Hoje é o Dia Mundial dos Beatles (minha homenagem ao quarteto que revolucionou a história da música)

Hoje é o Dia Mundial dos Beatles. A data em homenagem a maior banda de todos os tempos foi instituída pela Unesco. O motivo é que em 16 de janeiro de 1957, na cidade de Liverpool (ING), foi inaugurado o Cavern Club, local onde aconteceu o primeiro concerto do lendário quarteto britânico.

The Beatles foi uma banda de Rock and Roll inglesa, fundada nos idos de 1960. É o grupo musical mais bem-sucedido e aclamado da história da música. A banda era formada por John Lennon (guitarra rítmica e vocal), Paul McCartney (baixo e vocal), George Harrison (guitarra solo e vocal) e Ringo Starr (bateria e vocal).

Os Beatles tiveram uma importância inestimável para a música. Eles gravaram álbuns clássicos atemporais e souberam como ninguém captar o contexto político e social de sua época.

Aliás, assim como Jimmi Hendrix, Pink Floyd, Rolling Stones, Led Zeppelin, Bob Dylan e The Doors, não fizeram somente música, fizeram história!

Apesar de amarmos muitas bandas, os Beatles foram e sempre serão os maiores da história do Rock. A banda acabou em 1970.

John Lennon e companhia nos ensinaram que devemos valorizar o amor, sermos críticos e termos ideais. Eles cantaram “All you need is Love”, o que precisamos e sempre precisaremos: amor. E como!

Portanto, nossos aplausos e agradecimentos aos geniais caras de Liverpool. Viva o Dia Mundial dos Beatles!

* A Unesco NESCO negou, numa mensagem através de sua conta no Twitter em 2013, que tenham promovido a consagração de um dia mundial dedicado aos Beatles. “Embora nós gostássemos, a UNESCO NÃO proclamou o Dia Mundial Dos Beatles, mas nada impede que celebrar a sua música :)”, dizia a postagem. Não sei se a verdade é essa ou a que foi realmente instituída a data, mas celebrar foi o que nós, fãs, fizemos.

Elton Tavares

Fonte: Revistas, filmes, discos, livros, sites, amigos e minha imensa admiração pelos Beatles.

Estádio Glicério Marques completa 69 anos (minha crônica sobre o “Gigante da Favela”)

Foto surrupiada do blog da jornalista Alcinéa Cavalcante

O Estádio Municipal Glicério de Souza Marques completa hoje 69 anos de fundação. O local foi idealizado pelo governador Janary Gentil Nunes e fundado em 15 de janeiro de 1950. A arena teve momentos de glória e ainda hoje é palco de jogos do Campeonato Amapaense, Copão da Amazônia e amistosos. Ali foram disputados grandes clássicos com a participação de craques amapaenses.

O estádio possui as alcunhas de “Gigante da Favela” e “Glicerão”, como o estádio foi apelidado pela crônica esportiva. Lembro-me da minha infância com alegria. Eu e meu irmão fomos agraciados com excelentes pais, que nos proporcionaram tudo de melhor possível (e muitas vezes impossível, mas eles fizeram mesmo assim).

Entre tantas memórias afetivas estão as idas ao Glicerão. Meu pai, o saudoso Zé Penha, também jogou no estádio quando foi goleiro amador dos clubes São José e Ypiranga, no time do coração, o “Clube da Torre”. Eu e o mano dávamos muito trabalho ao pai, sem falar o pede-pede. Era pirulito de tábua (aqueles marrons em forma de cone que são puro açúcar), picolé, pipoca, refri e churrasquinho. Era tão porreta!

Como já disse, quando garotos, meu pai e tio Pedro Aurélio, seu irmão, jogaram no Glicerão. Assim como muitos jovens da geração dele. A qualidade do futebol era tão boa que a galera que não tinha grana até pulava o muro para assistir as partidas. Sem falar que o Glicério já foi palco de vários shows locais e nacionais. Afinal, o velho estádio está no coração de Macapá.

Aliás, lembro daquele muro desde que me entendo por gente, pois a casa da minha amada avó fica lado do Glicério, na Rua Leopoldo Machado.

É uma pena que o velho estádio não esteja em melhores condições e depois de 69 anos, as arquibancadas ainda sejam de madeira e o campo ruim. Um local que revelou jogadores como Bira, Aldo, Baraquinha, Marcelino, Jardel, Roxo (o primeiro amapaense que fez gol), Zezinho Macapá, Jasso, Miranda, entre tantos outros nomes importantes do futebol regional.

Naquele tempo rolava a charanga do Antônio Rosa, o Paulo Silva e o Humberto Moreira (lembro bem dos dois, pois sempre falavam com meu velho) faziam a cobertura dos jogos. O José Carlos Araújo exagerava na narração das partidas via rádio (a gente ia pro estádio com radinho na mão) e o Vicente Cruz (a quem meu pai chamava de “He-Man” do Pacoval) sempre filava uma cerva do meu coroa. Bons tempos!

O futebol amapaense encolheu depois do “profissionalismo”, a política entrou em campo e deu no que deu: tanto o Glicerão quanto seu irmão mais novo, o Zerão, vivem vazios. Muitos clubes desaparecem do cenário e emergentes como um tal de Santos tomam conta das competições.

Para mim, há tempos o futebol amapaense perdeu o encanto, o brilho, a mágica. Nem no rádio escuto as partidas. Bom mesmo era na época em que o Zé Penha nos levava para assistir aos jogos no antigo Estádio Glicério, eu e Merson (meu irmão) assistíamos as partidas, brincávamos e nos divertíamos a valer. Quando lembro de tudo isso, a alegria entra naquele campo, escalada pela nostalgia.

Elton Tavares

Festa de São Gonçalo abre o tradicional calendário festivo de Mazagão Velho, no AP

Por Gabriel Penha

Iniciou no domingo (6) e segue até a próxima quinta-feira 10, a tradicional Festa de São Gonçalo, na vila de Mazagão Velho, no Município de Mazagão, comunidade que fica a cerca de 70 quilômetros de Macapá. É a primeira festa do extenso calendário anual de festividades religiosas e culturais da região e é marcada por procissões organizadas pela comissão do santo e que precedem ladainhas na, quando as sinetas tocam para louvar e agradecer, na igreja Nossa Senhora da Assunção.

A exemplo de outras celebrações mazaganenses, a festa tem origem portuguesa e também é celebrada em diversos outros estados do Brasil. Chegou ao país no princípio do século 18. Mas em Mazagão Velho, a data em que começou a ser realizada é desconhecida pelos moradores. Feita sem qualquer tipo de ajuda oficial, a festividade é mantida através de donativos de moradores, bingos e da mensalidade paga pelos foliões.

O ponto alto é no dia 10 de janeiro. Nessa data, acontecem adoração, ladainha e procissão pela manhã e derrubada do mastro no fim da tarde. À noite, a programação é fechada com o Baile da Varrição.

Casamenteiro e protetor dos violeiros

São Gonçalo é um santo português com culto permitido pelo papa Júlio III em 24 de abril de 1551. Nascido em Tagilde no ano de 1187, estudou rudimentos com um devoto sacerdote. Depois, frequentou a escola arquiepiscopal em Braga. Após ordenado sacerdote, foi nomeado pároco de São Paio de Vizela. foi a Roma e Jerusalém.

No regresso, São Gonçalo passou por um período de busca interior e encontrou na experiência popular a maneira de converter pecadores. Conta-se que São Gonçalo para reabilitar as prostitutas, vestia-se de mulher e dançava e cantava com elas a noite toda. Ele entendia que as mulheres que participassem dessas danças aos sábados não cairiam em tentação no domingo. Acreditava ainda, que com o tempo se converteriam e se casariam.

Segundo se conta, São Gonçalo pregou e operou milagres por todo o norte de Portugal. Sobre o rio Tâmega construiu uma ponte. São Gonçalo morreu no dia 10 de janeiro de 1259 em Amarante, no Douro, à margem direita do rio Tâmega, em Portugal. Após sua morte, passou a ser protetor dos violeiros, remédio contra as enchentes, além de casamenteiro. Ele foi canonizado em 1561. O rei de Portugal D. João III, um grande devoto, foi um dos primeiros a empenhar-se para a beatificação de São Gonçalo em Roma. Em Portugal a sua festa é realizada em Amarante, no dia 7 de junho e dedicam-lhe uma semana de festejos, com procissões, bandas de música e folguedos populares.

Programação completa – Festa de São Gonçalo 2019

Dia 10 de janeiro (quinta-feira):

8h30 – Salve Rainha;

9h30 – Lanche e Leilão;

12h30 – Almoço a todos os convidados;

17h30 – Derrubada do Mastro;

18h30 – Ladainha;

21h – Baile da Varrição com o Som Águia Digital.

Juízes da Festa:

Joaquina Jacarandá
Anderson Tiago Jacarandá

Juízes do Mastro:
Andreo Miranda
Maria Izabel Miranda

Se vivo, Elvis Presley completaria 84 anos hoje. Viva o Rei!

Elvis Aron Presley nasceu em Tupelo (Mississipi) em 8 de janeiro de 1935. Com 10 anos comprou seu primeiro violão. Nove anos depois, ele era um caminhoneiro pobre que entrou nos estúdios da gravadora Sun, em Memphis, e grava um acetato para dar de presente à mãe em seu aniversário. Lá gravou duas canções: My Hapiness e That’s when your heartaches begin.

Meses depois, quando precisou de um cantor para gravar um compacto, o dono da Sun, Sam Phillips, lembrou-se do rapaz. Nascia o rock’n’roll.

Por causa de suas roupas justas e do jeito como mexia os quadris, ficou conhecido como Elvis, the pélvis. Em 1956 assinou contrato para participar de seu primeiro filme Ama-me com ternura, que ficou famoso por sua bela música tema Love me tender.

Em 16 de agosto de 1977, após algumas temporadas em hospitais e prestes a iniciar uma turnê, Elvis morreu em Memphis, vítima de hipertensão cardíaca. Nessa época com sua carreira já em decadência, Elvis morreu vítima de overdose de tranquilizantes.

Elvis foi o Rei do Rock and Roll. Ele vendeu mais de 1 bilhão de discos e viveu somente 42 anos de idade. Por isso, monstros sagrados do Rock o reverenciam:

Eu acredito que a música pode curar. As pessoas encontram paz na música. Toda vez que eu me sinto triste, eu coloco um disco de Elvis e me sinto melhor. ” Paul McCartney.

Eu agradeço à Deus por Elvis Presley. Agradeço a Deus por ter mandado Elvis para abrir a porta para que eu pudesse atravessar e caminhar pela minha estrada….” Little Richard.

Antes de Elvis não havia nada” – John Lennon.

Se vivo, faria 84 anos hoje. Alguns dizem que ele ainda está entre nós. Acho pouco provável. Portanto, viva o Rei! Esteja ele onde estiver.

Elton Tavares

Há 23 anos, morreu João Espíndola Tavares, meu amado avô

Vó Peró e vô João. Orgulho de descender deles.

Há exatos 23 anos, em 7 de janeiro de 1996, por volta das 18h30 de um domingo, morreu, aos 69 anos, João Espíndola Tavares, meu avô paterno. Ele foi vítima de um acidente automobilístico, na zona Sul de Macapá. Espíndola, como era conhecido em Macapá, foi delegado, diretor da Penitenciária Agrícola do Estado (hoje Iapen), entre tantos outros cargos públicos. Um pioneiro da capital amapaense.

Ele nasceu em 27 de janeiro de 1927, na Região do Alto Maracá, no Sítio Bom Jesus, uma região de difícil acesso, no município de Mazagão.

Vovô também foi prefeito de Mazagão, onde se casou com a minha amada avó, Perolina Penha Tavares. Lá nasceram o meu pai, José Penha Tavares e meus tios, Maria Conceição Penha Tavares e Pedro Aurélio Penha Tavares. João era um visionário doméstico, pois resolveu vir morar na capital para que os filhos tivessem acesso à educação.

Já em Macapá, nasceram os filhos Maria do Socorro Penha Tavares e Paulo Roberto Penha Tavares. Com força de vontade e determinação, Espíndola também conseguiu sorver conhecimento e concluiu o segundo grau (hoje ensino médio) na Escola Gabriel Almeida Café.

Além do sucesso no campo profissional e pessoal, João Espíndola foi um estudioso da filosofia maçônica. Vovô atingiu o ponto alto da nobre ordem, o “Grau 33”. Ele foi muito respeitado pelos membros da augusta arte real. Vovô foi um dos amapaenses presos injustamente, durante o golpe militar de 1964, mas provou sua inocência com altivez e retomou sua gloriosa vida.

Meu avô foi um grande cara. Com a ajuda fundamental da vó Peró, formou uma família íntegra da qual tenho a honra de pertencer. Sou tão fascinado pela trajetória de meu avô, que o meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de jornalismo foi sobre sua história.

Cerca de 500 pessoas foram ao seu funeral, dentre elas, secretários de Governo, políticos, empresários e cidadãos comuns, pois apesar de frequentar a alta roda da sociedade amapaense, Espíndola não tinha comportamento elitista, era amigo de “peões” e “doutores”, tratando-os da mesma maneira.

No dia de sua morte, em nota, a Maçonaria divulgou: “Durante sua estada entre nós, João Espíndola Tavares sempre foi ativo colaborador e possuidor de um elevado amor fraterno”. E foi mesmo.

A retidão e firmeza dos meus atos são embasados nos ensinamentos que o nosso “JUCA” repassou a nós durante toda sua vida quando de nossa educação e formação de caráter. Honrarei sempre nosso nome e nossa família” – Pedro Aurélio Penha Tavares (meu tio disse tudo aí).

Eu, com vó e vô. Gratidão!

Ter saudade é um privilégio, pois se sentimos falta de alguém ou de uma época, é porque foi bom. Sempre teremos saudades do nosso “Juca”, que foi (ou voltou) para as estrelas, mas nos ensinou o caminho do bem, lições de amor, sabedoria (que talvez um dia eu aprenda), honestidade e humanidade por ele deixadas, entre milhares de felizes lembranças são nossa herança eterna. Valeu pelo exemplo e pela família, vô João. Até a próxima vez!

Elton Tavares

*Texto republicado e assim será enquanto sentirmos saudades. Ou seja, para sempre! 

Um guardião no Amapá – Republicado para ajudar a Revecom

Santana_AP, 28 de Agosto de 2011. Paulo Amorim, diretor da RPPN Revecom. FOTO: JOAO MARCOS ROSA / NITRO
Santana_AP, 28 de Agosto de 2011.
Paulo Amorim, diretor da RPPN Revecom.
FOTO: JOAO MARCOS ROSA / NITRO

Por JOÃO MARCOS ROSA

Santana_AP, 28 de Agosto de 2011. Veado-fuboca (Mazama rondoni) na floresta da RPPN Revecom. FOTO: JOAO MARCOS ROSA / NITRO
FOTO: JOAO MARCOS ROSA / NITRO

Nossas escolhas sempre definirão o futuro que nos espera, mas algumas das opções que fazemos podem também ajudar a construir uma história diferente. Recentemente estive no Amapá para fotografar e tive o prazer de conhecer uma pessoa que fez da sua história a história do lugar que escolheu para viver.

Paulo Amorim era médico no Rio de Janeiro quando, há 41 anos, decidiu mudar-se para a Amazônia. Nesse tempo o Amapá ainda era um tapete verde, um verdadeiro santuário que englobava diversos ecossistemas, transitando entre o Cerrado e a Floresta Amazônica.

Ainda hoje o estado se gaba por ter mais de 70% do seu território em áreas protegidas, mas o que se vê na prática é uma realidade diferente das anunciadas pelas autoridades. A maioria das unidades de conservação do estado não dispõe de infraestrutura e pessoal para fiscalização, vivendo à mercê de garimpeiros, caçadores e invasões, inclusive de estrangeiros, já que é mais fácil chegar no Amapá vindo de outro país do que do próprio Brasil.

Santana_AP, 28 de Agosto de 2011. Vista do Rio Amazonas desde a sede da RPPN Revecom. FOTO: JOAO MARCOS ROSA / NITRO
FOTO: JOAO MARCOS ROSA / NITRO

Na tarde em que estive com Paulo à beira do rio Amazonas ouvi esse relato, além de outras diversas histórias desse cidadão do mundo que resolveu ali em Santana montar o seu quartel na luta por um mundo melhor.

O que antes era uma mata contínua foi se esvaindo e, em 1999, Paulo recorreu às suas economias para tentar manter protegidos os 17 hectares que transformou na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Revecom.

Santana_AP, 28 de Agosto de 2011. Floresta na RPPN Revecom. FOTO: JOAO MARCOS ROSA / NITRO
FOTO: JOAO MARCOS ROSA / NITRO

Pelos cursos e palestras de educação ambiental que promove na RPPN já passaram mais de 70 mil pessoas, a maioria delas crianças, e o local acabou se tornando uma referência no manejo e recuperação de animais silvestres no estado.

Na caminhada que fizemos pela reserva naquela tarde de sábado, consegui enxergar o amor que alguns homens ainda nutrem pela natureza. Pude também perceber que as bandeiras pessoais podem, sim, ser levantadas em busca de um futuro melhor para todos.

Fonte: National Geographic

*Publicado originalmente em 2016. Republiquei hoje para ajudar nessa campanha AQUI:  Ajude a Salvar a Revecom

O breve relato sobre a Little Big, a saudosa banda de skatistas de Macapá

As lembranças do Facebook me trouxeram uma foto da saudosa banda Little Big. Na postagem, os componentes do grupo e brothers das antigas contavam causos e marcavam um reencontro. Aí bateu a nostalgia e resolvi republicar este texto. Saquem:

A primeira formação da Little Big foi com Antônio Malária, no vocal, Ronaldo Macarrão, no contrabaixo, Tibúrcio, na guitarra, e Paulo Neive, na bateria. Todos skatistas.

A banda quase acabou com a saída de Tibúrcio. Patrick Oliveira (hoje líder da stereovitrola) assumiu este posto de forma brilhante. Houve um rodízio na cozinha da Little. A bateria contou com participações do Zico, Ricardo Kokada e Kookimoto, mas quem emplacou mesmo foi o Mário (não lembro o sobrenome do Mário e nem sei por onde ele anda, mas o cara tocava muito).

Eles tocaram juntos da segunda metade dos anos 90 até meados de 2002. Era a banda que mais agitava o rock and roll em Macapá.

A Little foi a banda de garagem mais duradoura e badalada daquela época (certeza de casa cheia onde os caras tocavam). No repertório, tinha punk, indie, hardcore e manguebeat. Chegaram a desenvolver um som próprio, com composições do Antônio Malária, um flerte com o batuque e marabaixo, misturados ao rock.

A banda ganhou força com a percussão de Guiga e Marlon Bulhosa. Inspirados, chegaram ao topo do underground amapaense com as canções autorais “Baseados em si”, “São Jose”, “Beira mar” e “Lamento do Rio”. Quem viveu aqueles dias loucaços lembra bem do refrão: “Eu sou do Norte, por isso camarada, não vem forte”.

Com os amigos Ronaldo e Antônio, da Little Big.

A banda embalou festas marcantes do nosso rock, teve seus anos de sucesso pelas quadras de escolas, praças, pista de skate, bares (principalmente o Mosaico) e residências de Macapá. Quando os caras executavam “Killing In The Name“, do Rage Against The Machine, a casa vinha abaixo. Era PHODA!

Era rock em estado bruto, sem muitos recursos tecnológicos ou pedaleiras sofisticadas. Os caras agitavam qualquer festa. Quem foi ao Mosaico, African Bar, Expofeiras, Bar Lokau, festas no Trem Desportivo Clube e Sede dos Escoteiros, sabe do que falo.

Vários fatores deram fim à Little Big, como desentendimentos internos e intervenção familiar. Eles não estouraram como banda autoral porque não tiraram os pés da garagem.

Em 2012, os caras se reuniram e tocaram em uma festa, mas eu perdi a oportunidade de vê-los, pois estava para Laranjal do Jari a trabalho. A Little Big agitou as noites quentes de Macapá e embalou os piseiros de uma geração. Uma banda que faz parte da memória afetiva de muitos amapaenses roqueiros e já quarentões. E foi assim.

“De um tempo que fomos para sermos o que somos” – Fernando Canto.

Elton Tavares

Moedas e Curiosidades – “A Raposa do Deserto” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Duas lindas moedas, ops, foi mal! Quis dizer medalhas, da minha coleção, caramba eu acho que o termo correto é “Exonúmia”, que são objetos não monetários de interesse para numismáticos, como: moedas alongadas, crachás, moedas contrastantes, moedas fechadas, níquel de madeira, medalhas, tokens, medalhões de lembrança, etiquetas e outros itens similares.

Não consegui informações do ano de produção e do material que ela é feita, mas muito provavelmente deve ser de cupro-níquel, com 36 mm de diâmetro, e presta homenagem a Erwin Johannes Eugen von Rommel, que foi um dos mais célebres militares da história, o mais famoso marechal-de-campo do exército alemão durante a II Guerra Mundial, quando, por seu desempenho no comando do Deutsches Afrika Korps, passou a ser chamado de “der Wüstenfuchs” (a Raposa do Deserto).

Em fevereiro de 1941, Rommel foi nomeado comandante das tropas alemãs enviadas em socorro ao quase derrotado exército italiano na Líbia. Os desertos do Norte da África foram o cenário de seus maiores sucessos, graças aos seus audaciosos ataques-surpresas, passou a ser conhecido, tanto por amigos quanto inimigos. Sua reputação fez com que Hitler o promovesse a marechal-de-campo.

Rommel, no entanto, tinha dificuldades de lidar com seus aliados italianos, assim como com o comando supremo alemão. O Norte da África era, para Hitler, apenas um coadjuvante. Ainda assim, mesmo sob as crescentes dificuldades de suprimentos e os pedidos de Rommel para a substituição de suas exaustas tropas, no verão de 1942, o Führer ordenou um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez. Rommel e seu exército foram detidos pelos britânicos em El-Alamein (al-‘Alamayn, no Egito), a 96 km de Alexandria. Nessa época a “Raposa do Deserto” tinha uma grande popularidade no mundo árabe, onde era tido como o “libertador” do domínio britânico. Na Alemanha o ministro da propaganda alemã, Joseph Goebbels, o chamava de o invencível “Volksmarschall” (Marechal do Povo).

A ofensiva sobre o Egito sobrecarregou seus poucos recursos. No final de outubro de 1942, sofreria outra derrota na segunda batalha de El-Alamein. Em março de 1943, Hitler ordena sua volta à Alemanha.

Após o fracasso do atentado contra a vida de Hitler, em 20 de junho de 1944, as ligações de Rommel com os conspiradores foram reveladas, apesar de as denúncias serem duvidosas, Hitler enviou dois generais a Rommel, para oferecem-lhe veneno, com a garantia de que seu nome e o de sua família permaneceriam intactos se ele evitasse um julgamento. No dia 14 de outubro, Rommel tomou o veneno, acabando com sua própria vida.

O cadáver de Rommel foi cremado, muito provavelmente para evitar autópsia, e as cinzas enterradas em Herrlingen, em um funeral com honras militares.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

Hoje rola festa de aniversário de 47 anos do Banco da Amizade – Por @LemosTica

Por Tica Lemos

Hoje (26), a partir das 6h, começará a festa de aniversário de 47 anos do Banco da Amizade. Há dois dias, a equipe dos guerreiros laguinhenses pintaram o muro e calçada, colocaram novos pontos de luz e providenciaram a instalação de banheiros químicos. A partir de meia noite, a rua General Rondon, no trecho entre Padre Manoel da Nóbrega e José Antonio Siqueira, foi fechado pela CTMac para a montagem do palco, colocação de geleiras nos pontos de distribuição de vinho e arrumação de mesas e cadeiras, para melhor receber os convidados, logo cedo.

A festa começa às 06 horas com salva de fogos e início dos preparativos do tradicional caldo de carne, guisado e churrasco. Tudo será distribuído, inclusive o vinho, gratuitamente para quem estiver na festa, a partir do meio-dia.

A programação musical este ano está mais laguinhense que nunca. Marabaixo, baterias de escolas de samba, marabaixo e grupo de samba e pagode.

A sambista Grazi Brasil, intérprete da escola de samba carioca Tuiuti, vem pra somar mais alegria no palco bancário, com repertório sambístico e carnavalesco. Vai perder?

Quem fecha a noite musical é o star Batan. Nosso toca tudo porque o povo gosta e merece um bailão. Festa encerra a meia-noite.

O aniversário de 47 anos do Banco da Amizade tem apoio de alguns empresários e do poder público, que reconhecem o trabalho da instituição e de sua diretoria, que vem ganhando credibilidade e respeito com a sociedade, através da realização de eventos sociais durante o ano, e mantendo acesa a chama da cultura amapaense.

A Companhia de Trânsito do município e a Guarda Municipal, também estão somando positivamente para a realização do evento.

História

No tradicional bairro Laguinho, na Zona Norte de Macapá, existe o Banco da Amizade, localizado na Rua General Rondon, entre as avenidas Padre Manoel da Nóbrega e José Antônio Siqueira.

O Banco da Amizade foi montado com estrutura em madeira, ao lado direito da via, em 1971.

Cinco anos depois, ele foi mudado para o lado esquerdo da rua, e construído em alvenaria, na calçada da Escola Estadual General Azevedo Costa.

A iniciativa de usar um banco para ponto de encontro e conversação entre amigos do Bairro do Laguinho, surgiu com os moradores Renato Matos (“rato”/ de boné, na foto acima) e Raimundo Souza (“Sacaca”), ambos falecidos.

Por um ato administrativo, o “Banco da Amizade” foi reconhecido como um verdadeiro símbolo de tradição entre as famílias e amigos do bairro do Laguinho.

Uma nova Lei Estadual, de nº 2053/16, o transformou em Patrimônio Cultural e Imaterial do Amapá, e instituiu o dia 26 de dezembro como ”Dia do Banco da Amizade”

O ”Banco da Amizade” já testemunhou muitas conversas e causos dos moradores que cresceram participando das animadas reuniões entre amigos.

Estão todos convidados. O Banco da Amizade é Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Amapá. É nosso. Pode vir. Pode chegar. Traga só alegria e paz no coração!!!

O pente niquelado (crônica de Fernando Canto)

Crônica de Fernando Canto

Nos tempos áureos do Morro do Sapo, no bairro do Laguinho, quando a sede do Sete de Setembro Esporte Clube disputava com a do América Futebol Clube para ver qual era a mais social, nem tudo era só tranquilidade. Crimes ocorriam. Eventuais, sem grandes consequências, e outros violentos, envolvendo jovens que se perderam na cachaça. Alguns deles eram jogadores e frequentadores desses clubes, que cumpriram suas penas no chamado “cajual”, do Beirol.

Do pátio de casa acompanhei o movimento dos adultos, principalmente nas festas juninas realizadas no entorno da sede do Sete, com aquele arraial tão característico, onde o pau-de-sebo, o quebra-pote e a pescaria faziam a alegria da molecada. Vi, ali, “moças-donzelas” lindas que desfilavam nos concursos de “miss caipira” e que se tornariam moças casadoiras e objetos de desejo dos rapazes solteiros que já tinham uma “boa colocação” no Governo do Território.

Num desses domingos de festa eu soube da história do Rubens que virara desafeto de um sujeito do Igarapé das Mulheres por causa de uma jovem miss.

Por essa época a Rua São José era empiçarrada e cheio de capim alto nas suas margens, propícia para atos obscuros. Então, certo de que o Rubens viria para a festa, seu desafeto escondeu-se num capinzal da esquina com a Terceira Avenida do Laguinho, hoje General Osório, aonde iria surpreendê-lo. E assim foi: num átimo saltou sobre o Rubens e aplicou-lhe um golpe nas costas com um brilhante pente niquelado que parecia um canivete “Corneta”, muito usado pelos brigões da época. Rubens caiu no chão, levantou-se em seguida, cambaleando e pedindo socorro aos passantes, dizendo que fora esfaqueado pelo fulano, para em seguida desmaiar. Formou-se aquele deus-nos-acuda, pensamentos de vingança, chama-a-polícia-e-o-delegado-Olavo, vai-de-bicicleta-chamar-a-ambulância-que-o-Jagunço-vem-com-beira, etc. E eis que o nosso herói, ainda atordoado pelo golpe covarde acordou sem nenhum sangue esvaindo, um arranhãozinho de nada na costa e um enorme susto, que lhe marcaria a vida como a facada que não houve.

Na central de polícia tiveram que soltar o agressor, que se derretia de rir, no dia seguinte, já que não houve vítima. Mas o pente niquelado ficou retido por muito tempo como uma possível arma branca.

Enquanto o Sete de Setembro disputava o campeonato da segunda divisão no campo do América Futebol Clube (hoje Praça Chico Noé), o presidente Otacílio do Carmo, com suas eternas roupas de linho branco, dançava por horas seguidas sobre o assoalho encerado do clube com as moças de saias plissadas. Era um verdadeiro pé-de-valsa, imbatível na dança de boleros e merengues. Quando todos dançavam a molecada mais taludinha ia para embaixo do assoalho realizar suas primeiras experiências sexuais, olhando a paisagem pelas frestas.

Muitas histórias aconteceram ali naquela sede. Coisas que marcaram as testemunhas ainda crianças de uma cidade em evolução, nos meados da década de 1960. É inesquecível, para mim, o movimento de uma briga que durou mais de uma hora entre dois jovens e fortes atletas. Ela ocorreu após uma partida de futebol entre o Sete de Setembro e o Tijuca Futebol Clube, do Igarapé das Mulheres. Foi a consequência do resultado de uma partida entre os rivais Saci, atacante do Sete, e Macaco, do Tijuca, que explodiu na frente da sede do Sete até os dois cansarem e alguém considerar a briga empate. A história ficou famosa, pois nem a polícia se meteu.

Às vezes fico pensando nessas coisas incríveis do meu tempo de moleque. Incríveis mesmo, como o rosto brilhoso de suor do Otacílio, alcunhado de “Urubu Balado” por causa do seu jeito malandro de andar e de segurar a mulher para dançar; esta história da facada que não houve e da vítima desmaiada; da briga que não acabava e os oponentes já desprovidos de energia, combalidos, mas sorridentes e felizes com o resultado.

Do Sete ficaram, Indelevelmente, as cores das festas dominicais e o murmúrio da chuva deslizando sobre a piçarra da Rua São José.

Moedas e Curiosidades – “Os Piratas do Caribe” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Quem nunca gostou de assistir um filme de piratas? Pois é, eu gosto e ainda assisto muitos filmes de piratas, e recentemente adquiri várias moedas espanholas de “Maravedís” da época dos piratas, algumas delas com “resellos” (carimbos) que modificavam o seu valor facial.

Os carimbos podem ser aplicados às moedas por vários motivos, tais como dar efeito legal à circulação de uma determinada região geográfica, certificar a autenticidade em circunstâncias onde abundavam as falsificações ou alterar o valor nominal por um motivo qualquer.

Um pirata é um marginal que de forma autônoma ou organizada em grupos, cruza os mares só com o intuito de promover saques e pilhagens a navios e cidades para obter riquezas e poder. O exemplo mais conhecido se refere os “Piratas do Caribe”, cuja época áurea, conhecida como “Época Dourada da Pirataria”, ocorreu principalmente entre os séculos XVI e XVIII.

O período em que os piratas foram mais bem sucedidos foi de 1660 a 1730, mas a partir de 1830 as marinhas dos EUA e das nações do Oeste Europa começaram a caçar e combater os piratas, o que levou a sua extinção. A pirataria floresceu no Mar do Caribe devido à existência de portos piratas como Port Royal na Jamaica, Tortuga no Haiti e Nassau nas Bahamas.

Os piratas tinham, por incrível que pareça, um código de conduta que os orientavam em diversas situações, e o criador deste código foi o pirata escocês Bartholomew “Black Bart” Robert em 1722, e as regras deveriam valer para todos os membros da tripulação.

“O Código Pirata”

1. Direito a voto – “Todo homem deve ter um voto igualitário nas questões no navio”.
2. Seja esperto – “Não roube de piratas. Quem for pego roubando, terá seu nariz e orelhas arrancados”.
3. Não aposte – “Ninguém deve apostar dinheiro nas cartas ou dados dentro do navio”.
4. Respeite os horários – “As luzes serão apagadas às oito da noite”.
5. Esteja pronto para a batalha – “Todo homem deve manter suas armas, facas e pistolas limpas”.
6. Nunca traga seu “affair” a bordo – “Nenhum garoto ou moça de fora será permitido a bordo”.
7. Seja leal mesmo na batalha – “Aquele que desertar o navio ou posto durante a batalha, será punido com morte”.
8. Faça seu ajuste de contas em terra firme – “Ninguém deve brigar a bordo do navio, cada rixa entre homens deve ser ajustada em terra firme, com pistolas ou facas”.
9. Perdeu um membro? Direitos trabalhistas – “Todo homem que perder um membro do corpo durante o serviço, deverá ter 800 moedas”.
10. Privilégios – “O capitão e o quartel-mestre devem receber, cada, duas partes de um prêmio”.
11. Dê uma folga para a banda – “Os músicos devem descansar no Dia do Sabbath.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.

O poder do Natal: A incrível trégua não oficial da primeira guerra mundial, em 25 de Dezembro de 1914.

Não há a menor dúvida de que realmente aconteceu – a trégua de Natal não oficial de 1914 – mas até hoje, muitas pessoas não estão totalmente a par dos detalhes e extensão deste notável hiato na guerra, que ocorreu durante aquelas poucas horas do quinto mês do primeiro ano de conflito.

Para a maioria das pessoas, a trégua foi observada pelos britânicos e alemães na parte mais ao sul do saliente de Ypres, na Bélgica. Entretanto, ela ocorreu em vários outros pontos do Fronte Oeste e por outros combatentes, notadamente os franceses e belgas, embora o fato que os alemães estavam situados em território francês ou belga inibiu qualquer grande demostração de boa vontade para com os oponentes alemães.

Registro histórico das tréguas em tempo de guerra

Tréguas em períodos de guerra não eram tão incomuns. Exemplos de interrupções temporárias em conflitos datam de séculos atrás e incluem as guerras Peninsular e da Criméia (entre os ingleses e franceses na primeira e ingleses e russos na segunda). Histórias similares são contadas a respeido de refeições trocadas entre os lados opostos durante a Guerra Civil Americana e, em 1900, na Guerra dos Boers, na África do Sul.

De fato, em várias arenas da Primeira Guerra Mundial a tradição continuou além do Natal. O extraordinário líder da guerra de guerrilha alemão na África Leste, Coronel Paul von Lettow-Vorbeck, era famoso por suas cavalheirescas – segundo alguns civilizadas – maneiras em que ele conduzia a guerra. Por exemplo, após humilhar as forças indianas lideradas pelos britânicos na batalha de Tanga, no início de Novembro de 1914, líderes de ambos os ladosse reuniram sob uma bandeira branca para trocar opiniões acerca da ação e para compartilhar uma garrafa de brandy.

Entretanto, este estilo de cortesia foi considerado extinto com a aparição da relativamente nova forma de guerra mecanizada que caracterizou a Primeira Guerra Mundial, certamente como era combatida no Fronte Oeste. Apesar disso, não eram incomuns breves cessar-fogo serem taticamente aceitos e observados por uma ora ou mais, como durante o café-da-manhã em setores mais calmos onde apenas poucas jardas separavam as tropas aliadas das germânicas; um caso de “viva e deixe viver”.

Início com árvores de Natal e cantigas

Embora existam muitas histórias individuais acerca de como o Natal não oficial foi iniciado em vários setores, para a maior parte ele foi iniciado pelas tropas alemãs estacionadas defronte às forças britânicas onde uma distância relativamente curta separava as trincheiras ao longo da Terra de Ninguém.

Muitos soldados alemães tinham, como era seu costume na véspera de Natal, começado a montar árvores de Natal, adornadas com velas acesas – com a exceção que, desta vez, foram posicionadas ao longo das trincheiras do Fronte Oeste.

Inicialmente surpresos e, então, desconfiados, os observadores britânicos reportaram a existência delas para os oficiais superiores. A ordem recebida foi que eles não deveriam atirar mas, em vez disso, observar cuidadosamente as ações dos alemães.

A seguir foram ouvidos cânticos de Natal, cantados em alemão. Os ingleses responderam, em alguns lugares, com seus próprios cânticos. Aqueles soldados alemães que falavam inglês então gritaram votos de Feliz Natal para “Tommy” (o nome popular dos alemães para o soldado britânico); saudações similares foram retribuíadas da mesma maneira para “Fritz”.

Em algumas áreas, soldados alemães convidaram “Tommy” para avançar pela “Terra de Ninguém” e visitar os mesmos oponentes alemães que eles estavam tão absortos em matar poucas horas antes. Edward Hulse, um tenente dos Scots Guards, com 25 anos de idade, escreveu no diário de guerra do seu batalhão: “Nós iniciamos conversações com os alemães, que estavam ansiosos para conseguir um armistício durante o Natal. Um batedor chamado F. Murker foi ao encontro de uma patrulha alemã e recebeu uma garrafa de uísque e alguns cigarros e uma mensagem foi enviada por ele, dizendo que se nós não atirássemos neles, eles não atirariam em nós”. Consequentemente, as armas daquele setor ficaram silenciosas aquela noite.

A notícia se espalha

Estórias começaram a se espalhar sobre visitas trocadas entre as forças aliadas (incluindo algumas francesas e belgas) e os inimigos alemães. Tais visitas não estavam restritas aos soldados rasos somente: em algumas ocasiões, o contato inicial foi feito entre oficiais, que definiram em conjunto os termos da trégua, acrescentando somente o quanto seus homens poderiam avançar em direção às linhas inimigas.

Estes termos normalmente permitiam o enterro das tropas de cada lado que jaziam ao longo da “Terra de Ninguém”, alguns mortos há apenas uns dias, enquanto outros haviam esperado meses pela dignidade de um funeral – todos, porém, tiveram que ser deixados onde haviam caído, pois metralhadoras cobriam o local onde eles jaziam na desolação entre as trincheiras opostas.

Naturalmente, homens das equipes encarregadas dos funerais entraram em contato com os membros das equipes similares do inimigo quando, então, conversas foram entabuladas e cigarros trocados. Cartas foram encaminhadas para serem entregues para famílias ou amigos vivendo em cidades ou vilarejos beligerantes.

O mais notável de tudo foi, talvez, a história da partida de futebol entre o regimento inglês de Bedfordshire e as tropas alemãs (alegadamente vencido por 3-2 pelos últimos). O jogo foi interrompido quando a bola foi murchada após atingir um emaranhado de arame farpado. Em muitos setores a trégua durou até a meia-noite de Natal; enquanto em outros durou até o primeiro dia do ano seguinte.

Reação oficial e do público

As reações à trégua de Natal vindas de várias fontes vieram em várias formas. Os Governos aliados e o alto-comando militar reagiram com indignação (principalmente entre os franceses). O Comandante-em-Chefe britânico, Sir John French, possivelmente tinha previsto a suspensão das hostilidades no Natal quando emitiu uma ordem antecipada alertando suas forças para um provável aumento da atividade alemã durante o Natal: ele, portanto, instruiu seus homens para redobrar o estado de alerta durante esta época.

Após a trágua ele escreveu severamente: “Eu emiti ordens imediatas para prevenir qualquer recorrência deste tipo de conduta e convoquei os comandantes locais para prestarem contas, o que resultou em punições severas”. A igreja Católica, através do Papa Benedito XV, tinha solicitado anteriormente uma interrupção temporária das hostilidades para a celebração do Natal. Embora o Governo alemão tenha indicado sua concordância, os aliados rapidamente discordaram: a guerra tinha que continuar, mesmo durante o Natal.

Quase imediatamente à trégua, as mensagens enviadas chegaram para os familiares e amigos daqueles servindo no fronte através do método usual: cartas para casa. Estas cartas foram rapidamente utilizadas por jornais locais e nacionais (incluindo alguns na Alemanha) e impressas regularmente.

O autor de Sherlock Holmes, Sir Arthur Conan Doyle, comentou em sua história da guerra o “episódio humano em meio às atrocidades que tem manchado a memória da guerra”.

Sir Horace Smith-Dorrien, o Comandante do II Corpo britânico na época, reagiu com uma simples instrução: “O Comandente do Corpo, portanto, ordena aos Comandentes de Divisão para incutirem em todos os seus comandantes subordinados a absoluta necessidade de encorajarem o espírito ofensivo das tropas, enquanto estiverem na defensiva, por todos os meios à sua disposição. Relações amistosas com o inimigo, armistícios não oficiais (i.e. ‘nós não atiramos se vocês não atirarem’, etc.) e a troca de tabaco e outros confortos, não importa o quão tentadores e ocasionalmente agradáveis possam ser, estão absolutamente proibidos”.

A visão do soldado no front

Nas cartas para casa, os soldados na linha de frente foram praticamente unânimes em expressar seu espanto com os eventos do Natal de 1914.

Um alemão escreveu: “aquele foi um dia de paz na guerra; é uma pena que não tenha sido a paz definitiva”.

O Cabo John Ferguson contou como a trégua foi conduzida no seu setor: “Nós apertamos as mãos, desejando Feliz Natal e logo estávamos conversando como se nos conhecêsse-mos há vários anos. Nós estávamos em frente às suas cercas de arame e rodeados de alemães – Fritz e eu no centro, conversando e ele, ocasionalmente traduzindo para seus amigos o que eu estava dizendo. Nós permanecemos dentro do círculo como oradores de rua. Logo, a maioria da nossa companhia (Companhia ‘A’), ouvindo que eu e alguns outros havíamos ido, nos seguiu… Que visão – pequenos grupos de alemães e ingleses se extendendo por quase toda a extensão de nossa frente! Tarde da noite nós podíamos ouvir risadas e ver fósforos acesos, um alemão acendendo um cigarro para um escocês e vice-versa, trocando cigarros e souvenires. Quando eles não podiam falar a língua, eles tentavam se fazer entender através de gestos e todos pareciam se entender muito bem. Nós estávamos rindo e conversando com homens que só umas poucas horas antes estávamos tentando matar!”

Bruce Bairnsfather, o autor dos famosos cartuns ‘Old Bill’, resumiu os sentimentos de muitas das tropas britânicas quando ele escreveu: “Todos estavam curiosos: ali estavam aqueles malditos comedores-de-salsicha, que tinham começado aquela infernal guerra européia e, ao fazer isso, nos enfiaram no mesmo lamaçal junto com eles… Não havia um átomo de ódio em qualquer dos lados aquele dia e ainda, no nosso lado, nem por um momento havia a vontade de guerrear e a vontade de deixá-los relaxados”.

Uma vez e somente uma

No entanto, a reação foi de tal monta que precauções especiais foram tomadas durante os Natais de 1915, 1916 e 1917, usando mesmo o expediente de realmente aumentar os bombardeios de artilharia. Os eventos do final de Dezembro de 1914 nunca mais foram repetidos.

Investigações foram conduzidas para determinar se a trégua não oficial foi de alguma maneira organizada de antemão; o resultado da apuração foi negativo. Aquilo foi um evento genuinamente espontâneo, que ocorreu em alguns setores mas não em outros.

Embora a história dos conflitos inclua numerosos exemplos de gestos generosos entre inimigos, a trégua de Natal no Fronte Oeste foi talvez o mais espetacular e, certamente, o mais renomado de seu tipo. Boa vontade para todos os homens – por um período.

Mesmo naquele aparentemente pacífico dia de Natal, a guerra não foi completamente esquecida; muitos dos soldados que apertaram as mãos de Tommy ou Fritz em 25 de Dezembro de 1914, trataram de observar a estrutura das defesas do inimigo, de modo que se pudesse tirar vantagem de qualquer falha nas defesas no dia seguinte…

Fonte: Grandes Guerras

Parabéns, Keith Richards! (75 anos de uma lenda do Rock and Roll)

O guitarrista, compositor, membro fundador e alma dos Rolling Stones,Keith Richards, após uma vida de excessos e desencontros com o também septuagenário Mick Jagger, completa 75 anos hoje.

Keith Richards nasceu em Datford, Inglaterra, em 18 de dezembro de 1943. Foi vizinho e estudou com vocalista da banda, Mick Jagger, mas só depois perceberiam seu interesse em comum por música boa.

Poucas pessoas no mundo podem dizer que sobreviveram à tríade “sexo, drogas e rock and roll” e estão entre nós para contar esta história. Keith Richards é uma delas. E o guitarrista, que completa 75 anos nesta terça-feira, 18, faz aniversário em plena atividade com os Rolling Stones, banda seminal que completou cinco décadas de estrada, acordes blueseiros e a uma relação volátil entre Keith e o vocalista Mick Jagger.

Uma das mais emblemáticas duplas da música de todos os tempos vive um (raro?) momento de paz neste reencontro dos Stones, com turnê mundial e tudo. Não foi fácil, principalmente porque Keith Richards quis contar todas as suas histórias com a biografia Vida, em 2010. Nela, Jagger apanhou por nocaute. Irritado e ofendido, o vocalista não quis saber do companheiro, muito menos de estar ao lado dele, novamente, no palco. O guitarrista pediu desculpas e os Stones, enfim, voltaram à estrada e aos estúdios – a banda soltou duas músicas inéditas “Doom and Gloom” e “One More Shot”, para engrossar uma nova coletânea.

Este é apenas o mais recente capítulo da história, agora setentona, de Keith Richards. Cinco meses mais novo do que Jagger, o músico viveu os excessos do álcool e das drogas (maconha, cocaína e heroína), tornou-se um dos grandes guitarristas e todos os tempos e uma figura icônica para o rock e para a música mundial.

O sujeito que ficou diante de um juiz em cinco ocasiões por posse de drogas, ou algo relacionado a substâncias ilícitas, nas décadas de 60 e 70 (nos anos 1967, 1973, 1977 e 1978), chegou a dizer, em uma famosa entrevista ao semanário britânico NME, em 2007, que inalou as cinzas do próprio pai. Ainda que, depois, o empresário tenha dito que tudo não passava de uma brincadeira, quem duvidaria de algo assim? Afinal, estamos falando de Keith Richards.

Com a guitarra, o garoto inglês Keith foi abalado pelas influências do blues norte-americano, principalmente de Chicago, que se enraizaram profundamente no estilo dele ao instrumento. Chuck Berry é a o nome mais citado entre as referências que o moldaram. Mas Keith parece ter trazido a neblina londrina ao rhythm and blues, criando assim riffs vorazes como os de “Honky Tonk Women”, “Brown Sugar”, “Start Me Up”, “Paint It, Black” e “Gimme Shelter”.

Em pleno ano de 2018, quem, neste universo roqueiro, não quer dançar ao ouvir as primeiras notas de Keith em “(I Can’t Get No) Satisfaction”, lançada há quase cinquenta anos? É preciso voltar no tempo, para aquele ano de 1965, para perceber que o rock ainda se descobria como gênero quando os Stones chegaram com toda aquela sujeira e indignação – algo que parece permanecer impregnado nas guitarras assim que qualquer garoto a empunha.

Keith também tem um lado vocalista interessante, que parece ter se azeitando com o tempo. Desde “Something Happened to Me Yesterday”, na qual ele alternava nos vocais com Jagger, em Between the Buttons (1967), até o último disco de inéditas dos Stones, lançado no longínquo ano de 2005, A Bigger Bang. Neste álbum, o guitarrista vai ao microfone para cantar “Infamy” e a belíssima “This Place Is Empty”, uma sofrida balada que ganha ainda mais peso emocional com a interpretação blueseira de Keith.

O garoto de 17 anos que, na manhã da terça-feira, 17 de outubro de 1961, encontrou Mick Jagger na estação de Dartford, quando estava a caminho da escola de artes de Sindcup, e decidiu falar com ele por ver, debaixo do braço do futuro “irmão de banda”, LPs de Chuck Berry e Muddy Waters, chegou aos 75. E, para a nossa sorte, ainda no palco, com a guitarra nas mãos.

Enfim, uma lenda viva. Obrigado e parabéns, Keith!

Fontes: Ideia Fixa

Moedas e Curiosidades – “O Voto Feminino” – Por @SMITHJUDOTEAM

Por José Ricardo Smith

Outro interessante item da minha coleção é este maravilhoso set de três moedas americanas, feita de cupro-níquel – 26,5 mm e com valor facial de 1 Dólar, no anverso temos a face da Susan Brownell Anthony, uma proeminente líder feminista do séc. 19 que lutou pelos Direitos Civis das Mulheres Americanas, e no reverso temos a insígnia oficial da Missão Apolo 11, a primeira a pousar na Lua em 20/07/1969.

No ano de 1785 foi criado o Dollar, uma nova moeda para circular nos EUA para substituir as moedas espanholas de 8 Reales. Os primeiros Dólares marcaram um momento histórico quando as Colônias se uniram para formar os EUA, estabelecendo-o como sua nova moeda padrão.

Em 1979 é lançada à série Susan do Dólar, foi a primeira moeda americana de circulação a estampar a imagem de uma mulher, no entanto foi uma das séries mais curtas na história do Dólar, o modelo Susan não conseguiu popularidade e a partir de 1981 passou a ser produzido exclusivamente para colecionadores.

Susan B. Anthony foi a maior defensora dos direitos das mulheres numa época em que elas eram consideradas cidadãs de terceira classe. Ela se engajou na luta feminista em 1851 com o intuito de corrigir vários erros da sociedade vitoriana dos Estados Unidos da América.

Em 1866 Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton fundaram a Associação Americana para a Igualdade de Direitos, uma organização dedicada ao objetivo de conquistar o direito ao voto para todos, independentemente do sexo ou raça.

Em 1872, Susan foi detida por votar ilegalmente. Ela foi condenada a pagar U$100 pelo seu crime em vez de ser submetida a prisão, porém Susan não aceitou a pena abrandada, se recusou a realizar o pagamento e pediu para que fosse presa, porque era assim que a lei determinava. O pedido foi negado e ela não foi forçada pela justiça a realizar o pagamento. O caso foi amplamente noticiado, o que chamou a atenção para a causa do direito feminino ao voto.

Em 1917 as mulheres de Nova Iorque conquistaram o direito ao voto, e em 26/08/1920 todas as mulheres americanas ganharam pleno direito de voto.

* José Ricardo Smith é professor e numismático.