É, eu gosto!

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Eu gosto de fotografar, de beber com os amigos e de ser jornalista (talvez, um dia, um bom). Gosto de estar com minha família, do meu trabalho e de Rock And Roll. Eu gosto de café, mas só durante o trabalho, enquanto escrevo. Gosto de sorvete de tapioca, de cerveja gelada e da comida que minha mãe faz. Também gosto de comer besteira (o que me engorda e depois dá um arrependimentozinho).flamengocampeãobrasileirode2009

Gosto de sorrisos e de gente educada. Eu gosto de gente engraçada. Gosto de bater papo com os amigos sobre música, política e rir das loucuras que a religião (todas elas) promove. Eu gosto de chuva e de frio. Gosto de futebol. Gosto dos golaços e da vibração da torcida.

Gosto de ir 12715280_1054474401272257_8936630695694086156_nao cinema, de ler livros e de jogar videogame. Gosto de rever amigos, mas somente os de verdade e de gente maluca. E gosto de Macapá, minha cidade.

Eu gosto de ser644163_462374217148948_2007365260_n estranho, desconfiado, briguento e muitas vezes intransigente.

Sim, confesso que gosto.

Gosto de viajar, de pirar e alegrar. Gosto de dizer o que sinto. Às vezes, tamImagens Tumblr - Notas de musicas 20120802-tumblr_lhn2sikgjl1qcmnr3o1_500bém gosto de provocar. Mesmo que tudo isso seja um estranho gostar.

Gosto de encontros casuais, de trilhas sonoras e de dar parabéns. Gosto de ver o Flamengo ganhar, meu irmão chegar e ver quem amo sorrir. Também gosto de Samba e do Carnaval. Gosto de ouvir o velho Chico Buarque cantar, ah como eu gosto!

Eu gosto de explicar, empolgar, apostar, sonhar, amar, de fazer valer e de botar pra quebrar. Ah, eu gosto de tanta coisa legal e outras nem tão legais. Difícil de enumerar.

Eu gosto12301735_914935761892789_6626853248774975848_n de ler textos bem escritos, de gols de fora da área, de riffs de guitarra bem tocados, de humor negro e do respeito dos que me cercam.

Gosto de me trancar no quarto e pensar sobre a vida. Gosto quando escrevo algo que alguém gosta. Gosto mais ainda quando dizem que gostaram.10891536_752201841499516_6696977053155882641_n

Eu gosto também de escrever algo meio sem sentido para a maioria como este texto. Eu gosto mesmo é de ser feliz de verdade, não somente pensar ser assim. Gosto de acreditar. Como aqui exemplifico, gosto de devanear, de exprimir, de demonstrar e extravasar.

Pois é, são coisas que gosto de gostar. É isso.

Elton Tavares

*Texto republicado

A Banda e a Casa do Eurico (textinho porreta e verdadeiro de Yurgel Caldas)

Toda cidade que preze seus foliões precisa de um local de concentração para as festas carnavalescas. Todo encontro é um movimento de atração que conjuga forças visíveis e invisíveis.

A casa do Eurico Pinheiro de Vilhena Filho (o tio Eurico) – na famosa curva do Santa Maria, também conhecida como esquina da Tiradentes com a Feliciano Coelho, no bairro macapaense do Trem – é esse local de concentração que promove todos os anos o encontro de familiares e amigos e conhecidos e convidados de conhecidos (todo mundo, na verdade) para não apenas ver A Banda passar (um dos mais famosos e tradicionais blocos da Amazônia), mas também alterar a paisagem do local com cores, sons, alegria, caldo e cerveja.

Eurico Vilhena – escrivão aposentado da Polícia Civil – é esse impávido cicerone que sempre se alegra com a visita de amigos e familiares – e não precisa ser só em tempos de momo – e sempre promove almoços para as irmãs em fins de semana.

Yurgel Caldas e Mara Caldas. Casal querido!

A casa do Eurico se transforma na fissão e na fusão nuclear do carnaval da família Vilhena e mantém acesa a chama vital desse amante dos Beatles, da Jovem Guarda e de Roberto Carlos. Muito obrigado, Eurico, por fazer questão de proporcionar esses encontros que ficam sempre marcados na memória da família e na história da nossa cidade.

Tio Eurico com a Patricia

Meu comentário: sempre paro, durante o trajeto do bloco A Banda, na casa do tio Eurico. Tudo que o Yurgel disse é verdade. Lá é um local de alegria e reencontro de amigos. Aliás, passarei por ali hoje e abraçarei os brothers da família Vilhena.

Yurgel Caldas é professor de Literatura da Unifap e do Mestrado em Desenvolvimento Regional na mesma instituição.

Carnaval: III Guará Folia arrasta multidão nesta sexta-feira

Nesta sexta-feira, 9, tem o III Guará Folia, que vai arrastar foliões pelas ruas do Centro e do Laguinho, atrás do trio elétrico sob o comando de Taty Taylor e Banda Babilônia.

O evento é da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho (AUSBL), e foi criado pela diretoria para reunir a comunidade que brinca o carnaval, no fim de semana em que teria os desfiles das escolas de samba em Macapá.

O circuito do Guará Folia inicia na Praça da Bandeira, com concentração a partir das 18h, e segue até o Theatro do Samba, sede de Boêmios, onde encerra com a apresentação da bateria Pororoca e comissão de frente.

O vale abadá pode ser comprado no Theatro do Samba (Sede da agremiação), no valor de R$ 25,00 (meia).

Serviço:

III Guará Folia
Data: 9 de fevereiro
Concentração: Praça da Bandeira às 18h
Encerramento: Theatro do Samba
Endereço: Av. Geral Osório, 575, Laguinho.

Adryany Magalhães
Assessoria de Comunicação – AUSBL
Contato: 99144- 5442

Hoje: Exposição Aves do Amapá

O Foto Nunes, em parceria com o fotógrafo Kurazo Okada, realizará a exposição Aves do Amapá que será aberta a visitação de 9 a 19 de fevereiro, em horário comercial e com entrada franca. A iniciativa faz parte do projeto Janela Fotográfica que busca debater temas ligados a fotografia em suas mais variadas vertentes.

Na abertura da exposição, dia 9/2, às 19h, Okada estará presente para uma roda de conversa com o público na qual explicará mais detalhes de seu trabalho com fotografia de aves, o que já lhe rende um papel de destaque no cenário nacional. Os interessados em participar da roda de conversa devem fazer inscrição prévia enviando um e-mail com nome completo e telefone para [email protected]

Serviço:

Projeto Janela Fotográfica
Exposição Aves do Amapá
Abertura e roda de conversa: 9/2, às 19h
Inscrições para a roda de conversa com envio de nome e telefone para o email: [email protected]
Encerramento: 19/2

Poema de agora: Entre um poema e outro – Jaci Rocha

Entre um poema e outro

Entre um poema e outro
Corro para o trabalho, médicos e padaria
Vou ao mercado, à feira e à CEA
Leio as páginas da economia

Nesse ano de meu Deus de dois mil e mais dezoito
Há muito a aprender
Para o tempo vindouro
Reparar as perdas e guardar tesouros…

Tem gente morrendo de fome neste meu país
E há quem jure inocência
Muito preconceito e pré-julgamento
Pouca empatia e clemência

Aqui, todo mundo é rei
E juiz de um tribunal de exceção
A gente tenta não fazer, mas peca junto
Todos com sua própria (auto) justificação.

Então, entre um poema e outro
Tento não esquecer que sou poeta!
E que nisso, há mais que mera digressão.
Há carne que pulsa, vida que assombra

E, sobretudo, um coração.

Jaci Rocha

Residencial Jardim Açucena: começa a mudança dos contemplados

Ao descarregar sua mudança, vinda do bairro Beirol, Carlos Silva, amapaense, 58 anos, retirou primeiro uma caixa com peças de roupa, a Bíblia Sagrada e seus móveis. Antes de subir para o apartamento 203, no 2º andar de um dos prédios onde é seu novo lar, ele e a filha Carolina Silva, 18 anos, admiraram o gramado e a rua asfaltada do Residencial Jardim Açucena, inaugurado na sexta-feira, 2, pela Prefeitura de Macapá e Ministério das Cidades.

As 1.500 famílias contempladas com uma moradia no habitacional começaram a ganhar mais dignidade, ao conquistarem o sonho da casa própria. Essas famílias começaram a se mudar na segunda-feira, 5, de acordo com o cronograma definido pela gestão municipal.

Com a entrega dos apartamentos, a Prefeitura de Macapá visa garantir uma moradia digna e segura, contando com o suporte do programa Minha Casa, Minha Vida. Pessoas com renda familiar bruta de até R$ 1.800,00 são as contempladas, com financiamento de até 10 anos e prestações a partir de R$ 80,00 por mês. “Estamos diminuindo o déficit habitacional e proporcionando moradia digna, condições de trabalho, inclusão social, saúde e educação para quem mais precisa”, declara a coordenadora de Habitação Municipal, Mônica Dias.

Com a entrega do Jardim Açucena, a gestão do prefeito Clécio Luís já contabiliza 3.500 moradias populares entregues. O habitacional foi construído pela Direcional Engenharia e é mais um empreendimento pactuado pela prefeitura, por meio do Minha Casa, Minha Vida. Os apartamentos têm 42 m², dois quartos, sala, cozinha, banheiro e área de uso comum. Ao todo, são 75 blocos. O residencial está localizado no bairro Cuba de Asfalto, zona sul da cidade.

Macapá avança na política habitacional

Casa própria e com dignidade. Desde 2013, a Prefeitura de Macapá vem mudando a realidade na vida de muita gente. A inauguração do Residencial Mestre Oscar Santos, na zona norte da capital, combinou materialidade com a arte e garantiu dias melhores para 528 famílias. Era o começo de uma nova história na política habitacional do município.

Com infraestrutura externa, pavimentação asfáltica, drenagem e sistemas de abastecimento de água, esgotamento sanitário, rede de energia elétrica e equipamentos sociais, mais 1.440 famílias realizaram o sonho da casa própria, com a entrega do Residencial São José, na zona sul da cidade.

E o compromisso não para por aí, o esforço conjunto da gestão municipal e parceiros contemplou ainda 1.500 famílias com a entrega do Residencial Jardim Açucena, também na zona sul, totalizando aproximadamente 3.500 casas populares entregues.

Lilian Monteiro
Assessora de comunicação/Semast
Contato: 99903-5888
Fotos Max Renê

Poema de agora: O ANZOL DA ESPERA – Fernando Canto

O ANZOL DA ESPERA

Meu tempo
Não é um achado de lembranças
Não é selo/estampa/escudo/emblema/taciturno ícone
Insígnia invisível,
Sombria projeção de sonhos aparentes,
É círculo vagante, mítico
Recém-saído
Do jogar do anzol em dias de águas revoltas
Quando encurralado fico em mim mesmo.

Anzol-arpão-rede-zagaiama-zagaia-zagarana
Olhos e bocas espantados esperam,
Borbulham no fundo d’água:
Condomínio de botos/caruanas.

O brilho do anzol é uma cilada – a morte anterior
Ao fruto da vida – ligação tardia
Do amor em seu percurso

Agora um peixe eu sou
Fisgado e vindo à superfície
Pelo anzol da lembrança/pela linha da corrente.
Sou guelra/brônquios/ barbatana/ escama
Sou ar que explode
Em séculos de espera.

Fernando Canto

Música de agora: Enquanto Houver Sol – Titãs

Enquanto Houver Sol – Titãs

Quando não houver saída
Quando não houver mais solução
Ainda há de haver saída
Nenhuma ideia vale uma vida
Quando não houver esperança
Quando não restar nem ilusão
Ainda há de haver esperança
Em cada um de nós, algo de uma criança

Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol

Quando não houver caminho
Mesmo sem amor, sem direção
A sós ninguém está sozinho
É caminhando que se faz o caminho
Quando não houver desejo
Quando não restar nem mesmo dor
Ainda há de haver desejo
Em cada um de nós, aonde Deus colocou

Enquanto houver sol, enquanto houver sol
Ainda haverá
Enquanto houver sol, enquanto houver sol

Cidade Lançante (Homenagem de Fernando Canto à Macapá)

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Por Fernando Canto

Esta baía é uma grande gamela de líquidas contorções, ondas que bailam sob a música do vento.

Esta baía não guarda mais o sangue inglês do comandante Roger Frey que pereceu sob a espada implacável do capitão Ayres Chichorro a 14 de julho de 1632, um dia claro, aliás, de verão amazônico, quando o sol derretia naus e o piche dos tombadilhos. Nem o sol, nem o vento, nem o oceano lá adiante cogitavam que naquela mesma data, dali a 157 anos o povo francês tomaria a Bastilha.

Na margem esquerda deste rio imensurável uma floresta úmida abrigava uns seres esquisitos, cabeludos e cheios de penas coloridas que os portugueses conheciam por Tucuju, Tikuju, Tecoju ou Tecoyen. Segundo ensina a mestra Dominique esse era um povo de origem Aruaque, ocupante da Costa Sul do Amapá que se tornou aliado dos holandeses, dos franceses e dos irlandeses. Por isso foi atacado impiedosamente por uma expedição do desbravador Pedro Teixeira no ano da graça de 1624. Sua história, no contexto da nossa, dá conta que após a façanha do capitão português esse povo procurou abrigo no Cabo do Norte, mas foi reduzido pelos jesuítas a uma missão no baixo Araguari e pelos capuchinhos no baixo Jari. É provável que um pequeno grupo tenha sobrevivido ao sul do município de Mazagão até o início do século XIX. Desse pequenino grupo restaram apenas as cinzas do tempo e um soluço quase imperceptível que morre a cada segundo na agonia de todos os silêncios.

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Esta baía guarda estranhos segredos: uns são contados em língua morta, quando o hálito da madrugada sopra depois que a lua assim determina. Esses são de difícil entendimento. Os outros pairam nos escaninhos dos tabocais ou na boca das pirararas. Dificilmente serão contados.

O estuário deste rio dadivoso acelera a corrente de 2,5 quilômetros por hora para jogar no oceano cerca de 220 mil metros cúbicos de água por segundo. O inacreditável é que apenas o desaguar de 24 horas daria para abastecer de água potável uma cidade superpovoada como São Paulo por quase 30 anos. Números são números, diria o matemático. Nessa foz está a redenção de nossa terra, diz o sonhador sem perder sua utopia. Do barro e dos detritos aluviais se faz a vida. E ela está ali dentro das águas à espera da sustentação das mãos trabalhadoras.

Esta baía não se faz só de águas e barcos deslizando ao sabor das ondas. Ela abriga uma pequena jóia nascida sobre a várzea dos aturiás, velada há dois séculos por uma fortaleza plantada em cima de falésias.

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Foto: Juvenal Canto

Macapá, velho pomar das macabas, carrega dentro de si a similitude de um éden tropical das narrativas dos antigos viajantes, até por ser banhada por tantos líquidos e cheiros advindos diariamente pela chuva refrescante e pela espuma das lançantes marés.

Macaba, Maca-paba:gordura, óleo, seiva do fruto da palmeira, vida e princípio desta terra, posto que a sombra traz a ternura e contrasta com o benefício da luz que se espraia por glebas de esperança.

Antiga terra da maleita e da febre terçã. Terra do “já teve” já não és. Mas alguns homens ainda jogam em teu traçado xadrez e, silenciosos, manipulam segredos e conspiram contra ti, a degradar-te e degredando teus verdadeiros sonhos e tua vocação para o abrigar da vida que se espera. Mesmo assim a felicidade bem insiste em se hospedar em ti.

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Embora batizada com nome de santo – especialíssimo no panteão católico – teus habitantes não ficam isentos dos perigos: pés se torcem ou se fraturam todos os dias nos buracos das ruas outrora bem cuidadas.

Agora eu fico aqui me perguntando: por que quando te fundaram ergueram um pelourinho? – “Símbolo das franquias municipais”, dirão os doutos e sisudos professores. Ora, quantos homens não castigaram seus escravos até à morte após a partida do governador Francisco, porque estes aproveitaram para fugir durante a solenidade.

Um tralhoto viu e contou ao Mucuim que diz-que o Ouvidor-Geral e Corregedor Paschoal de Abranches Madeira Fernando tomou um porre de excelente vinho do Porto ofertado a ele nesse dia pelo plenipotenciário capitão-general Mendonça Furtado, que daqui zarpou para o rio Negro para demarcar as fronteiras do reino, a mando de Pombal. Foi um dia de festa aquele 04 de fevereiro de 1758, porque nasceu naquele instante a vila de São José de Macapá.

E ela cresceu e se fez linda e amada, pois os caruanas das águas vez por outra rondam em espirais por aí, passeando em livros abertos, nos teclados dos computadores, pelas portas e pelos filtros dos aparelhos de ar condicionado, nos protegendo das agruras naturais e das decisões de homens isentos do compromisso de te amar.

Parabéns, Macapá!

* Texto escrito em 2001.

Como os nossos pais (crônica republicada)

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O leitorado que acompanha este site sabe: vez ou outra, falo de minha família. Sim, aqueles que me são caros, é assunto sério para mim. Meu clã não são somente as pessoas da sala de jantar que dividem refeições, mas sim seres fantásticos, cheios de vida, personalidade e amor.

Sobre família, lhe digo, tenho mais dos meus pais do que pensava. Sim, mesmo que eu seja uma pessoa dfamilia11111iferente deles, possuo características semelhantes de ambos. O que é ótimo!

Quando eu e meu irmão, Emerson, éramos crianças, tivemos uma base familiar sólida, na qual aprendemos valores como caráter, honra, a importância de trabalhar e honestidade. Além da importância de ser educado.

As caractereuepapaiísticas de nossos pais se desenvolveram em nós ao longo dos anos. Essa herança me serve como manual de sobrevivência, afinal, como disse Vinícius: “são tantos os perigos dessa vida”.

Sobre nossa criação e hereditariedade. Mamãe é responsável bem decidida e impetuosa. Possui temperamento forte, atitude, honestidade e é trabalhadora. Ensinou-nos a enfrentar as agruras da vida, a escolher e não ser escolhido. É dela que herdei minha força e sinceridade.

Já o pai era/é (ele fez a passagem em 1998) um cara brincalhão, sempre educado e querido por todos. Nos ensinou a sacar o melhor das pessoas, dizia que todos temos defeitos e virtudes, mas que devíamos aprender a dividir tais peculiaridades e valorizar a vida, vivê-la intensamente sem nos preocuparmos com coisas. Ah, tudo isso sem deslumbramento com poder ou riqueza.EupapaieMano

Meu velho era/é coração e minha mãe a razão. As características se misturaram. Vejo em mim e no meu irmão virtudes e defeitos de ambos. Nunca fui dado a hipocrisias, verdades invertidas ou farsas reais. A personalidade forte é coisa da mãe. Em contrapartida, o carisma é coisa do pai.

MãeVejo pessoas que são “ótimas” com os outros, mas não valorizam nem um pouco suas famílias, mesmo sendo (com o perdão do gerúndio) totalmente dependente delas. Triste, mas é fato. Ainda bem que não somos como esses imbecis, graças aos nossos pais.

Como eles, penso positivamente e trabalho para criar oportunidades. É, graças a Deus, assim como possuo a capacidade de fazer amigos do meu pai, identifico cretinice a léguas de distância, como minha mãe. anakimNão por acaso, somos pessoas boas, com defeitos, claro. Porém, mas em algum lugar do passado, entendemos que é preciso batalhar, respeitar, amar e, se preciso, brigar, bater e vencer.

Tenho orgulho de ser filho deles, ter um pouco (ou muito) de cada um. Na verdade, acho isso o máximo!

Elton Tavares

Poema de agora: Itinerário – Jaci Rocha

Itinerário

Gosto de olhar teu rosto
Sentir teu corpo
Desalinhar meu coração!
Do calor e do frio de estar contigo.

Gosto das piadas loucas,
Do humor pouco convencional
Ainda assim, fecho os olhos,
Desacredito de estar nos teus laços!
Um filme, enredo de um sonho distante, irreal!

Mas eis,
que estou mesmo em teus braços…
E eu já não sei então…
( Dessas coisas de paixão, tenho medo)

Qual a curva, a reta, a seta ou direção?
Neste mundo tão bonito e vago!
Onde a vida, mais que a razão
Conta seu próprio curso, verdade e itinerário.

Jaci Rocha

Flip não dá outro (crônica) – Por Ruben Bemerguy – Contribuição de Fernando Canto

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Ruben Bemerguy

“TEXTINHO?

Recebi do amigo Ruben Bemerguy o texto abaixo que ele chama modestamente de “Textinho”. Vejam só a riqueza da sua escritura e o desenho de sua memória em relação a pessoas que viveram a velha e romântica Macapá. E o Flip? Quem, como eu, não provou desse refrigerante genuinamente amapaense na década de 1960 e início dos anos 70? Provem, então, desse sabor borbulhante do Ruben” – Fernado Canto.

“Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa”Chico Buarque de Hollanda

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Moisés Zagury

Flip não dá outro

Muito embora se possa pensar, e não sem alguma razão, que me decidi por uma literatura lúgubre, digo sempre que não. Também digo não ser essa uma expressão de meu luto. Não. Não escrevo sobre os mortos porque morreram simplesmente. O faço como quem ora, sempre ao nascer e ao pôr-do-sol, em uma sinagoga feita à mão, desenhada n’alma da mais imensa saudade. Escrevo também para que os meus mortos permaneçam vivos em mim. Morreria mais apressadamente sem a memória dos que amei tanto. É só por isso que escrevo. Porque os amei e ainda os amo.

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Moisés Zagury

E quando esses meus amores partem e com eles já não posso mais falar, passo, insistentemente, a dialogar comigo. É um diálogo franco e, de fato, inexistente. Sempre que tento assumir a função de meu próprio interlocutor, uma súbita impressão de escárnio de mim mesmo me faz parar, e aí calo. Toco a metade de meu dedo indicador direito, verticalmente fixo, na metade de meus lábios, como a pedir silêncio a minha insensatez. Taciturno, faço vir à memória de um tudo.

É por isso, e tanto mais, que ando sempre atrasado. Demoro a escrever e quando decido o faço tão pausadamente que chego a aprender de cor todo o texto. Por exemplo, se medido o amor que tinha por meu tio Moisés Zagury, há muito me obrigava a ter escrito. Mas minha inércia não é voluntária e, por isso, não a criminalizo. Não há relação entre o tempo da morte e o tempo de escrever. A relação é de amor e é eterna. A morte e a palavra, ao contrário de mim, não se atrasam. Além disso, em minha vida andam juntas, nem que seja só em minha vida. Isso já aprendi, porque as sinto frequentemente, desde criança, tanto a morte quanto a palavra.Fortaleza-50-Lenize-1

E é desde criança que lembro do tio Moisés. Lá, estive muitas vezes no colo. Pensei que adulto isso não mais aconteceria, mas aconteceu até a última vez que o vi. No aeroporto, quieto em uma cadeira de rodas, ele ia. Tinha um olhar paciente, de contemplação, de reverência a Macapá e, sem que ele percebesse, eu em seu colo observava obcecadamente cada movimento dos olhos, queria traduzir e imortalizar aquele momento. Não consegui e até hoje tento imaginar o que o tio Moisés dizia pra cidade. Acho que tudo, menos adeus. Macapá e o tio eram inseparáveis. Essa era a terra dele e ele o homem dela. Isso é inegável. Por baixo das anáguas de Macapá ainda velejam o líquido de ambos: do tio e da cidade.

O tio conheceu a cidade cedoFlip na exposição. Ele, moço. Ela, moça. Daí, foi um passo para ser o abre-alas dela. Tinha dom. Rascunhavam-se incessantemente um ao outro. Eu os vi várias vezes passeando, trocando carícias. Ela costumava cantar para ele, enquanto ele fabricava um xarope de guaraná. O Flip. Flip guaraná. Dentro de cada garrafa havia um arco-íris. A fórmula era segredo do tio e da cidade, e até hoje o é. Por isso, só o tio conseguia pôr arco-íris em uma garrafa de guaraná. Acho mesmo que o Flip era feito da seiva da cidade. Eu o Tomava gut gut.

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Propaganda do jornal Amapá, edição de 1956.

O Flip não foi só o primeiro guaraná produzido aqui. Não foi também só a primeira indústria. O Flip, me conta a memória, foi o cenário auditivo mais preciso de minha lembrança. Era a propaganda que anunciava promoção de prêmios a quem encontrasse no guaraná, além do arco-íris, o desenho de um copo no interior da tampinha da garrafa. O copo, sinceramente, não era minha grande ambição. O sabor estava mesmo na propaganda que vinha pelas ondas das rádios Difusora e Educadora, se bem lembro. Era o som de um copo quebrando, esquadrinhado por uma indagação seguida da solução: “Quebrou?. Flip dá outro”. E dava mesmo.

Não sei se por ingenuidade da iAnos 50 -Caminhão da Fábrica do Flip Guaraná oknfância ou ignorância, o que aquele sorteio me fixou é que tudo era substituível. Se o copo quebra, Flip dá outro. Se a bola fura, Flip dá outra. Se a moda não pega, Flip dá outra. Se o tempo passa, Flip dá outro. Se o ar falta, Flip dá outro. Se o amor acaba, Flip dá outro.

Não me cabe agora eleger um culpado pela singeleza de minha compreensão da vida. Fico cá a suspeitar do arco-íris, e nem por isso me zango. Se me fosse permitido optar entre a idade madura e o arco-íris, escolheria o arco-íris sem piscar. Mas isso não é pQuatro Pioneiros do Amapáossível, agora eu sei. A bola fura, a moda pega, o tempo passa, o ar falta e o amor acaba. Tudo, é claro, por falta do Flip.

É um desconforto viver sem Flip. Todas as vezes que a vida me recusa, eu lembro do Flip. Mesmo assim, não digo nada a ninguém. Chamo num canto os arco-íris que conservo desde tanto, faço mimos, beijo os olhos, o rosto, e sossego. Vem sempre uma chuva fina. Eu me molho e a guardo. Guardo muitas chuvas. Quando se guarda bem guardadinha, a chuva não dói. Só dói é saber que Flip não dá outro. Poxa, quanta saudade do meu tio.

Ruben Bemerguy

O ostranauta – Crônica firmeza de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

O ostranauta é um cara ensimesmado, circunspecto, sorumbático, meditabundo, que viaja sem rumo ao redor de seu umbigo.

O ostranauta é todo aquele que segue a vida dentro de sua carapaça de tartaruga. Ele ouve os sons ao seu redor, está conectado com o mundo, mas prefere o seu próprio planeta, a sua ostra. Por isso, ele é um ostranauta.

A bordo de sua ostra, ele se imagina dentro do útero, da caixa de fósforos, da gaveta, da concha… Há uma multidão de inadaptados, esquecidos, marginalizados, banidos. Mas o ostranauta, mais do que ser um exilado, é um exilado por opção, um autoexilado. Ele não quer mesmo papo com o mundo exterior. Só o que interessa é o seu grupinho das redes sociais. Ele tem milhões de horas de internet grátis à sua disposição. Tempo e assunto são coisas que não faltam. Não se sabe se os assuntos são interessantes. Na maioria das vezes, quantidade é uma inimiga terrível da qualidade. Alguns aproveitam a modernidade da internet para disseminar ideias racistas, homofóbicas, xenofóbicas, claustrofóbicas… Outros ostranautas ficam apenas se divertindo com piadas bobas, que não precisariam de toda essa tecnologia para existir. Ou postando / compartilhando / curtindo vídeos idiotas. Ou sacaneando saudavelmente seus amiguinhos (reais e virtuais). Ou…

Entre num ônibus e você verá vários ostranautas guardados no seu mundinho. Vá ao shopping e encontre o maior número de ostranautas por metro quadrado. Eu estou me esforçando para ser um ostranauta. Preciso acompanhar os tempos, senão vou acabar falando sozinho. Que nem os ostranautas.

Promotoria da Saúde celebra acordo judicial com PMM para definir cronograma de concurso para área de Saúde

A Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (PJDS) celebrou, nesta quinta-feira (25), em sua sede, um acordo com o Município de Macapá para definir em cronograma para realização de Concurso Público para provimento de cargos para área da saúde municipal. A ação dará celeridade na execução do pleito e visa melhorar o atendimento à população da capital amapaense.

Assinaram o acordo, além do Prefeito Clécio e dos Promotores de Justiça Fábia Nilci e André Araújo, os secretários municipais de Saúde e Administração, Silvana Vedovelli e Carlos Michel Miranda, respectivamente.

O acordo ocorreu nos autos da Ação Civil Pública Nº. 0024222-83.2014.8.03.0001, julgada em 2017, em que o Município de Macapá fora condenado a realizar o Concurso, extinguindo os contratos administrativos que foram julgados nulos na mesma decisão.

Com o acordo, o Município de Macapá se comprometeu a desistir do recurso contra a decisão, pondo fim ao litígio, e estabelecendo o cronograma para lançamento do edital e contratação dos profissionais aprovados, para atuarem nas unidades de saúde atuais e nas que devem ser inauguradas até o fim do ano.

Com a medida, ficou fixado o prazo de até 31 de março de 2018 o lançamento do edital do Processo Seletivo e até oito meses para a conclusão do certame, devendo todos os contratos administrativos do setor serem extintos até 31 de dezembro deste ano.

A Promotora de Justiça Fábia Nilci, destacou que “o acordo permite por fim ao processo, evitando uma longa disputa judicial em fase recursal, que em nada beneficiaria a sociedade”.

O Prefeito de Macapá, Clécio Luís se mostrou satisfeito com o acordo, comprometendo-se a cumprir todos os prazos acordados e acredita que os novos servidores concursados poderão melhorar o atendimento à população nas unidades de saúde mantidas pelo Município.

O acordo já foi encaminhado ao Poder Judiciário para homologação.

Serviço:

Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]