Carnaval, o Espelho Invertido – Conto porreta de Fernando Canto

Boêmios do Laguinho, escola de samba de Fernando Canto – Foto: Elton Tavares

Por Fernando Canto

O brasileiro faz festa para tudo, sempre arranja um motivo para comemorar. Mas é no carnaval que ele festeja a si próprio, pois quando isso acontece emerge claramente a velha ideia de que a festa representa uma memória e uma comunicação expressa por mensagem, no dizer do antropólogo Carlos Brandão. E se nos festejamos estamos cerimonialmente separando aquilo que deve ser esquecido (o silêncio não-festejado do cotidiano) e aquilo que deve ser resgatado. Quando nos festejamos somos convocados à evidência, para sermos lembrados por algo ou alguém, o que significa darmos sentido à vida, através de ritual na brevidade de um momento especial em que somos anunciados com ênfase. Aí nos tornamos símbolos, porque a sociedade festeja alguém que transitou de uma posição a outra ou migrou de trabalho ou de seu espaço de vida para outro.

Quando alguém, independentemente da mídia, tem seus quinze minutos de fama, pode estar solenizando uma passagem ou comemorando sua própria memória. A festa quer ser a memória viva dos seres humanos. A cada ano eles renovam essa catarse ao brincarem com os sentidos e os sentimentos, e então inventam situações onde a cultura nacional evidencia uma permanente vocação de investir no exagero, na critica e até na caricatura. Ali a oculta e difícil realidade surge epifanicamente revelando o que os indivíduos querem, fantasiados ou não, sóbrios ou loucos, juntos ou conflitantes, mas festejando o que são com suas angústias e significados.

No carnaval os atores sociais saem da rotina e forçam ao ritual da transgressão, saindo de si mesmos no breve ofício de inverter o que são. Alguns estudiosos como Da Matta e o próprio Brandão chamam isso de espelho invertido do que é socialmente esperado: pobres se vestem de príncipes, os nobres de índios, os homens de mulheres, as mulheres viram fadas e os bandidos querem ser heróis. Condutas se ultrapassam e se comemoram no ritual de si mesmo no carnaval.

Fernando Canto, o folião boemista. Foto: arquivo pessoal.

Mas não é o objetivo deste artigo fazer uma análise mais acurada do carnaval. Ele, o carnaval, vai muito além do seu significado sociológico. E como cultura, qualquer mecanismo inerente a ele traz uma dimensão que nos permite o mais profundo pensar ou o maior desprezo, ou mesmo valorizar a velha ”preguiça” ancestral indígena que dá depois da farra.

Elton Tavares, Emanoel Reis e Fernando Canto – Bar do Louro – Carnaval 2016

Todos sabem que o carnaval, enquanto evento tem vários conceitos e facetas. O significado de sua origem se perde nas trevas do tempo. Escritores autorizados dizem que ele surgiu nas orgias pagânicas do Egito e da Grécia, ou nas bacanais de Roma, realizadas em dezembro. Ele seria, então, apenas a reprodução em sentido mais moderado das festas lupercais, saturnais e bacanais que a história registra com abundância de informações. Não parece haver dúvidas, segundo Jorge de Lima, que o carnaval, assim como o teatro, nasceu da religião. Do italiano carne vale, é o tempo em que se tira o uso da carne, pois o carnaval é propriamente a noite antes da quarta-feira de Cinzas.

Carnaval do Amapá nos anos 60. Foto: blog Porta Retrato.

Para alguns é apenas uma caricatura que se faz da realidade e das pessoas, mostrando seus defeitos de forma burlesca, com imitação cômica. A meu ver, entre tantas hipóteses do que pode ser o carnaval, fico com esta que é completamente inusitada. Certa vez ao tocar um antigo samba-enredo de uma escola do Rio, num banquinho em frente à casa de meus pais, no Laguinho, iniciei a música no cavaquinho e cantarolei: “O carnaval é a maior…” Quando fui bruscamente interrompido pelo vizinho e amigo Nonato Bufu, que completou: “…caligrafia”, no lugar de “caricatura”. Rimos na hora, mas hoje eu entendo que também nós somos responsáveis em escrever a mão a história do nosso carnaval, inclusive com as alegrias e dores que porventura se fizeram presentes em nossas vidas.

*Texto publicado originalmente no Jornal do Dia, em 2006. Está no meu livro “Adoradores do Sol”.

Ensaio Técnico, mais uma contribuição do Piratão pro Carnaval de Macapá – Por Alcione Cavalcante

Foto: Max Renê

Por Alcione Cavalcante

Como tudo realizado pela Piratas da Batucada, o ensaio técnico da Escola, na segunda-feira, foi um show à parte e prenúncio de um desfile grandioso, criativo e envolvente.

Realmente a preparação e organização do ensaio, desde a concentração até a dispersão, mostrou que a escola, mais uma vez, leva muito a sério o Carnaval.

Destaco a participação da comissão de frente, a evolução do casal de mestre-sala e porta-bandeira, das baianas, a sinalização da composição dos quadros e da inserção das alegorias, a sincronia perfeita entre o samba, os puxadores e a bateria e entre estes e a evolução e o trabalho perfeito da harmonia. Destaco, harmonia impecável, a começar pelo traje, mesmo em ensaio, o que demonstra o compromisso com a memória, o respeito e a grandeza do carnaval de Piratas.

Confesso, mesmo com trinta anos de escola, eu me passo.

Lembro que Piratas da Batucada, tradicionalmente promovia nas avenidas e ruas do bairro do Trem, por ocasião da preparação de seus desfiles, “arrastões” que tinham por objetivo a mobilização da comunidade e, às proximidades da data dos desfiles, realizava ensaios técnicos. Portanto não era novidade pra escola.

Gostaria de lembrar o up-grade promovido por Piratas da Batucada ao encarar e promover, pela primeira vez um ensaio técnico na Ivaldo Veras, estabelecendo o Marco Zero do que temos hoje como evento preparatório imprescindível pro êxito do carnaval, não só para as agremiações, como também para a organização do desfile, da checagem do som à segurança das estruturas, enfim de toda a logística que um evento dessa magnitude mobiliza.

Foto: Max Renê

Evidentemente que o Rio de Janeiro já realizava ensaios técnicos, mas faltava ao nosso carnaval um toque de inspiração e ousadia, que veio através de uma conversa entre Sergio Lemos (Ex-presidente Teco), Lourival Freitas (Diretor de Piratas) e Alexandre Louzada, então carnavalesco da Beija- Flor, sobre as possibilidades do carnaval de Macapá. Por que não se fazer um ensaio técnico de Piratas da Batuca no Sambódromo?

Ideia formulada, desafio lançado, missão cumprida.

Nos anos seguintes algumas outras agremiações vieram e posteriormente o evento foi incluído na agenda oficial do Carnaval. Foi muito bom.

O ensaio é ainda o momento em que a mente nos leva a lembrar, sem tristeza, de pessoas queridas do nosso Carnaval, como o Gilson Tocha (ex-presidente e passista de responsa), Edvaldo Azevedo (o Meré, entusiasmado defensor da escola), Maranhão (refinado observador, para quem a passagem dos carros e o ensaio técnico eram o verdadeiro carnaval) Manoel Torres (inigualável Diretor de Harmonia e maior conhecedor da história de Piratas e do Carnaval do Amapá),

Roberto Monteiro (criativo, perspicaz e envolvente, um dos maiores carnavalescos do Amapá, a quem devemos muito do que aprendemos), Jeconias, Walber, Pinheiro e tantos outros.

Mas o que gostaria de registrar mesmo é que para nós de Piratas da batucada, o ensaio técnico é sério, mas também é o renovar contínuo do congraçamento entre brincantes, simpatizantes, comunidade e diretores, que começa com a batida do surdo no primeiro ensaio e num crescendo evolui em explosão de alegria no desfile.

Foto: Max Renê

Valeu presidente Marcelo Zona Sul. Abraços aos ex-presidente Matta, Caxias e França, através dos quais registro minha admiração a todos os que dirigiram a escola que se transformou no Rei do Sambódromo.

Nesse mar de amor vai meu coração. Seja onde for, sempre será campeão. Aí é que eu me refiro.

*Alcione Cavalcante é engenheiro florestal e diretor de Piratas da Batucada

Carnaval 2020: “Não é Não!” alerta Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para Mulheres

Carnaval é a maior festa popular do país, onde atrai uma infinita diversidade de pessoas, seja para assistir ao Desfile das Escolas de Samba, dos blocos ou pular nas festas carnavalescas. Para garantir uma folia alegre, sem perturbações ou constrangimentos, a Coordenadoria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres alerta para o assédio no período de carnaval e reafirma que “Não é Não”.

“Não puxar a moça pelo braço”, “não tentar beijar forçado”, “não encostar com malícia” são algumas das dicas para que a folia possa ser curtida com total respeito e sem que as mulheres sejam vítimas de importunação. Além disso, a pasta traz alertas e recomendações do que as pessoas podem fazer para ajudar mulheres a não sofrerem constrangimento ou se livrarem de importunadores:

– Não se aproveite de mulheres que ingeriram bebida alcoólica. Ajude-as a se sentar e, se possível, encontre os acompanhantes dela. Não a beije, Lembre-se: seu dever é protegê-la, não importuná-la ou assediar a mesma.

– Repreenda outros homens que estejam cometendo assédio. Assim, você não estará concordando com um comportamento que pode estragar a festa dos demais e dará bom exemplo.

– Ajude a mulher a se livrar dos assédios. Ao notar que uma mulher está sendo importunada, você pode tirá-la da situação constrangedora.

– Se você for policial, ajude a mulher assediada ouvindo o relato dela e encaminhando-a a uma delegacia comum ou especializada para fazer um Boletim de Ocorrência.

Em casos de violência, ligue 180, que é uma Central de Atendimento à Mulher em situação de violência, e é prestado de forma gratuita e confidencial. O canal tem objetivo de receber denúncias e orientar as mulheres sobre seus direitos. Ele funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive, fins de semana e feriados, e pode ser acionada de qualquer lugar do Brasil.

Bruno Monteiro
Assessor de comunicação/PMM
Contato: 99911 5993
Fotos: Gabriel Flores

Série Carnaval 2020 em letra e melodia: conheça o samba de enredo da Escola Piratas Estilizados

Foto: Aydano Fonseca

Fundada em 5 de janeiro de 1974, no bairro Laguinho, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Piratas Estilizados surgiu inicialmente como bloco carnavalesco. Logo após sua criação como escola de samba, tornou-se campeã de todos os desfiles até o ano de 1979. Seu nome foi dado pela presidente, que já o utilizava no bloco de carnaval de salão nos clubes da cidade de Macapá. Tem como símbolo um menino pirata.

Foto: Márcia do Carmo

Foi campeã do Festival de Samba de Enredo deste ano e 2015, promovido pela Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap). O Piratas Estilizados levará para a Passarela no Meio do Mundo o tema “Xô preconceito, queremos respeito”. O enredo foi criado em 2016. “Estamos vendo que é um tema atual, a questão do preconceito. A intolerância religiosa, a violência contra a mulher, a homofobia, entre outras questões. A Piratas Estilizados, partindo disso, mostrará em forma de espetáculo, que repudia ainda no século XXI esse tipo de crime, esse tipo de intolerância e comportamento reprovável pelo ser humano”, conta o presidente da escola, Diego Picanço.

“Mostraremos que todos somos iguais perante a lei de Deus e a lei dos homens. Nos nossos 19 volumes, que serão levados para a passarela do samba, a proposta maior é mostrar para a sociedade que todos somos iguais, cada um no seu espaço, mais todos iguais. Essa é a mensagem que nós repassaremos para a população em forma de espetáculo”, acrescenta Diego Picanço. A agremiação será a quarta escola a entrar na Passarela no Meio do Mundo, nesta sexta-feira, 21, às 2h45.

Foto: Aydano Fonseca

Enredo: “Xô preconceito, queremos respeito”
Autores: Aureliano Neck, Nonato Soledade e Meio Dia da Imperatriz
Intérpretes: Aureliano Neck (oficial), Tinga (Vila Isabel – RJ), Bakaninha (Beija Flor – RJ), Glauber Bianck, Vlad Júnior, Junhão Belém e Nilson Estilizados.

Letra:

Orquestra de Bambas toca esse tambor
Abra seu coração Estilizados chegou – Refrão
Batendo no peito, querendo respeito
Sai pra lá, xô preconceito

Tire o preconceito do caminho
Que o Estilizados vai passar
Trazendo paz, amor e carinho
Seja pra quem for, sem discriminar
Sem se achar superior a alguém
Injúria racial não cheira bem
Respeito todo mundo gosta
Crença, religião, não importa
Orientação sexual, necessidade especial
Mude o seu jeito de pensar
Ser diferente é normal

Meu corpo é fechado
Contra mau olhado, tenho um coração
Todo alaranjado, querido e amado – Bis
Mira vê se me erra, respeita meu pavilhão

A força dos ancestrais no terreiro
A luta das mulheres guerreiras
Heranças que jamais serão vencidas
O alto, o magro, o gordo
Criança, o pobre, o idoso
Não podem ser esquecidos
A humanidade precisa se entender
Desigualdade, pra quê?
Tenha consciência, diga não à indiferença

Vamos seguir na mesma direção
Toda sociedade, que a nossa voz
Seja a voz da igualdade

Karla Marques
Assessora de comunicação/PMM

Carnaval na Medida Certa: inspeção ambiental comprova que descarte de sobra de material da Cidade do Samba está correta

Cumprindo protocolo de atuação da Promotoria de Meio Ambiente no período carnavalesco, o promotor de justiça Marcelo Moreira realizou inspeção nesta quarta-feira, 19, nos barracões da Cidade do Samba e na Passarela do Meio do Mundo, onde acontecerão os desfiles das escolas de samba. A inspeção embasa as ações da Campanha Carnaval na Medida Certa, de iniciativa da Promotoria – neste ano, em parceria com a Prefeitura de Macapá e apoio de órgãos de fiscalização, licenciamento, segurança e saúde. Os desfiles das escolas de samba acontecem nos dias 21 e 22 de fevereiro. O promotor conversou com o secretário de gabinete da PMM, e coordenador de Carnaval, Sérgio Lemos.

O objetivo da inspeção foi verificar os cuidados com o material descartado pelas escolas de samba, e onde são acondicionados. Na Cidade do Samba estão em funcionamento os barracões de alegorias das dez escolas de samba que desfilam no carnaval amapaense. A preocupação do promotor é com o destino dado às sobras do material utilizado na confecção de carros e tripés, para evitar o que acontecia nos anos anteriores, quando restos de tecido, isopor, ferro, plástico, papel, TNT, e outros, formavam lixeiras localizadas. A falta de uma política de reaproveitamento das alegorias e seus materiais de armação e confecção por parte da Liga das Escolas de Samba do Amapá (Liesap) e escolas de samba, e a falta de fiscalização e conscientização do poder público ocasionaram estes fatos do passado.

Durante a inspeção, o promotor dialogou com coordenadores de barracões e trabalhadores, que explicaram os procedimentos das agremiações. Sandro Macapá, da escola Maracatu da Favela, informou que o material que sobra é colocado nos contêineres que a PMM disponibilizou para cada barracão, e são descartados nos locais corretos. Para ele, a responsabilidade é de todos, e com os contêineres, não há motivos para se formarem lixeiras ao redor da Cidade do Samba. Os trabalhadores questionados repassaram a mesma informação, e a maioria disse estar incomodada com ferragens de antigas alegorias que permanecem nos dois lados da Cidade do Samba.

Carnavalescos aproveitaram para pedir explicações a respeito dos fios de alta tensão que podem causar transtornos e acidentes no transporte das alegorias, caso a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) não tome providências. Sobre este assunto, Sérgio Lemos explicou que a PMM adotou medidas para evitar problemas – antes, durante e depois dos desfiles – e as alegorias serão transportadas para uma área segura – com vigilância eletrônica – para evitar furtos e depredação. O secretário afirmou que a PMM fez o serviço de iluminação pública, melhorou as condições asfálticas, e serão disponibilizados os plantões da CEA e Macapá Luz para casos de emergência.

A falta de agentes da Polícia Militar durante os ensaios técnicos também foi assunto tratado, e o promotor Marcelo Moreira comprometeu- se em pedir informações para a instituição sobre efetivo nos dias de desfiles. O promotor afirmou que a Promotoria irá continuar a acompanhar as programações de escolas de samba e blocos, e aguarda o relatório dos órgãos de fiscalização e segurança, para apurar as denúncias e casos confirmados de crimes ambientais nos locais de concentração de eventos da quadra carnavalesca. “A Campanha Carnaval na Medida Certa é capitaneada pela Promotoria de Meio Ambiente que divide a responsabilidade com a PMM e demais órgãos de controle. Começamos dois anos atrás somente com fiscalização ambiental, mas o sucesso da iniciativa fez com que ampliássemos o foco e, hoje, a campanha abrange outras áreas; mas as responsabilidades são de cada setor. Estamos fazendo a nossa parte”, declarou Marcelo Moreira.

Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Amapá
Gerente de Comunicação – Tanha Silva
Núcleo de Imprensa
Texto: Mariléia Maciel – Assessora Operacional – CAOP/AMB
Coordenação: Gilvana Santos
Contato: (96) 3198-1616

Escolhidos os jurados e suplentes oficiais do desfile das escolas de samba do Amapá

Por meio de sorteio, a Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap) elegeu os 27 jurados oficiais dos desfiles (três para cada quesito) e sete suplentes, um para cada quesito: Harmonia, Evolução, Enredo, Samba-Enredo, Alegorias e adereços, Fantasias, Mestre-Sala e Porta Bandeira, Comissão de Frente e Bateria. A escolha aconteceu na sede da Liesap, na tarde desta quarta-feira, 19.

Antes do sorteio, os jurados participaram de um seminário para conhecer o enredo de cada escola. A explanação foi feita pelos carnavalescos de cada escola. Eles apresentaram como e o que cada agremiação levará para a avenida do samba, dentro do tema do samba de enredo escolhido.

A votação obedece ao cronograma de atividades estabelecidas pelo calendário oficial da Liesap, organizadora dos desfiles, que ocorrem na sexta-feira e sábado, dias 21 e 22, com início marcado para às 22h.

Durante os desfiles, não será permitido aos jurados terem contato com pessoas de fora das cabines e o uso de celulares e de algum outro aparato tecnológico é proibido no momento da avaliação. Pelo regulamento, até o dia da apuração dos desfiles, os julgadores não deverão revelar as notas, proferir comentários ou emitir opiniões sobre qualquer agremiação.

O desfile das Escolas de Samba deste ano acontecerá em espaço alternativo, na Rua Victa Mota (em frente ao estádio do Zerão), a partir das 22h. Os portões abrirão para o púbico às 19h, nos dois dias de evento, sexta-feira e sábado, 21 e 22.

O Carnaval de Macapá em 2020 é organizado pela Liesap juntamente com a Prefeitura de Macapá em parceria com a Cia. Ítalo Todde, com apoio do senador Davi Alcolumbre,Governo do Amapá e deputado federal Vinícius Gurgel.

Conheça os jurados do Carnaval no Meio do Mundo: 

SAMBA DE ENREDO

1 – Maria Clara Oliveira do Carmo

2 – Nelson dos Santos Dutra

3 – Tiago Nascimento Costa

Suplente- Silvia Regina dos Santos Veiga

ENREDO

1 – Ana Célia Gomes Rodrigues

2 – Ivaldo da Silva Sousa

3 – Osmando Jesus Brasileiro

Suplente – Bruno Sérvulo da Silva Matos

BATERIA

1 – Marlúcio Nery da Costa

2 – José Arimatéia Costa dos Santos

3 – José Maria Cardoso Cruz

Suplente – Rosinaldo José Monteiro Rodrigues

ALEGORIAS E ADEREÇOS

1 – Joelma de Souza da Costa Mendes

2 – Ana Cláudia Cardoso de Azevedo

3 – Joaquim César da Veiga Netto

Suplente – Marcos de Moraes

FANTASIA

1 – Rildo Frederico Ferreira

2 – Alcicleia Imbiriba Oliveira

3 – Echnaton Cruz da Silva

Suplente – Rondiney dos Santos Silva

COMISSÃO DE FRENTE

1 – Ivan Gemaque de Paula

2 – Taiana Verena da Cruz Pinheiro

3 – Karla Regina Damasceno e Silva

EVOLUÇÃO

1 – Ana Amélia Ribeiro da Mota

2 – Sandra do Socorro Oliveira dos Santos

3 – Dilma Terezinha da Silva Barreto

Suplente – Sandro Augusto Negrão Leal

HARMONIA

1 – Cláudio Roberto Lopes Dos Reis

2 – Rita de Cássia Leão Delgado

3 – Carlos Augusto Soupink Batistella

Suplente – Marcos Augusto Ribeiro dos Santos

MESTRE SALA E PORTA BANDEIRA

1 – Daniel a Rocha da Silva

2 – Valéria Daiziane Dantas Tavares

3 – Claudiani Moraes de Azevedo

Serviço:

*D1 Comunicação | Assessoria de Comunicação
Jornalistas responsáveis:
Júnior Nery (96) 98127-1559 e Adryany Magallhães (96) 99144-5442*

Carnaval 2020: foliões aguardam ansiosos o Desfile das Escolas de Samba em Macapá

A típica frase “O ano só começa depois do carnaval” traduz bem o grau de expectativa para essa festa que atrai olhares de diferentes idades. Aquele grito: “É carnaval”, silenciado por quatro anos, já pode ser ouvido em diversos cantos da capital amapaense. O resgate da folia reflete no sorriso de quem curte o carnaval.

A poucos dias do tão esperado espetáculo, brilho, plumas, paetês, uma miscelânea de cores, contos e olhares toma conta da pequena Macapá, que esbanja e expressa as particularidades de nossa construção cultural. Nesse evento, percebe-se como que em um mosaico, o rosto de índios, escravos, brancos e caboclos, uma mistura que dá ao brincante o tom e a alegria que o faz “brilhar” no cenário da folia.

“É no carnaval que expressamos nossa cultura sem perder nossa identidade. Sou apaixonada pela festa e quando a prefeitura anunciou o resgate do desfile oficial fiquei muito feliz, e já estou preparada para desfilar em três escolas”, diz a professora Raucy Paixão. E em meio a beleza dos sons, confetes e serpentinas, que sempre fazem parte dessa celebração, os brincantes se preparam para o espetáculo de arte e sensibilidade que as agremiações prometem nos próximos dias.

“Aqui em casa todo mundo ama o carnaval. A gente vive essa folia. Estou participando de todos os eventos que acontecem na cidade, mas a expectativa maior mesmo é para o desfile das escolas, nos dias 21 e 22, no meio do mundo” ressalta a publicitária Claudia Gomes. “Em 2014, último ano que teve carnaval em Macapá, eu saí na minha escola do coração, Piratas da Batucada. Depois disso só acompanhei a festa de outros estados, exibida pela TV”, fala a técnica em enfermagem Lucia Maia.

“Eu amo o carnaval, nasci no mês de fevereiro e festejo meu aniversario durante o mês todo com muito samba e diversão. Esse resgate da festa foi um presente para o povo amapaense e sei que, além de mim, centenas de foliões irão prestigiar a festa”, finaliza Lucia.

Confira a ordem dos desfiles:

21/2 – Sexta-feira: primeira noite

Grupo de Acesso:

1ª Escola: A. R. E. S Império do Povo – 22h às 23h20

2ª Escola: G. R. E. S. Emissários da Cegonha – 23h35 à 0h55

Grupo Especial:

3ª Escola: A. R. I. S. Solidariedade – 1h10 às 2h30

4ªEscola: G. R. E. S. Piratas Estilizados – 2h45 às 4h05

5ª Escola: U. S. Boêmios do Laguinho – 4h20 às 5h40

22/2 – Sábado: segunda noite

Grupo de Acesso:

1ª Escola: A. C. E. S. Cidade de Macapá – 22h às 23h20

2ª Escola: E. S. M. I. Império da zona Norte – 23h35 à 0h55

Grupo Especial:

3ª Escola: G. R. C. A. S Unidos do Buritizal – 1h10 às 2h30

4ª Escola: G. R. E. S. Maracatu da Favela – 2h45 às 4h05

5ª Escola: A. R. C. Piratas da Batucada – 4h20 às 5h40

Investimento

A realização do desfile é da Prefeitura de Macapá, Liesap e iniciativa privada, com apoio do senador Davi Alcolumbre. O evento conta também com recurso de emenda parlamentar do deputado federal Vinícius Gurgel. A festa conta ainda com apoio do Governo do Estado.

Mônica Silva
Assessora de comunicação/PMM

Carnaval na Medida Certa: Campanha de conscientização da Promotoria de Meio Ambiente em parceria com PMM está no ar

A Promotoria de Justiça do Meio Ambiente e Conflitos Agrários disponibiliza a partir desta terça-feira, 18, o material publicitário da Campanha Carnaval na Medida Certa, de conscientização para combater abusos e infrações contra o meio ambiente, direitos humanos, violência, direção perigosa, assédio, e para que os foliões se previnam tomando água, usando banheiros públicos e preservativos. A campanha está em sua terceira edição, e em 2020, em parceria com a Prefeitura Municipal de Macapá (PMM) e com o apoio de órgãos e setores públicos ligados à fiscalização, licenciamento e segurança, saúde e promotores de eventos.

A campanha foi instituída pela Promotoria devido os altos índices de crime de poluição sonora e descarte incorreto de resíduos no período carnavalesco, o que acarretava em denúncias, problemas entre vizinhos e com promotores de eventos, e espaços e arredores de realização de festas com lixeiras localizadas. Com relação ao ano anterior, em 2018, a redução de denúncias, com informações do Centro Integrado de Segurança (Ciodes) foi de cerca de 50%, e no segundo ano de campanha foi alcançado, o mesmo percentual, o que comprova que a campanha de conscientização e educação alcançou os objetivos.

Em conseqüência do retorno positivo e envolvimento de instituições parceiras, desde 2019 a campanha Carnaval na Medida Certa foi ampliada e às mensagens de educação para preservação do meio ambiente, respeito ao volume de som e descarte de lixo, foram incorporadas os incentivos para a redução de acidentes de trânsito, abuso de álcool, assédios, violência, respeito aos direitos das crianças e adolescentes, e cuidados com a saúde. Com o retorno dos desfiles das escolas de samba foi necessário uma parceria mais alinhada com a PMM, responsável por gestões de segurança, fiscalização, licenciamento.

Na última semana foi realizada uma reunião com gestores e técnicos da PMM e Governo do Estado, Polícia Militar, Batalhão Ambiental, Corpo de Bombeiros, Conselho Tutelar, promotores e organizadores de eventos carnavalescos, e demais envolvidos, onde foram explicados o papel de cada ente no carnaval, direitos, deveres, serviços disponibilizados, infrações e punições.

“Queremos garantir o direito de todos, de quem brinca o carnaval, dos que preferem ficar descansando, em retiro, e do meio ambiente. O cidadão precisa saber seus limites e onde inicia os direitos do próximo e ter respeito pela cidade. Não é porque é carnaval que está liberado jogar lixo em qualquer lugar, ingerir álcool sem limitação, causar acidentes, fazer de banheiro, ruas e calçadas. Pessoas, coordenadores de eventos, responsáveis por escolas de samba e blocos precisam estar conscientes de seu papel de cidadão. A campanha é para chamar atenção de todos e esperamos que mais uma vez os resultados positivos sejam alcançados”, finalizou o promotor de Meio Ambiente, Marcelo Moreira.

Serviço:

Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Amapá
Gerente de Comunicação – Tanha Silva
Núcleo de Imprensa
Coordenação: Gilvana Santos
Texto: Marileia Maciel – Assessora Técnica
Contato: (96) 3198-1616

Pavilhão de Piratas Estilizados é apresentado por casais experientes e apaixonados pelo carnaval

Foto Márcia do Carmo

Com a grande responsabilidade de conduzir o símbolo mais emblemático e sagrado de uma agremiação carnavalesca, os casais de Mestres Salas e Portas Bandeiras de Piratas Estilizados conduzem com muita responsabilidade, técnica e paixão o pavilhão da escola mais querida do carnaval amapaense. Paulinha Ramos e Rogério Junior formam o 1º casal, cujo desempenho é um dos pontos técnicos avaliado durante o desfile, e Andriny Videira e Lucas Rodrigues, ostentam o segundo pavilhão.

“Os pontos técnicos são os quesitos que serão avaliados pelos jurados e servem de sustentação e de base para contagem do tempo, a fim de dar andamento à escola e ritmo da evolução. Mestre sala e porta bandeira, assim como comissão de frente são quesitos importantes para a determinar o tempo de desfile e servem como sustentação para a evolução da escola na avenida”, destacou o carnavalesco Estilizado, Heraldo Almeida.

Dentro do enredo “Xô Preconceito, Queremos Respeito”, que será desenvolvido pela escola, no desfile de sexta-feira (21), o 1º casal fara sua evolução logo primeiro ato, Das Lutas, com Paulinha Ramos representando a nobreza da corte feminina portuguesa e suas influências no Brasil Império, enquanto que Rogério Junior virá simbolizando os primeiros habitantes do país, os índios.

Não menos importante, o 2º casal de MS & PB de Piratas Estilizados, Lucas e Andriny, que há 4 anos conduzem com muito orgulho e paixão o pavilhão da escola do Laguinho, desfilarão abrindo o 2º ato, Das Conquistas, usando fantasias em homenagem ao movimento LGBTQ+, determinando o ritmo do quesito evolução na parte final da apresentação na avenida do samba.

Foto: Aydano Fonseca

1º Casal – Paulinha e Junior

Anna Paula do Rosário Ramos é filha de fundadores da escola e brincante desde a época de bloco, desfilando, ainda criança, pelas alas e, posteriormente, pela comissão de frente até chegar ao posto máximo de primeira Porta Bandeira de Piratas Estilizados. Assumiu o posto, no ano de 2004, durante o mandato do presidente Edmir Leal, fazendo par com o mestre sala, Alírio da Silva Ferreira, seu primo, também filho de fundadores. Nos anos de 2005 e 2006, não houve desfile, retornando em 2007 onde permaneceu até 2009, sendo consagrados como casal Nota 10.

O carioca Rogério Junior é um Mestre Sala estreante no carnaval tucuju, mas não menos experiente. Começou aos 8 anos, na ala de mestre sala e porta bandeira mirim da Grande Rio, permanecendo até o ano de 2005, e depois foi para a Mocidade Independente de Padre Miguel, ambas do grupo especial do carnaval do Rio de Janeiro-RJ. Após desfilar em outras agremiações do seu Estado, Junior participou de desfiles das escolas de samba de Além Paraíba-MG e Vitória-ES. Atualmente, é o primeiro mestre sala na União de Jacarepaguá, que desfila no Grupo Especial da Intendente Magalhães, administrado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Brasil (Liesb).

Foto: Aydano Fonseca

2º Casal – Andriny e Lucas

Andriny Videira, começou sua carreira fazendo uma participação no 3° Encontro de Casais de Mestre Sala e Porta Bandeira no Meio do Mundo, representando a escola de samba Império da Zona Norte, em 2016, fazendo par com Lucas Rodrigues.

No mesmo ano, foi convidada por ele para formarem o segundo casal de Piratas Estilizados, a convite do então presidente Roberyo Leite.

Lucas Rodrigues, segundo mestre sala de Piratas Estilizados, iniciou sua carreira como MS na escola de samba Império da Zona Norte, no ano de 2014. Em 2015, desfilou pelo Solidariedade, também como mestre sala. Lucas buscou capacitação, tendo participado de três encontros de casais em Macapá e um em Belém.

No ano de 2016, entrou para a ala de passistas do Estilizados, e no mesmo ano foi convidado a assumir o posto de segundo mestre sala. Aceitou, e junto com Andriny Videira começaram essa linda história de amor pela mais querida do carnaval amapaense.

Gilvana Santos – jornalista
Comunicação Piratas Estilizados

O MENDIGO E O ARCO-ÍRIS – Crônica de Wagner Gomes

Por Wagner Gomes

Manhã de carnaval, antiga Praia do Aturiá, Bar remanescente da sua Orla, sem denominação. Forte tempestade. O barulho dos trovões. A faísca dos raios. O aguaceiro é geral. As ondas do mar com toda sua fúria provocam medo. Inundam o recinto. Encontro-me só. Os amigos não apareceram. Como na música de Paulo Diniz: “pensaram que eu tivesse falido”… Peço o meu segundo uísque. Aproxima-se um cidadão maltrapilho, um mendigo. Pede para sentar. Digo que sim. Puxa conversa. A tempestade vai embora e surge um lindo arco-íris. Então, passo a contemplar a beleza dessa manifestação da natureza.

– É o símbolo que o criador escolheu para sua aliança com os homens: disse o mendigo, fitando o arco-íris. Acrescentando: está na Bíblia, no Gênesis: “E Deus disse: “Eis o sinal da aliança que Eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras”. Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre Mim e a Terra. Quando eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da terra, o meu arco aparecerá nas nuvens, e Me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie” (Gn 9, 12-15). Então, ofereci ao companheiro mendigo uma dose de uísque para que pudéssemos brindar o surgimento da aliança divina.

– É um guerreiro que paira intangível na atmosfera para confirmar a sua vitória sobre a tempestade, finalizou, se referindo ao fenômeno tecido com as sete cores primitivas. Sem dizer o seu nome, se despediu, deixando em minhas mãos uma página de uma revista, toda enrolada, com o texto que a seguir compartilho com os senhores:

“Quanto tempo perdido, quanta dor afligida, quanta lágrima caída, quanto sonho sonhado, quanta vida passada, quanta infelicidade parida, quanta culpa por nada, nesta vil caminhada, serpenteada por companheiros que apregoam de tudo, mas não te acompanham em nada, de tal arte a vida perder o tom, à existência a razão, os enamorados a esperança e a fantasia o encanto, por tudo, em função do nada, pincelado num auto-retrato meu/teu/nosso, alcunhado pela verve da cronista como auto-boicote, em que “(…) nossos olhos e corações, de tão aflitos, só enxergam e sentem angústias, tristezas e decepções… De modo a só valorizarmos o que de menor valor existe em nossas vidas, o que vai nos deixando amargos e frios… Ao ponto de, às vezes, questionarmos o que de mais belo existe dentro de nós, como a família e os amigos e, por outra nos fazendo, até mesmo, achar errado ser romântico, sensível, generoso, zeloso, amável… Apaixonado, daí não se compreender, porque outras pessoas, a quem permitimos fazer parte de nossas vidas, dizem sentir-se sufocadas, incomodadas, por serem alvo de nossa dedicação!

Como pode? É, mas pode… A palavra que estas pessoas não encontram para definir o que sentem, talvez, seja “culpa”. Culpa por saber que não merecem tanto amor… Por não gostar de si mesmas ao ponto de presentear-se com amor de alguém… Por estas e outras, é que deixamos de contemplar um lindo pôr-do-sol, a alegria do sorriso de um filho, de um sorriso ou de uma criança que nem conhecemos e que passa por nós instintivamente, nos mostrando aquelas “covinhas” que iluminam o dia de qualquer um.

De ganhar um carinho que só pai e mãe sabem dar, de passar um tempinho a mais ouvindo aquelas histórias que, já ouvimos um monte de vezes, mas que vó e vô contam como ninguém. De receber um beijo, um afago, um olhar de alguém que, de verdade, está apaixonado por você, e o melhor: gosta exatamente como você é… E que no fundo também te interessa, mas que inconscientemente você afasta… De aceitar a ajuda e conselhos dos amigos de verdade… Por quê? Será que temos sempre que nos sentir atraídos por quem não nos quer? Será que fizemos algum pacto com a infelicidade? Por que teimamos em querer quem não nos faz feliz? Pode até se ter um dia, mas nossa vida é hoje, o agora! Portanto, abandone e esqueça tudo que te impede de viver bem, e que, portanto, não tem valor.

Permita-se assistir o sol se pôr, aos colos de pais e mães, às doces palavras de nossas avós, dormir e acordar com alguém que de verdade adore seus beijos, carinhos e demonstrações de afeto e que valoriza e retribui isso… A descobrir quem são nossos poucos e verdadeiros amigos, àqueles em que podemos confiar… E viver nosso presente, como realmente merecemos… Felizes!”

Em tempo:

Ao perguntar ao garçom se aquela “figura” que estava comigo era frequentadora do ambiente, obtive como resposta: – “o senhor estava só, com dois copos de uísque na mão. Não tinha mais ninguém”. Calei-me.

P.S. O autor do texto também não estava identificado.

*Wagner Gomes é renomado advogado do Amapá, radialista, militante cultural e amigo deste editor. 

Carnaval 2020: empreendedores terão a chance de faturar durante o Desfile das Escolas de Samba

Com o anúncio da realização do Desfile das Escolas de Samba, que será realizado na Rua Victa Mota Dias, no bairro Jardim Marco Zero, empreendedores de Macapá terão a oportunidade de faturar no carnaval. A passagem das agremiações carnavalescas será nos dias 21 e 22 de fevereiro, e a expectativa é a geração de renda aos trabalhadores informais.

Para a participação no evento, foi feita a publicação de um edital com período de 3 a 6 de fevereiro. Os empreendedores tiveram que se adequar às exigências do edital, tais como modelos de padronização, não sendo permitido o uso de carrinhos pelos permissionários e proibição do uso de aparelhos sonoros nas tendas, entre outros. Mais de 100 trabalhadores participaram do sorteio e 50 deles foram selecionados.

De acordo com a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Lidiane Cardoso, os trabalhadores ficarão na chamada Feira do Empreendedor, situada no estacionamento do Estádio Zerão. Eles terão a oportunidade de comercializar alimentos, bebidas, artesanato, entre outros. “A intenção é deixar o folião e a população em um ambiente propício. Além disso, oportunizar a geração de renda aos empreendedores de maneira organizada”, diz.

Além da organização, a Semdec fará uma pesquisa para avaliar o impacto do período carnavalesco na geração de emprego e renda da população. A intenção é fazer um levantamento do impacto na cadeia produtiva durante o carnaval. “Essa pesquisa servirá para o planejamento futuro. De maneira ordenada, teremos um diagnóstico mais preciso de como atuar e fomentar o empreendedorismo dos autônomos. Avaliaremos os investimentos e o retorno”, afirma.

Paralelamente, durante o evento, terá a atuação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Semduh), que ficará responsável pelo trabalho de fiscalização quanto à ocupação indevida de áreas não autorizadas. A preocupação é evitar a ocupação indevida do solo, principalmente nos setores de acesso aos camarotes e arquibancadas.

“A ideia é promover o ordenamento de toda a área para não oferecer qualquer risco à população. Os empreendedores que fizeram o cadastro terão o seu espaço específico, e os que ficaram de fora terão que que se adequar. Caso contrário, poderão ser retirados”, informa o titular da Semduh, Luiz Otávio Figueiredo.

Jonhwene Silva
Assessor de comunicação/PMM

Pesquisa revela que carnaval amapaense pode gerar mais de 200 novos postos de trabalho temporário

O Carnaval Amapaense, considerado um dos mais expressivos da Região Norte, já começa a movimentar diversos setores da economia local, como as vendas de varejo, hotéis e bares. De acordo com o levantamento realizado pelo o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Comércio do Amapá (IPDC), estima-se que nesse período o Estado oferte aproximadamente mais 200 novos postos de trabalho, considerando os segmentos voltados para o carnaval, principalmente, os de bares e restaurantes.

O IPDC leva em conta que nessa época os consumidores irão investir em serviços como bares, hospedagem, fantasias e ambulantes – que vendem desde a bebida e comida, até acessórios para os foliões.

No comércio varejista, a projeção do IPDC é de alta de 21% para as vendas em fevereiro. Segmentos que são impactados diretamente pelo consumo durante o carnaval, como vestuário, armarinho e decorações, a expectativa é que o faturamento chegue até 40%.

O diretor técnico do IPDC, Erik Rocha, reforçou que nesse período os principais segmentos que irão movimentar a economia do estado são bares e restaurantes. “A previsão é que estes dois setores respondam pela geração de empregos temporários que são gerados durante a festa, e precisam de reforço para atender a grande quantidade de consumidores”, comentou.

Neste sentido, quase metade dos entrevistados revelaram que percebem um aumento significativo no fluxo dos consumidores durante o período carnavalesco e 20% acredita que o feriado afeta de forma positiva o resultado das vendas. A ampliação do horário de atendimento e o aumento do fluxo de turistas também foram citados como pontos positivos do carnaval.

A coleta de dados ocorreu entre os dias 06 e 10 de fevereiro de 2020. As entrevistas foram realizadas em 64 estabelecimentos comerciais, dos quais 40 do segmento de lojas e armarinhos e 24 do segmento de hospedagem (hotéis, pousadas e similares).

Assessoria de comunicação da Fecomércio/AP

Poema de agora: Carnaval Moderno – Pat Andrade

CARNAVAL MODERNO

andei à procura da máscara ideal
teci minha bela fantasia
para brincar mais um carnaval
comprei confete e serpentina
encomendei lança perfume
purpurina e coisa-e-tal
[mas não achei salões para bailar]

o Arlequim se mudou pra Bahia
finalmente cansou de chorar
a Colombina, poderosa,
vive a trocar de par
o Pierrô foi morar na praia
agora é dono de pousada e bar
[parece que lá pra Marudá]

nesse carnaval moderno
já vi gente com cara de sério
já vi gente pulando de terno
nesse carnaval moderno
não dá mais pra se apaixonar
é esquecer o que vira cinza
depois que o sol raiar
[no carnaval deste ano, vou é me acomodar]

PAT ANDRADE

UM DIA DE ELLEN PAULA – (relato verídico de Carnaval – Por Fernando Canto)

Ellen Paula

Claro que não é a mesma coisa. Mas já me senti a própria miss da Expofeira deste ano que viu seu direito de ganhar o concurso ser usurpado (propositadamente ou não). Tudo por causa de um suposto erro de contagem do júri.

No meu caso a situação aconteceu nos fins de 1985, quando fui convidado para participar de um festival de samba-enredo da Associação Recreativa Piratas da Batucada, na sede do Trem Desportivo Clube. O tema era “O sonho de um rei”, e o regulamento dava margem para mudar o título, desde que o samba se encaixasse no que os carnavalescos da escola queriam.

Como na época eu pertencia à ala de compositores dos Piratas Estilizados, que era do segundo grupo, resolvi participar. Então convidei o Neck para defender a música “O Rei da Brincadeira”, para a qual fiz os arranjos e acompanhei no cavaquinho. Aconteceu, porém, que o Jeconias Alves de Araújo também estava inscrito no festival, mas não havia encontrado quem interpretasse seu samba. Pediu-me para cuidar disso. Cuidei. Ensaiamos os dois sambas na sede dos escoteiros do Laguinho com uma turma de batuqueiros dos Piratinhas.

No dia anunciado para realizar a escolha do melhor samba – um, sábado – havia seis inscritos. O primeiro a ser cantado, por sorteio, foi o do Jeconias, denominado “Sonho de um Rei”, cantado pelo Neck e acompanhado por mim no cavaco. Os intérpretes do samba seguinte – “O sonho de um pirata”, de Leonardo Trindade – não apareceram.

O próximo foi o meu samba, que o Neck interpretou magnífica e profissionalmente, sendo bastante aplaudido. A quanta composição, intitulada “O sonho de um rei no carnaval”, de Alcy Araújo, também não concorreu. Mas as duas seguintes, “Sonho de um rei fantasiado de pirata”, de Venilton Leal, e “Sonho em forma de samba”, de Zoth e Antoney Lima eram muito boas e também foram bastante aplaudidas pela galera do Piratão.

Fernando Canto e o saudoso Jeconias Araújo

Após uma longa e nervosa espera – um sofrimento para quem participa de festivais – finalmente o presidente do júri anunciou o resultado, favorável ao Jeconias Araújo, que por sinal era compositor dos Piratas da Batucada desde a sua fundação. Jeconias recebeu o cheque no valor de dois mil cruzados novos, contente da vida, enquanto eu e o nosso intérprete nos perguntávamos onde foi que erramos. Mais tarde, tomando uma gelada no badalado bar Balaio, na Praça Nossa Senhora da Conceição, o Jeconias, que depois viria se tornar um grande amigo meu, me esnobou balançando o cheque na minha frente. E nem agradeceu o favor.

Como essas coisas aconteciam nos festivais não liguei muito. Na segunda-feira o Manoel Torres, que fora secretário do júri do festival e pertencia à diretoria da escola, chamou-me na reprografia da Secretaria de Planejamento do Governo do Território, repartição que trabalhávamos. Ele queria me mostrar que o festival tinha sido feito com lisura e honestidade. Para tanto me deu uma planilha com os resultados.

Na ocasião eu estava acompanhado do Rui Lima, que como eu também era técnico da SEPLAN. De posse da planilha o Rui somou rapidamente os resultados com olhos de economista e detectou que o mesmo estava alterado. Em vez de 59 pontos o samba de Jeconias aparecia com 69: 10 pontos a mais. O meu samba havia alcançado 65,5 pontos, portanto eu ganhara o festival.

Não devolvi a cópia da planilha. Guardo-a até hoje. Fui atrás dos meus direitos e os consegui: o samba foi gravado (pelo Neck) e cantado na Avenida Fab no Carnaval de 1966.

O ruim disso foi que o Jeconias não recebeu o dinheiro do prêmio e por isso nunca mais fez samba para a sua escola. Por outro lado, no ano seguinte fui convidado pelo Monteiro para fazer o samba que homenagearia o Biroba, espécie de ícone do bairro do Trem. Então o samba ajudou o Piratão a ser campeão pela primeira vez, na FAB. Coisas do carnaval.

Prova do erro: planilha da pontuação

Compreendi a intenção do Manoel Torres, que não foi ingênuo, mas honesto; a de Jeconias, um vencedor que não levou o prêmio; e agora a da jovem miss Ellen Paula, que como eu fez seu trabalho, mas que por causa de um erro (intencional ou não) se viu impedida de comemorar a vitória. Mesmo assim eu acredito que sempre há um tempo para corrigir injustiças.

*Publicado no jornal “A Gazeta” de domingo, 13.12.2009