Poema de agora: Varal Colorido – Luiz Jorge Ferreira

Varal Colorido

No Outono os cães ladram menos.
Eu continuo a criar Poemas para minha mãe.
Recolho do chão entre folhas repletas do odor de peras podres, sílabas proparoxítonas, como serpentes coloridas.
As estendo entre o trópico de câncer e o trópico de capricórnio.
Atravesso o quintal onde a lua acende o olhar de mamãe em direção ao Grupo Escolar Azevedo Costa, que nem de costas está, nem de Carnaval gosta.

Outono tem o Aniversário do Jurista Câmara Alves …que nunca esteve em Macapá.
Hoje sentado em volta de uma mesa…
Satisfeito com a nobreza da luz dançando com as suas retinas.
Inaugura o ano de 92 em sua vida.

Os cães ladram em surdina…e em Jerusalém o tataraneto do jumentinho que carregou Cristo em direção ao início do seu Calvário.
Observa que as aves de arribação vieram todas do Norte.
Ela gorjeiam para o Outono, e saltitam entre suas próprias sombras todas cônicas.

Queria eu perguntar por Deus.
Mas os cães abafam meus gritos, latindo.
Eu me satisfaço em completar o desenho da Lua Nova no chão, no meio das folhas podres, com cheiro de peras podres.

Mãe…Mãe…não adormeça…é Outono.
Os cães já não latem…uivam para Vênus…mas o carro do lixo..
atabalhoadamente…nos arrasta!
Estranhamente ele carrega o Poema, os Poetas,a calçada, o quintal, o olhar, o cheiro de peras podres, que a memória guarda, e quando desaparece na esquina.
Sobram os cães, então eu posso começar a me aproximar, desde que a sede me acompanhe.

Luiz Jorge Ferreira

 

* Do livro “Nunca mais vou sair de mim, sem levar as Asas”.

Alcinéa Cavalcante terá obra “Caneta Dourada” lançada na Bienal de Culturas Lusófonas de Lisboa – @alcinea

A escritora, poeta e jornalista do Amapá, imortal da Academia Amapaense de Letras (AAL), além de querida amiga deste editor, Alcinéa Cavalcante, terá sua obra, “Caneta Dourada”, lançada na Bienal de Culturas Lusófonas de Lisboa (POR), que será realizada no dia 5 de maio de 2019.

Publicado pela editora Mágico de Oz, o livro reúne belos poemas ou crônicas da autora tucuju.

O evento, que conta com o apoio do Núcleo de Letras e Artes de Portugal, visa difundir e preservar a literatura de países da Língua Portuguesa e integrantes da Comunidade Lusófona.

Internacionalmente conhecida, Alcinéa já atravessou oceanos com outros feitos literários, como o conto “A pedra encantada do guindaste”, publicado na Antologia “As Melhores Obras deste Século”, em 2017.

” A pedra encantada do guindaste” também faz parte da antologia “Vozes Portuguesas”, do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Lisboa, lançada em Maio do mesmo ano, em Odivelas (Portugal).

Em outubro de 2018, com o conto “La Pierre enchantée” integrou a antologia “Les Plus Belles Oeuvres de ce Siècle”, que foi lançado no Museu do Louvre, em Paris (FRA) e no no Museu do Perfume, na cidade de Marrakesh (MAR).

Por conta de sua contribuição literária, Alcinéa já foi homenageada e recebeu medalhas que o Núcleo de Letras e Artes de Portugal concede a escritores lusófonos, como o prêmio Camões.

Alcinéa escreve com colorida ternura e leveza. Seu lirismo é recheado de referências da memória afetiva amapaense, que se confunde com seu admirável talento.

Tudo que li de sua autoria, sejam poemas, contos ou crônicas, além dos incontáveis textos jornalísticos, foi feito com brilho peculiar da escritora.

Repito sempre: Alcinéa é “PHO – DA”! Assim mesmo, com PH, silabicamente e em caixa alta. E estou orgulhosão dela.

Meus parabéns à escritora, que representa a literatura do Amapá nacional e internacionalmente. Orgulho de ti, Néa. Estamos felizes por você e por nós. Parabéns!!

Elton Tavares

Poema de agora: Crono – Maria Ester

Crono

Nasci na década de 70
Deram-me um nome Maria
Não fui batizada.

Maria passa pra casa
Maria vai para escola
Maria arruma tuas tranças…

Com o tempo me deram números
Identidade, CPF, emprego aos 14
e daí senhas e mais senhas…

Gostava de Sinatra, Bob Dylan e
Lou Rawls a vizinha achava estranho, dizia:
“leva pra benzer que passa…”
Não passou.

Na década de 80 ostentação era livros
Julio Verne, Ziraldo,
Gaardeer e adorava Marx
nas viagens viram amuletos da sorte
Em 2000 tive medo do bug do milênio.

Daí pra cá tenho medo de tudo…

Ah! menos do teu amor.

Maria Ester

PGJ do MP-AP participa de homenagem ao Dia do Exército Brasileiro e recebe condecoração das Forças Armadas

Na manhã desta quarta-feira (17), a procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Amapá (MP-AP), Ivana Cei,Ivana Lucia Franco Cei, participou de uma formatura, realizada na 22ª Brigada de Infantaria de Selva (22ª Bda Inf Sl), a “Brigada da Foz do Amazonas”, em homenagem ao Dia do Exército Brasileiro. celebrado no dia 19 de abril, mas com a comemoração antecipada por conta da Semana Santa.

Durante a celebração o chefe do Estado Maior da 22ª Bda Inf Sl , coronel Fábio Costa, apresentou a tropa e conduziu os demais ritos da celebração. Na ocasião, o general Luiz Gonzaga Viana Filho, comandante da 22° Brigada de Infantaria de Selva, condecorou autoridades civis e militares. Entre os homenageados, a PGJ do MP-AP, que recebeu “Medalha Brigada da Foz”.

A medalha é concedida as instituições (brasileiras e estrangeiras) e personalidades que prestaram relevantes serviços no processo de implantação e consolidação da Brigada Foz do Amazonas no estado do Amapá.

O general Viana filho agradeceu o apoio que procuradora-geral de Justiça do MP-AP deu no processo de fortalecimento da 22ª Brigada.

Para a PGJ do MP-AP, o papel da 22ª Brigada de Infantaria do Exército é essencial na segurança da fronteira do Oiapoque e manutenção da paz na região do extremo norte do Amapá. Ivana Cei se disse honrada por receber a condecoração.

“A Brigada era um anseio de todos os amapaenses. Ter um comando do Exército aqui é fundamental para atender nossas peculiaridades. Essa medalha significa muito, pois é um reconhecimento da contribuição do MP-AP para a realização desse sonho. Parabenizo as Forças Armadas pelos serviços prestados ao Estado”, pontuou Ivana Cei.

A Brigada

Inaugurada em janeiro de 2018, e localizada no bairro Alvorada, em Macapá, a 22ª Brigada de Infantaria de Selva possui cerca de mil militares no Amapá. A 22ª Bda Inf Sl tem a missão de manter permanente eficiência operacional para cooperar na manutenção da soberania do Brasil na faixa de fronteira Norte da Amazônia Oriental, participando do combate aos crimes transnacionais e ambientais transfronteiriços e cooperando com o desenvolvimento regional e a Defesa Civil, nas áreas do Amapá, Pará e Oeste do Maranhão.

Também presente no evento o promotor de Justiça do MP-AP, Flávio Cavalcante. Prestigiaram a solenidade chefes ou representantes de todas as esferas de poder do Amapá; autoridades militares e militares; imprensa e sociedade civil organizada.

Serviço:

Elton Tavares e Sávio Leite
Fotos: contribuição de Márcia do Carmo e Flávio Cavalcante.
Assessoria de comunicação do MP-AP
Contato: (96) 3198-1616
Email: [email protected]

Adoro velhos malucos – Crônica de Elton Tavares

Resistir, fazer beicinho ou ficar chateado não adianta nada, todos envelhecemos. Lutar contra isso é uma guerra inútil, de fato. Acho legal a coroada que leva isso na boa, principalmente os velhos malucos. Adoro velhos malucos. Conheço uma porrada deles.

Os velhos malucos não se resumem a cuidar de netos, jogar xadrez ou cartas com outros velhotes encarangados. Não. Eles frequentam os bares das esquinas, falam besteira, tocam, dançam, namoram, bebem… Ou seja, vivem!

Os velhos malucos fazem de tudo por uma vida menos ordinária. Ou o que pelo menos resta dela. Entre as coisas das quais me gabo, está o fato de ser amigo de músicos, escritores, poetas e artistas em geral. Vários deles, coroas doidaços que curtem a vida como aos 20.

Falos de todos que estão acima dos 65 e ainda possuem o espírito inquieto e se recusam a ficarem mergulhados no tédio. Alguns são somente porretas, outros são paid’éguas, loucos varridos. E não pensem que falo somente de quem ainda curte a noite ou toma cachaça.

Admiro os que vão ao cinema no meio da semana, que viajam quando dá na telha, que sabem que já contribuíram bastante para suas famílias e sociedade para agora se dedicarem a viver tudo que quiserem.

Quem sou eu para dar conselhos a senhores que sabem muito mais da vida. Mas ser um velhote maluco deve ser bem mais feliz que viver numa cama, no fundo de uma rede, num sofá ou em uma cadeira de balanço à espera do “único mal irremediável”. Principalmente quando o senhor ou senhora vive na solidão.

Claro que meus velhos companheiros doidões não abdicam de seus afazeres corriqueiros, mas também não colocam tanto peso em cima de algo tedioso que não lhes dá prazer. E acho isso o máximo!

Os velhos malucos não estão mais atrás de sonhos impossíveis ou de tesouros. O que eles querem é viver bem com o que possuem e em paz com os seres humanos que se tornaram. Suas experiências e histórias rendem bons causos e conselhos. A gente se diverte com tanta prosa poética.

Falo de exemplos como o de Carter Chambers (Morgan Freeman) e Edward Cole (Jack Nicholson), no filme “Antes de partir”. Se meu pai estivesse vivo hoje, faria 69 anos e tenho certeza que o saudoso Zé Penha seria um velho maluco.

Tomara que eu, se me tornar um velho gordo de barbas e cabelos brancos, seja um coroa maluco e saiba aproveitar o número de anos vividos da melhor forma possível. Que como hoje, tenha muito mais alegrias que tristezas. Que também tenha desenvoltura para bater papo e entrevistar outros velhotes doidões ou jovens com corações ávidos por aventura, ambos sedentos de vida.

Eu queria mesmo é que a velhice não impedisse ninguém de ser feliz. É isso!

“Os velhos malucos são mais malucos que os jovens” – Duque de La Rochefoucauld ( François Poitou).

Elton Tavares

Poema: MACAPÁ, BEM-TE-VI – Pat Andrade

MACAPÁ, BEM-TE-VI

Caminho pela cidade deserta…
Vazia de carros.
Vazia de gente.
Tanta coisa distinta…
Casas caíram,
Prédios se ergueram…
Mas em ambos, o abandono
Predomina.
Mudaram nome de bairros:
Não tem mais Igarapé.
Já não há mais o Laguinho;
Agora são outras as águas
Que nem vejo rolar…
O Barão perdeu o título,
E o Portinari agoniza
Tentando se recuperar.
Um cão sem dono
Me corta o caminho
Sem alegria
(não abana o rabo)…
Da mangueira antiga
Um passarinho grita
Que bem me vê.

Pat Andrade

MP-AP propõe que condenados na Eclésia reparem danos ao erário adquirindo equipamentos e insumos para a saúde pública

A procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Amapá (MP-AP), Ivana Lúcia Franco Cei, apresentou condicionantes aos pedidos de prisão domiciliar dos reeducandos Eider Pena Pestana e Agnaldo Balieiro da Gama, de reparação do dano ao erário em aquisição de equipamentos e insumos às unidades de saúde pública do Estado. A manifestação foi feita durante “audiência admonitória” no âmbito dos Processos de Execução Penal dos ex-deputados estaduais, realizada nesta segunda-feira (15), no Pleno do Tribunal de Justiça (TJAP).

Na audiência, presidida pelo presidente do TJAP, desembargador João Guilherme Lages, foram analisados os pedidos de prisão domiciliar dos ex-parlamentares condenados por uso indevido da verba indenizatória, conforme ações decorrentes da Operação Eclésia. Na condenação imputada, ambos cumprem pena em regime inicial semiaberto e formularam pedido de benefício de prisão domiciliar.

A procuradora-geral de Justiça, acompanhada da promotora de Justiça Fábia Nilci (titular da 2ª Promotoria de Defesa da Saúde), opinou pela possibilidade de cumprimento da pena em prisão domiciliar, mediante liberdade eletronicamente monitorada, com a condição de reverter o pagamento dos valores devidos para a rede pública de saúde, de acordo o levantamento das necessidades urgentes feito pela Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde.

O MP propôs, nos autos da Ação Penal originária, que o reeducando Eider Pena reverta a reparação do dano no valor total de R$ 1.014.425,57 (Um milhão, quatorze mil e quatrocentos e vinte e cinco reais e cinquenta e sete centavos) para a aquisição de equipamentos para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Neonatal do Hospital da Mulher Mãe Luzia. A defesa concordou em cumprir as condições do MP-AP, solicitando o prazo de 10 dias para apresentar a proposta de pagamento.

Eider Pena foi condenado a pena de 04 anos e 06 meses, a serem cumpridos em regime inicial semiaberto, a reparação do dano no importe acima citado, bem como a perda do cargo ocupado junto à Companhia Docas de Santana e qualquer outro cargo, emprego ou função pública ou mandato eletivo que exerça.

2ª Audiência

Em análise de caso semelhante, na audiência seguinte, foi definido que Agnaldo Balieiro terá prazo de 20 dias para comprovar a compra de medicamentos, até o montante de R$ 9 mil (nove mil reais), conforme planilha apresentada pela Promotoria de Defesa de Saúde, para o Hospital de Clínicas Alberto Lima (Hcal).

Balieiro foi condenado a 5 anos e 9 meses de reclusão em regime semiaberto, além de pena pecuniária, por dano ao erário, por meio do uso ilegal da verba indenizatória, fato também revelado pela operação Eclésia.

Terminadas as audiências, os reeducandos Agnaldo Balieiro e Eider Pena retornaram ao Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (IAPEN). De lá, serão encaminhados para uma Central de Monitoramento, onde receberão as tornozeleiras eletrônicas.

Os ex-deputados saíram certificados de que o benefício domiciliar impôs responsabilidade e compromisso individual de recolherem-se ao anoitecer nos dias úteis, finais de semana e feriados, sob pena de revogação da prisão domiciliar.

“Já concedi esse benefício aos ex-parlamentares Moisés Souza e Edinho Duarte que, infelizmente, não respeitaram as condicionantes estabelecidas. Espero que o mesmo não ocorra”, manifestou o desembargador Lages.

A PGJ Ivana Cei advertiu, novamente, que qualquer falha no cumprimento da pena poderá resultar em regressão do regime. “Balieiro e Eider deverão utilizar a tornozeleira eletrônica durante 24 horas, sendo autorizado deslocamento de suas residências apenas para estudar e trabalhar, e o ressarcimento do dano é uma condicionante”, reforçou.

A fiscalização da prisão em domicílio é de responsabilidade do MP-AP, Poder Judiciário, IAPEN e Polícia Militar, Polícia Civil e oficiais de Justiça.

SERVIÇO:

Gilvana Santos e Ana Girlene
Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]

Peixe Vivo: Prefeitura de Macapá ofertará 9 toneladas de peixe a preço popular

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Semdec) montou a programação e definiu os pontos do Peixe Vivo para a Semana Santa. O projeto será executado nos dias 16, 17 e 18 de abril. Serão três pontos diferentes em cada dia, além disso, terá a presença de agricultores, que farão a Feira da Agricultura Familiar, a partir das 8h.

No Peixe Vivo, a prefeitura constrói os tanques de peixes e são disponibilizados os alevinos e o caminhão para o transporte. O piscicultor é responsável por toda a criação do peixe até atingir o tamanho para a venda. Nesta edição do projeto, Tambaqui e Pirapitinga são as espécies que serão comercializadas a R$ 10,00 o quilo. Cada peixe pesa em média 2 kg.

Confira o calendário:

16/04 (terça-feira)

– Conjunto Macapaba – espaço reservado para feira (bloco-30);
– Brasil Novo – terminal de ônibus;
– Jardim Felicidade – em frente à UBS Marcelo Cândia.

17/04 (quarta-feira)

– Residencial Jardim Açucena – galpão dos empreendedores;
– Congós – Av. Claudomiro de Moraes com a 7ª Av. dos Congós;
– Zerão – segunda arena do bairro.

18/04 (quinta-feira)

– Laguinho – Praça Chico Noé;
– Cabralzinho – praça do bairro;
– Marabaixo III – arena esportiva do bairro.

Assessoria de Comunicação/Semdec
Contato: 99903-5888

ARTE & PAIXÃO – MOSTRA DE ARTES

Os acadêmicos do Curso de Artes Visuais 2019 da UNIFAP realizam mostra de artes visuais denominada “Arte & Paixão”. A mostra reúne estudos compositivos através de desenhos e pinturas sobre papel que retratam a Paixão de Cristo e seus desdobramentos no mundo contemporâneo.

Os trabalhos buscam explorar de forma poética, a paixão de Cristo sob os pontos de vista histórico, político, social e religioso.

A mostra fica aberta para visitação somente nesta terça-feira, 16 de abril de 2019, das 10h às 12h e das 16h às 21h, na Galeria Fátima Garcia na UNIFAP. A mostra tem o apoio da Pró-Reitoria de Graduação, Pró-Reitoria de Extensão e da Prefeitura do Campus Marco Zero do Equador da UNIFAP.

Serviço:

Arte & Paixão – A paixão de Cristo e seus desdobramentos no mundo contemporâneo
Data: 16 de abril 2019
Local: Galeria Fátima Garcia na UNIFAP
Abertura e visitação: Dia 16 de abril, terça das 10 horas às 12 horas e das 16 horas às 21 horas.

Pode dar o cano quem quiser porque não vou mais correr atrás de ninguém – Conto de Ray Cunha

Conto de Ray Cunha

Não havia sido um dia de sono restaurador para Amarildo Teixeira. A periodontite o torturava, de modo que passou o dia em claro. Foi trabalhar azedo. Era garçom no Chorão da Asa Norte.

Lá pelas seis horas da tarde apareceu uma cliente, uma senhora elegante, trajada com sapatos altos de couro preto, meias e vestido também pretos. Bonita, de belos cabelos negros, quase longos, era patente que estivesse de luto, pois acumulava duas alianças no dedo anular esquerdo. Pediu o cardápio e passado um momento perguntou se a caldeirada de frutos do mar dava para duas pessoas.

– Dá para quatro, senhora – informou o garçom Amarildo.

– Traga, então.

– E para beber?

– Nada. Fico sempre muito cheia quando bebo alguma coisa durante o jantar.

Naquela hora não havia quase ninguém no Chorão. Estava tudo silencioso e agradável. Tudo bem arrumadinho, à espera da turba que não demoraria a chegar noite afora. Depois que o garçom Amarildo serviu a caldeirada de frutos do mar, pôs-se a observar a mulher. Estava desconfiado de alguma coisa. Não sabia bem de quê. Ela pediu bastante pão francês e Amarildo serviu-lhe quatro pães. Um, ela comeu num relâmpago.

O impressionante é que a caldeirada dava mesmo para quatro pessoas normais e ainda sobrava. Era uma terrina enorme, cheia de um caldo cheiroso e saboroso, com grandes pedaços de peixe, moluscos e toda sorte de crustáceos. Amarildo Teixeira não acreditou no que viu quando ela o chamou para pedir a sobremesa. A terrina estava seca, o arroz e o pirão foram devorados e os pães sumiram.

– Queijo com goiabada! – ela disse.

O garçom Amarildo ficou confuso. Foi buscar a sobremesa. Quando voltou, a bela viúva sumira. Amarildo correu para a rua e ainda pôde ver o vulto na esquina, iluminado pelas primeiras luzes da noite. Não pensou duas vezes. Saiu no seu encalço. Ao alcançar a esquina, a mulher estava à sua espera e atirou-lhe uma pedra na cabeça. O garçom escorregou e caiu. Levantou-se. Ela desaparecera. Amarildo Teixeira voltou para o restaurante. A pedra fez-lhe um galo. “Ainda bem que não foi na testa” – pensou, apalpando o calombo no lado da cabeça. “Não vou nem contar essa. Ninguém vai acreditar. É melhor não contar. O pior é que eu vou ter que pagar a conta daquele animal; me deu o cano e quase quebra minha cabeça. Como é que pode?”

De volta ao Chorão, Amarildo Teixeira foi ao banheiro. Muita gente havia chegado e o gerente estivera atrás do garçom. Quando Amarildo saiu do banheiro havia um sujeito numa das mesas de sua responsabilidade. Um sujeito grandalhão, um verdadeiro mastodonte, olhando atentamente o cardápio. Aproximou-se cautelosamente.

– Escute aqui, meu jovem, esta caldeirada de frutos do mar dá para duas pessoas? – perguntou.

– Dá para quatro – disse Amarildo Teixeira.

– Quero uma. Traga logo uns pãezinhos até chegar a caldeirada.

“Não é possível que esse cara saia correndo também. Não acredito! Até porque não agüentaria correr com esse corpanzil” – pensou Amarildo, levando quatro pães franceses para o freguês.

– Putz, ô meu, só isto? Traga uns dez – pediu-lhe o homem, passando manteiga num deles e comendo-o em duas bocadas.

Amarildo Teixeira serviu a terrina de caldeirada olhando fascinado para o homem. “É um animal de bruta raça” – pensou.

O freguês era bom de boca. Em pouco tempo não restava mais nada na mesa que pudesse ser comido.

– Ô, meu, queijo com goiabada! – disse o homenzarrão.

O garçom Amarildo foi buscar o que o sujeito pedira. Serviu a sobremesa; o tipo devorou-a em segundos e pediu outra. Após comer quatro porções de queijo com goiabada o gajo não deu tempo para nada. Ergueu-se subitamente da mesa e partiu para a porta, ganhou a rua, e correu em direção à Avenida W3 Norte, com Amarildo Teixeira atrás. Mas o freguês tinha fôlego de peso pesado. Alcançou facilmente o calçadão da W3 Norte, onde estacou abruptamente. Amarildo aproximou-se dele e recebeu um cascudo na cabeça que o fez cambalear e cair. Levantou-se e retrocedeu. O brutamontes partiu para cima dele. Alcançou-o e lhe deu uma rasteira, fazendo o garçom se acabar na calçada. Levantou-se às pressas e correu o quanto pôde para o Chorão. Quando se sentiu em segurança olhou para trás e viu o mastodonte atravessando lentamente a W3 Norte. Olhou para si e viu que ficara bastante estragado.

– Aquele desgraçado quebrou a minha cabeça só com um cascudo. Acho que tinha um pedaço de ferro na mão. Agora vou ter que pagar duas caldeiradas de frutos do mar e mais quatro sobremesas – choramingou. – A melhor coisa que eu faço é ir embora para casa.

Mas Amarildo não pôde ir embora, pois faltaram três colegas seus e na sua ala havia dois esgalamidos querendo caldeirada de frutos do mar.

“Droga, droga, droga” – disse de si para si, e foi buscar a primeira terrina, decidido a não correr mais atrás de ninguém, nem que tivesse que pagar a conta com sua poupança na Caixa Econômica Federal.

*Contribuição de Fernando Canto.

Música de agora: Hino do Flamengo (cantado por HERBERT VIANNA E GABRIEL PENSADOR)

Hino do Flamengo (cantado por HERBERT VIANNA E GABRIEL PENSADOR)

Uma vez Flamengo
Sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É o meu maior prazer
Vê-lo brilhar
Seja na terra
Seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez Flamengo
Flamengo até morrer
Flamengo
Sempre Flamengo
Flamengo sempre eu hei de ser
É o meu maior prazer
Vê-lo brilhar
Seja na terra
Seja no mar
Vencer, vencer, vencer
Uma vez Flamengo
Flamengo até morrer
Na regata ele me mata
Me maltrata, me arrebata
Que emoção no coração
Consagrado no gramado
Sempre amado
O mais cotado
No “Fla-Flu” é o “Ai, Jesus”
Eu teria um desgosto profundo
Se faltasse o Flamengo no mundo
Ele vibra, ele é fibra
Muita fibra já pesou
Flamengo até morrer eu sou
É, eu sou

Poema de agora: Sonho poesia na folha em branco – Pat Andrade

Sonho poesia na folha em branco

Sonho
Na madrugada,
Depois do cansaço,
Sonho flores
pelos telhados,


Sonho folhas
Flutuando no rio,
Sonho teu beijo quente
Na minha boca fria,


Sonho teu peito
Acalentando meu sono,
Sonho poesia
na folha em branco…

Pat Andrade

Música de agora: Eu Quero Sempre Mais – Ira!

Eu Quero Sempre Mais – Ira! (com participação especial de Pitty)

A minha vida,
Eu preciso mudar todo dia
Pra escapar
Da rotina dos meus desejos por seus beijos
Os meus sonhos
Eu procuro acordar e perseguir meus sonhos
Mas a realidade que vem depois
Não é bem aquela que planejei

Eu quero sempre mais
Eu quero sempre mais
Eu espero sempre mais de ti

Por isso hoje estou tão triste
Porque querer está tão longe de poder
E quem eu quero está tão longe, longe de mim

Longe de mim
Longe de mim
Longe de mim

Longe de mim
Longe de mim