Hoje é o Dia do Professor – Minha homenagem aos nobres educadores

Homenagem do MP-AP – Arte: Ascom MP

Hoje (15) é o Dia do Professor. A origem da data é em razão que, no dia 15 de outubro de 1827, Pedro I, então Imperador do Brasil baixou um Decreto que criou o Ensino Elementar Nacional. De acordo com a resolução, “todas as cidades, vilas e lugarejos teriam que ter escolas de primeiras letras”. Foi assim.

A profissão é talvez a mais nobre de todas, afinal o professor é o norteador dos futuros profissionais em todas as áreas de atuação que existem. Tive dezenas de bons professores, como a saudosa Gorete Monteiro. Excelente educadora, lecionava Português na Escola Polivalente Tiradentes, foi com ela que comecei a escrever melhor.

Falando de nossa língua, também exalto a professora Catarina Moutinho, que me deu aula no Colégio Amapaense e que reencontrei no Seama, onde formei em Comunicação. Não posso deixar de falar do Carlos Magno, profissional brilhante, que abriu minhas idéias.

Ah, também homenageio aqueles que, além de bons professores, se tornaram meus amigos pessoais, caso do Silvio Neto (professor universitário). Paulo e Patrick Bitencourt, meus irmãos da Cúpula do Trovão, Gabriela Dias, Marcelo Guido, Enilton Cardoso, Armando Cavalcante, Alzira Nogueira e Rita Barcessat, ambas da Unifap, entre outros. Pois tenho muitos brothers que lecionam e é impossível enumerá-los neste post.

Sou filho de uma professora e orientadora educacional, Maria Lúcia Vale Cardoso, que muito honrou a profissão. Minha mãe ralou pra caramba em salas de aula nos aos 80. Depois formou-se e seguiu contribuindo com a educação de centenas de pessoas, que hoje trabalham nas mais distintas áreas. A ela, em nome de todos os professores, minhas homenagens!

Feliz Dia do Professor aos trabalhadores da nobre e tão pouco reconhecida profissão. Esse é o profissional dos profissionais, com toda a certeza, a profissão que mãe é de todas as outras.

Maria Lúcia, minha mãe, a professora da minha vida.

Torço para que, um dia, o Brasil faça Justiça e valorizes seus educadores com condições de trabalho e salários dignos. Parabéns, mestres!

Elton Tavares

25 anos da morte de Renato Russo – Urbana Legio Omnia Vincit! – #classicrock #rock #RenatoRusso #LegiãoUrbana #InMemoriam

Renato Russo – Foto: Oscar Cabral/VEJA

Era sexta-feira, 11 de outubro de 1996. Eu tinha 20 anos. Acordei com o telefonema do Adelson: “Cara, o Renato Russo morreu!”. Fiquei no mínimo uns 10 minutos processando a informação, quase em choque.

Hoje (11) completam 25 longos anos sem Renato, que foi vitimado pela Aids. E como ele mesmo dizia: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, pois o para sempre não dura muito tempo.

“Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião. Nós somos o futuro da nação: geração coca-cola.”

Renato Manfredini Júnior não foi só mais um carioca que cresceu em Brasília (DF), mas sim um cantor e compositor sem igual. O cara liderou a Legião Urbana (composta por ele, Marcelo Bonfá, Dado Villa Lobos e Renato Rocha) e obteve o sucesso de público e crítica.

A Legião foi e sempre será a maior de todas as bandas deste país. Eles venderam 20 milhões de discos durante a carreira, mais de uma década após a morte de Russo, a banda ainda apresenta vendagens expressivas. O som dos caras me remete ao passado, à situações, pessoas, alegrias e perrengues, enfim, foi a trilha sonora da adolescência de minha geração. A Legião Urbana acabou oficialmente no dia 22 de outubro de 1996.

Legião Urbana em 1983 – Foto: Legítimos Legionários.

Renato foi genial, sereno e místico. Um melancólico poeta românico, quase piegas, mas visceral. Era capaz de compor canções doces, musicar a história cinematográfica do tal João do Santo Cristo, cantada na poesia pós-punk de cordel (159 versos e quase 10 minutos) intitulada Faroeste Caboclo ou melhorar Camões (desculpem a blasfêmia lírica), como em Monte Castelo.

Como disse meu sábio amigo Silvio Neto: “Renato Russo foi Poeta pós-punk, de toda uma “Geração Coca-Cola. Intelectual, bissexual assumido desde os 18 anos de idade, ele foi uma espécie de Jim Morrison brasileiro, não tanto pela sua beleza física, mas pela consistência de suas letras que poderiam muito bem ter sido publicadas em livro sem a necessidade de ser musicadas”. Cirúrgico!

Renato Russo tem 154 músicas e 309 fonogramas (gravações) cadastrados no banco de dados do Ecad. Ao todo, suas canções já geraram 757 gravações de artistas como a própria banda Legião Urbana, Capital Inicial, Cássia Eller, Leila Pinheiro e outros.

A maior parte dos seus rendimentos em direito autorais vem dos segmentos de shows, rádios e música ao vivo, que correspondem a 80% do que é destinado a ele. Seus herdeiros continuam recebendo os direitos autorais pela execução pública de suas músicas. Esse pagamento é assegurado por 70 anos após a morte do autor (ou do último autor, em caso de parcerias).

As canções da Legião Urbana marcaram minha geração e a dos que antecedeu a minha. Ao escutar as músicas da banda, penso sobre um montão de coisas, pessoas, situações e etc.

A força e universalidade das composições de Renato emocionaram toda uma geração e continuam mexendo com a gente. Acho que será sempre assim. Não sei o que Renato teria feito se tivesse mais tempo, mas com o pouco tempo que teve, fez muito. Fez demais pela música e arte nacional. O artista foi um dos nossos heróis (ainda tem quem não goste ou reconheça, mas paciência). Pena que o futuro não será mais como foi antigamente.

Se vivo, Renato teria feito 61 anos em março passado. Com certeza, seria um combatente deste governo fascista. Em outro texto, escrevi que “a Legião Urbana somos nós, os fãs“. Sim, “somos os filhos da revolução”. Por tudo isso e muito mais, hoje homenageio Renato Russo, que se eternizou pela sua música, poesia e atitude. Força sempre!

*Naquela mesma sexta-feira, o filho dos meus amigos Lígia Pontes (Marruá) e Paulo Bittencourt (Boca-Mole) nasceu. Fui buscar Lígia e o bebezinho na maternidade. O nome dele? Lucas Renato. Urbana Legio Omnia Vincit !

Elton Tavares

The Doors: O filme – Resenha

Gostamos de cinema e rock, quando essas duas coisas estão juntas então, nem se fala. Hoje falaremos um pouco do filme “The Doors”, que contou a história da banda, homônima ao longa-metragem. Tudo bem que a película exalta muito mais a figura doideira do Jim Morrison (Val Kilmer) que dos outros componentes do grupo, ou a intelectualidade do vocalista (que lançou alguns livros nos EUA).

O filme é de 1991. Foi dirigido pelo renomado diretor Oliver Stone, que ganhou o MTV Movie Awards 1992 (EUA). Stone arrebentou, escolheu o ator Val Kilmer para o papel do lendário Jim Morrison, retratou os shows com ótimos efeitos e adicionou cenas reais ao filme.

O ator mais cotado para o papel era John Travolta, mas Kilmer enviou a Oliver um vídeo onde canta músicas da banda. Isso e o fato de ser muito parecido com o “Rei Lagarto” (como Morrison era conhecido) fez com que ele ganhasse o papel. E ele foi foda naquele filme, para mim, sua melhor atuação.

Para aqueles que não sabem (que devem ter vindo de Marte), o The Doors foi, na segunda metade dos anos 60 e início de 70, uma banda de rock norte-americana. O grupo era composto por Jim Morrison (voz), Ray Manzarek (teclados), Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria). A banda tinha influências de Blues, Jazz, Flamenco e Bossa Nova. Foi uma das maiores da história do rock mundial.

O filme conta a vida anárquica de Jim, todo tipo de loucura, paixão e sexo. Algumas amigas minhas detestaram a postura de Morrison, que faz muitas cagadas com sua namorada Pamela Courson (Meg Ryan), mas isso não é nenhuma peculiaridade dos rockstars (risos). O que queremos dizer aqui é: poucas películas fazem jus ao jargão “sexo, drogas e rock and roll” como esta obra de Stone.

Ouvimos dizer que Val Kilmer teve problemas para sair do personagem, andou meio doido, por ter vivido Jim. A atuação dele foi extraordinária, até Ray Manzarek e John Densmore elogiaram publicamente o desempenho de Kilmer.

O filme tem cada “liga torta” (mas muito bacana), como a influência xamânica de Morrison (que ele absorveu depois de presenciar um acidente de carro na estrada, onde um índio teria morrido e espírito do figura virou um “encosto” no rockstar (risos). O filme retrata até o envolvimento amoroso de Jim e a jornalista Patricia Kennealy.

Jim Morrison morreu em 1971, foi cedo demais, assim como muitos, antes e depois dele. Jim influenciou, definitivamente, uma geração que, posteriormente, influenciou outras. Por exemplo, Iggy Pop que decidiu fundar sua banda (Stooges) depois de ver Jim Morrison. Apesar de não gostar do som e da poesia dos Doors, Iggy admirava a postura sensual e misteriosa de Morrison.

Assim, juntando a vontade de criar uma nova sonoridade para o rock, a preocupação com o visual da banda nas apresentações ao vivo, os Stooges marcaram o início de um movimento que culminaria com o punk rock. Mas essa é outra história.

Voltando ao filme, Ray Manzarek (tecladista do Doors) lançou, anos depois, um livro falando de algumas “potocas” de Oliver Stone no filme e que a película conta “de forma horrível” a história da banda. Mas o diretor fez vários pedidos para que Manzarek trabalhasse como consultor no filme. Entretanto, Robbie Krieger (guitarrista dos Doors) foi o consultor, então tá valendo.

Enfim, este site aconselha a todos que não assistiram a fazê-lo. Os que já assistiram e gostam muito de rock e cinema, o assistem de vez em quando. Abraços na geral!

Ficha técnica:

Gênero: Biografia, Drama.
Direção: Oliver Stone.
Elenco: Billy Idol; Val Kilmer; Meg Ryan; Kyle MacLachlan, Frank Whaley, Kevin Dillon e Kathleen Quinlan.
Duração: 140 minutos.
Ano de produção: 1991.
Classificação indicativa: 18 anos.

Assista ao trailer do filme:


Elton Tavares e André Mont’Alverne
*Republicado.

“About Time” (“Questão de Tempo”) – Resenha desse filme sensacional!

No último fim de semana, assisti novamente ao filme “About Time” (“Questão de Tempo”). Um misto de romance, comédia e drama que me fez rir e me emocionar (deu aquele suor nos olhos). Com história fantástica, roteiro sensacional, viagens temporais e trilha agradável, o filme me lembrou experiências tão pessoais e ao mesmo tempo. O longa possui 2h03, mas você nem vê a hora passar, de tão leve e legal que é a película. Ah, a primeira vez que vi esse filmaço foi em 2016.

A trama começa com Tim Lake (Domhnall Gleeson), que, ao completar 21 anos, seu pai (Bill Nighy) revela que os homens de sua família possuem o poder de viajar no tempo. Basta ir para um local escuro e pensar na época e no lugar aonde deseja regressar.

Desajeitado, Tim leva toco de uma amiga de sua irmã (Lydia Wilson), a engraçada e louca varrida Kit Kat e decide mudar pra Londres (ele morava numa cidadezinha da Inglaterra). Na capital inglesa, começa a advogar e conhece Mary (Rachel McAdams). O cara se apaixona perdidamente pela linda e espirituosa, que é fã de literatura e literatura.

O enredo não foca na viagem do tempo, muito menos é uma comédia romântica água-com-açúcar. E longe de um dramão lacrimejante (mas confesso que os ninjas cortadores de cebola ficaram perto de mim em alguns momentos).

Assim como nos também ótimos filmes “Donnie Darko” e “Efeito Borboleta”, Tim descobre que viajar no tempo e alterar o que já aconteceu pode provocar consequências inesperadas.

Com roteiro e direção de Richard Curtis (tenho mania de ir atrás dos responsáveis por filmes legais), “Questão de Tempo”, de 2013, é sensacional. O diretor é o mesmo de “Um lugar chamado Notting Hill”, “Simplesmente amor” e “O Diário de Bridget Jones”. Belo currículo, não?

O enredo muito bem construído é surpreendente e nos faz refletir sobre relação paternal, atenção com as pessoas que nos cercam e amor aos que nos são caros. É uma história lindona, tocante e repleta de lições de vida.

“Nenhuma viagem no tempo faz alguém amar você”. É com essa frase que Tim, o protagonista, sintetiza o filme. “Questão de Tempo” te desperta para o óbvio: viver sem se preocupar com coisas supérfluas e sim com aqueles que amamos. Decididamente, um filme poético, inspirador e que, apesar do suor nos olhos, te deixa feliz.

Assista ao trailer de Questão de Tempo:

Elton Tavares

Jornalista Arílson Freires gira a roda da vida. Feliz aniversário, amigo!! – @ArilsonFreires

Eu e o jornalista Arilson Freires Gomes a bordo de um monomotor (2011). Foto: Marcelo Lima.

Sou fã de muitos jornalistas amapaenses e tive a sorte de trabalhar com renomados da imprensa local. Um deles é Arílson Freires. O cara foi o meu primeiro chefe nessa profissão maluca que a gente ama. Ele gira a roda da vida neste décimo dia de outubro e lhe rendo homenagem, pois além de profissional competente, é um cara porreta!

Arílson é um pai e marido dedicado, boleiro, poeta, cronista, jornalista, editor, apresentador e repórter (oficial da Rede Globo em Macapá) da TV Amapá e ilustre santanense. Além de talentoso e experiente profissional (com décadas de carreira), é um amigo. A ele devo alguns aprendizados e muitos favores no âmbito profissional.

Com os jornalistas Max Miranda e Arílson Freires – TV Amapá – 2015

Sempre digo/escrevo que falar que o Arílson Freires é bom é redundante. O cara é fera! Ele foi o meu primeiro chefe no jornalismo, em 2008, quando tive uma passagem curta pela Rede Amazônica. O experiente jornalista, que comandou por muito tempo as redações da emissora no Amapá, sempre me tratou muito bem, mesmo quando eu era foca (iniciante).

Lembro bem do dia em que cheguei lá e fiz o teste com o Arilson. Era para uma vaga para o Portal Amazônia, site de notícias da Rede Amazônica, que na época tinha correspondente no Amapá. Foi um texto de tema livre e certamente o artigo ficou uma merda.

Com o Arilson, em uma pauta, em 2017.

Mas Freires foi gentil e explicou como a matéria deveria sair. E assim seguimos no trabalho por mais de um ano, com ele na supervisão. Foram tempos de absorção de conhecimento com Arilson e demais colegas jornalistas.

Sempre admirei Arílson como profissional. Após alguns anos de convívio, em que pedi cobertura de tudo que era pauta, até para as menos relevantes (coisa de assessor de comunicação), sempre contei com a ajuda providencial do jornalista. Tenho Arilson Freires em alta conta.

Encontro com Arilson há alguns dias. Foi bom rever o amigo.

Construímos uma amizade bacana, com muito respeito e parceria. E tanto pelo admirável jornalista, quanto pelo cara simples e gente boa que ele é.

Por tudo dito acima, Arílson, que tu sigas com muita saúde, mais sucesso e que tua vida seja longa para curtir tuas conquistas. Que teu novo ciclo seja ainda mais porreta. Parabéns pelo teu dia, velho e querido amigo. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Hoje é o dia da amiga Alane Siqueira, gira a roda da vida  neste vigésimo oitavo dia de setembro. Feliz aniversário, querida!

É 28 de setembro e Alane Siqueira gira a roda da vida. Trata-se de uma mulher gentil e com coração bondoso. Boa filha, é muito ligada à sua família e comprometida com seu trabalho. Além disso tudo, é uma menina bonita, inteligente e gente fina. E por ser essa pessoa formidável, registro aqui neste texto de felicitações, meus parabéns, respeito e admiração por essa querida que aniversaria neste vigésimo oitavo dia de setembro.

Alane é uma menina reservada, observadora, discreta, prestativa, séria, trabalhadora e responsável. Uma mulher dedicada à sua família e seu trabalho como assessora parlamentar. Conheci essa querida em 2017, quando trabalhei com ela no mandato do senador Randolfe Rodrigues. A gente fez logo amizade e assim nos ajudamos muito nos corres do trampo, viagens ao interior e demais atividades profissionais.

Raramente encontro a Alane, pois ela não é da noite, como eu. A menina é caseira, centrada, passa longe da boemia. Na verdade, a encontrei há um ano, quando ela foi no lançamento do meu livro. Foi um prazer rever essa amiga querida. Agradeço a moral.

Tenho a sorte fazer amigos no trabalho. Aliás, fiz muitos ao longo dos anos. Com alguns deles, mantenho contato. Outros, como Alane, é mais virtualmente e nem por isso eles deixam de estar no meu coração, como ela.

Alane, querida amiga, que teu dia seja lindão. Que teu novo ciclo seja ainda mais feliz, produtivo e iluminado. Que sigas pisando firme e de cabeça erguida em busca dos teus objetivos, sempre com sabedoria e coragem. Que tudo que couber no teu conceito de sucesso se realize. Que a Força sempre esteja contigo. E que tua vida seja longa, repleta de momentos porretas. Você merece. Parabéns pelo seu dia. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Amigos & Inimigos- Crônica firmeza de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Sempre tive muitos amigos: de infância, de escola, de bar, amigos que fiz no decorrer de uma vida cheia de altos e baixos e que sempre pude contar com eles nas horas que precisei. Não se têm amigos só para jogar conversa fora, brindar em uma comemoração ou para fazer (in)confidências, às vezes mentirosas e desnecessárias. Nesse caso sempre a amizade vai por água abaixo quando uma confidência é espalhada pelos sete cantos da cidade. Já tive “amigos” que supus serem Amigos, que ajudei pensando estar fazendo um bem, e que a ingratidão deles brotou como espinhosa árvore na lavoura que tentei cultivar.

Não falo de inimigos, pois como os ex-amigos, eles não merecem a minha ira. Apenas desprezo o que não quero prezar. Eles são meramente pontos obscuros de referência na encarnação de um maniqueísmo torpe, trivial e vulgar. Amigo mesmo é para contar com ele na hora da necessidade, para se divertir, criar junto e imaginar um mundo melhor. Amigos bons nós desenhamos para que se tornem o modelo da nossa própria utopia.

Talvez fosse desnecessário este preâmbulo para falar de gente que gostamos de graça e nem fosse conveniente registrar numa crônica o apreço que sentimos por certas pessoas que às vezes, por gestos naturais e descomprometidos, nem sabem a extensão do bem que fizeram a nós em determinados períodos de nossa história pessoal.

É verdade que nesse caminhar encontramos amigos dos amigos que não são nossos amigos, mas que os toleramos por respeito à admiração pessoal ao amigo titular. Assim também é verdade que falseamos nossa conduta para não decepcioná-lo, embora acreditando que de falso em falso se chega ao cadafalso.

Machado de Assis dizia em “Ressurreição” que o tempo não conta para a amizade: “Que importa o tempo? Há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos”. Talvez o tempo seja o que conta para quebrar os obstáculos que surgem na vida. E dizem que muitas amizades rompidas, um dia voltando, passam a ser mais do que eram, independentemente das diferenças do passado. Voltam mais sólidas e mais maduras. E passam a ver que sempre existiu alguém interessado nesse rompimento. Coisas de novela, mas também coisas da vida.

Pessoas que estimamos passam por provações e se tornam sábias sem saber se são, ou pelo menos não demonstram isso. Há as que têm as almas simples e vivem num mundo aparentemente sofisticado. Mas as almas dos amigos muito se assemelham a casas: algumas delas são cheias de janelas abertas, onde corre ar puro e luz, outras são como prisões, fechadas e escuras, mas que merecem nossa consideração e respeito, porque a alma entende-se a si mesma e o amigo vale a afeição que fazemos valer por ele. Uma alma, mesmo fechada, sempre traz uma luz que pode nos iluminar antes de banhar-se a si própria.

Amigos têm defeitos e mazelas. Por essa imperfeição mútua é que normalmente amizades se atraem, bem como pela admiração recíproca de cada um no seu desempenho social. Uns moldam outros, outros se espelham em alguém. Porém, na amizade só não pode existir a incorporação da personalidade do amigo.

Ela deve ser autêntica e eivada de respeito às idiossincrasias, inclusive pela solidão e ao silêncio do outro. Afinal somos seres em alteridades. Espíritos amigos voam na mesma direção da fonte original e bebem da mesma água fresca. Devem saciar sua sede bem antes que ela seja poluída pelos interesses pessoais de qualquer conspirador. A amizade só é possível pela oportunidade do encontro.

Meu amigo R sempre diz que os inimigos são necessários, pois nos ajudam a refletir para que melhoremos. Não discordo, porque entendo que a vida é uma constante dialética. Mas não ando à caça de inimigos.

Alguns cruzam meus caminhos em momentos que não criei. E, como não tenho um cemitério para enterrá-los como um certo personagem de Jorge Amado, eles que cavem suas próprias sepulturas e façam de suas mortes um renascimento.

FELIZ EQUINÓCIO! – Crônica de Fernando Canto – @fernando__canto

Por Fernando Canto

Hoje é dia do Equinócio. Feliz equinócio das flores para todos vocês, amigos e familiares!

O Criador Incriado é tão perfeito que quando fez os planetas e astros lhes dotou de movimentos diversos, inclusive lhe dando equilíbrio, quando a Terra, por exemplo se afasta do sol para realizar os solstícios e, na sua volta, os equinócios. Assim, todos os continentes usufruem quase das mesmas luzes, ainda que tenham características ecológicas e biomas diferentes, como diferentes são os animais e povos que os habitam e deles podem tirar seu sustento.

Foto: Manoel Raimundo Fonseca

Então, o movimento que dá calor aos corpos vivos é eivado do equilíbrio que todos necessitamos para seguir na vida, dar valor à existência e agradecer a deidade sem ficar refém da ciência, pois é uma forma poética e filosófica de tentar entender nossa pequenez diante do universo. Se nem pensarmos nisso, ficaremos eternamente sem sombra. Estaremos sempre a-sombrados diante do caos que se instala ao largo do grande rio da Latitude Zero, semimortos, e com um punhal de luz nas nossas cabeças, quase cegos, suplicando por um eclipse amenizador na linha equinocial.

Foto: Márcia do Carmo

*Equinócio da Primavera ocorrerá exatamente às 16h31 desta quarta-feira (22). A luz do sol ultrapassará a linha imaginária do Equador, no Monumento do Marco Zero. O fenômeno poderá ser visualizado em Macapá, única capital brasileira cortada pela linha que divide a terra em dois hemisférios: Norte e Sul.

O Equinócio de Primavera e o meu amigo Fernando Canto – Crônica de Elton Tavares

Foto: Márcia do Carmo

Em Macapá aconteceu, nesta quarta-feira (22), o Equinócio de Primavera. O fenômeno ocorre duas vezes ao ano, em março batizado como Equinócio das Águas, por conta do aumento do nível das águas e em setembro. O solstício marca o início das estações e faz com que o dia e a noite durem igualmente 12 horas. O segundo equinócio de 2021 acontecerá às 16h31 de hoje. O momento marcará o início da Primavera, em que a terra se inclina fazendo com que a Linha do Equador fique mais próxima da direção do sol.

Em 2012, quando cobri o acontecimento, o Equinócio ocorreu exatamente às 11h49 do dia 22 de setembro daquele ano. A luz do sol ultrapassou a linha imaginária do Equador, por dentro do obelisco do Monumento do Marco Zero. O fenômeno é visualizado em Macapá, única capital brasileira cortada pela linha que divide a terra em dois hemisférios: Norte e Sul. É um belo espetáculo!

Além do calor, show de luzes solares e florescer da natureza, o Equinócio sempre me lembra do amigo Fernando Canto. O escritor, poeta, entre outras tantas coisas porretas, é apaixonado pelo fenômeno natural, como também morre por amores de muitas coisas da nossa Macapá. O amigo até escreveu um livro, em 2004, e o batizou de “EquinoCIO”.

Ilustração de Ronaldo Rony

Dono de frases como: “E cá estou: no mais profundo mar. Sem culpas. Mudando como o sol na manhã de um equinócio da primavera”; “Que o sol em seu esplendor, neste Equinócio de Primavera, nos dê energia para enfrentar o trabalho e iluminar nossos passos pela vida”, “Do outono ou da primavera. Depende de que lado do mundo você está. Escolha o meio” ou parte de um poema: “Ao meio-dia, assombro-me em segredo – Encolhidinho – no equinócio da alma”, Fernando Canto segue a descrever poeticamente o equinócio com mais luz que ele próprio.

Certa vez, pela rede social Facebook, Fernando disse-me: “brother, um bom dia de equinócio pra você. Muita energia e sinta-se A-sombrado (sem-sombra ao meio dia). Constate isso. Acho que da mesma forma como os paraenses saúdam seus conterrâneos dizendo “Bom Círio”, nós, do Amapá deveríamos dizer “Boa Luz para você” ou “Bom equinócio, minha nega”.

Aí pensei: esse cara é mesmo porreta, “fouuuu” (outra expressão dele, que não é “otáro”)!

Ilustração de Ronaldo Rony

Ainda bem que temos muita beleza natural e fenômenos como o equinócio, que acontecem duas vezes ao ano. E ainda melhor que temos pessoas como Fernando Canto, que vivem a cultura e a magia do Amapá e que acontecem o ano todo. Hoje, o espetacular fenômeno rolou às 10h31 (horário de Brasília). Portanto, boa luz pra você!

Elton Tavares

*Crônica do meu livro “Crônicas De Rocha – Sobre bênçãos e canalhices diárias”, que  foi lançado em 2020.

O CÍRCULO – Crônica de Fernando Canto – @fernando__canto

Foto: Floriano Lima.

Crônica de Fernando Canto

Um jovem amigo apresentou-me à sua namorada como se eu fosse o expoente de alguma coisa. Antes, porém, que a conversa continuasse fiz um trocadilho que soou a mim mesmo como uma reflexão para a vida. Disse-lhe então que agora eu era um “ex-poente”, que buscava a alvorada, o nascente, a direção do sol que muitas vezes ignorei, não lhe dando o verdadeiro valor.

Todos nós, quando paramos para pensar melhor, cremos ser verdade que determinado evento pessoal tem o significado do encerramento de um ciclo. E um ciclo não é apenas um período onde ocorrem fatos importantes ou uma série de fenômenos que se sucedem em ordem, como as estações. Um ciclo também é um círculo, ressalvadas as diferentes origens das palavras. Como tal ele tem um simbolismo amplo, algo maior do que aquilo que pensamos ao começarmos a tomar novas atitudes.

O círculo, segundo Champeaux e Sterckx, é um ponto estendido; participa da perfeição do ponto. Os dois possuem propriedades simbólicas comuns: perfeição, homogeneidade, ausência de distinção ou de divisão. O círculo é considerado em sua totalidade indivisa. O movimento circular é perfeito, imutável, sem começo nem fim, e nem variações, o que o habilita a simbolizar o tempo.

Mas há muitas formas de interpretar o círculo: o próprio céu torna-se símbolo, o símbolo do mundo espiritual, invisível e transcendente. Simboliza o céu cósmico nas suas relações com a terra. Para os autores acima citados “o círculo pode simbolizar a divindade considerada não apenas em sua imutabilidade, mas também em sua bondade difundida como origem, substância e consumação de todas as coisas; a tradição cristã dirá: como alfa e ômega”.

Desde a Antiguidade ele tem servido para mostrar a totalidade, a perfeição, englobando o tempo para melhor poder medi-lo. Na Babilônia ele foi dividido em 360º e decomposto em seis segmentos de 60º. Seu nome – shar – designava o universo, o cosmo. Mais tarde dele foi retirada a noção do tempo infinito, cíclico, universal, que foi transmitida através da serpente que morde a própria cauda.

A essa conotação, a serpente Uróboro simboliza um ciclo de evolução encerrado nela mesma. Traz concomitantemente idéias de movimento, de continuidade, de autofecundação e, de eterno retorno.

Mas a serpente não é o círculo, aquele que transcende. Ela, ao morder a própria cauda está condenada a girar sobre si mesma, como a roda. Jamais poderá escapar do seu ciclo para se elevar a um nível superior. Agora, na ânsia de mudar, de começar um novo ciclo, de ir em busca do sol que nasce, me deparo com paradoxos porque as coisas estão escondidas nos raios celestes e no círculo do céu. E coisas não permanecem as mesmas. Como nós elas não são duradouras e estão sempre se tornando outras coisas, outras entidades. Bem disse Heráclito: não podemos entrar duas vezes no mesmo rio.

E como é grande a correnteza dessas águas. Ela guia e move meu caminho ao mar. Mas apesar de tudo esta viagem reflexiva me obriga a perambular pelo albedo da terra em direção ao oriente. Recuso-me ao crepúsculo: sinto-me mudança, conflito e renovação. A cada sete anos revigoro-me na ablução pelo fogo e regenero-me em chips astrais. Sou carbono, gases, água e sonho que não evanesce.

Foto: Márcia do Carmo.

Sim, recuso-me ao crepúsculo, recuso-me ao poente. Rebelo-me contra meus genes e insurjo-me à natureza, pois busco o círculo onde está centrada a árvore da vida. E cá estou: no mais profundo mar. Sem culpas. Mudando como o sol na manhã de um equinócio da primavera.

Fernando Canto

Ai, meu Jarí – Por Débora Venturini

Foto: Gabriel Flores

Por Débora Venturini

Quem nunca viu o Amazonas
Nunca irá entender a vida de um povo
De alma e cor brasileiras
Suas conquistas ribeiras...”

Joãozinho Gomes é mesmo um gênio. Do porte daqueles poetas que a gente aprende a gostar já na escola…e vai nos acompanhando ao longo da vida. Dos melhores. Ah, João, vc me faz chorar com tanta beleza, vc sabe disso. Vc viu. João fala como ninguém de uma cultura que pra mim, paulista, está muito distante. E pra muita gente ainda é mais longe. Mas eu digo, o Amapá é logo ali. Depois de dois voos, eu desembarquei no aeroporto de Macapá no início desse mês, mas diferente das outras vezes em que lá estive, eu fui pra Santana, pegar um barco, o João Bruno II. O destino era Laranjal do Jari e o acesso, era o próprio Rio Amazonas. O caminho não seria percorrido de uma só vez, a viagem foi como aquelas que a gente vai parando o tempo inteiro…igual ao ônibus que encosta pra pegar passageiro. Mas era um barco parando pra buscar histórias pelas comunidades ribeirinhas. O barco grande parava perto dos afluentes e então, com as voadeiras, eu seguia pelos rios, conhecendo profundamente quem de fato é que tem alma e cor brasileiras. E então eu passei a ver o Brasil mais lindo que o Brasil não conhece. Rio Preto, Rio Maracá, Rio Ajuruxi, Rio Ariramba, Rio Cajari e finalmente o Rio Jari. E junto desses rios e de matas que mais parecerem um quadro, fui visitando comunidades como as de São José, São Jorge, Santo Antônio, Maranata, Macedônia, Canaã, São Pedro, Filadelfia, Betel, Santa Ana, Paraíso e depois o Distrito de Jarilândia, Vitória do Jari e finalmente, Laranjal do Jari, meu destino final, “Ai, meu Jari”.

Foto: Gabriel Flores

E quantas histórias eu ouvi. A técnica de enfermagem que operava milagres ao socorrer os acidentados ao longo do rio; as mãos pretas do rapaz que colhia açaí de dia e de noite tocava o teclado na igreja; a menina que tinha o sonho de ser doutora; o garoto que só queria uma roça pra poder casar e ter filhos; a mãe que se orgulhava de ter o filho dono do armazém e do baile da comunidade. E tinha o almoço na panela, um jacaré, e tinha panela, quanta panela brilhante numa parede de uma casa linda. Palafitas, construções que de tempos em tempos precisam avançar pela mata porque o rio vem se aproximando. Ouvi o rei da comunidade, que mesmo casado, namorou a cunhada e a sogra; passei na rua que tem nome de…de…bem, deixa pra lá, e ah, soube que lá tinha um barco com nome parecido ao do Titanic, rs…Ai, meu Jari…me surpreendi com o senhor que achou um tesouro português no fundo da casa; entendi a realidade dos jovens através de um jovem vereador, que pouco estudou, mas teve a mãe, líder comunitária, como sua professora de luta. Conheci como funciona a plantação, o comércio do açaí, que é de lá, o melhor do Brasil, e que se come junto com o peixe e a farinha. E não vem com esse papo de granola não…isso é coisa de paulista. E ainda tem a castanha…Tomei tanto café pra ouvir tudo isso, um melhor que o outro. Um conto mais rico que o outro.

Foto: Gabriel Flores

Tinha rede no barco pra dormir, não tinha rede de internet pra se conectar, mas sai com uma rede imensa de pessoas, histórias, lembranças e que já se transformaram em saudade (obrigada equipe linda!! Que gente querida).

Foto: Gabriel Flores

A viagem foi uma imersão. Pra pesquisar, entender, construir, contribuir, conectar e emocionar. Não se faz uma viagem dessas e volta a mesma pessoa. Na verdade, eu ainda não sei se voltei. Ainda guardo aqui dentro imagens tão fortes, as vozes ribeirinhas, o cheiro do mato, a beleza do Rio Amazonas, a alegria das crianças nadando…a cultura mais rica, iluminada e perfeita que eu pude sentir, mas no sentido mais profundo que a palavra cultura nos permite entender. Lá, é onde a gente fica à flor da pele, e não se consegue segurar. Sim, eu chorei, de felicidade, de deslumbramento, de gratidão.

Foto: Gabriel Flores

E atenção: pra cuidar daquelas bandas de lá, só mesmo alguém muito sensível. Não é pra qualquer um, há de se ter conhecimento de sobra, coragem de um herói, verdade nos olhos e amor que transborde. E ali, naquele barco, estavam pessoas que amam demais esse lugar, que respeitam, que sabem traduzir cada uma daquelas histórias e construir novas, com toda delicadeza. E com toda competência. E eu vi de perto, alguém que estava ali, vivendo cada minuto daquela expedição com vontade. Com verdade. Obrigada por essa experiência, Clécio Luis Vieira! Você como ninguém é gente de lá, e é disso que aquelas pessoas precisam! Valorizar, reforçar que aquilo tudo que eu vi é de vcs! #peloamapáinteiro, sua trilha! Vá e abrace isso tudo!

Foto: Gabriel Flores

E com o violão do grande Enrico Di Miceli, com as participações de artistas esplêndidos e amados como Fineias Nelluty, Adelson Preto, Brenda Melo, Alan Gomes, Ariel Moura e tantos outros que ali estavam, eu ouço em um coro lindo, já em terra firme, os últimos versos de Jeito Tucujú. A canção, hino perfeito e feito em parceria com Val Milhomem, Joãozinho Gomes, o gênio, diz que quem não conhece o Amazonas, “Não contará nossa história / Por não saber ou por não fazer jus / Não curtirá nossas festas tucujú / Quem avistar o Amazonas nesse momento / E souber transbordar de tanto amor / Esse terá entendido o jeito de ser do povo daqui.” João, vc disse tudo.

Foto: Gabriel Flores
Foto: Gabriel Flores

*Débora Venturini é assessora de comunicação e produtora cultural.

Neste vigésimo dia de setembro, Lúcia Pimentel gira a roda da vida. Feliz aniversário, querida!

Sempre digo aqui que gosto de parabenizar neste site as pessoas por quem nutro amor ou amizade. Afinal, sou melhor com letras do que com declarações faladas. Acredito que manifestações públicas de afeto são importantes. Neste vigésimo dia de setembro, a querida tia e amiga (sim, pois existem tias e tios não amigos em todas as famílias do mundo), Lúcia Pimentel, gira a roda da vida e lhe rendo homenagens, pois trata-se de uma baita mulher porreta!

A Lúcia chega ao seu 60ª ano, mas com corpo e rosto de 40 e toda a beleza de ser um ser humano ímpar neste planeta. Trata-se da dedicada mãe da linda Danielle, esposa e parceira do Pedro Aurélio, irmã apaixonada, advogada, zootecnista, fazendeira, servidora da Caesa, torcedora fervorosa do Clube Náutico Capibaribe, cuidadora de animais (principalmente cavalos), minha querida e linda tia “postiça” preferida e amiga que tanto amo.

Claro que já fiquei muito puto com a Lúcia. Por política e tals, mas quem não ficou ao menos chateado por este motivo no Brasil que vivemos tá fora da realidade. Porém, isso foi somente uma vírgula no grande texto que é a nossa vida, pois tenho a aniversariante em alta conta.

Já disse e repito: gosto de ter a Lúcia por perto. Ela é uma pessoa de verdade, que não esconde imperfeições e derrama uma sinceridade cativante. Ela me trata com seu afeto e adoro  seus sorrisos, sotaque, conselhos, engraçadíssimas histórias de vida. Dá gosto de ver o cuidado e zelo com seu marido, assim como ela tinha com nossa Peró.

Falando nisso, 2020 foi ruim demais e, pra nossa família, 2021 foi pior ainda, pois perdemos nossa matriarca, minha avó. E a Lúcia esteve junto em todos os momentos difíceis. Sou muito grato por isso. E a gratidão a ela é com ênfase, pois também cuida do Pedrão como ninguém.

Eu sigo amigo da Lúcia e sei que é recíproco. Sou fã da mulher inteligente, bonita, honesta, trabalhadora, sincera, carismática, prestativa, desprovida de frescura, discreta e dona de uma positividade invejável que ela é. Também já disse e volto a afirmar: sinto que posso contar com a Lúcia para qualquer coisa. E é recíproco.

Lúcia, querida amiga, que teu novo ciclo seja ainda mais paid’égua. Que sigas com essa garra e coragem em tudo que te propões a fazer. Que a Força sempre esteja contigo. Que tenhas sempre saúde (muita saúde) e ainda mais sucesso na jornada. E que tua vida seja longa, por mais pelo menos mais 60 setembros. Gordão aqui te ama. Aliás, nós te amamos. Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

 

 

Prefácio do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias” – Por Fernando Canto (ontem completou um ano do lançamento da obra)

Clique na imagem para visualizar melhor

Ontem (18), completou um ano do lançamento do meu primeiro livro. Republico o prefácio abaixo, assinado pelo meu amigo Fernando Canto. Pois relembrar é rememorar.

Foto: Flávio Cavalcante.

Prefácio do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”

Por Fernando Canto

Após a súbita subida dimensional do nosso inesquecível amigo Tãgaha Soares, o Elton Tavares me elegeu para escrever o prefácio do seu primeiro livro de crônicas e contos. Haja responsa.

Já se passaram dois anos, e eu aqui tentando alinhavar umas palavras que coubessem no seu texto carregado de frases insólitas, no conjunto do seu fazer insistente em dar forma e existência a uma produção intelectual que traz a lume no seu famoso site “De Rocha”.

Tagaha Luz, o primeiro incentivador para o livro, que morreu em 2016, no traço de Ronaldo Rony, que ilustrou o livro.

Ao leitor inabitual fica a advertência: você vai encontrar palavras inexistentes, mas deverá compreender o intuito, pois o autor é chegado a um neologismo onde realmente nenhuma palavra cabe, e a gírias atuais, modernas, que pessoas da geração dele se comunicam com libações ao redor de uma cerveja do polo sul. Fica também a informação de que palavras como: ”infetéticos”, “migué”, “tals”, “óquei”, “brodagem”, “caralístico” “paideguice”, “sequelado” e “rabugem” trazem sempre uma boa dosagem de ironia e lirismo, porque, como ele mesmo diz: “Nunca fui convencional”. E sempre que pode reafirma recorrentemente: “É isso!”

Elton Tavares e Fernando Canto, no traço de Ronaldo Rony, que ilustrou o livro.

Nestas crônicas Elton Tavares se exime de toda a responsabilidade textual que venha possibilitar relação com a sua trampagem (O cara é jornalista, brother!). Disso ele se esquiva e mergulha fundo com independência e caráter. E navega por trilhas que abre diuturnamente como o seu peso e coragem, até encontrar outros rumos temáticos. São saborosas observações do cotidiano expressas de forma, diria novamente, inusitadas, dinâmicas e expostas ao sol do equador com seus cabelos-letras-acentos ao vento do Amazonas. Se elas têm sabor, têm cheiro & pele, têm espuma & malte. Têm, sobretudo, a ausência do conservantismo prosaico e das platitudes tão comuns dos que escrevem suas observações cotidianas sem o compromisso com a escritura, ao invés de tê-la como um deleite da vida humana. Por isso elas são irretocáveis no conteúdo e irreverentes, também no endereçamento aos hipócritas.

Fernando Canto e Elton Tavares – Foto: Sharlot Sandin

Creio que as crônicas aqui escritas – muitas delas circunscritas ao Amapá – carregam gestos excruciantes que nos levam a refletir sobre a noção de espaço, pois às vezes temos a intenção de ser espaço. E, por carregarmos muitos vazios dentro de nós, antes e depois do almoço, a intenção é o próprio espaço que esperamos preencher com algo de bom que ficou da nossa vida por um tempo. As crônicas tavarianas me dão esta louca impressão de saciedade, mas depois a fome de ler volta com os cascos, que só pode ser saciada na companhia de uma cerveja bem gelada.

*Quem quiser comprar o livro, ainda tenho poucos exemplares. É só ligar ou mandar mensagem (96-99147-4038).

Elton Tavares

A casca e a cultura política – Crônica de Fernando Canto – @fernando__canto (publicação em homenagem ao centenário de Paulo Freire)

É verdade que demora um pouco, mas devagar a gente vai tirando a casca que fica com a prática da profissão. Uma camada fina e imperceptível se enrosca em muitas facetas construídas e solidificadas no dia-a-dia, em função das conclusões que chegamos num esforço profundo: o de tentar ser justo sobre nossas observações.

E a máxima socrática intervém somando-se à presença quase real dos dizeres encontrados no templo de Delfos da Grécia antiga: “eu sei que nada sei”. Mas paralelamente a isso cada qual vai se fartando de conhecimento, se faltando de erros na busca de novas reflexões que a profissão exige até mesmo para a compreensão da realidade de cada um, do que possui ao seu redor.


Ao professor cabe o pragmatismo da educação e uma trajetória profissional na produção acadêmica, na qual eles têm por missão desempenhar papel sócio-político e cultural como contribuição necessária à ordem do ensino, que é formar, ou quem sabe reformar cabeças de novos cidadãos.

A maioria dos profissionais crê que despojar-se do medo da atualização ou de velhos conceitos ideológicos são necessários, e se constituem uma forma de encarar a profissão sem a arrogância do sabe-tudo e, melhor, sem o estigma do radical militante. Reciclar-se também é importante, porque faz parte do negócio. E o negócio é mesmo a negação do ócio. Aliás, é bom que se pense que uma profissão bem exercida e bem conduzida é um caminho para o sucesso material ou financeiro.


Ninguém dá tudo de graça. É preciso merecer e estar bem preparado, porque em cada ramo de atuação todos mergulham, querendo ou não, nas amarras da cultura política, essa rede impressionante que prende e libera nossas ações sociais. Mateucci e Pasquino a definiram como “o conjunto de atitudes, normas e crenças mais ou menos partilhadas pelos membros de uma determinada unidade social”. Ela é composta, portanto, de um conjunto de subculturas presentes nas nossas atitudes, normas e valores, ou seja, no comportamento de indivíduos nas ações coletivas. Diria ainda, neste caso, nas ações dos profissionais que detém os conhecimentos a respeito de si próprios e de seus contextos, de seus símbolos e linguagens utilizadas. Essas culturas formarão novas culturas políticas.

O mestre Paulo Freire afirmou que quando falamos em uma nova cultura política estamos supondo que haja uma velha, o que nos obriga a refletir como se constitui o novo. Para ele toda novidade nasce do corpo de uma ex-novidade que começou a envelhecer. Como elas não surgem por decreto, há uma ligação entre as coisas que vão ficando velhas com as coisas que vão nascendo. Ele destaca que “uma das preocupações daqueles que pretendem transformar a sociedade é exatamente lutar pela novidade, e uma das formas de se engajar nessa luta é buscar diferentes formas de ajuizar a prática política”. (Freire, Paulo. A Constituição de Uma Nova Cultura Política; S. Paulo, Pólis, 1995). E dentre essas exigências cita a coerência entre o discurso e prática, a tolerância e a humildade na vida de todos.

Sem isso, acredito como Freire, que não há formação, ética profissional, educação, e consequentemente construção da cidadania.

 

*Publicação em homenagem ao centenário de Paulo Freire, o “Patrono da Educação Brasileira”, que atuou principalmente na educação de adultos em áreas proletárias de Pernambuco.