Odeio usar uniforme – Crônica de Elton Tavares (ilustrada por Ronaldo Rony)

Crônica de Elton Tavares

Odeio usar uniforme, de qualquer espécie ou modelo. Se gostasse disso, seria militar ou algo assim. Mas realmente, eu passo.

Usei uniforme em alguns lugares que trabalhei, antes de ser jornalista, mas acredito que neste ofício, não precisamos desse papo. Para vocês terem ideia da minha aversão a vestimentas “iguaizinhas”, leiam este e-mail, enviado na época em que trabalhei em um conceituado Portal de notícias:

“Boa tarde Senhora – Nome da chefe de redação, que eu prefiro não postar aqui.

Estou com um problema atípico aqui. Recebi, na última sexta-feira (15), duas camisas do novo uniforme do Portal e sinto informar que o traje ficou apertado em demasia e eu não me sentirei bem em usá-lo no dia a dia.

Não quero parecer rebelde, sei da importância da padronização em uma instituição como o Portal. Peço a compreensão da senhora, porém sou um homem acima do peso e não uso, há muito tempo, roupas justas.

Entendo que a blusa não interfere, em nada, na minha atuação ou nos textos jornalísticos. Gosto muito de trabalhar nesta instituição, não meço esforços para atender as necessidades do plantão ou dos nossos sites locais. Espero que a senhora entenda, pois não irei usar a referida vestimenta”.

Após este e-mail, nunca mais me cobraram o uso do tal uniforme (risos).

Segundo de abril (lá vem o Gino de novo) – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

O editor deste site bota uma pressão de vez em quando. Desta vez foi assim: E aí? Alguma coisa para hoje (ontem), primeiro de abril?

Retornei dizendo que de mentira, até aquele momento, só o meu salário. Rsrsrsrsrsr.

Mas hoje, segundo de abril, eu tenho algo a mostrar. Seria (seria, não. É!) aniversário do Ginoflex. A gente sempre festejava (aliás, continua festejando. Mais tarde, vou tomar umas por ele).

Depois que passou dos 50, o Gino não sabia exatamente qual a idade que inaugurava a cada 2 de abril. E eu dizia que ele não tinha nascido no dia primeiro de abril porque ninguém acreditaria. O Gino, qual o Tim Maia, era um personagem que extrapolava a vida real, transgredia qualquer padrão de normalidade. Nem os mais criativos ficcionistas conseguiriam imaginar suas verídicas aventuras.

Então, este texto vai em homenagem ao Ginoflex, que estaria completando 63 anos. Ou 60. Ou 58. Impossível saber. Ele mesmo não sabia, já que documentos de identidade já tinham se desgarrado dele há milênios. Eu brincava dizendo que ele era tão velho que, para saber com exatidão os números de sua existência, teríamos que submetê-lo ao teste do carbono 14, aquele elemento químico que detecta a idade dos fósseis. Não à toa ele era também chamado de Ginossauro.

Imagino o Gino (des)organizando sua festa de aniversário lá onde esteja neste momento. Som chiadinho de discos de vinil, muita cerveja e aquele cigarrinho que o deixava irritado. Quando faltava.

Parabéns, Gino! Continuaremos por aqui, festejando, fazendo um brinde a cada respiração, enquanto não somos convidados a nos retirar desta festa nem sempre divertida chamada vida.

CARTAZISTA: Um olhar urbano da crise econômica na pandemia (Por Fernando Canto)

Por Fernando Canto

Depois das perguntas de praxe, o delegado encara o preso e pergunta:

– O que é que tu fazes na vida além de vender drogas por aí?
– Sou letrista eu, falou Tinzinho, cheio de empáfia.
– Quer dizer que tu és compositor igual ao Osmar Júnior… o Zé Miguel…?
– Não, só letrista, com muito orgulho.
– Huumm! Ah é, é. Mas onde é que tu publicas teus trabalhos, malandro? Na baixada?
– Não, doutor, lá no centro.
– Como assim? É na banca do Dorimar? Em alguma livraria ou na boca de fumo?
– Não, doutor, é nas esquina.
– Como assim?
– Sou letrista e cartazista eu.
– Diz logo, seu féla. Não me deixa ficar enfezado.
– É que eu tô desempregado. Faço qualquer negócio.
– Para com a mentira. Olha a palmatória….
– É que eu me divido entre vender droga e fazer as letra eu.
– Quer dizer que és universitário, hem? Tu também vende drogas pros intelectuaisinhos da Universidade?
– Não, doutor.
– Me dá essa mão aqui.
– Pelamor, doutor. É com essa que eu faço as letra.
– Que letras, caralho?
– Dos cartaz.
– Que cartazes, filho de uma égua?
– Ai, ai, ai, doutor, não me bata.


– Não vou bater. – Ô Alcinão, dá-lhe um sapeca aiai nesse traficante safado e mentiroso. Olha só a conversa do malandro…
– Por favor, por favor, seu doutor delegado…
– Diz logo, seu corno. – Pra quem é que tu vendes essas porcarias.
– Eu pego com o Papacu lá do PHelp. E com o Cleoinsano da baixada Pará. Pronto. Falei. Não me bata doutor nem mande esse monstro aí me bater também de novo.
– Porra, Alcinão o artista aí te chamou de monstro… Se eu fosse tu não alisava.
– Ai, ai, ai, doutor não deixe ele me bater.
– Tá bom, mas tu vais me dizer que cartazes são esses. É propaganda pra vender drogas? Ou tu és cafetão de alguma putinha de menor?
– Não, seu delegado. Longe de mim ser isso.
– E como é que tu faturas, como ganhas teu l’argent?
– O que é esse tal de larjan, delegado.
– Não enrola, rapá. Olha o Alcinão só te abicorando com a palmatória. – Diz logo, porra!
– Eu escrevo os cartaz de papelão pros meus amigo desempregado que ficam pedindo nas esquina do centro da cidade. Cobro dez real. Pode ver, doutor, a caligrafia é a mesma…

O delegado coça a cabeça, respira fundo e fala:

– Ô Alcinão, libera esse artista filho da mãe. Cada um que me aparece…

É proibido peidar dentro do Empório do Índio, diz aviso no balcão – Crônica de Elton Tavares (ilustrada por Ronaldo Rony)

Peido é ruim. Incomoda tanto o flatulento quanto sua vítima. Mas no Empório do Índio, pasmem, é proibido peidar na parte interna do estabelecimento. O Jorge Ney, conhecido popularmente como “Índio”, proprietário do bar, é conhecido por comentários diretos e francos. E foi taxativo no aviso em seu estabelecimento: “Proibido Peidar”.

Portanto, se você resolver tomar umas no balcão do Empório, é melhor conter a flatulência. Quem quiser se aliviar tem que sair e peidar. Nem mesmo os sócios remidos do Bar como Cleomar, Cuca, Kleber, Gilvana e outros amigos, têm permissão para bufar no recinto.

Afinal, tá lá, escrito.

Dou razão ao Índio, afinal, a temperatura de um peido quando é criado é de 37º. Se o metano é fruto de uma carne com chicória então, sai de perto que, se pegar no olho, cega. A proibição é justa, pois tem gasoso que parece descer abraçado na merda, de tão potente. Se silencioso então, é um ataque surpresa muito covarde.

Sobre o Empório do Índio

O Empório do Índio é um espaço democrático que abriga todas as tribos e pensamentos. A Cerveja é sempre gelada, tem tira-gosto de charque e outros petiscos. Localizado no bairro Santa Rita, próximo ao Fórum de Macapá, o bar possui um ótimo atendimento e preço justo.

Mas peidar lá dentro? Não, pode não.

Elton Tavares

A Santa Inquisição do Fofão – Crônica de Elton Tavares (ilustrada por Ronaldo Rony)

Lembro-me bem, no início dos anos 90, do pânico em Macapá causado por um boato “satânico”. Espalhou-se que teria uma adaga ou punhal dentro do boneco do personagem Fofão, por conta de um suposto pacto demoníaco com o “Coisa Ruim”, feito pelo criador do personagem.

Iniciou-se uma caça, sem precedentes, aos brinquedos.

Uma espécie de “Santa Inquisição”.

De certa forma, parte da população embarcou na nova lenda “modinha” e os fofões foram trucidados por conta de um mero boato.

Meu irmão e eu vitimamos alguns fofões que pertenciam às nossas primas (prima sempre tinha Fofão, boneca da Xuxa ou Barbie). Na época, muitos diziam que ouviram do vizinho do “fulano”, que uma pessoa tinha sido assassinada por um dos então apavorantes bochechudos de brinquedo.

O Fofão tinha uma cara enrugada, era tosco, usava uma roupa parecida com a do Chucky (o Brinquedo Assassino), e dentro ainda tinha uma haste (punhal) de plástico, que era usado para manter o seu pescoço em pé.

Realmente os fatos estavam contra ele.

Houve até queima dos portadores do mal, em praça pública. Sim! Naquela praça que ficava em frente ao cemitério São José, que hoje abriga a Catedral, homônima ao espaço reservado aos que já passaram desta para melhor.

Na verdade, comprovou-se que o fato não passou de um golpe de marketing, pois muita gente comprou só para conferir e, em seguida, destruir o brinquedo. Coisas como o lance das músicas da Xuxa que, como se falou na mesma época, se tocadas ao contrário, continham mensagens do diabo.

Hilário!

Foi muito divertido, confesso. Ateei fogo em vários fofões, e foi muito melhor do que a época junina. A maioria dos moleques adorou e grande parte das meninas chorou a partida daquele tão querido brinquedo.

Concordo com o dramaturgo inglês, William Shakespeare, quando disse: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que explica a nossa vã filosofia”, mas não neste caso. Porém, o episódio do Fofão foi uma histeria generalizada entre a molecada e virou mais uma piada verídica da nossa linda juventude, uma espécie de Santa Inquisição dos brinquedos.

Elton Tavares

Resenha do livro 1984, de George Orwell – (Por Lorena Queiroz – @LorenaadvLorena)

Por Lorena Queiroz

1984 foi a última obra de George Orwell e teve sua primeira edição publicada no ano de 1949. Ultimamente este livro está voltando a ser lido por tratar de questões atemporais, bem como pela polarização, pois tanto a direita quanto a esquerda, usam a obra para identificar fragmentos no oponente que indiquem traços denunciados pela obra. Acredito que para entender melhor a obra, temos que entender o mundo de George Orwell e a atmosfera de sua época. O autor vivia o período do entre guerras e a segunda guerra mundial, em um mundo que era recentemente monárquico e democracia um conceito novo. Se apresentava como um social democrata onde este conceito também se apresenta diferente do que conhecemos hoje. Em sua época mostrava um conceito de liberdade que é contrária a qualquer regime totalitário, observe o Nazismo e o Stalinismo e se veja imprensado por ambos, daí tire suas conclusões.

O livro apresenta uma estrutura de mundo soviético e nazista, que vai do bigode de Stalin ao modo de ilustrar um inimigo da forma que Hitler pintou os judeus.

A personagem central do livro é Winston, um homem que vive na Oceania neste mundo distópico que é dividido em três blocos: Oceania, Eurasia e Lestásia. Oceania, que antes fora Londres, é comandada pelo partido do “grande irmão ” que, através de suas teletelas observa e controla o comportamento e, até os pensamentos e sonhos da população. Wiston trabalha no Ministério da verdade, onde sua labuta consiste em mudar a história, reescrevendo notícias, informações que eram alteradas conforme à vontade do partido, pois o grande irmão nunca erra. Se mês passado a Oceania estava em guerra com a Eurasia e no mês seguinte a oponente se tornasse aliada, a guerra anterior era apagada e nunca teria existido. Este era o trabalho de Wiston, lidar com a mentira como verdade incontestável. Para que houvesse eficácia entra o “duplipensamento”, onde o sujeito tem que fazer um exercício mental de acreditar no partido independente de seu julgamento e conhecimento pessoal. Mas essa não seria uma tarefa fácil, mas para tanto, o partido cria, entre outros mecanismos, o dicionário da “novafala “, onde a linguagem é limitada, como por exemplo a palavra : bom. Neste dicionário não existiam graduações, ou era bom ou “desbom”. Mais ou menos, médio, razoável, estas palavras que geram variações tinham que ser extintas para que os pensamentos se mantivessem binários. Se você precisa de parâmetros para raciocinar, então acaba -se com os parâmetros.

Existiam ainda outros ministérios; Ministério do Amor, Ministério da Pujança, Ministério da paz. Todos os ministérios executava tarefas antagônicas ao proposto em seus nomes, pois a verdade neste mundo é maleável e se adéqua à realidade que o partido apresenta. As pessoas são educadas desde sempre dentro desta crença, havendo inclusive, crianças denunciando orgulhosamente seus pais ao partido.

Dentro deste mundo opressor, onde os únicos sentimentos aceitos são o ódio ao inimigo e o amor ao partido, Wiston se encontra sedento por sentimentos e sensações humanas e sua estória se desenrola dentro desta necessidade humana em existir por completo.

Já li Admirável mundo novo do Aldous Huxley, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, Senhor das moscas de Willian Golding que, ao meu ver, apesar de perturbadoras, não são tão pesadas, densas e, sinceramente, desesperançosas como 1984. A conclusão que tive, é que a humanidade vai sempre subjugar os seus em nome do poder, este que para as mentes totalitárias, tem muito mais valor que o dinheiro, ouro ou vida. O totalitarismo está em qualquer lado do espectro e só a eterna vigilância nos garantirá a liberdade.

* Lorena Queiroz é advogada, amante de Literatura e devoradora compulsiva de livros.

O trajeto da A Banda através do tempo e antigos pontos de referência (minha crônica saudosista)

Foto: Maksuel MArtins

Durante mais de 20 anos, sai na Banda pelas ruas de Macapá. Eu e meus amigos esperamos a terça-feira gorda o ano todo, pois a marcha louca e feliz sempre foi um dos dias mais felizes. Como disse minha amiga Rejane: “o coração batuca na esperança de ver a Banda voltar a passar”. Republico essa crônica por motivos de saudades: 

A Banda, maior bloco de sujos do Norte do Brasil, tem o mesmo trajeto nestes 56 anos de existência (caso a passeata alegre fosse às ruas hoje, mas sabemos que não irá por conta da pandemia), mas o que ficou pelo caminho do tempo nestas mesmas ruas de Macapá? Fiz uma espécie de resgate (um tanto desordenado) de vários locais que povoam a memória afetiva do macapaense. Deixa suas lembranças agirem e vamos lá:

O ponto de partida do bloco, o mais popular dos festejos de Momo no Amapá, é na esquina da lanchonete Gato Azul e a loja Clark. Os foliões seguirão pela frente da loja A Pernambucana, dobrarão na esquina do Banco Bamerindus (pois “o tempo passa, o tempo voa…); Farmácia São Benedito; Moderninha e da Banca do Dorimar. As pessoas se trombam ao redor dos trios e carros de som. Todos molhados de suor, ou chuva.

A folia desce a Rua Cândido Mendes e o trajeto passa em frente também da Irmãos Zagury – Concessionária da Ford; Farmácia Modelo; do Banap; lojas São Paulo Saldo; Esplanada; Cruzeiro; Hotel Mercúrio; Casa Estrela; Casa Marcelo; Setalar; Tecidos do povo; Tecidos do Sul; A Acreditar; Casa Estrela; Beirute na America, ponte do Canal; Banco Econômico e Farmácia Serrano. Pelo caminho, muitos se juntarão a multidão.

Os foliões passarão em frente a Fortaleza de São José de Macapá, dobrarão na esquina da Yamada, subindo pela lateral da Feira do Caranguejo, em frente a boate Freedom e subirão a ladeira até o supermercado Romana, na esquina, a curva do Santa Maria. Sempre com os ritmos levantam nosso astral.

A marcha alegre seguirá pela Feliciano Coelho, onde a maioria já estará possuído pela cerveja, passará pelo Urca Bar; Leão das Peças; Cine Veneza e Farmatrem. A Banda chegará à Esquina do Barrigudo, na Leopoldo Machado. Continuará a passar em frente a Acredilar, lanchonete Chaparral, Casa Nabil, Hotel Glória e Baby Doll. Na brincadeira terá folião de toda idade, a maioria na maior curtição, sempre driblando os poucos que querem confusão.

A Banda é sempre cheia de colombinas faceiras, pierrôs malucos, palhaços embriagados, piratas sorridentes, enfermeiras enxeridas, bailarinas cambaleantes, diabos bonzinhos, anjos não tão angelicais, etc. O importante é alegria de quem vive a emoção de estar lá ou somente ver a banda passar.

A Banda dobrará na Avenida Fab, no canto do CCA (o couro continuará comendo); passa pela Prefeitura de Macapá; Palácio do Governo; Esporte Club Macapá; Praça da Bandeira; lanchonete Táxi Lanches; Bar do Abreu e novamente a Cândido Mendes até a Praça do Barão, onde as bandas Placa Luminosa e Brind’s farão um som até mais tarde.

Nunca saberemos quantos fantasmas carnavalescos seguem conosco na Banda, mas se assim for, que sigam pela luz e brilho do encanto deste sublime momento (entre o ontem e o hoje).

*Hoje seria dia de cair na folia na marcha alegre ou ver a Banda passar. Mesmo a gente com saudades da passeata louca e feliz, o importante é prevenir, combater a Covid-19 e ter esperança para que, em 2022, nos encontramos na Banda. É isso!

Elton Tavares

Idosa de 85 anos foi fantasiada de jacaré para ser vacinada contra a Covid-19 em Macapá: ‘muito feliz’

Maria de Souza, de 85 anos, foi fantasiada de jacaré para ser vacinada contra a Covid em Macapá — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

A idosa Maria de Souza, de 85 anos, foi fantasiada ao drive-thru do Centro de Macapá para se vacinar contra a Covid-19 na manhã deste sábado (13). Ela foi uma das primeiras pessoas dessa faixa etária (85 anos ou mais) a serem imunizadas contra a doença da pandemia na capital.

A fantasia, de jacaré, era para encarar com bom humor esse momento. A atitude fez referência a um comentário do presidente da República, Jair Bolsonaro, em dezembro de 2020, sobre a vacina da Pfizer. O contrato avisava que a fabricante não se responsabiliza por qualquer efeito colateral: “Se você virar um chi… virar um jacaré, é problema de você, pô”, declarou o presidente na época.

Com bom humor, Maria não via a hora de ser imunizada.

“Eu estava muito feliz que ia me vacinar, pra me livrar dessa doença. Tive alguns familiares que tiveram a Covid, mas não foram pra hospital. Mas graças a Deus tá tudo bem”, comentou.

Em janeiro, um técnico em enfermagem também entrou no clima e foi fantasiado de jacaré para ser imunizado.

Familiares de Maria de Souza também foram fantasiadas para a imunização — Foto: Rede Amazônica/Reprodução

No carro onde Maria foi levada para o drive-thru, os familiares também estavam fantasiados. A nora da idosa, a pedagoga Cláudia Cunha, falou sobre o momento.

“Ressurge a esperança, né? A gente fica até emocionado de trazer nossos idosos para serem vacinados até porque isso sempre foi uma busca de toda a família. A vacina vem trazer essa segurança, dar essa tranquilidade. […] Foi um momento muito esperado, espero que alcance todos os idosos realmente e a gente que é um pouco mais jovem aguarda a nossa vez”, falou.

A campanha busca vacinar 2,1 mil idosos em Macapá, mas há pouco mais de 3 mil doses disponíveis. Para isso, neste sábado, a campanha oferta doses em 19 locais; a partir de segunda-feira (15), as vacinas podem ser procuradas em 17 Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Antes, é necessário fazer um cadastro.

Fonte: G1 Amapá

Gírias e expressões do Amapá* – (Macapá 263 anos)

Cadernos artesanais com gírias do norte produzidos por Camila Karina (saca lá: https://www.instagram.com/camila_karina/ )

Atire a primeira gramática quem nunca falou uma gíria! Uma expressão tipicamente do Norte.

Se você não tem o hábito de falar “girioguês”, ponto pra você, que mantém a beleza de um bom português falado; mas há de concordar que o nortista tem uma irreverência singular quando se trata da língua portuguesa.

Já você, que não tem mais a noção do que é uma gramática, seu estado verbal é grave, procure o dicionário urgentemente, pois você corre o risco de não ser compreendido.

Muitos blogs já retrataram algumas expressões engraçadas e peculiares da nossa linguagem, mas recolhemos tudo que achamos e resolvemos explicar, da melhor forma, os seus respectivos sentidos. Aprenda, se informe e gargalhe.

No Amapá a gente fala:

Paid’égua! (muito legal!); Eita porra! (impressionado); Mas uh caralho! (muita admiração); Maninho, maninha (pode ser para qualquer pessoa, conhecido ou não); De rocha! (palavra ou assunto com convicção); Não, é cuia! (claro que é); Não, é pão! (claro que é também); Muito escroto (muito ruim); Nããooooooooo (ironizando uma negação); Égua, moleque, tu é doido! (fato realmente surpreendente); Fooolêgo! (muita admiração); Égua da largura! (muita sorte); Égua, moleque! (surpresa, alegria, raiva, este é muito usado); Vai querer queixar? (vais me negar?); Gala seca (idiota); Rapidola (rapidinho); Égua da potoca (que mentira); Ulha, disque! (espanto com desdém); Pega-te (tome esta ou pegue esta, torcida por um ponto feito ou gol marcado); Tu jura, não? (claro que não); Táááá, não! (nunca); Bora lá só tu! (Eu não irei); Tá lá uma hora dessas (eu não); Essa é de grife do varal (roupa roubada); Discunjuro até! (por conta do termo “Te esconjuro”, tipo Deus me livre); Levou o farelo (morreu); Só o filé da gurijuba e só a polpa da bacaba (bacana, legal, ótimo); Já tá do meio-dia pra tarde (quase acabando, velho ou quase morto); Ele é do tempo da calça “tucandeira” (calça com a barra curta). Taááá, “cheiroso!” (o mesmo de Tu Juura!); Virar o zêzeu (botar pra quebrar); Quede mano? (onde está?); Hum, tá não! (nem pensar); Tu acha isso bonito? (reprovação); Tá remando pra beira (tomando cuidado, voltando atrás, sendo cauteloso); Tu é o belo velho (O mesmo que “tá, cheiroso!); Esse é peidado do juízo (Este é louco); Paga uma aí (pague uma bebida); Só te dou-te na cara (vou te bater); É pissica da braba (mandinga); Só pode ser feitiço (quando algo dá errado); Vigia o que tu tás fazendo (preste atenção).

Vigia bem (preste muita atenção); Miudinho (pequeno); Logo quem, não? (já esperava isto dele); Muito enxerido! (intrometido); Bora lá (vamos lá); Umborimbora? (vamos embora?); Ééééééééguaaaa (muito espanto, surpresa); Égua, mas tu é muito cabeça de pica né? (gala-seca, otário); Zé ruela (babaca); Abestado (besta); Mas tu é muito pau no cu (abestado, idiota); Levou ou deu “um Nike” (levou um fora); Dizar (deu um fora, se esquivou); Asilando (dando em cima, paquerando); Na moral (na cara de pau); Paga pau (dá muita moral, invejoso); Migué (Mentira, mentiroso); Égua, não! (não acredito). Não, que não. (afirmando com convicção); Pior né? (afirmação tipo: é verdade!); Porrudo (algo grande); É o vai da estrela (com certeza ele(a) não vai); Charlando (se exibindo); Arreda aê (afasta aí); Teu cu (claro que não).

*(Texto que escrevi em parceria com a jornalista Camila Karina (saquem lá as artes dela: https://www.instagram.com/camila_karina/ ), em 2010 e republicado hoje pelos 263 anos de Macapá) – Elton Tavares

Gino Flex, o Rei dos Malucos de Macapá – Uma crônica sobre saudades e maluquês

Ilustração de Ronaldo Rony

Em novembro de 2013, dia 12 precisamente, morreu o artista, músico, inventor do Clube do Vinil, Dj oficial de encontros memoráveis e Rei dos Malucos de Macapá, Gino Flex . Não sei quantos anos ele tinha, mas acho que eram quase 60 verões.

Conheci o Gino em 1997, ainda com meus 20 e poucos e curta estrada na boemia da capital amapaense. O cara era querido por todos. E não é porque morreu não. O cara era do naipe do fictício Quincas Berro D’Água e do real Charles Bukowski.

O estilo de vida era “de boa”, verdadeiro ode à boemia e hedonismo. Sim, o velho Gino era “brother”. Gino Flex estava internado há dias com complicações no fígado. Chegou a ser operado, mas não resistiu. Certamente, sua passagem para a outra vida foi como nessa, leve.

A vida manda os seus sinais, basta ter o coração aberto e ser amalucado o suficiente pra entender” – Cabo Martim, personagem do livro “A morte e a morte de Quincas Berro D’água”, de Jorge Amado.

Vira e mexe, lembro do Gino Flex, o Rei dos Malucos de Macapá. Ali foi figuraça!

Até a próxima vez, Gino!

Elton Tavares

Técnico em enfermagem toma vacina contra covid-19 fantasiado de jacaré

Brenno Homobono, 25, encontrou uma forma bem-humorada para incentivar as pessoas a se imunizarem contra a covid-19 – Foto: Arquivo Pessoal

Por Gabriel Dias

O técnico de enfermagem Brenno Homobono, 25, encontrou uma forma bem-humorada para incentivar as pessoas a se imunizarem contra a covid-19. O profissional que atua desde o início da pandemia na linha de frente de um hospital particular do Amapá, foi tomar o vacina fantasiado de jacaré.

Dentro do grupo prioritário para receber a primeira dose da vacina CoronaVac, o técnico em enfermagem achou que deveria fazer alguma coisa para tornar o momento marcante, então teve a ideia de adaptar um chapéu e transformar em uma fantasia de jacaré. De acordo com ele, a intenção foi incentivar as pessoas a tomarem o imunizante sem medo de possíveis efeitos colaterais.

Fonte: Uol.

O homem mais velho do mundo (Crônica de Édi Prado sobre um verdadeiro mentiroso)

Mentir é feio quando o mentiroso é incompetente. Mas conheço um jornalista bem robusto até na mente prodigiosa, só para contar mentiras. É um profissional na área. O maior que o “seo Zuza’.

Quando ele não está mentindo está pensando em mentir. Quando ele não está mentindo nem pensando em mentir, está pensando nova mentira. Quando não está repetindo o mesmo texto até a nova mentira, ele está reciclando e atualizando as mentiras passadas. Quando ele não está fazendo nenhuma dessas opções, ele está fundindo as mentiras para sempre criar a sensação de novinhas.

E ele contava as histórias dele, os cursos que fez, os países que visitou e um atento jornalista, que anotava os detalhes da conversa, perguntou: quantos anos você tem? E o mentiroso, que tinha 50 e disse que estava com 35 anos.

O jornalista então disse que alguma coisa estava errada, porque só de cursos ele já estava com 135 anos, fora as viagens, os locais por onde havia trabalhado.

O computador, o rascunho técnico, foi feito por ele e roubaram da casa dele, quando morava na Serra e depois de anos não é que surge o computador, do meso jeito que ele havia projetado?

Foi ele quem inventou a Asa Delta e foi quem fez o primeiro salto lá em Pedra Branca. Ele disse que a história da Serra do Navio, do manganês no Amapá, que escreveu primeiro foi ele. Copiaram e não deram o crédito a ele. Vai processar.

Trata-se de um legítimo Pinóquio e ele está entre nós, de uma forma ou de outra. Eu não acredito em Whisky serrano, mas que existe, existe.

Édi Prado – Jornalista

*Crônica republicada, pois o dito cujo fez mais uma presepada, para não dizer crime, e furou a fila da vacina.

Viver e respirar – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Foi o que pensou Neurinha, adentrando os 19 anos e achando que, naquela idade, seria bom começar a pensar nessas coisas. Seria bom pensar em alguma coisa. Qualquer coisa.

Mas o pensamento mais louco mesmo ela teve depois:

– Será que consigo morrer SEM parar de respirar?

Seu cachorro respondeu que não, ao que o ursinho de pelúcia disse que sim:

– Viver e respirar são coisas completamente díspares, conflitantes. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Tenho dito!

O cachorro de Neurinha ponderou que aquela maneira de falar do ursinho de pelúcia deixaria Neurinha ainda mais sem entender nada.

Neurinha, por sua vez, continuou sem nada entender. Paciência. Era sua natureza. Não entender qualquer coisa era a única coisa ao alcance de qualquer coisa que Neurinha pudesse entender. Entendeu? Nem eu!

Neurinha procurou os sábios conselhos de seu antílope de estimação, Clodoaldo, que entendia muito bem dessas questões, quando não estava ocupado em beber, fumar e levar mulheres para o apartamento.

Clodoaldo passou a contar a história de um tatu que fez greve de respiração em protesto contra a proliferação de armas nucleares e morreu em poucos minutos, ainda a tempo de ordenar a seus seguidores que invadissem a Casa Branca e incendiassem a provisão de amendoim.

Claro que Neurinha não entendeu e parou de se questionar. Resolveu passar à ação e cometer o ato de parar de respirar.

Segundo o método dos ninjas, Neurinha girou o nariz como se fosse uma torneira e parou de respirar.

Você, caríssimo leitor, já sacou que Neurinha era bem tontinha. Pois é. Até hoje ela não sabe se morreu.