Garoto do projeto Escolinha de Futebol do Jardim Açucena participará de peneira do Vasco da Gama

Geanderson Oliveira, 11 anos

Agitado, ansioso e com brilho no olhar de quem foi selecionado para participar da peneira do clube de futebol carioca Vasco da Gama, em janeiro de 2019, o garoto Geanderson Oliveira, 11 anos, não esconde a felicidade. Mas ao ser perguntando se acha um bom jogador, ele responde: “Ninguém pode se achar bom, tem que ter fé e estudar para conseguir alcançar seus sonhos”, revela o aluno do projeto Escolinha de Futebol do Residencial Jardim Açucena, que é executado pela Prefeitura de Macapá no próprio habitacional.

Entre os amigos da escolinha, Geanderson ganhou um apelido, é conhecido como Neymarzinho, uma referência ao atleta e ídolo brasileiro, o jogador Neymar Júnior, que atualmente é titular da Seleção Brasileira e atua no Paris Saint-Germain Football Club. O projeto funciona há dois meses dentro do Jardim Açucena e faz parte do Plano Conviver Bem, que consiste em integrar as famílias que residem no local em um ambiente harmônico.

O professor dos 60 alunos é Benedito Silva, que também é morador do residencial e ministra as aulas às terças e quintas-feiras, nos períodos da manhã e tarde. Para participar do projeto, os alunos precisam ter bom rendimento na sala de aula e recebem uma cartilha de direitos e deveres para poder se manter. As chuteiras, meiões, caneleiras, shorts e uniformes são todos custeados pela prefeitura. Os alunos também contam com acompanhamento pedagógico.

“Neymarzinho tem uma disciplina e uma alegria maravilhosa, além da habilidade. Estávamos aqui treinando e um olheiro do São José Esporte Clube o enxergou e viu a possibilidade do garoto, e ele foi selecionado. Espero que mais garotos também possam ser vistos, nossa dedicação é intensa”, afirma o professor. Em janeiro, ele embarca para o Rio de Janeiro e passará por todas as etapas para tentar alcançar o sonho de ser jogador profissional.

Com apenas 1,20 de altura, estudante do 5º ano da Escola Estadual Reinaldo Damasceno, “Neymarzinho” diz que é um bom aluno. “Tiro boas notas, mas o que quero é que esse sonho dê certo, estou muito feliz em poder representar meu estado no Rio de Janeiro, meu pai irá junto comigo, é um começo. Agradeço a todos do projeto que estão nos apoiando”, enfatiza.

Cursos do Plano Conviver Bem

Os cursos ofertados serão variados para geração de emprego e renda. São eles: artesanato em sandálias; design de sobrancelha e embelezamento de cílios; salgadeiro; confeitaria básica; básico de corte hidratação e escova; eletricista de baixa tensão; básico de corte e costura; Escolinha de Futebol; confecção de bonecas e animais de pano; forno e fogão: cozinha do dia a dia; depilação; unhas artísticas; educação ambiental e patrimonial; oficinas educativas; oficina de teatro; oficina de reaproveitamento de garrafas pet e oficina de capoeira.

Lilian Monteiro
Assessora de comunicação/Semast
Contato: 99903-5888
Fotos: Max Renê

Conheça os representantes do distrito de Carapanatuba no Interdistrital

A Coordenadoria Municipal de Esporte e Lazer (Comel) segue com as seletivas do 42º Torneio de Futebol Interdistrital de Macapá. Nos dias 1º e 2 de setembro, a disputa de gols ocorreu no distrito de Carapanatuba onde mais quatro equipes saíram vencedoras.

A disputa dos times ocorreu na comunidade do Ipixuna Miranda. Das 12 equipes masculinas e 7 femininas, apenas duas de cada naipe foram campeãs. No feminino venceu a equipe Carapanatuba, e Ipixuna Miranda em segundo. No masculino ficou em primeiro a equipe Igarapé Amazonas, e Carapanatuba como vice.

Os quatro representantes foram premiados com R$ 1 mil, para o primeiro lugar; e R$ 700,00, para o segundo colocado. A próxima seletiva será no distrito do Bailique.

Cássia Lima
Assessora de comunicação/Comel
Contatos: 98104-9355/ 99200-865

Interdistrital: 19 times disputam vagas na seletiva do distrito de Carapanatuba

A Coordenadoria Municipal de Esporte e Lazer (Comel) continua a seletiva do 42º Torneio de Futebol Interdistrital de Macapá. Neste fim de semana, nos dias 1º e 2 de setembro, a seletiva será no distrito de Carapanatuba. Ao todo, 19 times disputam as quatro vagas para a grande final.

Os jogos serão na comunidade do Ipixuna Miranda, das 8h30 às 18h. Além de vaga na final, os 12 times masculinos e 7 femininos buscam a premiação de R$ 1 mil, para o primeiro lugar; e R$ 700,00, para o segundo colocado.

Segundo o regulamento, serão 25 participantes de cada time. As etapas eliminatórias são coordenadas pela Comel com a equipe técnica e mais 8 árbitros, divididos nas partidas. Nas semanas seguintes serão escolhidos os representantes dos distritos do Bailique, Matapi, Fazendinha, Santa Luzia do Pacuí, Pedreira e Maruanum.

Cássia Lima
Assessora de comunicação/Comel
Contatos: 98104-9355 / 99200-8657

O amor que nasce na chuteira (Valeu, Brasil!) – Por Jaci Rocha

Na torcida são milhões de treinadores, cada um já escalou a seleção…

São donas de casa, médicos, engenheiros, garis, de esquina, advogadas, lojistas, juízes. Gente da economia pública e privada, gente que não quer saber de economia ou política, outros que querem muito. Os que gostam e os que não gostam do país do Futebol. A rua mais movimentada do país pára na hora do jogo. A 25 de Março, em dia de copa, parece com uma das ruas de terra batida do menor bairro de nossa pequena capital, Macapá.

A hora do jogo é um instante mágico. Há um silêncio e uma fé que paira pelo ar, uma mística que envolve o sentimento profundo de ser brasileiro e de estar no aprendizado do que é ser Brasil, já que até aqui, a gente demorou a perceber que não haviam nos ensinado o certo sobre o que é ser um país. Se tudo o mais sobre ser brasileiro ainda é descoberta, certo é que a gente sabe bem o que é ser uma Nação quando aquela bola rola no campo: É um silêncio e uma fé que paira pelo ar, uma mística que envolve o sentimento profundo de ser brasileiro…

“O verde e o amarelo são as cores que a gente pinta no coração”.

A camisa verde e amarela vira febre nacional. No avesso de outras Nações, que usam o aspecto simbólico de suas bandeiras cotidianamente, desde acessórios de cozinha a artigos da moda, nós, aprendemos a usar a amarelinha para ouvir: “Gooolllll…éé…é do Brasil”. Nessa hora, poucos de nós se destacam por outra vestimenta. É uma profusão de verde,amarelo,azul e branco, as lindas cores que demonstram nossas múltiplas formas de riqueza, entre elas, a grande mania de Marias e Josés, a ‘de ter fé na vida’. Quem não entende esse sentimento, talvez entenda pouco do tanto que a gente tem para aprender sobre amor com o futebol.

“O toque de bola é nossa escola, nossa maior tradição…”

E como é bom poder dizer: “Nossa tradição”. É que, às vezes, ainda não sabemos como lidar com nossa profunda e complexa multiculturalidade e reconhecer que temos muitas tradições dentro desse ser simbólico que é ser ‘brasileiro’. Mas a gente sabe que quando toca a bola, é de Brasil para Brasil, par a par, em um mesmo objetivo. E como nos falta ter objetivo.Ah! O futebol…

Aos que não celebram a Copa do Mundo e nossa expectativa de ser Rei no Futebol, deixo o meu recado: A gente celebra o futebol. Se alegra com o Carnaval. Reverencia o divino enquanto dança Marabaixo. E a gente torce. E como torce! Para que, ao invés de não celebrar o futebol, a gente se apaixone tanto pelo país, a ponto de transformar esse cotidiano, de olhar e imaginar que, assim como o Hexa, temos também o objetivo de promover um país melhor para as Marias e Josés que, de quatro em quatro anos, sentam à frente da televisão e escalam a seleção, com a esperança verde e amarela tintilando nas entranhas.

É, a gente gosta de Futebol. E queremos sim despertar para ser mais do que isso. Como já disse a velha canção da propaganda : “ O Brasil é um país menino, só ta começando. Diante das Nações que têm milênios nós só temos…500 anos…bota esse menino na escola, cuida da saúde do menino e o menino vai mudar a sua história, vai conquistar esse mundo, vai ser um lindo menino”.

Enquanto isso, a gente amarra mesmo ‘o amor na chuteira’ e espera o HEXA, daqui a quatro anos. É que, como todo menino, o nosso menino também quer ser o primeiro, o Brasil é o país – REI – do Futebol. E afinal, com a licença poética de terminar cantando, aí vamos…“Todo menino é um Rei, Eu também já fui Rei…mas quá, despertei”.

Viva o país do Futebol, que jogou demais e saiu de campo com a marca do talento.

Jaci Rocha

Quando éramos reis – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Começa assim: o cara não quer se envolver com esse negócio de Copa, que a situação atual do país não permite esse tipo de “alienação”, que tem medo de confiar, se empolgar e o Brasil ficar pelo meio do caminho. Que isso, que aquilo, que aquilo outro, blá, blá, blá…

Em todo caso, ninguém (pelo menos que eu conheça) fica imune ao vírus da Copa do Mundo. A pessoa que quisesse ficar fora disso teria que sair deste planeta ou contar com um poder de concentração e abstração muito forte.

Simplesmente, não dá! Hoje, depois de várias rodadas, vejo aquele cara do começo desta crônica, que só se liga em futebol de quatro em quatro anos, se tornar o mais entendido comentarista, o mais inflamado puxador de torcida.

Eu sempre torci pelo Brasil. Com mais gosto, é verdade, por ter vivido o suficiente para ver muito mais futebol do que o exibido pelo jovem escrete atual. Tempos em que México, Colômbia, Equador, por exemplo e para ficar só na América do Sul, não causavam a menor preocupação. Só precisávamos esperar o fim da partida para conferir o placar, geralmente com não menos do que três gols a nosso favor.

Tempos em que os jogadores exibiam, além do futebol em si, as mais diversas características: pensador (Tostão, Sócrates), esquentado (Renato Gaúcho, Edmundo), marrento (Romário, Marcelinho Carioca), político (Sócrates, Afonsinho), desengonçado (Casagrande, Rivaldo), bom moço (Zico, Bebeto), baladeiro (Ronaldinho Gaúcho), violento (Júnior Baiano), zangado (Dunga), chato (Neto, Túlio), canhoneiro (Rivellino, Roberto Carlos, Branco), folclórico (Dario Maravilha), eficiente (Ronaldo, Careca), elegante (Falcão), moleque (Garrincha), completo (Pelé)… e a lista não terminaria. O ponto em comum era que a maioria dos citados acima entrava em campo e resolvia a parada.

Hoje, o negócio tá meio igual, tudo nivelado por um comportamento que não exponha o jogador ou não o faça perder patrocinador, mas deixemos pra lá essa parte, senão vamos cair em assunto chato e chatice já temos de monte.

Esta crônica não é para chorar o tempo em que éramos reis, quando não existia 7 x 1 no nosso currículo, quando a confiança era total. É para emprestar nossa torcida a um time que sempre venceu dentro de campo e a nossa solidariedade a uma torcida que costuma perder feio do lado de cá da realidade, com a diferença entre os altos salários dos craques e a vida de salário mínimo da maioria dos torcedores. Lá vai a coisa ficar chata de novo. É melhor terminar por aqui, porque, além do mais, o jogo já vai começar.

O clima de desconfiança, de pé atrás, finalmente deixou de existir e vamos com toda a nossa coragem e força e talento arrancar esse hexa! E voltarmos a ser reis.

*Quando Éramos Reis é um documentário sobre o confronto histórico de 1974, no Zaire, entre Muhammad Ali e George Foreman. Pincei o título de um fato do boxe para batizar uma crônica sobre futebol. Tá valendo, porque a ideia é nocautear os adversários, como Ali fez com Foreman.

Jogo do Brasil é na Trina Cervejaria


O melhor local para torcer para a Seleção Brasileira de Futebol nesta quarta-feira (27), quando o time nacional enfrentará a equipe da Sérvia pela terceira rodada da Copa do Mundo da Rússia, é com certeza a Cervejaria Trina 100% Artesanal.

Com ambiente confortável, o estabelecimento estará de portas abertas receber a torcida amapaense. A transmissão da partida iniciará às 15h, mas dá para chegar bem antes e se deliciar com os. 15 sabores de cerveja artesanal da casa.

Cervejaria Trina 100% Artesanal possui um espaço ao ar livre e outro climatizado, apropriado ao seu gosto para curtir e torcer tomando aquela cerva artesanal que somente o bar possui.

A cervejas possuem ingredientes tradicionais e regionais, sem abrir mão da tecnologia e inovação para produzir e servir. Além disso, são as únicas feitas com água do rio Amazonas (totalmente amapaenses).

Serviço:

Brasil x Sérvia na Trina
Local: Trina Cervejaria Artesanal – Rua Jovino Dinoá esquina com Tupis – Beirol
Data: 27/06/2018 (sexta-feira)
Hora: a partir das 13h.
Reservas de mesas pelo telefone: 96-98101-0012

Elton Tavares

Em 1971, time de futebol do Ypiranga Clube, no Estádio Municipal Glycério de Souza Marques, em Macapá. Meu pai era o goleiro

Em pé: Lourival Lima (treinador); Penha, Emanuel, Manga, Bandeirante, Célio Nobre, Evandro, Rodolfo, Chiquinho, Pitel Vavá (Presidente). Agachados: Assis, Jurandir, Jackson, Canhotinho, Almeida, Leorimir e Rato.

Meu pai, Penha, era o goleiro Saudades, Zé. Te amo, sempre!

Fonte: Porta Retrato.

Araken, o Showman! (minha nostalgia de Copa do Mundo)

 
Tomado pelo espírito da Copa do Mundo, lembrei do Mundial de 1986, realizado no México. Na época, a molecada (e os adultos) viraram fãs do personagem “Araken, o Showman”! O Araken aparecia em vinhetas, antes do início e nos intervalos dos jogos transmitidos pela Rede Globo.
A irreverência do publicitário José Antonio de Barros Freire, o Barrinhos, que interpretava o personagem caiu na graça do povo e roubou a cena daquela Copa. Araken encarnava o torcedor brasileiro, que não perde a esperança e leva tudo na sacanagem. Hoje, aos 70 anos, Barrinhos é documentarista e mora em Porangaba, interior de São Paulo. Ele trabalha com produção de vídeos de responsabilidade social e programas para televisão.
O Araken satirizava os adversários e fazia sucesso com a mulherada, era o malandro feinho que sempre se dava bem. Ele também criticava a seleção como todo torcedor. Aparecia nas situações mais engraçadas, sempre na pele de um ferrenho torcedor, vestindo a camisa verde-amarela.
Araken deixou saudades em mim e (acredito) em toda a geração que acompanhou aquela Copa do Mundo. A musiquinha que ela cantava era mais ou menos assim: “Nessa Copa do Mundo não tem ninguém, vai dar Brasil meu bem, com Araken, o showman”. Êta nostalgia. Vamos Brasil!
 
Elton Tavares

Um gol inesquecível (crônica de Ronaldo Rodrigues)

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Começo parafraseando Paulinho da Viola: tinha eu 12 anos de idade (e não 14, como no samba) quando meu pai me chamou para assistir, pela TV, a um jogo sem interesse para a torcida brasileira, que só admite disputa pelo primeiro lugar. A data: 24 de junho de 1978. O local: Estádio Monumental de Nuñez, Buenos Aires. O evento: decisão do terceiro lugar da Copa do Mundo, entre Brasil e Itália.

A conquista da Argentina foi embalada por muitas polêmicas. Sua classificação para a final veio através de uma suspeitíssima goleada de 6 a 0 sobre o Peru.

A seleção argentina, bastante forte, contava com craques como Fillol, Passarella, Ardilles e o artilheiro Kempes. A força da equipe ganhou um reforço de fora das quatro linhas: a pressão do governo argentino. O título mundial cairia como uma luva para a glorificação do regime do general Videla. E foi o que ocorreu.

Mas voltando ao jogo: a Itália abre o marcador com Causio, no primeiro tempo. O próximo gol da partida é uma obra-prima que ficará marcada para sempre na minha memória de torcedor.

Aos 19 minutos do segundo tempo, o lateral direito Nelinho pega uma bola pela direita, próxima ao bico da grande área, e chuta com sua potência característica. A bola descreve uma curva muito acentuada, sai do alcance do goleiro Zoff e estufa o canto direito da rede. Depois, com o gol de Dirceu aos 25 minutos, o Brasil conquistava o terceiro lugar daquela Copa do Mundo.

A minha revolta de garoto recusou o título de “campeão moral”, expressão cunhada pelo técnico Cláudio Coutinho e aceita por muita gente, mas o gol de Nelinho fez meu jovem coração vibrar como o de um campeão.

Quer ver o gol? Assistam o vídeo abaixo:

Ronaldo na área – Crônica de Ronaldo Rodrigues e imagens de Ronaldo Rony

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Atenção, galera! Ronaldo entra em campo aos 44 minutos do segundo tempo para virar esse jogo! Agora o time engrena!

Não, senhoras e senhores! O Ronaldo a que me refiro não é o gajo Cristiano Ronaldo, o maior jogador do mundo da atualidade (pra você ver como o mundo e a atualidade andam carentes). O Ronaldo portuga mais parece um vaidoso pavão do que um jogador de futebol (aliás, como a maioria dos jogadores de agora).

Mas deixa ele pra lá e passemos a falar do Ronaldo que interessa. Além dos Ronaldos que já tivemos, o Gaúcho e o Fenômeno, o nosso futebol conta com o Ronaldo Anônimo, que reivindica agora, através desta crônica, seu justo lugar na História das Copas.

O COMEÇO DE TUDO

Inglaterra 1966

O Brasil já tinha perdido o complexo de vira-lata e vencido duas copas (Suécia/1958 e Chile/1962). Mas a nossa seleção se apresentou de maneira pífia e não trouxe a taça. Tudo porque o nosso Ronaldo não tinha sido convocado.

México 1970

Brasil Tricampeão. Ronaldo foi novamente ignorado e o mundo deixou de presenciar seu jovem talento. Tudo bem que ele só tinha 4 anos de idade, mas custava o técnico Zagallo dar uma chance à nova geração?

A ASCENSÃO DE UM ASTRO

Ronaldo foi crescendo e o craque se revelando. O técnico insistia em deixá-lo no banco de reservas, mas a torcida já reconhecia seu talento precoce e exigia sua entrada em campo.

Aos 10 anos, Ronaldo declarou todo o seu amor ao futebol, em vários idiomas, pra deixar claro que sua intenção era ser astro internacional.

Era uma paixão não correspondida. Ronaldo amava o futebol e o futebol o desprezava totalmente.

Argentina 1978

Apesar de não contar com Ronaldo, que continuava sem sua merecida chance, o Brasil não teve uma derrota sequer e, mesmo assim, não trouxe a taça. A anfitriã venceu o torneio com um time bom, a violência de sempre e a decisiva ajuda da ditadura argentina.

Espanha 1982

Ronaldo tentava de tudo para se inserir no mundo do futebol, mas nem como torcedor se dava bem. O futebol-arte do Brasil caiu diante da pálida Itália, que fazia uma Copa muito da miada. Poderíamos até empatar que a classificação viria, mas o até então apagado Paolo Rossi resolveu desencantar justamente naquele dia e fez três gols. A seleção canarinho voou de volta pra casa e Ronaldo levou toda a culpa.

México 1986

Onde estava Ronaldo? Assistindo pela TV ao show de Maradona, fazendo, contra a Inglaterra, um gol de malandragem com la mano de Dios e outro de extrema habilidade, quando enfileirou metade do time bretão. O Brasil foi eliminado pela França nos pênaltis e Ronaldo continuou seu sonho de um dia disputar uma Copa.

Itália 1990

A era Dunga não decolou. O Brasil foi desclassificado pela Argentina, num gol de Caniggia, recebendo o único passe que Maradona conseguiu fazer em todo o jogo.

Estados Unidos 1994

Acaba o jejum de 24 anos e o time mediano do Brasil sagra-se campeão nas terras do Tio Sam. A torcida teve que se contentar com um xará do nosso craque, que não saiu do banco.

França 1998

O Brasil amarelou na final e Zidane comandou a vitória da anfitriã. Culpa de quem?

Japão e Coreia do Sul 2002

Desta vez, acontece um fenômeno. Ronaldo faz dois na Alemanha e o Brasil é penta.

Alemanha 2006

Ah! Deixa essa Copa pra lá! A única coisa legal foi a cabeçada do Zidane no Materazzi!

África do Sul 2010

Outra chatice! Essa foi tão meia-boca que até a Espanha ganhou…

Brasil 2014

Nesta Copa, Ronaldo foi mais um dos brasileiros que conseguiram transformar em piada o que teria sido uma tragédia.

Rússia 2018

Mesmo com 52 anos, Ronaldo não para de treinar e ainda acredita em uma convocação de última hora. A torcida do Brasil está meio desmotivada, mas vamos deixar a bola rolar e ver no que vai dar. Pior do que tá não fica, como disse aquele pensador contemporâneo. Ronaldo está aí e, caso seja convocado, ainda tem muito jogo pra mostrar.

* Imagens de Ronaldo Rony.

Nos pênaltis, Ypiranga bate Santos e quebra jejum de títulos

O Ypiranga venceu na noite desta quarta-feira o Santos-AP, nos pênaltis, por 4 a 1 no estádio Zerão, em Macapá, após empate em 1 a 1 no tempo normal, e quebrou um longo jejum de títulos no Campeonato Amapaense. A partida foi válida pelo jogo de volta da decisão da competição estadual.

Durante o tempo normal, o Santos abriu o placar com Lessandro ainda na primeira etapa. Mas Tony Love deixou tudo igual na volta do intervalo.

Com o resultado, o Ypiranga segue como o clube como maior número de títulos do Campeonato Amapaense, chegando a oito conquistas (1992, 1994, 1997, 1999, 2002, 2003, 2004 e 2018). Além da vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, o Negro Anil também vai disputar a Copa do Brasil em 2019. Já o Santos-AP terá a disputa da Série D no ano que vem.

O Jogo – As duas equipes iniciaram a partida em ritmo acelerado e criando oportunidades, porém, aos 11 minutos, o técnico Edson Porto foi forçado a efetuar a primeira mudança na equipe. O zagueiro Jeferson Jari sentiu contusão e teve que ser substituído por Rogério. Aos 16 minutos, Léo Rosa cruzou na área e Romano bateu de primeira, mas a bola foi por cima do gol, assustando o goleiro Redson.

Aos 20′, o Ypiranga chegou com perigo. Luquinha cobrou falta, mas o goleiro Axel espalmou. Na sobra, Djalma tentou o levantamento na área, mas ninguém conseguiu escorar a bola para dentro do gol.

Aos 26 minutos, o Santos chegou com Romano que foi lançado em velocidade, mas perdeu o ângulo na finalização e desperdiçou a oportunidade. Já, aos 44′, Balão Marabá cobrou falta na área e Lessandro cabeceou para abrir o placar para o Peixe da Amazônia.

Na volta do intervalo, as duas equipes fizeram um jogo equilibrado. O Santos-AP teve a oportunidade de ampliar o placar logo aos dez minutos. Após cobrança de escanteio, Lessandro finaliza forte, mas o goleiro Redson fez grande defesa.

Aos 18′, o Ypiranga respondeu o adversário. Otávio cruzou na área e Tony Love desviou para o fundo das redes, deixando tudo igual no Zerão. Aos 22′, Bruno levantou na área e novamente Tony Love ganhou dos seus marcadores e finalizou rente a trave.

Aos 30 minutos, Léo Rosa finalizou cruzado, mas o goleiro Redson defendeu em dois tempos.

Nas cobranças de penalidades, o Ypiranga marcou com Tony Love, Djalma, Esquerdinha e Will, enquanto que Willian Fazendinha balançou as redes pelo lado do Santos-AP. O destaque nas penalidades foi o goleiro Redson que defendeu as cobranças de Fabinho e Batata.

Fonte: Diário do Amapá

17 anos do gol do Petkovic (minha crônica sobre um dos momentos mais felizes da vida de todos os flamenguistas)

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Em 27 de maio de 2001, há exatos 17 anos, um gol inesquecível. Eu estava no antigo apartamento do Adriano e Silvana, meus primopet_tri_v2s. Assistíamos a final do Campeonato Carioca de Futebol daquele ano, juntamente com o amigo Aílton. Aquele dia tem um valor especial na vida dos milhões de flamenguistas no mundo.

O Vasco tinha ganhado o primeiro jogo por 2×1, o Flamengo precisaria vencer por dois gols de diferença para leva o título da competição.

Edílson abriu o placar pro nosso time e Juninho Paulista empatou pro Vasco. Acabou o primeiro tempo. Na segunda etapa da partida, o “Capetinha” meteu mais um. Mas o Mengão ainda estava em desvantagem, pois precisava vencer pela diferença de dois gols.petkovic-flamengo-comemora-titulo-450-071209

A torcida do Vasco já comemorava nas arquibancadas. Já eram 43 minutos do segundo tempo. Aí Edílson sofreu falta na intermediária, só que o gol de Hélton não tava tão perto. Petkovic arrumou a bola, deu três passos para trás e respirou fundo.

Bateu forte, colocado e com a precisão cirúrgica que lhe era peculiar. A batida foi perfeita. A bola pchamada_petkovic_60egou efeito e saiu do alcance do goleiro Helton. Aliás, o goleiro bem que tentou, saltou alto e se esticou todo, mas a defesa não foi possível. Nem dois goleiros ali embaixo daquela trave evitariam o gol quase sobrenatural. Foi lá onde “a coruja dorme”, no canto superior esquerdo da rede. Naquele momento, vibrei, quase choro, ri e me senti o cara mais feliz do mundo. Coisa de quem ama o futebol, sobretudo, o Flamengo.

Épico e eternamente na memória e coração dos torcedores dos rubro-negros, 3 a 1, porra! Era o tricampeonato carioca ao Rubro-Ne1520044_x240gro. A gente correu pra Praça Zagury, agora Beira-Rio, bebemos logo pelos três títulos consecutivos. Naquela noite, vi um amigo virar a casaca, tirou a camisa vascaína e vestiu o manto sagrado Rubro-Negro. Ele, o Frank Bitencourt, disse que tinha cansado de sofrer. Até hoje é possível vê-lo em algum bar durante as transmissões dos jogos do Flamengo.OgAAABMQI6L-r-54uHph3Y6iMVW-BZchGbJrjteZx-CQ5HeEzbQhvfD42MAPy69bid-d2B_Uf1aMsnB95r1mNMU6O1cAm1T1UAyP1XHDZ1Eq5sjsJoZxufjFdQFX

Há alguns anos, Petkovic foi convidado pelo Globo Esporte para bater a falta novamente, do mesmo local. Adivinhem? O sérvio colocou a bola do mesmo jeito, no mesmo lugar. Ah, gringo foda da porra! Não à toa, é um dos maiores ídolos da era atual do Flamengo. Uma lenda viva, já que se tornou o jogador estrangeiro mais decisivo da história do clube e talvez até do futebol nacional.

golpetkovic_oglobo62Desde então, já se passaram 17 anos. Assim como a vida, o futebol é feito de ciclos. Mas é sempre bom lembrar dos momentos felizes e foi o que ocorreu.

“Nóis” é Mengão até depois de morrer e hoje ele é líder do Brasileirão 2018!

Ao Petkovic, autor daquela obra-prima que ficará marcada para sempre na minha memória e coração, nossos milhões de obrigados!

Elton Tavares

Xinga, Alicate!

“Carrinho é igual camisinha furada: não adianta se arrepender, tampouco pedir desculpa.Tem como não se emocionar? Tem?” – Frase e foto: Alvarélio Kurossu.

Herdei o gosto pelo futebol do meu saudoso pai, José Penha Tavares, goleiro amador dos clubes São José e Ypiranga, dos times do Banco da Amazônia (BASA) e Companhia de eletricidade do Amapá (CEA). Nos anos 80 e 90, ainda magro, fiz de tudo para me tornar um bom jogador, mas nunca consegui. Eu era ruim, ruim mesmo, daqueles que levava “caneta”, “chagão” (ou drible da vaga), elástico, perdia gols na cara e, por causa de todas estas ações que citei, era um dos últimos ou o último a ser escolhido para um dos times (ou completá-lo). Para piorar a situação, eu ainda batia. Na verdade, batia MUITO! Era um jogador (zagueiro) desleal.

Por falar em jogar duro, aprecio o futebol pegado e, é claro, o futebol arte. Vão dizer que ver o zagueiro do seu time dar um tranco no atacante adversário não é legal? Claro que é! Recebi este texto de um amigo, há cerca de oito anos, retrata o que é um zagueiro, na essência, aí vai:

Hugo De Léon

Xinga, Alicate.

Voltei a refletir sobre a arte de ser zagueiro. O requisito básico, pode ter certeza, é ser feio. Observe os grandes zagueiros. Eram todos feios, muito feios. Atílio Genaro Ancheta talvez seja uma exceção, mas o que dizer de Hugo De Léon? De León é o símbolo máximos dos defensores. Barbudo, desengonçado, grosso e violento. Isso que é zagueiro. Não sabe nem ler o De Léon, até hoje.

Sabe quem também jogou muito na zaga? O Alicate. Não manja o Alicate, né? Pois eu vou dizer quem foi Alicate. Alicate foi o maior jogador que já passou pelos campos de várzea do Brasil. Carioca, foi injustiçado e nunca aceito nos times fluminenses. Um jogador que certamente seria ídolo no Rio Grande do Sul, Região onde, no seu campeonato estadual, do pescoço para baixo tudo é canela. Jogo de homem é o futebol de lá, de homem.

Alicate tinha as pernas tortas, por isso à alcunha. Sempre preferiu o Rivarolla, achava o Gamarra muito metrosexual. Alicate não sorria. Nunca. Tinha um chute forte tratado como arma mortífera do nosso time. Quando a coisa estava feia, Alicate se mandava para o ataque. Ficava de costas para o gol como se fosse fazer o pivô, mas não tocava a bola. Apenas virava o corpo e soltava uma chicotada. “Ziiiiiiiiiu” fazia a esfera, colocando adversário, goleiro, juiz, tudo pra dentro do gol.

Alicate era zagueiro.

Num sábado qualquer, após nova vitória sobre o Uirapuru, realizávamos nosso tradicional ritual de comemoração no boteco da Beti. Tudo parecia normal até o relógio acusar a meia noite. Surge no respeitoso estabelecimento uma jovem. Mas não engane-se, não é uma jovem qualquer. É um jovem, baixa e de seios grandes. E você sabe como são as jovens baixas e de seio grandes: nefastas.

O que mais surpreendeu foi à atitude da jovem, baixa e de seios grandes. Os olhos dela miravam Alicate. Ela o desejava loucamente. Volta e meia ela olhava, sorria, olhava de novo, bebia e, no final, sempre sorria. Alicate viu. Eu vi. Aquela era a noite do zagueiro.

Lembrando que Alicate, pé frio em relacionamentos, nunca se deu bem com as mulheres. Normalmente era o Buricá, nosso meia esquerda, que tinha as melhores chances. Em campo nos colocava na cara do gol, fora dele matinha um excelente aproveitamento dentro da área. Alicate, não. Tanto que tal situação criou expectativa no time, pois viviamos uma novidade.

O zagueiro, no melhor estilo zagueiro, não quis perder a chance. Pensou como um matador. Um centroavante. Foi em direção à moça sem tropeçar e distribuindo cotoveladas em quem estivesse no seu caminho. Não houve tempo para cantadas, drinks ou coisas do tipo. Pegou-a pelo braço e disse:

– “Hoje tu és minha”.

Poucos minutos depois os dois já caminhavam, de mãos dadas, até a saída. A atmosfera do ambiente acusava o início de uma longa noite. No bar, festejávamos a vitória do time e brindávamos pela felicidade de Alicate. No carro, o zagueiro via que a festa estava apenas começando. No quarto de um motel vagabundo de BR, ela se fez.

Logo ao entrarem, a jovem, baixa e de seios grandes, tal como uma jovem, baixa e de seios grandes, atacou Alicate. Ele, meio assustado, não se fez de lateral direito (laterais direitos são péssimos com mulheres) e foi entrando no ritmo. Rapidamente já se via despido na cama com a nefasta jovem, baixa, de seios grandes e, agora, finalmente despidos.

Enquanto os dois já copulavam numa velocidade e intensidade frenética, Alicate foi absolutamente surpreendido. Num breve momento de insanidade sexual, inspirada pelo momentos e contrariando todas as leis do amor, da física, da robótica, da astronáutica, da matemática, da retórica e da gramática, a jovem, baixa e de seios grandes despidos disse:

– “Me xinga!”

E disse de novo. Silabicamente e em caixa alta:

– “ME XIN-GA!”

Alicate não sabia o que fazer. Não esperava aquela situação, não tinha ouvido falar de mulheres que gostavam de ser xingadas. Quem gostava de ser xingado? Como xingar alguém assim, do nada? Poxa, ele gostava dela. E não entendia dessas coisas. Era um cara tradicional, nem de preliminares ou camisinhas de hortelã curtia.

Quando a jovem, baixa e de seios grandes e despidos já perdia a paciência e gritava aos socos “me xinga, me xinga, me xinga”, Alicate, com a serenidade de um auxiliar técnico e inocência de um quarto árbitro, enfim, xingou:

“Sua gorda!”

A respiração diminuiu. O nheco-nheco da cama parou. Agora, os únicos gemidos eram do filme vagabundo que passava na TV. A jovem, baixa e de seios grandes e despidos levantou-se, vestiu-se e, antes de chamar um táxi, simplesmente disse:

– “Seu zagueiro”.

Eis o problema de Alicate. Ele era zagueiro. Nunca será um amante. Nunca será um, tipo, meia esquerda.

*Obs: eu era zagueiro ruim de bola, mas não com as mulheres (risos). 

36 anos do soco de Anselmo Vingador – Um texto para flamenguistas

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Como bom flamenguista, sempre leio, assisto e ouço tudo sobre o Flamengo. Entre os títulos conquistados pela máquina rubro-negra dos anos 80, comandada por Zico, um fato marcou a Libertadores de 1981, conquistada no dia 23 de novembro daquele ano: um soco. Sim, uma porrada desferida por Anselmo, atacante do Flamengo no zagueiro Mario Soto, do clube chileno Cobreloa.

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Vamos por partes. Depois de passar invicto até a final, o Mengão, campeão brasileiro de 1980, decidiu com o torneio com o Cobreloa. No primeiro jogo das finais, realizada no Maraca, o time da casa venceu por 2×1, com dois gols de Zico. Na partida de volta, no Chile, o time do Flamengo apanhou muito dos donos da casa (agressões mesmo), liderados pelo zagueiro Mario Soto (o brabão) e acabaram ganhando o jogo por 1×0.

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Nessa partida, o Mengo ficou desfalcado dos jogadores Lico, com um corte na orelha e Adílio, ferido no olho. Ambos abatidos pelo defensor chileno. Li em algum lugar que ele agredia os jogadores brasileiros com uma pedra no punho fechado, se é fato, não sei dizer. Relatam jornais da época que o próprio Pinochet (um dos enviados de Satanás à Terra), nas tribunas, virou-se para um adepto e disse chocado: “Não está exagerando, o nosso Mario Soto?” Imagine como o cara estava “virado no cavalo do cão”…

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Então rolou a “negra”, uma terceira partida, em campo neutro, realizado há exatos 34 anos, no Estádio Centenário, em Montevidéu, no Uruguai. O Mengão, que tinha infinitamente mais bola, venceu pelo placar de 2×0, com dois gols do Galinho.

Mario Soto, do Cobreloa do Chile, após levar um soco de Anselmo, do Flamengo, na finalíssima da Taça Libertadores da América de futebol. Montevidéu, Uruguai. Publicada na revista Placar, edição 1206, em 1223/11/2001, página 37.

Mas ainda faltava a forra contra Soto, foi aí que, no finalzinho do jogo, o técnico do Mengo, Paulo César Carpeggiani, chamou Anselmo, um jovem atacante de 22 anos, e disse: “ vai lá e dá um soco na cara do Mario Soto”. Anselmo entrou na partida, se aproximou do zagueiro chileno e, na primeira jogada, deu um pau na cara do chileno, que foi a nocaute. O lance causou um porradal, o jogador do Flamengo foi expulso junto com Mario Soto. A decisão logo acabou e o Flamengo virou campeão da América.

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Depois foi só festa. No desembarque do time no Galeão, a delegação se deparou com uma imensa faixa escrito: “Anselmo vingador!” Pronto, Anselmo era tão herói quanto Zico. Mesmo suspenso, o “Vingador” viajou com o time para o Japão, onde o Mengão derrotou o Liverpool e sagrou-se Campeão Mundial Interclube, em 1981.

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Li várias reportagens sobre este fato, mas as duas melhores declarações foram:

Este episódio exprime uma contradição insolúvel do futebol e da vida. Todos nós temos discursos humanistas e politicamente corretos em favor do espírito esportivo e do sentimento cristão. Mas quem sofre uma agressão covarde não esquece. Futebol é arte, balé, xadrez, mas é um jogo viril e abrutalhado em que façanhas como a de Anselmo refletem o alto grau de testosterona e de agressividade primitiva que nos leva a correr atrás da bola. Nosso lado civilizado homenageia aqueles que descartam a vingança física e se contentam com dar o troco na bola e no placar. Mas dentro de cada fã do futebol existe um brutamontes-mirim que não resiste à poesia de um murro bem dado” – Jornalista Braulio Tavares – Jornal da Paraíba.

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Tenho sobre essa porrada uma tese irrefutável – ali, graças a Anselmo, as ditaduras latino-americanas que assombraram o continente durante a Guerra Fria começaram a desabar. O destino do próprio Pinochet foi selado naquele momento. Não é a toa que, em recente pesquisa publicada na Inglaterra, acadêmicos de renome consideraram que as três quedas mais impactantes da história foram a do Império Romano, a do Muro de Berlim e a de Mario Soto na final da Libertadores.” – Luiz Antonio Simas, professor carioca.

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Anselmo Vingador!

Bom, acredito que em certos momentos, extremos claro, um murro vale mais do que mil palavras (risos). Aquele soco dado que lavou o peito de milhões de rubro-negros. Viva o Mengão e o Anselmo Vingador! Há 36 anos, direto do túnel do tempo…

Elton Tavares – Jornalista, flamenguista em tempo integral e bom de porrada.