Há dez anos, vi o Radiohead em São Paulo e foi muito firme!

 

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Foto: Elton Tavares

Existem experiências na vida que não esquecemos jamais. Em 22 de março de 2009, há exatamente dez anos, assisti ao show da banda inglesa Radiohead, em São Paulo (SP).

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Naquele dia, após comer uma picanha argentina no Mercado Municipal de Sampa, nos dirigimos para a Chácara do Jóquei, local do Festival “Just a Fest”, que contou com as bandas Los Hermanos (parte escrota daquele 22 de março), Kraft Werk, lendária banda alemã que detonou nos recursos visuais e eletrônicos, justamente como esperávamos. e, é claro, a Radiohead.

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Não sei como descrever o show do Radiohead, o ápice da viagem, o termo incrível é pequeno para a magnitude do espetáculo que eles proporcionaram, valeu cada centavo, as 6h de avião, a distância do local do evento (quase não conseguimos sair de lá, uma procissão a zero por hora, risos).

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Essa é uma das excelentes lembranças destes mais de 30 anos escutando e vivendo o Rock and Roll. Foi o primeiro grande show de uma banda gringa que assisti. De lá pra cá, rolou rock na história da minha vida. Graças a Deus!

Setlist do Show do Radiohead:

01. 15 Step
02. There There
03. The National Anthem
04. All I Need
05. Pyramid Song
06. Karma Police
07. Nude
08. Weird Fishes/Arpeggi
09. The Gloaming
10. Talk Show Host
11. Optimistic
12. Faust Arp
13. Jigsaw Falling Into Place
14. Idioteque
15. Climbing Up The Walls
16. Exit Music (For A Film)
17. Bodysnatchers
18. Videotape
19. Paranoid Android
20. Fake Plastic Trees
21. Lucky
22. Reckoner
23. House of Cards
24. You and Whose Army
25. Everything In Its Right Place
26. Creep

Eton Tavares

Viver o Rock!

Livro inédito sobre história de Oiapoque será lançado em Macapá

Nesta sexta-feira (22), às 19h, será lançado o livro “História de Oiapoque”, na livraria Leitura, em Macapá. A publicação, de autoria da jornalista Sonia Zaghetto, é inteiramente baseada nas memórias e no arquivo documental e fotográfico de seu avô, Rocque Pennafort. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) teve contato com o livro e solicitou a impressão da história inédita do Amapá pela gráfica do Senado Federal. O livro será distribuído gratuitamente.

Dividido em cinco partes e com mais de 40 fotografias históricas da primeira metade do século XX, além de ilustrações francesas e mapas do século XIX, o livro repassa cinco séculos da história do município de Oiapoque e da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

Quando conheceu o livro, o senador Randolfe Rodrigues, professor de história, ficou encantado com a riqueza de informações inéditas e tratou encontrar uma forma de dividir com todos. “São relatos extraordinários que o Amapá e o mundo precisam conhecer”, afirmou o parlamentar que garantiu a impressão dos livros pela editora do Senado.

O arquivo e as memórias de Rocque Pennafort estão, hoje, entre as raras fontes primárias para se conhecer a história da fronteira. Guardam o relato da única testemunha do primeiro grupo de colonos brasileiros a chegar ao Oiapoque, em 1921, para fundar um núcleo agrícola; além de documentos e fotografias sobre os militares deportados para Clevelândia quando o governo Arthur Bernardes decidiu transformar a região em campo de concentração para abrigar os militares revoltosos dos movimentos tenentistas da década de 20.

Entre as informações mais relevantes do acervo estão o episódio histórico em que a população do Oiapoque idealizou, financiou e construiu sozinha um monumento dedicado ao Brasil que hoje é o símbolo da cidade; e os registros sobre os primeiros indígenas eleitos para cargos políticos do País: o cacique Manoel Primo dos Santos, o Côco, e seu filho, Luís Soares dos Santos, ambos da tribo Caripuna, no rio Curipi, reserva indígena do Uaçá.

A autora explica que não se propôs a contar a história do Oiapoque em detalhes. Optou por um resumo histórico, narrado de forma despojada, no qual pôs o foco em alguns episódios que considerou mais atraentes, mas que permanecem relativamente desconhecidos por grande parcela da população brasileira.

“A história da fronteira Brasil-França é muito rica. Ela foi sufocada pelas mazelas que hoje atingem a Amazônia: miséria, garimpo, poluição, abandono, danos ambientais. Minha esperança é que este livro remova a poeira do tempo e traga de volta as histórias de um passado aventureiro e fascinante. Os oiapoquenses devem se orgulhar de viver em um lugar extraordinário e de enorme importância histórica”, observa.

Nas próximas semanas, Sonia Zaghetto deixará novamente o Brasil. Na Califórnia, onde vai morar, pretende trabalhar em um novo projeto relacionado ao Oiapoque: um romance ambientado na fronteira França-Brasil.

O QUÊ: Lançamento do livro HISTÓRIA DE OIAPOQUE, da jornalista Sonia Zaghetto
QUANDO: 22 de março de 2018 (SEXTA-FEIRA), às 19 horas.
LOCAL: Livraria Leitura, no Amapá Garden Shopping, Rodovia JK.

Serviço:

Jornalista/Assessora de Comunicação
Carla Ferreira
Contato: (96) 98110-1234 (Whatsapp)
Twitter: @Carlinha_F
e-mail: [email protected]

Feliz Equinócio para todos! (em especial para Fernando Canto) – Por @MarileiaMaciel

No Brasil, iniciou hoje o outono, e aqui, no meio do mundo, ocorre o fenômeno Equinócio das Águas, batizado assim, por causa da atração astral, é a estação chuvosa, que faz traz para nossa região, uma quantidade maior de chuva e água grande.

O fenômeno é o alinhamento do sol com a linha imaginária do equador, que divide os hemisférios Norte e Sul do planeta, perfeitamente visíveis do monumento Março Zero do Equador. Ele pode ser visto através da sombra do sol que reflete em seu obelisco. A principal característica do equinócio, é que o dia e a noite têm a mesma duração.

Mariléia Maciel – Jornalista

Os 237 anos da Fortaleza de São José de Macapá (maior fortificação da América Portuguesa)

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Hoje (19) a Fortaleza de São José de Macapá completa 237 anos de existência. Sua construção se estendeu por 18 anos. A fortificação foi inaugurada no ano de 1782. É a maior fortificação da América Portuguesa.

A Fortaleza foi construída com o objetivo de assegurar a conquista de terras ao norte da colônia brasileira. Ela integra uma cadeia de fortificações históricas construídas por Portugal, que passou a ocupá-la após o Tratado de Utrecht. O forte foi edificado em alvenaria de pedra e cal na margem esquerda do rio Amazonas. A obra teve início em 1764.

Após um longo período, a instituição voltou a ser ocupada pelo comando da Guarda Territorial do Amapá. O Governo Federal, em 22 de março de 1950, reconheceu a fortificação através de sua inscrição no livro do tombo histórico da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Foto: Elton Tavares

Dúvidas

De acordo com relatos de macapaenses mais antigos, me pergunto:

Onde está a placa de bronze, de 1 metro de altura e 1,5 metro de largura, que continha informações sobre a construção da fortificação?

Onde foi parar o velho farol do forte e alguns canhões que sumiram misteriosamente?

Qual o paradeiro de pedras preciosas e moedas antigas que ficavam expostas no museu da Fortaleza nos anos 60?

Enfim, o velho Forte de Macapá é a história viva do amapaense e o nosso maior monumento. Todas as vezes que passo por ele, dá vontade de fotografá-lo. Pena que muitos não dão o devido valor à Fortaleza de São José, que tanto embeleza e valoriza nossa capital.

Veja fotos legais da fortificação bicentenária:

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Elton Tavares

A história e lendas da Pedra do Guindaste (em frente de Macapá)

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Foto: Floriano Lima

A Pedra do Guindaste é um monumento localizado em frente à cidade de Macapá, ao lado do Trapiche Eliezer Levy, dentro do Rio Amazonas. No século passado, ela teve como finalidade servir de alvo aos exercícios de tiro dos soldados, ao lado norte da Fortaleza de São José de Macapá.

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Foto: Alexandre Brito

Existem lendas em torno da “Pedra do Guindaste”, que ao longo dos tempos vêm servindo de inspiração a muitos poetas e pintores regionais. Uma delas é contada pelos moradores da antiga rua da praia e igarapé das mulheres, que afirmam existir uma cobra grande, com dimensões não calculadas, que na “maré de reponta”- ou seja, quando a água do rio não está na cheia e nem na vazante -, sai dali para tomar água, de maneira que a mesma nunca conseguiu cobrir a pedra. Se por ventura, alguma autoridade tiver a infelicidade de mandar retirar a pedra do rio, a água do amazonas subirá tanto que Macapá toda irá para o fundo.

Pedra do Guindaste – Arquivo de Floriano Lima.

Um dia colocaram a imagem de São José, padroeiro de Macapá, em cima da pedra. Pouco tempo depois um navio chocou-se com ela destruindo-a. No lugar foi construído um pedestal de concreto para São José, colocado de costas para a cidade, mas abençoando todos que aqui chegam pelo majestoso rio Amazonas.

Foto: Márcia do Carmo

A imagem do santo padroeiro é uma obra de arte do escultor português Antônio Pereira da Costa. Ele também esculpiu os bustos de Tiradentes (na Polícia Militar) e Coaracy Nunes (no aeroporto) e os leões do Fórum de Macapá (atual sede da OAB).

Fontes: Porto Retrato e Alcinéa

Moedas e Curiosidades – “Notegeld da Amazônia” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Depois de uma longa e sofrida procura, finalmente encontrei e adicionei na minha coleção as cédulas literárias “Palavras”. A moeda social intitulada “Palavras” foi criada para ser utilizada na compra de obras literárias durante a II Feira do Livro do Amapá (FLAP), que se realizou no período de 26 de outubro a 1° de dezembro de 2013 em Macapá-AP.

Como tema “Leitura e Sustentabilidade”, a II Feira do Livro do Amapá foi uma excelente idéia para cultivar o hábito da leitura nos estudantes e o público em geral, e para isso contou com a seguinte programação: venda de livros, exposições, palestras, mesas de debates e apresentações de artistas em vários pontos da capital amapaense.

A moeda literária “Palavra” homenageia escritores e personalidades do Amapá, com valores e cores específicos nas cédulas.

O maranhense Simão Alves de Souza (1932-2019), conhecido como “Simãozinho Sonhador” ficou famoso por escrever poesias de cordel. Ao todo foram 22 livros escritos pelo ex-malabarista de circo, entre eles o “ABC da Mulher”, obra mais famosa do poeta.

O paraense Antônio Munhoz Lopes (1932-2017), conhecido como “Prof. Munhoz” dedicou quase 60 anos de sua vida à educação, poesia, música e história do Amapá.

O paraense Alcy Araújo Cavalcante (1924-1989), foi um escritor, poeta e jornalista que veio para Macapá em 1953. Alcy sempre esteve envolvido com as atividades culturais e intelectuais no Amapá, principalmente a literatura.

A paraense Zaide Soledade (1934-2015), apaixonada pela educação a professora Zaide foi estudar Pedagogia para aprender e ensinar melhor. Estudou também: Artes Dramáticas, Educação Física, Letras e Artes, entre outros cursos, inclusive na área de saúde.

A paraense Aracy Miranda de Mont’Alverne (1913-2002), conhecida como professora Aracy, teve brilhante atuação como poetisa, declamadora, musicista, escritora e teatróloga no estado do Amapá.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

Fortaleza de São José festeja 237 anos com shows, aula de dança, brincadeiras e exposição

Foto: Manoel Raimundo Fonseca.

Por Victor Vidigal

Está pronta a programação de aniversário dos 237 anos da Fortaleza de São José de Macapá. Serão dois dias de atrações que iniciam no domingo (17) e continuam na terça-feira (19), data em que a fortificação foi inaugurada.

No domingo, a celebração começa com a imagem de São José, padroeiro do Amapá, sendo recebida por devotos na Fortaleza.

Na terça-feira, o dia será dedicado à comemoração de aniversário, com o corte do bolo, apresentações de artísticas, aulas de dança e brincadeiras lúdicas voltadas ao público infantil.

Além disso, durante a semana de aniversário também acontecerá uma exposição fotográfica da antiga Macapá e da extinta Guarda Territorial.

Foto: Floriano Lima

História

Um dos principais símbolos de Macapá, a Fortaleza de São José foi inaugurada pelos portugueses no dia 19 de março de 1782, com o propósito de defender a margem esquerda do Rio Amazonas, na então colônia, das possíveis investidas francesas de conquistar a região amazônica.

Construída com mão de obra escrava em uma área de quase 30 mil metros quadrados, a edificação foi tombada em 22 de março de 1950 pelo Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).

Atualmente, além ser o ponto turístico preferido dos macapaenses, o entorno do lugar é usado pela população nos momentos de lazer para fazer piqueniques e praticar atividades físicas.

Foto: Mateus Brito

Programação:

Data: 17 de março (domingo)

9h30 – Recepção da Imagem de São José de Macapá na Fortaleza
Data: 19 de março (terça-feira)

9h – Abertura da exposição fotográfica “Macapá Através dos Tempos” e da exposição da Guarda Territorial – “Memorial da Guarda Territorial” (ambas seguem durante toda semana)
9h30 – corte do bolo comemorativo e apresentação artística cultural
15h – aulão de danças (zumba, axé, dance e outros) e atividades lúdicas, esportivas e de lazer para crianças, no anfiteatro da fortaleza

Fonte: G1 Amapá

A Fortaleza de São José de Macapá e as cartas dos construtores – Resgate histórico de Fernando Canto

Por Fernando Canto

Os fogos que cruzaram os céus de Macapá para comemorar os 235 anos da Fortaleza, na véspera do equinócio das águas, foram poucos diante da grandeza e importância que ela tem para o povo do Amapá.

A Fortaleza de São José é produto de múltiplas temporalidades, percepções e apropriações, mormente na sua condição de monumento tombado, protegido por Leis que fizeram a frente da cidade de Macapá tomar outro rumo na construção de seu espaço urbano nos últimos anos.

A essas transformações, onde se emolduram concepções distintas de espaços públicos, imagens e intervenções urbanas eficazes ou não, públicas ou particulares, também estão presentes, indubitavelmente, o olhar artístico, o discurso ufanista e político, a mídia direcionada, a observação crítica e todas as tensões desafiadoras dos conceitos constitutivos e questionamentos que requerem a significação desse monumento tão importante para a vida da cidade de Macapá.

Aliás, a Fortaleza de São José é a gênese da cidade de Macapá. Mesmo que a vila tenha surgido antes, possivelmente ela não sobreviveria como tal sem as obras, as alteridades e as transformações que ao longo do tempo a Fortaleza enfrentou.

Durante a sua construção, as cartas e relatórios emitidos pelos seus construtores tornam-se peças literárias de valor, não apenas pelo que indicam sobre a obra em si, mas pelos aspectos inerentes aos comportamentos sócio-ambientais de homens e mulheres que se tornaram rudes pelas circunstâncias, individualistas pelas necessidades e até sentimentais diante das injustiças e violências experimentadas naquele período. Esses documentos falam de saudade da família, de pedidos de promoções, de lista dos remédios mais usados para tentar sanar as doenças, e também das preocupações com detalhes de figuras e medidas de pedra “que sobre a porta principal da Fortaleza deve conter uma daquelas inscrições que em semelhantes monumentos passam à memória de seus fundadores aos séculos futuros” (Carta de Gallúcio, Códice 200, doc. 07. De 10.07.1769 – APP).

Nessas cartas, notadamente Henrique Gallúcio, Henrique João Wilkens, João Geraldo de Gronfelds e Lobo da Almada (todos eles diretores da fortificação em construção), mostram-se homens cultos. Gallúcio, por exemplo, cita versos latinos da Eneida, de Virgílio, em epígrafes de suas epístolas; assiste a eclipses do sol e da lua e informa que recebeu instrumentos de astronomia. Eles são inv

ariavelmente vítimas de intrigas e doenças tropicais e nas suas demandas mostram-se subservientes até ao extremo na sua lealdade ao general governador e ao soberano. Uns como Gallúcio e Gronfelds são estrangeiros e, mesmo pertencendo ao Exército Português, são alvos de discriminações. Gallúcio faleceu e foi substituído por Wilkens, e este por Gronfelds. Mais tarde Wilkens foi transferido para a Província do Rio Negro e ali escreveu a “Muhuraida”, o primeiro poema épico da Amazônia.

Cremos que a história da Amazônia se mescla no seu sentido interpretativo a uma literatura real, feita de sangue e ossos, do testemunho relatorial e missivista dos que por aqui passaram, independentemente do seu intento de “fazer literatura”. O que escrevem confunde-se com o discurso ideológico-iluminista da época pombalina e reflete a experiência hegemônica dos conquistadores que a ferro e fogo construíram a Fortaleza de Macapá. Tais textos também podem ser vistos como elementos literários de grande valor, para além de meros relatórios que detalham cada passo da construção daquele edifício. Trata-se, portanto, de textos que contam uma epopéia amazônica, onde cada carta é um longo verso heroico. Ou uma pedra de cantaria na construção dessa memória.

*Do livro “Literatura das Pedras: a Fortaleza de São José de Macapá como lócus das Identidades Amapaenses”.
**Fotos de Manoel Raimundo Fonseca.

Há 21 anos, morreu o genial Tim Maia

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Hoje completou 21 anos que Sebastião Rodrigues Maia, o talentoso músico, cantor e compositor, produtor musical e pai do Soul nacional, Tim Maia, subiu. Em 15 e de março de 1998, a voz rouca e poderosa do artista calou-se. Ele tinha 55 anos de idade e a causa da morte foi um colapso do organismo causado por infecção generalizada, decorrente das doses cavalares de drogas e álcool que ele consumiu ao longo da vida.

Tim foi uma força da natureza, descrita no livro “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia”, do jornalista e amigo do cantor, Nelson Motta. Li a obra há sete anos e fiquei fascinado. A publicação serviu de base para o filme exibido nos cinemas brasileiros em 2014.

Ah, o Tim Maia era louco? Sim, era. Um genial doido varrido. Viveu do jeito que quis e nunca se preocupou em ser exemplo. Sou fã de gente assim. Canções como “Azul da Cor do Mar” e “Primavera”, entre tantas outras músicas maravilhosas, são a prova do que foi o cantor e compositor.

A obra de Tim fala de alegria e amor. O artista não seguiu as regras, foi debochado, esquentado, brigão, malandro, egoísta, porra louca (como não rolar uma identificação?), entre outros tantos rótulos que nada são perto do tamanho do talento e do que o cara representou para a música brasileira.

Além de mestre do soul brasileiro e cantor super foda, Tim Maia foi uma figura irreverente e autêntica. O “síndico” era um cara cheio de personalidade e talento. Depois de sua passagem, a música brasileira nunca mais foi a mesma.A ele, meu respeito e homenagem, pois para sermos felizes, vale tudo!

Elton Tavares

Se vivo, Amilar Brenha teria 103 anos – Por Renivaldo Costa

Por Renivaldo Costa

Se ainda estivesse entre nós, ele teria 103 anos. Amilar Arthur Brenha era o que Vinícius de Moraes definiria com um músico que consegue unir ação, sentimento e pensamento.

Nascido na cidade de Pinheiros, no Estado do Maranhão, Amilar Brenha era filho de dona Francisca Costa Ferreira e José Raimundo Brenha. Aos 15 anos de idade, iniciou-se na música, incentivado por dois primos, que lhe ensinaram o primeiro dedilhar do violão.

Buscando sempre um aprimoramento, Amilar deixou Pinheiros e seguiu para a capital maranhense. Lá, além de aprimorar o toque com o violão, aprendeu a tocar banjo, violão elétrico, rabecão, contrabaixo, cavaquinho e bandolim, instrumento com o qual iria se consagrar. Na década de 50, Amilar Brenha ingressa no Circo Tetro Ibis, onde atua como palhaço e ator. Lá também ficou conhecido como mago do violão tenor.

Através desse reconhecimento e convidado pelo então deputado Coaracy Nunes, Amilar desembarca no Território Federal do Amapá, em 1958. Mas foi através do Regional da Rádio Difusora de Macapá que Amilar Brenha expandiu amizades e se tornou conhecido nos mais longínquos recantos desse Estado. A convite do violonista Nonato Leal, ele ingressa no conjunto de Aymoré Batista e passa a receber elogios públicos de autoridades da música como é o caso do mestre Oscar.

Na década de 80, o governo do Território financia a prensagem do disco de Amilar. O músico, como forma de agradecer pelo incentivo do amigo, convida Nonato Leal para gravar junto. Na verdade, numa das faces do disco ficariam músicas de Amilar e noutra, músicas de Nonato. O violonista Nonato, entretanto, abre mão do convite para aquele que seria o seu primeiro disco.

Em 85, Amilar Brenha se muda para Mazagão a trabalho. Sua popularidade cresce a tal ponto que ele é eleito vereador daquele município.Acometido de problemas de saúde, Amilar Arthur Costa Brenha retorna para a capital e vem a falecer em 20 de abril de 1991. O trabalho do artista, entretanto, continua mais vivo do que nunca. Sua trajetória pelos grupos Os Piriricas e Café com Leite firmou marcos na música regional.

Como Sebastião Mont’Alverne o definiu num artigo publicado por ocasião de sua morte: “Era um maranhense de nascimento, amapaense por adoção e mazaganense de coração”.

A CASA DO EZEQUIAS – Por do Fernando Canto

Foto: Blog Porta Retrato

Crônica de Fernando Canto

A metade dos anos 80 trazia a grande expectativa de mudanças no caminho político do Brasil. Após a anistia de 1979 restava ainda o término do Governo Figueiredo e a transição democrática que se estabeleceria com a eleição de Tancredo e a posse de Sarney.

No Amapá tudo isso era motivo de conversa e os jornais emitiam opiniões bem diversificadas sobre o destino de nossa terra, causando certo frisson entre os leitores. E com a possibilidade de transformação em estado o antigo Território Federal cedeu espaço a centenas de aproveitadores políticos que para cá vieram em busca de uma vaga no parlamento. Foi nesse contexto que ressurgiu o Amapá Estado, fundado por Haroldo Franco, Silas e Ezequias Assis.

Governador Henning – Foto blog Repiquete no Meio do Mundo

Esse jornal havia sido editado pela primeira vez durante o governo de Henning, que segundo eles, quando leu o primeiro número o amassou e jogou fora dizendo que a pretensão dos jornalistas não passava de um engano,de uma utopia. Foi, também, nesse contexto que posteriormente foi lançado o jornal Fronteira, onde trabalhei com uma coluna informativa, ao lado de grandes expressões do jornalismo local como Alcy Araújo, Luís Melo, Jorge Herberth e Wilson Sena, por sinal o primeiro presidente da Associação dos Jornalistas do Amapá. Antes disso o Silas fechou o Amapá Estado e foi se estabelecer em Belém com um jornal maior.

Humberto Moreira – Foto: Blog Porta Retrato

Mas os grandes assuntos da pauta semanal do Fronteira eram discutidos na casa do Ezequias. Todos os sábados ele nos recebia com aquele jeito brincalhão, mostrando um exemplar que o Ricardo, seu filho, pegava no aeroporto (Naquela época era impresso em Belém.) e não economizava o orgulho de ver editado mais um número. E o que era para ser apenas informação virava celebração, pois nunca faltava uma boa dose do melhor uísque, uma carne de caça que o Baleia fornecia para o dono da casa desde que ele fora chefe de Gabinete da Secretaria de Obras e a viola do Nonato Leal, às vezes em duo com a do Sebastião Mont’Alverne. Ao lado disso, apreciadores da boa música, como o Alcy, se deleitavam ouvindo o Humberto Moreira interpretar Taiguara. Artistas e intelectuais chegavam como se estivessem ligados a uma rede invisível e automática, num tempo em que não havia celulares. Aimorezinho era um espetáculo tocando bossa nova com a sua escaleta e o inesquecível bandolim do Amilar parecia pousar em uma partitura mágica vinda das Brenhas de Mazagão. Ritmos se fundiam numa democracia musical crescente que só acabaria quase no início da noite com o sorriso sempre aberto da ilustre e querida amiga Nazaré Trindade. Antes, porém, Ezequias, Nonato e Sebastião faziam um coral com a música “Saci Pererê” de autoria dos três. Depois cantavam “Tauaparanaçu”, de Nonato, e arrematavam com “Rio Amazonas”, de autor desconhecido. A audiência não poupava elogios ao trio e se despedia de mais uma seresta tropical que a todos encantava.

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Ezequias Assis, Jorge Herberth e Fernando Canto. Professor Munhoz ao fundo – Foto encontrada no blog da Sônia Canto.

Tanto Ezequias como Nazaré já se despediram deste mundo. Mas o dom da generosidade que neles havia fica na memória e na eterna gratidão pelo que ensinaram e pelo que foram.

Certa vez, num tempo de vacas magras do jornal, Ezequias me chamou e disse que não podia me pagar naquele mês, mas que iria dar um jeito. Falou que estava querendo “ajeitar” seu carro e que decidira deixar para o outro mês. Foi lá dentro e voltou com quatro pneus novos e 120 dólares e me disse: – Toma. Troca os pneus carecas do teu carro e fica com esse dinheiro pra quebrar o galho. No mês que vem a gente se acerta.

Depois ele me abraçou e pediu ao Ricardo para preparar uns uísques. Ficamos bebendo em silêncio.

*Fotos: 2-Governador Artur de Azevedo Henning (o que amassou o jornal) – encontrada no blog da Alcilene. 3 – Jornalista e cantor Humberto Moreira (blog Porta Retrato).

Moedas e Curiosidades – “Generalísimo y Caudillo de España” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Tenho em minha coleção um interessante set de moedas espanholas, uma de prata 800, uma de níquel, quatro de cupro-níquel e uma de bronze-alumínio, e todas elas homenageiam o “Generalísimo” Francisco Franco “Caudillo” de España.

Francisco Franco Bahamonde (1892-1975), mais conhecido como “Generalísimo” Franco (também era chamado de “Caudillo”= líder), foi um militar de carreira e ditador da Espanha de 1936 a 1973. O apelido “Caudillo” foi um título espanhol adotado por Franco para se igualar aos termos: Führer alemão e Duce italiano, que eram seus principais apoiadores na guerra civil espanhola.

Em 1936 começou uma revolta militar na Espanha contra o governo, que tinha tendência socialista. Essa revolta evolui para uma guerra civil que só terminou em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

A Espanha, entre 1936 e 1939 tornou-se uma espécie de laboratório para a Segunda Guerra Mundial. Isso porque do mesmo modo que a esquerda espanhola recebeu apoio militar da União Soviética e de comunistas de todas as partes do mundo, os militares e nacionalistas receberam apoio do fascismo italiano e do nazismo alemão durante a guerra civil. A aproximação de Franco com os regimes totalitários nacionalistas durante esse período configurou uma escolha perigosa, tal como a de Getúlio Vargas no início do Estado Novo (1937-1945), no contexto brasileiro.

“Generalísimo” Franco

Com a vitória de Franco sobre a esquerda e o fim da guerra civil, em 1° de abril de 1939, Franco assumiu na condição de chefe de Estado e Governo da Espanha. Após 1945, Franco criou o “franquismo” para permanecer no poder. O “franquismo” consistiu na condução de um processo de transição democrática da Espanha, controlada pela própria cúpula que ascendeu ao poder com Franco.Essa transição pautou-se em algumas escolhas decisivas, como:

• Restauração do regime monárquico, com Juan Carlos, neto de Afonso XIII, como rei;
• Modernização econômica e social;
• Expansão de um regime educacional flexível e com certa abertura cultural, até então freada nas administrações anteriores;


Essas características, somadas à personalidade cultuada de Franco, tornaram o “franquismo” longevo. Em 1973, já idoso, Franco passou o poder ao político Luis Carrero Blanco, que foi assassinado no mesmo ano por membros do grupo terrorista ETA (Pátria Basca e Liberdade). Esse fato desencadeou o início da desintegração do “franquismo”. Franco faleceu dois anos mais tarde de insuficiência cardíaca, em 20 de novembro de 1975.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

Há seis anos, rolou o melancólico adeus de Chorão

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Chorão, vocalista da banda Charlie Brown Jr, foi encontrado morto na madrugada do dia 6 de março de 2013, no apartamento onde morava em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Há exatos seis anos. O músico, batizado com o nome Alexandre Magno Abrão, completaria 43 anos em abril daquele ano.

Em 1997, quando escutei o CD “Transpiração Contínua Prolongada” e os caras do Charlie Brown jr. invadiram a cidade, nós nos achávamos peritos em anatomia e acreditávamos que manjávamos um pouco de inglês. E o couro comeu naqueles tempos. Aliás, bons tempos!

Este primeiro disco de Chorão, junto com Champignon (Luiz Carlos Leão Duarte Junior, baixista da banda que se suicidou em 9 de setembro de 2013), Thiago Castanho, Marcão e Bruno Graveto foi uma obra prima. Os caras misturaram cultura urbana, skate punk, ska, rap metal, rock alternativo e reggae. Gostei de poucas canções depois deste álbum, como “Vícios e Virtudes” e “Só Por Uma Noite”.

Confesso que meu lado brutamontes vibrou quando Chorão deu um murro na cara do Marcelo Camelo, o poeta barbudo da dor de cotovelo, dos Los Hermanos.

Chorão foi um poeta urbano, não era nada politicamente correto, mas era talentoso. Além de rockstar, era esportista e levantava a bandeira da prática de skate no Brasil.

Assim como ele, “às vezes faço o que quero e às vezes faço o que tenho que fazer”. É uma pena que o artista tenha partido daquela forma melancólica (“parecia inofensiva, mas te dominou”). Mas quem sou eu para julgá-lo?

Não fui um grande fã do roqueiro que partiu em 2013, teve vezes que o achei um babaca, confesso. Mas tenho respeito pela atitude e talento que ele tinha. Não sei se Chorão encontrou “Aquela Paz”, mas entrou pra história do Rock nacional.

Elton Tavares

Sobre os Reis Momos do Amapá e a história deste personagem

Amo Carnaval e seus personagens. No caso da quadra carnavalesca amapaense, dois deles são Reis Momos e marcaram a história. Essas duas personalidades importantes do carnaval tucuju, são Raimundo dos Santos Souza, o Sacaca, primeiro monarca da alegria foliã por aqui e o segundo é Raimundo Tavares, o “Sucuriju” que subiu ao trono da alegria quando o primeiro virou saudade.

Sacaca, além do primeiro Rei Momo amapaense, participou da fundação da primeira escola de samba, a Boêmios do Laguinho e, em 1994, foi homenageado pela escola de samba Piratas da Batucada, com o enredo “Festa para um rei negro”. A agremiação foi a campeã neste ano.

Raimundo dos Santos Souza também foi mestre em medicina natural, o “curandeiro”. Tinha duas paixões além de sua família: as plantas e o Carnaval. Ficou famoso por suas garrafadas, remédios caseiros feitos de ervas, e por ser um folião apaixonado, sobretudo pelo bloco “A Banda”. Ele morreu aos 73 anos, em 1999 e deixou um legado inestimável para o Carnaval local, mas vive na memória e coração das pessoas que curou e com quem dividiu os carnavais memoráveis de sua época.

Sucuriju foi eleito, em 2003, o Rei Momo do Amapá, desde então nunca mais deixou o trono. De acordo com informações da jornalista Alcinéa Cavalcante, ele é amante do samba desde os 9 anos, quando participou de um desfile pela primeira vez. Caiu no samba ainda gitinho, foi ritmista de bateria de escola de samba, passista cheio de breque e ginga e um dos melhores mestres-sala do Estado.

Eu e Raimundo Tavares, o “Sucuriju”, nosso Rei Momo., no bloco A Banda – Carnaval 2017

Amo brincar Carnaval e me visto de Rei Momo. Aliás, sou o Rei do bloco “Me imprensa que eu te jogo na rede”. No meu caso, é um auto-barato por conta do porte físico bucho-quebrado, mas respeito e muito os Reis Momos de verdade e o papel deles na história da folia nacional.

Sobre o surgimento do Rei Momo

Na mitologia greco-romana, o Momos era o Filho do Sono e da Noite. Ele ficava o tempo todo prestando atenção nas atitudes dos deuses e dos homens e fazendo graça de tudo. Era considerado o deus da Graciosidade, pois passava o tempo todo rindo e fazendo piadas dos outros. Era representado com uma máscara numa mão e uma figura ridícula na outra, para dar a entender que ele tirava a máscara dos vícios dos homens.

Com o passar do tempo, em Portugal, virou um personagem que tinha o trabalho de divertir os amos e senhores, nos castelos e nas casas dos nobres.

Ele apareceu pela primeira vez como personagem de um carnaval na Colômbia, em 1888. Uma figura alegre, brincalhona e governante da bagunça da festa.

No Brasil, surgiu em 1933, no Rio de Janeiro. Jornalistas que trabalhavam no periódico “A Noite”, inventaram um boneco de papelão e batizaram ele de O Momo.

No ano seguinte, decidiram transportar o personagem do papel para a vida real. O cronista do jornal Moraes Cardoso aceitou o cargo e eles saíram desfilando pelas ruas do Rio de Janeiro, saudando o rei! Ele foi o rei Momo pelos 15 anos seguintes, até morrer.

A tradição se manteve e, até hoje, a figura do Rei Momo é adotada nos carnavais cariocas e de outros estados. É a autoridade maior do evento e recebe até as chaves da cidade para governar durante o período de festas.

Elton Tavares, com informações do blog do Simão e Alcinéa Cavalcante.
Fotos: blog Porta-Retrato; Canto da Amazônia e da Alcinéa Cavalcante.