Discos que Formaram meu Caráter (Parte 49) – “Adiós Amigos” – Ramones (1995) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Salve moçada!

Todos trancados em seus lares escolhendo quem matar para a economia não parar… O viajante dos sons está de volta para mais uma rodada de discos, músicas e afins.

Com a nave a toda velocidade, som na altura máxima, com orgulho apresento a vocês:

“Adiós Amigos”, o 14º álbum dos Ramones. Todos de pé!

Estamos agora em 1995, e os caras dos Ramones encaravam a velhice. Estava ou não na hora de se aposentar? A relevância da banda nunca esteve em xeque, mas os tempos eram outros.

Passando incólumes pelos tempos da discoteca, pelos anos 80, a “new wave”, o pós-punk, o grunge e outros caralhos, Joey e Jonhy já pareciam cansados da vida que escolheram.

Somando isso aos problemas de saúde de Joey (que teve em toda a sua vida adulta um constante entra e sai de hospitais), a idade e o estilo de vida começavam a cobrar um preço; Joey acabara de ser diagnosticado com um severo câncer linfático e, como bom Ramone que era, deixou a doença em segredo.

Com 13 discos de estúdio e discos ao vivo que pareciam transportar os fãs para os shows, reconhecimento formado por uma legião de fãs no mundo inteiro, sempre citados como referência por vários músicos e banda planeta afora, os caras já tinham salvado o Rock and Roll da ameaça do “Progressivo” com seus solos intermináveis e suas reflexões sem sentido de bons músicos que sabiam ler partituras. Os Ramones não deviam nada a ninguém.

A preocupação maior era não se tornar uma paródia de si mesmo e aceitar de uma vez que a estrada dos tijolos amarelos estava chegando no fim.

Os shows que nos tempos áureos chegavam a 150 no ano, tinham sido reduzidos a um terço, o acolhimento da América do Sul para os caras depois de “Mondo Bizarro” deu um gás na banda, os problemas de saúde de Joey já eram bastante latentes, ausências em parte das apresentações, máscara de oxigênio no palco, o Ramone que mais vestiu a camisa da eterna adolescência parecia realmente querer um descanso.

Os Ramones, estavam realmente em dúvidas quanto ao futuro e, talvez, as crises que todos nós temos tenham também chegado nos caras naquela época. As 13 faixas do disco trazem profundas reflexões sobre amor, dor, ódio e futuro, mas tudo muito rápido e intenso como só eles sabiam fazer e, sendo assim, por respeito a seus muitos admiradores, entraram em estúdio em fevereiro de 1995 e em junho do mesmo ano apresentaram este belo exemplar de som, anunciando que seria o derradeiro trabalho.

Vamos ao que interessa e dissecar essa bolacha:

O disco começa com “I Don`t Want To Grow Up”, cover do Tom Waits é desafiadora, uma franca negação do mundo real, incertezas sobre o futuro, dúvidas sobre a própria vida. “Maki Monsters For My Friends” a autocrítica feita, somos os nossos próprios monstros. “Its Not for Me to Know”, a desistência contra o que não pode ser evitado, você fez tudo o que era possível. “The Crusher”, composta por Dee Ramone, já tinha sido gravada no primeiro disco solo dele, ganhou nova roupagem na voz de Joey, mostra que ainda se tem disposição para lutar contra desafios. “Life`s a Gas”, simples, são daquelas canções que marcam pela intensidade, foi o single do disco. “Take the Pain Away”, pessoal, uma caminhada constante pelo alivio, você só quer acabar com a dor. “I Love You”, cover do Johnny Thunders , a simplicidade em falar de amor. “Cretin Family”, todos contra você uma resposta à o clássico “Pinhead”, se antes os Ramones era o lar dos desajustados, tinha agora tornado parte do Mainstrean. “Have Nice Day”, ironia nas saudações diárias, escuta se sempre um bom dia em uma derrota. “Scattergun”, a segurança que você se propõe a ter. “Got a Lot Say”, tudo a dizer, mas não sabe agora. “She Talks To Rainbows”, triste, mas verdadeira, mostra o lado desesperançoso de quem se entretém com tudo e com todos. “Born To Die in Berlin”, uma significativa ode aos entorpecentes.

Rápido, intenso e formidável que puta disco.

O respeito pelos fãs – algo que sempre foi uma marca dos caras – esteve presente neste álbum. Essencial na discografia de quem pretende gostar de Rock and Roll.

Medalha de ouro. Se tu não conheces, na moral, mereces ser deitado na porrada.

Um disco que, apesar de ter sido anunciado como último trabalho, não perdeu a “aura Ramônica” e, longe de ser um caça-níquéis, feito por caras cansados e desgostosos, soa como um verdadeiro “The best of”, de tanto esmero e vontade.

A capa, uma das mais horríveis e esdrúxulas já feitas, eram dois dinossauros com sombreiros, com o título em espanhol.

É sem dúvida alguma, um daqueles discos verdadeiramente pensados, com canções eternas; um daqueles que tu colocas pra tocar do começo ao fim sem medo.

Sim, foi o último e acabaram em grande estilo. O mundo teve que sobreviver sem os Ramones. “Não queremos nos estender além da conta”, declarou Joey Ramone.

E no final, a saída por cima; “Adiós Amigos” mostrou que máxima de Bruce Wayne é verdadeira: “Ou você morre como um herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão”. Os Ramones foram simplesmente fodas do começo ao fim.

Este texto é dedicado a Renato Atayde, Luis “Espalha Lixo” Xavier, Fábio “Macumba” Evangelista e Alex “Skoria” Rodrigues que, assim como eu, também tiveram o caráter formado por Ramones.

Ramones Forever.

*Marcelo Guido é jornalista. Pai da Lanna Guido e do Bento Guido. Maridão da Bia.

Se vivo, Renato Russo faria 60 anos hoje. Viva o maior poeta do Rock brasileiro!

Renato Manfredini Júnior não foi só mais um carioca que cresceu em Brasília (DF). Renato Manfredini Júnior nasceu em 27 de março de 1960 no Rio de Janeiro. Ele viveu parte da infância com a família em Nova York e, aos 13 anos, se mudou para Brasília. O cara foi um cantor e compositor sem igual. Liderou a Legião Urbana (composta por ele, Marcelo Bonfá, Dado Villa Lobos e Renato Rocha) e obteve um enorme sucesso de público e crítica. Se estivesse vivo, hoje o maior poeta do Rock brasileiro faria 60 anos.

A Legião foi e sempre será a maior de todas as bandas deste país. Eles venderam 20 milhões de discos durante a carreira, mais de uma década após a morte de Renato Russo, a banda ainda apresenta vendagens expressivas. O som dos caras me remete ao passado, à situações, pessoas, alegrias e perrengues; enfim, foi a trilha sonora da adolescência de minha geração. Renato foi genial, sereno e místico. Um melancólico poeta românico, quase piegas, mas visceral. Era capaz de compor canções doces, musicar a história cinematográfica do tal João do Santo Cristo, cantada na poesia pós-punk de cordel (159 versos e quase 10 minutos) intitulada Faroeste Caboclo ou melhorar Camões (desculpem a blasfêmia lírica), como em Monte Castelo.

Como disse meu sábio amigo Silvio Neto: “Renato Russo foi Poeta pós-punk, de toda uma Geração Coca-Cola. Intelectual, bissexual assumido desde os 18 anos de idade, ele foi uma espécie de Jim Morrison brasileiro, não pela sua beleza física, mas pela consistência de suas letras que poderiam muito bem ter sido publicadas em livro sem a necessidade de ser musicadas”. Cirúrgico!

Em 11 de outubro de 1996, Renato Russo morreu, vitimado pela Aids. E como ele mesmo dizia: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, pois o para sempre não dura muito tempo. A Legião Urbana acabou oficialmente no dia 22 de outubro de 1996 e reuniu-se novamente 20 anos depois, em 2016, com outro vocalista e saiu em turnê pelo Brasil. Mas essa é outra história.

A força e universalidade das composições de Renato emocionaram toda uma geração e continuam mexendo com a gente. Acho que será sempre assim. Não sei o que Renato teria feito se tivesse mais tempo, mas com o pouco tempo que teve, fez muito. Fez demais pela música e arte nacional. O artista foi um dos nossos heróis (ainda tem quem não goste ou reconheça, mas paciência). Pena que o futuro não será mais como foi antigamente. Por tudo isso e muito mais, hoje homenageio Russo, que se eternizou pela sua música, poesia e atitude.

Valeu, Renato. Força sempre!

Elton Tavares

Discos que Formaram meu Caráter (Parte 47) – “London Calling” …The Clash (1979) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Salve moçada do bem!

A nave deu pane, mas estamos de volta.

A batalha contra o tédio constante não pode parar e o viajante das notas e riffs não poderia abandonar vocês por muito tempo. Vagando sem rumo pelo mundo dos discos e espaço avante, trago para vocês mais uma bolacha histórica.

É com muito orgulho que vos apresento: “London Calling” – o terceiro trabalho dos caras do The Clash.

Todos de pé!

Corria o ano de 1979 e as coisas não estavam nada bem no mundo; na Inglaterra, uma recessão escrota pra cacete; a sombra da mesmice parecia não querer sair da cabeça dos caras; a juventude em polvorosa já tinha explodido contra o sistema; o movimento Punk colhia os bons frutos de sua sagaz rebeldia.

No Irã, a crise com os reféns americanos; era petróleo vazando a rodo no golfo do México, o barril do óleo negro nas alturas e a crise enérgica atingia o mundo capitalista como há muito tempo não se tinha notícia.

Dentro desse contexto todo, Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e Nicky “Topper” Headon, participantes ativos da primeira onda punk britânica, entraram em estúdio em agosto de 79, cheios de inspiração e conceberam tal obra prima.

Já tendo abalado as estruturas na terra da Rainha, com os excepcionais “The Clash” (1977) e “Give ‘Em Enough Rope” (1978), os caras já mostravam serviço. As letras anarquistas – de cunho político – eram a sua marca. Mas, de repente, a ilha já não era suficiente para acolher toda a fúria; estava na hora do passo seguinte, o mundo precisava da verve do Clash.

Com uma proposta única na época de expor o caos mundial, a intenção do disco é claramente mostrar uma transmissão de rádio de um futuro distópico, onde o medo e a insegurança dominam as mentes e corpos dos seres humanos depois de anos de crise. Um futuro onde o protagonismo não é dos vencedores, e sim dos derrotados.

Flertando com diversos ritmos musicais, que vão do reggae e funk ao Rockabilly, os caras acabaram gravando um disco que realmente mudou de vez a história do rock and roll no mundo.

Vamos ao que realmente importa e tentar entender esta maravilhosa bolacha negra:

O disco começa logo a mil com “London Calling”; a faixa título originalmente chamada “Ice Age” é uma mostra do caos que está por vir; cita um acidente nuclear e também zomba daquilo que o movimento punk tinha se tornado: um caça-níqueis. “Brand New Cadillac” cover de uma canção de Vice Taylor, cantor popular na Inglaterra que fez uma longa jornada no deserto por conta de seu vício em álcool e drogas. “Jimmy Jazz”, uma clara menção à barbaridade na aplicação das leis pelos policiais. “Hateful”, uma narração de uma relação ambígua entre o narrador e o negociante. “Rudie Can’t Fail”, a insegurança que o adolescente tem em se tornar um adulto responsável. “Spanish Bombs”, aborda desde a guerra civil espanhola, até os atentados do Ira em solo britânico. “The Rigth Profile”, o caos pessoal dentro de alguém que vê a realidade escondia. “Lost In The Supermarket”, o consumismo incessante que pode te deixar escravo. “Clampdown”, uma crítica feroz ao sistema, que te faz trabalhar e pensar igual a ele, te tornando preconceituoso, sombrio. “The Guns Of Brixton” outra ode à violência do estado contra os menos favorecidos. “Wrong ‘Em Boyo”, desonestidade, trapaça; você acaba desconhecendo os limites em saber o que é errado. “Death or Glory”, morte ou glória, são apenas opções. “Koka Kola” uma ode às drogas “Coca adiciona vida onde não há”, a propaganda mundana. “The Card Cheat”, a carta na manga que todos temos. “Lovers Rocks” um toque de amor dentro da destruição. “Four Horsemen”, tristeza, miséria, desesperança e ódio, as quatro companhias. “I`m Not Dow”, vitórias diárias sobre nossos desafios. “Revolution Rock”, cover do Jamaicano Dany Rey. “Train in Vain”, promessas não cumpridas.

Que puta disco, nada mais nada menos que foda. Singular em sua forma, arrebatador em tudo.

Quem não conhece, nem merece estar vivo.

Com esse fenomenal disco, o The Clash ganhou o mundo. Não é nem preciso dizer que foi o cartão de visita dos caras neste lado do mundo; abriu as portas do mercado americano e vendeu pra caralho.

Considerado o maior sucesso dos caras, sem perder o caráter revolucionário, o Clash, obrigou a gravadora a vender o disco que é duplo, por preço de álbum simples, para que a mensagem chegassem a todos.

A capa, um caso à parte, a imagem icônica de Simonom arrebentando sua fender ao chão do palco, e a tipografia, uma simbólica homenagem ao álbum de estreia de Elvis. Tão histórico, que virou selo postal em 2010.

Há mais de 40 anos de seu lançamento, um disco revolucionário desde a capa, até as letras e a sinfonia. Um verdadeiro monumento à boa música. Está entre os 500 melhores discos já feitos na lista da Rolling Stone, e em 2007 entrou para lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Fame.

Conheci esta linda conjuntura de músicas, nos meus 16 anos, no longínquo ano de 1996. Desde então, ela faz parte de mim. Foi um verdadeiro soco na cabeça, onde pude receber uma alternativa social em minha vida.

Este disco deu voz aos excluídos e posso considerá-lo uma partitura sagrada do Punk Hardcore. No mais, fica sempre uma pergunta no ar:

Será que existe futuro?

Este texto é dedicado a Anderson Clayton.

*Marcelo Guido é Jornalista. Pai da Lanna Guido e do Bento Guido. Maridão da Bia.

Hoje é o Dia do Guitarrista (meu texto sobre a data e homenagem aos Guitar Heroes)

Hoje, 10 de março, é o Dia do Guitarrista, aquele cara ou menina que nos emociona com solos, riffs e acordes do instrumento mais legal do Rock and Roll. Músicos que nos alegram os ouvidos, coração, alma e mente. Não encontrei a origem da data, mas tá valendo!

A guitarra é o instrumento mais popular e influente na história da música e, é claro, do rock´n roll. O conceito diz: “guitarrista é um músico que toca guitarra. Sejam elas acústicas ou elétricas, solo, em orquestras ou com bandas, em uma variedade de gêneros. Mas a gente gosta mesmo é dos roqueiros doidos, né não?

Tenho uma inveja branca de quem toca, compõe ou canta. Quem faz música é foda! É, são pessoas que fazem a trilha sonora da vida, sejam nas madrugadas em bares enfumaçados, teatros, boates ou palcos ao ar livre que precisam ser festejadas.

Eu poderia falar do espetacular John Frusciante, o performático Slash, Angus Young e sua dancinha muito foda, dos lendários Jimmy Page, Carlos Santana, Stanley Jordan, Body Guy,Robert Cray, David Guilmour, Pepeu Gomes, Bruin May, Eric Clapton, B.B. King e suas Lucis, Eddie Van Halen ou Jimi Hendrix, o “Pelé da Guitarra”, ou até de Robert Johnson, que, segundo a lenda, vendeu a alma para o diabo para ser um guitarrista extraordinário, entre tantos outros guitar heroes históricos, mas prefiro homenagear os bateras amigos. Portanto, meus parabéns músicos:

O Régis, o “Beck” ou “Anjo Galahell”, um dos melhores guitarristas que vi tocar; Alexandre Avelar (o Cabelo); Ruan Patrick (stereo); Ronilson Mendes (Manoblues); Cleverson Baía; Wendril Ferreira da Psychocandy (ex Godzilla); Adriano Joacy; Irlan Guido; Ozy Rodrigues; Geison Castro; Wedson Castro; Sandro Malk; Ewerton Dias; Finéias Nelluty; Weverton Nelluty; Alan Gomes; Israelzinho; Zé Miguel; Edivan Santos (Ito); Ricardo Pereira; “Zezinho”, “O Sósia”; Rulan Leão, entre outros. Enfim (acho que esqueci alguns), todos os meus queridos amigos que tocam o sublime instrumento. “Parabéns!

“Ziggy tocava guitarra…”.

Assista ao vídeo 100 Riffs (A Brief History of Rock N’ Roll) :

Elton Tavares

Guitar Hero – Texto sensacional de Régis Sanches

Régis, o “Beck” ou “Anjo Galahell”, um dos melhores guitarristas que vi tocar – Fotos: Elton Tavares

Por Por Régis Sanches

Hoje me preparei para escrever sobre a vida errante dos guitarristas. Pensei nos menestréis, com seus alaúdes, levando alguma alegria para o festim dos lúgubres burgos ao redor dos castelos medievais. E não poderia deixar de reverenciar a memória de Django Reinhardt, o cigano belga que criou o naipe de duas guitarras, tendo seu irmão Joseph empunhando a base e ele próprio no solo. Reinhardt vestia-se a caráter. Em plena segunda guerra mundial, enquanto os foguetes alemães V-1 e V-2 explodiam nos céus de Paris, sua banda animava os sobreviventes do conflito no Clube de France.

Certa noite, a cidade-luz às escuras, Django retornou para casa, exaurido, após mais um show. Ele deitou-se em sua cama, os fumos do sono o absorveram por completo. Sua mulher havia esquecido uma vela acesa, a tênue chama tremulou e alcançou os lençóis. O guitarrista cigano sobreviveu, mas teve sua mão direita lesionada pelo fogo. Nas raras imagens desse precursor das modernas bandas de rock, podemos vê-lo com as cicatrizes do incêndio. Ele nunca desistiu de retirar das seis cordas o lamento necessário para cicatrizar as feridas da vida.

No início desta manhã, eu estava eletrizado pelo som metálico da minha guitarra. Lembrei de uma frase de Eric Clapton, chamado de Deus em pichações nas paredes do metrô de Londres, no final da década de 1960. “Ninguém consegue tocar blues honestamente de barriga cheia”. Mister Clapton é a alma dos guitarristas, uma espécie de Fênix que sobreviveu a todas as tragédias. Como mestre de George Harrison, roubou a mulher do melhor amigo. Transtornado, mergulhou e emergiu do mundo negro das drogas. Certa ocasião, seu filho caiu da janela do apartamento. Seu coração ficou dilacerado. Mas a resposta veio na forma da sublime “Tears in Heaven”.

O melhor de Eric Clapton pode ser sorvido, ouvindo-o executar a belíssima “White room”, de Robert Johnson. A poesia que descreve a solidão – “um lugar onde o sol nunca brilha/onde as sombras fogem de si mesmas” – só encontra dueto à altura no lirismo poético dos riffs arrancados pela slowhand do velho bluesman.

Poderia citar uma legião de guitarristas: Chuck Berry, B. B. King, Jimi Hendrix, Jimmy Page, Jeff Beck… Seria em vão. Os verdadeiros guitarristas, nós podemos contá-los nos dedos de apenas uma das mãos. Os homens de verdade sabem que há duas coisas no mundo que não se vende, nem se empresta: a mulher e o carro. Incluo no rol a minha guitarra. Pois aqueles que tiveram a sorte de nascer com a alma de guitarrista hão de concordar. Na essência de todo guitarrista, além da sensibilidade, da disciplina e de uma dose exagerada de humildade, existe uma tragédia iminente rondando o destino desses modernos menestréis. Vida longa a Eric Clapton!

Meu comentário: Régis Sanches é o jornalista com um dos melhores textos que conheci na vida e um dos maiores guitarristas que vi tocar (Elton).

Feliz aniversário, Hanna! – @hanna_paulino

Hoje é aniversário da mãe da Lohanna, vocalista das bandas Drusa, Voxx Voyage, Hidrah e Vennecy,  além de broda deste jornalista, Hanna Paulino.

A moça é inteligente, muuuito gente boa, possui alto astral e bom humor invejável, além de bem resolvida. É, a Hanna emana positividade. Ela é uma mulher muito trabalhadora e talentosa. Uma moça jovem, mas muito responsável com seu trabalho e querida por seus amigos.

Com toda certeza, Hanna é a melhor cantora de Rock and Roll do Amapá. A menina é uma verdadeira estrela e tenho o prazer de ser seu amigo, além de fã.

Hanna, queridona, desejo que você siga com todo esse sucesso e que tenhas saúde pra usufruir dele, sempre. Meus parabéns e feliz aniversário!

Elton Tavares

*Texto republicado, mas de coração. 

Discos que Formaram meu Caráter (Parte 45) – “The Stooges”… The Stooges (1969) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Muito bem moçadinha esperta, atuante e atenuante estamos de volta com nossa programação normal, a nave e a cabeça deram pane mas já estão recuperadas e prontas para o serviço. As ondas sonoras continuam muito loucas e o tédio escarlate já pode começar a ruir por que vem ai mais uma porrada sonora, com muito orgulho que trago para vocês:

“ The Stooges” primeiro álbum dos caras do The Stooges, todos de pé e máximo respeito.

Corria o ano de 1969, e o mundo fervilhava em explosões joviais, na França a molecada já havia bagunçado o coreto nas ruas um ano antes, e essa rebeldia que se espalhou pelo mundo, começava a dar muitos frutos positivos. O verão do amor em 1967, conhecido como o “verão hippie” com suas discussões sobre a vida e o por que devemos nos rebelar contra o sistema um verdadeiro caos positivo instaurado.

Dentro desse contexto as bandas de rock começaram entrar em uma fase nova, e os medalhões conhecidos mundialmente como o Led Zeppelin, Pink Floyd , e os Beatles que ainda bem já tinham conhecido o Bob Dylan (O fânio mais incrível do mundo) dentre outros já conheciam as coisas boas que o sucesso podia proporciona, era uma experimentação danada, um progressismo com viradas de bateria e solos intermináveis, uma viajem muito louca que para mim e muitos acabava deixando o Rock muito Progressivo, ou seja chato pra caralho.

Assim na cidade de Ann Arbor no Michigan, caras como Iggy Pop começavam a formar suas bandas , mas tinha um diferencial as letras e as melodias eram para as massas, temáticas comuns e nada muito complicado para se tocar assim o bardo recrutou Dave Alexander para o baixo e os irmãos Ron e Scott Asheton estava formada a espinha dorsal da banda que meteoricamente explodiria em popularidade.

As apresentações eram extremamente insólitas, com Iggy sujo de pasta de amendoim, carne crua e se cortando adoidado a galera ia a loucura, parte se identificando com as letras e outra só xingando a banda mesmo. A adoração por ídolos passava longe daqueles caras.

A banda foi a guerra e em um show em Detroit acabaram sendo vistos por Danny Fields , que tinha ido ver o MC5 (Banda boa pra porra, falaremos dela) e gostou de toda aquela insanidade e simplicidade apresentada por Iggy e seus garotos.

Fechado contrato entre Junho e Julho de 69 os caras entram em estúdio para imortalizar o que já apresentavam no palco, produzidos nada mais nada menos por John Cale do Velvet Underground. Tudo em cima, tudo na paz mas só tinham 5 músicas. Rejeitados pela gravadora que dizia precisar de mais material, precisaram de uma noite para escrever mais 3. Que foda!

Deixando as enrolações de lado, vamos a o que interessa e dissecamos a bolacha:

O disco começa com “ 1969” , a crítica sobre o que não ter o que se fazer, dane se se é ouro ano, o tédio é o mesmo. “ I Wanna Be Your Dog”, a submissão para alguém que se gosta, você a quer mesmo com todos os defeitos. “We Will Fall”, a luta contra seus próprios impulsos. “No Full”, a famosa ressaca moral depois dos excessos, quem nunca ?. “Real Cool Time” a expectativa pelo o que está por vir. “Ann” bela homenagem a pessoa amada. “Not Rigth” ela está certa, muitos acreditam ser para heroína outros para uma garota. “Little Doll” , homenagem para uma group.

Visceral, cru , escroto, reto e direto nada mais nada menos que um disco foda, foda demais.

Nem chegue perto de uma medalha de foda se ousar não conhecê-lo. Os caras simplesmente mandaram a merda o que estava sendo feito e colocaram a verve própria, mesmo que meteoricamente apresentaram ao mundo o conceito clássico do faça você mesmo.

O Rock and Roll não é e nunca foi erudito, é música de protesto, da massa, esses caras foram os que chegaram e mostraram como se fazer.

O disco não vendeu porra nenhuma na época, o que levou os caras pra Los Angeles e o mundo pode conhecer melhor o Iggy Pop, que antes era Iggy Stooges.

Reverenciado na lista da revista Rolling Stone como um dos 200 discos mais importantes de todos os tempos, foi a apresentação de “1969” e “I Wanna Be Your Dog” que ainda hoje são referências.

Se na época o rock sujo, cru e barulhento dos Stooges foi mal compreendido, a banda no decorrer dos anos foi influencia maior de caras como Ramones, Sex Pistols , The Clash, Mudhoney dentre outros e pelos serviços prestados esse disco e indispensável na coleção de quem pretende gostar de rock.

“THE STOOGES” FOI O PONTA PÉ INICIAL DO QUE CHAMAMOS DE PUNK ROCK.

*Marcelo Guido é jornalista, pai da Lanna Guido e do Bento Guido e maridão da Bia.

Banda amapaense de rock lança clipe de música que traz como mensagem a valorização da vida e do ser humano

A banda autoral amapaense de rock alternativo com influências de grunge e indie, a banda VM Rock, lançou nea última sexta-feira (07), às 12h, no YouTube, o clipe do single “Amanhã”. A banda, que tem abordado o tema da valorização da vida e do ser humano desde o seu primeiro trabalho, o EP “Bendita Água”, lançado em 2017, com músicas que falam sobre a renovação da vida e a capacidade da resiliência da humanidade através de sentimentos transcendentais, agora traz o tema também no seu primeiro clipe.

“O clipe é uma materialização da mensagem que a banda VM Rock abraçou nestes últimos anos. Desejamos apresentar através dele uma mensagem de esperança àqueles que estão vivendo ou convivem com pessoas que lutam contra a depressão. Por tanto era necessário um clipe que entregasse, além da letra da música, uma narrativa visual concomitante”, conta Augusto Máximo, vocalista e autor da letra de “Amanhã”.

A personagem principal, interpretada pela modelo e jornalista Vanessa Albino, demonstra estar cansada, abatida e toma remédios para dormir, sintomas de uma crise de ansiedade. Algumas cenas no ambiente familiar demonstram a relação distante entre a personagem, que parece ser uma jovem com problemas com drogas e álcool, e os pais, interpretados pelos atores Julieth Melo e Amiradabe Brito. Vivendo uma crise existencial, a jovem então decide fugir de casa e andar a esmo pedindo caronas pelas estradas, aparentemente sem rumo. No final do clipe, o vocalista Augusto Máximo também entra em cena como um dos personagens da história e o clipe termina com um final feliz e uma mensagem de superação.

Com a produção executiva assinada pelos integrantes Augusto Máximo e Sergiomar Jr., a produção do clipe começou em abril de 2019, em parceria com a empresa de audiovisual Youwide Records. A captação de imagens foi realizada por Ronaldo Costa e Nágila Costa, que além de já terem produzido clipes de outras bandas locais, são amigos de longa data dos integrantes da banda. A edição e a finalização do clipe ficou por conta do experiente Kleber Nasper, que há mais de 20 anos trabalha como produtor audiovisual no Amapá.

“O clipe está lindo, a energia das cenas, a narrativa, tudo está maravilhoso e dá um orgulho muito grande estar nesse projeto. Mas, se eu puder sobressaltar um detalhe em toda essa realização, é que sinto o dever cumprido porque sem sombra de dúvidas a mensagem da música foi fidedignamente passada no clipe”, afirmou Sergiomar Jr., guitarrista da banda.

A banda, que atualmente é formada por Augusto Máximo (vocal), Jaime Lopes (guitarra), Pedro França (bateria), Sergiomar Jr. (guitarra) e Wellison Monteiro (baixo), tem como forte diferencial o trabalho que desenvolve além do palco, algo que surgiu de forma natural na história da banda, mas que hoje é a principal mensagem.

Valores humanos, reflexão sobre os desafios da vida, a banda compõe para expressar através da música o que muitas vezes as pessoas querem dizer, mas costumam guardar para si. E, é falando de assuntos que são tabus na sociedade como depressão e suicídio, que a banda tem lembrado o valor e a importância da vida, principalmente para a geração mais jovem.

Mas tudo começou em 2017 quando a banda foi convidada para participar de um projeto social em uma escola pública, voltado a prevenção do suicídio e combate às drogas. A VM Rock já havia lançado o EP e procurava começar uma agenda de shows quando o convite surgiu. A expectativa da banda naquela ocasião era dar apenas um suporte musical para o evento, mas acabou sendo a principal atração. “Percebemos o quanto nossas letras tinham a ver com o tema e quantas experiências pessoais e próximas tínhamos para compartilhar”, diz Augusto.

O evento abriu caminho para novas oportunidades, culminando até na criação de um projeto da banda chamado “Viva Mais”, que atualmente está na sua quinta edição. “Depois que amadurecemos este trabalho, conseguimos definir o que realmente desejávamos fazer com a banda, tornar essa bandeira a nossa principal mensagem onde tocarmos. Essa proposta desencadeou em novas músicas com esta temática, como a música Amanhã”, conta o vocalista.

No final do clipe, enquanto um pôr do sol se põe ao fundo, aparece o número de contato do Centro de Valorização da Vida (CVV), instituição que realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar.

“A todos que se identificam com a mensagem do clipe, um abraço muito forte de amor e de esperança e saiba que você não precisa sofrer sozinho, compartilhe e busque ajuda”, finaliza o guitarrista, Sergiomar Jr.

Sobre a banda

A VM Rock é uma banda autoral de rock que trabalha em suas letras mensagens de valorização à vida. Fundada por Augusto Máximo e Sergiomar Jr em 2014 na cidade de Macapá (Amapá), mas só iniciou a publicação de trabalhos em 24 de agosto de 2017, começando também com sua agenda de shows e projetos sociais em espaços públicos. Seu nome trata-se de uma proposta rejeitada de título escolhido para um álbum, o primeiro EP deveria ser chamado de “Volume Máximo”, fazendo um trocadilho com o nome do vocalista e idealizador do projeto, Augusto Máximo. Apenas em 2018 que ao nome foi acrescentado “rock”, no intuito de diferenciá-la de demais artistas ou grupos artísticos com o mesmo nome. A banda estreou suas atividades com a música “1 Co 13”, tendo mais de mil visualizações no primeiro mês de seu vídeo de lançamento no Youtube e chegando a tocar em rádios no sudeste do país, como por exemplo a rádio Graviola (Rio de Janeiro), no programa para bandas de rock “Mundo Independente”.

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Por Andreza Gil – Jornalista

Assessoria de comunicação da VMRock

Relato sobre a vez que vi o The Smashing Pumpkins

O ano era 2015. A banda The Smashing Pumpkins se apresentou no palco Onix e fechou o festival do Lollapalooza Brasil.

Billy Corgan, compositor, líder, único membro da formação original do grupo e dono da bola, mandou muito bem. Ele veio acompanhado do guitarrista Jeff Schroeder (na banda desde 2007), pelo baixista Mark Stoermer (The Killers) e pelo baterista Brad Wilk (Rage Against the Machine).

Eu aguardava um show do Smashing Pumpkins desde os anos 90. Eles levaram sons como “Tonight, Tonight”, “Ava Adore, Bullet With Butterfly Wings”, “Disarm”, “Cherub Rock”, Today, 1979, a nova “Being Beige”.

O público estava hipnotizado com a apresentação, muita gente – como eu – foi às lágrimas. Como não chorar? O careca antipático do rock cantou com o coração e a banda tocou de forma perfeita.

Aquela foi mais uma aventura rocker sensacional e emocionante. Já faz cinco anos, mas parece que foi ontem. Entrou para a história Rock and Roll da minha vida. É isso!

Elton Tavares

Sobre a saudosa Drop’s Heroína (primeira banda de Rock formada somente por mulheres do Amapá)

Ontem (8), a cantora (Mini-Box Lunar) e agente cultural, Heluana Quintas, disse na rede social Facebook: “A Rebecca Braga foi a primeira menina da minha cidade que eu vi tocando rocknroll. Faz 22 anos”.

Rebecca respondeu logo: “Eu fui a primeira menina da minha cidade que vi tocando rock and roll. Foi bem difícil, mas acho que cumpri meu papel. E toda vez que apareciam meninas na cena, eu vibrava. Eu tenho vontade de fazer um doc sobre a cena do rock em Macapá”.

A publicação resultou em mais de 40 comentários legais sobre a Bel (minha velha amiga Rebecca Braga) e sua banda dos anos 90, a “Drop’s Heroína”. E resolvi republicar um textinho sobre:

Drop’s Heroína

A Drop’s Heroína surgiu do desejo das, então adolescentes, Rebecca Braga e Aline Castro em formar uma banda diferente, com uma proposta de agressividade teenage. Logo se juntaram a Lenilda e Sabrina. A formação mudou várias vezes. Sabrina deu lugar a Cristiane no contra-baixo, Suellen no teclado, e a última formação contou com Débora nos vocais e Dauci no baixo. A banda lutou contra o preconceito, já que era formada apenas por mulheres – nada convencional no Amapá.

Banda Drop’s Heroína tocando no Projeto Escadaria – Teatro das Bacabeiras (1996) – Foto “queixada” da cantora Rebecca Braga (ex-vocalista da Dro’ps). E lá se vão 22 anos…

A banda foi pioneira no feminismo do Rock amapaense. Suas apresentações eram sempre porretas, dignas de um público fiel que seguia a Drop’s onde quer que as heroínas fossem tocar.

A Drop’s não resistiu à saída da vocalista Rebecca Braga; tentou seguir em frente com uma substituta, mas a coisa não vingou. Apesar disso, a banda inspirou outras meninas e escreveu uma página importante do nosso rock. Ao primeiro grupo roquenrou formado por mulheres de Macapá, nossas saudosas palmas.

Em 2012, no extinto bar “Biroska”, rolou a festa “Noventinha”, com shows das bandas Little Big (eles não tocaram, mas isso é outra história), Drop’s Heroína e Os Franzinos – todas da mesma época. Infelizmente não fui, pois estava no município de Laranjal do Jari a trabalho. Uma pena.

Rebecca, Aline, Cris e Lenilda (acho que é o produtor Júnior Beltrão com elas na foto) – Banda Drop’s Heroína – Imagem “guelada” do Facebook da Lenilda.

Enfim, essa foi uma história vivida por muitos que viveram o Rock amapaense há mais de duas décadas. Aqueles anos ficaram guardados na memória e no coração de todos.

É, vez ou outra, “mascamos o chiclete Ploc da nostalgia” como diz Xico Sá. Falando em citações, existe uma que define a amizade que os integrantes das Little e Drop’s têm até hoje: “Bandas são mais que ajuntamentos de músicos; são reuniões de alma” – Jimmy Page.

Elton Tavares

Como hoje é sexta, sempre lembro do velho Liverpool Rock Bar (Nostalgia Rocker e tals).

Hoje é sexta-feira e toda sexta lembro do velho Liverpool Rock Bar, que foi um dos celeiros do rock amapaense. Fundado no final 2004, pelo seu Nelson e sua filha Vânia, o bar, mesmo sem estrutura, fez sucesso entre os amapaenses que gostam de rock and roll.

O Liver foi, até o final de 2009, o refúgio do underground amapaense. Um bar simples, entretanto, frequentado pelas pessoas mais descoladas da cidade. Na categoria “rocker”, foi o bar de rock mais duradouro da história de Macapá.

O Liverpool tinha mesas de bilhar adoradas por 90% dos frequentadores, bandas legais e tínhamos a certeza que íamos encontrar os amigos por lá.

No Liver iam músicos, skatistas, jornalistas, boêmios, malucos, caretas, homossexuais e heterossexuais. Era um local democrático, muito longe de uma “vibe” ou “point”. Alguns, mais exigentes, apelidaram o local de “Liverpalha”, mas viviam por lá.

Hoje temos locais melhores para curtir som, muito mais estruturados, refrigerados e tals, mas todos nós lembraremos do charme sujo que o Liver possuía. A gente quebrava tudo por lá (às vezes, literalmente). Saudades daquela bodega!

“O Rock é energia, o desejo ardente, as exultações inexplicáveis, um senso ocasional de invencibilidade, a esperança que queima como ácido” – Nick Horby – Romancista inglês.

Elton Tavares

Discos que Formaram meu Caráter (Parte 38) – “Tears Roll Down (Greats Hits 82-92)”…Tears For Fears (1992) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Muito bem moçadinha vivente e alegre deste mundo inebriante e consciente, o espetacular viajante muito louco das ondas sonoras vem com sua nave repleta de histórias, para trazer a vocês mais um disco marcante.

É com muita honra que apresento a vocês:

“Tears Roll Dow”, coletânea que pegou o melhor do trabalho dos caras do Tears For Fears entre os anos de 1982 e 92.

Palmas pra ele!

Formada em 1981 na Inglaterra, pelos remanescentes do Graduate (banda legal) Roland Orzabal e Curt Smith o Tears For Fears (TFF) já gozava de um reconhecimento mundial e sucesso pela extrema qualidade da obra, um dos marcos na segunda invasão britânica nas paradas americanas, que foi promovida pela então recém criada MTV.

Conhecida por ser umas das precursoras no uso de sintetizadores e batidas eletrônicas – onda que varreu o rock nos anos 80 e ficou conhecida como “new wave” -, a banda se mostrou sempre contundente no que fez, seus discos nunca deixaram a desejar, o debut (uiuiui) “The Hurting” (1983) alcançou, logo na primeira semana, o Disco de Ouro nas paradas da terra da Rainha. O segundo, o excelentíssimo “Songs From The Big Chair” (1985), já de cara levou logo multiplatina nos EUA e na Inglaterra, ou seja, o mundo era dos caras.

A fama alcançada, levou-os a serem convidados a se apresentar no “Live Aid” em 1985, o que acabou não rolando por problemas contratuais; eles foram substituídos em última hora pelos rapazes do George Thorogood and the Destroyers. Esta apresentação, que seria histórica, rolaria no JFK Stadium na Filadélfia.

Então como já escrito, material para uma coletânea já existia. Dez anos de banda na crista da onda, com vários sucessos tocados a esmo nas rádios – sim rock tocava na rádio (pasmem) – já me fazia ter um interesse pela banda. Mas era daquelas bandas “música legal, mas quem toca?” (risos).

Conheci esse belo exemplar de bons sons em um velho e bom churrasco (um frango e milhares de latas de antártica), lá por 1996, naquele esquema “escuta isso aqui”. Puta merda, o disco do sol na capa. Sim, confesso meu total desconhecimento até aquele momento sobre os caras. Josean Torres me passou. E eu ouvi, na segunda feira estava adentrando a importadora Nely Monte, onde comprei meu exemplar das mãos do Gilson Rodrigues (o cara mais parecido com meu irmão que eu).

Ao ouvir a primeira “Sowing The Seeds of Love”, me veio a memória afetiva, quase que nítida do clipe que passava na programação da Tv Equatorial, que transmitia a programação da finada Manchete (Jaspion, Jiraya e afins)

Deixemos as lágrimas pelos anos que não voltam mais pra trás e vamos dissecar o elemento sonoro:

“Sowing The Seeds Of Love”, uma destacada canção de amor, mas que fala das várias formas como esse amor pode ser vencedor ou não. “Everybody” “Whants To Rule The Word”, clássica para embalar o namorinho, trilha sonora de muito romance. “Woman in Chains”, a bateria eletrônica já te chama a dançar.

“Shout”, com certeza a porta de entrada para muitos que gostam da banda. “Head over hells”, uma declaração de amor puro, para a pessoa merecedora. “Mad World”, critica a procura pela perfeição, é difícil viver em círculos no mundo louco. “Pale Shelter”, a proteção dada por alguém, mas você não esta satisfeito. “I Believe”, as lições que as dores das derrotas na vida nos passam. “Laid so Low”, até então inédita, foi gravada especialmente para este disco. “Mothers Talk”, as mudanças que o tempo faz você sofrer. “Change”, clássica e dançante, não faltava nas festinhas. “Advice For Young At Heart”, uma relevante ode sobre o tempo.

Genial! Sensacional! Com certeza, alguma dessas músicas já tocaram um período ou mais na vida de cada um que está lendo essas frases tortas que estão sendo escritas.

O cara que não conhece esse disco nem tem que se candidatar a ter uma medalha de foda.

As batidas eletrônicas, mescladas (hummm) com as letras tortuosas dos caras mostraram estar em sintonia perfeita em toda carreira da dupla.

Entre idas e vindas, a banda continuou e continua relevante até os dias atuais. Este disco foi relançado em 2005 com um disco bônus, álbum duplo. Com edições das músicas sendo remixadas, versões novas e atualizadas, mas a icônica capa com o sol está lá.

Antes que falem algo do tipo, “Ah, coletânea não vale”, eu digo: Foda-se! Esta obra está longe de ser um caça níqueis. É um serviço didático para apresentar uma banda do caralho. Um belo cartão de visitas, assim como “Standing on a Beach” (Disco do velho na capa) do The Cure e os The Best Of 1 e 2 do The Smiths.

Este texto é dedicado a todos aqueles que andaram no “Maldito”, um chevette preto que aterrorizou a cidade na década de 1990.

*Marcelo Guido é Jornalista, Pai da Lanna e do Bento, maridão da Bia.

Discos que formaram meu caráter (parte 36) – “Metallica (Black Álbum – 1991)” – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Muito bem moçada, estamos de volta neste obscuro universo dos discos, nesta nave muito louca com este viajante que vos escreve de algum ponto distante da galáxia. Inebriantemente posso dizer a vocês aumentarem o som que hoje é dia de porrada. Com muita honra que eu trago para vocês:

Metallica (Black Álbum) palmas pra ele.

Corria o ano sagrado de 1991, como já disse algumas vezes o ano que todos os deuses da boa música estavam do lado das bandas e providenciaram uma safra imensa de clássicos. 1991 é realmente um marco na história dos bons discos.

E o Metallica foi contagiado por essa nevoa de inspiração e veio com essa bomba (no ótimo sentido) de boas canções.

Já aclamados como uma super banda no universo do Metal e consolidados com uma multidão de fãs no mundo todo, os caras do Metallica já tinham provado a todos que o som pesado era a praia deles, os excelentes “ Kill Em Mall” (1983), “ Ride The Lightning” (1984), “Master Of Puppets” (1986) e “…And Justice For Hall” (1988) não deixavam dúvidas que os caras de San Francisco não brincavam em serviço quando o assunto era bater cabeça.

Mas como continuar arrebentando nas paradas e tendo uma continuação no bem sucedido trabalho sem parecer repetitivo? Talvez com essa dúvida na cabeça os caras voltam ao estúdio para preparar um novo disco. A atenção tinha que ser milimétrica, o metal já começava a ser ameaçado pelo grunge de Seattle e as bandas daqueles caras sofridos com blusa de flanela também já estavam alcançando o mainstrean , o recado era claro, quem não tivesse a coragem de tentar, iria ficar para trás.

Cartas na mesa, opções claras, ficar no mundinho metal e usufruir sabe lá por quanto tempo da confortável posição já conquistada ou partir para novas águas rumo a um desconhecido caminho.

E assim, no dia 12 de agosto de 1991 , os caras surpreenderam os fãs e o mercado da música deixando de lado o Thrash Metal e se colocando de vez no Heavy Metal .

Vamos ao que interessa e dissecar logo esse míssil sonoro:

O disco começa com a sombria “ Enter Sadman”, uma explanação sobre os sonhos ruins. “ Sad But True”, nem todas as verdades são boas. “ Holier Than Thou”, faça sempre uma autocrítica, você não é melhor que ninguém , “ The Unforiven”, até onde podemos culpar alguém que sempre foi sabotado pela vida. “Wherever I May Roan”, opção de ser só, sem compromisso. “Don`t Tread On Me”, para assegurar a paz é preciso estar preparado para guerra. “ Through The Never”, temos fome de estar vivo. “Nothing Else Matters”, nada mais importa, somos o que somos. “Of Wolf and Man”, somos nosso próprio lobo, sempre vagamos. “ The God That Failed”, siga o Deus que falhou. “ My Friend Of Misery” a diversão de um homem é o inferno do outro. “ The Struggle Within”, procure sempre o melhor dentro de você.

Antes de tudo um disco que abre portas, medalha de ouro 18 quilates na categoria “foda”.

Maior sucesso da banda, disco de rock mais vendido de todos os tempos, a banda nunca vendeu menos de 1000 cópias por semana desde o seu lançamento. Todos os 5 singles lançados ficaram entre os 100 mais vendidos da Bilboard.

O que isso quer dizer? Que realmente os caras fizeram bem em se reinventar e quem não tem coragem está fadado à mesmice. Os caras realmente tiraram o pé, mas fizeram um disco ruim? Porra nenhuma.

Confesso que no começo estranhei , mas tive que aceitar e dar o braço a torcer pro trabalho dos caras. Incrivelmente como este álbum me tocou. E sei que muitos começaram a escutar o Metallica depois dele. E se até aquele teu primo esquisito fã de Duran Duran passou a escutar Metallica, paciência.

Foda-se a polícia Headbanger, sim este disco marcou o fim para muitos fãs, mas o começo para milhares. E o Metallica provou ser uma banda autêntica, sem ligar para opinião de ninguém.

Vida Longa ao Heavy Metal.

* Marcelo Guido é Jornalista, Pai da Lanna Guido e do Bento Guido e Maridão da Bia.

Rock’n’roll no Sankofa: bandas Sloth, The Malk e Além do Rádio tocarão no Ensaio aberto

Hoje (6), a partir das 21h, no Sankofa, vai ter Ensaio Aberto. O evento consiste em um grande show de Rock, com apresentações das bandas Sloth, The Malk e Além do Rádio. O piseiro promete ser uma das melhores festas de Rock’n’roll de 2019.

Sobre as bandas

A Além do Rádio é uma banda com uma proposta de fugir do “mais do mesmo” e tocar o lado “B” dos hits das bandas oitentistas. Com um repertório diversificado, eles são muito bons. O grupo é formado por Ewerton Dias (guitarra base e vocal), Fernando Cabral (guitarra solo), Maycon Silva (baixo) e Júnior (jotaerre) na bateria.

A Malk começou sua trajetória em 2001. O nome THE MALK é uma homenagem a Stephen Malkmus, um músico estadunidense fundador da banda americana de rock alternativo Pavement. A banda é formada por Adriano Joacy (guitarra e backing vocal), Rafael Queiroz (guitarra), Nilson Montoril (baixo), Cleyson Paiva (teclados) e Arley Costa (bateria). Já disse e repito, graças aos Deuses e aos demônios do Rock and Roll, os caras voltaram aos palcos.

A Sloth é uma das bandas com mais tempo de trajetória do Rock local, pois foi criada em 1994. Os caras tocam metal e outras coisas. O grupo, que já contou com várias formações, é composto por Paulo Ricardo (vocal), Michel Salvador (guitarra), Rulan Leão (baixo e vocais) e Túlio Mariano, o “Joelhinho” – que comanda a bateria da Sloth desde sua criação.

Sobre o Ensaio aberto

“O ensaio aberto começou na minha casa, com a ideia de fazer um rock and roll na virada do ano de 2009. A princípio, eram só eu e dois amigos: Augusto Zagalo, e o Ariosvaldo Jr (o “Jotaerre”). Mas aí foram chegando alguns vizinhos que curtiam o rock e que também tinham banda, e foram ficando e tocando. Nos anos seguintes, os amigos já perguntavam se faríamos novamente… E assim foi crescendo. Minha casa ficou pequena e a brincadeira mais cobrada.

De lá pra cá, convidamos amigos que têm banda, que cantam, que tocam ou que, simplesmente, querem se divertir com o bom e velho rock and roll oitentista na confraternização de final de ano. Em 2013, foi o último ano que fizemos na minha residência. Uma espécie de despedida do nosso grande amigo Jork Man (foi o último lugar que ele tocou – seu último ‘piseiro’ – no dia 5 de janeiro daquele ano, uma semana depois do ensaio aberto, ele faleceu).

Os demais ensaios passaram a acontecer nas casas de amigos da banda ou de alguns integrantes das bandas, até que, em 2018, conseguirmos realizar a brincadeira no Clube dos Oficiais da polícia.

Excepcionalmente, faremos no Sankofa. Nos anos anteriores, os convidados levavam sua amizade, e sua cerveja pra curtir tudo de graça, mas o evento cresceu e como será realizado em uma casa noturna, é necessário cobrar ingresso”, pontuou o músico Ewerton Dias.

É o que sempre digo: se você quer tocar cover, faça bem feito. E essas três bandas são excelentes, cada uma em seu estilo. Certamente, teremos diversão garantida. É isso mesmo, Rock’n’roll da melhor qualidade na orla de Macapá. Bora lá!

Serviço:

Ensaio aberto, com as bandas de rock Sloth, The Malk e Além do Rádio
Data: 06/12/2019
Local: Sankofa – localizado na Rua Beira Rio 1488, Orla do Santa Inês, zona sul de Macapá.
Hora: a partir das 21h
Ingressos até dia 26 de novembro, por apenas R$ 10 nazis.
Mais informações pelo telefone: 96 98100-4307 (Ewerton)

Elton Tavares