As minhas dezenas de fitas K7 e a nostalgia – Crônica de Elton Tavares

Crônica de Elton Tavares

Certa vez, há alguns anos, ao procurar meus livros dentro do armário do quarto, dei de cara com minhas duas caixas de sapatos repletas de fitas cassete. Constituída por dois carretéis de fitas magnéticas, a fita cassete é popularmente abreviada como K7. Esse tipo de “tecnologia” foi desenvolvida pela empresa Phillips, em 1963, para substituir a fita de rolo e o formato 8-track, que eram semelhantes, mas muito menos práticos e mais espaçosos.

A tecnologia desse artefato traz uma fita de áudio de 3,15 milímetros de largura, que rodava a uma velocidade de 4,76 centímetros por segundo. Antigamente a gente ouvia tudo na fita K7, no vinil e, muito depois, CD. Hoje, apesar de alguns ainda usarem o “Compact Disc”, quase tudo é no MP3 e MP4.

Minhas caixas, com quase 40 fitas, têm de tudo: Sony, Maxell, Bulk, Basf, Phillips e TDK, de 40, 60 e 90 minutos. A maioria não possui mais capa, mas as que ainda têm estão com os nomes das músicas ordenadamente anotadas no papel interior da fita.

Naquela época, nós caçávamos sons novos como as bruxas eram perseguidas durante a Inquisição, ou seja, incansavelmente. Época de micro system Sanyo (Alguém aí se lembra do que é “rewind”?), walkman Sony e festas de garagem.

Dentro das caixas os velhos companheiros: Depeche Mode, The Smiths, New Order,The Cure, Iron, U2, A-ha, David Bowie, Queen, Pearl Jam e Nirvana (muito Nirvana) Titãs, Ira!,Paralamas, Legião Urbana (muito Legião), Barão Vermelho, Engenheiros… todos esses e outros heróis da juventude. Além de umas do velho Chico Buarque.

Fizeram sucesso no final de 80, todos os 90 e início dos anos dois mil. Não tenho vergonha de ser tão antiquado. Meu brother André fala sempre, em tom pejorativo, que todo mundo já gravava CDs em 1999 e eu fitas. Bons tempos!

Aliás, gravar fitas era porreta. Quando curtia muito um som, todo um continha somente uma música (podia ser 30 ou 45 minutos de cada lado, com a mesma canção). Às vezes, ficava com o dedo no tape deck, esperando o locutor da FM calar a boca e soltar o som para que eu o tomasse. Oh, saudades!

Enrolar e desenrolar fitas com lápis ou caneta, sem falar em limpar cabeçotes do tape deck, isso sim é nostalgia.

A fita cassete não voltou como o vinil, que hoje é objeto cult. No máximo, estão em forma de adesivos de smarthfones (que acho legal pra cacete).

É, minhas velhas e empoeiradas caixas de sapato não estão somente repletas de fitas cassete, mas de ótimas lembranças. Eu as olhei por dezenas de minutos e as guardei novamente no armário, na memória e no coração…

Elton Tavares

Leitura alternativa do calendário maia sugere que o fim do mundo é hoje, 21 de junho – Égua-moleque-tu-é-doido!

Calendário maia antigo – Imagem New York Post

Se você pensou que COVID-19, distúrbios civis, gafanhotos, erupções vulcânicas e furacões sinalizaram o Armageddon – você pode estar certo!

A leitura do calendário maia estava errada, de acordo com uma teoria da conspiração no Twitter, e, embora o mundo não tenha terminado em 21 de dezembro de 2012, como foi originalmente profetizado pelos leitores do calendário, o dia do juízo maia é em algum momento. Postagens em redes sociais sugerem que houve um erro de cálculo e que na verdade o mundo acabaria em 21 de junho de 2020. Dia também conhecido como HOJE.

Após o calendário juliano, estamos tecnicamente em 2012… O número de dias perdidos em um ano devido à mudança para o calendário gregoriano é de 11 dias. Durante 268 anos, usando o calendário gregoriano (1752-2020) vezes 11 dias = 2.948 dias. 2.948 dias / 365 dias (por ano) = 8 anos ”, twittou o cientista Paolo Tagaloguin na semana passada, de acordo com o Sol. A série de tweets já foi excluída.

Se Tagaloguin estiver correto, somando todos os dias perdidos, a data do juízo final maia é … esta semana.

Em 2012, os teóricos do dia do juízo final estavam convencidos de que o mundo estava terminando em 21 de dezembro, e hordas de fiéis se reuniram em locais maias no México e na Guatemala – apenas para ficar desapontados e sujos devido à falta de saneamento nas pirâmides maias antigas.


Meu comentário: Bom, como eu disse, na virada de 1999 para o ano 2000, nos tempos do famoso “Bug do Milênio”; em 2012, por conta do tal calendário Maia (a existência se extinguiria em 12/12/2012 como dito no texto acima) e a teoria da facção religiosa chamada de “Deus Pentecostais em Camuy” (que afirmou que o fim chegaria entre os dias 22 e 28 de setembro de 2015, por meio de um asteroide); em 29 de julho de 2016 ( quando os polos da Terra se inverteriam, causando uma mudança de temperatura tão drástica que o planeta vai se tornar inóspito para a raça humana, provocando sua extinção) e em 2017, quando um asteroide arrepiaria tudo aqui,  repito: se o mundo acabar, minha vida valeu a pena. E como valeu!

Nessa vida, que segundo a previsão da tal releitura do calendário maia, está na reta dos boxes, curti, amei e honrei minha família e amigos; namorei muito; viajei bastante; bebi e comi demais; amanheci na farra incontáveis vezes; dei porrada em safados de todo tipo (verbal, textual e fisicamente); assisti a shows de rock; escrevi e disse o que quis para quem gosto e para os que detesto; pulei carnaval; vi o Flamengo ganhar vários títulos e a seleção brasileira ser campeã do mundo duas vezes; trabalhei e fui reconhecido; fui amado e também odiado quase na mesma proporção.

Portanto, querido leitorado deste site, se mesmo rolar apocalipse, diga “eu te amo” para familiares, amigos de verdade e seus amores. E que todos nós levemos o farelo. Pois, se ficarem uns gatos pingados pra contar vantagem, aí é sacanagem!

Apesar de eu ter certeza que é só mais um papo furado, caso este editor estiver errado, tenham um ótimo fim. Senão, este site seguirá com sua programação normal. É isso.

Elton Tavares

Fontes:    OVNI Hoje   , History &    New York Post 

Frases, contos e histórias do Cleomar (III Edição Especial Coronavírus)

Tenho dito aqui – desde fevereiro de 2018 – que meu amigo Cleomar Almeida é cômico no Facebook (e na vida). Ele, que é um competente engenheiro, é também a pavulagem, gentebonisse, presepada e boçalidade em pessoa, como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade, além de inventor do “PRI” (Plano de Recuperação da Imagem), quando você tá queimado. Quem conhece, sabe.

Assim como a primeira, de março passado e segunda de maio, segue a III Edição Especial Coronavírus, cheia de disparos virtuais do nosso pávulo e hilário amigo sobre situações vividas em tempos de Covid-19 no mês de abril. Boa leitura (e risos):

Barulho no Céu de Macapá

Alguém sabe me informar se tem algum barulho marcado pra essa noite?

Boçalidade

Quero entender como esse pessoal se reconhece por aí usando máscaras, eu não reconheço ninguém, aviso logo pra não parecer boçal.

Casal

Aqui em casa quem manda sou eu (as más línguas dirão que é a Nara), portanto ela decreta, digo, eu decreto, que o isolamento continua, visitas continuam suspensas até segunda ordem, minha é claro. Gostamos de vocês, mas nesse momento, vocês aí e nos aqui, protejam-se!

Dia dos Namorados

Queria ver se tivesse dia dos namorados toda semana, até onde vocês iriam com essa melação.

Lições da Vida

Hoje minha filha, com seu próprio dinheiro, comprou uma cama nova, fibra de bambu, molas ensacadas, comprou também um cobertor novo, tudo coisa de primeira. Logo depois, ela triste veio me falar que seu celular havia pifado. Dizer o quê? Bem vinda ao mundo cruel dos adultos minha filha, onde a gente compra uma camisa, e o ladrão leva duas da corda. 😁

BLEQUEFRAIDA – Conto de Fernando Canto

Conto de Fernando Canto

No Carnaval deste ano, a Blequefraida, filha do vizinho, pulou a cerca e foi conferir no quartinho de trás de casa se eu era mesmo bom de cama como diziam por aí. Ela ia desfilar no Piratão, uma escola de samba lá do Trem. Estava toda arrumada e linda, era uma das passistas. Iria de tapa-sexo.

Fiquei um tanto abalado com essa história, juro. Eu nunca fui de me gabar e nem tinha as medidas sexuais que rolava na lenda urbana sobre minha distinta pessoa. Hehehe! Mesmo assim eu mandava bala sem grandes esforços. A Bleque que o diga.

Mais tarde eu fui até o sambódromo porque iria sair em outra escola, uma de acesso, lá do meu bairro, o Jacareacanga, convidado pelo presidente Costa Barriga.

Antes de iniciar o desfile fui bisbilhotar as outras escolas para ver a organização das alas. Na frente do portão encontrei com ela, justamente conversando com Laive, uma destaque dessa escola. Essa mulher escultural saía em todas as agremiações carnavalescas.

Eu já tinha passado a rola nela, tinha namorado com ela, ia até em restaurante jantar. Tu é doido, é? Ela me meteu um chifre sem tamanho. Até hoje ando meio corcunda por causa isso. A Laive era muito viva, mano. Se casou com um ex-padre de família tradicional de Macapá, pensando que ia se dar bem, mas se deu mal depois, Pensava que o ex-religioso ia ter uma puta pensão da Santa Madre Igreja. Era uma ninfomaníaca. Malandra que só.

As duas conversavam sambando. Eu me aproximei e elas sorriam com aquelas bocas glamourosas cheias de lindos dentes brancos. Pediram-me uísque. Queriam um “esquenta”. Sabiam que eu trazia um cantil de aço inox tei-tei de Buchanan’s no bolso. Dei a elas e quase que eu fico sem um gole.

Laive pegou o beco e Bleque ficou ali se lembrando da foda da tarde, querendo mais.

Fui embora para o fim da concentração descendo a ladeira da avenida. Falei com muita gente conhecida. As mulheres me puxavam e eu tive que me desvencilhar delas porque senti a barra pesada no olhar dos homens ali perto.

Meu brother Estandibai me avisou que era praeu chamar o pessoal da Harmonia. A escola não demoraria a entrar. Ajudei a organizar as alas. Senti a mão da baixinha Delívere na minha costa. Me avisava que Naice, Vaibe e Loquinalda ainda não haviam chegado.

– Puta merda, Estândi! Reclamei. – E agora, cara? Como é que a gente vai fazer se elas não aparecerem?

– Sei não, chefe. Ele me encarou, com aquela cara de porre permanente.

– Fala com o Émersom Cupu pra ele ligar pressas porras agora, senão o carro vai sem destaques e aí já era.

Ele saiu cunscascos atrás do Cupu. Voltou dizendo que o Cupu falou que as destaques não eram de responsabilidade dele.

Nem pensar em falar com o presidente que a essa altura estava no carro abre-alas mandando beijinhos pra nossa minguada “torcida organizada”, diz-que.

Um pouco antes dos portões se abrirem para a entrada da nossa escola avistei a gostosona da Laive conversando de novo com a não menos gostosona da Bleque. Elas já haviam desfilado na primeira escola. Chamei as duas e disse que elas iriam ser nossos destaques no último carro. Elas toparam, queriam aparecer, mesmo… Eu e Delívere passamos uns brilhos com nossas cores nos corpos delas e em seguida os guindastes as puseram no alto do carro.

Quando, enfim passamos pelo portão e os seguranças não deixaram ninguém entrar, ainda deu pra ouvir os impropérios das destaques e seus braços varando pelas grades num último esforço de querer entrar.

Ao final do desfile encontrei o presidente com câimbra na boca de tanto sorrir e mandar beijinhos para a torcida e para os jurados, Estandibai bêbado que só a porra estirado em cima do carro abre-alas e as três destaques esperando a desocupação do último carro. Continuavam gritando vitupérios para mim e para as duas destaques arranjadas de última hora.

O presidente Costa veio me falar que até perdoava a minha “louvável atitude” de substituir as destaques. As oficiais não desfilaram porque o táxi em que vinham não conseguiu o acesso nas ruas para chegarem a tempo. E porque demoraram para se montar.

– Montar? Como assim? Indaguei, me fazendo de besta.

– Sim, montar. Disse o presidente Costa Barriga. – Elas são gays, são transformistas. Elas se montam. E o nosso enredo, Ó pateta, é sobre as diferenças sexuais. Sobre o sentimento dessas pessoas. Se não desse prelas virem no carro, ele devia vir vazio. Disse, aborrecido, olhando para mim e em volta, no que foi muito aplaudido pelos participantes do desfile.

– Presidente, quero que tu te fodas. Não vou ficar aqui neste palanque de viado. Nem vou mais te apoiar para vereador. Disse a ele bem enfático, com todo o meu orgulho e machismo.

Saí da dispersão com Laive e Blequifraida sob vaias, tapas e ameaças, coberto de lama que nos jogaram. Havia chovido antes do desfile. Felizmente, no meio da turma que nos vaiava, tinha umas pessoas que conheciam minha fama e nos protegeram de levar mais porrada.

Fomos a uma padaria, a pretexto de tomar café e nos limpamos da lama. Depois consegui pegar um taxi e fui com elas beber uísque em casa, transar e dormir, nós três.

Acordei pensando em aceitar o convite da vizinha para sair no Piratão no próximo ano, desde que junto com a Laive, a gata que voltei a me apaixonar para com certeza ser corneado de novo.

 

Feliz aniversário, Fernando Canto! – @fernando__canto

Toda vez é isso, como já escrevi noutra crônica de felicitações, quando é hora de escrever sobre o meu herói, quando o assunto é a arte da escrita. Não gosto de tempero artificial em textos de parabéns, tem que ter verdade. E é por isso que este texto é sobre admiração, muito respeito e amor.

Hoje, neste vigésimo nono dia de maio, Fernando Canto gira a roda da vida pela 66ª vez (bela marca). Ele é um dos mestres jedis da literatura e poesia da Amazônia. E, para mim, o maior escritor vivo do Amapá.

Fernando Pimentel Canto é compositor, cantor, músico, jornalista, sociólogo, professor Doutor, poeta, contador de histórias, causos e estórias, contista e cronista brilhante, apreciador e incentivador de arte, sociólogo, imortal da Academia Amapaense de Letras, ícone da cultura amapaense, escritor “imparável”, boemista, marido da Sônia, amante do carnaval, biriteiro considerado, embaixador do Laguinho, mocambo, membro fundador do Grupo Pilão, flamenguista e ex-atacante do Flamenguinho (time do Laguinho dos anos 60, onde segundo ele, o “Bira Burro” foi seu reserva), militante cultural e servidor da Universidade Federal do Amapá.

Com 17 livros publicados (de crônicas, poesia e contos) ; composições suas e outras com grandes nomes da música amapaense; ensaios teatrais, entre outras incontáveis contribuições para a cultura e resgate histórico do Amapá, além de cargos importantes ao longo de sua carreira, Canto é um ardoroso partidário da causa cultural tucuju. O “Cidadão Amapaense” mais amapaense que a maioria dos que aqui nasceram. Quem não o conhece ainda, ou não é do Amapá ou ‘bom sujeito não é’ – com a devida licença poética.

O cara é divulgador, incentivador e memória das artes tucujus. Ele é um acervo vivo de nossa identidade cultural. Uma espécie de Forrest Gump e Big Fish (grandes contadores de histórias do cinema) do Laguinho e de Macapá. Poucos atingem essa idade com a marca da genialidade, principalmente acompanhada de simplicidade e paideguice. Assim é o F.C.

Além de tudo isso, é um homem de bem e um cara muito porreta!. Sou fã dessa figuraça e muito me orgulha ser seu amigo.

Tenho cá minhas ambições como escritor. Comecei há pouco tempo e tenho um livro (prefaciado pelo Fernando), só esperando a pandemia passar, para ser lançado. Mas se fizer 10% do que esse cara fez, já ficarei feliz demais.

Apesar de ser um cara Phoda, Fernando Canto é humilde, tranquilo, gente fina. Desprovido da arrogância e boçalidade de muitos, que não possuem nem metade do talento e da bagagem cultural dele.

Existem uns poucos que falam bobagens do amigo. Ser uma pessoa de tanto talento e repertório, como Fernando, é realmente – às vezes- incomodar. Desconfio de gente assim e todos que conhecem o Fernando também, pois o grande artista das letras e palavras é um baita caboclo gente fina! Tenho muito orgulho de ser amigo dele.

Fernando Canto faz parte da lista de grandes amigos que fiz na vida. Eu o admiro e respeito. Apesar destes tempos tristes de pandemia, hoje é dia de ficarmos felizes pela vida do “papai smurf”, como o chamamos no grupo “Fuleiragem com Cerveja”.

Macapá possui pessoas especiais, seres que, em alguns casos, mesmo não nascidos aqui, para cá vieram e, como diz FC, ‘pegaram de galho’. Graças à passagem tridimensional que existe nessa cidade no meio do mundo, também conhecida como Linha do Equador.

Mestre Canto, que Deus, Morgan Freeman (ou seja lá o nome do “síndico”) te dê sempre saúde, tardes felizes no Abreu, Loro, Maria ou qualquer outro bar, onde tu és sempre bem-quisto e bem-vindo! Que curtas seus lindos netos e recebas sempre o amor da Sônia. Que sejas sempre feliz, como os periquitos que comem mangas na avenida, com a benção de São José e do Chefe dele. Que recebas mais visitas da Júlia. Que tu sejas esse pai, avô e amigo porreta, além desse artista e escritor incrível, por no mínimo mais 66 maios, “abenetando” ou não.

A gente, tua família e amigos, te ama. Meus parabéns pelo teu dia, mano velho. Feliz aniversário, querido Fernando!

Elton Tavares

Peixe-Tabaco – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Ele colocou a cabeça pra fora d’água e pediu um trago do meu cigarro. Achei bem estranho um peixe pedindo um trago de cigarro. Olhei para os lados para me certificar que estava sozinho na sala e que aquele peixe estava falando comigo mesmo. Encostei o cigarro em sua boquinha de peixe de aquário, esses peixinhos ornamentais que você juraria que fumar jamais passaria pela cabeça de um ser que irradia tanta pureza.

Ele tragou suave e longamente, curtindo aquele momento com muita intensidade. Quando a última baforada saiu e a fumaça já se dissipava, ele mergulhou rapidamente, pressentindo a chegada de alguém, e continuou com seus graciosos movimentos. Esse alguém que entrou na sala foi a minha amiga, a dona da casa em que eu estava. Dona da casa, do aquário, do peixe. Ela me sentiu um tanto desconfiado, como alguém que foi interrompido fazendo algo errado, e me perguntou:

– Você não deu nada pra esse peixe, deu?

Respondi que não, enquanto ela me mostrava uma placa, que eu não tinha visto ainda, acima do aquário. A placa dizia “não alimente os vícios do peixe”.

– É que ele sempre pede alguma coisa para as visitas.

Ah, bem.

Olhei para o peixe, que tranquilo estava e mais tranquilo ficou, me lançando uma piscadela de cumplicidade.

Uma tarde com a Big-Big – Conto (marginal) de Fernando Canto republicada.

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Conto marginal de Fernando Canto

Porra, eu andava puto porque tinha sido demitido da TV que trabalhava porque em uma transmissão ao vivo a Big Big apareceu e pegou no meu pau e eu gritei de dor. Não teve jeito nem chora minha nega. Fui pra rua mesmo por justa causa, falta de ética, descompostura, atentado ao pudor… essas coisas. O féla da pôta do patrão não estava nem aí pros meus argumentos. Não convenci o fresco do judeu insensível. Ele sabia que eu era solteiro e não adiantaria mentir.

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Conheci a dita cuja da Big Big quando eu cobria o Pronto Socorro para um jornal impresso. Ela tinha sido atropelada pela sétima vez. E já estava aleijada. A droga que ela se apaixonou por mim desde que me viu fazendo a reportagem pra televisão, pois me achou bonito e queria que eu a fizesse famosa. Onde eu chegava ela achava um jeito de passar a mão em mim. Até dedada eu levei dela. Ridículo. Logo eu, porra, um jornalista considerado…

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Fudido do jeito que eu estava, com o troco do salário que me deram, pois não tive direito a nada, fui lá na beira-rio tomar uma cerveja. Pensei em almoçar no bar do Nego, mas resolvi só beber e resolvi misturar cachaça com cerveja. Comecei a ficar porre e queria fazer sexo. Não vi nenhuma garota de programa pra afogar o ganso, o Neymar, o Messi e minhas mágoas. Bebi, mas bebi pra caralho. Quando já estava chamando uma coluna do bar de meu bem vi a Big Big caminhando arrastando a perna. Pensei, na minha visão meio truvisca, que ela dançava Marabaixo. Que nada! Ela dançava um reagge e estava linda com sua pele morena.

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Paguei a conta e ainda deixei dez por cento pro garçom Raimundo, que costumava me roubar nas contas quando eu estava por cima da carne do churrasco.

Chamei a linda Big Big e lhe disse sem pudor: – Pega à vontade no meu pau, amor.

Ela ficou me olhaaaando! Não disse nada.71759_461427497243620_567377479_n1

De repente eu caí em mim e vi a Matilde Joaquina com o câmera da emissora que eu trabalhava me filmando, só pra fazer o mal, pois ela havia ocupado meu antigo posto de trabalho. Porra, todo mundo ia saber que eu tinha quase um caso com a Big Big. Quase um caralho. Agora teriam certeza.

Pedi mais um copo cheio de cachaça pro garçom ladrão e segui desolado02253686300-217x300 até as muralhas da Fortaleza de São José de Macapá. Na realidade eu fui me lamentar naqueles muros. Chorei muito. Minhas lágrimas quase amolecerem as pedras da edificação secular.

O dia se punha no oposto do rio Amazonas. E os caminhantes habituais do parque do forte olhavam para mim, me reconheciam e riam. “Drogado”, diziam, “eu até que admirava teu trabalho”. “Safado”… Assim me chamavam.

oloucoFui cambaleando e encontrei um amigo artista plástico literalmente caído na sargeta. Tentei levantá-lo a todo custo, mas não conseguia . Até que senti uns braços fortes me ajudarem. Era a gostosa Big Big que pôs o pintor num lado do ombro e pediu com gestos que eu fizesse o mesmo com o meu. Levamos nosso amigo de cachaça até a prainha que fica entre aquelas falésias da Fortaleza e bebemos o resto da granada de duelo que ele tinha no bolso, e mais duas que ela guardava na calcinha, a gitinha logo. Cantamos e rimos até a lua surgir mais porruda que em qualquer outro lugar, como disse o poeta.

Acordamos com a maré enchendo suavemente, marulhando na areia.

A bacana companheira por fim falou e me revelou que a jornalista que me substituiu pagou a ela pra pegar no meu pau naquela reportagem que fiz ao vivo.

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Nessa altura do campeonato nem esquentei mais. Eu perdoei a Big Big porque ela precisava de dinheiro pra beber e pra dar pros caras dela. Agora, lúcidos que nem uns filhos de uma égua, estamos arquitetando um plano pra invadir o estúdio da TV ao vivo e pegar na buceta daquela jornalista desgraçada. Eu, meu amigo pintor e a minha noiva Big Big. Ora, Ora. Marrapá! Vamos sair na mídia nacional. Ihiihihihihihihih!

*Quando recebi este conto (ao qual gostei bastante), disse para o Fernando: os politicamente corretos cairão de pau na gente por causa deste escrito”. Canto, que é sábio e irreverente, disparou: “os bêbados e loucos fazem parte na nossa paisagem cotidiana da cidade”. É isso aí!

Frases, contos e histórias do Cleomar (II Edição Especial Coronavírus)

Tenho dito aqui – desde fevereiro de 2018 – que meu amigo Cleomar Almeida é cômico no Facebook (e na vida). Ele, que é um competente engenheiro, é também a pavulagem, gentebonisse, presepada e boçalidade em pessoa, como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade, além de inventor do “PRI” (Plano de Recuperação da Imagem), quando você tá queimado. Quem conhece, sabe.

Assim como a primeira, de março passado, segue a II Edição Especial Coronavírus, cheia de disparos virtuais do nosso pávulo e hilário amigo sobre situações vividas em tempos de Covid-19 no mês de abril. Boa leitura (e risos):

Imagens: G1 Amapá

Jacaré

Não acho estranho aparecer jacaré, peixe boi, bicho preguiça por aqui, afinal, moramos no meio do mato. No mínimo eles é que acharam estranho esse silêncio todo e vieram ver que merda nós fizemos dessa vez.

Empório do índio

Tava aqui pensando, instalaram internet no Empório do Índio numa semana, na outra começou essa cagada toda. E o Trump achando que a culpa é dos chineses. Só não vê quem não quer, meus amigos.

Hospitais

Já pensou se todo aquele dinheiro investido na Copa, tivesse sido investido em Hospitais? Tudo é questão de o que se prioriza. Agora, no desespero, construímos hospitais de campanha dentro dos estádios. Não parece muito lógico, não é!?

Quarentena

Quadragésimo dia: Tô de saco cheio de mim, parei de falar comigo, tomei um porre e tô falando mal de mim, pra mim mesmo; sujeito sem palavra eu. Amanhã, não quero nem papo comigo!

La plata inútil

Adianta ter tanto dinheiro e não poder sair de casa? Não que eu tenha, mas também não tô podendo sair… Empatamos!

Esposa

Se minha mulher fosse uma super-heroína, ela seria a Mulher Q’Boa; dia desses ela quase desinfeta uma pizza aqui em casa.

Gordo

O problema de eu bater as botas agora, é que ainda vai aparecer uns FDP pra dizer: mas também, ele tava muito gordo.

O problema é o dinheiro

Minha mulher vive reclamando que eu gasto muito dinheiro na rua. Tô há uma semana trancado em casa e a grana acabou do mesmo jeito. Tá vendo!? O problema não sou eu; o problema é o dinheiro!!

O evangelho segundo eu – Conto de Ronaldo Rodrigues

Conto de Ronaldo Rodrigues

Quando Jesus reuniu os apóstolos para a Santa Ceia, a proposta já estava firme em sua mente. Para espanto geral dos apóstolos, Jesus falou muito diferente, sua voz soou num tom bem acima do que costumava ser:

– Pois bem, senhores. Esta reunião é bem mais que uma ceia. É neste momento que começa a grande revolução.

Pedro sentiu o assombro nos olhos dos outros apóstolos e falou:

– Mas, mestre… O que o senhor está dizendo? A grande revolução já começou há muito tempo, quando o senhor passou a falar do amor que deve existir entre os seres humanos.

Com os olhos resplandecentes, com um fulgor muito mais forte do que o de costume, Jesus ordenou que retirassem os pães e o vinho que seriam consumidos na ceia e desenrolou um pergaminho sobre a mesa:

– Eis o plano. Tudo foi meticulosamente arranjado. A tarefa de cada um de nós, os horários e os locais de cada ação. Tomaremos o poder e libertaremos nosso povo da servidão que o Império Romano vem nos submetendo há tanto tempo.

Tomé, que estava um pouco apartado do grupo, se aproximou do pergaminho:

– Perdão, mestre, mas o senhor sabe: só acredito vendo.

E passou a examinar o pergaminho. A cada ponto que se aprofundava na estratégia ali determinada, sua perplexidade aumentava.

Os demais apóstolos também reagiram dessa forma, exceto Judas, que tomou a palavra:

– Então, mestre, o senhor chegou à conclusão de que a nossa vitória se dará através da espada e não da palavra, aquilo que o senhor sempre defendeu? Eu não precisarei entregá-lo ao exército romano e à sanha da elite judaica, para que o senhor, se sentindo pressionado, tome a rédea da situação? Meu nome na história não será sinônimo de traição?

– Isso mesmo, Judas. Seu nome será coberto de glória. Você será lembrado como um dos maiores comandantes desta guerra.

E distribuindo as espadas entre os apóstolos, falou com a autoridade de quem tem Deus ao seu lado:

– Vamos à rebelião, senhores! E podem acreditar: ainda hoje entraremos triunfais no paraíso!

Malhando os malhadores (Crônica porreta de Ronaldo Rodrigues)

Semana Santa. Sempre que chega esta data fico pensando no sentido de justiça de certas pessoas. Elas pegam Judas e fazem o diabo com ele. Malham o cara de todo jeito. Dizem que é a única forma de fazê-lo pagar pelo crime de ter traído Jesus. Isso é o que mais me preocupa. Se tudo já estava escrito, segundo a própria Bíblia, qual é a culpa de Judas? Se há culpa, é de quem escreveu.

Prefiro acreditar que Judas foi um elemento para que a história se cumprisse da forma que se cumpriu. Judas foi um aliado de Jesus e agiu daquela forma para que tudo saísse segundo o roteiro do Todo (Todo é como chamo o Todo-Poderoso na intimidade). Ora! Parem com esse negócio de associar o nome de Judas à traição. E parem de fazer essa justiça esquisita que comporta todo tipo de torpeza que vocês veem no cara, que condenam nos outros, mas que em vocês é aceitável.

Traidores são vocês! Traidores da palavra de Deus! (vocês são quem vestir a carapuça). Na verdade, sou a favor da reabilitação de todas as figuras malditas da Bíblia, pelo mesmo motivo: não foram elas responsáveis por seus destinos. Como dizem os árabes: maktub! (estava escrito!).

Portanto, Judas, Caim, Lúcifer, Barrabás, Pilatos, Herodes etc. devem ser vistos como personagens desempenhando seus papéis. Aí algumas pessoas dizem que há o livre-arbítrio, que esses personagens poderiam ter tomado outro caminho. E como ficaria a palavra do Todo?

Na verdade, os cristãos (a maior parte deles) confundem tudo. Esse papo de dizer que Jesus morreu para nos salvar acho exagero e injusto com o cara. Cada um tem que fazer por si, pela sua salvação, e não achar que está tudo bem, bastando ir à igreja rezar que – abracadabra – estamos salvos. Muito confortável, não acham?

Agora vou me despedir porque tem uma multidão de fanáticos correndo atrás de mim querendo me linchar. E olha que eles nem leram esta linhas. É que estou com barba e cabelo grandinhos e estão me confundido, claro, com Judas. Por que não me confundem com Jesus Cristo? Ah, daria no mesmo! Só que, em vez de me linchar, eles me colocariam na cruz. Ó my God!

Ronaldo Rodrigues

Férias em casa – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Não sou de planejar muito as coisas da minha vida, mas saí um pouco desse método (ou não método) e passei a me imaginar de férias em Belém, com a família daqui indo ao encontro da família e amigos de lá. Julho foi o mês acertado e tava tudo OK. Até chegar esse vírus e acabar com a porra toda (imagine aqui um emoji desconsolado…).

Agora tanto faz. Hoje ou em julho, não vou poder viajar mesmo por um bom tempo. Precisamos aguardar até termos segurança para viagens. Mas já que as férias foram antecipadas, num período em que até ir à esquina é arriscado, vou aproveitar para fazer um tour pela minha casa. Já li em algum lugar – estou com preguiça de procurar onde – que a poeta Cecília Meireles fazia isso. Ela e as filhas se vestiam para passear… pela própria casa. Claro que a casa dela era bem maior que a minha e o passeio devia durar algumas horas. Para visitar minha casa, creio que dez minutos bastam.

Por onde começar? Poderia ser pelo terraço, mas não há. Atar uma rede na varanda para ler ou simplesmente ficar à toa? Até que rede tem, livros também, assim como a vontade de ficar largado. O que falta é a varanda. Um mergulho na piscina seria bom, não fosse o inconveniente de que não existe piscina. O lance é curtir o que tem. Dei uma volta pela sala e, com cinco passos, já estava na cozinha. Abri a porta e andei pelo quintal (um chagão de poucos metros e com piso de lajota, nada de grama ou areia). Parei para admirar a beleza arquitetônica de uma teia de aranha e prossegui. Fui até o quarto à procura de um recanto não explorado e descobri que todos os recantos já foram explorados, assim como toda a casa.

Terminei meu passeio e organizei minha rotina de férias em casa, onde estão livros e filmes a serem devorados. Com parcimônia, pois falta de tempo não é problema neste momento. Vou desenvolver textos e desenhos, rever alguns projetos engavetados e fazer algo essencial para a manutenção da saúde mental: me desviar do excesso de notícias ruins, sem me desligar do que é realmente importante saber nos noticiários. Eu já estava sem beber e fumar antes mesmo da quarentena e vou continuar assim. Também estou mantendo a barba curta e parei de roer as unhas. Eu sempre brinco comigo mesmo que sairei outra pessoa deste período.

No mais, alguns exercícios físicos leves, continuar me alimentado de forma regulada e curtir a minha casa, que é pequena, mas a imaginação e o coração são imensos. O carinho, o amor e a amizade não tiram férias. Sigamos em frente que vai ficar tudo bem!

Escritos sonâmbulos – Alguns textos avulsos de Ronaldo Rodrigues

Alguns textos avulsos de Ronaldo Rodrigues

· Pronto. Já montei o álibi. Agora é só cometer o crime perfeito.

· Ficar sem conexão por dez segundos já deixa a criançada furiosa ou triste. E a minha geração, que passou a infância toda sem internet?

· O tempo vai mudando a gente. A gente vai mudando de tempo.

· Tomara que ele não venha tomar satisfações comigo, mas acho o Super-Homem um personagem superchato.

· Quando a gente vai ao médico e paga pra ele detectar nossas doenças não é um tipo de delação premiada?

· Fico aqui pensando coisas do tipo: se Noé colocou na arca todas as espécies de animais, colocou também o cupim. Olha o risco que ele correu de a arca ter afundado…

· Não, eu não sou velho. Sou um jovem de muuuuuuito tempo.

· Sou um vaidoso ao contrário. Fico horas na frente do espelho, conferindo cabelo, sapato e roupa. E só saio de casa após me certificar de que tudo está devidamente esculhambado.

· Continente é uma ilha muito grande. Tão grande que cabem nela vários países.

· Julgamento no tribunal divino? Sei não… E se no dia do juízo final a sua ida ao inferno ou ao paraíso for decidida no cara ou coroa?

· Fome é uma palavra que devora.

· Um dia a gente vai virar a mesa nessa porra se essa porra não virar.

· Conheço muita gente que pra ser podre de rica só falta ser rica.

· Avanço da tecnologia: os filósofos de botequim foram substituídos pelos analistas de redes sociais.

· Estou com uma estranha vontade de fazer as pazes com quem nunca briguei.

· “Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho / Eles que se fodam!”. Eu bem sei que Mario Quintana não aprovaria essa paródia de seu Poeminho do Contra, mas deu uma vontade de desabafar um pouco…

Frases, contos e histórias do Cleomar (Edição Especial Coronavírus)

Tenho dito aqui, desde fevereiro de 2018, que meu amigo Cleomar Almeida é cômico no Facebook (e na vida). Ele, que é um competente engenheiro, é também a pavulagem, gentebonisse, presepada e boçalidade em pessoa, como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade, além de inventor do “PRI” (Plano de Recuperação da Imagem), quando você tá queimado. Quem conhece, sabe. Desta vez, a publicação é Edição Especial Coronavírus.

Saquem o capítulo dos disparos virtuais do nosso pávulo e hilário amigo sobre situações vividas em tempos de Covid-19. Boa leitura (e risos):

Descrédito

Aquela segunda-feira que tu tá mais sem moral do que o Aedes Aegypti, depois que apareceu o Coronavírus.

Corrida aos supermercados

Queria saber o tamanho da geladeira desse povo que corre pra o supermercado pra comprar tudo. Deixa de doidice viado!

Isolamento

Se o Coronavírus não acabar com meu casamento, não tem cão no mundo que acabe.

Quarentena

Já tô a tanto tempo dentro de casa, que os carapanãs daqui, passam por mim e fazem cara de nojo.

Pronunciamento do Bozo

Aí eu te pergunto, vais confiar nos médicos, cientistas e pesquisadores, ou no retardado? E outra coisa, atleta de cu é rola!

Quarentena II

Se me perguntar se quero ir pra rua: Claro que quero.
Se me perguntar se eu vou: Claro que não, ainda não tô doido!