Há 52 anos, os Beatles se apresentaram pela última vez

Foto: Tumblr Bealtes

No dia 30 de janeiro de 1969, uma tarde de quinta-feira fria em Londres, no alto do edifício sede da Apple Records, os Beatles realizaram sua última apresentação para o “público”. Na realidade eles vinham de um trágico período de gravações e ensaios num estúdio londrino, onde gravavam o filme Let It Be. As sessões foram terríveis, pois além da figura de Yoko Ono (grudada em John Lennon 24 horas), a banda estava brigando muito entre si. Desde o Álbum Branco, os quatro já não se entendiam muito no estúdio.

Quando decidiram que Let it Be deveria ser gravado no novo, porém precário Apple Studios, os Beatles também pensaram que poderiam agir normalmente. As sessões no prédio da Apple ocorreram com mais calma, tanto que a ideia de tocar no telhado do prédio veio do próprio Lennon.

Antes, Paul McCartney tinha planejado realizar um concerto no final das gravações. Locais no mundo inteiro foram vistos para o show, porém a maioria deles não havia como, ou estavam com agendas apertadas. Então amargamente, os Beatles decidiram tocar no telhado do prédio. Até Harrison, avesso a shows, gostou da ideia.

Naquela tarde fria, os primeiros acordes de Get Back foram fundamentais para que os moradores dos prédios vizinhos viessem até a sacada para dar uma olhada naqueles cabeludos tocando rock.Os Beatles tocaram nove músicas e durante 40 minutos, até a Polícia bater na porta da Apple e um nervoso Mal Evans tentando explicar que “Os Beatles” estavam tocando no telhado da Apple.

Segundo o livro “The Beatles – Biografia” de Bob Spitz, a polícia nem sequer pediu para acabar com o show, apenas solicitaram que os Beatles abaixassem o volume dos instrumentos, eu disse abaixassem, porém, como eles eram, não houve acordo e o show teve que acabar antes que eles pudessem terminar o set previsto.

As canções tocadas foram:

1. Get Back (1)
2. Get Back (2)
3. Don’t Let Me Down (1)
4: I’ve Got A Feeling (1)
5: One After 909
6: Dig A Pony
7: I’ve Got A Feeling (2)
8: Don’t Let Me Down (2)
9: Get Back (3)

O show foi adicionado ao filme Let it Be e na realidade é o que vale a pena naquele filme. As sessões de Get Back (Let it Be) foram finalizadas, porém os Beatles não deram importância para as fitas, entregando nas mãos de Glyn Jones e depois nas mãos de Phil Spector, que destruiu tudo que eles fizeram, enfiando orquestrações e um solo de guitarra metálico para Let it Be, na qual George odiou.

Após a intervenção da polícia (que precisou ameaçar os funcionários da gravadora de prisão caso não permitissem o acesso ao prédio), os Beatles tocaram durante mais alguns minutos e encerraram o show com “Get Back”.

Foto: Tumblr Bealtes

Paul chegou a brincar com a situação, improvisando a frase “Você está brincando no telhado de novo e sabe que sua mãe não gosta, ela vai mandar te prender”. John Lennon agradeceu ao público presente (e onipresente), com a frase “Quero agradecer em nome do grupo e de nós todos e espero que tenhamos passado no teste”.

Foto: Tumblr Bealtes

Meu comentário: Não lembro onde achei o texto acima, mas o republico aqui há uns 10 anos. Apesar de amar Led Zeppelin e Pink Floyd e Rolling Stones, para mim, os Beatles foram e sempre serão os maiores. O último show, no terraço, foi reconstituído no filme “Across The Universe”, onde a banda que interpretou os caras de Liverpool executou a canção “All You Need Is Love”. Após 52 anos, todos nós ainda curtimos o som dos besouros e sempre precisaremos de amor.

Assista aqui mais sobre esse momento histórico do Rock:

Coletiva Rock Feminino

Por Brenda Zeni

E se você tivesse um leque de informações culturais e técnicas para ajudar a promover o seu som em várias cidades do país?

E se tivesse contato com agentes culturais que estão por dentro da cena de várias cidades no país e pudesse pagar esses agentes com o que você souber e quiser fazer?

Já pensou ter informações pra alavancar o seu trabalho de forma facilitada?

Pois isso está acontecendo nesse exato momento. Nos meses iniciais da pandemia surgiu um grupo chamado Rock Brasil Feminino, reunindo rockeiras de vários estados brasileiros que propõem ações colaborativas voluntárias que vão desde engajamentos online, passando pela construção de turnês em conjunto, até o infinito e além.

É isso mesmo.

As possibilidades são inúmeras quando se tem informação e vontade de realizar. Essa iniciativa teve início lá na pontinha do mapa, no Amapá, com a artista Brenda Zeni, que é rockeira, publicitária, artista plástica, feminista e ativista.

O princípio da ideia veio da dúvida. “E se fossem reunidas outras mulheres do rock tão curiosas, fazedoras e afim de compartilhar conhecimento como eu?”

Assim a ideia nasceu e hoje reúne rockeiras dos mais diversos subgêneros do rock e com uma vastidão de conhecimentos que não se resumem só a comunicação.

Esse grupo que hoje é uma Coletiva, reúne jornalistas, fisioterapeutas, professoras de música, de história, uma publicitária, professoras de inglês, uma engenheira química, designers, uma da área de T.I. e muitas outras formações e competências que se multiplicam se você combinar as parcerias.

Com um endereço online no instagram chamado @rockbrasilfeminino, elas começaram a chamar a atenção de outras bandas e hoje o grupo reúne algumas dezenas de integrantes que propõem ações colaborativas de livre participação e que são levadas a sério. Um dos avisos que são sempre ressaltados é “faça no seu tempo”, se não pode participar da ação, espere a próxima.

Nesse clima de colaboratividade elas chamaram a atenção de Val Becker, jornalista, radialista e umas das fundadoras da Web Rádio – e agora PodCast – Graviola, indicada para o Prêmio Especial do Juri da Associação Paulista dos Críticos de Arte e já levou três prêmios Profissionais da Música na categoria Web Rádio.

Agora a Coletiva faz parte do time da rádio e vai ao ar toda terça feira com o quadro Mundo Pink, que dá uma visibilidade especial às mulheres profissionais da música. Val conta que foi exatamente o fato de ser um Coletiva que chamou sua atenção, pois assim nada fica pesado para ninguém e todas que fazem, fazem porque gostam.

Brenda Zeni, a fundadora da Coletiva, acredita que é essa combinação de competências e vivências que faz com que a Coletiva seja tão rica.

Dessa forma seguem construindo planos para projetar o trabalho de cada uma que esteja disposta a

Se vivo, David Bowie faria 74 anos hoje – Happy birthday, Starman!

Se vivo, David Bowie, um dos caras mais fodas que andaram sobre a terra, completaria 74 anos hoje. Reverenciado pelos amantes do Rock, o velho “Camaleão” possuía status de estrela de primeira grandeza no universo musical. Pois o cara foi um genial louco varrido. David morreu em 11 de janeiro de 2016.

Puta compositor, cantor e músico, David também possuía uma performance peculiar, muita atitude e um visual que encheu os olhos do mundo dos anos 60 pra cá. Com um estilo ímpar, foi o astro de Rock que mais mudou de cara e cabelos na história. Também revolucionou a história dos videoclipes algumas vezes.

Um cara que começou a tocar saxofone aos 12 anos e recusou quando a Rainha da Inglaterra o quis transformar em “Sir”. Para qualquer pessoa, dispensar tal honraria já seria algo inusitado. No caso dele, que é inglês, achei firmeza!

Além de ter feito tantas músicas incríveis e nos presentear com uma das melhores discografias da história, Bowie também foi um sujeito firmeza, pois ajudou vários Brothers em suas respectivas carreiras. Ah, ele também desenhava, pintava, esculpia e escrevia.

Quatro dias antes de morrer, no dia 7 de janeiro de 2016, ele lançou o clipe de ‘Lazarus’, faixa de seu último álbum, “Blackstar”.

Bowie possui uma das melhores discografias de todos os tempos. Aliás, o Camaleão do Rock vendeu mais de 140 milhões de discos em toda sua carreira.

Por tudo que David fez nestas cinco décadas de rock’n’roll e o que ele representa para a história da música, digo: não à toa, ele é um dos meus “heroes”. Ao papa da música pop, rock, arte e cultura, minhas homenagens. E palmas para o cara, que ele foi PHoda!

Elton Tavares

Música de agora: The Sweetest Thing (U2) – com a história do melhor de todos os pedidos de desculpa

Bono Vox, vocalista da banda U2, escreveu, em 1986, a música “Sweetest Thing” para sua esposa Ali Hewson. A canção foi um pedido de desculpas, por ele ter perdido o aniversário da patroa naquele ano.

A música é muito legal, mas bacana mesmo é o videoclipe, sem cortes e com muita cafonice (pois como já disse um poeta amigo meu: o amor é cafona), filmado somente em 1998, para o disco “Best Off”, da banda irlandesa. Com toda certeza, são as desculpas mais criativas e engraçadas que já vi.

No clip, Bono faz um trajeto dentro de uma carruagem, onde ele fica sempre em primeiro plano, como se estivesse em frente a Ali (e realmente está).

Ao fundo, várias situações acontecem, como a aparição dos outros componentes do U2, uma banda instrumental, bonecos gigantes, tudo como se eles estivessem em uma grande parada, com o simples intuito de pedir desculpas.

Reconhecer erros e pedir desculpas é fundamental para aliviar a alma. Se aceitas, ficamos felizes.

Elton Tavares

Assistam o vídeo da canção, com a letra traduzida abaixo:

The Sweetest Thing (A Coisa Mais Doce) -U2

Meu amor, ela me atira como a uma bola de borracha
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Mas ela não me apanha ou detém minha queda
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
A neném tem céus azuis sobre a cabeça
Mas neste eu sou uma nuvem de chuva
Você sabe que ela gosta de um tipo de amor seco
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Estou perdendo você
O amor não é a coisa mais doce?

Eu queria fugir, ela me fez rastejar
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Fogo eterno, ela me transformou em palha
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Você sabe que tenho olhos pretos
Mas eles ardem tão intensamente por ela
Acho que é um tipo de amor cego
(Oh oh oh a coisa mais doce!)

Estou perdendo você…
O amor não é a coisa mais doce?
O amor não é a coisa mais doce?

Rapaz de olhos azuis encontra uma garota de olhos castanhos
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Você pode costurar mas ainda vê o rasgo
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
A neném tem céus azuis sobre a cabeça
Mas neste eu sou uma nuvem de chuva
Você sabe que temos um tipo de amor tempestuoso
(Oh oh oh a coisa mais doce!)

E hoje em dia, como é que se diz “Eu te amo” ?

Ilustração: Milton Keneddy (encontrada na página: http://miltonkennedy.blogspot.com/2010/03/aries-com-ascendente-em-peixes.html)

Sempre que escuto a velha Legião Urbana, entro em um portal do tempo/espaço e a cabeça viaja para um montão de memórias afetivas e pessoas, situações e etc. Música é fogo, nos transporta para antigos lugares e reflexões distintas.

Certa vez, há mais de uma década, em meio às canções (e entre as paixões, como diria Milton), que foram trilha sonora da longínqua adolescência, li um recado da Lorena Queiroz, minha prima “Loloca”, que morava em Brasília (DF) na época e hoje em dia está em Florianópolis (SC). Nele, ela disse: “Aí primo…quando leio estas coisas, até me aperta o coração, também te amo e morro de saudades. Beijo!.” (eu havia deixado na página dela do extinto Orkut duas palavras: te amo).

Vou explicar. Sou um cara cascudo, brabo, encrenqueiro, irônico e genioso, mas também sou amoroso com minha família e amigos. É uma sequência de “eu te amo para cá”, “eu te amo para lá” e assim vai. Isso acontece todos os dias, seja ao acordar e dar um beijo na minha mãe, ao telefone com o meu irmão (que mora em Belém), quando vou à casa da minha avó e digo “eu te amo” a ela e minha tia. Foi assim com várias outras pessoas que amo. Sim, amo uma porrada de gente, graças a Deus!

Não tenho vergonha de dizer “eu te amo”, principalmente quando sinto muita vontade. Sabem por que? Em 1996, meu avô faleceu em um acidente automobilístico. Eu estava em Belém, de férias. Retornei à Macapá e meu saudoso pai estava arrasado. Quando perguntei como ele estava, Zé penha (meu velho) foi categórico:

“Ta foda!”, e um “tá foda” descreve muito bem aquela situação. O que me marcou foi quando ele disse: “Nunca disse ao meu pai que eu o amava e eu nunca mais deixarei de fazer isso”.

Ilustração: Milton Keneddy (encontrada na página: http://miltonkennedy.blogspot.com/2010/03/aries-com-ascendente-em-peixes.html)

Aquilo foi um toque, desde então, não parei de declarar meu amor aos meus. Acredito que precisamos sempre dizer que amamos as pessoas que realmente amamos, seja um parente direto ou alguém que vale muito para você. Muitos lerão isso aqui e vão achar que é frescura ou algo assim, mas parafraseando o velho Renato (duas vezes): “O mundo anda tão complicado. E hoje em dia, como é que se diz: “Eu te amo.”?

Se você é um cara daqueles antigões, que acha isso uma grande besteira, tente bicho, verás como é legal. Afinal, esquisito é não expressar nada, isso sim é bobagem. Então fica a dica, digam “eu te amo” para seus pais, filhos, irmãos, parentes, cônjuges e amigos, se isso for “de rocha”, claro.

Valeu, Nilson. Até a próxima vez!

Homenagem do artista Andrew Punk

Sou razoavelmente bom em escrever textos de parabéns, mas não obituários. Difícil demais falar da passagem de amigos. Na noite de ontem (16), o competente advogado, pai apaixonado de dois moleques lindões, marido dedicado, contrabaixista (membro fundador da banda The Malk), maçon, flamenguista, amante de rock’n’roll, um dos maiores fãs de Cure e Smiths que conheço e brother das antigas da galera, Nilson Montoril Júnior, partiu para as estrelas.

Nilson no canto inferior esquerdo. Foto: arquivo de Elton Tavares

Nilson tinha vencido a Covid-19, após muitos dias de batalha, mas sofreu um infarto e partiu. Eu não era seu amigo de infância, como muitos queridos em comum e nem nunca fui de andar com o Montoril.

Gostava do cara, mas nem sempre foi assim. Na verdade, no final dos anos 90, tínhamos uma antipatia recíproca, natural de gordos boçais e metidos a besta (risos). Adroaldo e Adriano, amigos dele e meus também, sabiam.

Nilson no palco, tocando ao lado do Adriano. Foto: arquivo de Elton Tavares

Certa vez, perguntei ao Adroaldo: “Qual o motivo de vocês andarem com um cara genioso, brigão, safo, porém arrogante?”. O “Astro” disse: “Ele é amigo. Você precisa conhecê-lo melhor”. Realmente, o Nilson, ou “Maisena”, era um cara porreta. E todos os defeitos que eu enxergava nele eram também meus, do mesmo jeitinho. Claro que era rixa abestada, vencida pela convivência e amigos em comum. Sua lista de feitos nobres em prol dos amigos é extensa.

Foto: arquivo de Elton Tavares

Depois, o Montoril virou brother. Mesmo assim, discordávamos quase sempre. Aprendi a gostar dele. E acredito que ele de mim. Em 2004, ele e outros amigos fundaram a The Malk, a melhor banda cover de rock anos 80 e 90 que tivemos no Amapá. A gente ia aonde os caras tocavam. Bons tempos aqueles. Ele era uma espécie de Paul McCartney do grupo: meio rabugento, mas essencial para a organização de shows, ensaios e, consequentemente, sucessos que fizeram na época.

The Malk. Foto: arquivo de Elton Tavares

Lembro dele tocando em aniversários de amigos, no Liverpool, em boates. A gente sempre tava lá. Lembro quando ele se uniu ao Evandro e abriram o escritório de advocacia. Sempre torci pelo sucesso deles. Lembro dele brigando com o Adriano por ter esquecido algum instrumento ou com alguém da banda por um erro, após dias de ensaio. Ele sempre queria fazer o melhor. Tenho lembranças dele me convidando para entrar na Ordem Maçônica ou para um CarnaRock, convites que sempre recusei. O Nilson sabia dos meus motivos, mas não desistia de tentar me incluir.

Nilson com a gente, antes do show do Morrissey. Brasília (DF) – 2015. Foto: arquivo de Elton Tavares

Nos encontramos no show do Morrissey, em Brasília (DF), em 2015. Após um bom tempo, foi legal conversar com o cara de novo. Já no ano passado, a The Malk se reuniu e fez um Tributo ao The Cure. Quando cheguei no Bar do Vila, local da apresentação, Nilson disse:”porra, pensava que tu não vinha”. Como eu poderia deixar de ir? A música sempre nos uniu.

The Malk, em show antológico de 2019. Foto: arquivo de Elton Tavares

Cheguei a conversar com o brother no dia 8 de novembro. Nunca imaginaria que seria o último papo. A verdade é que o Montoril tinha personalidade, não queria e nem tentava ser legalzão e mesmo assim e era “considerado”. Sim, a gente gostava dele. Era um cara muito inteligente, profissional, responsável e absurdamente louco por sua família e amigos.

Minhas sinceras condolências ao professor Nilson, pai dele (amigo de meu avô e de minha família), sua mãe, irmã Débora, sua esposa Aneliza, aos seus filhos Lucas e Gustavo, estendo aos demais familiares e amigos enlutados.

Com o Nilson, em 2016, no TRE/AP.

Posso viver muito, mas nunca vou me acostumar com a partida de alguém querido. Quando chega o momento, sempre concordo com o escritor Mario Quintana: “a morte chega pontualmente na hora incerta”. Imagino como estão os seus amigos que eram mais amigos dele do que eu. Se aqui já doeu, alvará neles. Li o post do Marco Leal no Facebook e doeu mais um pouco. É assim mesmo.

A morte do Nilson dói, pois além da partida de um cara bacana, morre parte do passado, de nossas memórias afetivas. O fato é que sentiremos saudades. Hoje é um dia Triste. Até a próxima vez, Montora. Que tu sigas na paz e pela luz.

Elton Tavares

O dia em que esquentei a cerveja do Arnaldo Antunes na B*****ta – Por Jack Carvalho – @JackeCarvalho_

Por Jack Carvalho

2013 foi um ano incrível para todo macapaense fã de música. O Festival Quebramar, maior evento de música do norte do país totalmente free, trazia nada menos que Arnaldo Antunes, Emicida, Curumin e muitos outros artistas massa. E nesta edição, eu fiquei responsável por coordenar o funcionamento dos camarins.

Aos poucos, cada produtor foi mandando a lista de exigência que tínhamos que providenciar para atender aos pedidos dos artistas. Emicida, por exemplo, pediu chá verde. Outros pediram Red Bull. O Edgar Scandurra pediu whisky. E o Arnaldo pediu cerveja. Muitas packs de cerveja. O problema era adequar esses pedidos ao orçamento disponível para o camarim. Em alguns casos, eu mesma preparei em casa diversos itens das listas, como suco, bolo e o chá.

Público da primeira noite do Festival Quebramar – Foto: Cobertura Colaborativa

Assim consegui equilibrar os gastos e garantir todos os itens. Faltando 1 dia pro início do festival, peguei as listas e fui ao supermercado comprar o que não dava pra fazer, pra no dia seguinte já ter tudo pronto pra quando o festival começasse. Tudo certo na sexta e sábado. Todos os pedidos foram e atendidos e os artistas ficaram satisfeitos.

No domingo era o dia de tocar Curumin e Arnaldo Antunes. Cheguei cedo no palco no pé do muro da Fortaleza de São José e comecei a limpar e arrumar as mesas dos camarins. Coloquei todas as bebidas no gelo, arrumei as pedras pras doses de whisky, petiscos, entre outros detalhes. As primeiras bandas começaram a tocar logo cedo, umas 19h40. Em seguida começaram a chegar os integrantes da banda do Arnaldo. Recepcionei o grupo me apresentando como responsável pelo camarim e que caso precisassem de algo era só chamar. E chamaram!

Foto: blog Galera do Rock (http://glrdorock.blogspot.com/2013/12/resenha-festival-quebramar-2013.html)

Minutos depois que a banda se instalou na sala reservada pra eles, a produtora do Arnaldo Antunes perguntou: – Cadê as Heinekens naturais? Eu dei uma de João sem braço e disse que não tinha sido especificado. Ela puxou a lista do bolso e mostrou: – Olha aqui, são 6 long necks naturais. Ele não pode beber nada gelado antes e durante o show. Ou seja: FUDEU!

Foto: blog Galera do Rock (http://glrdorock.blogspot.com/2013/12/resenha-festival-quebramar-2013.html)

Minha primeira reação foi de sair e ir comprar nos bares da Beira Rio. Mas eu estava muito distante pra deixar tudo e ir comprar cerveja. O jeito foi tirar as 6 long necks da cuba e tentar “amornar” as cervejas. Olha o trampo da porra. Nisso, eu e mais duas pessoas que auxiliavam no camarim, cada uma pegou uma long e começou a esfregar na mão. Essa porra não vai esquentar.

Então tive a ideia de botar a cerveja entre as pernas. Isso mesmo: na B****ta pra ajudar a esquentar mais rápido. E aja esfregar a garrafa igual o Aladdin. E eu pensava: esse porra vai ter que tocar O Pulso. E aí dele que não faça um show bacana. Bicho, essa porra tá queimando feio aí embaixo. Foram longos minutos gelados aonde se costuma a ser bastante quente, diga-se de passagem. Ainda ligamos ventilador do carro no modo quente pra ajudar o processo. Da feita que a cerveja ia amornando, alguém levava no camarim e ele bebia.

Foto: blog Galera do Rock (http://glrdorock.blogspot.com/2013/12/resenha-festival-quebramar-2013.html)

Conseguimos esquentar as 6 heinekens antes dele entrar no palco. Confesso que algo ficou dormente por alguns minutos, mas depois que ele começou a tocar A Casa é Sua, o corpo esquentou e tudo voltou ao normal. E lá estava o Arnaldo Antunes tomando cerveja quente, no copo on the rock que meu pai tinha ganhado de brinde da Monte Casa e Construção um zilhão de anos atrás. E tudo pra dizer que: missão dada é missão cumprida!

*Jack Carvalho é jornalista e Mestre em Ciências da Comunicação.

Cinco anos do show de Morrissey, em Brasília

Steven Patrick Morrissey, tido para muitos como o maior inglês vivo, fez um show dia 29 de novembro de 2015, em Brasília (DF). A apresentação rolou na casa de espetáculos NET Live. Eu e um grupo de amigos, irmão e cunhada, estávamos lá. Foi um daqueles momentos únicos na vida. Há exatos cinco anos e um dia.

Com sua inconfundível voz, topete, dancinhas e jeito marrento, Morrissey fez uma apresentação para fãs de sua carreira solo. Mas também levou três canções dos Smiths, sua antiga banda.

Nós ficamos na Pista Premium, pertinho da lenda viva do rock alternativo britânico. Foi um lance quase inacreditável, pois passamos a vida cultuando o artista e ele tava ali, a metros de nós. Muito doido!

O show iniciou às 21h30. O cantor, ex-integrante da banda Smiths, abriu logo com Suedehead, um de seus maiores sucessos.

Para os fãs somente dos Smiths, o repertório talvez tenha decepcionado, mas Morrissey já fez o mesmo em outros shows dessa turnê, denominada “World Peace Is None of Your Business”, aliás é o mesmo nome de uma das canções executadas no show.

Mas Morrissey possui uma carreira solo sólida e de muito sucesso. Não à toa a casa de shows estava lotada com um público ávido por escutar suas canções. E teve de tudo, desde o cara tirar a camisa e jogar para a plateia a ativismo contra o consumo de carne (o cantor inglês é vegetariano e acredita que matar animais para consumo é assassinato).

Suedehead, Everyday Is Like Sunday, First of the Gang to Die e This Charming Man levantaram o público e matou a sede até dos que queriam escutar Smiths.

Com 30 anos de carreira e 56 de idade (na época), Morrissey se recuperava de vários problemas de saúde, o mais grave é um câncer no esôfago, mas apesar disso, o cara mandou muito bem, pois foi um show de 2h10 de duração, cheio de energia, atitude e talento, muito talento. Mas dizer isso deste ilustre britânico é uma redundância tremenda.

Estou muito feliz por ter vivido aquilo, principalmente com o Emerson (meu irmão), Andresa (cunhada), Anderson, Adê, Cid e Patrick, todos companheiros de aventura, viagem e grandes amigos nessa doideira que é a vida. É, trabalhamos muito, mas fazemos o que amamos. Com toda a certeza, um domingo inesquecível.

Ah, outra coisa muito legal é que fotografei um dos maiores mitos da história do rock e constatei que, definitivamente a Rainha Não está Morta. Vida longa ao Moz!

Elton Tavares – Texto e fotos

Sobre tardes de sábado, luthiers e contrabaixos – Crônica de Manoel do Vale

Foto: Manoel do Vale

Crônica de Manoel do Vale

16h15.

Abro a grade do portão com os olhos procurando uma nuvem no horizonte que anunciasse chuva ou um tempo mais fechado. Nada, além umas patéticas nuvens esparsas ordenadas em finas colunas, se diluindo no azul, como se fossem as costelas de um carneiro bem magro.

Calculei tempo de deslocamento de bike do Centro até à rua Socialismo, indo pelo Pantanal, no Renascer. A missão: chegar à oficina do Helder Melo.

Baixista com lugar na história da trilha sonora da cidade de Macapá (e região amazônica), Helder é um dos mais novos e dedicados profissionais da luthieria aqui na cidade, arte que o ajudou a superar as crises e garantir saúde e uma renda que lhe assegura investir mais e melhor no oficio que é também uma paixão.

Foto: Manoel do Vale

Um amigo me presentou (compulsoriamente) com um meio zoado violão esquecido em meu ap. Gosto de violões e olhar aquele coitado pedindo um dono cortava meu coração. Decidi adotá-lo, pois estava precisando de cuidados profissionais. E isso faz um tempo já.

Tempo limpo, empenhei pedalada ao Renascer, onde iria dar vida nova ao instrumento. Pelos cálculos dava pra ir e voltar antes do apagão que aterroriza a cidade após cada novo crepúsculo.

Helder mora em uma casa de tez sóbria, onde as plantas ocupam bom espaço. Ali ele vive com a mulher e um filho e mais uns 30 instrumentos, entre contrabaixos e violões.

Foto: Manoel do Vale

O contrabaixista que desponta como um profissional de time grande na luthieria local, faz parte da história moderna da música amapaense, que, em meados da primeira década deste século, quando o rock e suas ramificações e influências caiam feito chuva na cabeça da juventude (hoje na faixa dos 40 anos) que botou o Amapá na trilha dos festivais, com Quebramar e Amapá Jazz, duas grandes vitrines da música do amapaense, e seu portal de acesso às experiências exteriores na cena da música contemporânea brasileira e mundial.

Legal quando você vai à oficina do profissional e lá o vê emergir do fundo de todos aqueles elementos que compõem seu universo, onde conserta e cria contrabaixos e também vai dar um up no meu combalido violão.

Helder Melo – Foto: Manoel do Vale

Em seu diminuto universo, Helder Melo falou de atitude, paixão e ídolos na constelação dos luthiers e me mostrou o som diferente de uma peça que ele estava trabalhando, uma aquisição totalmente restaurada. Tocou este e mais um baixolão. Instrumento que nunca tinha visto de perto.

Sai de lá pensando e fazer música.

Site De Rocha completa 11 anos no ar

Parece que foi ontem, mas já faz 11 anos. O ano de 2009 foi bem legal, mas as duas coisas que mais gostei nele foram o show do Radiohead e a criação do blog De Rocha.

Incentivado por uma ex-namorada, comecei escrever na página virtual. Foi no dia 15 de novembro, há exatos 11 verões e um dia.

A gíria “De Rocha” nomeia este site porque nós, grande parte dos nortistas amapaenses e paraenses, a usamos quando queremos passar credibilidade sobre determinado assunto.

Na página, sempre publiquei fotografias, notícias, músicas, poesias, futebol, crônicas, contos, gifs, informes sobre fatos, eventos, pessoas públicas, bandas, arte, muita arte, e assuntos de interesse da população.

A promoção da cultura, em todas as suas vertentes, sempre foi o principal objetivo do De Rocha, além de expor meus pontos de vista, críticas leves e pesadas ou elogios amenos e exagerados aos que merecem. Foram tantos artistas, músicos, bandas, incontáveis eventos. Também publiquei textos do trampo por onde passei como assessor de comunicação. Além disso, falei muito da minha amada e preciosíssima família. E isso tudo misturando blá-blá-blá abobrístico, pois a vida sem humor é horrível.

Apesar da “internet soviética”, como diz o amigo jornalista Régis Sanches (ex-colaborador deste site), dos acusadores, fiscais e críticos, o De Rocha virou sucesso. Confesso que, quando comecei a escrever, nem imaginava que minha página virtual seria tão bem aceita. Isso aqui abriu portais, portas, janelas, gavetas e até alçapões em minha vida (risos).

Sei que rolou muito atrevimento, ironia, polêmicas, sarcasmo, verdades doloridas de se ler, alfinetadas, acidez e até bobagens de minha parte. Mas também rolou tanta homenagem, tanto amor real, tanta coisa legal. Claro que cometi alguns erros, não poderia ser de outro jeito. Mas tudo é aprendizado. Me arrependo de ter magoado algumas pessoas. De verdade!

Por aqui passaram vários colaboradores. Alguns deles nem são mais meus amigos, mas sou grato pelas contribuições. Cada um teve papel importante na formação deste espaço. Também agradeço aos parceiros que continuam por aqui. Em especial aos amigos Fernando Canto, Ronaldo Rodrigues, Jaci Rocha, Patrícia Andrade, Alcinéa Cavalcante, Luiz Jorge, Marcelo Guido e Marcelle Nunes, além do velho e saudoso Tãgaha Luz (In memoriam). Ah, os caras que fazem a manutenção do boteco: Rômulo Ramos e Laerte Diniz. Obrigado, meninas e caras.

O blog morreu há seis anos, quando foi criada esta página eletrônica (dados do antigo endereço foram migrados para cá). Passado todo esse tempo, mantenho-me como comecei: jornalista, assessor de comunicação, compulsivo por atualizações da página, cronista, crítico, ex-blogueiro e editor de um site ético sem rabo preso com ninguém (apesar de muita gente confundir o espaço dado a amigos assessores com favorecimento).

Tenho a ousadia de usar as palavras do escritor Caio Fernando Abreu: “acho que fiz tudo do jeito melhor, meio torto, talvez, mas tenho tentado da maneira mais bonita que sei”. Uma eterna luta do bem contra o mal dentro de mim, mas com 99% de vitórias da luz.

Ah, desculpem os palavrões em alguns textos, mas isso também é liberdade de expressão.

Muitas das crônicas de minha autoria foram reunidas em um livro, o “Crônicas De Rocha – Sobre Bençãos e Canalhices Diárias”, lançado em setembro passado (à venda na Public Livraria ao preço de R$ 30,00 ou comigo. Contato: 96-99147-4038).

Aqui a bola sempre foi minha. Você pode discordar, mas é isso o que penso e ponto. Com essa frase, agradei a maioria. Meu muito obrigado a vocês, senhores e senhoras que compõem o leitorado do De Rocha, sejam admiradores, críticos e detonadores (que de certa forma também são admiradores). Sigamos aplaudindo, criticando, discordando e incentivando as boas práticas. Valeu!

Elton Tavares

Discos que formaram meu caráter: 25 anos de lançamento do disco “Lavô tá Novo” – Raimundos (1995) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Salve moçada! Encarcerados em casa por uma boa razão, fiquemos ligados porque o bicho tá pegando! O viajante das notas, solos e riffs vem de longe com sua nave, munido de máscaras, álcool gel e sons para falar de mais uma bela bolacha sonora. Apertem os cintos e aumentem o som para:

“Lavô tá Novo”, o segundo trabalho dos caras dos Raimundos. Podem ficar de pé e aplaudir.

Corria o ano de 1995, o Brasil vivia a ressaca do tetra, Romário era o melhor do mundo e caía nos braços da nação rubro negra, o Real valia pra caralho e o povo tinha elegido o ministro responsável pela bonança; eram os primórdios do governo FHC.

No campo musical, o rock estava batendo de frente com axé e sertanejo nas rádios e na televisão, uma enxurrada de bandas boas de todo lugar do Brasil fazia a molecada bater a cabeça sem parar, nas festas, bailes e afins.

Vivendo os louros conquistados pelo lançamento do primeiro disco (que já falei aqui), os Raimundos viviam a tensão do segundo disco. Sim, o fantasma da cobrança assombrava os caras; é difícil lançar um trabalho tão relevante quando o primeiro é muito bom. Seria os Raimundos uma banda de um disco só? A história provou o contrário.

Entre junho e setembro de 1995, Rodolfo, Fred, Digão e Caniço entraram em estúdio, cheios de moral com a gravadora e recrutaram Mark Dearnley, que já tinha no currículo Ozzy, AC/DC e Motorhead. Ou seja, o som seria porradaria novamente.

As letras magistralmente escatológicas, com a mistura do forró com hardcore e a participação do sanfoneiro Zenilton deixam claro que essa era a marca da banda: ousar sempre.

Em 2 de novembro de 1995, o disco saiu para ganhar o imaginário coletivo e consolidar a banda como um dos expoentes da nova safra roqueira no país do futebol e carnaval, os Raimundos realmente tinham vindo para ficar.

Deixemos as chorumelas de lado e vamos logo dissecar esse belo apetrecho musical:

O disco começa a mil por hora com “Tora Tora”, com um riff seco no começo e cheia de referências à maconha, ensinava a manha da ariranha que proibia de contar pro pai, e diz que vem ele não vai. “Eu quero ver o oco”, gíria dos calangos do cerrado para confusão, história de opalão. “Opa! Peraí, Caceta”, ela gosta do saco grande porque quando balança enche o cu de terra, menção honrosa ao herói Sidney Magal. “O Pão da Minha Prima”, cover do Zenilton, homenagem a prima gostosa. “Pintando no Kombão”, história de uma certa perua que carregava as bandas de Brasília. “Bestinha”, saga de uma mina novinha, mas muito pra frente.

“Esporrei na Manivela”, clássico da 5º série. “Tá Querendo Desquitar”, outro clássico do Zenilton, a história de seu Vavá com uma nova roupagem. “Sereia da Pedreira”, a saudade plena daquele amor sujo e escuso e gostoso. “I Saw You Saying (That You Say That You Saw), a dificuldade de se encontrar a Madonna, e não saber falar inglês. “Cabeça do Bode”, uma larica selvagem, tem a participação do X. “Herbocinética” uma homenagem à erva.

Putaquepariu que disco foda! Redondinho da primeira à última música.

Com certeza um dos discos que eu mais ouvi em toda minha vida e, com certeza – de novo, moldou não só o meu caráter, mas o de muitos que ouviram.

Mais de 400 mil cópias vendidas logo de cara; se algum cristão não conhece nem deve sonhar com medalha de foda.

Este disco mostrou que os Raimundos não eram aquela banda engraçadinha que seria só uma febre de um verão; afastou os caras do grande público pop, que se pauta em modinhas (sorte dos Mamonas Assassinas que ficaram com eles), tornou os moleques de Brasília uma consolidada banda de respeito, e provou sim que os caras realmente tinham um caminhão de hits.

Tanta referência à maconha, quase fez o disco se chamar “Dedo Amarelo”, sinceramente não entendi (risos).

Um dos melhores discos de rock já feitos no Brasil; didático, aprendemos nele que o coletivo é muito bom pra nossa raça, que em inglês ovo é egg , que a rainha do pop não entende uma palavra em português, a manha da ariranha e que falar da vida alheia é feio.

Hoje, há exatos de 25 anos e um dia de seu lançamento, continua sendo um dos pilares do hardcore.

É por isso que os Raimundos nunca vai se acabar.

Escute no volume máximo.

* Marcelo Guido é jornalista. Pai da Lanna Guido e do Bento Guido. Maridão da Bia.

Como hoje é sexta, sempre lembro do velho Liverpool Rock Bar

Hoje é sexta-feira e toda sexta lembro do velho Liverpool Rock Bar, que foi um dos celeiros do rock amapaense. Fundado no final 2004, pelo seu Nelson e sua filha Vânia, o bar, mesmo sem estrutura, fez sucesso entre os amapaenses que gostam de rock and roll.

O Liver foi, até o final de 2009, o refúgio do underground amapaense. Um bar simples, entretanto, frequentado pelas pessoas mais descoladas da cidade. Na categoria “rocker”, foi o bar de rock mais duradouro da história de Macapá.

O Liverpool tinha mesas de bilhar adoradas por 90% dos frequentadores, bandas legais e tínhamos a certeza que íamos encontrar os amigos por lá.

No Liver iam músicos, skatistas, jornalistas, boêmios, malucos, caretas, homossexuais e heterossexuais. Era um local democrático, muito longe de uma “vibe” ou “point”. Alguns, mais exigentes, apelidaram o local de “Liverpalha”, mas viviam por lá.

Hoje temos locais melhores para curtir som, muito mais estruturados, refrigerados e tals, mas todos nós lembraremos do charme sujo que o Liver possuía. A gente quebrava tudo por lá (às vezes, literalmente). Saudades daquela bodega! (aliás, nestes tempos de pandemia, saudades de qualquer bar).

“O Rock é energia, o desejo ardente, as exultações inexplicáveis, um senso ocasional de invencibilidade, a esperança que queima como ácido” – Nick Horby – Romancista inglês.

Elton Tavares

POP FANTASMA apresenta SKIPP is DEAD, “Blast off!” – @SkippIsDead Via @popfantasma_

Foto: Victoria Bastos/Divulgação

É possível contar uma história num formato compacto como o de um EP? O músico amapaense radicado em São Paulo SKIPP is DEAD procura fazer isso nas cinco faixas de seu lançamento de estreia, Blast off!.

O disco conta a história de um pirata espacial refugiado de uma guerra intergaláctica. Utiliza para isso uma gama musical que inclui influências do indie rock, da linguagem chiptune (que reproduz sons de antigos videogames) e até da música do Amapá (o marabaixo, manifestação folclórica local, dá o ritmo em Kessler syndrome, e tem um zouk, ritmo da fronteira do Amapá com Guiana Francesa, em Venus in flames). Mas SKIPP esclarece que a ideia não é fazer um disco conceitual formal.

“Eu queria contar uma história através de música, mas sem fazer das músicas reféns de uma narrativa. Dito isso, eu resolvi usar o EP como um elemento dentro da história, e não necessariamente a ferramenta principal que narra os acontecimentos”, conta SKIPP. “A ideia é que os eventos da história sejam contados por meio das redes sociais e outras mídias de apoio como videoclipes, imagens promocionais, curtas e até outros singles. Quem acompanha pelo instagram, por exemplo, já está a par do plot principal envolvendo a maligna Corporação H3, que caça o Pirata Espacial e tenta a todo custo censurar o seu barulho”.

SEM ‘ERA UMA VEZ’
Para conseguir chegar a esse resultado, ele ouviu muito o clássico The rise and fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, de David Bowie (1972), mas outras influências foram importantes. “Eu aprendi muito com Gorillaz sobre como narrar uma história em um disco, sem o auxílio de um ‘era uma vez’ literal nas letras”, conta. “Mas sou muito fã de sci-fi em geral, então muitas referências vieram de inúmeros lugares que não só a música. Posso citar como referências cinematográficas Blade runner, 2001: Uma odisséia no espaço, além de uma infinidade de filmes B que eu andei assistindo durante o processo”, conta. Jogos como The outer worlds e Elite dangerous também ajudaram a imaginar a história.

O disco tem poucos convidados (Bruno Mont’Alverne tocou baixo nas duas primeiras faixas) e coube a SKIPP tocar e programar praticamente tudo. Mas ele ainda precisou imaginar e reimaginar o projeto para a internet. “Esse projeto já estava pronto antes da pandemia. Porém eu tive que adaptar algumas coisas para funcionar nas interwebs, já que a ideia inicial era fazer uma ponte que ligasse os shows e o material digital”, conta SKIPP. Aliás, para construir a sonoridade do disco, ele usou simuladores de “sintetizadores analógicos, arpeggiators e inúmeros filtros que tentam aproximar o som ao que era ouvido nas antigas TVs de tubo, ou nos falantes de Gameboys”.

STROKES DO BREGA?

Blast off! ainda tem o tal lado indie rock – e por acaso, SKIPP is DEAD é conhecido como o “Strokes do Brega”. A referência à banda novaiorquina vem de outros projetos do músico.

“Desde que cheguei em São Paulo eu faço parte de uma banda chamada The Strokes Cover BR, cover oficializado pelo Julian Casablancas”, conta SKIPP. “Digamos que oito anos tocando Strokes por aí mexem com a cabeça de um ser. Então a parte guitarrística do EP conta com riffs e arpejos que se complementam de forma polifônica, o que é característica da banda. Mas que também tem muito a ver com a linguagem do chiptune que eu tanto amo”.

Pega aí Blast off!, com SKIPP is DEAD, e o clipe da faixa de abertura, Primal instincts.

Fonte: Pop Fantasma

Amigos organizam noite de autógrafos do livro “Crônicas De Rocha” na Banca Rios Beer Cervejaria

Para quem não pôde participar do lançamento do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, terá uma nova oportunidade de estar com o autor, jornalista e escritor Elton Tavares, na próxima quarta-feira, dia 14, na noite de autógrafos que um grupo de amigos está organizando, a partir das 19h, na Banca Rios Beer Cervejaria. O músico Patrick Oliveira, da banda stereovitrola, fará participação especial no evento.

A ideia é criar um ambiente agradável para que os interessados em adquirir o livro possam pegar o autógrafo e trocar ideias com autor, tudo de acordo com os protocolos de segurança para prevenção da Covid-19. A cervejaria possui área externa bem apropriada para um bate-papo molhado, com cervejas artesanais produzidas pelo proprietário Igor Maneschy, ao som de uma boa música, enquanto aguardam a vez de ter em mãos a obra recém lançada.

Sobre o livro

“Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias” é um compilado das vivências do autor e de experiências próprias ou de terceiros que há mais de uma década alimentam o site “De Rocha”, que nomeia o livro. As crônicas falam de tudo, trazem muito das tradições nortistas, peculiaridades da cultura e literatura amapaense, absorvida e canalizada para o contexto regional e pessoal do jornalista, com seu jeito muito peculiar de contar a nossa história ou relatar uma situação pessoal inusitada.

Elton Tavares conta que o projeto foi idealizado pelo jornalista Tagaha Luz (em memória), que já partiu para as estrelas, e prefaciado pelo escritor e seu amigo pessoal, Fernando Canto, com ilustrações do cartunista Ronaldo Rony e diagramação do designer Adauto Brito. A obra foi impressa com o apoio do senador Randolfe Rodrigues, revisada pela jornalista Marcelle Nunes, com apoio técnico da bibliotecária Leididaina Silva e da jornalista Gilvana Santos.

É leitura fácil, agradável e que logo faz com que o leitor se identifique com algumas das narrativas contidas no livro. Quem já leu garante que não é fácil parar. Então, não perca essa oportunidade de comprar e se deliciar com uma produção feita com muito carinho e de pura emoção do “Godão”, como carinhosamente é chamado o autor.

A Banca Rios Beer fica localizada na Av. Mendonça Furtado, 1773, no bairro Santa Rita, entre as Ruas Professor Tostes e Manuel Eudóxio.

Sobre a Banca Rios Beer

A Banca Rios Beer é a melhor cervejaria de Macapá. Lá você encontra rótulos como Weiss’s, IPA’s, Pilsen’s, Stout’s, Porter’s, Witbier’s, entre tantos outros disponíveis na carta diversificada da loja. Mas não para por aí: além dos melhores chopps de variados estilos (Tropical Stout, West coast IpA, English bitter, session IPA maracujá e mel, American Pale Pale, blond Ale e a incomparável sour taperebá – carinhosamente apelidada pelos fãs de “taperebrew”) – e mais de 50 rótulos de cervejas nacionais e importadas, a Banca também conta com kits que são ótimas opções para presentear quem se gosta.

Serviço:

Noite de autógrafos do livro “Crônicas De Rocha”, de Elton Tavares.
Atração musical: Patrick Oliveira (da banda stereovitrola).
Local: Banca Rios Beer fica localizada na Av. Mendonça Furtado, 1773, no bairro Santa Rita, entre as Ruas Professor Tostes e Manuel Eudóxio.
Hora: a partir das 19h.
Data: 14 de outubro de 2020 (quarta-feira).

Texto: Gilvana Santos.
Arte: Beatriz Santana.