A chegada do primeiro avião em Macapá – Crônica/resgate histórico porreta de Fernando Canto

Imagem encontrada no Blog Canto da Amazônia, de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Não obstante Macapá ser um burgo crescido em função da Fortaleza de São José, por aqui, após 1920, viviam algumas dezenas de habitantes arraigados em sua cultura e vida mansa. Muitos aspectos contados pelo Sr. Martinho Ramos – um dos líderes da festa do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade, o Marabaixo – caracterizam todo o provincianismo de uma cidade que não imaginava crescer antes de ser escolhida a capital do Amapá, em 1944.

Mas Macapá foi crescendo, observada carinhosamente por muitos que hoje, aposentados, guardam a riqueza da memória e todo um micro-mundo que jamais afugenta o espírito e a naturalidade de gostar daqui. O Sr. Martinho Ramos sabe disso e o seu falar calmo contava, neste depoimento histórico, as transformações e as comparações da velha e da nova Macapá.

Avião Catalina anfíbio – Imagem: Google

“Quando passou por aqui o primeiro avião, eu estava com dois anos de idade, mas pelos meus antepassados eu soube de muitas coisas que se passaram na época (1923), inclusive o Sr. Eufrásio foi quem conseguiu nos dar uma grande música do Marabaixo, que tem o título de ‘A irmã Catita viu o salão/Assim, atracada assim eu não subo não’.

“O avião era uma Catalina, anfíbio, descia n’água e em terra. Mas como nós não tínhamos pista de pouso, eles resolveram descer na água. Então, o povo todo correu; aí o Sr. Eufrásio começou a enversar toda a história do avião:

– Corram, corram minha gente. Vamos na praça espiar, o barulho vem de cima e é n’água que vai pousar.

Padre Júlio [Maria Lombaerde] – Imagem encontrada no blog Porta Retrato

Em seguida, todo mundo correu lá pro Torrão, que era o nome de onde está localizado o Novotel. Na ocasião, o velho Eufrásio, observando que os ocupantes do aparelho eram todos alemães, fez:

– À cabeça do alemão, muito sol ele apanhou na taberna do Ventura, um guarda-chuva ele encontrou.

Seguindo, vieram à cidade onde nós tínhamos um padre alemão [na verdade, o padre era de origem belga], o padre Júlio [Maria Lombaerde], que, ao conversar com um dos tripulantes, soube que a gasolina deles havia acabado.

Marabaixo – Foto: Fernando Canto

“Eles estavam perdidos e sem gasolina. Foram recolhidos pelo padre Júlio e aqui ficaram. Logo depois que a maré encheu, eles abriram o avião para visitação pública. As pessoas foram até ao avião, mas não sabiam como entrar. Então um cidadão prontificou-se em auxiliá-las. Quando o cidadão quis atracar na cintura de uma mulher [a irmã Catita] para pô-la no avião, ela disse: “Atracada assim eu não subo não”. O velho Eufrásio viu e tirou o verso que é o estribilho da música (Viu a irmã Catita pelo salão/ Assim, atracada assim eu não subo não)”.

A irmã Catita não ficou aborrecida porque felizmente ela disse aquela expressão sem saber e sem se preocupar se havia um poeta observando tudo para dar a música do marabaixo que deu.

Mais vida, menos grana – Crônica hedonista de Elton Tavares (com Ilustração de Ronaldo Rony)

Ilustração de Ronaldo Rony

Crônica hedonista de Elton Tavares

Certa noite , ao conversar com amigos e dizer que não guardo um vintém do que ganho com o meu suado trabalho, eles ficaram assombrados. Disseram que é loucura, que ‘issos’ e ‘aquilos’, especialmente sobre reservas econômicas para possíveis emergências. Eu disse que prefiro mais vida e menos grana.

Não, não é que eu não goste de dinheiro. Claro que gosto, mas tudo que ganho, no batalho e sempre honestamente, é repassado para custos operacionais e caseiros. O restante é gasto e muito bem gasto em vida. E não sobra nadica de nada para acumular.

Além da minha incorrigível falta de perspicácia financeira, nunca ganhei somas consideráveis com meus trampos, seja este site, na assessoria de comunicação ou escritos (sim, vivo literalmente de palavras). Mas o que entrou no meu bolso, apesar de eu não conhecer essa tal de economia, jamais foi desperdiçado.

Eu bebo e não é pouco. Como da mesma forma. Gosto de viagens e dos momentos em que fiz um monte de merdas legais com os meus brothers. Isso tudo custa caro. Em nem todo o dinheiro do mundo poderia comprar aqueles dias de volta. Ou seja, mais vida, menos grana.

Quando não usei minha grana pra curtir a vida com amigos, ajudei pessoas. E essa é a melhor forma de torrar os trocados. Como disparou outro gordo louco no passado: “não quero dinheiro, eu só quero amar”. Grande Tim!

Falando em citações (amo usar frases de ídolos), uma vez o Belchior disse: “e no escritório em que eu trabalho e fico rico, quanto mais eu multiplico, diminui o meu amor“, na canção “Paralelas”. Boto fé nisso.

Algumas pessoas que conheci no passado, amigos e até familiares, após se estribarem, ficaram um tanto pavulagem demais e com suas vidas muito menos divertidas.

E isso me recorda o bom e velho Johnny Cash, que certa vez pontuou: “às vezes eu sou duas pessoas. Johnny é o legal. O dinheiro causa todos os problemas. Eles lutam”.

Ou os Paralamas do Sucesso, na canção “Busca a vida”: “…Ele ganhou dinheiro, ele assinou contratos, e comprou um terno e trocou o carro. E desaprendeu a caminhar no céu …e foi o princípio do fim!“.

Aos que desaprenderam o caminho, deixo a canção-poema : “Desejo que você ganhe dinheiro, pois é preciso viver também. E que você diga a ele pelo menos uma vez quem é mesmo o dono de quem“.

No meu caso, sigo dando mais valor em viver do que em poupar para um futuro incerto. Menos grana, mais vida, meus amigos.

É isso!

Elton Tavares

Faz muita diferença ser chamada de “Fadinha…” – Crônica porreta de Clicia Di Miceli sobre sua vida contextualizada com o feito de Rayssa Leal

Clícia Di Miceli – Foto: Mara Caldas.

Crônica porreta de Clicia Di Miceli sobre sua vida contextualizada com o feito de Rayssa Leal

Em 1989, quando eu completei 13 anos, pedi para os meus pais um skate de presente de aniversário. Naquele momento, esse era o desejo de uma menina, saindo da infância e entrando na adolescência. Ser adolescente naquele tempo era se guiar muito pelas coisas que vinham do Rio de Janeiro. Moda, marcas, gírias, revistas e um universo cheio de cores shock e cheirando a mar nos ajudavam a construir um imaginário de juventude bronzeada e descolada, tipo turma da Armação Ilimitada do Juba, Lula, Zelda Scott e Bacana.

Entre uma leitura e outra na revista Capricho, vi uma matéria de garotas cariocas e paulistanas que estavam começando a dominar a cena do skate nessas cidades. Aquilo me pegou! Achei do cacete e comecei a me imaginar em um. Passei a frequentar as bancas, indo atrás das revistas especializadas, que não eram muitas e menos ainda, eram as publicações de matérias com elas.

Para ganhar o meu skate, lembro que comecei o pedido pela mamãe que sempre foi patrocinadora dos sonhos dos filhos. Dessa vez ela não me deu muita confiança. Não se negou, mas também não comprou. O papai, figura mais fácil no tema “comprar as coisas”, me perguntou o que eu queria ganhar de aniversário, e claro, respondi de bate e pronto. Eu não sei se na cabeça dele a informação sobre skate já estava compartimentalizada como algo relacionado a gênero, juro que não sei, mas sei que ele comprou e isso é o que me faz ter mais essa linda lembrança com ele. Se, para alguns, um objeto nas mãos de uma menina causava a estranheza e a necessidade de comentários grosseiros e bem diferente de ser chamada de Fadinha, pra mim, ele estava apenas sendo a versão mais linda de um pai realizando o sonho da filha meio criança, meio adolescente.

Nessa época, o papai tinha uma loja em uma das esquinas da rua Santos Dumont, e lá havia uma calçada enorme e rampeada, que acabou sendo o meu parque de diversão particular. Eu subia no skate pra suar, me equilibrar e treinar as manobras que eu via nas revistas. Pra mim, aquilo acabou sendo uma prática solitária. Eu não tinha amigas que andavam de skate, tampouco as que quisessem conversar sobre skate. Natural rsrs. Se juntar aos meninos, àquela altura, já seria demais. Nessa época do vai e vem do skate na calçada da loja, comecei uma paquerinha com um menino da vizinhança e lembro bem que entre uma conversa e outra ele disse que o que me fez chamar a atenção dele foi me ver andando de skate. #Morri hehehe. Pura autenticidade miguxos, simplesmente o brilho da verdade.

Depois de desgastado o primeiro par de rodas, parei. Já havia queimado a energia que queria e matado a minha vontade de andar me equilibrando sobre uma pequena prancha com rodas. Tempos depois, talvez em menos de uma década, comecei a ver pelas ruas de Macapá alguns grupos de meninas andando de skate. Elas se multiplicaram rapidamente e já não causavam estranheza e talvez não precisassem dar tanta explicação do que faziam.

Hoje o mundo se curvou diante de uma garotinha meio criança, meio adolescente e totalmente mulher, andando de skate. Por quê? A reposta não é sobre medalha…é sobre pureza, verdade, alegria, direitos, oportunidades e sobre deixarem as crianças serem livres e felizes. É sobre subir no Olimpo com os filhos, assim como fez o Sebastião no dia em que me deu um skate pra eu brincar e se livre.

Foto (feita pela Mara Caldas): Nesse dia, já estava próximo dos 15 anos, juntei coisas que tinham muitos significados pra mim, muitas já estavam encaixotadas e sem uso, mas quis guardar para sempre em uma foto. No sentido horário, o skate, o microfone da Xuxa, a mochilinha Karga, o Ursinho Mel, pai do Meladinho e o controle do Dynacom (videogame que eu dividia com o meu irmão). No visual, um cabelo repicado nas pontas já precisando de novo corte, um baita anel de tucumã (acho que nessa época eu já tava me tocando que eu e não era carioca e que o meu rio era o Amazonas), uma sandália Papete (respeite as sandálias Papete, ter uma era quase como ter uma medalha olímpica) e um casaco que eu sempre quis ter para amarrar na cintura e ser a mais mais das galáxias. A água de colônia, o porta-joias, a acetona, o leite de rosas e a lata de talco na penteadeira eu não vou registrar.

Sobre o extinto Bar da Euda (texto republicado por ser sexta-feira e os amantes dos botecos estarem com saudades de coisas assim)

Vez ou outra, gosto de reviver momentos ou lembrar de locais marcantes de Macapá, meu lugar no mundo. Afinal, “relembrar é rememorar”, como diz o poeta Fernando Canto.

Isso dentro do meu estilo de vida, pois amo a boemia. Hoje falarei um pouco sobre o extinto Bar da Euda, estabelecimento comercial que foi meio restaurante (durante o dia) e boteco raiz no centro da capital amapaense.

Hoje é sexta-feira, dia de tomar uma e de lembrar do Bar da Euda, estabelecimento que ficava localizado no centro de Macapá. Foi desde os anos 70, até 2013 (dona Euda faleceu em 2013 e seu filho, Miguel, conseguiu manter o bar até 2014) um espaço democrático para os halterocopistas se deliciarem com cervejas enevoadas, a tradicional cachaça de cravinho, tira gostos variados e a especialidade da casa, o “tempurá de camarão”, uma iguaria sem igual.

Lá éramos muito bem tratados pela saudosa dona Euda, o preço era justo e os frequentadores eram quase todos amigos. O Bar possuía bom atendimento, não tinha garçom de mau humor e banheiros sempre limpos. Ah, o bar não era sofisticado, tinha o modelo clássico de boteco, com mesas que invadem as calçadas.

Saudades de beber lá com o jornalista Tagaha Soares (que também virou saudades), o escritor Fernando Canto, meu herói literário tucuju ou gênio dos botecos Fernando Bedran (meu irmão diz que ele é melhor para tomar cerveja do que tira-gosto de charque), era festa!

Conheci figuras que molhavam a palavra por lá há mais de 30 anos. O Bar foi frequentado por biriteiros brancos, pretos, intelectuais, pseudointelectuais, religiosos, ateus, políticos, apolíticos, etc. Todos sempre de bem com a vida.

Enfim, o Bar da Euda foi um local aconchegante e sem frescura. Por lá, conversávamos sobre cultura, política, filosofia e sacanagem. Alguns até traçavam planos mirabolantes para dominar o mundo. Devaneios comuns nos botecos.

Muitas saudades da dona Euda, do bar e do bate papo descompromissado com a galera depois do trabalho, quando afogávamos o stress com boa bebida e companhia porreta, em um bar paidégua!

Há certas memórias que são como pedaços da gente, em que não podemos tocar sem algum gozo e dor, misturas de que se fazem saudades” – Machado de Assis.

Elton Tavares

Hoje é o Dia do Amigo – Meu texto relato/homenagem aos meus incríveis amigos

Hoje é o Dia do Amigo. O Dia do Amigo é uma data proposta para celebrar a amizade entre as pessoas. No Brasil, Uruguai e Argentina, a data mais difundida para esta celebração é 20 de julho. A iniciativa foi apresentada conjuntamente por 43 países (incluindo o Brasil e quase todos os países sul-americanos), e foi aceita unanimemente pela Assembleia Geral.

Tenho muitos deles, disso posso me gabar, graças a Deus! Muitos com quem posso contar em momentos escrotos e para também, claro, dividir momentos felizes de minha existência.

“Já tive “amigos” que supus serem Amigos, que ajudei pensando estar fazendo um bem, e que a ingratidão deles brotou como espinhosa árvore na lavoura que tentei cultivar. Não falo de inimigos, pois como os ex-amigos, eles não merecem a minha ira. Apenas desprezo o que não quero prezar. Eles são meramente pontos obscuros de referência na encarnação de um maniqueísmo torpe, trivial e vulgar” – Fernando Canto. Faço minhas essas palavras do amigo FC.

Já magoei alguns, que nunca mais voltaram, “por conta de uma pedra em minhas mãos”, como disse Renato. A estes, só desculpas não são suficientes, só quero que saibam que eu sinto muito (em alguns casos, que fique claro). Outros me sacanearam pesado e foram devidamente escanteados. Um deles se tornou um inimigo de fato.

Por causa dos amigos, já me meti em brigas, fofocas, me endividei, bati e apanhei. Não me arrependo de nada, eles fizeram por mim também. É na hora que o bicho pega que vemos quem é quem.

Li em algum lugar que “Amigo é aquele que o coração escolhe”, em outro que “não fazemos amigos, os reconhecemos”. Pode ser, mas uma coisa é certa, a amizade é um bem precioso. E como é!

Amigos são a família que escolhi, o meu povo, os meus amados (e às vezes odiados). Afinal, as brigas fazem parte da coisa. Demorei muito pra aceitar e respeitar as pessoas como elas são. Quem não o faz, sofre.

Tenho amigos que quero sempre junto a mim, eles energizam o ambiente. Amizade é um bem precioso, portanto, cuide daqueles que lhes são caros. Mas somente os que são amigos de mão dupla, pois a reciprocidade é fundamental.

Bacana a definição do meu amigo jornalista Edi Prado: “A gente não sabe quais os motivos dos nossos encontros nessa vida ou quais os motivos que nos levar a gosta de alguém. Mas acho que o que vale mesmo é o sentimento de carinho e demonstração de amor enquanto estamos vivos. Se o que temos pra lembrar são os momentos e as fotografias”. É isso aí, mestre Edi!

Tenho amigos de infância, amigos doidos varridos, amigos velhos, amigos jovens, tenho amigos pra caralho (só assim pra vencer uma porrada de inimigos que possuo).

Minha mãe Lúcia e meu irmão Emerson, os meus melhores amigos da vida toda.

Resumindo, obrigado a vocês que fazem parte da minha vida e a tornam muito mais feliz. E feliz pra cacete! Difícil é nomear todos, mas lhes rendo homenagens aqui neste site sempre que trocam de idade. Sobretudo, enfatizo, a minha família. Eles sempre foram e sempre serão os meus melhores amigos. “Tenho amigos que não sabem quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles” – Paulo Sant’Ana.

Portanto, obrigado a todos os brothers e irmãzinhas que me aturam (sei que não é fácil). Ah, que fique registrado: amo vocês, comparsas. “A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro” – Platão.

Elton Tavares

*Ainda sobre amizade, assistam o vídeo de quando o Charlie Brown conhece o Snoopy, uma das mais belas amizades da ficção:

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O breve relato sobre a Little Big, a saudosa banda de skatistas de Macapá

As lembranças do Facebook me trouxeram uma foto da saudosa banda Little Big. Na postagem, os componentes do grupo e brothers das antigas contavam causos e marcavam um reencontro. Aí bateu a nostalgia e resolvi republicar este texto. Saquem:

A primeira formação da Little Big foi com Antônio Malária, no vocal, Ronaldo Macarrão, no contrabaixo, Tibúrcio, na guitarra, e Paulo Neive, na bateria. Todos skatistas.

A banda quase acabou com a saída de Tibúrcio. Patrick Oliveira (hoje líder da stereovitrola) assumiu este posto de forma brilhante. Houve um rodízio na cozinha da Little. A bateria contou com participações do Zico, Ricardo Kokada e Kookimoto, mas quem emplacou mesmo foi o Mário (não lembro o sobrenome do Mário e nem sei por onde ele anda, mas o cara tocava muito).

Eles tocaram juntos da segunda metade dos anos 90 até meados de 2002. Era a banda que mais agitava o rock and roll em Macapá.

A Little foi a banda de garagem mais duradoura e badalada daquela época (certeza de casa cheia onde os caras tocavam). No repertório, tinha punk, indie, hardcore e manguebeat. Chegaram a desenvolver um som próprio, com composições do Antônio Malária, um flerte com o batuque e marabaixo, misturados ao rock.

A banda ganhou força com a percussão de Guiga e Marlon Bulhosa. Inspirados, chegaram ao topo do underground amapaense com as canções autorais “Baseados em si”, “São Jose”, “Beira mar” e “Lamento do Rio”. Quem viveu aqueles dias loucaços lembra bem do refrão: “Eu sou do Norte, por isso camarada, não vem forte”.

Com os amigos Ronaldo e Antônio, da Little Big.

A banda embalou festas marcantes do nosso rock, teve seus anos de sucesso pelas quadras de escolas, praças, pista de skate, bares (principalmente o Mosaico) e residências de Macapá. Quando os caras executavam “Killing In The Name“, do Rage Against The Machine, a casa vinha abaixo. Era PHODA!

Era rock em estado bruto, sem muitos recursos tecnológicos ou pedaleiras sofisticadas. Os caras agitavam qualquer festa. Quem foi ao Mosaico, African Bar, Expofeiras, Bar Lokau, festas no Trem Desportivo Clube e Sede dos Escoteiros, sabe do que falo.

Vários fatores deram fim à Little Big, como desentendimentos internos e intervenção familiar. Eles não estouraram como banda autoral porque não tiraram os pés da garagem.

Em 2012, os caras se reuniram e tocaram em uma festa, mas eu perdi a oportunidade de vê-los, pois estava para Laranjal do Jari a trabalho. A Little Big agitou as noites quentes de Macapá e embalou os piseiros de uma geração. Uma banda que faz parte da memória afetiva de muitos amapaenses roqueiros e já quarentões. E foi assim.

“De um tempo que fomos para sermos o que somos” – Fernando Canto.

Elton Tavares

Hoje é o Dia Nacional do Homem (parabéns aos que são bons)

Hoje é o Dia Nacional do Homem. Data curiosa, pois para mim, todo dia é dia do homem, da mulher, da criança, do amigo, das mães, das avós, etc. Mas já que existe e neste site temos uma sessão chamada “Datas Curiosas” e algumas são justas homenagens a profissionais de determinada área ou de utilidade pública, vamos lá.

A data foi criada com o objetivo maior de reforçar os cuidados com a saúde dos homens (inclusive fazer exame de próstata). O Brasil é o país onde mais se comemora esse dia, porém, ele não tem uma repercussão tão grande e nem é tão comentado quanto o Dia das Mulheres (nem deveria, pois sabemos que para mulheres TUDO é mais difícil).

Bom, sobre o objetivo da data, nunca fui de me cuidar muito. Sobre os homens, conheci muitos de grande valor nessas quase quatro décadas e meia de vida. E alguns que não valem a pena nem lembrar.

Aliás, na minha família, tenho bons exemplos de como ser um bom ser humano. Meu irmão Emerson costuma dizer que nosso pai, que hoje em dia vive em nossos corações e memórias, nos ensinou a ser caras bacanas. É verdade!

Porém, uma mulher me ensinou – mais que qualquer cara – a ser um homem de verdade, a minha mãe. Sou grato aos meus pais pelo que sou. Graças a eles, não sou desonesto, traidor, caguete, vadio, entre outras tantas vertentes de pilantras.

Mesmo não sendo – com o perdão do gerúndio – politicamente correto, faço o que é preciso para tal, dentro das normas, leis e valores que absorvi durante minha educação.

Sou um homem do bem. Ou pelo menos tento, com todas as forças. É verdade que não me dou muito bem com os canalhas, mas acredito ser uma boa pessoa.

Enfim, levo a vida dentro do meu conceito de justiça e coerência, sempre agindo de forma correta. Aliás, conheço muitos homens (assim como mulheres, mas hoje é Dia do Homem…) que não são exatamente “normais”, mas são caras porretas.

Os caras da família Tavares. Meus parentes e amigos. Todos homens bons.

Feliz Dia do Homem aos caras que valorizam a família e os amigos. Que trabalham e batalham sem lesar ninguém, que respeitam seus iguais, sejam figurões ou pessoas menos favorecidas. E aos que não fogem à luta e que são homens de verdade.

Elton Tavares

Meus amigos de Liverpool – Crônica (memória fictícia) de Ronaldo Rodrigues

Crônica (memória fictícia) de Ronaldo Rodrigues

Tudo começou em 1963, quando conheci o John. Ele era meio maluco, falava muito e estava sempre a fim de fazer alguma coisa: montar uma banda de rock, formar um grupo de apoio social ou reunir uma galera boa para invadir um pub e roubar toda a cerveja. Pois foi uma banda que nós resolvemos montar.

Ele apareceu uma vez com um cara que tocava muito, o Paul. Depois, o Paul trouxe outro cara que tocava demais, o George. Tínhamos então eu no vocal, John na guitarra base, George na guitarra solo e Paul no baixo. O Pete, que era nosso baterista, não ficou muito tempo e logo apareceu um tal de Ringo, que já desfrutava de um certo sucesso.

Fizemos umas pequenas turnês, já angariávamos algum prestígio e muita gente curtia nossas músicas. A maioria era de minha autoria, mas o John e o Paul brigavam tanto por serem as estrelas principais que abri mão da minha participação e deixei os dois assinando as músicas, mesmo que várias delas fossem minhas.

Gravar um disco ainda era um sonho muito distante, mas entrou em cena outro cara, o Brian, que surgiu atraído pelo sucesso que fazíamos no pequeno circuito em que transitávamos. Ele já tinha todos os macetes e sabia, como se diz hoje, o caminho das pedras. Antes que o Brian tomasse conta do grupo, eu resolvi sair. Era muita correria: compor, ensaiar, gravar, cumprir a exaustiva agenda de shows… Ufa! E, também, a minha timidez não combinava com o estrelato. A vida pacata que levei desde então foi o suficiente para mim.

Voltei para minha pequena cidade e segui minha carreira de ilustre desconhecido, bem mais quieta do que a vida de celebridade. Aquela banda se tornou mesmo um sucesso mundial e eu passei a colecionar recortes de jornais com shows e entrevistas daqueles amigos que eu havia deixado em Liverpool e que logo depois se mudaram para Londres. Jamais revelei a alguém minha ligação com a banda.

Depois que os rapazes conquistaram o mundo, a banda se dissolveu. Os fãs diziam que o fim foi cedo, que ainda havia muita música boa para vir à tona. A maioria dos fãs culpava a nova esposa do John pelo fim. Outros diziam que o Paul queria a liderança a qualquer custo e isso desgastou a relação. A minha opinião, que não foi pedida por ninguém, é que as coisas boas, para terem existência completa, precisam mesmo acabar. Começo, meio e fim: esta é a fórmula.

Meus amigos de Liverpool continuaram fazendo sucesso em suas carreiras solo, o tempo passou e o período em que fiz parte daquela banda ia ficando nos desvãos mais recônditos da memória. Até que, certa manhã, ao abrir o jornal, fui despertado do meu resto de sono pelo barulho ensurdecedor de vários tiros e a manchete que jamais esperei ler algum dia, a notícia crua, a frieza do assassino. As lembranças voltaram dolorosamente: os óculos redondos, o humor sardônico, as passeatas pela paz mundial. E aquela data ficou para sempre sangrando em mim: 8 de dezembro de 1980. Mas quem vai acreditar nisso?

Sempre houve Rock And Roll… – Por @RicardoMacapa #DiaMundialDoRock

Não sou músico, mas adoro música, sobretudo a boa música, além da minha preferência pelo rock and roll. Então hoje falarei sobre música clássica… Bom, daí você perguntaria – O que tem isso a ver com o Rock ?? Tudo, eu respondo!

Na verdade, há muito de música erudita em várias canções do pop/rock. Isso muitos de vocês já sabiam ou perceberam, pois com certeza já ouviram arranjos sinfônicos clássicos orquestrados, ou não, em várias canções e apresentações de bandas maneiras como Pink Floyd, The Who, Queen, U2, Radiohead, Metallica e Coldplay… Só pra citar algumas.

Muitos dos meus amigos não curtem ou não conhecem música clássica. Acham o estilo enfadonho, repetitivo, e que só gente boçal, fresca e metida à inteligente é quem escuta este tipo de música (risos).

O que eu gostaria de propor aqui é um outro prisma nesta leitura/audição. Procurando perceber que há muito de rock and roll na “velha” música clássica… Quero iniciar a conversa, analisando algumas obras primas deste estilo enviesada no que conhecemos hoje como Rock ´n Roll (no que tange a quebras/rupturas, rebeldia e força).

Muitos compositores eruditos também tinham uma veia revolucionária, no contexto de seus tempos, seja nas questões política, social, filosófica ou mesmo em se tratando da própria música à época. Composições como “Cavalgada das Valquírias” de Richard Wagner, a Sinfonia Nº 9 de Ludwig Van Beethoven e “As Quatro Estações “ de Antônio Vivald são exemplos de quebra de paradigmas e propostas de mudanças nas composições clássicas (lembrando que naqueles tempos a mínima quebra já era considerada uma grande afronta) e que trazem consigo esse viés revolucionário do Rock (mesmo de forma inconsciente e atemporal) .

A “Cavalgada das Valquírias” é por si só uma apologia à força do Rock, tendo sido tema no Filme Apocalipse Now, na famosa cena da chegada dos helicópteros à praia, observem:

A 9ª Sinfônia de Beethoven (o qual concluiu esta magnífica obra quando já estava completamente surdo) por sua genialidade, grandiosidade e força para mim está equiparada a shows de rock como o Pulse do Pink Floyd…

“O Inverno” em “As Quatro Estações” de Vivald, que era conhecido pelo apelido de Padre Ruivo (por ser clérigo e de cabelos avermelhados) é o maior exemplo desta minha análise… Em seus 1º e 3º movimentos, mostra a força vibrante dos violinos equiparando-se a magistrais solos e distorções de guitarras de grandes nomes do Rock. Esta é minha estação do ano favorita quando o tema é “As Quatro Estações”…

Sei que o assunto é um tanto complexo para ser tratado apenas em linhas gerais neste texto. Quis aqui provocar um pouco o debate… E sei que este merece uma boa reflexão acerca, acompanhado de saborosas pizzas e cervejas estupidamente geladas no Bar do Francês (bons tempos com o Eltão, no Bar do Francês).

Para os amigos (as) que ainda não curtem música clássica, indico sempre começar por “As Quatro Estações” de Vivald. É como indicar Pink Floyd para um jovem que quer aprender a gostar de Rock (risos) !! E também indico as músicas elencadas aqui neste post… Espero que possam apreciar a música clássica por um novo olhar/audição daqui para frente…

Um abraço a todos, até a próxima e viva o Rock !!

Ricardo Ribeiro, amigo apaixonado por Rock’n’roll.

Hoje é o Dia Mundial do Rock!! (E vivo o “Roquenrou” desde moleque) #DiaMundialDoRock

Amo Rock and Roll e hoje (13) é o Dia Mundial do Rock. O gênero sonoro mais legal de todos, fruto da junção do Jazz e Blues, é celebrado nesta data porque em 13 de julho de 1985, o produtor Bob Geldof organizou o “Live Aid”, um show histórico e simultâneo, realizado em Londres (ING) e na Filadélfia (EUA). O objetivo era o fim da fome na Etiópia. Lá se vão 35 anos do show que mudou a história do rock.

Já em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8, para pressionar os líderes do G8 a perdoar a dívida externa dos países mais pobres. Desde então, o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock.

Sempre fui Rock and Roll

Lembro o momento exato que me apaixonei perdidamente pelo Rock. Em 1989, assistia a novela Top Model (sim, naquela época eu não tinha tantas opções) e torcia para o Gaspar (Nuno Leal Maia), um hippie remanescente de sua geração e surfista quarentão, lembrar-se da sua esposa, Maria Regina Belatrix (Rita Lee), que o havia abandonado.

Tudo porque durante as lembranças do cara, em imagens preto e branco, tocava “Stairway to Heaven”, canção clássica do rock and roll, da banda inglesa Led Zeppelin. Era firme. Eu tinha 13 anos. Muito antes, eu já curtia rock nacional e Beatles. Acho que curto som bacana desde 1986.

Macapá era mais Rock and Roll

Desde que cai de amores pelo Rock, foram muitas festas nas quadras de escolas de Macapá, bares, boites, shows na capital amapaense e fora dela. Shows memoráveis e emocionantes nas grandes cidade e festivais inesquecíveis.

Aqui na minha aldeia já vi apresentações de várias bandas nacionais. Fora do Amapá, já fui para quatro festivais Lollapalooza, onde assisti aos shows do Interpol, The Smashing Pumpkins, Raimundos, New Order (Em Sampa e em Curitiba), Pixies, The XX, Metallica, Duran Duran e The Strokes. Isso sem falar nas excelentes apresentações de Rancid, Jimmy Eat World e Criolo. Também rolou de ver, graças a Deus, Red Hot Chilli Peppers, U2, Pearl Jam, The Killers, Radiohead, Morrissey e The Cure (o melhor de todos).

Sobre viver o Rock

Além disso, procuro incentivar por meio de divulgação todos os eventos rockers no Amapá. Nos anos 90, produzi algumas festas e até criamos um movimento chamado Lago do Rock, em 2004. Coleciono grandes momentos felizes na vida. A trilha sonora dessa memória afetiva é 90% Rock. Bons tempos!

Dizem por aí que o Rock morreu, ele nunca morre, só está em constante mudança, assim como nossas vidas. O rock é imortal, ele nos salva da mesmice, basta protegê-lo de mãos erradas.

Alguns dos shows que fotografei

Sabem, tenho tendências ao extremismo com relação a gênero musical. Pois aqui não existe aquele papo de “só é roqueiro até tocar um brega ou pagode das antigas”. Não! Muito menos escutar coisas “da moda”, tipo “patetas da pisadinha” e afins. Aqui sempre foi e sempre será Rock and Roll!

O Rock n’ Roll me salvou. Graças a ele, não tenho uma vida ordinária e nem me tornei um “eclético”. Não só amo o estilo, mas vivo o Rock. Se não estivéssemos vivendo dias de confinamento por conta da pandemia, hoje era seria dia de escutar som, beber e aglomerar. Mesmo assim, Feliz Dia Mundial do Rock e LONG LIVE ROCK N’ ROLL!

“O Rock é energia, o desejo ardente, as exultações inexplicáveis, um senso ocasional de invencibilidade, a esperança que queima como ácido” – Nick Horby – Romancista inglês

Elton Tavares

De Super-Homem a Asterix, minhas HQ favoritas – Crônica porreta de Fernando Canto

Fernando Canto, ainda moleque.

Crônica de Fernando Canto

Quando leio uma revista em quadrinhos hoje é natural que as lembranças povoem repentinamente na minha cabeça, tão importantes o foram como instrumento de aprendizado, num tempo em que não havia grandes obras para serem lidas, a não ser na Biblioteca Pública, um lugar obscuro e quase inacessível para alunos adolescentes como eu que não tinham a orientação dos professores para essa atividade. Na época tudo parecia se resumir no aprendizado de sala de aula.

Lembro que as portas dos cines Macapá e João XXIII ficavam cheias de jovens com revistas debaixo do braço nas tardes e noites de domingo. Estavam ali para trocarem suas revistas já lidas, por outras não lidas, ou preferencialmente por novas. Era uma prática saudável num tempo sem televisão quando a cultura visual estava mais direcionada para o cinema, com seus filmes e seriados, e para os quadrinhos. Era tempo do Território Federal governado por militares. Todos viviam sob uma ditadura severa que se estendia aos seus prepostos: diretores, professores e inspetores das escolas. Os quadrinhos nem sempre eram vistos como instrumentos educativos. Frequentemente os pais eram chamados pelos mestres quando um aluno era flagrado com alguma revista “imprópria”, tipo quadrinhos eróticos. O resultado era uma suspensão na escola e em casa sempre uma repreensão ou surra de galho de cuia no moleque aluado.

Romantismo ou saudosismo, a leitura dos quadrinhos possibilitava viajar com os heróis na luta contra o mal e dava para imaginar que um dia derrotaríamos o inspetor, o professor e o diretor que nos controlavam e eram nossos “inimigos mortais”, nessa ordem.

Batman e Robin, Super-homem, Zorro, Jim das Selvas, Tarzan, Congo Bill, Tex, Búfalo Bill, Príncipe Valente e tantos outros, descortinavam novos horizontes naquela garotada ávida por conhecimento e que esperava dias melhores para as suas vidas. As revistas traziam propaganda de pé de página, anúncios de cursos por correspondência, como o de madureza ginasial (um tipo de curso supletivo), o de detetive profissional, de rádio e eletrônica, etc. É inesquecível o anúncio de um tipo de brilhantina: “Dura lex sed lex, no cabelo só gumex – fixa e dá brilho aos cabelos”.

Mas a gente lia de tudo, inclusive as histórias dos personagens de Walt Disney e de Maurício de Souza, que chegavam recentemente naquele restrito mercado que se resumia nas livrarias Zola, de Francisco (…) e Martins, de (…) Martins, onde também se podia comprar livrinhos de literatura de cordel, como as aventuras de Pedro Malazarte e de Bocage, entre outros.


Anos depois, já na Universidade, pude defrontar com personagens mais sofisticados dos HQ, como os famosos(…) japoneses, os coloridos e novos super-heróis, tais como o Hulk, o Surfista Prateado e o Quarteto Fantástico. Nessa ocasião conheci as aventuras de Asterix, o Gaulês, dos franceses Gosciny e Uderzo. Pirei. Fiz coleção, mandei encadernar e releio sempre. Os personagens dessas histórias são os habitantes de uma aldeia que detém o poder de uma poção mágica usada para derrotar os romanos em situações e aventuras muito loucas.

Há alguns dias ganhei de um filho um presentão: uma edição comemorativa dos 80 anos do velho Uderzo, com histórias desenhadas por famosos artistas das HQ da Europa, nas quais seus personagens encarnam os heróis Asterix e Obelix e sua aldeia irredutível na Gália de 50 anos A.C. Um primor de desenhos de discípulos agradecidos.

Agora só me resta reler o livro comemorativo e esperar que “o céu não caia na minha cabeça”, como dizem os personagens dessas belas e engraçadas histórias.

Primavera recebe mais um ano de vida da jornalista Raquel Coutinho – De @caiocoutop para @Coutinho_Raquel

Caio, ainda moleque e Raquel, em algum lugar do passado – Foto: arquivo familiar dos Coutinho.

Advogado? Médico? Engenheiro? Não! Tudo isso foi sugestão da loira quando eu ainda tava indeciso em qual profissão escolher. Apesar de não negar o que ela queria pra minha vida, nunca meteu pressão nas minhas escolhas. Isso se deve ao fato de que ela é humana, sensível, loirassa e aniversariante nesse mês de julho, dia 2, pra ser mais específico.

Nunca fui bom com presente, então escolhi escrever pra ela (ainda vou comprar o presente ok?), com um dia de atraso. Ela me conhece, eu uso a desculpa que o dia dela é todo dia e, além disso, ela sabe o que eu escolhi pra mim. Ela sabe que meu tempo é doido (igual o dela) e que meus corres são muitos, mas, foi isso o que eu escolhi pra mim.

Caio e Raquel – Mãe e filho jornalistas dos bons.

Não ia me dar o luxo de fazer um release, to escrevendo com o coração, até porque eu me lembro, quando ela ainda tava se formando em jornalismo, eu (muitas vezes andando só de cueca) via as missões que ela tinha e, depois de formada, os projetos de carreira. Foi por meio dela que eu conheci esse mundo que hoje tô “afogado”, no bom sentido, e conheci pessoas incríveis.

Se atentem que eu nem falei de dinheiro, até porque se fosse por ela eu nem estaria aqui, ela sempre foi minha referência de mulher, mãe, amiga e JORNALISTA! Pense num orgulho quando me esbarram por aí e perguntam se eu sou filho da Raquel Coutinho. A minha maior missão é ser eu mesmo, porque ela é monstra, mas, mesmo assim, nunca vou poder negar o alicerce que construiu esse cara que tá escrevendo.

Inclusive, no lance da grana, ela me falou uma vez (apesar de querer que eu fosse médico): “filho você pode ser o que quiser, se tu for bom o dinheiro vai ser consequência”. Hoje eu tô aqui, feliz, independente e muito orgulhoso de ser filho de uma das melhores jornalistas que eu conheço! Te amo, Raquel! Feliz aniversário!

Caio Coutinho

Sobre o show que vi do Interpol – Uma memória afetiva rocker – @Interpol

Dia 29 de março de 2015. Era um domingo frio e cinzento, aliás, o último do mês, quando o Interpol subiu ao palco Skol, no Lollapalooza Brasil daquele ano.

O grupo tocou de 15h30 às 17h debaixo da garoa dos paulistas, o nosso “chuvisco”. Logo a banda nova-iorquina aqueceu o coração e alma dos fãs que estavam no autódromo de Interlagos.

Eu não sabia se pulava, fotografava ou cantava (com meu pobre inglês) as canções da banda indie. A força do Rock and Roll fez aqueles caras levantarem a multidão de fãs. Foi lindo!

Elton Tavares

Só uma dose de felicidade  – Crônica de Lorena Queiroz – @LorenaadvLorena

Crônica de Lorena Queiroz

Eu, como uma boa curiosa que adora enfiar o nariz nos caminhos inquietos da filosofia, nunca acreditei na felicidade como um estado permanente ou como algo que tivéssemos como certo ou incerto de se conseguir na vida. Sempre acreditei em pequenas, e se você tiver sorte, periódicas doses de felicidade servidas em um copinho de cachaça, horas sim e outras não. Uma dose de riso. Outro dia, uma dose de amor. Semana que vem uma dose de satisfação e raras vezes, uma dose de justiça. A situação humana atual é tão irônica que dividimos parte de nossa esperança em duas doses de vacina.

Existem dias que você terá um balde de tristeza, um copo americano de preocupação. E são nestes momentos que àquela dose, que parecem até amostras de propaganda de marcas de café oferecidas no supermercado, algo que parece tão irrisório quando medido em ml, mas que pode nutrir por mais algum tempo. E pra falar a verdade, quem pode determinar o que é essa tal dessa felicidade?.

O filósofo francês Pascal Bruckner disse que a felicidade não é algo que provocamos apenas pela força do desejo, pois se assim fosse, todos nós seríamos felizes para sempre. É importante lembrar que a felicidade não é algo padronizado, pois temos desejos, perspectivas e almas diferentes. Outro filósofo francês, Luc Ferry, disse em uma entrevista que: “a felicidade é uma ideia absurda e impossível, pois tudo que nos faz felizes nos torna infelizes também. Inteligência faz alguém feliz? Dinheiro faz? Voltar-se apenas para seu estado , faz?. Ou será que o que existe mesmo são os momentos de alegria e espaços de serenidade, entre uma perturbação e outra, inerentes à vida humana?”

O fato é que é muito difícil reconhecer a felicidade porque não existe em forma permanente, e como seres teimosos que somos, continuamos feito criança que corre atrás da pipa levada pelo vento. Almejamos sempre algo que ainda estar por vir. E quem sou eu para criticar qualquer falta?, não ouso, já que meus pensamentos sempre se processam como a narrativa epifânica de Clarisse Lispector.

Pintura “Alexandre e Diógenes”, de Nicolas-André Monsiau (1818).

Durante um tempo eu havia esquecido Diógenes e Alexandre, o grande. Quando em seu banho de sol, Diógenes, interrompido por Alexandre, lhe ofereceu metade de suas riquezas para que Diógenes o acompanhasse. E Diógenes, respondeu: – ‘’De você não desejo nada, apenas que saia da frente do meu sol pois estás me fazendo sombra”. A gente tem a tendência a procurar coisas em lugares errados, dificilmente valorizamos obviedades.

Uns dias atrás eu tive o vislumbre da dose. Ela pode ser singela, pequena, ou um milhão de outras coisas para as mais diversas pessoas, mas para a pessoa que tomou esta dose, foi necessário. Minha sogra acompanha o trabalho do senador Randolfe Rodrigues e tem um enorme carinho e admiração por ele. Claro, sua atuação na CPI merece todos os nossos aplausos.

Dona Chica

Sendo assim, através do meu melhor amigo, Elton Tavares, o senador tirou um pouco do seu tempo e gravou um vídeo extremamente carinhoso e atencioso para nossa Chiquita. Confesso que me emocionei com a reação dela ao carinho inesperado. Ali eu vi, uma dose de felicidade. A felicidade simples de Mário Quintana. A felicidade como gota de orvalho numa pétala de flor, como disse Agostinho dos Santos e Jobim.  Fui dormir me nutrindo com a dose alheia e, quem sabe, outro dia, a vida e Epicuro lhe tragam outras doses, brindemos.

*Lorena Queiroz é advogada, amante de literatura, devoradora compulsiva de livros e crítica literária oficial deste site.