Flávio Cavalcante, um cara porreta demais, gira a roda da vida. Feliz Aniversário, amigo! – @PedraDeClariana

Flávio Cavalcante, a fotógrafa Márcia do Carmo, o jornalista Everlando Mathias e eu, em um encontro de trabalho em abril de 2019.

Sempre digo aqui que gosto de parabenizar neste site as pessoas por quem nutro amizade. Afinal, sou melhor com letras do que com declarações faladas. Acredito que manifestações públicas de afeto são importantes. Neste quinto dia de julho, o amigo Flávio Cavalcante gira a roda da vida e lhe rendo homenagens, pois trata-se de um baita cara porreta!

Doutor Flávio é promotor de Justiça do Ministério Público do Amapá. Um profissional competente, experiente e de excelente trato. Trabalho como assessor de comunicação no MP-AP e ele é um dos meus chefes. O mais legal é que ele se tornou um amigo ao longo dos anos.

Pai, filho, marido e irmão amoroso (gosto de ver suas manifestações para com a família nas redes sociais), escritor (poeta, cronista e contista), blogueiro (pilota a página Pedra de Clariana), ciclista, fotógrafo e incentivador de esportes (também um de seus principais retratistas), Flávio Cavalcante é, sobretudo, um cara muito paid’égua e um homem de bem, sem pavulagens ou preconceitos.

Eu e Flávio, no lançamento do meu primeiro livro de crônicas, em outubro de 2020. Foto: Sal Lima.

Flávio estava entre os amigos que me prestigiaram nos lançamentos dos meus dois livros, em 2020 e 2021. Fiquei feliz em vê-lo nas duas oportunidades, pois foram momentos importantes da minha vida como escritor. De quebra, ajudou nos registros fotográficos dos eventos. Agradeço a moral.

Vez ou outra, a gente conversa sobre trabalho, sobre poesia, sobre figuras da Cultura amapaense, Literatura e fotografia. Também somos fãs de Alceu Valença – e Flávio, vira e mexe, fala de sua Várzea Alegre, sua terra natal. Descobri que ele foi amigo do meu avô, quando chegou no Amapá, nos anos 90 e também é brother dos meus tios.

Eu e Flávio, no lançamento do meu segundo livro de crônicas, em novembro de 2021. Foto: Márcia do Carmo.

Por ser esse cara com um nível de paideguice acima da média e querido por todos, Flávio Cavalcante é considerado pelo Gordão aqui. E acredito que esse consideramento é recíproco.

Amigo, que tenhas sempre saúde (muita saúde) e sucesso em sua jornada. Que a força esteja contigo, que tudo o que idealizas como sucesso se concretize e que tua vida seja longa e feliz junto aos seus afetos. Meus parabéns pelo teu dia, Flávio. Feliz aniversário!

Elton Tavares

*Obs: Flávio, precisamos de novas fotos juntos, pois o gordo aqui está menos gordo (risos). 

O sapatinho da Alzira e as mulheres pretas – Por Marco Antônio P. Costa (tamo junto, @AlziraNogueira6)

Por Marco Antônio P. Costa

Nessa última sexta-feira (1), aconteceu o lançamento da pré-candidatura da Alzira Nogueira para deputada estadual. Eu não consegui acompanhar muito a plenária, porque fiquei ajudando desde cedo na parte estrutural e logística, mas num breve momento cheguei e quem estava fazendo uma saudação era a Alexsara Maciel. Ela contava, emocionada, que um dia encontrou-se com Alzira em tal ou qual lugar e a nossa assistente social estava com um sapatinho novo, lindo, e que, minutos depois, ela já apareceu com pés descalços.

– Alzira, cadê teus sapatos?
– Eu acabei de dar para uma moça que estava precisando, teria respondido Alzira.

A Alexsara foi minha professora na Unifap quase 20 anos atrás. Mulher preta e de esquerda, marxista e combativa e, mesmo assim, nunca a tinha visto declarar apoio político de forma tão entusiasta para alguém como ela o fez nesta sexta. Fiquei feliz, e de certa forma emocionado com a história que ela contou. Mas, sobretudo, tive naqueles minutos ali um pequeno insight. É que eu percebi – só um pouquinho, um filigrama! – como é espetacular esse encontro. Foi com a Alexsara que eu aprendi, da pior forma, como pode o racismo estrutural ser tão canalha. Ela que é daquela geração de amapaenses que foi para a UFPA, estudou, foi do movimento negro, esforçou-se e se estabeleceu como professora em nossa universidade e, mesmo assim, recebia a alcunha maldosa de “complexsara”. É sinistro, é cruel e provavelmente também devo ter sido dos que falaram ou sorriram do termo. É violência política, de gênero e de raça. É pelo o que passam, também, mulheres pretas.

Eu vejo que no Amapá ainda não se expressou com toda força, eleitoralmente, aquele fenômeno similar ao que levou Marielle e outras mulheres como Renata e Dani, à votações muito grandes e representativas. Me parece que há essa demanda represada e pela força, em número e energia militante que a plenária expressou, a Alzira vai canalizar esse fenômeno. Que bom!

Que bom que o que antes era complexo, hoje é luta, encontro, potência, grito, revolta, amor e esperança!

Por fim, “pés-descalços” é um termo antigo cunhado pela UDN, pela direita brasileira, para tentar desqualificar o povo mais simples e trabalhador que ousa participar da política. Pois se não é irônico e maravilhoso que, nesta eleição, para deputada estadual, eu vou votar em uma legítima pés-descalços! Ontem senzala, hoje favela! Obrigado, pela oportunidade de ter um voto bom desses, Alzira, e obrigado Alexsara, pelas lições nas aulas lá atrás e na posição política do presente!

Vamos juntos!

*Por Marco Antônio P. Costa é cientista social, jornalista e militante político há mais de 20 anos.

Remo x Paysandu, a serviço do inexplicável – Crônica porreta de Marcelo Guido sobre o clássico que rolou ontem

Foto: O Liberal

Crônica porreta de Marcelo Guido

O princípio de tudo antes do nada.

Em mais um domingo, Belém do Pará e toda a região norte viveram mais uma página deste épico confronto.

Lobos e Leões travaram dentro das quatro linhas mais uma batalha em busca da vitória sobre o maior rival, e nem a Santíssima Virgem Maria, a mãe da Amazônia arriscaria um palpite de quem sairá vencedor.

Remo x Paysandu é mais que jogo para se ver, é algo para se sentir, se viver. Uma experiência única que colocaria a tremer o mais puro e sádico hooligan inglês. O gramado seja de qual estádio, é verde e abençoado pelo sangue cabano que corre nas veias de 22 homens. Belém a dita e bem nomeada cidade das mangueiras se divide. E as duas torcidas apaixonadas deleitam se no mais puro espetáculo de adoração por seus pavilhões.

A magia envolvida no “clássico Rei da Amazônia” é impossível de ser explicada, a rivalidade dividida pela Almirante Barroso parece enaltecer e criar vida como verdadeira lenda amazônica.

Não existe favorito, não importa a colocação de ambos não importa nada, RE x PA é intransponível a razão humana, é puro sentimento. O azul do céu contra o azul do mar, um espetáculo escuso quase que pornográfico para quem gosta de futebol.

Não me venha com “Grenal ou Flaflu”, aqui não importa, é vontade sobre a categoria é força sobre a técnica e o mais puro sentido da raça dentro de campo.

Rogerinho profanando o leão, Biro Biro derrubando os muros e assim vai se construindo o clássico, com heróis e vilões prontos a escrever mais uma vez a história. Onde o Mangueirão vibra junto e balança acompanhando a vibração.

De ídolos eternos de cada lado, como Cacaio e Artur ou dos dois Lados como Edil, ou tendo Dadá, o Maravilha, trajando o manto bicolor e um certo Bira vestindo azul, de Hélio a Alcino, ninguém ousaria dizer o resultado.

Mais um clássico no Baenão e o resultado terminou igual | Irene Almeida / Diário do Pará

Seja o maior tabu do mundo para um lado (33 jogos), ou o inesquecível 7×0 para o outro, os dois são face da mesma moeda.

Um inesquecível caso de amor que no domingo de ontem tomou conta do coração.

O maior Clássico do mundo acabou 2×2. Salve o Re X Pa, criado pelos deuses da bola para fazer sorrir e chorar, se tivesse um vencedor, que fosse o melhor, mas como dizem ao apito do árbitro, foram no mínimo 90 minutos onde o tempo e o espaço estavam a serviço do inexplicável.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia.

Torcer pro Flamengo – Crônica porreta de Marcelo Guido (que é vascaíno)

Crônica porreta de Marcelo Guido

Torcer pro Flamengo é levar no peito a honra da alcunha de ser, ser Flamenguista.

É encarar a vida, os fatos , labutas e desafios com sorriso largo no rosto sabendo que nasceu para vencer e que a vitória é algo que está à espera.

O flamenguista está do lado de Ziraldo, Benjor, Bussunda e Fernando Canto e chamar o maior palco do futebol de casa.

Tem o seu próprio maestro, Junior, não veste camisa , tem o Manto e não tem ídolo tem uma entidade: Zico.

Leva o sentido da vida a outro Patamar e ver o tremular do panteão Rubro Negro como uma chamada para mais uma grande conquista.

O Flamenguista, sabe que tem a conquista como destino, pois acredita mais que ninguém que “deixaram o Flamengo passar”.

Torcer pro Flamengo é enlouquecer nos clássicos, é fazer parte de uma grande “Nação” dentro do Brasil, é ter um motivo sempre para acreditar que a vitória por mérito é sua e que suas lágrimas e suor nunca serão em vão.

É trazer o mundo para a Gávea, com Nunes, Adílio e Andrade. É ver nascer Dida, Evaristo e muitos outros gênios da bola.

O flamenguista encara todos os desafios como Anselmo em um só soco e sai a sorrir como o galinho e não a ventos cortantes que fazem o calar.

É acordar e ter a certeza que deve ser uma merda não ser Flamengo, e transcender o litígio do físico explicável e saber que vive uma paixão sem fim.

O flamenguista é fiel ao clube que leva no peito e na raça, é cobra coral papagaio vintém é vestir rubro negro e saber que não para ninguém.

É transformar os FlaxFlus da vida em um verdadeiro “Ai Jesus” e sair vencedor.

Saber que foi batizado sob as bênçãos do machado de São Judas Tadeu e que nenhum contraposto, imprevisto ou desilusão será maior.

É torcer junto com Adriano, o Imperador e sentir Pet na bola parada.

Torcer para Flamengo, é saber que uma vez Flamengo sempre Flamengo, ei de ser, sentir viver sempre, por toda a eternidade até depois da morte.

Torcer para o Flamengo, enfim, é ter a felicidade como amiga constante, a grandeza como realidade e a força para vencer correndo por veias pulsantes de sangue, realizações e inúmeros grandes feitos.

Texto dedicado ao Lênio Mont’Alverne , Sal Lima , Danilo Lemos, Elder de Abreu e aos meus grandes irmãos da vida Elton e Emerson Tavares.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia, além de vascaíno.

Bobô –  O Gênio da Elegância Sutil – Crônica de Marcelo Guido

Crônica de Marcelo Guido

Os Deuses da bola  lhe concederam um talento exemplar e ele o fez valer atuando por vários pavilhões pelo Brasil, assim foi a história de Raimundo Nonato Tavares da Silva, eternizado com a alcunha de Bobô.

Apelido simples para um meia atacante que demonstrou uma categoria ímpar pela Catuense, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Corinthians e Internacional, mas que imortalizou se com o manto tricolor do Bahia.

Pelo tricolor de aço do nordeste, Bobô desfilava talento no meio campo, sua exemplar visão de jogo o colocava acima dos demais na região central do tapete verde, passes precisos colocavam atacantes em situações de vantagem sobre os defensores, para os goleiros adversários era uma sensação de agonia profunda, o balançar das redes era uma questão de tempo.

Pelo Bahia veio o tri estadual e a cereja do bolo, a conquista do campeonato nacional em cima do poderoso Internacional. Nas duas partidas da final Bobô, chamou a responsabilidade para si, e não deixou que o troféu saísse da Fonte Nova, dois gols, que adiantaram o carnaval. A torcida o reverenciava e sabia que com ele em campo todos os orixás estavam apenas de um lado do campo.

Bobô, recolocou o nordeste no mapa do futebol brasileiro, mostrando um campeão fora do eixo.

Vendido ao São Paulo, honrou a camisa tricolor, seu vistoso futebol ganhou de cara a torcida do Morumbi, um meio campo que transpirava talento, Bobô e Rai jogaram bem juntos e o resultado foi o troféu do Paulistão na sala.

Emprestado ao Flamengo em 1990, o craque teve participação contundente  no título da Copa do Brasil do mesmo ano, desta vez atuou no meio com ninguém menos que o maestro Júnior, resultado não poderia ser diferente, mais um troféu  nacional para conta.

Logo após a passagem pela Gávea, o craque abriu os portões das Laranjeiras, onde atuando como atacante formou uma dupla de ataque eficaz ao lado de Ézio, uma valorosa Taça Guanabara foi conquistada.

De volta a São Paulo, em 93 Bobô colocou seu talento a serviço da fiel corinthiana, mas um mal momento na carreira não o fizeram deslanchar como o esperado de um jogador do seu quilate.

No Internacional, vestiu a camisa colorada e ainda deu tempo de ganhar um Gauchão, mostrando a eficiência de sempre nos 4×1 na final em um inesquecível Grenal.

Sua brilhante carreira , não seria a mesma se não voltasse a defender o pavilhão do tricolor de aço, em 1995 o esperando retorno. Mas sem mais a emoção de sempre, e com o desconforto da rotina de jogador profissional o mesmo encerra a carreira com apenas 34 anos.

 

Foram 645 jogos, 196 gols marcados, 3 passagens pela seleção , inúmeros passes decisivos em 15 anos de carreira profissional  ,  uma adoração pela fervorosa torcida do Bahia. Um jogador exemplar que comemorou um troféu por ano de 1986 a 1991.

Sua incrível precisão nos passes, sua  forma inequívoca de se jogar, o fizeram ser “caetanizado” em versos de “Reconvexo”, pois quem não amou “ a elegância sutil de Bobô”, não gosta de futebol, ou é ruim da cabeça ou doente do pé.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia. 

Repórter cinematográfico e fotojornalista, Sérgio Silva,gira a roda da vida. Feliz aniversário, Serginho!

Tenho alguns companheiros (brothers) com quem mantenho uma relação de amizade e respeito, mesmo a gente com pouco contato. É o caso do competente fotógrafo, repórter cinematográfico, editor de imagens, Sérgio Silva. Hoje é aniversário do cara, que gira a roda da vida e lhe rendo homenagem.

Serginho é um velho companheiro de pautas e mesas de bar, “cabôco” (sei que a palavra é “caboclo”, mas gosto de falar/escrever “cabôco” mesmo) gente boa, além de velho brother deste editor.

Trata-se de um cara batalhador, trabalhador, responsável, profissional experiente, sério e mestre em seu ofício, além de parceiro. Um cearense que tem uma flor como amor e é um homem de bem.

Nem sei contabilizar em quantas pautas trabalhei junto com o Serginho. A gente nunca foi da mesma equipe, mas trabalhávamos em conjunto nos tempos que estive na comunicação do Governo do Amapá. De lá pra cá, nos tornamos amigos. Ele é um cara que admiro. Tanto pela firmeza do caráter, quanto pelo talento.

A gente pouco se encontra, mas quando rola de tomar umas, é uma festa. Dono de bom papo e histórias legais, o careca é um cara porreta. Serginho, mano velho, “tu saaaabes”, gordão aqui dá valor ao senhor.

Que a força sempre esteja contigo. Que teu novo ciclo seja ainda mais produtivo, próspero e que tenhas sempre saúde e sucesso junto dos teus amores. Saúde, sucesso e sabedoria sempre!

Meus parabéns e feliz aniversário!

Elton Tavares

Risoles  – Crônica de Marcelo Guido

Crônica de Marcelo Guido

Formato de pastel e um sabor inconfundível de coxinha, a combinação exata da felicidade.

Pode ser de carne, de tradição. Pode ser de camarão, o fino. Presunto, lembrança. Queijo o principal, os dois a junção perfeita.

Imerso em óleo quente, com uma coca gelada traduz a satisfação.

O Risoles é mais um que completa o time da estufa, que faz gente simples como eu adentrar o princípio ativo da vida, que traduzindo para o mais popular dos linguajares nos faz felizes e completos.

Em sim, é massa e recheio diferente de sua amada prima coxinha se faz em um formato triangular, arredondado. Com massa de trigo, a melhor, tem quem se arrisque na macaxeira, não sou fã , mas traço numa boa, mas está na preferência de muitos que colocam em seu dia um momento para saciar a fome e amargura do existir. Risoles é vida.

Lembranças vem a mente, com o popular “Ris Óleo” de queijo da cantina da escola, nossa ao ver balançar na estufa e contar quantas gotas respingavam, a azia era garantida das 9:30 as 12:00, mais sorrisos em lábios gordurentos denunciavam o crime de se estar feliz.

O Risoles tem disso, é o bem e o mal juntos. Pode ser o mais massudo possível, aqueles do cento que vem com uma singela lembrança apresuntada,  perto da bolinha de queijo, mas se faz presente.

Talvez por unir mundos diferentes, formatos , recheios, opiniões seja essencial para o mundo. Pois da união das diferenças se faz a paz constante (profundo ).

É amigos, Risoles para todos pela paz mundial. Que seja sempre celebrado, nunca esquecido ou jogado para segunda classe, que tenha sempre a oportunidade de mostrar o seu valor.

Não perca tempo, hoje faça diferente, acomode-se e peça dois, misture sabores e complemente o vil prazer de se estar vivo. Não se esqueça da Coca-Cola para melhorar qualquer refeição.

Viva o Risoles, a união estável do perfeito ser.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia.

Eu? Uma grande emocionada! – Crônica de Telma Miranda – @telmamiranda

Crônica de Telma Miranda

Tem uns dias que ando melancólica, mas acredito ser por não dar a pausa do anticoncepcional e não deixar meus hormônios agirem naturalmente. O acúmulo de repente tá fazendo isso. Ou a ausência. O normal seria eles me deixarem louca, mal humorada, mas aí eu os reprimo, eles se organizam e o ataque é feroz!

Só sei que tenho escutado músicas que me tocam a alma e me permitido chorar de soluçar. Assistido filmes que me emocionam. O choro é livre, literalmente. Livre e leve. E me leva a refletir que pela primeira vez na vida (adulta!) estou vazia de dor de amor, porém não menos emocionada. Assumidamente emocionada.

Ao contrário do que muita gente me imagina, sou sensível demais. Tudo me afeta. Sinto compaixão, empatia, vontade de cuidar e agir e por muitas vezes e quando posso o faço, sem alardes, e sigo. Meu desafio diário é justamente esse: domar esse turbilhão de afeto que me move e deixar todos ao meu redor imaginarem que sou a personificação da plenitude, a calma e elegância que tanto dissemino.

Mas a realidade dentro é outra: sou uma mulher apaixonada, visceral, intensa e cheia de afeto. Meus amigos sabem disso, pois conhecem o vulcão que em mim habita. Eu fervo. Minhas explosões são dentro. Respiro fundo e tenho altos papos comigo mesma avaliando os cenários, comportamentos e definindo o próximo passo. Nem sempre funciona. Tem vezes que não me escuto e mergulho na emoção. E me entrego, afogo, me deixo levar e vivo cada minuto inteira para quando chegar o fim, ter valido a pena nadar em lava.

E sim. Por pior que aparentemente algumas experiências tenham sido, sou grata a cada uma delas por ter-me lapidado e melhorado, afinal de contas sou o resultado de todos os meus erros e acertos. Erros que me fizeram feliz por um tempo, acertos que me despedaçaram em determinados momentos, mas segui e sigo, hoje, um dia de cada vez, em paz. Uma paz quase palpável.

Porém, mesmo em paz, esse sentimento ferve, borbulha, respinga quente vez ou outra e me lembra que tá ali e não vê a hora de transbordar. E ele vai transbordar na hora certa e sem tirar essa paz conquistada com tanta luta, amarrando muitas pontas soltas. Restam ainda poucas por amarrar, mas de uma em uma vou vencendo os dias e quando menos esperar, realizo meu sonho de lembrar do amor que terei toda vez que ouvir Coração Selvagem, e vou chorar de soluçar do mesmo jeito que hoje quando acordei. E vai continuar sendo lindo. Calma, elegante e emocionada.

* Telma Miranda é advogada, fã de literatura, música e amiga deste editor.

Sobre a saudosa Drop’s Heroína (primeira banda de Rock formada somente por mulheres do Amapá) – Crônica de Elton Tavares – *Do livro “Papos de Rocha e outras crônicas no meio do mundo”

 

 

Ilustração de Ronaldo Rony

 

Crônica de Elton Tavares

A Drop’s Heroína surgiu do desejo das, então adolescentes, Rebecca Braga (vocal) e Aline Castro (guitarra). A proposta foi a de formar uma banda diferente, com uma agressividade teenage. Logo depois se juntaram à Lenilda (bateria) Cristiane no contrabaixo e Sabrina (guitarra base). Depois, a formação mudou várias vezes. Entraram Suellen no teclado e a última formação contou com Débora nos vocais e Dauci no baixo. A banda lutou contra o preconceito, já que era formada apenas por mulheres, algo nada convencional no Amapá, na década de 90.

A banda foi pioneira no feminismo do rock amapaense. Suas apresentações eram sempre porretas, dignas de um público fiel que seguia a Drop’s aonde quer que as heroínas fossem tocar.

A Drop’s não resistiu à saída da vocalista Rebecca Braga, tentou seguir em frente com uma substituta, mas a coisa não vingou. Apesar disto, a banda inspirou outras meninas e escreveu uma página importante do nosso rock. Ao primeiro grupo roquenrou formado por mulheres de Macapá, nossas saudosas palmas.

Em 2012, no extinto bar Biroska, rolou a festa “Noventinha”, com shows das bandas Little Big (eles não tocaram, mas isso é outra história), Drop’s Heroína e Os Franzinos – todas da mesma época. Infelizmente não fui, pois estava no município de Laranjal do Jari, a trabalho. Uma pena.

Enfim, essa foi uma história vivida por muitos que viveram o rock amapaense há mais de duas décadas. Aqueles anos ficaram guardados na memória e no coração de todos.

É, vez ou outra “mascamos o chiclete Ploc da nostalgia”, como diz Xico Sá.

Falando em citações, existe uma que define a amizade que os integrantes das Little e Drop’s têm até hoje: “bandas são mais que ajuntamentos de músicos, são reuniões de alma” – Jimmy Page.

*Do livro “Papos de Rocha e outras crônicas no meio do mundo”, de minha autoria, lançado em novembro de 2021.

O imortal Gilberto Gil gira a roda da vida pela 80ª vez. Meus parabéns a um dos gênios da MPB! – @gilbertogil #Gil80

Fotos encontrada no site: Discos indispensaveis para ouvir

Sou fã de muitos músicos e compositores, brasileiros e gringos. Um dos maiores letristas, poetas e cancioneiros do Brasil é Gilberto Gil, que hoje completa 80 voltas em torno do sol. Um gênio ícone da Música Popular Brasileira (MPB) e um ativista lutador pelos direitos do cidadão. Sobretudo, um grande expoente da musicalidade nacional.

Fundador de um dos mais importantes movimentos da história do país, a Tropicália, autor e intérprete de vários sucessos como Drão (1982), Aquele abraço (1969), Toda menina baiana (1979), Domingo no parque (1968), Andar com fé (1982), Não chore mais (1979), Vamos fugir (1984), Tempo rei (1984), Refazenda (1975), A paz (1986), entre outras.

Gilberto Gil Foto: Fe Pinheiro/Agência O Globo

Vencedor de prêmios Grammys, Grammy Latino, galardeado pelo governo francês com a Ordem Nacional do Mérito (1997). Em 1999, foi nomeado “Artista pela Paz”, pela UNESCO, além de embaixador da ONU para agricultura e alimentação e ministro da Cultura do Brasil (2003–2008), o baiano tem mais de cinquenta álbuns lançados, recheados de elementos do rock, variedade de ritmos brasileiros, música africana e reggae. E, ainda, imortal da Academia Brasileira de Letras. Ou seja, um cara Phoda!

Como disse meu amigo Anderson Miranda: “o homem que chegou com Expresso 2222 em seu Viramundo de Chiclete com banana de Upa, neguinho, É um luxo só, um Volare de Say a little pray for you, seu Esquadros de Elogil trazendo A paz de Drão no Palco com Back to Bahia pra Andar com fé evocando Bob Marley em Stir It Up, mostrando o Tempo Rei emendando com Aquele abraço e Fico assim sem você pra seguir com Mandela e finalizar o Mita (Festival no qual Anderson assistiu o show do aniversariante )com Toda menina baiana, está comentando hoje 80 voltas do planeta em torno do sol. Viva Gil”.

Gilberto Gil, o ‘imortal’ da Academia Brasileira de Letras (ABL) (Reprodução/Instagram)

Não à toa, outro amigo e cancioneiro, o Enrico Di Miceli, fez uma música e um disco chamado “Todo Música” em homenagem ao aniversariante de hoje.

Gilberto Gil, com suas oito décadas de genialidade, embalou muitos momentos felizes de minha vida. Principalmente em reuniões familiares. Ele também me emocionou muitas vezes em mesas de bar. O tropicalista merece nosso reconhecimento, respeito e gratidão.

Enfim, por tudo que representa este espetacular artista, meus parabéns, votos de saúde e ainda mais longevidade ao monstro da MPB. Feliz aniversário, Gil. Aquele abraço!

Elton Tavares

*Fontes: sites e jornais, além dos meus quase 46 anos de vida com trilha sonora porreta.

Richarlyson, um tapa na cara do conservadorismo dentro do futebol – Crônica de Marcelo Guido

Crônica de Marcelo Guido

Ao ser assumir bissexual o ex -jogador quebra barreiras, chama para o debate e da um verdadeiro tapa na cara de toda uma estrutura machista , homofóbica e conservadora no futebol brasileiro.

Richarlyson é um ex futebolista brasileiro, que brilhou nos campos sua carreira teve muito destaque no São Paulo, pelo tricolor paulista foram três títulos brasileiros, um Mundial de clubes, pelo Galo Mineiro veio a Libertadores da América, além de estaduais (dois), o Paulistão pelo Ituano, fora os prêmios individuais, vestiu a Canarinho. Currículo invejável dentro das quatro linhas.

Sua força, rigidez, categoria o faziam ser sempre demostrado como acima da média para um volante, a evolução para “meiuca” foi natural, Richarlyson o filho do Lela Careta ( Campeão brasileiro de 1985) era de certo um jogador fora de série, daqueles que não precisaríamos de muito para concordar que o cara era foda.

O cidadão Richalyson, agora um ex- futebolista deu uma verdadeira aula de coragem, ao se assumir bissexual, talvez o maior premio que o mesmo já tenha ganho, o apoio de muitos clubes e de muitas pessoas já era esperado, a evolução que a nossa sociedade vem passando já permite que o assunto venha a tona, sim a sexualidade do atleta não o impediu de exercer seu talento de forma alguma. Seria natural, mas estamos falando do futebol.

Futebol, esporte mais popular do mundo, onde vemos torcidas apaixonadas vivendo o dia a dia do clube, transformando vidas, sendo democrático, futebol é jogo, nada é certo, nada é exato, o futebol é bem diferente da realidade.

A realidade é que vivemos em um país extremamente homofóbico, onde os crimes de ódio contra a comunidade LGBTQI+ ainda tem índices alarmantes e absurdos, onde a segregação social destes seres humanos é clara e parece não incomodar, é preciso ser muito homem para ser gay no Brasil.

O futebol, ou melhor, o preconceito já vitimou Justhi Fashanu, inglês , atacante o primeiro a se assumir, tirou a própria vida ao ver a carreira degringolar e a depressão tomarem conta depois de um grito de liberdade. Eram outros tempos, mas já sabíamos que machucávamos quem era diferente. Richarlyson, mesmo um vencedor, conviveu com gritos homofóbicos das torcidas adversárias e muitas vezes da própria torcida, mas isso não o fez baixar a cabeça. Um exemplo.

O ex jogador, apenas sendo natural, com uma declaração entrou de carrinho na hipocrisia, deu um drible seco na homofobia e marcou um verdadeiro golaço contra a caretice, se fez presente, chamou para as críticas e recebeu todo apoio merecido, o futebol que mais de uma vez se demonstrou a válvula de mudança em muitas ocasiões vai ter mais essa missão.

O cara foi homem pra caralho em mostrar a cara e dar esse verdadeiro tapa na cara do conservadorismo dentro do futebol.

Que muitos outros sigam o exemplo, não só futebol ou nos esportes, que as famílias sejam mais receptivas e aprendam a lidar com essas questões, que mercado de trabalho também abra suas portas e que o melhor que ninguém seja julgado por seus gostos e afins.

Que todos possam conviver bem e que cada um cuide da sua própria vida, que com isso possamos melhorar como pessoas e construir assim um mundo melhor.

Que venha um tempo que podemos falar “Richalyson é bissexual e dai ? O cara era foda em campo e é ídolo do futebol”.

Parabéns Richarlyson, que tua coragem sirva de exemplo, e que muitos como tu possam surgir e que daqui a um tempo essa pauta não cause estranheza, susto ou o que quer que seja.

Tu foi campeão dentro e fora de campo.

Tu é foda.

*Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia.

O Torcer para o Fluminense – Crônica de Marcelo Guido

Crônica de Marcelo Guido

O torcedor do Fluminense é um ser astuto, leva no coração as três cores que traduzem a tradição.

Tem com ele a paz, a esperança e o vigor unido e forte, faz do branco verde e grená do pavilhão o verdadeiro sentido da vida.

O torcedor do Fluminense esta do lado dos grandes como Mario Lago,  Paulo Gustavo e Cartola levando para eternidade a honra de torcer para o clube tantas vezes campeão.

O torcedor do Fluminense é tricolor noite dia, é vencedor por merecimento, tem um time de guerreiros que honra nos 90 minutos pelos gramados as lágrimas e suor de sua torcida.

O tricolor dá elástico nos problemas como Rivelino, bate no peito como um coração valente de  Washington e leva  a vida como um sorriso de Fred.

Se revigorar com conquistas e vitórias, lembrar-se dos períodos difíceis para que nunca sejam repetidos e ver a perfeição como um passe de Conca.

É vibrar em um Maracanã lotado do mesmo jeito com a pintura de Dodô e a barriga de Renato, lembrar da máquina que tinha um certo Aldo, Dom Romeo e Branco.

O Tricolor tem a avidez de quem usa um terno feito sob medida e sabe quem tem que correr é a bola assim como já dizia o canhoto Gerson.

O tricolor vibra na humildade, com a segurança de Félix , com a rigidez de Ricardo Gomes e a elegância de Edinho , sempre visando conquistas capitaneadas pelo Super Ézio , sabe ainda vão ser muitas, pois olha para o passado e sabe que seu destino é a glória.

O Torcedor do Fluminense é um fascinado pela disciplina, sabe que quem espera sempre alcança  e com o sangue do encarnado sob as bênçãos de João de Deus faz a torcida vibrar de emoção com o tricampeão.

*Texto dedicado aos meus Tios Ênio, Evaldo e Rodolfo.
**Marcelo Guido é Jornalista, pai da Lanna e do Bento e maridão da Bia

“Querem cafezes”? disse a olavista (Deuses me livrem!) – Por Jorge Herberth

Por Jorge Herberth

A “borra” sujou o teu Café com espinha de peixe e ‘falsa filosofia’. Por isso que só frequento bares e não “cafezes”, como disse a gentil e linda moça ao servi-lo a políticos e comitiva em uma comunidade bem ali, ela que já foi transformada em uma das centenas de personagens do escritor Fernando Canto. O escritor teve duas obras censuradas pela ignorância, por uma ilustre desconhecida, e seu séquito, em Macapá, em uma banca de ‘cafezes’.

À toa! Fernando Canto é bem maior que ela e os ‘cafezes’ servidos por lá. Imagina-se que um lugar desses, ou café cultural como escrito na placa, seja realmente um lugar de cultura. No sentido mais amplo, incluindo democracia e liberdade para todos os títulos e escritores de verdade e de qualidade. Até podem oferecer títulos de ‘cafezes’. Faz parte do negócio, dizem os tolos. E quando carrega uma identificação cheia de ancestralidade espera-se, mais ainda, que seja responsável e respeitoso com a cultura que tenta expressar, já que não é com todos os escritores do Amapá. E nem com o código de postura, pois cercou a calçada. Alô prefeitura!

Pois bem. Não foi respeito que tiveram com o escritor Fernando Canto, maior que tudo isso e bem maior e melhor que todos eles, os ‘cafezes’. O falso “pajé” deveria ser outra coisa como um vendedor da cultura, porque não é como os verdadeiros pajés e os xamãs da rica e linda história do Amapá. O “pajé” dos ‘cafezes’ vacilou feio com Fernando Canto, escritor mais que representativo da Amazônia e do Amapá, onde fincou pés e raízes, onde tem a cabeça única e exclusivamente voltada para a cultura de nosso estado.

Poucos estudam e conhecem a gente do Amapá e sua cultura, como o escritor, sociólogo e doutor Fernando Canto. O resultado desse trabalho e pensamento são seus mais de 16 livros (Desde os poemas em Os periquitos comem manga na avenida; Fedeu, Morreu; Água benta e o diabo; Equino Cio; Adoradores do sol; Contos Insanos; O Bálsamo; entre outros de poemas e contos). Além de jornalismo e artigos científicos.

“Fortaleza de São José de Macapá: vertentes discursivas e as cartas dos construtores”, seu trabalho resultado de pesquisa para tese, a obra mais extensa, densa e importante do ponto de vista histórico, antropológico e sociológico sobre esse patrimônio do povo do Amapá, candidata a monumento da humanidade, é destaque entre obras grandiosas do Brasil. Está publicada na biblioteca do Senado Federal.

Sobre os dois de seus belos livros de contos, Mama Guga, lançado inclusive em feira internacional onde milhares de jovens circularam e consomem, e O Centauro e as amazonas, foram “dispensados” pelo tal “cafezes” sob justificativa de “não recomendável para os jovens”. E descobrimos mais ainda como justificativa, ouvida dento do local: “não eram moralmente grandiosos” (sic….. pois o são e muito!). Moralmente pra quem? Aos que pregam mentiras baseadas em farsas filosóficas, como os olavistas, oportunistas, os das fakes e do falso moralismo de um mundo (de farsa religiosa) para ovelhas? Ou como a censura pregada na ditadura, que torturou e matou inocentes? O café borrado chegou atrasado e frio. À toa! Fernando Canto é maior e melhor ‘que vocês tudinho junto’, diria meu amigo Muleira, o Luiz Façanha.

Porque Fernando Canto, desde o início de sua carreira como um dos melhores e maiores compositores do Amapá, vencedor de festivais e fundador do Grupo Pilão ao lado do Bi Trindade e Juvenal Canto, seu irmão, passou pela censura dos milicianos e militares, foi torturado psicologicamente e preso mais de dez (10) vezes, quando inclusive um coronel dos crimes da ditadura obrigou que um parente dele lhe servisse ‘cafezes’, lá no quartel. Um torturador! Mas felizmente, para nossa grande alegria, está conosco e com a literatura da Amazônia brasileira como um dos melhores. E foi com luta, trabalho e enfrentamento. Mesmo com esse fato do ódio e outros sentimentos escrotos, atitudes e política medíocres como as desse momento contra a cultura e os artistas, Fernando Canto é e sempre será bem maior que todos os ‘cafezes’ da censura, passados em coador furado, com espinha de peixe ou bala. Nunca mais atravessarão nossas gargantas e nem a liberdade da cultura e nem da obra do Fernando Canto.

Vale lembrar que essa obra, e seu autor, circulam livremente pelo Brasil. Fernando Canto é um autor debatido por jovens em escolas por todo o estado, seus textos são utilizados em provas de vestibulares e concursos, debatidos nas universidades e faculdades do Amapá, onde milhares de jovens estão. Pena que além dos ‘cafezes’, também assistimos entristecidos a falta de solidariedade de muitos escritores, jornalistas e advogados do Amapá, que nas igrejas, cultos e academia arrotam cultura e vaidade por uns escritos quaisquer. À toa! Porque Fernando Canto é um escritor de encantarias e amuletos, de histórias de gente de verdade, transformadas em literatura da melhor qualidade.

Elton Tavares (editor deste site) em pé, com Jorge Herberth (camisa vermelha) e Fernando Canto.

Ave, meu amigo! Com uma boa dose de cachaça pura, transparente e honesta. Salve o escritor Fernando Canto!

*Jorge Herberth – Jornalista

Hoje é o Dia Estadual do Marabaixo – Meu texto sobre a data da maior manifestação cultural do Amapá

Foto: Márcia do Carmo

Hoje, 16 de junho, é o Dia Estadual do Marabaixo. A data foi escolhida para homenagear a Santíssima Trindade, por conta do Projeto de Lei nº 0049/10, do deputado Dalto Martins, já falecido, que constituiu a celebração.

A Lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amapá e declarou o dia 16 de junho, Dia Estadual do Marabaixo Amapaense, como data comemorativa no âmbito do Estado do Amapá.

O Dia Estadual do Marabaixo foi sancionado em 2010, por conta de protestos realizados em 16 de junho de 2009, quando os festeiros de Macapá, Mazagão, Campina Grande, Ilha Redonda e outras várias comunidades, protestaram contra a falta de apoio do poder público ao Ciclo do Marabaixo.

Foto: Max Renê

Naquele ano, a manifestação saiu pelas ruas de Macapá em um grande ato contra a desvalorização do marabaixo. O protesto passou pelo Palácio do Setentrião, Tribunal de Justiça, Câmara de Vereadores, Prefeitura de Macapá e Assembleia Legislativa. Cada instituição recebeu uma carta com reivindicações para o marabaixo.

O Marabaixo é um tradição secular que passa de geração em geração através dos anos. É dançado na capital, Macapá, anualmente, nos meses de maio, junho e julho, nos bairros do Laguinho, na Favela e na comunidade do Curiaú.

O Marabaixo através da história

Para explicar sus história, seus rituais e sua importância enquanto elemento cultural característico do estado, sobretudo, do município de Macapá, o escritor Fernando Canto lançou o livro “O Marabaixo através da história”.

Na obra, Fernando conta sobre os vários rituais que compõem essa manifestação e dos personagens que dão vida à tradição – tocadores de caixas (tambores), cantadores e dançadeiras – que, em sua maioria, são descendentes de negros que habitavam as localidades de Mazagão Velho, Maruanum, Curiaú e os bairros Laguinho e Santa Rita, antiga Favela.

Foto: Chico Terra

Para saber mais sobre o Marabaixo, assistam o documentário Um documentário completo sobre o Ciclo do Marabaixo, produzido por Thomé Azevedo, Ana Vidigal Vidigal Zezão Reis, Bruno Jerônimo e outros amigos do audiovisual:

Ainda bem que o Poder Público apoia a tradição. Ainda bem que os poetas versam o Marabaixo e os fotógrafos o retratam. Ainda melhor ainda que o amigo Fernando Canto escreve crônicas sobre ele com o amor laguinense que lhe transborda. Ainda bem que a população vai até a Favela, aos campos do Laguinho, Campina Grande e ao Curiaú prestigiar a festa. Viva (vivencie mesmo) o Marabaixo do Amapá!

Foto: Elton Tavares

Elton Tavares, com informações de Fernando Canto, Edgar Rodrigues e Cláudio Rogério.

*Abaixo dois vídeos sobre Marabaixo: