Tavares

O rock é minha expressão artística favorita e Ian Curtis faz parte do Olimpo do Rock And Roll. A ele, minhas homenagens e gratidão pela obra. Valeu!

Elton Tavares

 

Há dois anos, morreu Chris Cornell, vocalista das bandas Soundgarden, Temple of the Dog e do Audioslave

Há exatamente dois anos, morreu Chris Cornell, vocalista do Soundgarden, Temple of the Dog e do Audioslave. Seu corpo foi encontrado no banheiro de seu quarto em um hotel de Detroit (EUA). O astro do Rock tinha 52 anos. A família pediu privacidade para trabalhar com os profissionais médicos na determinação da causa do óbito.

Nascido em Seattle (EUA), Chris Cornell foi um dos grandes nomes do movimento grunge no final dos anos 1980 e nos anos 1990. Em 1984, ele formou o Soundgarden ao lado do guitarrista Kim Thyail e do baixista Hiro Yamamoto.

O Soundgarden foi a precursora das bandas do grunge. Eles abriram o caminho para Nirvana, Pearl Jam e Alice in Chains – ao ser a primeira do gênero a assinar com uma grande gravadora, selando contrato com a A&M em 1988. Em seis álbuns, mais notavelmente Badmotorfinger, de 1991, e Superunknown, de 1994, o Soundgarden foi uma das bandas de rock mais influentes dos últimos 25 anos, com “Spoonman,” “Outshined,” “Rusty Cage” e “Black Hole Sun” como hits cravados na história do gênero.

Em 1990, Cornell iniciou o projeto Temple of the Dog, um supergrupo formado por ele, Stone Gossard e Jeff Ament, ambos ex-integrantes do Mother Love Bone, Mike McCready, Matt Cameron e Eddie Vedder. O propósito da iniciativa era fazer um tributo a Andrew Wood, que era amigo de Cornell e vocalista do Malfunkshun e do Mother Love Bone. A banda lançou um único disco, autointitulado, em 1991 pela A&M.

Após término do Soundgarden, Cornell se juntou aos integrantes do Rage Against the Machine Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk para formar o Audioslave. Em, 2007 Cornell deixou o supergrupo para se concentrar na carreira solo, antes de reunir o Soundgarden em 2010. Recentemente, ele promoveu reuniões de Audioslave e Temple of the Dog e ainda lançou um disco solo, Higher Truth, em 2015.

Cornell foi um excelente frontman em todas as bandas que participou. Entre outras coisas, ele era conhecido também pela canção “You Know My Name”, a música tema de 007 – Cassino Royale, de 2006.

O músico lidou com vício em drogas e álcool durante muitos anos, chegando a se internar em uma clínica de reabilitação em 2013. Em 2012, ele e a esposa, Vicky, criaram a Chris & Vicky Cornell Foundation para trabalhar com crianças em situações vulneráveis. A ação foi baseada na experiência pessoal dos dois na tenra idade.

Meu comentário: Chris Cornell era um dos meus vocalistas favoritos. Um cara de imenso talento, atormentado pela sua loucura. Alguns de nós não consegue se conter, era o caso do fantástico cantor. Cheio de atitude, ele ajudou a deixar os anos 90 mais felizes para toda uma geração de fãs de Rock.  Valeu, Cris!

*Com informações da revista Rolling Stones

17ª Semana dos Museus: Banda Placa disponibiliza acervo cultural e histórico do Amapá

Foto: Phillippe Gomes/Secom

Por Nathacha Dantas

O auditório da Biblioteca Pública Elcy Lacerda foi palco para troca de conhecimento entre gerações, durante a programação da 17ª Semana Nacional de Museus, em homenagem ao Dia Internacional dos Museus, celebrado neste sábado, 18 de maio. Estudantes das escolas estaduais Alexandre Vaz Tavares, Barão do Rio Branco e Antonia Silva Santos, localizada no município de Mazagão Velho, pela primeira vez tiveram acesso ao acervo histórico e cultural construído pelos fundadores do grupo amapaense Banda Placa que existe há quase quatro décadas e, acabou transformando suas músicas em projetos pedagógicos.

Foi proporcionado um bate-papo entre os integrantes da banda, estudantes, líderes de grupos tradicionais e demais visitantes que colheram informações, tiraram dúvidas e acompanharam a exibição da série “Diversidade Cultural do Amapá”, com mostra de vídeos, resultado de linhas de pesquisas sobre a cultura de pelo menos nove comunidades históricas que influenciaram os músicos, entre elas, Mazagão Velho, em Mazagão; Curiaú, em Macapá, e o Tambor de Criola, em Porto Grande e, suas festividades como do São Tiago, São Gonçalo, Divino Espírito Santo e Mãe de Deus da Piedade.

O fundador e vocalista do grupo, Carlos Augusto Gomes, o Carlitão, revela que o acervo contém mais de 400 produções que contam a cultura, tradição e peculiaridades das comunidades tradicionais.

Difusão cultural

Também foi apresentado ao público o livro “Luz” que, em um pouco mais de 200 páginas, retrata toda a trajetória da Banda Placa e as pesquisas de campo feitas nessas comunidades. “Nossa missão sempre foi contar a história do Amapá com conhecimento. E isso exige pesquisa e muito trabalho. Nos sentimos realizados hoje em poder compartilhar com tantos jovens e estudantes o nosso acervo que é uma produção independente. E poder deixar esse legado às gerações que virão”, enfatiza Carlitão.

De acordo com os autores, o livro levou três anos para ser finalizado e foi lançado oficialmente em março deste ano no Teatro das Bacabeiras. Dois exemplares foram doados para a Biblioteca Pública para consulta de usuários. Cada uma das nove comunidades pesquisadas também receberam entre cinco e oito exemplares da obra.

Banda Placa

A Banda Placa foi criada em 1983 por Carlitão e o irmão dele, o músico Álvaro Gomes, e entrou nas paradas de sucesso das rádios tocando canções como: “Minha Cidade”, “Placlarear”’ e “Amassadeira” e gravou seis Cd’s.

Ao longo de 36 anos, 67 músicos passaram pela banda e alguns continuaram no cenário musical e fazem sucesso na carreira solo, nomes como Joãozinho Batera, Osmar Júnior, Roneri, entre outros, que ajudaram a formar a identidade cultural do Amapá e o jeito de ser do povo tucuju, através de suas canções.

As músicas são produzidas e baseadas nas diversas peculiaridades que compõe a cultura e história do estado. “Nós temos uma música chamada ‘Levada do Bolão’, onde fazemos um registro do grupo do bolão muito famoso em Mazagão composto pela Tia Chiquinha, já falecida, o Velho Bolão. Outra música nossa é a ‘Tambores’ que fala da fundação do município de Mazagão”, relembra.

Além de cantar a cultura tucuju a Banda Placa realiza projetos culturais, sociais e educacionais, fomentando o legado da produção cultural amapaense e da história do povo, entre eles : A Vida e Obra de Paulo Diniz; Rock Luz; Carnaval do Povo; Música na Escola; Mazagão Velho dois séculos de Cultura; Ponto de Encontro; Placa Esporte Clube; Alé; Frutos e Sementes; Tambores; Nossos Ídolos e Aiô Folia.

A formação atual da Banda Placa possui 12 integrantes, são eles: Carlitão e Batan (vocalistas), Alan Gomes (baixo), Álvaro Gomes (guitarra), Macarrão (bateria), Diego Gomes (percussão), Grilo (percussão), Sinei Sabóia (trompete), Amilson (teclado), Nel (sax e flauta), Valério (percussão) e Xuxu (trombone).

“Ao longo desses 36 anos temos trabalhado para deixar um legado às futuras gerações. E em 2019, nós ainda vamos realizar mais dois eventos como esse, convidando os jovens e representantes das comunidades pesquisadas para prestigiar e interagir conosco”, releva o músico Carlitão.

Ele adianta que o último evento deve acontecer no mês de novembro, celebrado como o mês do músico, no Centro de Educação Profissional de Música Walkíria Lima, encerrando a turnê histórica de 36 anos da Banda Placa.

Cabralzinho, o Herói Desconhecido – Por de Fernando Canto (excelente relato sobre a nossa história)

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Por Fernando Canto

O 15 de Maio sempre foi um dia importante para os habitantes do Amapá pelo famoso combate entre franceses e brasileiros, comandado por Francisco Xavier da Veiga Cabral, no ano de 1895. Era uma data comemorada por todas as escolas que reverenciavam o triúnviro como o “Herói do Amapá”, pelo seu ato de defender a Pátria dos invasores inimigos.

Passados 124 anos do episódio e 119 da vitória de Rio Branco em tribunais internacionais, quando as terras então litigiosas da fronteira foram definitivamente incorporadas ao território brasileiro, pouco se vê de reverência a essas datas magnas da História do Amapá.

Passei  ao largo da Praça Veiga Cabral e contemplei a estátua ali colocada em sua homenagem em 2001, após ter sido removida da frente da cidade pela Prefeitura de Macapá, atendendo a vários pedidos de munícipes que “achavam uma apologia à violência ela estar erguida na Beira Rio, onde passam crianças”. O monumento1895-002-Cabralzinho mede uns cinco metros de altura e representa Cabralzinho atirando com uma pistola, trazendo uma espada na cintura. Se os monumentos construídos com o propósito de representar heróis ou atos de heroísmo forem olhados por esse lado moralista será necessário derrubar quase todos, até porque, segundo se sabe, o herói é aquele que foi capaz de realizar atos guerreiros extraordinários, magnânimos, antes de ser simplesmente um personagem de romance ou de histórias em quadrinhos. Na hora chovia sobre a estátua e as pessoas se abrigavam em sombrinhas coloridas ou sob as mangueiras da praça. Foi então que resolvi perguntar a elas se conheciam a pessoa representada na estátua.

Das doze pessoas com quem conversei na praça, dez eram nordestinas ou paraenses e não conheciam a nossa História. As outras duas eram macapaenses, que quando perguntadas, respondiam se não foi “aquele que não sabia se corria pro mato ou pro morro”. Mais tarde visitei um importante órgão público e indaguei sobre a História de Cabralzinho e o que ele representava para o Amapá. Amapaenses que conheço há muito tempo também fizeram pilhérias sobre o fato e acham a história muito controversa. São cidadãos de classe média e de alguma maneira considerados formadores de opinião.1505aptv_cabralzinho1

Não sei exatamente como começou a distorção dessa história, mas lembro que a frase “O Amapá não tem História, tem piada” era atribuída, supostamente, ao governador Arthur Henning em função de anedotas produzidas por gozadores descomprometidos com a as coisas do nosso lugar. Na própria cidade de Amapá, no início dos anos 80, um comerciante de nome Siáudio e seus companheiros mostravam aos visitantes a “Arma de Cabralzinho”. Era uma brincadeira na qual ele pedia que abrissem um estojo onde estava um falo de madeira. Caiam na gargalhada.

As especulações que se seguiram à época do episódio deixaram a figura de Cabralzinho bastante controversa. As baixas francesas foram seis mortos e 20 feridos enquanto 38 brasileiros, na maioria velhos, crianças e mulheres, perderam a vida de forma macabra e cruel. O próprio Emílio Goeldi, cientista emérito do pistoladecrabralzinhoMuseu do Pará, em relatório de novembro de 1895 ataca Veiga Cabral, embora dizendo que não quer acusá-lo diretamente da culpabilidade dos abusos cometidos, “mas que seus companheiros são gente da pior espécie, que não lhe inspiram confiança”.

Sobre esses aspectos, e levando em conta que a ciência histórica hoje considera que “as atitudes mentais, a relação com o corpo, com o espaço, com a paisagem, a cultura política, as relações socioeconômicas, a festa, a cultura material, etc, se constituem objetos do conhecimento em história”, (Coelho: 2003), não seria interessante se a academia local fizesse mais estudos para tentar solucionar o problema? Consideremos que não é apenas o heroísmo de Cabralzinho que está em jogo, mas a própria História do nosso Estado.

O professor Jonas Marçal de Queiroz, no seu estudo “História, Mito e Memória: o Cunani e outras Repúblicas”, diz que Veiga Cabral foi esquecido assim que o litígio com a França foi resolvido. Ele questiona também a atitude de Trajano, que teria sido escravo em Cametá e que vira o significado de liberdade na bandeira francesa. Deste modo é inegável a necessidade de surgirem novos e esclarecedores estudos na área. Com a palavra os historiadores.

* Texto que publicado no jornal A Gazeta em 2010.

 

 

Cabralzinho, um verdadeiro herói – Por Fernando Rodrigues

Por Fernando Rodrigues*

Ao alvorecer do dia 15 de maio de 1895, há 124 anos, a vila do Espírito Santo do Amapá (hoje, cidade de Amapá) era invadida por uma tropa da Legião Estrangeira vinda de Caiena, a capital da Guiana Francesa. Logo era constituída por homens adestrados na guerra, portando armas modernas, e quase sempre homicidas, pervertidos, falsários e traidores que nessa organização militar buscavam refúgio para a ocultação de seus delitos, porquanto para nela ingressar não se exigia bons antecedentes.

Ali desembarcou em escales para prender Francisco Xavier da Veiga Cabral, conhecido por Cabralzinho por ser franzino e de baixa estatura. Esse brasileiro nascido na cidade de Belém, após tumultuada e controversa participação na política partidária do Estado, imigrara para a região do Contestado Franco-Brasileiro onde passou a desenvolver atividades comerciais. Fazia parte da junta governativa denominada de Triunvirato criado para garantir a ordem pública e os interesses nacionais, enquanto a França não desistia da extemporânea reivindicação sobre parte das terras da antiga capitania do Cabo do Norte.

Foi como a principal autoridade desse colegiado que Cabralzinho à frente de 14 milicianos empunhando encanecidos armamentos interpelou o comandante dos invasores, o capitão Lunier, e o matou durante luta corporal. Os legionários em maior número reagiram e Cabralzinho e companheiros trocando tiros com eles, recuou para a orla da mata mais próxima para contra-atacar com auxílio de gente que mandara convocar na região dos garimpos. Os inimigos sobreviventes percebendo que poderiam ficar encurralados fugiram, antes assassinaram velhos, mulheres e crianças, decisão cruel e covarde que justificava a índole da soldadesca. Foi tudo muito rápido e se os brasileiros não puderam vingar seus mortos, a Nação Brasileira reconheceu o heroísmo dos que combateram e o governo da República levou a questão ao arbítrio internacional que resultou no célebre Laudo Suíço em 1º de dezembro de 1900, que ratificou o rio Oiapoque como a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa.

*Fernando Rodrigues é professor, historiador e escritor

Fonte: blog da Alcinéa

** Colaboração da jornalista Dulcivânia Freitas.

Uma crônica De Rocha – Texto sensacional de Kairo Moto Táxi

Kairo mototaxi – Foto: Maksuel Martins

Era uma dessas manhãs cinzentas, por volta das 5h45, eu vinha subindo a Rua 13 de setembro, sentido Buritizal – Centro. Nesse horário as ruas estão completamente vazias e o silencio se apodera de nossa mente, é como andar de moto sobre as nuvens, mas a esperança de pegar uma corrida nunca acaba.

De longe vejo alguém e à medida que vou me aproximando consigo ver uma senhora, bem baixa, deveria ter no máximo 1.20cm de altura, o cabelo curto, não era um cabelo volumoso, o penteado era um rabo de cavalo, amarado com um pompom listrado nas cores vermelho, branco e azul e pelo fato de não ser um cabelo volumoso o rabo de cavalo ficava mais ou menos da grossura de um lápis, o rosto tinha algumas rugas, o que é normal devido a idade, um par de argolas de “ouro”, uma blusa branca com uma frase em inglês escrito: “ I am alive”, uma bermuda desbotada e uma sandália dessas rasteirinhas, com um detalhe em pedrarias.

Quando parei a moto notei que se tratava de alguém muito humilde; ela então sorrindo me disse:

– Meu filho, quanto é uma corrida daqui ao igarapé das mulheres?

Para quebrar o gelo eu sempre uso essa estratégia, então disse assim:

– Baratooooo! Não vai passar de R$10,00 reais.

Ela sorriu e disse:

– E ida e volta, faz um desconto!?

Eu: – Claro que faço, nem pra mim e nem pra senhora, me dê R$18,00 reais.

E por incrível que pareça ela me respondeu com a seguinte expressão:

– Já é!!!

E montou na moto com uma agilidade que nem essas novinhas de 18 anos têm. Ao longo do percurso, ela puxou assunto e me disse que estava indo comprar peixe e uma melancia, porque na feira perto da casa dela os peixes não prestavam, os vendedores passam colorau na guelra dos peixes para ficarem com aspecto de que o peixe é novo (fresco). Eu sempre concordando com tudo, afinal ela não estava falando nenhuma mentira. Então, pediu que eu parasse em um posto de gasolina para trocar o dinheiro e assim o fiz.

Lá, desceu da moto, meteu a mão por dentro da blusa com certa delicadeza, como se fosse a coisa mais normal do mundo guardar dinheiro dos seios, tirou duas sacolas, uma tinha um bolinho de dinheiro, deveria ter uns R$ 300,00 e na outra uma carteira de Derby Prata ( Cigarros ). Aí disse:

Guardo aqui pra não molhar! E o dinheiro guardo aqui também, porque ninguém quer pegar em peito de velha.

Nessa hora todos rimos, eu, ela e o frentista do posto!

Abasteci a moto, coloquei R$10,00 de gasolina e entreguei o troco, seguimos viagem…

Chegando ao local desejado, eu disse:

– Fique à vontade!

Ela me entregou o capacete e foi andando em direção ao vendedor de peixe, escolheu, escolheu, escolheu até que, pelo que pude notar de longe, encontrou o peixe ideal. O peixe pra falar a verdade não foi o problema, a dificuldade foi pra escolher a melancia, bateu nem todas, sabe quando você bate na porta de alguém? Pois é, foi assim mesmo! Fez em todas as melancias, até encontrar a perfeita! Tudo isso ela descobriu somete escutando o som das melancias (esse ouvido deve certamente ser estudado).

E quando já caminhava em minha direção, foi abordada por um homem, cabelo grande, encaracolado, estilo do Cazuza no começo de carreira, uma regata branca, uma calça branca e um chinele muito desgastado, o rapaz segurava na mão uma cédula de R$ 50,00 reais, pensei: – ele deve está pedindo pra ela trocar o dinheiro!

Então ela colocou a sacola de peixe e a melancia no chão, segurou a nota de R$ 50,00 reais do rapaz na mão, e com aquela destreza de sempre meteu a mão em seu sutiã para tirar o dinheiro, trazendo a luz uma de suas sacolas tão bem guardadas.

De repente aquele rapaz, que parecia ser uma boa pessoa, pulou na mão da senhora e tomou o que ela tanto guardava, correu, mas correu tão rápido que parecia Forrest Gump. Meu primeiro pensamento foi:

-Essa corrida eu não recebo! (Desculpa, eu não deveria ter pensado isso, rs)

Mas logo fui tomado por uma força, uma raiva, então disse para mim, eu sei que se for atrás dele e conseguir pega-lo, vou apanhar (devido ao meu porte físico, reconheço que não é o meu ponto mais forte), mas eu vou. Quando coloquei o capacete na cabeça e já ia ligar a moto, a senhorinha grita de lá:

– Ei Mano, Ei, Ei, Moto Táxi, espera!

Ela chegou perto de mim muito nervosa e disse:

– Mano, um bora embora, que eu roubei o ladrão!

Me entregou a sacola de peixe, montou na moto e disse:

– Mano, chuta!!!

Eu, mais que depressa fiz o que ela estava me mandando sem entender nada, resolvi ir pela orla, era mais rápido. Quando chegou lá perto da primeira rotatória do Santa Inês, perguntei:

– Mana,o que foi que aconteceu?

– Ela: Mano, o caboco pediu pra trocar um dinheiro pra ele, quando ia puxar a sacola com dinheiro, ele pulou da minha mão e levou, correu. só que ele levou a sacola com o cigarro e o dinheiro tá aqui ainda, e eu ainda fiquei com os R$ 50,00 reais que ele pediu pra trocar.

-Roubei o ladrão!!! Roubeiiiiii o ladrão !!!!

Nessa hora começamos a rir, mas rir muito! Ela ria e dizia:

– Caboco Burro! Burroooooooo!!!!

Chegamos até a frente da casa dela, quando me disse:

– Mano, tu foi ‘’De rocha!’’, então vou fazer o seguinte, fica com os R$50,00 reais do burro.

Falei: – Sério? Num boto fé!

Fiquei feliz, R$ 50,00 reais assim, rápido! Mas disse pra ela ter mais cuidado.

Foi então que ela disse, sorrindo:

-É… agora vou guardar o cigarro e o dinheiro em um só peito, em sacolas separadas, afinal, meu filho, ninguém quer pegar em peito de velha.

Eternos risos!

Moedas e Curiosidades – “Sir Isaac Newton” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Finalmente depois de uma longa e penosa procura (ô moedinha difícil, fôlego), consegui adquiri para minha coleção a moeda de cobre inglesa, cunhada em 1793, em comemoração aos 150 anos de nascimento de Sir Isaac Newton.

Isaac Newton nasceu em Woolsthorpe, uma pequena aldeia da Inglaterra, no dia 4 de janeiro de 1643. Nasceu prematuro e logo ficou órfão de pai. Newton foi morar com sua avó. Desde muito cedo manifestava interesse por atividades manuais. Ainda criança, fez um moinho de vento que funcionava, e um quadrante solar de pedra, que se acha hoje na Sociedade Real de Londres.

Com 18 anos foi aceito no Trinity Colege, da Universidade de Cambridge. Passou quatro anos em Cambridge e recebeu seu grau de Bacharel em Artes, em 1665 tornou-se amigo do professor Isaac Barrow, que o estimulou a desenvolver suas aptidões matemáticas, tornando-o seu assistente.

Isaac Newton é venerado como um dos maiores cientistas de todos os tempos. Mas em sua época, Newton era também conhecido por outras características, incluíndo um comportamento um pouco bizarro e uma personalidade que pode ser considerada peculiar na melhor das hipóteses. Confira estes seis fatos fascinantes sobre Newton:

1. Newton se sentia um pecador em tempo integral – Com 19 anos ele carregava uma lista de papel com 48 pecados pelos quais ele se sentia culpado.
2. Ele foi garçom – Como estudante da Universidade de Cambridge, Newton teve que servir mesas no refeitório. Ele era um estudante de graduação que recebi ajuda financeira em troca de executar tarefas.
3. Ele era um cara solitário – Alguns especulam que Newton sofria de alguma doença mental (talvez transtorno bipolar) ou autismo.
4. Ele praticou alquimia – Celebre por sua genialidade científica, Newton também se envolveu na alquimia – uma pseudociência – e ele queria alcançar o objetivo de transformar chumbo e outros metais em ouro.
5. Ele morreu virgem – Newton nunca se casou e, embora seja impossível verificar, é amplamente conhecido que ele odiava as mulheres.
6. Newton dirigiu a Casa da Moeda Britânica – Cerca de 20% das moedas em circulação na época de Newton, eram falsas e metades das verdadeiras estavam “aparadas” (as moedas eram raspadas). Newton trouxe ordem ao caos, ele inseriu uma serrilha na borda das moedas para impedir que fossem “aparadas”. Talvez esse seja um dos primeiros elementos de segurança aplicado a um símbolo monetário.

Newton morreu numa segunda-feira, no dia 31 de março de 1727, a causa provável de sua morte foram complicações relacionadas ao cálculo renal, que o atormentou em seus últimos anos de vida. Foi sepultado na Abadia de Westminster em Londres, onde até hoje seus restos mortais se encontram.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

O valor das artes e os artistas plásticos – Crônica porreta de Fernando Canto

Por Fernando Canto

O Amapá sempre foi muito injusto e ingrato com seus artistas plásticos. Talvez porque não vivem na mídia como os músicos e compositores ou, mais raramente, como os escritores quando premiados.

Há muito acompanho a evolução das artes amapaenses, pois sempre admirei a pintura e busquei incentivá-la, tentando valorizar cada novo artista que surgia e promover aqueles mais considerados, com exposições montadas dentro e fora de Macapá. Por acompanhar esse processo possuo uma razoável coleção de telas e esculturas de diversos artistas, iniciada na década de 70. Algumas figuram em catálogos, capas de livros e outros impressos e já participaram de mostras periódicas de arte.

Raríssimos são os fiéis que vão às missas na igreja mais antiga da cidade que sabem identificar a autoria dos belos painéis iluminados atrás do altar. “Fuga para o Egito” e “São José Carpinteiro”, exemplos clássicos de pintura acadêmica, são do padre Lino Simonelli, aquele padre italiano brincalhão de barba longa e branca, que a todos envolvia com sua simpática e humilde forma de ser. Poucos também deram o devido valor ao padre Fúlvio, um arquiteto italiano que projetou igrejas e outras obras importantes da Diocese de Macapá. Fúlvio também pintou dezenas de obras de arte com seu estilo bizantino, enriquecendo de detalhes o traje dos santos retratados, as cercaduras e coroas, sem contar que o tipo de tinta e as cores que usava davam um significado especial às telas e um valor estético fora do comum.

 

Uma das maiores expressões do modernismo brasileiro morou no Amapá. Pelo que conheço há apenas uma única obra de Aluísio Carvão em Macapá. Está na residência governamental. É uma pequena pintura da grade de ferro de um calabouço da fortaleza de Macapá em tons vigorosos de vermelho claro-escuro, adquirida provavelmente no primeiro governo do Território do Amapá. Carvão era cunhado de Janary Nunes. Premiadíssimo, ganhou bolsa de estudos para estudar pintura na França e se radicou no Rio de Janeiro, onde suas obras foram valorizadas e seu trabalho reconhecido.

Muitos dos nossos melhores artistas migraram para aperfeiçoar suas técnicas. R. Peixe, que pintava vasos e ladrilhos na antiga Olaria Territorial, estudou no Rio, voltou e se tornou um dos mais importantes artistas locais. Manoel Bispo, o mais fantástico surrealista que conheço, e Olivar Cunha estudaram na escola do Parque Lage, também no Rio. Já Manoel Costa, que misturou estilos de Bianco e Portinari nos seus trabalhos de temática amazônica, consagrou-se com seu talento e ainda hoje realiza exposições no Brasil e no exterior. Vicente Souza, o pintor dos bambus, premiado na Europa, era oriundo do município de Amapá. Infelizmente teve a carreira interrompida pelo seu brutal assassinato no Rio de Janeiro.

O. Cunha, que a todos surpreendeu com a confecção de painéis no programa televisivo “Roda Viva”, apresentado pelo jornalista Carlos Lobato na TV Band, vive em Vitória, no Espírito Santo, onde trabalha como pintor e restaurador de obras de arte e até de igrejas. Considero O. Cunha um dos mais talentosos artistas locais, de quem cultivo a amizade e adquiro telas há mais de trinta anos. São muitos os artistas amapaenses, antigos e novos, todos com brilho próprio que admiro pela criatividade e talento, e torço para que despontem nesse difícil cenário das artes plásticas nacionais. Entre eles estão o Dekko, Tom D.C., Limeira, Homobono, Grimualdo, Ivam Amanajás, Wagner Ribeiro, Irê Peixe, Ernandes, Josaphat e Herivelto. Agora só falta o poder público fazer a sua parte e valorizar esses extraordinários artistas que merecem ser reconhecidos pelo conjunto da sociedade. Porque de uma coisa tenho certeza: todos eles valorizam as coisas de nossa terra.

Moedas e Curiosidades – “O Caminho das Índias” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Outro lindo item da minha coleção são as três moedas de prata 916,6 portuguesa, que homenageiam o 4° Centenário da Descoberta do Caminho Marítimo para a Índia, feita pelo navegador Vasco da Gama. São moedas com valores faciais de: 200 réis (2 tostões), 500 réis (5 tostões) e 1.000 réis (10 tostões).

A descoberta do caminho marítimo para a Índia é a designação comum para a primeira viagem realizada da Europa à Índia pelo Oceano Atlântico, feita sob o comando do navegador português Vasco da Gama durante o reinado do rei D. Manuel I, entre 1497 e 1498 uma das mais notáveis viagens da Era dos Descobrimentos, que consolidou a presença marítima e o domínio das rotas comerciais pelos portugueses.

Um dos fatores que mais contribuiu para que Portugal e Espanha descobrissem o caminho para as Índias, foi a expansão desenfreada e os interesses mercantilistas dos dois países.

Tentando encontrar um caminho que levasse rapidamente às especiarias indianas, as expedições lusas avançaram milhas e milhas na direção sul da costa africana. Pontos cada vez mais distantes foram atingidos como os Açores, Madeira e Cabo Verde.

Entretanto, outros navegadores também tentaram descobrir atalhos que os levassem às Índias. Bartolomeu Dias, em 1488, chegou ao Cabo da Boa Esperança, que ficava no extremo sul do continente africano. Isso demonstrava que existia uma passagem para o Oceano Índico.

Dez anos depois, Vasco da Gama encontrou de forma definitiva o caminho que levava às Índias. Em 1500, data do descobrimento do Brasil, uma esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral partiu com o objetivo de fazer comércio em larga escala com o Oriente. Acabaram atingindo o litoral de um novo continente, a América, quando avistaram terra na costa do que mais tarde seria o Brasil.

Ao conquistar o périplo (viagem de circum-navegação em torno de um país ou de um continente) africano, os portugueses prosperaram e as novas descobertas aumentavam os conhecimentos técnicos e geográficos sobre a navegação.

• 1418 – 1432: Portugueses ocupam o arquipélago dos Açores e introduzem os sistemas de Capitanias Hereditárias.
• 1434: Gil Eanes consegue “dobrar” o Cabo Bojador.
• 1444: Descoberto o arquipélago de Cabo Verde.
• 1482: Diogo Cão atinge o rio Zaire.
• 1486: Organização de expedição para o Oceano Índico comandada por Bartolomeu Dias.
• 1498: Vasco da Gama descobre o caminho para às Índias avistando Calicute no oeste da Índia.
• 1500: Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

A força das águas e os bares do Araxá – Crônica porreta de Fernando Canto

Por Fernando Canto

As águas têm uma importância tão grande para a nossa região que certa vez, há alguns anos antes das mortes causadas pela violência dos tsunamis na Ásia, em 2004, imaginei, numa condição extremada, alagamentos catastróficos em Macapá causados por ondas gigantescas num futuro próximo. Como o texto foi publicado num livro meu, me perguntaram se eu tinha informações científicas sobre essa possibilidade. Claro que tudo era ficção. Mas a pororoca e as águas grandes do nosso inverno nunca deixaram de atemorizar os ribeirinhos e ameaçar suas frágeis moradias, principalmente nos lugares sujeitos às influências das marés.

Por causa da força das águas que iniciam neste período e que chegaram a destruir partes do muro de arrimo em alguns pontos da orla macapaense e dos estragos causados na antiga praia do Aturiá, fui verificar in loco a situação e fiquei assustado. No Jandiá, próximo do antigo Bar do Maguila enormes blocos de concreto do muro foram arrebentados pelas águas, as pedras dos gabiões de sustentação jazem na lama do mangue, fato que não permite a presença de banhistas, a não ser na maré baixa, apesar de que na maré alta também tem uns malucos que se machucam ao serem jogados no muro. O mesmo ocorre na área do Araxá, um dos lugares mais românticos e mais bonitos de se passear da orla. Ali já existiu praia. Até o início da década de 1980 o Araxá e a Vacaria do Barbosa eram pontos freqüentados por famílias, que não podendo se deslocar para Fazendinha, nelas faziam seus piqueniques aos domingos. A rapaziada se concentrava para tocar ao violão os últimos sucessos da Jovem Guarda, tendo ao redor a o riso feliz das fãs, enquanto a criançada corria na areia da enseada. Isso mesmo, na areia da praia, onde deitavam plácidas ondas que traziam sementes e mistérios do outro lado do rio-mar. Árvores enormes como as samaumeiras, soltavam suas painas no ar e sombreavam o ambiente para os primeiros namoros dos adolescentes, inundando suas mentes de poesia e o corpo de desejo.

Mas o Araxá sempre foi um belo local de concentração de banhistas, boêmios e bares. Um deles, talvez o mais famoso daquela época fosse o “Bang Bar”, nome por sinal muito sugestivo. Um outro era a “Casa da Música Popular Brasileira”, que vez por outra oferecia aos clientes belos shows de música dançante com cantores regionais. O grupo “Café com Leite”, levava samba e música romântica nas vozes de Zenaide, Sobral e Maria Tavares, acompanhados por Chico Cara de Cachorro, Zé Crioulo, Jaci, Ricardo, Fifita e Pelé. O grupo fazia muito sucesso e sempre estava lá às sextas-feiras à noite e nas tardes de domingo. No Bang Bar às vezes surgia um quiproquó para fazer jus ao nome do estabelecimento: era quando macho que era macho se escondia das balas em qualquer mesa de madeira que lhe servisse de escudo protetor. Algum tempo depois surgiu um bar de nome engraçado, situado no início da Eliezer Levy, um tal de “Xiri Molhado”, onde o pessoal ia tomar a saideira. Até quem vinha de Fazendinha encostava para um último gole porque também rolava um pagode e dava muita “cocota”, no dizer da época. Na orla do Igarapé das Mulheres, perto da feira do Pescado também existiu um bar muito perigoso, onde os frequentadores jogavam sinuca e bebiam muito. Mas eles tinham uma regra infelizmente não muito obedecida que era a não-provocação. Só caboclo corajoso frequentava e ganhava dinheiro no jogo no tal de “Cutuca Morte”.

Lembranças à parte, quando as águas do verão e as do inverno não atingiam tanto a cidade, porque não havia muro de arrimo e nem muito aterro nas baixadas e ressacas esses problemas não existiam. Mas a cidade precisou se modernizar e resolveram começar pelo saneamento. O planejamento dos antigos governos visava deixar Macapá com uma bela frente e com um traçado que permitisse o alongamento das vias sem o entrave das áreas alagáveis. Então milhares de toneladas de aterro foram depositados nesses lugares para compactar e dar lugar no futuro aos quase oito quilômetros de orla asfaltada que temos hoje em Macapá. Lutar, entretanto, com a fúria do rio Amazonas é lutar praticamente em vão, porque ele só é igual a si mesmo. Mesmo assim, ora a vitória é da terra ora é da água, essa mesma água que dá e tira a vida. No fim vence o homem e sua tecnologia.

Hoje é o Dia Mundial de Star Wars – Que a Força esteja conosco!

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Hoje, 4 de maio, é o Dia mundial de Star Wars! A data foi escolhida devido a um trocadilho com a célebre expressão “May the Force be with you”. May (maio) the Fourth (dia 4) be with you.

A primeira alusão ao termo “May the 4th” aconteceu em maio de 1979 quando o Partido Conservador parabenizou a eleição de Margaret Thatcher como a primeira mulher Primeira Ministra da Inglaterra, com um anúncio no jornal The London Evening News que dizia: “May the Fourth Be with You, Maggie. Congratulations.”

my1111111-660x350Durante uma entrevista em 2005, para o canal N24 de notícias da TV alemã, pediram ao criador de Star Wars, George Lucas, que ele falasse a famosa frase “Que a Força esteja com você.” O intérprete simultâneamente interpretou a frase em alemão como Am 4. Mai sind wir bei Ihnen (“We shall be with you on May 4”, em português, “Vamos estar com você em 4 de maio”). Isso foi captado pela TV Total e foi ao ar em 18 de maio de 2005.[Wikipédia]

Em 2011, a primeira celebração organizada do Dia de Star Wars aconteceu em Toronto, Ontário, Canadá no Cinema Subterrâneo de Toronto. As festividades incluíram um Game Show de Trivia sobre a Trilogia Original; um concurso de fantasias com os juri composto por celebridades; e a exibição em tela grande dos melhores filmes, mash-ups, paródias, e remixes da web. A segunda edição anual aconteceu na sexta-feira, 4 maio de 2012.

De fato, é uma data em que a Força está presente nos fãs de Star Wars. Neste dia costuma-se rever os filmes, falar as frases mais famosas dos personagens, ou cantarolar Imperial March. Coisas simples, mas que fazem o 4 de maio uma data memorável para todos os fãs, pois são mais de 40 anos de fascínio pela série de filmes fantásticos. Portanto, que a Força esteja conosco!

Elton Tavares

Hoje é o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa – A verdade precisa ser livre!

Hoje é o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. Eu, como jornalista, primo pela divulgação da verdade, afinal, o cidadão precisa saber o que acontece, seja no mundo, país ou sua cidade. O direito de saber a verdade é uma das bases da Democracia.

O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa foi criado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em 1993. A data visa alertar sobre as impunidades cometidas contra centenas de jornalistas que são torturados ou assassinados como consequência de perseguições por informações apuradas e publicadas por estes profissionais.

De acordo com o conceito, Liberdade de Imprensa é um dos princípios pelos quais um Estado democrático assegura a liberdade de expressão aos seus cidadãos e respectivas associações, principalmente no que diz respeito a quaisquer publicações que estes possam pôr a circular.

Perfeito, pois a Imprensa é a denominação do trabalho informativo pelos veículos de comunicação que desempenham o Jornalismo e outras funções de comunicação. Posso me gabar de nunca ter inventado nenhuma linha do que escrevi (a não ser em contos, claro). Nunca ganhei sequer um centavo no jornalismo que eu não tivesse trabalhado para tal e muito menos puxei o saco para conseguir algo. Também já fiz denúncias e peitei figurões neste site aqui. Nem todos podem dizer isso.

Sou fã de muitos bons jornalistas do Amapá e do resto do Brasil, que investigam, apuram e publicam informações de forma livre e sem censura.

Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultos. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica, às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado” – Paulo Francis.

O jornalismo não sabe que há o abatimento moral, o cansaço, a fadiga, o repouso. Se ele repousasse, quem velaria pelos que dormem?” – Eça de Queirós.

Enfim, vida longa a Liberdade de Imprensa. Que com ela nós continuemos a informar o povo, combater injustiças, fiscalizar, denunciar, contrariar interesses de grupos, instituições ou qualquer agente danoso para a sociedade, dar informações exclusivas, fazer análises sérias. E sem medo de processos, com o direito de ocultar a fonte.  É isso!

Elton Tavares

TEATRO DE CONFLITOS – Crônica porreta de Fernando Canto

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Crônica de Fernando Canto

Enganam-se os que pensam que a área geográfica onde se situa o Amapá nunca tenha sido palco de lutas sangrentas pela conquista da região amazônica. Durante séculos espanhóis, holandeses, franceses e ingleses tentaram se fixar na região visando principalmente a foz do rio Amazonas, caminho esse extremamente protegido pelos portugueses que fundaram suas bases militares e comerciais desdcaravelas (2)e o início do século XVII. Segundo Cristóbal de Acuña, o autor de “Novo Descobrimento do Rio das Amazonas”, que na expedição de descimento de 1639 foi o escrivão dessa viagem comandada por Pedro Teixeira, um anseio no coração de Francisco Orellana o fez entregar-se a uma viagem às correntezas desse rio.

Foi no ano de 1540 que esse episódio se sucedeu, tendo o rio recebido o nome do seu descobridor. CParreiras-conquistaontente, o rei Carlos V, da Espanha deu-lhe as terras da região denominando-as de Adelantado de Nueva Andaluzia, tendo ordenado que dessem a ele três navios com tripulação e tudo o que fosse necessário para que voltasse ao local e o povoasse em seu régio nome. Mas sua tripulação não teve sorte. Foi morrendo no meio do caminho. Quando chegou aqui teve que abandonar os navios e construir lanchas. É provável que tenha morrido lutando contra os índios locais.

livroEm 1623, após combater estrangeiros e índios e destruir a fortaleza de Gurupá, o Capitão-Mor Bento Maciel Parente vai combater na “ilha dos Tucujás”, lugar que Antonio Baena acredita ser a costa de Macapá, onde há muitos anos habitavam os índios Tucujus. Entre os eventos dessas batalhas o autor de “Compêndio das Eras da Província do Pará” narra que uma nau de porte em socorro dos batidos surge no rio, próxima da área dos combates:

“Marcha imediatamente o Capitão-Mor com as forças: ataca a nau ao raiar do dia, e de tal maneira que os inimigos não querendo ser aprisionados praticam o último arrojo a que pode chegar a extrema desesperação, lançando fogo ao navio, o qual como matéria tão disposta é tragado brevemente pelo guararapesincêndio, e tudo o mais que no seu bojo encerra, menos um rapaz, que arremeçando-se ao mar obtém salvamento”.

No ano de 1630 corre no meio do povo do Pará que os holandeses, coadjuvados por 500 ingleses estão “fazendo assento na ilha dos Tucujus”. E em janeiro de 1631 o capitão Jacome Raimundo de Noronha, com 36 c19-02-segunda-batalha-guararapes-the-history-channelanoas bem guarnecidas de fuzilaria e frecharia chegam ao local. É feito o ataque e todas as medidas tentadas pelos inimigos são neutralizadas. Baena diz que “No dia da última peleja quando a noite no céu todo espalhava as pardas sombras foge em um lanchão e duas canoas a maior parte dos adversários com seu chefe Thomas, homem acreditado pelo seu valor nas campanhas da guerra de Flandres: e rendem-se com promessa de lhes salvar as vidas os que não desampararam o Forte: o qual é demolido até os alicerces”.

imagesFeliciano Coelho, filho do governador e Capitão General do Maranhão e Grão-Pará, Francisco Coelho de Carvalho, que chega a Belém revestido da autoridade de Vice-gerente do governador logra várias vitórias em pouco tempo: Reforça Pedro da Costa Favela no combate a ferozes ingahibas insulanos da foz do Amazonas. Na noite de 9 de julho de 1632 o Capitão Pedro Baião de Abreu ataca os ingleses no forte Camaú, construído por eles aos pés dos fortes Torrego e Felipe, demolidos pelos portugueses. Os soldados se rendem, mas o comandante Roger Fray, que estava regressandmendonça furtado[5]o da foz do rio à espera dos 500 homens de Londres é abordado pelo Capitão Ayres de Souza Chichorro, que sob as ordens de Feliciano Coelho, ataca a sua nau “desferindo sobre ele golpes tão poderosos que lhe levam de remate a vida”. (A.Baena). No ano seguinte é avistado o navio que Fray esperava.

Ao longo do tempo, inúmeros outros conflitos são descritos em correspondências oficiais, principalmente ocorridos entre portugueses e estrangeiros, estes que em 150 anos antes da fundação de Macapánão lograram êxito em suas conquistas.

Baena, o historiador, também foi governador interino da Praça de Macapá em 1821, na Província dos Tucujus, o mesmo lugar que chamara de “theatro constante de bellicos conflictos”.