Frases, contos e histórias do Cleomar (Parte VI)

Tenho dito aqui, desde fevereiro de 2018, que meu amigo Cleomar Almeida é cômico no Facebook (e na vida). Ele, que é um competente engenheiro, é também a pavulagem, gentebonisse, presepada e boçalidade em pessoa, como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade, além de inventor do “PRI” (Plano de Recuperação da Imagem), quando você tá queimado. Quem conhece, sabe. Na mesma linha da PRIMEIRA, SEGUNDA, TERCEIRA, QUARTA e QUINTA edições sobre seus papos no Facebook, mais uma vez selecionei alguns de seus relatos hilários na referida rede social.

Boa leitura (e risos):

Concessão

Se fecharem a Globo, sobra o quê, SBT, Record e Manchete. Não tenho condições de assistir Maria do Bairro e Ratinho no mesmo dia.

Chuva em novembro

Não se animem, isso não é chuva, é só um morisco.

Catita

Pior que encontrar uma catita no feijão é encontrar só metade dela. É-gu-a.

Paquera das antigas

Point dos melhores “tochas” das décadas de 80 e 90. Galera estacionava melhor do que se tivesse câmera de ré, tudo organizado, sem bagunça, cada um na sua, vez ou outra se baixava o vidro pra respirar ou jogar algo fora. Depois era só atravessar a rua, estacionar ao lado da Fubica do Neves, tomar duas latinhas e ir feliz da vida pra casa. Êh saudade!

Calor de Macapá

Acho que a gente tem que olhar as coisas de forma positiva sempre, tipo, esse calor infernal de Macapá já serve como um preparatório pra o Juízo Final. Quando chegarmos lá, e observem que eu disse “chegarmos”, já que tenho certeza que encontrarei lá muitos de vcs meus caros amigos, tiraremos isso de letra. Tamo junto!

Polêmicas do Bozo

O povo pode reclamar do que quiser deste governo, menos de monotonia.

Brasil

Se o Brasil fosse no Japão, a gente já tava extinto. É bomba nuclear, tsunami, tufão. Brasileiro não se livra nem de dengue.

Luvas

Neguinho, se tivesse que inseminar uma vaca talvez não usasse luva, mas na hora de comer aquele hambúrguer gourmet já não come sem uma, isso sem falar no suco com leite no pote de palmito. Negócio tá ficando muito frescalhado, vou te contar!

Pra viagem

Morar em Macapá é ir num restaurante e se tu não deu conta de comer tudo, é de lei chamar o garçom e mandar embalar pra viagem sem nenhum constrangimento. Eu carrego mesmo!

Calor II

Hoje, vendo essa molecada andando de moleton nesse calor infernal, eu me lembrei que eu ia pra tertúlia do Babilônia com duas camisas. Também já fui aru.

Conselho Tutelar

Só de olho aqui, neguinho não cuida direito dos próprios filhos, pedindo voto pra ser Conselheiro Tutelar, te manca!

Prudência

Antes de descer da árvore que te deu abrigo, é bom verificar se vai dar pra subir de novo caso algo dê errado lá embaixo. Isso serve pra árvores, empregos, relacionamentos, festas open bar… Tem umas “paragem” que depois que se sai é complicado o retorno, isso quando já não tem outro no lugar da gente.

Ressaca divina

E nos primórdios, na luta entre o bem e o mal, eis que o Capeta diz: Inventarei a bebida.
Deus, do alto de sua sapiência lhe responde: Pois eu, inventarei a ressaca.
Em verdade eu vos digo, a ressaca veio pra disciplinar, Obrigado Senhor!

Loteria e pavulagem

Vai entender! Hoje, que a premiação máxima nas lotéricas era de 11 milhões não tinha ninguém apostando, o povo só quer de 120 milhões pra cima, quando tem que passar 3 horas na fila, nesse calor de lascar. Eu, como sou de hábitos simples e costumes baratos, até o Amapacap já me deixaria feliz.

Macapá

As vezes acho que Macapá é uma LOST da vida real, tipo, a gente já levou o farelo, só que ainda não sabe, aí fica só pagando penitência, tentando sair daqui. O avião não enguiçou mas a passagem é o preço de um rim, os Outros são a bandidagem tentando ferrar a gente o tempo todo, nossos políticos são a Iniciativa Dharma e nós, perdidos, sofrendo nesse calor da porra, achando que ainda vamos nos salvar.

30 anos da queda do Muro de Berlim, o monumento à estupidez

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Há 58 anos, a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) construiu o Muro de Berlim, no período pós Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha foi ocupada por os russos à Leste e franceses, ingleses e americanos à Oeste.

A muralha separava a Berlim Ocidental da Alemanha Oriental, incluindo Berlim Oriental. Hoje (9) fazem 30 anos que o muro da vergonha foi derrubado.

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A muralha tinha 156 km de extensão, 302 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Ele simbolizava a chamada “cortina de ferro” entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste do continente europeu. Era uma barreira quase intransponível.

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A barreira física simbolizava a divisão do mundo em duas partes: os países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos da América (EUA) e o outro composto pela República Democrática Alemã (RDA) e os países socialistas simpatizantes do regime soviético. A época foi marcada pela oposição entre Estados Unidos e União Soviética no período conhecido como Guerra Fria.

Foram 29 anos de suspensão do direito de ir e vir dos alemães em seu próprio país. Quanta Democracia não?

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Há cinco anos, oito mil balões iluminados cobriram 15 quilômetros, dos 155 Km, onde existia o Muro. O objetivo foi mostrar para os alemães mais jovens e para os turistas onde ficava a muralha passados 29 anos, na época, e como a cidade era dividida.

Em 2014, os balões foram soltos ao som de ‘Ode à Alegria’, a última parte da nona sinfonia de Beethoven, para iluminar os céus de Berlim. É o mesmo horário que iniciou a derrubada da muralha, há 30 anos. A queda do Muro de Berlim marcou a reunificação alemã e o fim da Guerra Fria.

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Eu tinha 13 anos e lembro bem daquelas imagens que vi na TV. A população destruindo o monumento à estupidez. Uma frase, escrita no paredão, previu queda do muro em um futuro mais distante: “No próximo século, tocarei o teu coração“. Lindo e triste.

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Ainda existem muitos tipos de intolerância e absurdos no mundo, mas Muro de Berlim sei foi. Pena que ainda existem imbecis como Trump, presidente do EUA e sua vontade de construir o muro contra mexicanos. Tomara que a humanidade avance contra “ismos” e “fobias”, pois muitos não assumem, mas possuem muros dentro de suas cabeças e corações.

Fica a lição e nossa torcida esperançosa para que coisas deste tipo nunca mais ocorram.

Elton Tavares

Discos que formaram meu Caráter – (Parte 31) – Afrociberdelia – Chico Science e Nação Zumbi (1996) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Salve moçada do bem!

Dentre destinos lógicos ou ilógicos de um mundo repletamente miraculoso, eis que este viajante retorna.

Com a vitrola completamente restaurada e com significância maior que a obviedade escarlate, volto das profundezas com minha nave sonora. Chega de papo e vamos ao que realmente interessa!

Abram alas para mais um discaço que realmente é de suma importância para mim e com certeza para muitos de vocês. Aumente o som para…

Afrociberdelia. Todos de pé …

Corria o ano de 1996, e a música brazuca estava realmente já tomada por feras; a juventude da época estava se esbaldando em muita coisa boa.

Tínhamos o Planet Hemp que já era consolidado como um grande nome; Os Raimundos eram o suprassumo da nova rebeldia; Charlie Brow Jr, com o chorão mandado ver em tudo que é lado e o O Rappa, fazendo a sempre boa e pontual crítica social que nos gostávamos e tínhamos que saber.

Vindos de outro eixo, deveras esquecidos, uns caras de Pernambuco (sim o Nordeste é Rock!) chegavam para abalar estruturas e cabeças por todo o solo brasileiro.

Curtindo louros do ótimo, Da Lama ao Caos (safra de 1994) – que vou falar em outra oportunidade -, os caras tinham consolidado o manguebeat e passavam pela pressão do segundo disco. Nada melhor que voltar às raízes e preparar algo realmente como gostamos de dizer hoje em dia: Raiz.

O peso constante do que a banda representava no palco, agora poderia ser degustado de forma condizente onde o ouvinte poderia sentir a energia dos tambores, rabecas, cocos misturadas à guitarra e ao baixo, à bateria, aos grooves e a porra toda. Um verdadeiro suco de brasilidade e história nordestina.

A poesia de mestre Salustiano, misturada com Jorge Mautner, junto com as letras de Chico de Assis deu uma aura diferente a tudo isso que estava proposto no disco. E caiu como uma verdadeira chuva de sobriedade na cabeça de gente como eu – na época só mais um escravo do rock internacional – que realmente olhava com aquele preconceito juvenil pra tudo que parecia diferente. Ainda bem que a música abre portas.

Vamos a uma verdadeira autópsia da bolacha:

“Mateus Enter” – Abre alas na porrada, anunciando a todos quem estava chegando. “Cidadão do Mundo” – Mostrava quem era a nação, e dizia que ali não existia nenhum besta. “Etnia” – A mistura latente de todas as nossas raças formadoras, mostrando a mistureba que somos. “Quilombo Groove” – Instrumental, sem deixar cair a potência. “Macô” – Mostra com outros olhos o interesse. “Um passeio no mundo livre” – Um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar. “Samba de Lado” – Uma ode ao samba, o ritmo africano mais brazuca que existe. “Maracatu Atômico” – Releitura excepcional de um clássico. “O encontro de Isaac Asimov com Santos Dumont no céu” – Onde mais o firmamento e desejo idílico soberbo de voar iriam se encontrar? “Corpo de Lama” – Que o sol não segue pensamentos e, se o asfalto for amigo, continuo caminhando. “Sobremesa” – Borboletas se equilibram no espaço, tais como pensamentos. “Manguetown” – onde iremos, onde estamos, aceitar ou não a realidade. Somos seres pensantes, independente da situação. “Um satélite na Cabeça” (Bitnick Generation) – Andando por cima da terra, controlando seu próprio espaço é onde você pode estar agora. “Baião Ambiental” – Instrumental pra relax. “Sangue de Bairro” – Baile Perfumado. “Enquanto o Mundo explode” – somos batizados pelo batuque. “Interlude Zumbi” – Onde o pensamento apareceu pela primeira vez no mesmo lugar. “Criança de Domingo” – Homenagem a o domingo, dia morto “Amor de muito” – A inebriante espera pelo amado (a). Fecha com a elementar e instrumental “Samidarish”.

Um verdadeiro míssil sonoro nos ouvidos. Medalha de ouro na categoria disco foda.

Esse artefato de boa música, quebrou barreiras com sua singularidade, mostrou que o legal era tocar em Recife, remete a vanguarda, apenas os gênios tem a coragem de fazer algo assim. E Chico era Gênio.

Largar as batidas americanizadas e fazer algo brasileiro e perspicaz é algo que necessita esforço, inteligência e ousadia. Tal qual um drible de Dener na mesmice.

Este foi o último trabalho de Chico Science, sua vida nos foi retirada de maneira esdruxula, por que não imbecil. Mas sua arte é e sempre será eterna.

Salve Chico! Salve a Nação Zumbi!

Marcelo Guido é Jornalista, Pai da Lanna e do Bento …Maridão da Bia.

Fui no mangue catar lixo, pegar caranguejo e conversar com urubu.”

Hoje é o Dia Nacional da Cultura (assunto que este site sempre divulgou, divulga e divulgará)

Hoje, 5 de novembro, comemora-se o Dia Nacional da Cultura. A origem da celebração é que, neste dia, nasceu o jurista, político, escritor e diplomata brasileiro Rui Barbosa (1849-1923). Ele foi um dos Fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL), presidindo a Instituição entre 1908 a 1919.

O Brasil é um país de formação multirracial e nossa cultura foi formada por brancos, índios e negros, tendo também a influência oriental. Nossa música, gastronomia, artes plásticas, dança, religião, artesanato, pintura etc são um mix de tudo que é lugar do mundo.

Falar de cultura é muito amplo. A publicidade sobre o tema, em todas as suas vertentes, sempre foi o principal objetivo do De Rocha.

Sim, há quase há quase 1o anos, divulgo todo tipo de movimento cultural no Amapá neste site. Desde acontecimentos pomposos e com estrutura, aos do “submundo”, realizados graças ao esforço dos produtores culturais. Também passam por aqui aqueles feitos na correria e viração de agentes culturais cheios de vontade de fazer valer.

Aqui no Amapá predominam as tradições herdadas de escravos e indígenas. E, se levarmos em conta a história de Mazagão Velho, temos tradições vindas lá do Marrocos. São muitos os elementos que compõem a cadeia cultural do Amapá. E essa diversidade agrega valores para a riqueza de nossa cultura.

Assim, eu por exemplo, que adoro Rock e MPB, também gosto de Marabaixo e Batuque. Isso não é uma escolha, é entender minha origem e nossa identidade cultural. Entendo também que cultura não é só aquilo que se gosta, mas um conjunto de aspectos que estão em constante transformação. Enfim, viva a Cultura Brasileira, em todas suas formas e vertentes. É isso!

Elton Tavares

Moedas e Curiosidades: “Aspargo em Pé” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Outro interessante item que chegou na minha coleção foi essa moeda de 1 Franco francês, feita em níquel com 6g de peso e 24mm de diâmetro, que homenageia o general Charles De Gaulle, herói francês da Segunda Guerra Mundial.

O nome mais importante da vida política francesa desde Napoleão Bonaparte, Charles André Marie Joseph De Gaulle nasceu em Lille na França, no dia 22 de novembro de 1890. Seu pai era um professor de história e literatura em uma faculdade jesuíta, e mais tarde criou sua própria escola.

Boa parte da aura de autoridade que cercava De Gaulle, talvez possa ser explicada pelo simples fato de desde a infância, ele foi o mais alto todos os meninos de sua idade e, mais tarde, entre a maioria dos homens que o cercavam. É claro que apenas a aparência física não bastaria para explicar tudo, mesmo porque De Gaulle era muito magro e desajeitado, a ponto de ter merecido dos colegas o apelido de “Aspargo em Pé”. Na verdade, havia nele alguma coisa de especial que transparecia na sua inabalável autoconfiança, na segurança das suas atitudes, na sua coragem sem limites.

Ingressou na academia militar francesa em St. Cyr em 1910. Ele se formou poucas semanas antes do início da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), durante a qual serviu em combate como tenente do exército francês. Depois da guerra, ele atuou na ocupação militar da Alemanha e nas colônias ultramarinas francesas, antes de retornar à França para aceitar uma nomeação para o Conselho Supremo de Guerra e para o Conselho de Defesa Nacional. Na década de 1930, a estratégia defensiva da França – baseava-se na concepção de um perímetro defensivo fixo, altamente fortificado, conhecido como “Linha Maginot”. De Gaulle começou a irritar seus superiores militares quando passou a criticar a Linha Maginot e a ideia de uma defesa fixa. Em vez disso, ele propunha uma força móvel de tanques e de veículos armados.

Depois do início da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), em 1° de setembro de 1939, os alemães não fizeram nenhuma tentativa imediata de atacar a Linha Maginot. Mas em maio de 1940, forças alemães investiram contra a França, seguindo para o norte da Linha Maginot. Coube a De Gaulle liderar várias ações de sucesso com os poucos tanques que possuía. De forma geral, no entanto, os franceses não estavam bem preparados para enfrentar os alemães e em 14 de junho, os invasores capturaram Paris e derrotaram a França.

De Gaulle fugiu para a Inglaterra, de onde enviava várias mensagens ao povo francês, para continuar a resistência. Em 6 de junho de 1944, quando os aliados desembarcaram na Normandia para libertar primeiro a França e depois a Europa, De Gaulle e seu exército estavam presentes. E ele os liderou vitoriosamente na libertação de Paris dez semanas depois. De Gaulle, então, formou um governo provisório francês, em que ele ocupou o cargo de presidente. Pouco tempo depois, em 1946, ele se aposentou. De Gaulle morreu em Colombey les Deux Églises em 9 de novembro de 1970.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

Hélio Pennafort, um narrador excepcional

Por Fernando Canto

Muitas vezes publiquei sobre a obra do Hélio por considerá-lo um narrador excepcional das coisas da nossa gente. “Triste como um tamaquaré no choco”, “foi cocô de visagem” eram expressões do homem interiorano que ele usava no dia-a-dia. Para qualquer objeto ou situação complicada chamava “catrapiçal”. Vivia contando anedotas de caboclo se divertindo a valer com elas. Era extremamente sincero com seus amigos e não guardava o que tinha de dizer. Apesar de ter exercido inúmeros cargos importantes no Governo, tinha lá suas fraquezas e de vez em quando fugia do expediente para ir ao Abreu ingerir uma gelada, mas era também grave e sério nas suas responsabilidades.

Ainda adolescente andei em sua companhia, juntamente com o Odilardo Lima, repórter e poeta que virou delegado de polícia, e o Manoel João, um telegrafista e caçador de primeira linha, bom contador de histórias. Minha função no grupo era tocador de violão e guardião da memória deles, afinal iriam precisar de detalhes que fatalmente esqueceriam, quando da redação das reportagens que faziam para a rádio Educadora e o jornal A Voz Católica.

Hélio proporcionava muitas histórias engraçadas, como certa vez em Mazagão, no início dos anos 70. Fomos de barco até a sede do município, e de carro até Mazagão Velho registrar a festa da Piedade. Ele ia dirigindo (Pasmem!) um jipe, e nós vínhamos tensos, no maior medo, porque até então ninguém jamais o vira dirigir, a não ser uma bicicleta. Com alguns atropelos e barbeiragens chegamos ao destino. Anoitecia e ele foi à casa do seu Osmundo, que liderava o conjunto “Mucajá”. Era um grupo rústico, de pau e corda e clarinete que tocava samba, baião, polca e outros ritmos, E que em seguida começou a tocar para nós. Lá pelas tantas, devido sua generosidade etílica, acabou o suprimento de uísque e cachaça. Em toda a vila também não tinha nada de álcool. Ele chamou uma rapaziada e disse: – Vão ver se encontram cachaça que eu dou uma grana pra vocês. Eles voltaram com uma “meiota” de “canta-galo”. O Hélio deu uma golada e cuspiu: – Querendo me enganar, é seus porras? Cachaça com água eu não bebo, inda mais se é de mulher que acabou de parir. Fiquei sabendo depois que as mulheres do lugar usavam aguardente na assepsia do pós-parto e que os moleques haviam roubado a garrafa de uma senhora que parira uns dias antes. Esse episódio só fez solidificar a minha admiração pela figura simples e humana do jornalista.

Fecundo no seu trabalho, Hélio sempre procurou dar a ele novas formas em linguagens diferentes. Em 1984/85 associou-se ao talento do piloto e vídeo-maker Roberval Lavor e produziu inúmeros vídeos sobre aspectos turísticos do então Território do Amapá. Embora não se adaptasse ao computador, o apregoava como instrumento do futuro, pois era atualizado nas informações tecnológicas.

*Contribuição do jornalista Renivaldo Costa.

Os 24 anos do álbum “Mellon Collie And The Infinite Sadness”, do Smashing Pumpkins

Parece que foi ontem, mas já faz 24 anos que a banda de rock alternativo norte-americana The Smashing Pumpkins lançou o magnífico álbum “Mellon Collie and the Infinite Sadness” (em 24 de outubro de 1995 pela Virgin Records).

Este é o terceiro disco da carreira do grupo liderado por Billy Corgan (o careca antipático do rock sabe fazer canções que tocam a alma e o coração).

Mellon Collie foi o álbum que definiu a cara do rock há 20 anos. Um clássico instantâneo que provou que a música alternativa poderia ser complexa e ambiciosa.

Billy Corgan se encontrava no auge da sua megalomania criativa e lapidou todas as músicas com muita astúcia; desde sua introdução instrumental até a última música, o disco é arrebatador.

Ele contém muitas canções sensacionais, como a beleza da instrumental Mellon Collie And The Infinite Sadness, a visceralidade de “Zero” e “Bullet with Butterfly Wings”, a saudade dramática de “Thirty-Three”, a inocência de “1979” e a aula de vivência em “Tonight, Tonight”. Isso para citar somente as que gostamos mais.

O disco recebeu, com a canção “Bullet with Butterfly Wings”, o Grammy de 1997. A obra foi eleita como 29º maior álbum de todos os tempos, em 1998, pela Revista Q. Em 2003, a revista Rolling Stones o colocou como um dos 500 melhores discos de todos os tempos, no 487ª lugar.

A Revista Time elegeu Mellon Collie and the Infinite Sadness o melhor álbum de 1995. Não à toa, ele está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

O disco é eclético dentro do rock, já que possui desde canções bem melodiosas até rock pesado com guitarras sujas e gritos de FUCK YOUUU. É realmente um álbum memorável, com um apelo artístico fantástico (sem falar naquele encarte sensacional).

Em 1995, Kurt Cobain já tinha ido para as estrelas e tudo que surgia de genial era mais uma esperança. No final, sabemos que o Rock nunca morre. Ele adoece, mas sempre volta com tudo.

Até hoje as músicas de Mellon Collie emocionam e transportam no tempo quem tem mais de 40 anos. Sim, nostálgico. Agora é só escutar Tonight, Tonight, onde o velho Corgan canta “acredite em mim” ou 1979 e viajar no tempo.

Elton Tavares e André Mont’Alverne

23 anos da morte de Renato Russo

 
Era sexta-feira, 11 de outubro de 1996. Acordei com o telefonema do Adelson: “Cara, o Renato Russo morreu!”. Fiquei no mínimo uns 10 minutos processando a informação, quase em choque. 
 
Hoje (11) completam 23 longos anos sem Renato, que foi vitimado pela Aids. E como ele mesmo dizia: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, pois o para sempre não dura muito tempo. 
 
Renato Manfredini Júnior não foi só mais um carioca que cresceu em Brasília (DF), mas sim um cantor e compositor sem igual. O cara liderou a Legião Urbana (composta por ele, Marcelo Bonfá, Dado Villa Lobos e Renato Rocha) e obteve o sucesso de público e crítica. 
A Legião foi e sempre será a maior de todas as bandas deste país. Eles venderam 20 milhões de discos durante a carreira, mais de uma década após a morte de Russo, a banda ainda apresenta vendagens expressivas. O som dos caras me remete ao passado, à situações, pessoas, alegrias e perrengues, enfim, foi a trilha sonora da adolescência de minha geração. A Legião Urbana acabou oficialmente no dia 22 de outubro de 1996. 
 
Renato foi genial, sereno e místico. Um melancólico poeta românico, quase piegas, mas visceral. Era capaz de compor canções doces, musicar a história cinematográfica do tal João do Santo Cristo, cantada na poesia pós-punk de cordel (159 versos e quase 10 minutos) intitulada Faroeste Caboclo ou melhorar Camões (desculpem a blasfêmia lírica), como em Monte Castelo.
 
Como disse meu sábio amigo Silvio Neto: “Renato Russo foi Poeta pós-punk, de toda uma “Geração Coca-Cola. Intelectual, bissexual assumido desde os 18 anos de idade, ele foi uma espécie de Jim Morrison brasileiro, não tanto pela sua beleza física, mas pela consistência de suas letras que poderiam muito bem ter sido publicadas em livro sem a necessidade de ser musicadas”. Cirúrgico! 
 
Por tudo isso e muito mais, hoje homenageio Renato Russo, que se eternizou pela sua música, poesia e atitude.  Força sempre!
 
*Naquela mesma sexta-feira, o filho dos meus amigos Lígia Pontes (Marruá) e Paulo Bittencourt (Boca-Mole) nasceu. Fui buscar Lígia e o bebezinho na maternidade. O nome dele? Lucas Renato. Urbana Legio Omnia Vincit !
 
Elton Tavares

Nesta quinta-feira (10), no Campus Santana da Unifap, rola a palestra “O Romantismo tardio na formação da Literatura Amapaense”

A Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), por meio de seu Programa de Pós-graduação em Letras (PPGLET) e o Núcleo de Pesquisas em Estudos Literários (NUPEL), realiza, nesta quinta-feira (10) a partir das 19h, no auditório do Campus Santana da Unifap, a palestra “O Romantismo tardio na formação da Literatura Amapaense”, ministrada pelo Professor Doutor Yurgel. O objetivo do evento é contribuir para a reflexão crítica sobre a Literatura Amapaense e suas formulações críticas. As inscrições para a conferência poderão ser feitas no local e os participantes receberão certificado.

Sobre a palestra

A partir do estabelecimento do Território Federal, nos anos de 1940, o Amapá começa a ganhar contornos mais nítidos de autonomia política e administrativa no governo de Janary Gentil Nunes, que pretende fazer de Macapá uma capital moderna e, ao mesmo tempo, inicia um processo de valorização do Amapá, cuja capital é a única, no Brasil, banhada pelo rio Amazonas e cortada pela linha imaginária do Equador.

Em 1959, Antônio Candido publica a Formação da Literatura Brasileira, em dois volumes, onde defende a interação dinâmica entre autor, obra e público na formulação do sistema literário que, no Brasil, tem como traços marcantes o Nacionalismo e o estabelecimento do Romantismo no século XIX. “Mostrar as relações entre o período janarista no governo do Território Federal do Amapá e a ideia de Candido, é a proposta da palestra”, afirma Caldas.

Serviço:

Palestra “O Romantismo tardio na formação da Literatura Amapaense”
Data: 10/10/2019
Hora: a partir de 19h
Local: Campus Santana Unifap (Rodovia Duca Serra, nº 1233, bairro Fonte Nova, no município de Santana)
Entrada gratuita
Realização: PPGLET e NUPEL da UNIFAP.

Elton Tavares, com informações de Yurgel Caldas

Roberto Carlos de Santana, meu louco favorito – Crônica porreta de Fernando Canto

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Crônica de Fernando Canto

Não sei bem em que jornal eu li sobre um maluco que morava numa praia do Rio de Janeiro, mas quem o deixou comigo foi meu amigo RT na volta de uma viagem à cidade maravilhosa. O texto o descrevia como um homem corpulento, negro e barbudo, que fumava maconha, mas que não incomodava ninguém. Cumprimentava a todos e fazia parte da paisagem urbana de Ipanema. Todo mundo o conhecia no bairro e o autor do artigo falava em uma espécie de reencontro com ele depois de muitos anos que passou fora do Brasil.

Em Macapá conheci algumas dessas pessoas alienadas, praticamente abandonadas por suas famílias. E foi exatamente na minha adolescência, quando era estudante do ginásio. Na saída das aulas os mais velhos instigavam os mais novos a fazerem chacotas com elas e apelidá-las quando passavam em frente ao colégio.

Nunca esqueci a “Onça”, que possivelmente não era louca, mas viciada na cachaça. Qtonho-da-lua-4uando convidada fazia espetáculos sensuais, levantava a saia rodada e dançava Marabaixo, sem se desvencilhar da garrafa de “Pitú’ equilibrava na cabeça, rebolando, para o delírio da turma, que a aplaudia sem parar, rindo e gritando com aquelas vozes de fedelhos em mudança, quase bivocais.

Ainda posso ver o “Cientista” lá pelas bandas do Mercado Central trajando seu paletó azul claro e um calção sujo e descolorido. A barba rala, as feições indígenas e o olhar sereno. Vez por outra procurava alguma coisa embaixo de uma ficha de refrigerante ou em uma pequena poça d’água, como se tivesse perdido algo muito valioso. À vezes anotava (ou fazia que anotava) alguma coisa em um papel de embrulho, daí as 32229-loucos-4-originalpessoas acharem que eram importantes fórmulas de um cientista, vindas em um “insigth”, um estalo de ideia. Eu o vi também trajando o pijama de interno do Hospital Geral, de onde fugia de uma ala reservada aos doentes mentais.

Quase decrépito, mas imponente, calvo e meio gordinho era o famoso “Pororoca”. Para mim é inesquecível a cena que vi dele descendo a ladeira da Eliezer Levy, no bairro do Trem, no sol quente do meio dia, bem embaixinho da linha do equador, quando os raios do sol pareciam rachar os telhados das casas e estalar a piçarra. Lá vinha ele, rindo à toa, descalço, de cueca branca e um imenso couro de jiboia enrolado no peito. Um figuraço!aliceatravesdoespelhofilme.jpg2 (2)

Creio que todos os frequentadores do bar Xodó chegaram a conhecer o “Rubilota”, um senhor de aparência forte, que andava invariavelmente sem camisa, que pedia um cigarro e ia embora. Mas de repente surtava e começava a gritar pornofonias das mais cabeludas possíveis. Quando ficava violento era preciso chamar a polícia, mas com um bom reforço, pois ele era durão.

Quem sempre aparecia pela Beira-Rio era o Zé, cearense e empresário de sucesso, mas que enlouqueceu, dizem, de paixão. Ele me conhecia, e sempre que me via nos bares ia me cumprimentar ou pedir um cigarro. Os garçons tentavam expulsá-lo do ambiente porque andava sujo e com o pijama do hospital, de onde fugia igual ao seu colega “Cientista”. Porém esergiocabeleirau não deixava que o escorraçassem.

Havia um cara que eu conheci ainda sem problemas psiquiátricos. Ele tocava violão e cantava na Praça Veiga Cabral, ali na parada das kombis que faziam linha para Santana. Estudava, salvo engano, no Colégio Comercial do Amapá. Anos depois eu o encontrei pelo centro da cidade cantando sozinho pela rua as músicas seu ídolo: era o Roberto Carlos de Santana.

O pessoal da sacanagem do Xodó chegava a pagar R$1,00 para ele cantar o “Nego Gato” no ouvido de algum freguês desprevenido. O RC de Santana chegava por trás da vítima (normalmente um amigo que não sabia da onda da turma) e dava um berro que até o Rei da Jovem Guarda se espantaria. Cantava “Eu sou o nego gato de arrepiar…” em alto e bom som e em seguida saía correndo com medo da porrada até a intervenção dos gozadores que morriam de rir.0,,22536863,00

Esse era o meu maluco predileto. Não sei por onde ele anda, se morreu como a maioria dos aqui citados, se ainda recebe uma grana para cantar o “Nego Gato” ou se ainda canta acreditando que é o Roberto Carlos, lá em Santana. O interessante é que as pessoas sempre têm uma explicação para a causa da desgraça alheia. Dizem que todos eles tiveram desilusões amorosas, que foram vítimas de traições, e por isso surtaram, e assim viveram e assim alguns morreram. Mas com certeza viveram bem, imersos no seu mundo, sem se importarem com que os “normais” pensassem a seu respeito, sem se indignarem com os acontecimentos inescrupulosos dos políticos indignos, estes sim, os deficientes mentais que precisam ser recolhidos definitivamente da sociedade.

Se vivo, John Lennon faria 79 anos hoje

John Lennon foi um músico, compositor e cantor brilhante e um ativista fervoroso. Um artista original, que fazia questão de expressar o que pensava e sentia, ainda que várias vezes caísse em contradição ou criasse confusão com isso. O cara foi, além de talentosíssimo, muito polêmico.

Se estivesse vivo, John faria 79 anos hoje e com toda certeza seria ainda maior do que é e do que representa para todos que admiram ótimas idéias, belas músicas e atitude.

Além da trajetória com os Beatles, teve uma carreira solo consistente e recheada de sucessos inesquecíveis, como a canção “Imagine”. Sim, ela transformou suas alegrias e tristezas em música, de forma sublime.

Ele não foi o mais louco, o melhor guitarrista e nem o mais boa pinta, mas foi o maior de todos os rock stars. Um cara genial, com um talento ímpar, que viveu como quis. O cara era PHODA demais!

Sim, o velho Lennon sabia das coisas. Certa vez ele disse:

“Eu acredito em Deus, mas não como uma coisa única, um velho sentado no céu. Eu acredito que o que as pessoas chamam de Deus, está dentro de cada um de nós. Eu acredito que Jesus ou Maomé ou Buda e todos os outros estavam certos. Foi só a tradução que foi feita errada” – John Lennon.

Um relato para finalizar: certa vez, um colega jornalista (daqueles chegados num pagode, micaretas e afins) me perguntou o motivo de ser “tão fã” de Lennon. Nem me dei ao trabalho, só disse: “realmente preciso explicar?” (risos).

Fonte: Revistas, filmes, discos, livros, sites, papos com os amigos nos bares da vida e minha imensa admiração por John Lennon.

Elton Tavares

Moedas e Curiosidades: “Centenário da Imigração Japonesa” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Em 2008, no dia 18 de junho, a chegada dos primeiros imigrantes japoneses em território brasileiro completou cem anos, e em comemoração foram feitas duas moedas de cupro-níquel, uma japonesa de 500 yens e uma brasileira de 2 reais, e eu consegui um exemplar de cada para a minha coleção.

No dia 18 de junho de 1908, desembarcou do navio japonês Kasato Maru, no porto de Santos-SP, 165 famílias de origem japonesa.

As primeiras famílias que aqui desembarcaram eram formadas, por pessoas oriundas do norte e sul do Japão, de áreas pobres que desenvolvia a agricultura. Esse grupo de camponeses veio para o Brasil, com intuito de trabalhar no desenvolvimento da cultura do café (produto mais importante da época), na região oeste do Estado de São Paulo.

Esse processo ocorreu pelo fato do Brasil necessitar de mão-de-obra para o cultivo do café, e por causa da carência de postos de trabalho no Japão. A partir das necessidades recíprocas entre os interesses do Brasil e Japão, foi firmado um acordo imigratório entre os dois países. Confira nas linhas a seguir alguns fatos interessantes e curiosos sobre a imigração japonesa no Brasil.

•Era para a imigração japonesa ter começado em 1897, 10 anos antes da chegada do Kasato Maru. Ou seja, a viagem do primeiro navio com japoneses para trabalhar nas lavouras de café, só não ocorreu naquele ano por causa da desvalorização do preço do café no mercado internacional (elas duraram até 1906).
•A maioria dos recém-chegados preferiu se estabelecer no estado de São Paulo, onde havia um núcleo de imigrantes japoneses. Alguns se estabeleceram no Paraná e outros na Amazônia.
•As primeiras gerações de japoneses sofreram bastante preconceito no Brasil, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, quando o então presidente de Getúlio Vargas, proibiu o uso da língua japonesa e as manifestações culturais nipônicas no país.
•Os japoneses trouxeram diversos alimentos que se incorporaram ao cardápio dos brasileiros, entre os quais o Caqui, a Uva-Itália (que apesar de italiana foi introduzida por japoneses), a Maçã Fuji, a Tangerina Poncã e o Morango.
•O Judô (arte marcial que eu pratico) chegou no Brasil em 1914, trazida pelo mestre japonês Mitsuyo Maeda (Conde Koma, 1878-1941), que viajava o mundo fazendo demonstrações desta arte marcial, os brasileiros conheciam poucas modalidades de combate, sendo as mais populares o pugilismo e a capoeira. Por exigência do Instituto Kodokan, Maeda foi proibido de usar o nome Judô para identificar sua técnica fora do Japão. Usava então, o nome da antiga arte japonesa de combate desarmado, que deu origem ao Judô, o Ju-Jutsu. Com o tempo e os equívocos de grafia na Europa e na América, o nome “Jiu-Jitsu” se tornou popular.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

Raízes Aéreas, mas profundas na Cultura do Amapá – Por @MarileiaMaciel e @eltonvtavares

No início dos anos 90, no tempo em que os jovens de Macapá despertavam de vez para a música regional, surgiu a banda Raízes Aéreas, grupo formado pelos músicos Naldo Maranhão, Helder do Espírito Santo, Beto Oscar, Alan Yared, Helder Brandão, Black Sabbá, Hemerson Melo e Alexandre, sob a influência luxuosa de Antônio Messias. Na época foi o grupo de maior expressão, que chegou com músicas próprias, talento e atitude – todos os elementos para o sucesso, e ainda a experiência de alguns dos integrantes em outras bandas alternativas de Macapá.

Bar Lennon – Macapá anos 80 – Foto cedida por Edgar Rodrigues

Os jovens músicos resolveram fazer algo diferente e fizeram, quando a vida cultural de Macapá girava em torno de músicos iniciantes, que na maioria das vezes estudava em Belém (PA), e a ferveção era no Bar do Lennon. Com a ideia na cabeça, sem dinheiro, mas muita vontade, e algum incentivo financeiro, gravaram um disco, onde os sons do Amapá se misturavam com os da Jamaica e Caribe. Virou uma seleção sensacional de estilos que agradou de roqueiros a regueiros, e os aproximou de nomes já estabelecidos na música regional, como Osmar Júnior, Amadeu Cavalcante, Val Milhomem, Sabá-Tião, entre outros.

Logo a Raízes Aéreas caiu no gosto popular, por conter, principalmente, elementos da musica regional e do rock, que eram os ritmos mais em moda. Sem a internet e os apelos da mídia de hoje, eles alcançaram sucesso e popularidade tocando em bares e praças, e contando com míseros espaços na imprensa. A formação inicial foi substituída algumas vezes, e o revezamento revigorou a banda, que teve nos instrumentos músicos do quilate de Heder de Melo.

Raízes Aéreas, em 2009, com Celso Viáfora, Enrico Di Miceli e outros artistas.

Por motivos particulares, cada um pegou seu caminho e a Raízes Aéreas virou um mito entre a geração da época. Em 2009, eles se reuniram para um show de reencontro que contou com a participação de Celso Viáfora, Enrico Di Miceli, e outros artistas.

O show foi uma festa entre amigos que encantou quem o assistiu. O evento foi memorável, crédito para a produtora Clicia Di Miceli, proprietária da Bacabeira Produções, que realizou o reencontro.

Em 2015, o CD com as músicas que deram a fama para os integrantes do Raízes foi reeditado, mostrando hoje, como há mais de 20 anos, podia ser produzido um disco com muita beleza, poesia e arranjos inovadores. Quem nunca ouviu não pode deixar de curtir o som da lendária banda.

Texto: Mariléia Maciel e Elton Tavares.
Fotos: Mariléia Maciel, nos bastidores do show de 2009.
*Republicado por conta de uma conversa de hoje, com a Clicia Di Miceli.

Saquem as canções homônima ao saudoso grupo de geniais doidos varridos da música amapaense : 

 

Hoje completam 50 anos do Abbey Road, disco antológico dos Beatles

Abbey Road foi o 12° álbum lançado pela banda britânica The Beatles. Foi lançado em 26 de setembro de 1969, e leva o mesmo nome da rua de Londres onde situa-se o estúdio Abbey Road. Há exatos 50 anos.

O disco foi produzido e orquestrado por George Martin para a Apple Records. Este álbum está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame.

Apesar de ter sido o penúltimo álbum lançado pela banda, foi o último a ser gravado. As músicas do último disco lançado pelos Beatles, Let It Be, foram gravadas alguns meses antes das sessões que deram origem a Abbey Road.

O álbum é considerado um dos melhores do grupo e parecia que os momentos de turbulências tinham passado e tudo havia voltado ao normal entre eles, mas na verdade o maior problema da banda começou a esquentar.

George Martin produziu e orquestrou o disco junto com Geoff Emerick como engenheiro de som, Alan Parsons como assistente de som e Tony Banks como operador de fitas. Martin considera Abbey Road o melhor disco que os Beatles fizeram.

O álbum é o mais bem acabado de todos, um dos mais cuidadosamente produzidos (comparável somente a Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band). Sua estrutura foi bastante pensada e discutida, e as visões discordantes dos integrantes da banda só contribuíram para a riqueza da criação final.

Também foi em Abbey Road que George Harrison se firmou como um compositor de primeira linha. Após anos vivendo sob a sombra de John Lennon e McCartney, ele finalmente emplacou dois grandes sucessos com este álbum: “Here Comes the Sun” e “Something”. Ambas foram regravadas incessantemente ao longo dos anos, sendo que Something chegou a ser apontada pela revista Time como “a melhor música do disco” e como a segunda música mais interpretada no mundo, atrás somente de “Yesterday”, também dos Beatles.

Este disco foi marcado pelo uso de novos recursos tecnológicos que estavam surgindo na época. Um deles foi o sintetizador Moog, que começava a ser utilizado em maior escala dentro do rock.

O sintetizador possibilitava que virtualmente qualquer som fosse gerado eletronicamente. O Moog pode ser notado claramente em músicas como “Here Comes the Sun”, “Maxwell’s Silver Hammer” e “Because”.

Por seu trabalho em Abbey Road, os engenheiros de som Geoff Emerick e Phillip McDonald ganharam o Grammy.

A rápida sessão de fotos em Abbey Road foi feita em 8 de agosto de 1969. Enquanto um policial parava o trânsito, o fotógrafo Iain Macmillan, contratado porque era amigo de Yoko Ono, imortalizava a cena com John, Ringo, Paul e George cruzando a rua. Macmillan, em cima de uma escada, teve 10 minutos para fazer o ensaio e, ao que se sabe, registrou 10 fotos dos quatro aguardando o momento da travessia e caminhando pela faixa de pedestres.

A foto em Abbey Road ainda hoje é imitada por milhares de fãs em suas viagens a Londres.

Segundo uma lenda da beatlemania, a foto também indicava que Paul estaria morto, vítima de um acidente de carro em 1966. Há algumas “pistas” que deram força ao rumor: na foto, Paul está descalço (segundo ele, naquele dia fazia muito calor) e fora de passo com os outros. Paul está de olhos fechados, tem o cigarro na mão direita, apesar de ser canhoto, e a placa do fusca (em inglês, “beetle”) estacionado é “LMW”, referindo-se às iniciais de “Linda McCartney Widow” ou “Linda McCartney Viúva” e abaixo o “281F”, referindo-se ao fato de que Paul teria 28 anos se (“if” em inglês) estivesse vivo. E lá se vão cinco décadas (ou meio século) de amor que sentimos em relação a este maravilhoso disco e a essa sensacional banda.

Fonte: Wikipédia e Semiótica