Poema de agora: Apelo 1 – Luiz Jorge Ferreira

APELO 1

O charme de Zaide, era sair debaixo, sem haver terminado.
Longe:- Zumbando o Marabaixo.
Sem perder o charme, sem zunir, sem zombar, sem dar um gemido.

Isto ela fez com o primeiro – Pai de Coló.
Repetiu com o segundo – Pai de Ângela.
Bisou com o terceiro – Pai de Bebeçudo. Com o pai de Álvaro, Angélica, Avulu, Fernando, Biló ,
Zé Maria, Paulo Rodolfo, Cecílio, Quele, Padoca, Lele, e os que mudaram com ela para rua da Olaria.

Ali colocou a lua em tigela de barro, e os gemidos e assovios, os pôs a secar.
Os de ninar os dependurou na crista do vento, os de beber retirou suas línguas,
e as esticou entre o Equador e o Trópico de Câncer.

Os de chorar, amarrou suas lágrimas com Puraquês e os acendeu as vésperas de lua.
Os de ir. Para eles, varreu a porta da casa com sopros e sussurros.

Os porquês dos quereres e maldizeres, deixou no escuro da memória.
Os de escrever poemas e os de se apaixonar,estes,ela fez sinal com as digitais
sobre os olhos sempre ávidos e avulsos.

Os de voltar, para eles, ela limpou um quarto escuro, sem limites entre o passado e o presente.
Espalhou, Duendes,encontro banais,espanto, canções,perfumes e lembranças, situações cotidianas,
frases levianas, psius e silêncios, botou de repentes e alguns …te amo.

Os de subir a Av. Ernestino Borges, para eles ela confundiu o Norte Magnético,com telas de tv,
teclas de computador, e a cicatriz de várias pegadas sem rumo.

Os que gastaram pouco o tempo, os prematuros, os imaturos e quase mudos, os que subiram a ladeira,
com as mãos no bolso, os de terno escuro, os amantes do muro, os que sentavam no tronco ao lado da Igreja,
os de queixa, os de pranto, os de reza, os de pressa, os de bulir com pica paus e percevejos, os do retrato, os escoteiros,
os de cerveja, os do Pacoval, os do Araxá, os do Curral das Éguas, as mulheres éguas. Os de eu, e os que foram tu,
e as que foram, e os que foram, e os que são…

O charme de Zaide, era sair do poema, antes do término como um Inverno, largando chuva na vidraça,
barulho nas telhas e pausa para mexer no quarto escuro, com os gatos de porcelana e as bailarinas de louça.
Tudo isso na primeira estrofe.

– Que é esta na qual estou vivo,
Para os vivos, ela preparou um aviso.
Para os vivos !

Luiz Jorge Ferreira

 

* Do Livro Thybum – Rumo Editorial – 2006 – São Paulo.

Frases, contos e histórias do Cleomar (Parte IV)

Como já dito aqui, meu amigo Cleomar Almeida é um competente engenheiro. O cara também é a personificação da pavulagem e gentebonisse, presepeiro e boçal como poucos que conheço. Um figura divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade. Quem conhece, sabe. Na mesma linha da PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA edições sobre seus papos no Facebook, mais uma vez selecionei alguns de seus relatos hilários na referida rede social.

Boa leitura (e risos):

Filhos

Quando se tem filhos a gente a gente se enquadra em três níveis de bestidade. O besta propriamente dito, o abestado e o abestalhado. Nesse último, me enquadro perfeitamente.

Print

Eu sempre falei, esse negócio de print ainda vai acabar com a raça humana.

Batucada na barriga

Nunca confiem em um homem que não sabe fazer uma batucada na barriga, com certeza tem algo errado com ele. ☺️

Convocação para a Copa América

Vi essa convocação e tenho quase certeza que o Dunga sequestrou o Tite.

Cargo na AL

Se a pequena fosse barangada eu duvido que tava essa fuleiragem toda, bando de feio com dor de cotovelo.

Mês longo

Tendo como base, uma análise minuciosa na geladeira e no armário aqui de casa, vejo que abril já deveria ter acabado a dez dias.

Bolsomínions na chuva

Pra começo de conversa, blogueiro semi analfabeto não é jornalista, tem mais é que ficar na chuva mesmo.

Briga na Câmara de Vereadores

Já me meti num porradal desses, eu era o cara que chega voando!

Música

A gente tá bem assistindo ao Jornal e páh, me aparece o Mauro Cotta. Dá logo uma vontade do cabôco sair rabiando no brega.

Conversa com Deus

Se eu pudesse falar com o Criador só teria uma pergunta. Chefe, o Senhor vai precisar mesmo desses carapanãs? Fooooolego, tá demais.

Lindeza: balneário Água Fria em Pedra Branca do Amapari

Foto: Elton Tavares

Por Luís Lopes

O nome deste lugar não é a toa. A água realmente é gelada! O balneário de fica no distrito de Água Fria, no rio que leva o mesmo nome, em Pedra Branca do Amapari. Quem passa por este município, distante 187 km de Macapá, o balneário de Água Fria é parada obrigatória.

Lá possui uma estrutura mínima para receber os visitantes, como mesas e bancos. Fique a vontade para tomar sua cervejinha e fazer seu churrasquinho (sempre lembrar para não extrapolar e incomodar os outros visitantes).

Tenha atenção especial para crianças, idosos e aqueles que bebem um pouco mais, pois a correnteza é forte. Ah, muito cuidado com as pedras no meio do rio (sempre tem o engraçadinho mais atrevido). Muita cautela!

Foto: Elton Tavares

Como chegar

O acesso para Pedra Branca do Amapari é pela rodovia BR-210 (também conhecida de Perimetral Norte. O balneário de Água Fria fica a 3,5 km, aproximadamente, da sede municipal de Pedra Branca do Amapari (sentido Serra do Navio). Não tem erro!

Fonte: Trip Amapá

Poema de agora: Palmas Proparoxítonas – Luiz Jorge Ferreira

Palmas Proparoxítonas

Uma estrela despenteada, sentada, sozinha, a beira da calçada, menstrua um punhado de luz de lua nova, sobre duas lembranças de Janeiro.
Eu vejo, escondido, detrás de um monte de Julhos.
E tento escrever em um vaso cheio de areia.
Um texto de Hamlet.


Quando de repente o farol de um carro sujo de lama e confete, espalha um clarão sobre minha face esquerda.
Há sobre ela, feito com carvão, um desenho de quebra cabeças, cheio de frases desconexas do Pequeno Príncipe em Birmânes.


Entrelaço dúzias de fiapos de manga que retiro dentes, e com eles adorno a cabeça calva da estrela, que vi no primeiro verso.

Meu coração fica com uma das asas machucadas.
E eu abraço ternamente a saudade, e o tempo que lentamente se afastam em direção às ruínas do Teatro.

Eu sou o Teatro, onde fingi, personagens minhas, para uma platéia entre espelhos, sou negro, e fui azul.
Fui chão e imitei voar.
Asas não as tinha , cuspiu nas costas, e as fiz brotar.
Ao rastejar senti vertigens, e nunca fui luz, moldei estrelas, fingi obtê-las da diagonal do esquecimento.
Onde a teia entre o passado amigo e futuro inseguro…brincam de amarelinha.

Para cantar escolhi Ode ao Silêncio…todos aplaudiram em Braile…
Amei ser o Oitavo.
Pulei feliz, até que fecharam as cortinas.


Um cheiro de naftalina,sentou ao meu lado na plateia.
O escuro deu- me as mãos, e julho temperamental, curvou os meus joelhos e me mergulhou no sal.

Dezenove de Julho, de Câncer, todo tatuado de meconio caminhei para o Sol.

Oitocentos e quarenta meses…corro coberto de mim, para escapar da chuva que menstrua lembranças tardias.

Oitocentos e quarenta meses…corro adiante de mim…fugindo da chuva…que molha minha sombra, sacode meu passado, nem me condena, nem me absolve, e promete inundar com meu drama lacrimoso …
Todas as telas apagadas das TVs desligadas dos Botecos de Vila Madalena.

Luiz Jorge Ferreira

* Do livro de Poemas “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas” – Rumo Editorial – São Paulo.

Flip não dá outro (crônica) – Por Ruben Bemerguy – Contribuição de Fernando Canto

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Ruben Bemerguy

“TEXTINHO?

Recebi do amigo Ruben Bemerguy o texto abaixo que ele chama modestamente de “Textinho”. Vejam só a riqueza da sua escritura e o desenho de sua memória em relação a pessoas que viveram a velha e romântica Macapá. E o Flip? Quem, como eu, não provou desse refrigerante genuinamente amapaense na década de 1960 e início dos anos 70? Provem, então, desse sabor borbulhante do Ruben” – Fernado Canto.

“Ouça um bom conselho
Que eu lhe dou de graça
Inútil dormir que a dor não passa”Chico Buarque de Hollanda

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Moisés Zagury

Flip não dá outro

Muito embora se possa pensar, e não sem alguma razão, que me decidi por uma literatura lúgubre, digo sempre que não. Também digo não ser essa uma expressão de meu luto. Não. Não escrevo sobre os mortos porque morreram simplesmente. O faço como quem ora, sempre ao nascer e ao pôr-do-sol, em uma sinagoga feita à mão, desenhada n’alma da mais imensa saudade. Escrevo também para que os meus mortos permaneçam vivos em mim. Morreria mais apressadamente sem a memória dos que amei tanto. É só por isso que escrevo. Porque os amei e ainda os amo.

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Moisés Zagury

E quando esses meus amores partem e com eles já não posso mais falar, passo, insistentemente, a dialogar comigo. É um diálogo franco e, de fato, inexistente. Sempre que tento assumir a função de meu próprio interlocutor, uma súbita impressão de escárnio de mim mesmo me faz parar, e aí calo. Toco a metade de meu dedo indicador direito, verticalmente fixo, na metade de meus lábios, como a pedir silêncio a minha insensatez. Taciturno, faço vir à memória de um tudo.

É por isso, e tanto mais, que ando sempre atrasado. Demoro a escrever e quando decido o faço tão pausadamente que chego a aprender de cor todo o texto. Por exemplo, se medido o amor que tinha por meu tio Moisés Zagury, há muito me obrigava a ter escrito. Mas minha inércia não é voluntária e, por isso, não a criminalizo. Não há relação entre o tempo da morte e o tempo de escrever. A relação é de amor e é eterna. A morte e a palavra, ao contrário de mim, não se atrasam. Além disso, em minha vida andam juntas, nem que seja só em minha vida. Isso já aprendi, porque as sinto frequentemente, desde criança, tanto a morte quanto a palavra.Fortaleza-50-Lenize-1

E é desde criança que lembro do tio Moisés. Lá, estive muitas vezes no colo. Pensei que adulto isso não mais aconteceria, mas aconteceu até a última vez que o vi. No aeroporto, quieto em uma cadeira de rodas, ele ia. Tinha um olhar paciente, de contemplação, de reverência a Macapá e, sem que ele percebesse, eu em seu colo observava obcecadamente cada movimento dos olhos, queria traduzir e imortalizar aquele momento. Não consegui e até hoje tento imaginar o que o tio Moisés dizia pra cidade. Acho que tudo, menos adeus. Macapá e o tio eram inseparáveis. Essa era a terra dele e ele o homem dela. Isso é inegável. Por baixo das anáguas de Macapá ainda velejam o líquido de ambos: do tio e da cidade.

O tio conheceu a cidade cedoFlip na exposição. Ele, moço. Ela, moça. Daí, foi um passo para ser o abre-alas dela. Tinha dom. Rascunhavam-se incessantemente um ao outro. Eu os vi várias vezes passeando, trocando carícias. Ela costumava cantar para ele, enquanto ele fabricava um xarope de guaraná. O Flip. Flip guaraná. Dentro de cada garrafa havia um arco-íris. A fórmula era segredo do tio e da cidade, e até hoje o é. Por isso, só o tio conseguia pôr arco-íris em uma garrafa de guaraná. Acho mesmo que o Flip era feito da seiva da cidade. Eu o Tomava gut gut.

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Propaganda do jornal Amapá, edição de 1956.

O Flip não foi só o primeiro guaraná produzido aqui. Não foi também só a primeira indústria. O Flip, me conta a memória, foi o cenário auditivo mais preciso de minha lembrança. Era a propaganda que anunciava promoção de prêmios a quem encontrasse no guaraná, além do arco-íris, o desenho de um copo no interior da tampinha da garrafa. O copo, sinceramente, não era minha grande ambição. O sabor estava mesmo na propaganda que vinha pelas ondas das rádios Difusora e Educadora, se bem lembro. Era o som de um copo quebrando, esquadrinhado por uma indagação seguida da solução: “Quebrou?. Flip dá outro”. E dava mesmo.

Não sei se por ingenuidade da iAnos 50 -Caminhão da Fábrica do Flip Guaraná oknfância ou ignorância, o que aquele sorteio me fixou é que tudo era substituível. Se o copo quebra, Flip dá outro. Se a bola fura, Flip dá outra. Se a moda não pega, Flip dá outra. Se o tempo passa, Flip dá outro. Se o ar falta, Flip dá outro. Se o amor acaba, Flip dá outro.

Não me cabe agora eleger um culpado pela singeleza de minha compreensão da vida. Fico cá a suspeitar do arco-íris, e nem por isso me zango. Se me fosse permitido optar entre a idade madura e o arco-íris, escolheria o arco-íris sem piscar. Mas isso não é pQuatro Pioneiros do Amapáossível, agora eu sei. A bola fura, a moda pega, o tempo passa, o ar falta e o amor acaba. Tudo, é claro, por falta do Flip.

É um desconforto viver sem Flip. Todas as vezes que a vida me recusa, eu lembro do Flip. Mesmo assim, não digo nada a ninguém. Chamo num canto os arco-íris que conservo desde tanto, faço mimos, beijo os olhos, o rosto, e sossego. Vem sempre uma chuva fina. Eu me molho e a guardo. Guardo muitas chuvas. Quando se guarda bem guardadinha, a chuva não dói. Só dói é saber que Flip não dá outro. Poxa, quanta saudade do meu tio.

Ruben Bemerguy

Poema de agora: Cheiro de Infância – Pat Andrade

CHEIRO DE INFÂNCIA

minha infância tem cheiro de lancheira
de mingau de maisena
de boneca velha
de caderno novo
minha infância tem cheiro de gemada
de pão com manteiga
e café fresquinho
de tapioca e beiju
Minha infância tem cheiro de Phebo
copaíba e andiroba
tem cheiro de mato,
tem cheiro de vela
tem cheiro de avô.
minha infância tem cheiro de arraial
de camarão cozido
e peixe assado
tem cheiro de comida da vovó.
minha infância tem cheiro de quando eu crescer
de fruta fresca, colhida no pé
tem cheiro de roupa quarada com anil
minha infância tem cheiro de igarapé
de água fria, de bater o queixo
e engelhar os dedos
minha infância tem cheiro de interior,
de quintal molhado de chuva
de grama aparadinha, de folha seca
de sapoti
minha infância tem cheiro de saudade

Pat Andrade

Projeto Piratuba na Escola: um “papo show” com Osmar Júnior

O cantor e compositor amapaense Osmar Júnior tem percorrido instituições de ensino de Macapá e do interior do Amapá com seu projeto “Piratuba na Escola”. A ação consiste em um “papo show” entre o artista, um dos maiores compositores da música tucuju, e estudantes.

Durante as visitas às escolas, Osmar Júnior toca suas canções e realiza rodas de conversa sobre as origens no Lago Piratuba, extremo Leste do Amapá. Fala sobre sua trajetória e a contextualização de tudo isso com com suas composições.

Além da divulgação de sua obra para a nova geração, o “Poetinha” tem o propósito de explicar aos alunos sobre a importância da preservação ambiental, a defesa das florestas, de seus rios, de seu povo e toda sua biodiversidade.

“Busco explicar aos estudantes a ideologia ambiental pela música. Os temas são abordados de forma dinâmica e divertida. O Amapá é um desafio. Construir a consciência cultural dos alunos é fundamental.

Osmar tem custeado sozinho o Projeto, que já passou por escolas do interior do Amapá. Para ajudar a pagar a logística do Piratuba na Escola, o Poetinha comercializa DVD’s seus.

Para colaborar, entre em contato e auxilie nessa nobre missão pelos números: 99172 7061 (comercial) e 991153712 (WhatsApp)

Sobre o amigo Osmar Júnior

Osmar está entre os principais representantes da música amapaense. Aos 14 anos, estudou violão com o maestro Oscar Santos, um dos pioneiros da música do Estado. Aos 17, atuou também como contrabaixista e guitarrista em diversos conjuntos musicais de Macapá.

Na década de 80, iniciou sua trajetória como compositor, participando de festivais universitários. Em 89, foi produtor do LP “Sentinela Nortente”, do cantor amapaense Amadeu Cavalcante, um dos marcos transformadores na música regional na Amazônia.

Osmar Júnior assina as lindas canções “Pedra do Rio”, “Tarumã”, “Igarapé das Mulheres” e “Pra Nunca Mais”, só pra falar de algumas.

Elton Tavares

Investigação: documentação e equipamentos eletrônicos apreendidos na Operação Água Fria estão em fase de análise

O Ministério Público do Amapá (MP-AP), por meio do Grupo de Atuação Especial para Repressão ao Crime Organizado (GAECO/AP), iniciou a análise do material apreendido na última sexta-feira (14), durante a Operação Água Fria. A ação do Gaeco, com apoio da Procuradoria-Geral de Justiça do MP-AP e Gabinete Militar da instituição, ocorreu na Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), residências e três empresas, em Macapá.

De acordo com o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Afonso Guimarães, a ação ocorreu com o objetivo de coletar provas para a investigação de denúncias da prática de crimes como fraude em dispensa de licitação para a aquisição de materiais hidráulicos para a Caesa, peculato, falsidade ideológica e formação de organização criminosa, ocorridas em 2018, com a finalidade de subtrair dinheiro público.

Segundo o promotor de Justiça, ao todo, nove (9) mandados de busca e apreensão foram executados, com autorização do Poder Judiciário. Na ação, foram apreendidos documentos e equipamentos eletrônicos (computadores e celulares), com o propósito de subsidiar as investigações.

Conforme apurado nas investigações do Gaeco, a empresa que vendeu para a Caesa não possui, em sua sede, capacidade para o estoque dos produtos comercializados, pois trata-se de uma gráfica, bem como que a Caesa adquiriu materiais com valores superfaturados.

“Fazemos um trabalho preventivo, por meio da expedição de Recomendações para que as instituições não pratiquem atividades ilícitas. Recebemos informações sobre a existência de privilégios para as empresas a respeito de dispensa de licitação. Conseguimos demonstrar superfaturamento de preço e aquisição de material em empresas que não têm relação com os produtos adquiridos”, detalhou o promotor de Justiça.

Afonso Guimarães explicou que, no momento, o valor do dano ao erário está em apuração e por conta disso ainda não foi divulgado, pois a investigação está em fase embrionária.

“A análise da farta documentação e dos equipamentos eletrônicos apreendidos durante a Operação está subsidiando a denúncia. Ao final deste trabalho, iremos ingressar com as devidas ações contra os acusados”, explicou o coordenador do Gaeco.

SERVIÇO:

Elton Tavares
Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]

O último voo do Pavão – Crônica porreta de Fernando Canto sobre a história o homem do marabaixo

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Mestre Pavão – Foto: Chico Terra

Por Fernando Canto

Na segunda-feira, 11 de maio de 2009, o mestre Pavão bateu suas belas asas para nunca mais.

O homem do marabaixo partiu para encontrar-se com seus ancestrais, os mesmos que lhe ensinaram a tocar tão bem a caixa, o tambor que anunciava bons augúrios nas pavãotardes do Laguinho. Com ele Pavão comunicava a seus pares, os agentes populares do sagrado, que a festa do Divino e da Santíssima Trindade já tinha início. E todo um ritual deveria ser obedecido, desde o Domingo da Aleluia, passando pelos preparativos da seleção dos mastros nas matas do Curiaú, até a sua derrubada e escolha dos próximos festeiros no Domingo do Senhor. Com ele se foi um arcabouço cultural de grande valia para a memória do nosso patrimônio imaterial. Foi-se também a sabedoria dos que fazem acontecer as manifestações mais legítimas do povo. E restou apenas o espanto dos que ficaram. Doente, não mais participava ativamente dos eventos do marabaixo como nos velhos tempos, mas sempre dava um jeito de ir em sua cadeira de rodas aos mais importantes, para ouvir o rufar das caixas e ver as saias da negras velhas rodarem sob o ritmo intenso oriundo de além-mar.

pav3Pavão levava muito a sério o que fazia no marabaixo. Até brigava por ele. Seu amor pelo folclore certamente foi herdado do avô Julião Ramos, o grande líder negro, que na época da implantação do Território Federal do Amapá disseminou o ritmo e a dança para todo o Brasil. No domingo, véspera da sua morte, sua filha Ana perguntou-lhe se ia ao marabaixo do Dia das Mães na casa da Naíra – uma das festeiras desse ano no bairro do Laguinho. Ele disse que não ia porque estava indisposto, mas mandou todo o pessoal de sua casa para lá, pedindo que não deixassem a ”cultura morrer”. Mal sabiam todos de sua casa que a cultura do marabaixo, nele impregnada, estava morrendo um pouquinho com ele.

pav2Justo que consideramos a memória como o deciframento do que somos à luz do que não somos mais, a morte é o abismo que tudo leva e engole inclusive o segredo da identidade, aquilo que nos pertence social e culturalmente. Posto isto, quantas conversas não foram abruptamente cortadas numa gravação para um trabalho de conclusão de curso dessas tantas faculdades da capital? Assim sendo, o que restou de seus depoimentos, desse depósito memorial tão importante para que se analise o marabaixo? Ora, sabe lá quantos pesquisadores egoístas guardam suas fitas encarunchadas e vídeos empoeirados que nunca vão se abrir para ninguém?

Mestre Pavão a todos respondia com a maior paciência, paciência esta que aprendeu a ter com a doença intratável que lhe fez perder uma perna. Mestre Pavão dava a todos o seu conhecimento vívido e vivido intensamente em setenta e dois anos de repetição ritualística que a sua memória avivava e exprimia no vai-e-vem dos olhos.pav1

Aqui peço licença poética ao escritor moçambicano Mia Couto que escreveu o “Último Voo do Flamingo”, para parafraseá-lo, dizendo que o nosso pavão alçou seu último voo na tarde amena de maio. Um voo curto,é certo, porque pavões não voam quase nada, mas são aves do paraíso por excelência. Sua luxuriante plumagem em profusão de dourados, verdes e azuis à luz do sol reflete uma miríade de cores, onde o vermelho e o branco parecem estar presentes como se preparando para um desfile da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, a escola do coração do mestre. Convém lembrar aqui que o simbolismo do pavão carrega as qualidades de incorruptibilidade, imortalidade, beleza e glória, que por sua vez se baseia em outro aspecto além destes: a ave é predadora natural da serpente, e em certas partes do mundo, mesmo seu aspecto maravilhoso é creditado ao fato da ave transmutar espontaneamente os venenos que absorve do réptil. Este simbolismo de triunfo sobre a morte e capacidade de regeneração, liga ainda o animal ao elemento fogo.pav4

Fogo, sim, do marabaixo quente, do “Caldeirão do Pavão” com seu caldo revitalizador do carnaval que tanto o mestre amava e por isso se enfeitava nos áureos tempos dos desfiles da FAB. Vai em paz, Pavão, tua plumagem tem cem olhos para vigiar o que deixaste entre nós.

(*) Publicado No livro “Adoradores do Sol”, de Fernando Canto. Scortecci, São paulo, 2010. Minha homenagem a um dos mais importantes divulgadores do Marabaixo.

*Fotos encontradas nos sites do Chico Terra; Rostan Martins; Memorial Amapá (Neca Machado); Tribuna Amapaense e Federação Folclórica do Amapá e jornalista Mariléia Maciel. 

Poema de agora: PAPEL NO PAINEL – Luiz Jorge Ferreira

PAPEL NO PAINEL

Na minha cabeça, milhares de Universos.
Defronte de meu carro parado no estacionamento do Carrefour , tão vazio como o Saara.
Apenas um cão magro faz companhia e se preocupa com sua Sarna abundante, suas meia duzias de pulgas magras também, e com uma multidão de formigas de fogo, em fila, que estão assustadas com o Sol refletido no cimento da calçada.


Para descer e sair caminhando terei que chutar uma estrela que ali amanheceu, com certeza se esqueceu de alcançar voo até a Constelação de Cirius.
Doem meus dedos, ando digitando demais, usarei mais a voz para falar com o eco, e alojarei pensamentos no espaço incomensurável dos neurônios, para estende-los da década de Cincoenta, até agora neste momento em que leio 12.53, de 19.04.2019.

Entrarei na sétima década…Faunos.Sacis.
Fadas. Yaras e Gnomos, nunca os vi.
Vejo solitário o estacionamento do Carrefour…
Dou por mim , noto a ausência da silhueta heptagonal daquela estrela.
Pode ter subido célere como sugada por um buraco negro.


Pode estar no terceiro banco, a direita, da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré em Macapá.
Ouvindo Deus calar a fala dos Padres.
Pode estar em Viseu, pondo os pés frios na lama toda marcada das patas dos caranguejos.
Ou pode estar entre os milhares de Universos que abrigo entre os neurônios do meu cérebro.


Onde estiver perambulando, será bem vinda.
Pode ter levado as pulgas, as formigas, o cão, e as sombras.
Tudo sumiu em um piscar de olhos.
Por Deus, assim que eu sorrir, todos serão bem vindos.

Luiz Jorge Ferreira

 

* Do livro de Poemas “Nunca mais vou sair de mim sem levar as Asas” – Rumo Editorial – São Paulo.

Professor indiano Soumitra Dutta vai ministrar palestra sobre inovação em Macapá

Evento promovido pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), em parceria com a Universidade Federal do Amapá (Unifap), vai trazer pela primeira vez ao estado, um dos mais respeitados especialistas em inovação no mundo, o indiano Soumitra Dutta. O ex-reitor e professor da Escola de Negócios SC Johnson, da universidade Cornell, no estado americano de Nova York, vai ministrar a palestra Inovação: Salto Qualitativo para o Desenvolvimento, no dia 13 de junho, às 10h, no Anfiteatro da Unifap. Para se inscrever gratuitamente, basta acessar um dos sites: www.ap.sesi.org.br ou www.ap.senai.br.

A proposta é reunir profissionais e estudantes de diferentes áreas. O público terá a oportunidade de prestigiar a exposição que tratará de assuntos como os efeitos da transformação 4.0 sobre a indústria e a sociedade, dando ênfase ao potencial que existe nos centros universitários brasileiros.

Para a superintendente do SESI e do SENAI Amapá, Regiane Machado, o ambiente de diálogo que será construído é propício para a troca de conhecimentos e experiência. “Ao promover a palestra, nossa intenção é somar esforços na mesma direção, além de articular ações voltadas para o ecossistema de inovação do estado”, ressaltou.

Sobre o palestrante

Soumitra Dutta é fundador, professor e ex-reitor da Cornell SC Johnson College of Business. Graduado em Engenharia Elétrica e Ciência da Computação pelo Instituto de Tecnologia da Índia (IIT), mestre em Administração de Empresas e Ciência da Computação, e PhD em Ciência da Computação pela Universidade da Califórnia. É autoridade em políticas de tecnologia e inovação e autor e coeditor do Global Information Technology Report, publicado pelo World Economic Forum, e do Global Innovation Index, publicado pela World Intellectual Property Organization (WIPO), Insead e Cornell.

Serviço:

Assessoria de Comunicação do SESI/SENAI – AP
Contato: (96) 3084-8944
E-mail: [email protected]

Poema de agora: Não brigo com Deus (Luiz Jorge Ferreira)

Não brigo com Deus

Não brigo com Deus
Porque minha impressora quebrou.
Nem procuro a memória no dedal em que escondi um caroço de uva.
Pisco para acender a luz interior
E ponho as palavras em fila do Alpendre desbotado da Av. Ernestino Borges…
Descendo descalças pela beira do rio.
Amo a parte em que saio de mim, e sou outros.
O passado, o depois, o dia que vinha, o ontem que foi.
Quando os vermes parasitas atemporais, inudarem com suas mandíbulas químicas, minhas células cerebrais, se embriagarão de poesia.
Os pluricelulares, alvissareira, declamarão.
Os mono celulares, acharão um absurdo, achar que o sol é tudo.
Quando há lua, chuva, amor, paixão, destino, e intestino.
A impressora quebrada, continuará oxidada.


As palavras nascerão em outras paragens, vindas de bocas, afoitas, e corações apaixonados.
Os bisnetos, dos bisnetos, dos unicelulares, que disseram versos, porque neles não cabem.
Acharão doce a palavra amor.
E com ela subirão pela aorta até o coração.
Onde terei deixado o desenho da palavra paz.

Luiz Jorge Ferreira

* Do livro Nunca mais sairei de mim, sem as Asas.
**Luiz Jorge Ferreira é amapaense, médico que reside em São Paulo e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (Sobrames).
***Contribuição do amigo Fernando Canto.

Profissionais alergologistas oferecem curso de gastronomia para pacientes com alergias e intolerâncias, em Macapá

Conhecendo as dificuldades da alimentação de pacientes com alergias e intolerâncias foi criado o 1º curso de Gastronomia para alérgicos e intolerantes, organizado por médicos especializados na área de alergologia e imunologia, surgindo com a proposta de unir gastronomia e saúde. Com duração de 60h, o curso será realizado na Estácio Macapá, com início no dia 10 de junho e duração de oito semanas.

Sua ementa contempla assuntos de como se dá as alergias alimentares, substituições hipoalergênicas, o que ler no rótulo e preparação de diversos pratos, o evento terá aulas teóricas das 18h às 22h e as aulas práticas serão no final de semana em período diurno.

O evento tem como objetivo incluir pessoas que possuem alergias e intolerâncias à cozinha, com dicas de receitas e substituições de potenciais alergênicos nas receitas. O curso dará os fundamentos da culinária para pessoas alérgicas a diferentes tipos de alimentos sem perder a qualidade e o sabor. Como acompanhamento didático do curso, os participantes receberão apostilas com os conteúdos e as receitas que serão ensinadas.

Divididos em módulos e com receitas que contemplam desde a alimentação de bebês com APVL (Alergia à proteína do leite de vaca), crianças, jovens e adultos com alergias alimentares e determinados alérgenos, o curso proporcionará uma nova forma de interação com os alimentos.

Público-alvo: Interessados em técnicas e receitas isentas de potenciais alergênicos (leite, ovos e glúten), pessoas com alergias alimentares e intolerâncias, assim como profissionais do setor alimentício e de saúde.

Valores, inscrições e outras informações: 88 99632-7520 Dr. Matheus Lima/ 96 98106-4240.

Dia do Meio Ambiente teve programação para estudantes e lançamento do Dicionário Socioambiental

No Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, uma programação diferenciada foi promovida pela Promotoria de Meio Ambiente de Macapá, com lançamento de publicação, troca de experiências e aprendizado sobre Unidades de Conservação do Amapá. Alunos da Escola Municipal Lúcia Neves Deniur foram os convidados para a manhã de conhecimento mútuo, em que o promotor Marcelo Moreira e técnicos da área ambiental motivaram para a responsabilidade com a preservação do planeta, seguindo a campanha de 2019, “Meio Ambiente: Cuidar é Dever de Todos.”

A proposta da Promotoria é de chamar atenção para os deveres de cada cidadão com a continuidade do meio ambiente e consequentemente da raça humana, e distribuir conhecimentos que possam contribuir com ações benéficas. Para alcançar este objetivo, foi disponibilizado no site do Ministério Público do Amapá (www.mpap.mp.br) o Dicionário Socioambiental do Amapá e planejadas atividades educativas com estudantes que já vivenciam práticas de perpetuação do meio ambiente, para que relatassem suas experiências na escola e ouvissem técnicos e o promotor Marcelo Moreira.

Dicionário Socioambiental

Com cerca de 350 verbetes utilizados nas questões ambientais, a publicação facilita a compreensão principalmente de termos regionais, comumente usadas no Amapá, mas que nem sempre são de uso acadêmicos e em outros estados. A catalogação e organização foi de responsabilidade do engenheiro florestal Alcione Cavalcante, que atua na Promotoria ambiental. Os verbetes se enquadram na legislação ambiental do Estado e Municípios, fazendo a simplificação de termos técnicos para o regional, e vice-versa.

Alcione Cavalcante relata que o objetivo foi de organização de uma publicação que explicasse alguns termos técnicos e tornassem públicas as expressões do Amapá. “Há publicações semelhantes em outros estados e precisávamos de um dicionário aqui também, porque existem palavras específicas do nosso vocabulário que precisam ser simplificadas. É um livro de interesse tanto de acadêmicos da área jurídica e ambiental, como de profissionais e imprensa, de todo o Brasil. Temos como exemplo o termo área de ressaca, que é usado somente no Amapá, em outros locais tem outros sinônimos”.

O dicionário está disponível no site do MP-AP e pode ser baixado em formato PDF. Em dezembro o autor irá lançar a versão impressa.

Educação Ambiental

Na Escola Municipal Lúcia Neves Deniur, os alunos do 5º ano e de Educação de Jovens e Adultos participam de uma experiência que está deixando a instituição colorida e perfumada e ajudando a limpar o meio ambiente. O projeto “Paisagismo: Bem-Estar e Preservação do Meio Ambiente” foi sugerido pelos alunos e abraçados por professores e direção. Há um mês, os pneus descartados por borracharias do bairro Brasil Novo são recolhidos e transformados em canteiros, assim como panelas e latas, que recebem os cuidados para que possam receber as mudas e sementes. Esta experiência foi contada hoje por pais, professores e alunos, que compartilharam com os técnicos em meio ambiente, policiais do Batalhão Ambiental e promotores, as informações práticas.

Os alunos fizeram ainda uma visita monitorada na exposição “Unidades de Conservação do Amapá”, que fica na recepção da Promotoria. Os técnicos apresentaram as 19 UCs que estão dentro do território amapaense, e sentaram na roda para tirar dúvidas e ouvir relatos sobre as ações da Promotoria na área de educação ambiental e as experiências do servidor público João Damasceno, pai de uma aluna presente e que tem o meio ambiente como sinônimo de vida, e dedica cuidados e amor para sua preservação.

“É preciso garantir o futuro do planeta, e para isso temos que cuidar do meio ambiente e das crianças, torná-los cidadãos, faze-los compreender que as responsabilidades são de todos e que se cada uma fizer um pouco, vamos conseguir. Foi importante ouvi-los, porque, às vezes, em seus cotidianos, são cometidas infrações contra o meio ambiente e eles não sabem. A partir do momento em que têm conhecimento, passam a ser agentes de boas práticas. Nossa proposta foi de difundir conhecimento e dividir experiências, alcançar pessoas de todas as idades, e conseguimos o intuito com o dicionário e estas atividades de educação ambiental”, disse o promotor Marcelo Moreira.

SERVIÇO:

Mariléia Maciel – Assessora Operacional – CAOP/AMB
Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Estado do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]