Carnavalesco Milton Cunha ministrará palestra em Macapá

A Prefeitura de Macapá promoverá palestra e roda de conversa “Carnaval – Gestão de escola de samba e a força dos artistas populares”, nesta quinta-feira, 17, às 16h, no auditório do bloco “A Banda”. O momento contará com a brilhante participação do carnavalesco Dr. Milton Cunha.

A roda de conversa debaterá sobre a gestão de escolas de samba, a sociedade do espetáculo, criação da Liesa e mercado de trabalho.

Perfil do palestrante

Nascido em Belém do Pará e residente no Rio de Janeiro, Milton Cunha é carnavalesco, cenógrafo e comentarista de carnaval. Sua carreira iniciou como carnavalesco da Beija-Flor de Nilópolis, com o enredo Margareth Mee, a Dona das Bromélias, em 1994. Nos desfiles do Rio de Janeiro, passou ainda por União da Ilha do Governador, Unidos da Tijuca, São Clemente, Unidos do Porto da Pedra, Unidos do Viradouro e Acadêmicos do Cubango. Em São Paulo, passou pela Leandro de Itaquera.

A carreira internacional teve início em 2007, no Brazilian Ball do Canadá, em Toronto, onde esteve até a última edição do baile, em setembro de 2012. Em 2010, tornou-se carnavalesco da primeira escolar de samba de São Luiz (Argentina): a Sierra del Carnaval, realizando os desfiles. Nos últimos cinco anos, vem empreendendo trabalhos relacionados ao carnaval em Estocolmo (Suécia), Londres (Inglaterra), Lausanne (Suiça) e Johannesburgo (África do Sul). Trabalhou ainda como cenógrafo de shows em Angola e no Brasil para artistas como Luan Santana, Ney Matogrosso e Dudu Nobre.

Desde 2007, é diretor artístico da Cidade do Samba do Rio de Janeiro. O trabalho na TV inclui atuações como âncora de quadros no telejornal RJTV, comentarista de desfiles do carnaval e Festival Folclórico de Parintins, jurado do programa Go Talent Brasil e até uma participação na novela Balacobaco.

Serviço:

Data: 17/10 (quinta-feira)
Hora: 16h
Local: auditório do bloco “A Banda”
Endereço: Avenida Ernestino Borges, nº 252, Centro

Cássia Lima
Assessor de comunicação/Fumcult
Contato: 98104-9455

Inscrições para Especialização em Estudos Teatrais Contemporâneos começam nesta quarta-feira

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) lançou o edital para formação da primeira turma do curso de Especialização em Estudos Teatrais Contemporâneos. São 30 vagas para ingresso no segundo semestre de 2019, sendo que 4 são destinadas a pretos, partos, quilombolas ou indígenas, 3 a pessoas com deficiência e 1 vaga para a pessoas trans (travestis ou transexuais).

As inscrições são gratuitas e serão realizadas somente pela internet, a partir desta segunda-feira, 24, e irão até o dia 03 de agosto deste ano. O processo seletivo tem três fases:

– A primeira é a inscrição contendo documentos pessoais, intenção de pesquisa de acordo com as linhas de pesquisas e interesses/eixos de pesquisas dos(as) docentes e do curso, memorial descritivo, currículo lattes atualizado do(a) candidato(a). Esta fase é de caráter eliminatório;

– A segunda etapa se configura como análise de proposta de intenção de pesquisa e análise do memorial descritivo, ambos de caráter eliminatório e classificatório;

– O último estágio é a entrevista com base no Currículo Lattes atualizado, no Memorial Descritivo e na Proposta de Intenção de Pesquisa que também tem caráter classificatório.

Para ser aprovado, o candidato deve obter nota igual ou superior a sete (7,0) na Etapa 2. O resultado final e à lista de classificação serão divulgados no dia 03 de setembro de 2019.

O curso

Na modalidade presencial, o curso tem por objetivo formar especialistas para atuarem na área da pesquisa das práticas teatrais levando em consideração a investigação das linguagens e das poéticas contemporâneas e sua repercussão regional bem como no Brasil. As linhas de pesquisa são: processos contemporâneos no ensino de teatro; processos de criação e expressão cênica contemporâneos; história das artes do espetáculo, dramaturgia e contemporaneidade.

A Especialização terá carga horária total de 400h, distribuídas em período de 18 meses, contemplando atividades teóricas e práticas, individuais e/ou em grupo além do desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso (TCC). As aulas presenciais estão previstas para o segundo semestre de 2019 e acontecerão às sextas-feiras no período noturno e aos sábados, compreendendo os períodos da manhã e tarde.

Mais informações no site do Departamento do Processos Seletivos e Concursos: https://depsec.unifap.br/

Assessoria de comunicação da Unifap

PMM avalia carnaval e garante apoio à programação do ano que vem

Gestores municipais da Prefeitura Municipal de Macapá (PMM) estiveram reunidos na tarde de terça-feira, 26, com representantes da Liga Independente dos Blocos do Amapá (Liba) e das escolas de samba para a avaliação dos resultados do carnaval. Diante dos apontamentos levantados, foram propostas melhorias para aperfeiçoar o planejamento da próxima edição do FAB Folia e do Festival de Samba Enredo.

A Prefeitura de Macapá garantiu apoio para a programação carnavalesca de 2020. A reunião avaliou a realização dos eventos no que diz respeito à logística de organização para que os mesmos acontecessem. No encontro, foi destacado o alcance do objetivo da programação de resgatar o carnaval na Avenida FAB, assim como também o Festival de Samba Enredo, e proporcionar lazer às famílias da capital amapaense. Após 23 anos, os blocos de carnaval voltaram a desfilar na avenida.

Foram avaliados temas como tempo de planejamento, estrutura, iluminação, segurança, empreendedorismo, trânsito e o desfile dos blocos e apresentação das escolas de samba. Está previsto outro encontro, onde Liba e os representantes das agremiações apresentarão à Prefeitura de Macapá o planejamento das propostas da programação de 2020. O Executivo municipal garantiu apoiar o FAB Folia e o Festival de Samba Enredo destacando que investirá, mas não intervirá na coordenação e nem na análise técnica de julgamento, caso se houver disputa entre os blocos e as escolas.

Sávio Almeida
Assessor de comunicação/PMM
Contato: 98115 0853
Foto: Nayana Magalhães

Candidato à presidência da LIESAP quer carnaval como empresa fomentadora de emprego, renda e cultura no Amapá

Gestão Compartilhada e Descentralizada como Modelo de Gestão e Progresso é o carro-chefe das propostas do candidato à presidência da Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap), Diego Armando Cearence, atual presidente da agremiação Piratas Estilizados. O processo para substituição do presidente Vicente Cruz inicia na próxima semana, dia 18, e a eleição será em até 30 dias após a publicação oficial. Com quatro anos sem realização de desfile de escolas de samba no Amapá, o candidato tem como meta retomar com cada ente assumindo suas responsabilidades o carnaval no Amapá, com os desfiles oficiais e demais eventos que compõem o calendário da Liga.

Diego Armando é amapaense, tem 32 anos, e desponta como uma nova e promissora opção para gerenciar o evento. Contador e perito judicial e extrajudicial, especialista em elaboração e análise de projetos, membro do Instituto de auditores Independentes do Brasil (Ibracom) e da Confederação dos Profissionais Contábeis do Brasil (Aprocon), ele tem um histórico de atuação eficiente nas instituições e eventos em que esteve à frente.

A proposta de Diego é fundamentada em dez eixos, todos com objetivos práticos e executáveis. O principal entrave justificado pelo maior financiador do carnaval no Sambódromo, o Governo do Estado, que é a falta de recursos, é um problema para o qual Diego apresenta como proposta a captação financeira antecipada em outras fontes, como através da iniciativa privada, que precisa ser convencida a acreditar na LIESAP como realizadora de um carnaval que dê retorno e cumpra a finalidade de promover cultura, gerar emprego e renda. A legalidade e transparência são condicionantes presentes em toda a proposta do candidato, que é declaradamente contra o chamado “jeitinho brasileiro”.

“Fazer com que as dez escolas de samba se legalizem, se unam, e iniciem junto com a nova presidência da Liga uma campanha positiva de reconstrução da imagem da instituição, e tenha muita vontade de realizar os desfiles, é o primeiro passo para podermos conversar com futuros parceiros, da iniciativa privada ou pública”. Ele propõe como o primeiro passo para alcançar este objetivo, a legalização da LIESAP e das filiadas, formalizando uma parceria com o Conselho Regional de Contabilidade (CRC/AP), para que seja feita a análise das prestações de contas de 2013 à 2015 e dadas orientações para que as escolas façam os procedimentos de forma correta.

Diego Armando Cearence

A transparência nas informações está prevista na proposta de Diego Armando, que, se eleito irá disponibilizar em um site, dos atos administrativos à prestação de contas e dados sobre as escolas de samba e presidentes, além de notícias jornalísticas. A reaproximação de órgãos de controle e fiscalização, reformulação do estatuto da LIESAP, para que as agremiações assuma suas responsabilidades enquanto instituições comunitárias, a divisão organizada dos lucros, e a reativação do Sambódromo e Cidade do Samba, estão inclusas na proposta de gestão.

“Vamos reorganizar a LIESAP, reaproximar as escolas, dialogar com governos Estadual e Municipal, empresários e comunidades, com a garantia de responsabilidade e transparência. São medidas necessárias para que todos voltem a acreditar no carnaval das escolas de samba como um evento que fomenta a cultura, emprego, turismo e comércio, como já foi anos atrás. A cadeia produtiva do carnaval envolve diretamente muitos profissionais. Movimenta também indiretamente a economia da rede hoteleira, espaços de diversão, comunicação, serviços de transporte, até comércio formal e informal de alimentos e roupas, e esta cadeia precisa ser movimentada , assim como nos demais estados em que o carnaval é palco de fomento econômico, cultura e lazer”.

Mariléia Maciel
Assessoria de comunicação

Neste domingo (10), vai rolar o bloco “OS SOBREVIVENTES”, no bairro Jesus de Nazaré

Neste domingo (10), a partir das 11h, no bairro Jesus de Nazaré, vai rolar o BLOCO OS SOBREVIVENTES, já com 16 anos de folia, que encerrará oficialmente o carnaval no Estado do Amapá. A atração principal do evento será o sambista Tayson Tyassu.

De acordo com a coordenação do evento, os sobreviventes desfilarão pelas ruas do bairro em homenagem a dois foliões que muito contribuíram pelo engrandecimento do bloco: João da Panga e Samir, ambos falecidos.

Serviço: 

Concentração: 11h na Avenida Mãe Luzia/Hamilton Silva, com distribuição de caldo.
Desfile pelas ruas do bairro: 16h
Os 100 primeiros abadas: R$ 15,00
Restantes: R$ 20,00
Vendas de abadas: Nauru Uniformes
Mais informações: 99165-4314
Atração principal: Tayson Tyassu

Assessoria de comunicação 

“A Mangueira conseguiu expandir um universo esgotado”, disse @yurgelcaldas. Concordo! Viva a campeã do Carnaval 2019!

Foto: O Globo

Em seu quarto ano na escola, o carnavalesco Leandro Vieira, com o enredo “História pra Ninar Gente Grande”, a Estação Primeira de Mangueira levou para o Carnaval de 2019 arrebentou. Uma minuciosa pesquisa foi feita por Leandro e desnuda a história aprendida pelos brasileiros na escola e mostrou os verdadeiros heróis nacionais.

Foto: UOL

Um verdadeiro lado “B” da narrativa construída pela história oficial, onde estão nomes de gente comum, que deveriam estar nos livros, mas curiosamente, ou propositalmente, foram deixados no anonimato. Além de heróis do nosso cotidiano, como a vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.

Foto: Youtube

Temas como “Descobrimento” “Independência”, “Abolição” e “Ditadura”, foram tratados de forma visceral e real, descortinando a maquiagem histórica. Portugueses são tratados como invasores, bandeirantes como assassinos. A falta de valor à cultura indígena, associando-a “a programas de gosto duvidoso” ou comportamentos inadequados vistos como “vergonhosos”.

Foto: UOL

A incansável luta negra em quilombos, em fugas, no esforço pessoal ou coletivo na compra de alforrias e em revoltas ou conspirações, líderes populares negros uma participação definitiva na abolição oficial. Assim como os sanguinários anos de chumbo (silêncio na bateria) que mataram milhares neste país.

Foto: UOL

Segundo Leandro Vieira, “É um olhar possível para a história do Brasil. Uma narrativa baseada nas “páginas ausentes”. Se a história oficial é uma sucessão de versões dos fatos, o enredo que proponho é uma “outra versão”. Com um povo chegado a novelas, romances, mocinhos, bandidos, reis, descobridores e princesas, a história do Brasil foi transformada em uma espécie de partida de futebol na qual preferimos “torcer” para quem “ganhou”. Esquecemos, porém, que na torcida pelo vitorioso, os vencidos fomos nós.

Foto: Uol

Ao dizer que o Brasil foi descoberto e não dominado e saqueado; ao dar contorno heroico aos feitos que, na realidade, roubaram o protagonismo do povo brasileiro; ao selecionar heróis “dignos” de serem eternizados em forma de estátuas; ao propagar o mito do povo pacífico, ensinando que as conquistas são fruto da concessão de uma “princesa” e não do resultado de muitas lutas, conta-se uma história na qual as páginas escolhidas o ninam na infância para que, quando gente grande, você continue em sono profundo.

Foto: Veja

De forma geral, a predominância das versões históricas mais bem-sucedidas está associada à consagração de versões elitizadas, no geral, escrita pelos detentores do prestígio econômico, político, militar e educacional – valendo lembrar que o domínio da escrita durante período considerável foi quase que uma exclusividade das elites – e, por consequência natural, é esta a versão que determina no imaginário nacional a memória coletiva dos fatos”.

Foto: UOL

Ao trazer para a realidade amapaense, a jornalista Márcia Corrêa fez o seguinte comentário:

Que aula de história, de beleza e de cidadania que foi o desfile da Mangueira. Traz para nós, pessoas comuns do povo, um sentimento de pertencimento e de protagonismo quanto à nossa própria história. O Brasil e o povo brasileiro resultam da junção de três raças e a história precisa ser contada com esta riqueza e esta diversidade. Nossa história não começa em 1500 com a chegada das caravelas portuguesas, começa muito antes em marcos imemoriais perdidos no tempo.

Foto: UOL

Descobertas arqueológicas revelam civilizações estruturadas e pulsantes em várias regiões do Brasil, inclusive no Amapá com os Maracá, Cunani Aristé, etc. Investigar e revelar esta riqueza só nos engrandece como povo e como sociedade, fortalecendo e elucidando a trajetória deste imenso e diverso país. Evoé Mangueira! Haverá o dia em que heróis serão heróis por seus atos em prol do coletivo e não pela cor de sua pele ou por sua localização na estratificação social”, pontuou Márcia. É isso aí!

Foto: UOL

Já o professor doutor Yurgel Caldas, disparou: “a Mangueira conseguiu expandir um universo esgotado. Foi PhoDa!”, Concordo e queria ter dito essa frase. Parabéns, Verde Rosa. Viva a campeã do Carnaval 2019!

Elton Tavares – Jornalista e folião apaixonado por Carnaval e pela liberdade, com informações da Mangueira, amigos citados e um dos desfiles mais lindos que viu na vida.

Vídeo do emocionante e sensacional desfile da campeão: 

 

 

Depois do Carnaval a gente recomeça (Crônica sensacional de Fernando Canto)

Por Fernando Canto

Não tenho nenhuma dúvida que quem gosta do carnaval é hedonista, e nesse caso guarda a obrigação para depois do prazer. O carnaval é o tempo em que se tira o uso da carne, no seu sentido literal do latim carnelevamen, mas que é tempo também em que se promove a licenciosidade, a crítica, o erotismo e a voluptuosidade.

Deixar as coisas para depois desse grande acontecimento na vida do brasileiro é prática normal. Tudo se resolve depois do carnaval. O tratamento daquela gastrite, a construção da calçada, o pagamento da luz e do cartão de crédito e até o abastecimento da geladeira. – Ora, ainda tem muita coisa pra se aproveitar na despensa. Pensa o guerreiro fantasiado. – Depois a gente resolve isso, fica frio, diz o chefe da repartição. O Governo abre o orçamento bem pertinho do carnaval, mas só depois é que as ações deslancham e se encaixam, após a imprescindível curtição da ressaca. Às vezes até adianta o pagamento dos funcionários públicos para que estes possam ser felizes e não se esquecerem jamais o quanto os governantes são legais. Depois que acaba o dinheiro do salário, o folião não tem o menor pudor de pedir fiado no mercantil da esquina, no boteco da praça e até no ambulante que conheceu um dia desses no ensaio da escola de samba. Pagará depois, se assim o dono da birita ou da comida aprovar.

O depois do carnaval pode ser espichado para muito longe, depende do valor do fiado, dos interesses do chefe da repartição ou do Governo, que sempre aproveita essa época para encaminhar projetos ao Legislativo, sem alarde, porque o povo nem vai saber. O povo não está nem aí, quer curtir o carnaval. E só. Se souber, diz: – Depois a gente pensa no assunto e tenta resolver.

Soube pelo jornal que o Governo e a Prefeitura vão mudar o secretariado logo que termine a quadra momesca, porque se mexer muito agora pode ter prejuízos políticos. Desde pequenos damos ouvidos a expressões idiomáticas como “Não se deixa para depois o que se pode fazer hoje” e “Deus ajuda quem cedo madruga”, que ensejam a necessidade do trabalho bem feito, com tempo e disposição ou aquela que trata do mau trabalho, daquilo feito com má vontade, onde o tempo também é elemento necessário: “o preguiçoso trabalha duas vezes”. Ideólogos dizem que elas são frases carregadas do espírito capitalista que desde o início da colonização tentou mudar o rumo da vida brasileira a dizendo que o índio era indolente.

Que besteira, dizem uns, por que iria querer trabalhar feito um cão para ganhar dinheiro se a natureza dava tudo a ele? O peixe, as caças, as frutas da floresta, a água… Talvez por isso tenha sido escravizado em algumas regiões. Mal sabiam, porém, os portugueses, que eles mesmos iriam introduzir o carnaval do Brasil e com isso deixar a festa rolar. Assim abandonaram a grosseria do entrudo para depois, em 1852, trazerem a novidade do Zé Pereira, que era “um conjunto de bombos e tambores capitaneados pelo sapateiro português José Nogueira de Azevedo Paredes”, segundo o musicólogo Edigar de Alencar. Por ser ruidoso e contagiante logo se alastrou pelo Rio de Janeiro e depois por todo o país.

Para muitos de nós, brasileiros, as resoluções que tomamos no ano novo só iniciam mesmo depois dessa festa, quando pensamos em criar vergonha e caminhar para perder uns quilinhos, quando decidimos sobre o que precisamos e queremos há tempos, para depois realizarmos algumas ações hipocritazinhas como se nada tivesse acontecido no carnaval, embora sempre haja a conivência de alguém. Eu poderia ir bem mais longe com estas elucubrações, porém hoje é dia de desfile e a minha escola me chama.

Não posso deixar esse desfile tão esperado por um ano para nele faltar, assim vão falar mal de mim até depois do carnaval. Talvez nem venha a concluir este artigo, por causa da agitação que precede um acontecimento importante como este, onde minha agremiação é uma das favoritas para ser a campeã. Também não posso de jeito nenhum deixar de assumir minha responsabilidade que é escrever este artigo. Mas hoje é sábado e posso concluí-lo mais tarde. Ou talvez depois das 12h00 da quarta-feira de Cinzas quando me recolho, como milhões de outros brasileiros, a uma quase santa meditação.

É que vem o tempo da Quaresma e depois da Semana Santa, no Domingo da Páscoa, rompendo a Aleluia, inicia o ciclo do Marabaixo.

Publicado em 2008. Jornal do Dia

Depois que A Banda passa – Texto porreta de @heluanaquintas

Por Heluana Quintas

Passa a Banda com toda a gente da cidade. Estranhas figuras reptilianas respiram água no mormaço e transpiram sob tecidos coloridos. Para cada penacho molhado, há um milhão de gotinhas de suor varando o poro das lantejoulas e explodindo no choque, no chacoalho e no chão.

A marcha pirada, foliã do improvável, do cenário verde-molhado, conduz uma alegoria movida a vapor de asfalto e um sentimento de disposição para o inesquecível. Acenam galhofeiros, fanfarrões, lambisgoias e no destaque uma mulher de meia rasgada côa assovios entre os dentes.

Chega a noite e todas flores de mangue já estão carnívoras. Sobram pela FAB os brigões, os bêbados e os blefados. Pela manhã, passa nas avenidas, o bloco das sandálias perdidas. É a banda da sandália. No seu curso ímpar, ela é a piada do amigo, o resto da briga, o passo incompleto. Ela é parte do conto inesquecível de alguém, é a prova de que a Banda passou mais uma vez com seu antigo sucesso de mormaço aos cinco dias do mês de março.

A Banda arrasta foliões pelas ruas da capital com apoio da prefeitura

Foliões e amantes do carnaval voltaram às ruas e avenidas de Macapá na terça-feira, 5, quando o maior bloco de sujos do Norte do país, A Banda, saiu pelas vias arrastando uma multidão cheia de alegria e irreverência. Considerada Patrimônio Cultural do Município, ela foi fundada em 1965.

O prefeito Clécio Luís, juntamente com os senadores Davi Alcolumbre e Randolfe Rodrigues, acompanhou todo o trajeto, desde a concentração, em frente à sede do bloco, onde experimentou o tradicional caldo que é servido aos brincantes. “O patrocínio da Banda este ano é de 100% da Prefeitura de Macapá. Além dos serviços que fizemos no percurso”, disse.

A Associação de Brincantes e Simpatizantes do Bloco de Sujos contou com serviços de limpeza, capina, iluminação, tapa-buraco, poda e pintura de meio-fio em todo trajeto. José Figueiredo de Souza, o “Savino”, agradeceu o apoio do Município, que todos os anos ajuda a colocar A Banda na rua. “O bloco não é meu e nem de ninguém especificamente, ela é do povo. Nem a chuva atrapalhou os foliões”, ressaltou.

A ambulante Rosilda Neves esperava ansiosa por esse dia de carnaval. “Conseguimos ganhar um dinheiro extra”, relatou. A prefeitura ainda fez a distribuição de 100 mil preservativos e 90 mil sachês de gel lubrificante durante o trajeto com o tradicional Bloco da Camisinha.

Pós-Banda

Depois que os foliões passaram entraram em cena os famosos vermelhinhos e as margaridas limpando as ruas e avenidas. Foram cerca de 140 homens em todo trajeto do bloco fazendo os trabalhos. A primeira turma passa tirando boa parte do lixo. Em seguida, vem a segunda para recolher o que ficou para trás. Depois passa o carro-pipa fazendo a primeira lavagem e depois um outro jogando água com lavanda para tirar o mal cheiro que fica.

“A ideia é que o povo não sinta o impacto depois da Banda. Quem for passar pelas ruas depois da limpeza não irá nem perceber que por ali passou o bloco”, finalizou o prefeito, que acompanhou de perto o trabalho de limpeza.

Adryany Magalhães
Assessora de comunicação/PMM
Fotos: Max Renê

Bolsonaro, é fato, nunca teve um Carnaval como este que passou

Na noite desta terça-feira (05), por volta das 21h, o presidente Jair Bolsonaro surpreendeu milhões de pessoas que estavam no Twitter ao fazer esta postagem.

Quem preferir não vê-la, o repórter a descreve: é um vídeo em que três foliões estão sobre uma marquise, uma laje, uma plataforma, seja o que for. Um deles, seminu, faz gestos como se estivesse apalpando o próprio ânus. Em seguida, abaixa-se para que outro rapaz faça xixi em sua cabeça.

Não se sabe onde é isso. Nem quando é. Mas o certo é que Bolsonaro escreveu o seguinte: “Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. (sic) Comentem e tirem suas conclusões.”

Bem, em obediência à ordem unida emitida pelo Capitão, vamos comentar e tirar conclusões.

Os comentários são os seguintes.

Não. Não “é isto que tem virado muitos blocos de rua do carnaval brasileiro” (sic). O Carnaval não é o oceano de depravações, devassidão e esbórnia que o presidente pretendeu nos fazer supor. É uma festa popular que, como tal, também enseja excessos, evidentemente. Inclusive excessos escatológicos como esse, mas que não foram inaugurados agora.

Excessos existem em qualquer concentração popular. No futebol, por exemplo, além de levarem xixi na cabeça, torcedores são mortos – literalmente mortos – em meio a brigas selvagens entre torcedores travestidos de bandidos – ou bandidos travestidos de torcedores. Bolsonaro quer pior excesso do que esse?

E a conclusão?

A conclusão é a seguinte.

Inquestionavelmente, indubitavelmente, indisfarçavelmente, o Capitão deve ter passado o pior Carnaval de sua vida. Isso porque, como não se desgruda do Twitter, deve ter visto, irritado, furioso e constrangido, manifestações em que seu nome foi o tempero principal de um coro de impropérios, palavrões e xingamentos declamados e proclamados, em alto e bom som, em várias grandes cidades do País.

Constrangedor? Sim.

Mas é Carnaval, Capitão. Isso é Carnaval.

Em outros Carnavais, políticos – inclusive e sobretudo presidentes – já foram também muquiados verbalmente por foliões – os nus e os seminus. Neste Carnaval, aconteceu a mesmíssima coisa.

Mas Bolsonaro, como foi alvo de hostilidades verbais, pinça uma cena – que não se sabe onde nem quando se passou – e a expõe com o propósito de chocar, digamos assim, a consciência moral dos brasileiros.

Mas isso é bobagem, presidente.

E sabe o que vai acontecer depois desse vídeo?

Nada.

Porque nem o Carnaval é um oceano de devassidões e depravações, nem deixará de ser um espaço para irreverências e excessos e muito menos deixará de ecoar esses corinhos, digamos assim, incômodos, que deixam políticos fulos da vida.

Tomara que, voltando ao trabalho, a partir desta quarta-feira (6), o Capitão esteja relaxado.

Ou será que até o final de semana vai sair uma PEC acabando com o Carnaval?

Vish!

Fonte: Espaço Aberto

Sobre os Reis Momos do Amapá e a história deste personagem

Amo Carnaval e seus personagens. No caso da quadra carnavalesca amapaense, dois deles são Reis Momos e marcaram a história. Essas duas personalidades importantes do carnaval tucuju, são Raimundo dos Santos Souza, o Sacaca, primeiro monarca da alegria foliã por aqui e o segundo é Raimundo Tavares, o “Sucuriju” que subiu ao trono da alegria quando o primeiro virou saudade.

Sacaca, além do primeiro Rei Momo amapaense, participou da fundação da primeira escola de samba, a Boêmios do Laguinho e, em 1994, foi homenageado pela escola de samba Piratas da Batucada, com o enredo “Festa para um rei negro”. A agremiação foi a campeã neste ano.

Raimundo dos Santos Souza também foi mestre em medicina natural, o “curandeiro”. Tinha duas paixões além de sua família: as plantas e o Carnaval. Ficou famoso por suas garrafadas, remédios caseiros feitos de ervas, e por ser um folião apaixonado, sobretudo pelo bloco “A Banda”. Ele morreu aos 73 anos, em 1999 e deixou um legado inestimável para o Carnaval local, mas vive na memória e coração das pessoas que curou e com quem dividiu os carnavais memoráveis de sua época.

Sucuriju foi eleito, em 2003, o Rei Momo do Amapá, desde então nunca mais deixou o trono. De acordo com informações da jornalista Alcinéa Cavalcante, ele é amante do samba desde os 9 anos, quando participou de um desfile pela primeira vez. Caiu no samba ainda gitinho, foi ritmista de bateria de escola de samba, passista cheio de breque e ginga e um dos melhores mestres-sala do Estado.

Eu e Raimundo Tavares, o “Sucuriju”, nosso Rei Momo., no bloco A Banda – Carnaval 2017

Amo brincar Carnaval e me visto de Rei Momo. Aliás, sou o Rei do bloco “Me imprensa que eu te jogo na rede”. No meu caso, é um auto-barato por conta do porte físico bucho-quebrado, mas respeito e muito os Reis Momos de verdade e o papel deles na história da folia nacional.

Sobre o surgimento do Rei Momo

Na mitologia greco-romana, o Momos era o Filho do Sono e da Noite. Ele ficava o tempo todo prestando atenção nas atitudes dos deuses e dos homens e fazendo graça de tudo. Era considerado o deus da Graciosidade, pois passava o tempo todo rindo e fazendo piadas dos outros. Era representado com uma máscara numa mão e uma figura ridícula na outra, para dar a entender que ele tirava a máscara dos vícios dos homens.

Com o passar do tempo, em Portugal, virou um personagem que tinha o trabalho de divertir os amos e senhores, nos castelos e nas casas dos nobres.

Ele apareceu pela primeira vez como personagem de um carnaval na Colômbia, em 1888. Uma figura alegre, brincalhona e governante da bagunça da festa.

No Brasil, surgiu em 1933, no Rio de Janeiro. Jornalistas que trabalhavam no periódico “A Noite”, inventaram um boneco de papelão e batizaram ele de O Momo.

No ano seguinte, decidiram transportar o personagem do papel para a vida real. O cronista do jornal Moraes Cardoso aceitou o cargo e eles saíram desfilando pelas ruas do Rio de Janeiro, saudando o rei! Ele foi o rei Momo pelos 15 anos seguintes, até morrer.

A tradição se manteve e, até hoje, a figura do Rei Momo é adotada nos carnavais cariocas e de outros estados. É a autoridade maior do evento e recebe até as chaves da cidade para governar durante o período de festas.

Elton Tavares, com informações do blog do Simão e Alcinéa Cavalcante.
Fotos: blog Porta-Retrato; Canto da Amazônia e da Alcinéa Cavalcante.

Bora pra A Banda! (o maior bloco de sujos do Norte sai hoje pelas ruas de Macapá)

Foto: Maksuel Martins

Os macapaenses esperam o ano todo para sair às ruas na terça-feira gorda. Sim, é hoje! Chegou o dia do ápice do Carnaval amapaense, A Banda! E este ano será sua 54ª edição. Alguns verão a Banda passar e outros, como eu, sairão pela cidade cantando e pulando no maior bloco de sujos do Norte do Brasil.

A boneca Chicona e seus amigos Iracema, Vanderlei, Arizinho e Arimatéia estão prontos. A organização estima que 170 mil pessoas participarão da edição deste ano. São mais de seis quilômetros de música, suor, birita, cores e alegria pelas ruas do Centro de Macapá.

Foto: Maksuel Martins

Todo ano é a mesma coisa. Acordo, banho, como algo leve e vou pra casa da dona Sabá, mãe do amigo Anderson. Lá rola caldo, cerveja e começa a “fuleiragem”. De lá, vamos para a concentração da Banda, às 14h.

A Banda foi fundada no carnaval de 1965, pelos foliões Nonato Leal, professor Savino, Jarbas Gato, tenente Pessoa, Amour Jaci Alencar e José Maria Frota. E lá se vão 54 anos!

Na Banda a gente ri dos amigos, ri da gente, ri de estranhos. Nós bebemos debaixo de sol e chuva. Subimos e descemos ladeiras, rodamos as vias de Macapá num incrível espetáculo colorido e democrático.

Hoje o espírito folião de Macapá aflora e A Banda passa sem papas na língua. O improviso e a desorganização são marcas registradas dos foliões. Alguns satirizam a política local e nacional com faixas e cartazes, sempre em tom de ironia, deboche e o bom humor multifacetado do carnaval. Milhares de caras vestidos de mulheres e a criatividade sacana dos brincantes não têm limites. Tem de tudo, até manifestações artísticas.

Saio na Banda há 24 anos. Sempre na paz e acompanhado de amigos. Que hoje seja assim de novo. A marcha louca leva pra rua a massa. Nela, a gente perde a tristeza, acha a folia de mãos dadas com a alegria.

A marcha alegre nos faz esquecer o cansaço dos dias e da realidade, com seus cheiros, música, fantasia e mágica. Lá nós vemos de tudo e nos divertimos muito com isso.

A Banda faz parte da nossa Cultura. É uma tradição do Carnaval amapaense, uma manifestação popular incrível, um verdadeiro show de irreverência e humor. Eu me ‘esbaldo’ na festa, pois a marcha é alegre. E bote alegre nisso! Estarei de Rei Momo entre os milhares de foliões. Desejo uma ótima brincadeira a todos.

Elton Tavares

O trajeto da A Banda através do tempo e antigos pontos de referência (croniqueta saudosista)

A Banda, maior bloco de sujos do Norte do Brasil, tem o mesmo trajeto nestes 54 anos de existência, mas o que ficou pelo caminho do tempo nestas mesmas ruas de Macapá? Fiz uma espécie de resgate (um tanto desordenado) de vários locais que povoam a memória afetiva do macapaense. Deixa suas lembranças agirem e vamos lá:

O ponto de partida do bloco, o mais popular dos festejos de Momo no Amapá, é na esquina da lanchonete Gato Azul e a loja Clark. Os foliões seguirão pela frente da loja A Pernambucana, dobrarão na esquina do Banco Bamerindus (pois “o tempo passa, o tempo voa…); Farmácia São Benedito; Moderninha e da Banca do Dorimar. As pessoas se trombam ao redor dos trios e carros de som. Todos molhados de suor, ou chuva.

A folia desce a Rua Cândido Mendes e o trajeto passa em frente também da Irmãos Zagury – Concessionária da Ford; Farmácia Modelo; do Banap; lojas São Paulo Saldo; Esplanada; Cruzeiro; Hotel Mercúrio; Casa Estrela; Casa Marcelo; Setalar; Tecidos do povo; Tecidos do Sul; A Acreditar; Casa Estrela; Beirute na America, ponte do Canal; Banco Econômico e Farmácia Serrano. Pelo caminho, muitos se juntarão a multidão.

Os foliões passarão em frente a Fortaleza de São José de Macapá, dobrarão na esquina da Yamada, subindo pela lateral da Feira do Caranguejo, em frente a boate Freedom e subirão a ladeira até o supermercado Romana. Sempre com os ritmos levantam nosso astral.

A marcha alegre seguirá pela Feliciano Coelho, onde a maioria já estará possuído pela cerveja, passará pelo Urca Bar; Leão das Peças; Cine Veneza e Farmatrem. A Banda chegará à Esquina do Barrigudo, na Leopoldo Machado. Continuará a passar em frente a Acredilar, lanchonete Chaparral, Casa Nabil, Hotel Glória e Baby Doll. Na brincadeira terá folião de toda idade, a maioria na maior curtição, sempre driblando os poucos que querem confusão.

A Banda é sempre cheia de colombinas faceiras, pierrôs malucos, palhaços embriagados, piratas sorridentes, enfermeiras enxeridas, bailarinas cambaleantes, diabos bonzinhos, anjos não tão angelicais, etc. O importante é alegria de quem vive a emoção de estar lá ou somente ver a banda passar.

A Banda dobrará na Avenida Fab, no canto do CCA (o couro continuará comendo); passa pela Prefeitura de Macapá; Palácio do Governo; Esporte Club Macapá; Praça da Bandeira; lanchonete Táxi Lanches; Bar do Abreu e novamente a Cândido Mendes até a Praça do Barão, onde as bandas Placa Luminosa e Brind’s farão um som até mais tarde.

Nunca saberemos quantos fantasmas carnavalescos seguem conosco na Banda, mas se assim for, que venham e sigam pela luz e brilho do encanto deste sublime momento (entre o ontem e o hoje).

O dia só começou e mais tarde é hora de cair na folia ou ver a Banda passar. É o fim do Carnaval, mas o real começo do ano. É por aí.

Elton Tavares

Calças de Linho Flutuantes e os Nomes dos Blocos- Crônica porreta de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Na constelação de brilho intermitente do carnaval você pode se tornar uma estrela. Basta querer. Quem não se identificar com o samba tem a opção de sair no meio de um bloco carnavalesco, onde os brincantes se esbaldam no frevo rasgado ou ao som das tradicionais marchinhas que trazem temas diversos na competição anual entre eles.

Dada a sugestão está feito o convite. Um pouco tardio, creio, mas feito com o carinho de quem quer ver o carnaval macapaense brilhar mais do que do que brilhou no passado. “Um passado de glórias”, como diz um antigo samba dos Boêmios do Laguinho. Um passado feito de desfiles e batalhas de confetes que encantavam as crianças nos domingos de fevereiro em diversos pontos da cidade e faziam a alegria da juventude.

É inesquecível para mim a figura da porta-bandeira Telma e do mestre-sala Sucuriju rodopiando no asfalto da avenida FAB sob o calor dos holofotes e do aplauso do povo laguinhense. O povo aplaudia e gritava quando o grande passista, o Mestre Falconeri dançava, balançando as largas calças de linho que pareciam fazê-lo flutuar sobre o chão.

Mas o povo delirava mesmo era cantando o samba aprendido às pressas nos últimos dias que antecediam ao desfile, uma prática usual de todas as escolas. Era a partir do samba que se faziam os enredos. Então ele era guardado a sete chaves até próximo do dia do desfile oficial para que as escolas concorrentes não o plagiassem e nem ao enredo. Francisco Lino, o Menestrel, que o diga.

As escolas da déuntitledcada de 60 e parte da de 70 eram parecidas com os blocos de hoje que almejam serem escolas de samba: traziam apenas um carro alegórico e um pequeno contingente de brincantes. A diferença é que a maioria dos instrumentos musicais era fabricada por aqui mesmo. Os próprios brincantes faziam seus querequexés e agogôs, frigideiras e tamborins. Minutos antes de entrarem na passarela acendiam fogueiras para esticar o couro dos tambores a fim de evitar que murchassem devido ao tempo ou a uma chuva inesperada. De acordo com o Pedro Ramos, o maior repiquinista dos Estilizados, o instrumentista tinha que levar uma folha de jornal no bolso para esquentar os tamborins feitos de couro de cobra pelo seu Joaquim Suçuarana. Sambistas e passistas mirins, como o Neck e o Kipilino, se revelavam novos talentos e se tornaram o orgulho de sua escola.

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Antigo Carnaval na Avenida Fab. A multidão amanhecia e ia atrás da última escola a desfilar

Enquanto Luís do Apito (pai do Bababá, atual mestre de Bateria dos Boêmios) organizava a batucada, R. Peixe se preparava para trazer a sua recém-criada Embaixada do Samba, uma dissidência da Piratas da Batucada. Esta, por sua vez, trazia em suas hostes os incansáveis e pouco reconhecidos compositores Jeconias Araújo e Juriel Monteiro. Lá atrás Pelé e Fifita, Neusona e Escurinho aguardavam sua vez de desfilar ao som dos sambas de Izar Leão ou de Nonato Leal e Alcy Araújo, apaixonados que eram pela verde-rosOLYMPUS DIGITAL CAMERAa macapaense.

Nos anos 80 surgiram as escolas de samba de 2º grupo, como a Piratas Estilizados (que foi bloco por muitos anos) a Unidos da Coaracy Nunes, a Quilombo dos Palmares, Emissários da Cegonha e a Solidariedade. Daí, então, o carnaval amapaense teve outra formatação até o advento do sambódromo, que foi o território do Piratão por um longo reinado. De 1997 para cá, o brilho do carnaval foi mais intenso.kubalanca_2005_thumb[2]

Mas uma coisa marcante, hoje, é o desfile dos blocos. Eles estão em todos os bairros e todo ano se multiplicam levando suas temáticas e irreverências pelas ruas da cidade até se encontrarem no desfile da terça-feira na Banda. Creio que são a cara do nosso carnaval, ainda que queiram embotar-lhe o brilho com falso moralismo, em função dos nomes de dupla conotação que carregam. Carnaval em São Paulo no início do século XXOra, o carnaval amapaense é muito brasileiro. É irreverente e feliz. Traz como características a eliminação da repressão e da censura e a liberdade de atitudes críticas e eróticas. Realça o sorriso das crianças e não descarta nem esconde a sensualidade das mulheres tão sensualmente amapaenses, tão lindas e alegres, que optaram por brilhar no carnaval.