A fé das crianças – Por Daíse Lima – @DaseLima2

Por Daíse Lima

A menininha de grandes olhos verdes, sentada no colo da mãe, ao meu lado no ônibus sorriu para mim e disse:

– Oi. Qual é o seu nome?
– Meu nome é Daíse.
– Nossa! Eu nunca ouvi esse nome.
– Nem eu. – respondi e ela sorriu. – E o seu nome qual é?
– É Maria.
– Nossa! Eu nunca ouvi esse nome. – brinquei.
– Mas tem um monte de Maria. Minha professora chama Maria, minha tia chama Maria, a tia da cantina também chama Maria. Tem um monte.
– É verdade. Tem mesmo. Eu tinha esquecido. Eu sou muito esquecida!
– A minha mãe também é. – e a mãe dela sorriu para nós. – Qual é o seu nome mesmo? – a menininha perguntou.
– Já esqueceu? Acho que você também é esquecida.
– É que seu nome é difícil. – e ela deu dois tapinhas de leve na testa, como se dessa forma a ajudasse a se lembrar.
– Meu nome é Daíse.
– É mesmo. Você tem vô, Daíse?
– Não tenho. – respondi torcendo para que ela não perguntasse porquê eu não os tinha. Eu não queria falar da morte. Essa é conversa para a mãe. E ela não perguntou.


– Eu tenho um vô.
– Que legal! E qual é o nome dele? Ou você já esqueceu o nome dele?
– Não! – ela sorriu. – O nome dele é Raimundo.
– Que nome bonito que ele tem.
– É
– Ele mora aonde?
– É um pouquinho longe. Tem que ir de ônibus. Eu tô indo lá na casa dele. A gente vai todos os dias, né, mãe? – a mãe concordou com a cabeça. – A minha mãe vai fazer comida para ele e dar banho nele.
– Entendi. Ele já está bem velhinho.
– Mas ele é adulto. Só que ele é criança. Ele não fala e não anda. Ele fica o dia todo deitado assistindo televisão, mas quando eu chego lá a gente assiste desenho. Ele dá risada com os desenhos. Quando ele aprender a falar e a andar eu vou passear com ele lá na praça. Você sabia que eu ensinei ele a falar o meu nome?
– É mesmo?
– É. Quando eu chego ele fala Má, não é, mãe? Logo ele vai aprender a falar.

A mãe sorriu triste para mim. E eu pensei: a fé das crianças.

*Daíse Lima é uma escritora baiana que vive em Sampa desde pequena apresentada a mim pela cantora, compositora, poeta e atriz (amiga minha), Sabrina Zahara.

Seis anos da Maitê: agradeço a Deus pela vida dela. Feliz aniversário, princesa e amor da vida do tio!

Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. Mas poucas se lembram disso”, disse o escritor Antoine de Saint-Exupéry, no livro Pequeno Príncipe. Sobre isso, lembro bem, assim como o meu irmão Emerson. E, talvez esse seja um dos motivos que fazem dele e de minha cunhada Andresa Ferreira (que também tem genitores exemplares), pais tão maravilhosos para a pequena Maitê Ferreira Tavares, que gira a sua gita roda da vida hoje e completa seis anos de idade.

Ela é a princesa e amor da minha vida. Aliás, das nossas. E aí incluo a minha mãe também, que é uma avó apaixonada.Nunca vou me esquecer daquele momento, quando conheci Maitê, que tinha somente um mês e 11 dias de vida. Foi amor à primeira vista.

Desde então, entendo os meus amigos que têm filhos, entendi o sentimento dos meus pais e olho diferente para as crianças. E amo “a pureza da resposta das crianças”; elas são realmente um barato. Incrível como pequenos seres despertam os melhores sentimentos em nós, adultos de coração duro.

Quem me conhece sabe que sou doido por aquela molequinha. Sempre perspicaz, ela vive com suas antenas ligadas. Apesar da pouca idade, Maitezinha é uma figura. Linda, inteligente, cheia de traquinagem e com sacadas impressionantes para alguém que chegou ontem neste mundo.

Aliás, por falar em mundo, toda vez que falo com ela – o que ocorre quase todas as noites – me apaixono de novo por ela e pela vida e assim reforço minha esperança no futuro. Sempre que falo com ela, esqueço dos amargores da vida.

E por falar em futuro, este texto é pra ela ler daqui a um tempo e se lembrar que todo o amor que existir dentro de mim, é dela. Maitê é uma bênção. Uma mistura de bom humor, gaiatice, doçura, inocência (claro), desconfiança (quando não manja das pessoas e lugares), inteligência, sapequice e ternura.

Já disse e repito: Maitê é amada e reflete isso – com aquela luz que só o amor sabe dar. Apesar de morar com seus pais em Belém (PA), “longe, longe, longe (aqui do lado), NADA NOS SEPARA”, nem o maior rio do mundo. Quando a falta dela aperta, o WhatsApp ou ligações telefônicas amenizam nossas saudades.

Era pra gente estar com ela hoje, mas a pandemia foi mais forte que a distância. E, apesar das saudades, o amor pela pequena lindeza só aumenta a cada dia e hoje estou muito feliz por ela estar saudável e ser essa criança maravilhosa. Nossa princesa desperta o que há de melhor de nós e reforça ainda mais nossos laços de amor.

Dia desses, conversando com a mãe dela, Andresa me disse que as duas estavam assistindo a um filme da Disney e a Maitê disparou: “mamãe, eu sou uma princesa”. A cunhada sorriu e responde que sim. E a sobrinha mais linda do mundo concluiu: “é, eu não tenho esse castelo aí do desenho, mas o meu tio sempre me fala que sou a princesa dele”. Nós rimos. E de fato, ela reina no meu mundo.

Por tudo dito/escrito acima agradeço a Deus pela Maitezinha. Ela é um dos meus fios condutores com ELE. E aqui fica a pequena homenagem do tio, que não dá conta de resumir tanto amor em apenas um texto de felicitações.

Meus parabéns, Maitê. Titio ama-te de forma desmedida. Feliz aniversário!

Elton Tavares

O Capitão Caverna, o meu super- herói favorito

Adoro desenhos animados antigos, mas não sou muito chegado nos que são exibidos agora. Normal, tô ficando velho. Concordo que as animações antigas perdem em recurso tecnológico para os “mangás & Cia” que passam na TV atualmente, mas ganham, e muito, em criatividade dos de hoje. Pois eles eram engraçadíssimos e possuíam uma originalidade fantástica.

Também sou chegado em histórias de heróis diferentes. O Capitão Caverna, por exemplo, era um dos mais esquisitos. Pesquisando sobre o personagem, li em alguns sites basicamente isso: “O Capitão Caverna foi criado por Joe Ruby e Ken Spears, em setembro de 1977. Entre os seus poderes estavam a super força e uma variedade de trecos escondidos sob seus abundantes pelos”.

Ah, ele ainda tinha um tacape, com a qual o herói voava e que também se transformava em vários objetos, dependendo das situações inusitadas. Capitão Caverna é um personagem dos estúdios Hanna-Barbera, que produziu os clássicos “Os Flintstones e Scooby Doo”, entre tantos outros.

Além de seu peculiar visual, cabeludo e descabelado, baixinho, troncudo, narigudo e com um terrível apetite. O Capitão Caverna tinha um vocabulário próprio, que contava com as palavras “unga-bunga” antes de qualquer frase mal construída que ele emitia. Sem falar no seu grito estridente: “Capitão Caveeernaaaaa!!”. Um verdadeiro super-homem da idade da pedra.

Tudo bem que sua história é clichê, pois ficou congelado durante eras e acordou no século 20, despertado por Branda, Kelly e Sabrina, “As panterinhas”. Mas ele formou uma parceria infalível com essas meninas, solucionou mistérios e combateu o mal por toda a minha infância. Com certeza, o Capitão Caverna era, com toda a sua patetice, o meu super- herói favorito. Bons tempos aqueles. É isso.

Elton Tavares

Para quem não viveu e viu ou está com saudades, aqui está o Capitão Caverna:

A história do Bar Caboclo – Por Edgar Rodrigues (jornalista e estudioso da história do Amapá)

Por Edgar Rodrigues (jornalista e estudioso da história do Amapá)

No final dos anos 40, um homem vindo da cidade de Mazagão Velho resolveu montar um negócio. Comprou a área onde funciona atualmente a sede do Sindicato dos Bancários e lá montou uma venda, construída em madeira. Um ponto comercial simples, porém, bem equipado. Lá tinha confecções, picolé, sorvete, produtos alimentícios, suco, refrigerante, aguardente e um nome sugestivo: Bar caboclo. Abrão havia despertado a atenção do povo de uma simples cidade onde quase não havia entretenimento e tudo era novidade.

O bar ficava em área alagada, onde pontes de madeira serviam como passarela para o vai-e-vem dos dias e das noites. O novo ponto comercial da cidade foi visto como uma mina de ouro por mulheres que sobreviviam da prostituição. Não havia local melhor na cidade para se conseguir fregueses. Ali próximo atracavam todas as embarcações que chegavam à Macapá trazendo caboclos ribeirinhos e também marinheiros estrangeiros que ao desembarcarem faziam logo procuração pelo bar.

De acordo com Abrão, o Bar Caboclo nunca serviu como pista de dança e muito menos chegou a ser hospedaria de prostitutas. Segundo ele, o que não faltava eram quartos naquelas imediações para que elas desenvolvessem suas atividades.

“Eram apenas minhas freguesas. Me davam certo problema porque afastavam outro tipo de freguesia. Mas não poderia proibi-las de entrar no bar, mesmo porque elas também me davam lucro”, conta pensativo.

O proprietário do bar tinha lucro com as prostitutas porque quando um freguês se engraçava com alguma delas não tinha pena de esbanjar dinheiro. Abrão cita um costume das frequentadoras de seu bar: “Adoravam pedir para os caboclos pagarem cerveja para elas e me diziam no ouvido para eu esquecer a bebida e entregá-las o dinheiro mais tarde. Nunca gostei disso”.

Quando os marinheiros não tinham dinheiro para pagar o serviço de bar e o serviço das mulheres, sempre deixavam joias para cobrir a dívida. Abrão exibe até hoje um anel que recebeu de um gringo (jornal de 1995). Quanto aos caboclos, esses, quando não tinham dinheiro para cobrir suas despesas, o dono do bar até que aceitava um pagamento posterior. Mas com as prostitutas não tinha acordo. A pancada comia e a Guarda Territorial entrava em ação.

O bar enfrentava outros problemas. Macapá era abastecida de energia das 22h até às 6 da manhã. Por determinação da Guarda Territorial o ponto poderia funcionar apenas até a meia-noite. “Era a época em que tínhamos como Governador Evanhoer Gonçalves e havia um delegado de polícia chamado Isnar Leão que não dava mole. Ninguém ficava fora de casa depois da meia-noite”, enfatiza Abrão.

UM NOVO BAR

O ponto comercial de Abrão deu certo e em três anos ele inaugurou um outro bar, todo em alvenaria, muito mais equipado e pintado em cor rosa. No seu interior tinha uma gravura, de um casal de índios, feita pelo pintor Herivelto. Era um prédio, segundo Abrão, bastante chamativo. Havia poucos como aquele na cidade. O empreendimento mudou de cara e de local, mas o nome permaneceu o mesmo.

Agora o bar caboclo passava a funcionar onde está localizada atualmente uma loja de discos. A freguesia aumentava mais ainda. Em menos de uma hora de funcionamento o comerciante conseguia vender quase quatro grades de cerveja. O bar já era frequentado até por pessoas consideradas da “alta”, mas alguns homens não admitiam que suas mulheres pisassem no local. Há um antigo comentário de que um radialista da Rádio Difusora de Macapá chegou a ir buscar sua esposa aos tapas na porta do bar. Ali também era considerado o ponto da fofoca. Depois de alguns copos de cerveja, os homens costumavam fazer comentários sobre os casos de adultérios da cidade. Outro assunto de mesa de bar era virgindade. Todos pareciam saber quais as garotas que eram e as que não eram virgens.

Com o passar dos anos foram aparecendo outros estabelecimentos comerciais na cidade como as boates Merengue e Suerda. Como tudo o que aparecia em Macapá era novidade, essas casas chegaram a roubar a freguesia do Bar Caboclo. A Suerda funcionava como prostíbulo e suas prostitutas tinham fama de ser bonitas. Muitas vinham de outros estados para disputar o mercado com as amapaenses do Bar Caboclo. Mas essa concorrência não foi fato para prejudicar o sucesso do ponto comercial de Abrão. As frequentadoras do bar caboclo não inflacionavam o preço de seus serviços e recuperavam seus fregueses.

Seria um erro falar sobre o ponto comercial de Abrão sem citar que o bar era uma espécie de reduto dos literatos e jornalistas da época. Muitos deles não iam para o bar com intenção de pegar uma prostituta e levar para um quarto. A movimentação de ir para a cama com alguma prostituta, as brigas, o comportamento de quem olhava o movimento de fora, a fofoca, enfim os intelectuais sabiam que estavam frequentando um ambiente que ia entrar para a história do Amapá. Apesar da fama, o local tinha um comércio diversificado.

O FIM DO BAR

Abrão diz que com o aparecimento do Plano Cruzado ficou sem condições de trabalhar devido à crise financeira.

“A crise me pegou de jeito e tive que fechar o negócio”, lamenta. O velho Bar Caboblo foi alugado então ao comerciante Edivar Juarez que lá montou a loja Discão Sucesso. Foram anos de trabalho insuficientes para dar a Abrão a vida de homem rico. A história do bar Caboclo hoje é enredo de peça teatral. O que não é de agrado daquele que foi proprietário do bar. “Ninguém veio me procurar para saber da história. Tudo foi desvirtuado e é compreendido como fato verídico. Isso não poderia ter acontecido”, enfatiza.

Atualmente Abrão reside na avenida Iracema carvão Nunes, em frente à caixa Econômica (jornal de 1995). Divide uma casa simples com uma filha de criação e a esposa, Mirian Fonseca de Castro, que trabalhou também no bar, ao lado do marido, e hoje vive em uma cadeira de rodas compartilhando com Abrão as memórias dos velhos tempos.

Com o fechamento do Bar Caboclo, as prostitutas passaram a frequentar o Bar do Chico, que dificilmente era chamado pelo nome. As pessoas sempre se referiam ao ponto como se ali fosse o bar caboclo. Agora o sobrado foi demolido e lá será construída uma loja. As prostitutas nada puderam fazer para evitar o fechamento. Mas prepararam uma feijoada para dar adeus a uma história onde foram as personagens principais.

Fonte: blog do Edgar Rodrigues

IMPORTAR – Por Vladimir Belmino

A palavra importar é da classe gramatical verbo do tipo regular, etimologicamente vem do Latim (importare: ‘trazer para dentro, importar’). Como verbo, pode ter vários significados, variáveis de acordo com sua flexão e com seu emprego, seja como verbo intransitivo, seja como verbo pronominal, seja como verbo transitivo direto e, finalmente, como verbo transitivo indireto.

Para efeito deste rápido trabalho, nos interessa o verbo pronominal, o que traduz ‘dar importância a’; ‘fazer caso de’, podendo ser utilizado como nas frases: “não se importa com nada” e “ele se importa com ela”.

Ainda como verbo, como todo e qualquer verbo, ele é ação em sua essência. Ou seja, o palavra-verbo importar implica um movimento; sendo da classe verbo às palavras que fazem a vida existir, a exemplo do famoso texto bíblico de João 1:1-4 “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”.

E esse pensamento é muito poderoso, uma chave de conhecimento, independente de sua contextualização religiosa. Em verdade, a mensagem que vem do texto bíblico transpassa a religiosidade ao se perceber que não é dado a ninguém, nem mesmo ao Deus, realizar sem ação, sem verbo.

Então, na frase “ele se importa com ela”, o que nos conta o verbo ‘importar’ na utilização pronominal? A qual movimento nos agita? A qual ação nos inspira? Ele nos diz que temos que nos importar com o outro, mas como se dá essa ação de se importar com o outro? É a compaixão, seria compreender o que o próximo está passando ou o colocar-se no lugar do outro? Refletindo sobre outro trabalho apresentado na sessão da Loja Zohar, de autoria de nosso irmão José Lobo Neto, cheguei a outra conclusão.

Se importar com o outro é o movimento de trazer o outro para dentro de si; como se fosse um ato de importar produto do estrangeiro para dentro de nosso pais. É mais que sentir compaixão, muito mais do que se colocar no lugar do outro, sentir na pele o que ele passa. Isso é só o começo do ‘se importar com o outro’.

No momento em que se realiza a dificuldade alheia, percebendo-a, foi dado o primeiro passo no complexo ato de ‘se importar’ com o outro, na sequencia vem a ação propriamente dita de tirar o outro de onde se encontra – ajudar a sair da dificuldade ou do sofrimento – trazendo-o para seu mundo onde esta vicissitude não existe, ou onde pode ser mais branda pelo compartilhamento da solidariedade.

Solidariedade é um ato de bondade com o próximo ou um sentimento, uma união de simpatias, interesses ou propósitos entre os membros de um grupo. Ao pé da letra, significa cooperação mútua entre duas ou mais pessoas, interdependência entre seres e coisas ou identidade de sentimentos, de ideias, de doutrinas. Alguém quer falar de sua etimologia? Pois ela não é verbo, mas rende bons pensamentos também.

Por fim, para que repouse em nossa mente algo de útil sobre o verbo e sobre agir, que demonstre a beleza de seu movimento e a pequenez de nossa mente, socorro-me e espalho o pensamento inquietantemente belo de Manoel de Barros, no poema VII de “Uma didática da invenção” (in Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011), deixando a quem deseje, criar a poesia IMPORTAR:

No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele
delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta, que é a voz de fazer
nascimentos —
O verbo tem que pegar delírio.

Confrade Vladimir Belmino de Almeida, cadeira nº 31 Moacyr Arbex Dinamarco, em 12.02.2017.

Amapá Solidário, MPT e ONU/UNOPS entregam mais de duas mil cestas básicas para a população

Neste sábado (27), o movimento Amapá Solidário, em conjunto com mais 45 entidades, promovem a entrega de 2175 cestas básicas, 2000 máscaras de tecido e 1000 unidades de frascos de álcool em gel para as comunidades, com esta ação, o projeto atinge cerca de 3 mil famílias.

Os donativos são entregues para ONG’s que integram a rede de solidariedade que atua no enfrentamento ao coronavírus. A distribuição será para famílias em todo o Amapá, entre elas, 800 cestas irão para reservas indígenas.

As cestas básicas foram adquiridas pelo UNOPS, organismo das Nações Unidas, especializado em infraestrutura, compras e gestão de projetos e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) no Amapá, decorrentes de Ações Civis Públicas e de Termos de Ajuste de Conduta.

Os demais donativos são frutos de doação da empresa multinacional L’Oréal Brasil, que destinou 20 mil frascos de Álcool em Gel, dos quais 7 mil foram destinados ao Amapá Solidário. As máscaras foram direcionadas pela iniciativa Doe Máscaras Brasil, que destinou o quantitativo de 5 mil em tecido e 2 mil do tipo”face shield”, um total de 7 mil equipamentos de proteção individual para os amapaenses.

Como ajudar?!

As arrecadações continuam, por meio do senador Randolfe Rodrigues, o movimento 342 Artes, incentivado por artistas de renome nacional, como Caetano Veloso, estão com um vakinha virtual, que já arrecadou mais de R$90 mil. Você pode doar pelo link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/acao342-solidariedade-ao-amapa

Sobre a distribuição:

A logística de distribuição será coordenada pela plataforma local de entidades do Amapá Solidário.
Local: Av. Ernestino Borges, 1224 – Jesus de Nazaré.(Comunidade Evangélica Reviver)
Data:Sábado, 27 de junho.
Horário: 8h às 12h
Informações: (96)8801-5742 / [email protected]

P R I M H U S. – Conto Ficcional de Luiz Jorge Ferreira

Conto Ficcional de Luiz Jorge Ferreira

Ele mergulhou o pé caloso pelas inúmeras e frequentes caminhadas naquele terreno seco e pedregoso, e teve receio que as tiras ressecadas e praticamente a beira de se partirem, o fizessem…mas qual aguentaram firme e até relaxaram um pouco dando um leve descanso aos seus pés também repleto de cicatrizes …estava aflito…hoje o Primo viria ser batizado por ele…O Nazareno, como diziam…o que caminhava sobre as águas…o que apacentava as tempestades…dito isso para si mesmo, olhou o remanso que o movimento de balanço das suas pernas e pés dentro do riacho provocava…


O Rio Jordão estava quase transformado em um filete d’água se arrastando, uma seca se estendendo a muito tempo, queria beber de toda a sua água, já secará as Tamareiras e outros arbustos frutíferos por ali espalhados, sobrará aquele franzino ao seu lado que frutificava uns frutinhos escassos com textura de esponja e gosto de vinagre, que deixava um grude na boca, mas mesmo assim com eles ele enganava a fome, e quando um figurão da realeza mais por curiosidade que propriamente conversão vinha ter aqui trazendo consigo um servo mais afeiçoado pela família que desejava ser batizado, doavam-lhe um naco de pão preto, ou uma frasqueta de azeite de oliveira, o coração se alegrava…mas hoje seu Primo vinha, seu coração aguarda aos saltos.

Vinha porque os estudiosos das leis e dos livros Sagrados haviam escrito que um dia o Pastor de todas as as Tribos da Judéia, seria batizado nas águas de um riacho…as vezes ele fica a pensar, não seria detrás desses Montes, daquele outro, ou daquele mais longe, onde deverá ter um outro batizando, em nome de Deus?

Eu batizo aqui nesse lugar nem mesmo sei porque parei aqui e já se vão vários Equinócios….
Comecei a falar sobre o que vem na minha mente, e foram chegando pessoas, até mesmo de outras aldeias que não falam Aramaico, falam Grego, Latim, Hebreu, e outras , mas eu os entendo e se me perguntam se há um só Senhor do Céu e da Terra…eu respondo que sim …e lhes conto a Parábola do Bom Samaritano, e eles abençoam minhas palavras, e como foi que me entenderam, não sei…saem a dizer…Deus é um só, e seu filho está entre nós, para nós salvar.


Hosana!

A noite conto as estrelas, mas sempre as confundo com algum brilho de Pirilampos que se aproximam da lama das margens para umidecer suas bocas e piscam suas luzes de alegria quando encontram umidade, eu confundo os números, embora os tenha riscado na areia do chão…
Ele, dizem, sabe.


Como vou batizar ao Primo…se nao sou digno de lhe abotoar as sandalias, o que direi …se todos já dizem que ele é o filho de Deus entre nós…

Retirou os pés das águas do riacho e se encolheu medrosamente…estava amanhecendo…lá adiante uma carroça sem os animais jazia no chão como que desenhando contra os Montes um vulto de alguém de joelhos…prestou atenção e molhou os olhos com a água que escorria da sua mão…
Um dos que por lá pernoitara…se aproximou… João…João…beba e lhe deu uma caneca de chá cuja a fumaça subia dela formando uma branca espiral…

Tomou de um grande gole.
O Nazareno está chegando…
Tem certeza que é aqui, comigo, nesse riacho quase seco que ele vem ser batizado…?
Há outros que batizam atrás desses Montes cheios de Oliveiras…
Estas com medo João?
Perguntou o estranho.
Estou sim, respondeu…

O Monte Hermon, ali adiante, apontou, olhou ao redor, o estranho havia sumido.
Podia ouvir agora prestando mais atenção um barulho de vozes se aproximando, caminhando em sua direção , alguns da tribu de Jassé, que costumavam pernoitar com suas ovelhas por ali, perto da entrada da Gruta do Eco, assim chamada porque guardava consigo o segredo de provocar um eco até mesmo de uma pequena moeda e lhe multiplicar várias vezes, bastava que ela caísse ao chão na sua entrada.


Por isso eles cercavam a entrada dela com gravetos, para que as ovelhas lá não entrassem e provocassem um imenso bééééééééé….
Já despertos se aproximaram com suas fundas armadas com grandes pedregulhos.
Ele fez um sinal para que parassem e caminhou em direção ao grupo.
Reconheceu-o apesar dos muitos anos sem vê-lo., teve vontade de andar bem rápido e lhe abraçar…dizendo…

Que bom vê -lo…eu estou tão feliz…que agoro posso morrer…
Ao que o Primo, como que lendo seus pensamentos, pós a mão em seus ombros e disse…antes que faças qualquer coisa, cumpramos as profecias…me batize.


Dito isso, retirou a túnica descalçou as sandálias e entrou no Jordão, que perfumou-se de Alfazema, sem que houvesse nenhum arbusto dessa família por ali, a não ser o que frutificava pequenas frutinhos vermelhos ácidos e travosos, que depois que João voltou a si de tudo, seus pés, continuavam dependurados dentro do Rio Jordão, a silhueta da carroça havia desaparecido, nenhum balido de ovelhas, nem sinal da caneca de chá, e uma sensação estranha de silêncio interno, sentiu fome e esticou a mão em em direção ao arbusto de frutinhos azedos e travosos…
Mordeu… e atônito reparou que haviam se transformados em frutos a semelhança de uvas…e o que estava ali volumosa e carregada, era uma parreira.
Levantou-se, já chegava a noite…foi ao princípio da estradinha e viu marcas de muitos passos..haviam vindo muitos…
Abaixou-se a cheirar as pegadas, algumas delas cheiravam a um perfume que havia se diluído, mas não era de todo indiferente…
Pensou…teriam vindo…e ele dormirá?
Imaginava ter embebecido após tomar a caneca de chá de uma só vez, mas estava sedento.
Não havia ninguém…
As águas sabiam o que havia acontecido, mas as águas não falam…
Olhou o Rio Jordão…
Continuava ali…

Para o lado da caverna havia um barulho de vozes…lembrou -se dos pastores…
Foi caminhando…
Havia alguém falando mais alto que todos e o eco trazia as palavras até ele.
Aproximou-se reconheceu sua voz…que poderia estar falando…sim …pode ouvir com nitidez, estrondosamente, ele batizava o Nazareno. Prostrou-se ao chão…
Como um pesadelo, sonhou que sua cabeça jazia dentro de uma bandeja de prata e lhe chamava…
Venha João Batista.
Acordou sobressaltado…

O coração aos saltos…por acaso voltará a dormir, tão exausto que se encontrava.
O Rio Jordão quase moribundo, como por milagre recebia as primeiras chuvas.

* Osasco (SP) – 23.06.2020

Hoje é Dia/Noite de São João! (sobre o santo e a quadra junina sem festa)

Hoje é o Dia de São João. De acordo com a história, João Batista (Judeia, 2 a.C. — 27 d.C.) foi um pregador judeu do início do século I, citado pelo nos Evangelhos da Bíblia. Ele é considerado o santo mais próximo de Cristo, pois além de ser seu parente de sangue, Jesus foi batizado por João nas margens do rio Jordão.

Nascimento de São João Batista. Por Tintoretto, atualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo.

O Evangelho de Lucas (Lucas 1:36, 56-57) afirma que João nasceu cerca de seis meses antes de Jesus; portanto, a festa de São João Batista foi fixada em 24 de junho, seis meses antes da véspera de Natal. Este dia de festa é um dos poucos dias santos que comemora o aniversário do nascimento, ao invés da morte, do santo homenageado.

Segundo a narração do Evangelho de Lucas, João Batista era filho do sacerdote Zacarias e Isabel, prima de Maria, mãe de Jesus. Foi profeta e é considerado, principalmente pelos cristãos, como o “precursor” do prometido Messias.

Em sua missão de adulto, ele pregou a conversão e o arrependimento dos pecados manifestos através do batismo. João batizava o povo. Daí o nome João Batista, ou seja, João, aquele que batiza.

Aliás, ele batizou muitos judeus, incluindo Jesus, no rio Jordão, e introduziu o batismo de gentios nos rituais de conversão judaicos, que mais tarde foram adaptados pelo cristianismo.

São João Batista é muito importante no Novo Testamento, pois ele foi o precursor de Jesus, anunciou sua vinda e a salvação que o Messias traria para todos. Ele era a voz que gritava no deserto e anunciava a chegada do Salvador. Ele é também o último dos profetas. Depois dele, não houve mais nenhum profeta em Israel.

Outras religiões

Para alguns Espíritas, Elias reencarnou como João Batista. Mais tarde, teve outras experiências reencarnatórias como sacerdote druida entre o povo celta, na Bretanha. Depois como o reformador Jan Hus (1369-1415), na Boêmia. Na França foi Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869), o qual utilizava o pseudônimo Allan Kardec como codificador do Espiritismo.

Hippolyte Léon Denizard Rivail

Sua última existência corpórea se deu no Brasil, nascido dia 23 de Fevereiro de 1911 com o nome de Oceano de Sá, mais tarde chamado de Yokaanam:. (fundador da Fraternidade Eclética Espiritualista Universal), reconhecido como tal por diversas escolas sérias e reconhecidas mundialmente, embora o mesmo não assumisse publicamente pois nunca achou necessário e não queria tirar proveito algum de tal reconhecimento.

João Baptista é venerado como messias pelo mandeísmo, também considerado pelos muçulmanos como um dos grandes profetas do Islão. Na Umbanda, este santo é sincretizado como uma das manifestações do orixá Xangô, responsável por um agrupamento de espíritos que trabalha para a saúde e o conhecimento, que congrega médicos e cientistas. Já no Islamismo, é reverenciado pelos muçulmanos sunitas como sendo um dos seus profetas. O santo também é o padroeiro da Maçonaria (por conta da criação da entidade, em 24 de junho de 1717).

Sobre a festa (que não vai rolar esse ano) junina de São João

A festa se originou na Idade Média na celebração dos chamados Santos Populares (Santo António, São Pedro e São João). Os primeiros países a comemorá-las foram França, Itália, Espanha e Portugal. Anteriormente os festejos ocorriam por conta do solstício de verão, as quais marcavam o início da colheita. Nelas, ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários deuses em que o povo acreditava. Um deles era Juno, esposa de Júpiter, que era considerada a deusa da fecundida. Nessas festas, chamadas “junônias”, as pessoas dançavam e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos.

Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos joaninos para o Brasil. As festas de Santo Antônio e de São Pedro só começaram a ser comemoradas mais tarde, mas como também aconteciam em junho, passaram a ser chamadas de juninas.

Nunca gostei de festas juninas, mas sei da importância delas na cultura brasileira. Gosto de algumas comidas típicas do período (vatapá então…nossa!), assim como adorava as bombinhas, como toda criança. Na época de moleque, era obrigado a dançar quadrilha. Aí ficava mais puto ainda com o mês de junho. Na foto, ali em cima, tô com meu irmão, Emerson Tavares, alegre por ter acabado a tortura infantil do “taran ran ran, taran ran ran”. Já adulto, só fui  a trabalho, para cobrir o evento.

Bom, em tempos normais, sem Covid-19, o Dia de São João é celebrado com festas recheadas de muita dança, comida e alegria. Nesta quarta-feira (24), se não estivéssemos em distanciamento/isolamento social, as cidades nordestinas, onde a tradição é mais forte, as quadras ferveriam ao som do forró (For All).

Aqui no Norte, as fogueiras também não serão acesas , não termos quadrilhas e, talvez em algumas casas de famílias que amam a tradição, role umas brocas legais deste período.  Que São João nos proteja deste vírus.

Claro que com o advento das Lives, nosso consumo cultural desde o início dessa quarentena, hoje serão realizadas várias transmissões para festejar via internet, em muitas cidades brasileiras.

Portanto, minhas homenagens ao santo. Viva São João!

Elton Tavares
Fontes: Wikipédia, CruzTerraSanta e Calendarr Brasil.

Sou a favor – Crônica de Lulih Rojanski

Crônica de Lulih Rojanski

É uma pena que ser a favor não mude coisa alguma em lugar algum. Mas é confortante ser a favor… Sou a favor de desligar o rádio e a TV para ouvir a chuva; sou a favor da instalação de espreguiçadeiras nas beiras de rios, lagos e oceanos, e de um sistema de revezamento para usá-las que permita um tempo curto de espera para contemplar as paisagens, de pés descalços e com as mãos atrás da cabeça.

   Sou a favor da distribuição gratuita de picolés de limão pela prefeitura nos dias de calor; do direito de não aceitar governantes e de governar a própria vida do modo mais livre e não contemplado em nenhuma constituição; de fazer jardins em qualquer lugar onde haja terra desocupada; de andar nu pelas ruas, avenidas e logradouros, sem risco de execração; de vestir fantasias coloridas para ir ao trabalho… As cores têm a propriedade de transformar os sentimentos amargos em partículas de alegria.

    Sou a favor de orfanatos para animais abandonados; do aprendizado de instrumentos musicais desde o jardim de infância; da leitura dos clássicos da literatura todas as noites antes de dormir; da infinita acessibilidade aos livros; da liberdade de levar um edredom para o cinema; de chupar pirulito durante a aula, pois ele ajuda a manter a concentração; de repetir o prato sempre, seja do que for; de gritar ao ar livre para expulsar os demônios ou para acordar os anjos; de trocar o tapinha nas costas por uma pirueta; de encurtar os caminhos para tudo o que dê prazer; de colocar os varais de roupas floridas na frente da casa; de contar as estrelas apontando com o dedo, sem medo de verrugas; de dar às ruas nomes engraçados.

  Sou a favor de desligar a televisão na hora do jantar; do uso do guarda-chuva preto ou das sombrinhas coloridas em todas as ocasiões, porque a nostalgia é sempre bem-vinda; de água gelada nas torneiras públicas; do fim dos copos descartáveis; do barateamento dos chocolates; da anulação do ciúme e do reconhecimento da saudade como o mais belo sentimento; do uso universal dos colares artesanais de dois reais, dos vestidos florais, das sandálias de couro com túnicas brancas; do cultivo de ervas no quintal por quem aprecie os chás ou as poções.

  Sou a favor de tudo o que prolonga a vida; da alimentação natural e também dos churrascos dominicais; de taças generosas de vinho em todos os almoços; da venda de laranjas descascadas; das caminhadas que alcançam a noite; da extinção dos barbitúricos, ansiolíticos e analgésicos químicos que prometem combater a tristeza e a dor, mas instalam os vícios; de acender fogueiras nas noites de lua ou sem lua, para incentivar o florescer da alegria.

  Sou a favor de trocar o nome das coisas que têm nomes feios, como seborreia, cônjuge e fronha; de inventar palavras mais poéticas e gestos mais cordiais; da volta definitiva do vinil; da viagem no tempo, para que possamos todos voltar à infância e ver nossa própria doçura; da compreensão das gerações passadas; do conhecimento da história; das crianças ouvirem os velhos; da criação artística de toda natureza.

  Sou a favor das longas viagens por lugares distantes; de visitar os pais; de escrever cartas e enviá-las pelo correio; de conversar com os bichos e compreender sua resposta; dos shows gratuitos de música clássica; da entrada franca em cinemas, galerias e museus; do direito de dormir nos gramados das praças; de mudar o nome de batismo quando o nome que nos deram não nos cabe; da instalação de brinquedos para adultos nos parquinhos infantis.

E para concluir este apanhado de sonhos que nunca constarão dos textos massacrantes das leis, declaro que sou incondicionalmente a favor da desobediência civil, do amor natural e da crença na vida além da vida.

Ilha de calor – Crônica de @rebeccabraga

Belém – PA – Foto: Elton Tavares

Por Rebecca Braga

Era por volta das 10 da manhã quando cheguei em casa. Um gole longo de água. Subi as escadas até o andar superior enquanto tirava a roupa e largava em cima da cama.

– Como é quente esta cidade. – Falo pra mim mesma.

Sempre achei que Belém fosse mais quente que Macapá. Deve ser porque, quando criança, ouvi alguém dizer que:

– Belém é uma ilha de calor.
-Ilha de calor?
– Sim. Sabe quando o ar quente fica dentro da cidade? Deve ser por causa dos prédios…
– Ah, entendi. Deve ser mesmo.

Pesquisei o que é uma ilha de calor. Não é E-XA-TA-MEN-TE isso, mas quase. Então serve, por enquanto.

Macapá – AP – Foto: Elton Tavares

Quando me perguntam se Belém é mais quente que Macapá, sempre digo que tenho essa impressão, mas que deve ser porque eu me acostumei em morar numa cidade que tem uma orla por onde se pode andar de um lado a outro da cidade vendo o Rio Amazonas, não uma paisagem, mas um elemento que não se pode ignorar. O vento, o som, o cheiro. Tudo que vem dele habita os dias.

Em Belém, a orla tem portos prédios lojas aos montes. E num lugar ou outro você vê a sombra de um Guamá no fundo e nesse ou naquele lugar é possível sentar à beira do rio. Sinto falta do passeio de carro olhando o rio que quando seca vai longe da margem e deixa nu um chão de areia e lama, com cheiro úmido de água doce e esgoto.

Rio Amazonas – Macapá – Foto: Floriano Lima

Não se trata de ser um melhor que outro. Trata-se de que são diferentes, e me despertam diferentemente.

Também acho Belém mais úmido. E isso acho por causa dos três dias que a roupa leva pra secar, se não chover e ela secar e molhar várias vezes, até perder o cheiro de cachorro molhado, como diria… não lembro exatamente quem.

Foi minha mãe que me chamou atenção pra isso. Sinto saudades de minha mãe. Ela sempre tem um cheiro fresco de pele recém lavada. Sinto falta do som que os passos dela fazem.

Belém é uma cidade violenta. Não preciso dos dados pra dizer, mas você pode conferir.

Andando na rua tenho medo de assalto, mas em certo período do ano tenho mais medo de manga. Sim, de uma manga cair na minha cabeça. Acho que uma manga pode matar alguém, ou fazer um bom estrago.

Ver-o-Peso – Belém (PA) – Foto: Luiz Braga

A rua onde moro tem casarões antigos. É a parte velha da cidade. Se eu caminhar pra minha esquerda, até o fim, chego no rio, e no Ver-o-peso. Lá o cheiro é forte de patchuli, maniva e cocô de galinha. Mas não só isso. Cheira a peixe frito, açaí do grosso, farinha baguda. Fala-se alto, é preciso se ouvir entre as bicicletas com alto falantes que tocam os bregas clássicos e vendem pendrives com centenas de flashbacks. – Só os melhores, freguesa!

Se eu andar pra direita chego ao antigo presídio da cidade. Lá tem loja pra turista, um polo joalheiro e um museu que guarda objetos que os presos usavam pra seviciar os desafetos. Senti um profundo mal estar nesse lugar. Também tem uma capela linda. Deve ser de São José. Curiosamente, padroeiro de Macapá.

Curioso mesmo é que esse texto nasceu não para comparar Belém com Macapá, o que acho tedioso quando me pedem pra fazer. Mas porque acordei de um cochilo inapropriado nessa manhã. Molhada de suor e pensei que Belém era muito quente, e muito úmida, como uma vagina excitada. Ou como várias vaginas excitadas. De tamanhos e formas diferentes. Pingando. Crescendo. Pulsando em gozo frenético e violento. Minha Belém é uma vagina excitada.

Leitura alternativa do calendário maia sugere que o fim do mundo é hoje, 21 de junho – Égua-moleque-tu-é-doido!

Calendário maia antigo – Imagem New York Post

Se você pensou que COVID-19, distúrbios civis, gafanhotos, erupções vulcânicas e furacões sinalizaram o Armageddon – você pode estar certo!

A leitura do calendário maia estava errada, de acordo com uma teoria da conspiração no Twitter, e, embora o mundo não tenha terminado em 21 de dezembro de 2012, como foi originalmente profetizado pelos leitores do calendário, o dia do juízo maia é em algum momento. Postagens em redes sociais sugerem que houve um erro de cálculo e que na verdade o mundo acabaria em 21 de junho de 2020. Dia também conhecido como HOJE.

Após o calendário juliano, estamos tecnicamente em 2012… O número de dias perdidos em um ano devido à mudança para o calendário gregoriano é de 11 dias. Durante 268 anos, usando o calendário gregoriano (1752-2020) vezes 11 dias = 2.948 dias. 2.948 dias / 365 dias (por ano) = 8 anos ”, twittou o cientista Paolo Tagaloguin na semana passada, de acordo com o Sol. A série de tweets já foi excluída.

Se Tagaloguin estiver correto, somando todos os dias perdidos, a data do juízo final maia é … esta semana.

Em 2012, os teóricos do dia do juízo final estavam convencidos de que o mundo estava terminando em 21 de dezembro, e hordas de fiéis se reuniram em locais maias no México e na Guatemala – apenas para ficar desapontados e sujos devido à falta de saneamento nas pirâmides maias antigas.


Meu comentário: Bom, como eu disse, na virada de 1999 para o ano 2000, nos tempos do famoso “Bug do Milênio”; em 2012, por conta do tal calendário Maia (a existência se extinguiria em 12/12/2012 como dito no texto acima) e a teoria da facção religiosa chamada de “Deus Pentecostais em Camuy” (que afirmou que o fim chegaria entre os dias 22 e 28 de setembro de 2015, por meio de um asteroide); em 29 de julho de 2016 ( quando os polos da Terra se inverteriam, causando uma mudança de temperatura tão drástica que o planeta vai se tornar inóspito para a raça humana, provocando sua extinção) e em 2017, quando um asteroide arrepiaria tudo aqui,  repito: se o mundo acabar, minha vida valeu a pena. E como valeu!

Nessa vida, que segundo a previsão da tal releitura do calendário maia, está na reta dos boxes, curti, amei e honrei minha família e amigos; namorei muito; viajei bastante; bebi e comi demais; amanheci na farra incontáveis vezes; dei porrada em safados de todo tipo (verbal, textual e fisicamente); assisti a shows de rock; escrevi e disse o que quis para quem gosto e para os que detesto; pulei carnaval; vi o Flamengo ganhar vários títulos e a seleção brasileira ser campeã do mundo duas vezes; trabalhei e fui reconhecido; fui amado e também odiado quase na mesma proporção.

Portanto, querido leitorado deste site, se mesmo rolar apocalipse, diga “eu te amo” para familiares, amigos de verdade e seus amores. E que todos nós levemos o farelo. Pois, se ficarem uns gatos pingados pra contar vantagem, aí é sacanagem!

Apesar de eu ter certeza que é só mais um papo furado, caso este editor estiver errado, tenham um ótimo fim. Senão, este site seguirá com sua programação normal. É isso.

Elton Tavares

Fontes:    OVNI Hoje   , History &    New York Post 

Noite sem trasladação – Por @juliomiragaia

Por Júlio Araújo (quem também é o Júlio Miragaia)

“Andando eles, ouvi o tatalar das suas asas, como o rugido de muitas águas, como a voz do Onipotente; ouvi o estrondo tumultuoso, como o tropel de um exército. Parando eles, baixavam as asas.” (Ezequiel. 1:24)

I

Sempre achei irônico o fato de o Cine Ópera ficar praticamente ao lado da Basílica de Nazaré. O único cinema pornô de Belém, por muito tempo, tão perto do principal símbolo religioso da cidade. Antes, ao lado do Ópera, funcionava o Cine Nazaré, sala de cinema comprada anos atrás pela Igreja Universal do Reino de Deus e tempos depois pela Lojas Americanas. Hoje, resta nessa quadra do bairro de Nazaré uma carga simbólica: entre a fé, a promiscuidade, a miséria dos mendigos e a padaria da esquina.

Há também uma série de hippies pela calçada, um ponto de táxi na esquina com a Generalíssimo Deodoro e uma loja ao lado do Ópera chamada “Mandarin”, a qual nunca prestei atenção no que se vende lá. A paisagem não se completa, claro, sem as vendas de tacacá, maniçoba e demais comidas típicas. Um pequeno elemento de regionalidade que se funde à urbanidade e também à multidão na parada de ônibus em frente ao Centro Arquitetônica de Nazaré. Uma massa de pessoas de todos os tipos e alheios uns aos outros. Compartilhando do sol quente, do vento tímido e da espera pelos ônibus lotados que passam nos fins de tarde.

II

Era um fim de tarde de sábado, pós uma chuva não tão forte, em outubro. O céu se abria à direita, no sentido de quem estava indo na contramão da Nazaré. Pensei, quando vi a primeira vez, se tratar de um protesto a multidão na rua e a gritaria. Rapidamente percebi que não era isso. Um objeto luminoso, prateado, que emitia o som de motor velho, pousou no meio da rua, o que levou todos a correr desesperadamente em direção inversa ao caminho que eu fazia. Alguns poucos curiosos permaneciam. Viaturas da polícia chegavam e cercavam rapidamente o local enquanto era possível ver os mendigos, os hippies, as vendedoras de tacacá e todas as outras pessoas saindo em desespero. De dentro da Lojas Americanas, da padaria, do Cine Ópera, do Mandarin, da Igreja, de todos os lugares.

O objeto emanou um feixe de luz que atingiu e paralisou um grupo de pessoas e as levou ao chão. Foram cerca de 3 horas em que tudo durou. Caminhões do exército chegaram ao local para também cercar a área e impedir que os curiosos, que filmavam e transmitiam nas reses sociais, se aproximassem. Eu fiquei ali, parado, em frente ao Mc Donalds, na 14. Pude ver as vítimas dos ataques no chão, com machucados nos braços e no pescoço. Eram umas 20 pessoas entre homens, mulheres, crianças e idosos.

IV

Com a mesma rapidez que pousou, surgindo entre as nuvens que restavam da chuva, o objeto começou a girar e a se revestir gradativamente de uma luz branca intensa. Subiu aos céus e desapareceu em alta velocidade. Equipes médicas em ambulâncias chegavam para socorrer as dezenas de feridos pelo misterioso objeto. A cidade estava em histeria coletiva, com o fato viralizado na internet.

V

Era noite de sábado, pré-Círio de Nazaré. A multidão que vai todos os anos à trasladação, há mais de um século, não saiu.

Algumas pessoas que estavam na orla da cidade, Portal da Amazônia, Estação das Docas e até na orla da Icoaraci informaram que viram pelos céus um conjunto de luzes coloridas que se movia para todos os lados, em grande velocidade, e que desaparecia para depois voltar a surgir.

Relatos também foram gravados em bairros como Sacramenta, Pedreira e Pratinha de pequenos globos brancos de luz percorrendo calmamente as regiões, invadindo casas e disparando feixes de luz contra pessoas.

Todos os jornais no Brasil e no mundo falavam com destaque sobre o assunto, mais comentado no Twitter e Facebook. Suicídios foram registrados e transmitidos. Pessoas se jogavam na frente de carros, ônibus, atiravam-se de prédios. Muitos saíam de Belém de carro ou lotando o aeroporto e a rodoviária.

Não eram poucos os que diziam se tratar de Nossa Senhora de Nazaré. Outros que eram seres do espaço. Nunca se soube ao certo o que ocorreu naquele dia.

VI

O Círio ocorreu no domingo, apesar do número visivelmente menor de participantes e do clima de medo.

Dias depois, o estado de calamidade decretado pela prefeitura foi suspenso e, aos poucos, a cidade foi voltando ao normal.

VII

Os fatos ocorridos naquele dia foram sendo esquecidos e todos foram voltando a sair às ruas, e a frequentar regiões como a da Basílica de Nazaré, onde tudo começou.

Um sentimento de espera fez alicerce nos dias, semanas, meses e anos inteiros dos que viveram o evento.

No dia a dia, o assunto era ignorado, como se nada tivesse acontecido, apesar da sobrevivência silenciosa de algum tipo de medo. E de uma melancólica incompreensão sobre o que passou e, inexplicavelmente, permaneceu.

O discurso discriminador do Marabaixo – Fernando Canto – @fernando__canto

Foto: Márcia do Carmo

Por Fernando Canto

Não é de hoje que o Marabaixo é discriminado. Aliás, as manifestações culturais de origem africana sempre foram vistas como ilegais ao longo da história do Brasil. Do samba à religião, seus promotores foram vítimas de denúncias que os boletins de ocorrências policiais e os processos judiciais relatam como vadiagem, prática de falsa medicina, curandeirismo e charlatanismo, entre outras acusações, muitas vezes com prisões e invasões de terreiros.

Foto: Chico Terra

Essa discriminação ocorreu – e ainda ocorre – em contextos históricos e sociais diferenciados, e veio produzida por instituições que tinham o objetivo de combater o que lhes fosse ameaçador ou que achassem associadas às práticas diabólicas, ao crime e à contravenção.

Foto: Gabriel Penha

No caso do Marabaixo, há anos venho relatando episódios de confronto entre a igreja católica (e seus prepostos eclesiásticos e seculares), e os agentes populares do sagrado, estes que, por serem afrodescendentes, mestiços e principalmente por serem pobres, foram e são discriminados, visto o ranço estereotipado de que são “gente ignorante” e supersticiosa.

Foto: Cláudio Rogério

É do século XIX a influência do evolucionismo que tomava como modelo de religião “superior” o monoteísmo cristão e via as religiões de transe como formas “primitivas“ ou “atrasadas” de culto. Para Vagner Gonçalves da Silva (Revista Grandes Religiões nº 6), nesse tempo “religião” opunha-se a “magia” da mesma forma que as igrejas (instituições organizadas de religião) opunham-se às “seitas” (dissidências não institucionalizadas ou organizadas de culto).

Foto: Márcia do Carmo

É do século XIX também os primeiros escritos sobre o marabaixo. Em um deles um anônimo articulista o ataca, dizendo-se aliviado porque “afinal desaparece o o infernal folguedo, a dança diabola do Mar-Abaixo”.

Foto: Gabriel Penha

Ele afirma que “será uma felicidade, uma ventura, uma medida salutar aos órgãos acústicos se tal troamento não soar mais…”. Na sua narrativa preconceituosa vai mais além ao dizer que “Graças ao Divino Espírito-Santo, symbolo de nossa santa religião, que só exige a prática de bôas acções, não ouviremos os silvos das víboras que dansam ao som medonho dos gritos dos maracajás (…), que é suficiente a provocar doudice a qualquer indivíduo”. Assevera adiante “Que o Mar-Abaixo é indecente, é o foco das misérias, o centro da libertinagem, a causa segura da prostituição”. E finaliza conclamando “Que os paes de famílias, não devem consentir as suas filhas e esposas frequentarem tão inconveniente e assustador espetáculo dessa dansa, oriunda dos Cafres”. (Jornal Pinsonia, 25 de junho de 1898).

Foto: Mariléia Maciel

Discursos de difamação do Marabaixo como este e a posição em favor de sua extinção ocorreram seguidamente. O próprio padre Júlio Maria de Lombaerd quebrou a coroa de prata do Espírito Santo que estava na igreja de São José e mandou entregar os pedaços aos festeiros. O povo se revoltou e só não invadiu a casa padre para matá-lo graças à intervenção do intendente Teodoro Mendes.

Foto: Márcia do Carmo

Com a chegada do PIME – Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras – em Macapá (1948) o Marabaixo sofreu um período de queda, mas suportado com tenacidade por Julião Ramos, que não o deixou morrer. Tiraram-lhe inclusive a fita da irmandade do Sagrado Coração de Jesus, da qual era sócio fiel.

Foto: Márcia do Carmo

Nesse período os padres diziam que o Marabaixo era macumba, que era coisa ruim, e combatiam seus hábitos e crenças, tidos como hediondos e pecaminosos, do mesmo jeito que seus antecessores o fizeram no tempo da catequização dos índios. Mas o bispo dessa época, D. Aristides Piróvano, considerava Mestre Julião “um amigo” (Ver Canto, Fernando in “A Água Benta e o Diabo”. Fundecap, 1998).

Foto: Márcia do Carmo

O preconceito dos padres italianos com o Marabaixo tem apoio num lastimável “achismo”. Os participantes são católicos e creem nos santos do catolicismo, tanto que a festa é dedicada ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade e não a entidades e voduns como pensam. Nem ao menos há sincretismo nele.

Colheita da Murta Foto: Fernando Canto: Arquivo pessoal

E se assim fosse? Qual o problema? Antes de emitirem um julgamento subjetivo sobre um fato cultural é preciso conhecê-lo. É preciso ter ética. Ora, sabe-se que todos os sistemas religiosos baseiam-se em categorias do pensamento mágico. Uma missa ”comporta uma série de atos simbólicos ou operações mágicas” (Vagner Silva op. cit.). Observem-se as bênçãos, a transubstanciação da hóstia em corpo de Cristo, por exemplo. Um ritual de umbanda comporta a mesma coisa. O Marabaixo tem rituais próprios, ainda que um tanto diferentes. Por isso e apesar do preconceito ainda sobrevive. Valei-nos, Santo Negro Benedito!

Foto: Márcia do Carmo

(*) Do livro “Adoradores do Sol – Novo Textuário do Meio do Mundo”. Scortecci, São Paulo, 2010

Cultura amapaense: hoje é o Dia Estadual do Marabaixo

Foto: Max Renê

Hoje, 16 de junho, é o Dia Estadual do Marabaixo. A data foi escolhida para homenagear a Santíssima Trindade, por conta do Projeto de Lei nº 0049/10, do deputado Dalto Martins, já falecido, que constituiu a celebração.

A Lei foi aprovada pela Assembléia Legislativa do Estado do Amapá e declarou o dia 16 de junho, Dia Estadual do Marabaixo Amapaense, como data comemorativa no âmbito do Estado do Amapá.

Foto: Márcia Do Carmo

O Dia Estadual do Marabaixo foi sancionado em 2010, por conta de protestos realizados em 16 de junho de 2009, quando os festeiros de Macapá, Mazagão, Campina Grande, Ilha Redonda e outras várias comunidades, protestaram contra a falta de apoio do poder público ao Ciclo do Marabaixo.

Foto: Chico Terra

Naquele ano, a manifestação saiu pelas ruas de Macapá em um grande ato contra a desvalorização do marabaixo. O protesto passou pelo Palácio do Setentrião, Tribunal de Justiça, Câmara de Vereadores, Prefeitura de Macapá e Assembleia Legislativa. Cada instituição recebeu uma carta com reivindicações para o marabaixo.

Foto: Chico Terra

O Marabaixo é um tradição secular que passa de geração em geração através dos anos. É dançado na capital, Macapá, anualmente, nos meses de maio, junho e julho, nos bairros do Laguinho, na Favela e na comunidade do Curiaú.

O Marabaixo através da história

Para explicar sus história, seus rituais e sua importância enquanto elemento cultural característico do estado, sobretudo, do município de Macapá, o escritor Fernando Canto lançou o livro “O Marabaixo através da história”.

Na obra, Fernando conta sobre os vários rituais que compõem essa manifestação e dos personagens que dão vida à tradição – tocadores de caixas (tambores), cantadores e dançadeiras – que, em sua maioria, são descendentes de negros que habitavam as localidades de Mazagão Velho, Maruanum, Curiaú e os bairros Laguinho e Santa Rita, antiga Favela.

Foto: Elton Tavares

Para saber mais sobre o Marabaixo, assistam o documentário Um documentário completo sobre o Ciclo do Marabaixo, produzido por Thomé Azevedo, Ana Vidigal Vidigal Zezão Reis, Bruno Jerônimo e outros amigos do audiovisual:

Ainda bem que o Poder Público apóia a tradição. Ainda bem que os poetas versam o Marabaixo e os fotógrafos o retratam. Ainda melhor ainda que o amigo Fernando Canto escreve crônicas sobre ele com o amor laguinense que lhe transborda. Ainda bem que a população vai até a Favela, aos campos do Laguinho, Campina Grande e ao Curiaú prestigiar a festa. Viva (vivencie mesmo) o Marabaixo do Amapá!

Elton Tavares, com informações de Fernando Canto, Edgar Rodrigues e Cláudio Rogério.

*Saquem também o filme “Histórias de Marabaixo”, que mostra essa manifestação folclórica amazônica típica do Amapá. Dirigido por Bel Bechara e Sandro Serpa: