Vingancinha marota – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Eu sei que toda atividade honesta é digna de respeito etc., mas confesso que tenho vontade de esquecer esse ensinamento dos meus pais quando certa atividade entra em rota de colisão com a minha atividade. Me refiro aos operadores de telemarketing. E creio que eu não seja o único vivente desta era abarrotada de operadores de telemarketing que querem te vender tudo quanto é porra (estão vendo/lendo? Já perdi a porra da paciência! rsrsrs).

Ultimamente, esses caras têm abusado muito da minha zenitude (atitude de quem é zen, segundo meu dicionário) e me enchem tanto o saco que resolvi, para alívio meu e para não tentar algo mais drástico, escrever esta crônica em desagravo, lembrando que, sim, é o trabalho deles e todo mundo tem que arranjar um meio de sobrevivência e tal.

Pois bem. Decidi parar de ignorar a maioria das ligações de números de outros estados, mas faço uma ou outra concessão e topo levar um papo com esse profissional que só tem duas coisas a fazer na vida: perguntar por alguém que eu não faço a menor ideia de quem seja ou tentar me empurrar bolso adentro um pacote hiper-mega-ultra-supervantajoso, que vai me permitir falar com o pessoal de Marte, caso eu tenha algum conhecido lá.

A última ligação que recebi (espero, mas não creio, que seja realmente a última) o cara, pela milésima vez, me perguntou se o meu número pertencia ao seu João Everaldo. Já me perguntaram tanto por esse sujeito que quase chego a me perguntar se não o conheço mesmo. Respondi, respirando fundo e indo buscar, lá no mais íntimo do meu ser, o último fio de gentileza e da minha já citada zenitude:

– Já disse que não conheço ninguém com a porra desse nome, caraaaaaaalhooooo!

Claro que exagerei um pouco aqui e jamais respondi a alguém dessa forma, é mais para dar a medida do que me provocam essas ligações. Ontem eu fingi que sou um homem extremamente ocupado e fiz ao operador da vez um relato do que essas ligações provocam no meu dia a dia:

– Moço, é o seguinte. Por favor, me escute! Eu trabalho no setor de criação de uma agência de publicidade e esse meu trabalho consiste justamente em ter ideias. Tenho que parir ideias a todo momento. Mesmo que não sejam geniais, precisam ser ideias pelo menos razoáveis, aquelas que, na pior das hipóteses, possam ser bem embaladas e resolvam/atendam/satisfaçam os clientes e seus públicos. Aí, no exato momento em que estou tendo a tal da ideia, tu, ou alguém da tua laia, me liga, interrompendo meu já surrado raciocínio e mandando pelo ralo qualquer ideia que qualquer cristão, mesmo que não trabalhe com ideias, possa ter. Tu apagas, com uma ligação que eu não pedi sobre algo que não me interessa, qualquer vislumbre/lampejo/centelha que possa ser uma chama, uma faísca, algo que eu possa agarrar e puxar e lapidar e burilar até que se torne uma bendita boa ideia que me faça resolver o job em questão. E aí? Quem paga esse prejuízo?

Aí o cara responde, numa calma exasperante, quem sabe lendo o Sagrado Manual do Operador de Telemarketing, edição revista e ampliada:

– Calma. O senhor vai estar me desculpando, mas estou apenas fazendo o meu trabalho.

– Ah, tá! – respondo eu – Então o TEU trabalho é atrapalhar o MEU trabalho! É isso? É isso, canalha? – Esse canalha é exagero meu também. Não chamei o cara de canalha.

– Desculpe, senhor, mas o senhor está muito nervoso. Vou estar desligando. Bom dia, senhor.

– Bom dia é o caralho! – Desta vez eu disse assim mesmo, mas antes me certifiquei de que ele já havia desligado.

Me senti vingado, uma vingancinha marota, que não vai impedir que os operadores de telemarketing continuem sua saga de perturbar os pobres seres que possuem uma linha telefônica. Epa! Meu celular tá tocando! Deixa eu ver de onde me chamam. De São Paulo. Só pode ser um operador de telemarketing. Desta vez, vou mudar de tática:

– Puxa! Ainda bem que tu ligaste, meu amigo seja quem for! Eu preciso falar com alguém! Preciso desabafar! Minha vida tá uma merda! Me escuta! Me escuta!

Bora ver no que vai dar. Queres que eu te vingue também, minha cara leitora, meu digníssimo leitor? Pode ser divertido. rsrsrsrs

Hoje é o “Mandela Day” – Viva Nelson Mandela! (Se vivo, o herói da liberdade faria 101 anos hoje)

18 de julho é o Dia Internacional de Nelson Mandela, conhecido como “Mandela Day” e adotado pelas Nações Unidas em 2009. A data foi escolhida por ser a mesma do nascimento do herói da liberdade, falecido em 2013. Ele faria 101 anos hoje.

Ex-presidente da África do Sul, dono de um Prêmio Nobel da Paz e um dos homens mais respeitados do planeta, Nelson Mandela morreu aos 95 anos em Pretória, na África do Sul. Ele foi vítima de um câncer ao qual lutava contra desde 2001.

Ele foi o maior símbolo de combate ao regime de segregação racial conhecido como Apartheid, que foi oficializado em 1948 na África do Sul e negava aos negros (maioria da população), mestiços e asiáticos (uma expressiva colônia de imigrantes) direitos políticos, sociais e econômicos. A luta contra a discriminação no país o levou há ficar 27 anos preso, acusado de traição, sabotagem e conspiração contra o governo, em 1963.

Condenado à prisão perpétua, Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, aos 72 anos. Durante sua saída, o líder foi ovacionado por uma multidão que o aguardava do lado de fora do presídio.

Mandela defendeu o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas convivam em harmonia e com oportunidades iguais.

Frases:

“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”

“Sonho com o dia em que todos levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos.”

“Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo.”

Para saber mais sobre a história deste fantástico homem do bem, assistam o documentário “O Milagre Mandela”:

Ele tornou-se ícone da liberdade e da igualdade. Sou negro, filho, neto e bisneto de negro e hoje rendo homenagens a um dos mais importantes homens da história. Nelson Mandela, o Madiba, foi fundamental. Não somente para um povo ou uma raça, mas para a humanidade.

Viva Nelson Mandela!

Elton Tavares

Liga da Comédia: hoje, grupo de amigos santanenses faz sucesso na comédia stand-up

Por Araciara Macedo

Uma conversa despretensiosa entre três amigos e a vontade de fazer um projeto de humor utilizando o a comédia stand up (termo que designa um espetáculo de humor executado por apenas um comediante, que se apresenta geralmente em pé) como principal ferramenta para levar alegria ao público em geral. Assim surgiu o grupo Liga da Comédia formado pelos santanenses Relson Cardoso, Joabe Lima e Fabiano Luz. Hoje (11), a partir das 21h, na Villa Show Eventos em Santana, o grupo apresentará seu show especial.

“Sempre conversamos sobre a falta de opção nessa área em Santana, um dia nos reunimos e formamos o grupo”, contou Relson, um dos integrantes.

Com o grupo montado surgiu a ideia da primeira apresentação, “montamos nossa apresentação, mas faltava espaço para mostrar, então a Coordenadoria da Juventude de Santana estava com um evento mas não tinha atração, então nos apresentamos pela primeira vez”.

O sucesso foi tão grande que logo após a apresentação no evento o grupo foi contratado para uma apresentação em um evento corporativo, “já estávamos nos sentindo maravilhados com o sucesso da apresentação quando fomos surpreendidos com a contratação do grupo para um evento corporativo do atacadão Carrefour”, disse Relson.

No evento do Carrefour o grupo, mais uma vez, arrancou aplausos e gargalhadas encantando o público presente, “fomos um sucesso no Carrefour, o público participou com a gente, serviu para nos mostrar que estamos no caminho certo para consolidar nossa carreira na comédia”.

Os convites para apresentação em vários locais foram surgindo e o grupo resolveu montar um show completo que acontecerá em julho.

Ingressos

Os ingressos para o show, no valor de R$ 10,00, já estão sendo comercializados através dos números 991473252, 991025666 e 991511643. “Montamos um texto novo, muito divertido e, com certeza, vai agradar bastante quem é fã desse estilo de comédia. Vamos mostrar para os santanenses que temos grandes comediantes no município”, finalizou Relson.

Conheça o projeto

O projeto Liga da Comédia tem como principal objetivo fomentar a cultura santanense, busca o amadurecimento e experiência de seu atual elenco, assim como a formação de novos talentos locais, o grupo pretende no futuro inserir nas escolas e entidades de ensino o Stand Up, como forma de conscientização de problemas sociais como o suicídio, combate a depressão, ao uso de drogas e à violência. Buscando assim resgatar também jovens inseridos em grupos de riscos.

Esse tipo de iniciativa é pioneira no município de Santana, pois nesse segmento nunca houve quaisquer manifestação ou interesse por parte do poder público ou privado. Esse pioneirismo é visto com bons olhos pelos idealizadores do projeto, devido a sua boa receptividade por parte da sociedade, percebeu-se que o município estava carente deste tipo de manifestação cultural

O grupo conta principalmente com o apoio de amigos, seguidores e entusiastas da comédia nas mais variadas plataformas de redes sociais, sempre incentivados para que continuem levando seu bom humor para todos aqueles que buscam uma maneira sadia e divertida de entretenimento.

Frases, contos e histórias do Cleomar (Parte IV)

Como já dito aqui, meu amigo Cleomar Almeida é um competente engenheiro. O cara também é a personificação da pavulagem e gentebonisse, presepeiro e boçal como poucos que conheço. Um figura divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade. Quem conhece, sabe. Na mesma linha da PRIMEIRA, SEGUNDA e TERCEIRA edições sobre seus papos no Facebook, mais uma vez selecionei alguns de seus relatos hilários na referida rede social.

Boa leitura (e risos):

Filhos

Quando se tem filhos a gente a gente se enquadra em três níveis de bestidade. O besta propriamente dito, o abestado e o abestalhado. Nesse último, me enquadro perfeitamente.

Print

Eu sempre falei, esse negócio de print ainda vai acabar com a raça humana.

Batucada na barriga

Nunca confiem em um homem que não sabe fazer uma batucada na barriga, com certeza tem algo errado com ele. ☺️

Convocação para a Copa América

Vi essa convocação e tenho quase certeza que o Dunga sequestrou o Tite.

Cargo na AL

Se a pequena fosse barangada eu duvido que tava essa fuleiragem toda, bando de feio com dor de cotovelo.

Mês longo

Tendo como base, uma análise minuciosa na geladeira e no armário aqui de casa, vejo que abril já deveria ter acabado a dez dias.

Bolsomínions na chuva

Pra começo de conversa, blogueiro semi analfabeto não é jornalista, tem mais é que ficar na chuva mesmo.

Briga na Câmara de Vereadores

Já me meti num porradal desses, eu era o cara que chega voando!

Música

A gente tá bem assistindo ao Jornal e páh, me aparece o Mauro Cotta. Dá logo uma vontade do cabôco sair rabiando no brega.

Conversa com Deus

Se eu pudesse falar com o Criador só teria uma pergunta. Chefe, o Senhor vai precisar mesmo desses carapanãs? Fooooolego, tá demais.

Maju, a fofura amapaense de 21 milhões de visualizações (VÍDEOS) – Sensacional!!!

Maju com suas mães Maria Rosa e Jéssica Trindade. Foto: Rodrigo Indinho/SN

Por RODRIGO INDINHO

Com números impressionantes, que batem a marca dos 21 milhões de visualizações, em menos de um mês, os vídeos estrelados pela pequena amapaense Maria Júlia, a Maju, de 3 anos, vêm se estabelecendo como uma verdadeira febre na internet.

Nas redes sociais, a menina ganhou mais de 430 mil seguidores apenas uma semana depois de lançar sua página no Facebook. Em pouco tempo, se tornou uma celebridade da web. A fofura, o talento e o humor com que ela trata assuntos cotidianos é o que chama a atenção.

Em apenas uma semana no Facebook, a pequena amapaense conquistou 430 mil seguidores. Saiba quem é Maju. Ela mora em Macapá – Foto: Rodrigo Indinho/SN

Ela é filha das empresárias Maria Rosa, de 30 anos, e Jéssica Trindade, de 29 anos, ambas publicitárias. Maju foi adotada pelas empresárias no terceiro dia de vida. As mães contaram como surgiu a ideia dos vídeos. Em janeiro de 2019, a pequena internauta pediu que gravassem um vídeo para enviar ao seu ídolo, o ator Pedro Henriques Motta, que interpreta o personagem Pippo, da série infantil Detetives do Prédio Azul.

“Ela pediu para gente gravar um vídeo dela para que ele pudesse vê-la e conhecê-la”, revelou a mãe, Maria Rosa.

O vídeo foi produzido, mas não foi possível alcançar o ídolo, ainda. No entanto, era o começo de tudo. No dia 14 de maio, Maju começou a fazer vídeos de humor que se tornaram o maior sucesso no Instagram.

“Para ela, é uma brincadeira, ela adora. Mas quando não está disposta a gravar, a família não insiste, é tudo no tempo dela”, acrescentou Maria Rosa.

A pedido dos amigos, a outra mãe de Maju, Jéssica Trindade, que administra as redes sociais da menina, postou os vídeos no Facebook. Em apenas uma semana de criação, a página ganhou mais de 380 mil curtidas e 430 mil seguidores. Os vídeos acumulam milhões de visualizações, milhares de compartilhamentos e comentários.

“Tudo tomou uma grande proporção e chegou a países como: França, Portugal, Arábia Saudita, Espanha, África, e outros. Cada dia que passa, tá crescendo e atingindo muita gente. Não estamos conseguindo responder a todos, mas estamos fazendo o possível”, garantiu Jéssica Trindade.

Mudança de rotina

A grande repercussão mudou a rotina da família inteira, principalmente de Maju. A criança iniciou acompanhamento com uma psicóloga para saber lidar com toda a situação. Já as mães tiveram que organizar a empresa para trabalharem só pelo turno da manhã, que é o horário no qual Maju estuda. Os turnos da tarde e da noite são dedicados à menina.

Motivação

Além do carinho dos visitantes das redes de Maju, Maria Rosa e Jéssica Trindade encontraram um estímulo a mais para continuar com as postagens. Elas recebem mensagens de pessoas com depressão e diversos outros problemas, que assistem aos vídeos e dizem se sentir melhor. As conversas são printadas e guardadas para mostrar futuramente para a menina.

“É muito bom saber que minha filha ajuda as pessoas a se recuperar através do sorriso. Têm pessoas que até perguntam se a gente impulsiona a página, lhes digo, claro que não, ela vem conquistando a todos com seu jeitinho meigo mesmo”, orgulhou-se Jéssica.

Trabalhos

Com o sucesso, Maju está fechando contratos com empresas para comerciais. Ela já foi chamada para fazer presença VIP em eventos e receber mimos de lojas. Tudo o que a menina lucra em dinheiro com os trabalhos está sendo investido nela e em sua carreira como atriz. A família da menina garante que ela continuará levando alegria para todos os que precisam, através de vídeos com humor saudável.

Maju pode ser encontrada no Facebook através da página Amaju. No Instagram: @amajuoficial. E no YouTube: no canal amajuoficial.

Fonte: SelesNafes.Com

*Meu comentário: há cerca de três semanas, a Maria Rosa (uma das mães da Maju), me mostrou essa lindeza no Instagram. Virei fã automaticamente, pois essa fofura é um prodígio. Sou viciado nos seus vídeos, que são garantia de risadas e doses de alegria. (Elton Tavares). 

Uma crônica De Rocha – Texto sensacional de Kairo Moto Táxi

Kairo mototaxi – Foto: Maksuel Martins

Era uma dessas manhãs cinzentas, por volta das 5h45, eu vinha subindo a Rua 13 de setembro, sentido Buritizal – Centro. Nesse horário as ruas estão completamente vazias e o silencio se apodera de nossa mente, é como andar de moto sobre as nuvens, mas a esperança de pegar uma corrida nunca acaba.

De longe vejo alguém e à medida que vou me aproximando consigo ver uma senhora, bem baixa, deveria ter no máximo 1.20cm de altura, o cabelo curto, não era um cabelo volumoso, o penteado era um rabo de cavalo, amarado com um pompom listrado nas cores vermelho, branco e azul e pelo fato de não ser um cabelo volumoso o rabo de cavalo ficava mais ou menos da grossura de um lápis, o rosto tinha algumas rugas, o que é normal devido a idade, um par de argolas de “ouro”, uma blusa branca com uma frase em inglês escrito: “ I am alive”, uma bermuda desbotada e uma sandália dessas rasteirinhas, com um detalhe em pedrarias.

Quando parei a moto notei que se tratava de alguém muito humilde; ela então sorrindo me disse:

– Meu filho, quanto é uma corrida daqui ao igarapé das mulheres?

Para quebrar o gelo eu sempre uso essa estratégia, então disse assim:

– Baratooooo! Não vai passar de R$10,00 reais.

Ela sorriu e disse:

– E ida e volta, faz um desconto!?

Eu: – Claro que faço, nem pra mim e nem pra senhora, me dê R$18,00 reais.

E por incrível que pareça ela me respondeu com a seguinte expressão:

– Já é!!!

E montou na moto com uma agilidade que nem essas novinhas de 18 anos têm. Ao longo do percurso, ela puxou assunto e me disse que estava indo comprar peixe e uma melancia, porque na feira perto da casa dela os peixes não prestavam, os vendedores passam colorau na guelra dos peixes para ficarem com aspecto de que o peixe é novo (fresco). Eu sempre concordando com tudo, afinal ela não estava falando nenhuma mentira. Então, pediu que eu parasse em um posto de gasolina para trocar o dinheiro e assim o fiz.

Lá, desceu da moto, meteu a mão por dentro da blusa com certa delicadeza, como se fosse a coisa mais normal do mundo guardar dinheiro dos seios, tirou duas sacolas, uma tinha um bolinho de dinheiro, deveria ter uns R$ 300,00 e na outra uma carteira de Derby Prata ( Cigarros ). Aí disse:

Guardo aqui pra não molhar! E o dinheiro guardo aqui também, porque ninguém quer pegar em peito de velha.

Nessa hora todos rimos, eu, ela e o frentista do posto!

Abasteci a moto, coloquei R$10,00 de gasolina e entreguei o troco, seguimos viagem…

Chegando ao local desejado, eu disse:

– Fique à vontade!

Ela me entregou o capacete e foi andando em direção ao vendedor de peixe, escolheu, escolheu, escolheu até que, pelo que pude notar de longe, encontrou o peixe ideal. O peixe pra falar a verdade não foi o problema, a dificuldade foi pra escolher a melancia, bateu nem todas, sabe quando você bate na porta de alguém? Pois é, foi assim mesmo! Fez em todas as melancias, até encontrar a perfeita! Tudo isso ela descobriu somete escutando o som das melancias (esse ouvido deve certamente ser estudado).

E quando já caminhava em minha direção, foi abordada por um homem, cabelo grande, encaracolado, estilo do Cazuza no começo de carreira, uma regata branca, uma calça branca e um chinele muito desgastado, o rapaz segurava na mão uma cédula de R$ 50,00 reais, pensei: – ele deve está pedindo pra ela trocar o dinheiro!

Então ela colocou a sacola de peixe e a melancia no chão, segurou a nota de R$ 50,00 reais do rapaz na mão, e com aquela destreza de sempre meteu a mão em seu sutiã para tirar o dinheiro, trazendo a luz uma de suas sacolas tão bem guardadas.

De repente aquele rapaz, que parecia ser uma boa pessoa, pulou na mão da senhora e tomou o que ela tanto guardava, correu, mas correu tão rápido que parecia Forrest Gump. Meu primeiro pensamento foi:

-Essa corrida eu não recebo! (Desculpa, eu não deveria ter pensado isso, rs)

Mas logo fui tomado por uma força, uma raiva, então disse para mim, eu sei que se for atrás dele e conseguir pega-lo, vou apanhar (devido ao meu porte físico, reconheço que não é o meu ponto mais forte), mas eu vou. Quando coloquei o capacete na cabeça e já ia ligar a moto, a senhorinha grita de lá:

– Ei Mano, Ei, Ei, Moto Táxi, espera!

Ela chegou perto de mim muito nervosa e disse:

– Mano, um bora embora, que eu roubei o ladrão!

Me entregou a sacola de peixe, montou na moto e disse:

– Mano, chuta!!!

Eu, mais que depressa fiz o que ela estava me mandando sem entender nada, resolvi ir pela orla, era mais rápido. Quando chegou lá perto da primeira rotatória do Santa Inês, perguntei:

– Mana,o que foi que aconteceu?

– Ela: Mano, o caboco pediu pra trocar um dinheiro pra ele, quando ia puxar a sacola com dinheiro, ele pulou da minha mão e levou, correu. só que ele levou a sacola com o cigarro e o dinheiro tá aqui ainda, e eu ainda fiquei com os R$ 50,00 reais que ele pediu pra trocar.

-Roubei o ladrão!!! Roubeiiiiii o ladrão !!!!

Nessa hora começamos a rir, mas rir muito! Ela ria e dizia:

– Caboco Burro! Burroooooooo!!!!

Chegamos até a frente da casa dela, quando me disse:

– Mano, tu foi ‘’De rocha!’’, então vou fazer o seguinte, fica com os R$50,00 reais do burro.

Falei: – Sério? Num boto fé!

Fiquei feliz, R$ 50,00 reais assim, rápido! Mas disse pra ela ter mais cuidado.

Foi então que ela disse, sorrindo:

-É… agora vou guardar o cigarro e o dinheiro em um só peito, em sacolas separadas, afinal, meu filho, ninguém quer pegar em peito de velha.

Eternos risos!

NEM LÍNGUA DE CACHORRO AJUNTA – Crônica de Fernando Canto ( e recado pros manés de plantão)

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Crônica de Fernando Canto

As más línguas, quando querem, destroem qualquer situação, pessoa ou relação aparentemente estável. Já vi coisas se transformarem da noite para o dia em verdade absoluta, bastando para isso uma pequena interrogação irônica ou uma afirmação leviana, por um balançar de cabeça de pessoas consideradas sérias.

Em muitas dessas situações inventadas está escondida a verdadeira intenção do difamador, que lança seus “diabinhos” e deixa que eles corram como rastilho aceso em direção à banana de dinamite. Daí, os pedaços voam e se esmiúçam cada vez mais na cabeça dos ingênuos que se convencem dos fafofoca1tos e espalham a falsa notícia, para a satisfação do interessado. A estratégia do caluniador conta sempre com o apoio das “rádios cipós” que se ancoram pelos corredores das repartições públicas, pelas esquinas e bares. Elas são fontes secundárias de informações pelo princípio empírico e popular de que “onde há fumaça há fogo”, e, aliás, aproveitada com muita competência por apressados comunicadores locais, nem um pouco interessados em checarem a “notícia” plantada.

Muitas vezes, e sem querer, somos atores nesse processo, que é da natureza humana, uma vez que vivemos em grupo, nos comunicamos por diversos meios e temos interesses comuns e particulares. levianoTemos desejos e conflitos políticos e portamos uma conduta psicológica calcada em personalidades próprias e bem diferentes uma das outras. Talvez por isso nem nos damos conta que ao recebermos uma mensagem, seja de onde e de quem vier, nos tornamos personagens que vão beneficiar ou maltratar alguém ou alguma coisa.

Os políticos, de modo geral, se valem desses expedientes quando querem salvaguardar seus interesses, mormente na hora que os argumentos se esgotam. 1355812829Já descrevi aqui neste espaço invenções articuladas com o propósito de inverter o jogo das eleições. Lembro que ouvi pessoas sérias afirmarem ter visto o marido de certa candidata a prefeita sangrando no Pronto Socorro, por causa de um tiro dado pelo irmão do candidato que venceria as eleições. Lembro ainda que em outra eleição deu no rádio que o candidato mais velho a prefeito da capital havia falecido. O boato crescera tão rápido logo pela manhã que um batalhão de repórteres saíra à cata do suposto morto. Quando ele se manifestou nas rádios já era tarde. Seus eleitores não queriam “perder o voto” e já haviam votado em outros candidatos. Esses são apenas pequenos episódios que envolvem boatos e fofocas no meio político, onde um criativo mundo se articula diariamente em permanente conflito na busca da estabilidade e poderes.facefofoca

A calúnia, a difamação e a injúria são crimes previstos em lei. São palavras diferentes para ações legais muito semelhantes que tiram o sono dos “bocudos” quando têm de pagar indenizações na justiça a alguém a quem ofenderam moralmente de forma leviana e irresponsável. São elementos do controle social necessários à estabilidade da sociedade, dada à variabilidade e às diferenças das influências ambientes.cachorro_calor[6]Nosso comportamento é motivado pelas necessidades psicológicas herdadas e pelos anseios sociais adquiridos. Somos induzidos a agir por isso e conforme nossas necessidades, ambições e interesses de ordem pessoal. Daí, também, advém os desvios de conduta, os excessos temperamentais e a ausência de educação e controle que fazem as pessoas disseminarem suas opiniões ofensivas à dignidade de alguém. A Lei serve para controlar e punir esses crimes. Mas, uma vez feito o estrago, difícil é a reparação. Segundo o seu Jurandir, do Bailique: “Depois que o caldo cai no chão nem língua de cachorro ajunta”.

* Crônica de novembro de 2007 e publicada no livro Adoradores do Sol, de 2010.

Cotidiano e gírias nortistas são temas do novo stand-up de Murilo Couto em Macapá

Murilo Couto volta a Macapá neste fim de semana — Foto: Anna Kumamoto

Por Carlos Alberto Jr

Um dos destaques do humor nacional, o comediante e roteirista paraense Murilo Couto volta a Macapá para apresentar o seu novo espetáculo solo intitulado “Gala Seca”. O show de stand-up acontece em 28 de abril no Teatro das Bacabeiras, no Centro da capital, a partir das 19h.

O título do stand-up faz referência a gíria paraense – também usada no Amapá – que é usada para falar de pessoas com comportamento patético e ridículo.

Narrando vivências, em especial na infância a juventude, Couto exemplifica ao público o que é ser um gala seca. Outras gírias nortistas como “axí”, “égua” e “espia”, estarão presentes no show.

Além dos palcos, o comediante também se destaca na televisão, internet e até na música – por meio de dois personagens rappers. A irreverência do humor nortista, pouco conhecido nas demais regiões do país, transformaram Couto num comediante de destaque nacional, chegando a disputar as etapas finais do prêmio “A Pessoa Mais Engraçada do Mundo”, promovido pelo clube de comédia americano Laugh Factory, em 2016 na Finlândia.

Em 2009, Couto fez parte do o primeiro grupo de stand-up comedy do Brasil, o “Comédia em Pé”. Os ingressos do espetáculo, não é recomendado para menores de 14 anos, estão sendo vendidos por R$ 60 e R$ 30 (meia) pela internet.

Serviço:

Stand-up Gala Seca, de Murilo Couto
Data: 28 de abril
Hora: 19h
Local: Teatro das Bacabeiras (Centro)
Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia)

Fonte: G1 Amapá

PEIXE-ANTÔNIO – Conto de Fernando Canto Para Aimoré Nunes Batista e seu Martins

Chovia para cima em nosso sítio ao pé do monte Galalau.

Nem eu nem meus irmãos entendíamos aquele prodígio. Era como se a água do poço evaporasse da terra, formasse nuvens baixinhas e fosse embora, deixando tudo seco por dias seguidos. Assim mesmo a gente não passava necessidade nem sede. Meu irmão caçula, que tinha frequentado a escola da cidade enquanto a gente trabalhava na roça e na criação de peixe em cativeiro, dizia que era uma tal de ilusão. Ilusão de ótica. Como era sabido esse meu mano…, mas eu mesmo não me convencia. Perguntava para o meu pai, ele nem… Só fazia dizer: – Arre égua, menino, vai trabalhar que é melhor. Deixa de perguntar besteira. Isso é assim mesmo desde que eu me entendo por gente.

Quando a gente descia a serra até a cidadezinha próxima para vender a produção e comprar mantimentos, o seu Toco do Armazém, que também era meu padrinho de batismo, perguntava pelo pai. – Está sem poder se levantar, com um tal de ácido úrico e dores no peito, eu dizia. – Leva esse remédio aqui pra ele, menino. Dizem que é muito bom. É um unguento feito do leite de uma árvore chamada amapazeiro, lá do Norte.

Aí ele perguntava: – Quêde os peixe-antônio? Ele mandou pra mim? Claro, eu dizia. Mandou essa cambada fresca aí. E lhe entregava uns vinte piaus, retirados do criadouro, enfiados numa penca de sisal. – Mas por que meu padrinho chama esses peixes de peixe-antônio? Ele ria e não dizia nada. Eu achava que era uma brincadeira dos dois velhos amigos.

Seu Toco era baixinho, mas me disseram que era muito valente. Já tinha posto uns jagunços para correr, com um sabre que ganhara de um cangaceiro verdadeiro dos tempos de Lampião. E tinha muitas qualidades: tocava uma sanfona melhor que o Luiz Gonzaga, diziam. Eu nunca o tinha visto tocar, mas como gostava dele, só fazia espalhar a história. Eu cheguei a perguntá-lo: – Quêde a sanfona, seu Toco? O São João este ano vai ser bom… Já está meio frio lá na serra.

Ele dizia: – O fole tá furado, vou mandar consertar ou comprar outro assim que Deus e o Padim Ciço me permitir. Era mais uma conversa mole de quem fica enrolando e mascando tabaco. Quando não tinha sacos plásticos o seu Toco nos aviava compras a varejo com papel de embrulho. Eu ficava besta de ver a agilidade dele enrolando os dedos no papel até a mercadoria ficar fechada e não abrir tão fácil.

Enquanto eu tirava uma prosa com ele, meus irmãos ficavam brincando e passeando pela praça. Certa vez o caçula veio chorando porque um rapazote chamou todo mundo da minha família de mentiroso. Era um molecão invejoso que só. Fui tomar satisfação e acabei brigando. ]

A gente se feriu todo rolando pelo chão até nos apartarem. Já em casa minha mãe lavou minhas feridas com água e tintura de jucá, que dói que só uma peste. Mas nada disse a meu pai, senão ele ia se enfezar.

Ficou latejando na minha cabeça as palavras do rapazote brigão. Na semana seguinte fui novamente à cidade e perguntei ao meu padrinho por que ele tinha chamado a gente de mentiroso. Seu Toco me chamou num canto, pediu para eu sentar em um saco de milho e disse para eu não ligar. É que corria a lenda que no nosso sítio tudo era muito maluco. E por cima ainda tinha essa história de chover para cima e outras conversas de mentiroso.

– Mas não é mentira, seu Toco. Eu mesmo vi muitas vezes esse fenômeno, disse-lhe. Ele me olhou, me olhou, me olhou no fundo dos olhos e eu sustentei olhar. – Bom, então tu sabes dos peixe-antônio, hem macho?Sei não. Só ouço o senhor falar, respondi. – Então pergunta pro teu pai, diz pra ele que já é hora de tu saber. Levantou-se, deu três tapinhas nas minhas costas e mandou eu ir embora.

Subi a serra com a fubica gritando e esfumaçando de óleo queimado. Meu pai parecia adivinhar, pois estava me esperando a cavalo na porteira do sítio. Antes que eu falasse, ele fez um sinal e disse: – Vamos lá em cima do monte Galalau.

Montei na garupa do cavalo e fui com ele pela estrada íngreme, passando dos limites que até então conhecia. Ficamos sentados até o pôr-do-sol. Ele não falava nada. Fez uma fogueira para amenizar o frio e disse para eu ficar em silêncio. Eu obedeci. Não dormimos. O céu tinha tantas estrelas que pareciam mosquitos brilhosos rondando em nossas cabeças.

Eu já estava agoniado com o silêncio do meu velho pai, aquele homem forte que falava sempre o que e quando queria, barulhento e alegre com os filhos. Eu era o terceiro. Os dois antes de mim já tinham, como se diz, batido as botas há tempos. Agora eu era o varão e a alegria dos meus pais, e responsável pela criação de mais cinco, quatro homens e uma mulher, já que ele só vivia doente e só melhorava com os remédios que o seu compadre Toco dava para ele. Minha mãe até hoje chora por essa perda, do tempo em que moravam na caatinga, nos cafundós do sertão de meu Deus.

A noite fria custava a passar e só se ouvia o crepitar da lenha no fogo e os silvos das estrelas cadentes. De repente começou a ventar e a chover para cima uma água vaporosa, como a formar um rio de nuvens escuras bem em cima das nossas cabeças, onde as estrelas desapareciam. Meu pai ficou de joelhos e disse: – Obrigado, meu Santo Antônio. Então começaram a cair piaus sobre nós, se debatendo no chão e uns já se assando na fogueira, que resistia à fina chuva. Eu confesso que fiquei maravilhado com aquilo. Meu pai ria e me dizia: – Tu tá vendo, meu filho. Isso é a realidade do nosso sítio. Eu fiz uma promessa pro Santo salvar tu e o compadre Toco da peste da fome que matou teus irmãos e todos os filhos dele lá no agreste. Antônio me fez casar com esta terra prodigiosa onde reconstruímos nossa vida. Fiz uma capela pra ele com o suor do meu trabalho e do meu compadre, que também é meu primo, e o Santo ainda me recompensou com isso que tu estás vendo. Meu pai ria, dançando um xaxado inexistente, arrastando as sandálias como se estivesse em uma festa. – Ah, a sanfona do compadre Toco agora, dizia, se esbaldando de rir. Nem parecia que tinha gota.

Comemos uns peixes-antônio assados e guardamos a maior parte em uma saca que ele levava no cavalo. A noite passava e o meu pai não parava de me contar fatos de sua história. O segredo dele acabou ali, no monte. Agora era todo meu. Mas ele me disse que estava esperando uma coisa. Ficou em silêncio como antes. E o tempo passou.

Antes de amanhecer choveu para cima novamente. Ficamos molhados na madrugada e a fogueira se apagou. Ouvi o estrondo de um trovão, o cavalo relinchou de medo e uma avalanche de peixes piaus rolou morro abaixo. Consegui puxar o cavalo, mas meu pai ficou soterrado para sempre naquela terra que há tempos lhe dera o sustento e alimentara sua alma generosa.

Pode dar o cano quem quiser porque não vou mais correr atrás de ninguém – Conto de Ray Cunha

Conto de Ray Cunha

Não havia sido um dia de sono restaurador para Amarildo Teixeira. A periodontite o torturava, de modo que passou o dia em claro. Foi trabalhar azedo. Era garçom no Chorão da Asa Norte.

Lá pelas seis horas da tarde apareceu uma cliente, uma senhora elegante, trajada com sapatos altos de couro preto, meias e vestido também pretos. Bonita, de belos cabelos negros, quase longos, era patente que estivesse de luto, pois acumulava duas alianças no dedo anular esquerdo. Pediu o cardápio e passado um momento perguntou se a caldeirada de frutos do mar dava para duas pessoas.

– Dá para quatro, senhora – informou o garçom Amarildo.

– Traga, então.

– E para beber?

– Nada. Fico sempre muito cheia quando bebo alguma coisa durante o jantar.

Naquela hora não havia quase ninguém no Chorão. Estava tudo silencioso e agradável. Tudo bem arrumadinho, à espera da turba que não demoraria a chegar noite afora. Depois que o garçom Amarildo serviu a caldeirada de frutos do mar, pôs-se a observar a mulher. Estava desconfiado de alguma coisa. Não sabia bem de quê. Ela pediu bastante pão francês e Amarildo serviu-lhe quatro pães. Um, ela comeu num relâmpago.

O impressionante é que a caldeirada dava mesmo para quatro pessoas normais e ainda sobrava. Era uma terrina enorme, cheia de um caldo cheiroso e saboroso, com grandes pedaços de peixe, moluscos e toda sorte de crustáceos. Amarildo Teixeira não acreditou no que viu quando ela o chamou para pedir a sobremesa. A terrina estava seca, o arroz e o pirão foram devorados e os pães sumiram.

– Queijo com goiabada! – ela disse.

O garçom Amarildo ficou confuso. Foi buscar a sobremesa. Quando voltou, a bela viúva sumira. Amarildo correu para a rua e ainda pôde ver o vulto na esquina, iluminado pelas primeiras luzes da noite. Não pensou duas vezes. Saiu no seu encalço. Ao alcançar a esquina, a mulher estava à sua espera e atirou-lhe uma pedra na cabeça. O garçom escorregou e caiu. Levantou-se. Ela desaparecera. Amarildo Teixeira voltou para o restaurante. A pedra fez-lhe um galo. “Ainda bem que não foi na testa” – pensou, apalpando o calombo no lado da cabeça. “Não vou nem contar essa. Ninguém vai acreditar. É melhor não contar. O pior é que eu vou ter que pagar a conta daquele animal; me deu o cano e quase quebra minha cabeça. Como é que pode?”

De volta ao Chorão, Amarildo Teixeira foi ao banheiro. Muita gente havia chegado e o gerente estivera atrás do garçom. Quando Amarildo saiu do banheiro havia um sujeito numa das mesas de sua responsabilidade. Um sujeito grandalhão, um verdadeiro mastodonte, olhando atentamente o cardápio. Aproximou-se cautelosamente.

– Escute aqui, meu jovem, esta caldeirada de frutos do mar dá para duas pessoas? – perguntou.

– Dá para quatro – disse Amarildo Teixeira.

– Quero uma. Traga logo uns pãezinhos até chegar a caldeirada.

“Não é possível que esse cara saia correndo também. Não acredito! Até porque não agüentaria correr com esse corpanzil” – pensou Amarildo, levando quatro pães franceses para o freguês.

– Putz, ô meu, só isto? Traga uns dez – pediu-lhe o homem, passando manteiga num deles e comendo-o em duas bocadas.

Amarildo Teixeira serviu a terrina de caldeirada olhando fascinado para o homem. “É um animal de bruta raça” – pensou.

O freguês era bom de boca. Em pouco tempo não restava mais nada na mesa que pudesse ser comido.

– Ô, meu, queijo com goiabada! – disse o homenzarrão.

O garçom Amarildo foi buscar o que o sujeito pedira. Serviu a sobremesa; o tipo devorou-a em segundos e pediu outra. Após comer quatro porções de queijo com goiabada o gajo não deu tempo para nada. Ergueu-se subitamente da mesa e partiu para a porta, ganhou a rua, e correu em direção à Avenida W3 Norte, com Amarildo Teixeira atrás. Mas o freguês tinha fôlego de peso pesado. Alcançou facilmente o calçadão da W3 Norte, onde estacou abruptamente. Amarildo aproximou-se dele e recebeu um cascudo na cabeça que o fez cambalear e cair. Levantou-se e retrocedeu. O brutamontes partiu para cima dele. Alcançou-o e lhe deu uma rasteira, fazendo o garçom se acabar na calçada. Levantou-se às pressas e correu o quanto pôde para o Chorão. Quando se sentiu em segurança olhou para trás e viu o mastodonte atravessando lentamente a W3 Norte. Olhou para si e viu que ficara bastante estragado.

– Aquele desgraçado quebrou a minha cabeça só com um cascudo. Acho que tinha um pedaço de ferro na mão. Agora vou ter que pagar duas caldeiradas de frutos do mar e mais quatro sobremesas – choramingou. – A melhor coisa que eu faço é ir embora para casa.

Mas Amarildo não pôde ir embora, pois faltaram três colegas seus e na sua ala havia dois esgalamidos querendo caldeirada de frutos do mar.

“Droga, droga, droga” – disse de si para si, e foi buscar a primeira terrina, decidido a não correr mais atrás de ninguém, nem que tivesse que pagar a conta com sua poupança na Caixa Econômica Federal.

*Contribuição de Fernando Canto.

Uma tarde com a Big-Big – Conto (marginal) de Fernando Canto

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Conto marginal de Fernando Canto

Porra, eu andava puto porque tinha sido demitido da TV que trabalhava porque em uma transmissão ao vivo a Big Big apareceu e pegou no meu pau e eu gritei de dor. Não teve jeito nem chora minha nega. Fui pra rua mesmo por justa causa, falta de ética, descompostura, atentado ao pudor… essas coisas. O féla da pôta do patrão não estava nem aí pros meus argumentos. Não convenci o fresco do judeu insensível. Ele sabia que eu era solteiro e não adiantaria mentir.

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Conheci a dita cuja da Big Big quando eu cobria o Pronto Socorro para um jornal impresso. Ela tinha sido atropelada pela sétima vez. E já estava aleijada. A droga que ela se apaixonou por mim desde que me viu fazendo a reportagem pra televisão, pois me achou bonito e queria que eu a fizesse famosa. Onde eu chegava ela achava um jeito de passar a mão em mim. Até dedada eu levei dela. Ridículo. Logo eu, porra, um jornalista considerado…

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Fudido do jeito que eu estava, com o troco do salário que me deram, pois não tive direito a nada, fui lá na beira-rio tomar uma cerveja. Pensei em almoçar no bar do Nego, mas resolvi só beber e resolvi misturar cachaça com cerveja. Comecei a ficar porre e queria fazer sexo. Não vi nenhuma garota de programa pra afogar o ganso, o Neymar, o Messi e minhas mágoas. Bebi, mas bebi pra caralho. Quando já estava chamando uma coluna do bar de meu bem vi a Big Big caminhando arrastando a perna. Pensei, na minha visão meio truvisca, que ela dançava Marabaixo. Que nada! Ela dançava um reagge e estava linda com sua pele morena.

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Paguei a conta e ainda deixei dez por cento pro garçom Raimundo, que costumava me roubar nas contas quando eu estava por cima da carne do churrasco.

Chamei a linda Big Big e lhe disse sem pudor: – Pega à vontade no meu pau, amor.

Ela ficou me olhaaaando! Não disse nada.71759_461427497243620_567377479_n1

De repente eu caí em mim e vi a Matilde Joaquina com o câmera da emissora que eu trabalhava me filmando, só pra fazer o mal, pois ela havia ocupado meu antigo posto de trabalho. Porra, todo mundo ia saber que eu tinha quase um caso com a Big Big. Quase um caralho. Agora teriam certeza.

Pedi mais um copo cheio de cachaça pro garçom ladrão e segui desolado02253686300-217x300 até as muralhas da Fortaleza de São José de Macapá. Na realidade eu fui me lamentar naqueles muros. Chorei muito. Minhas lágrimas quase amolecerem as pedras da edificação secular.

O dia se punha no oposto do rio Amazonas. E os caminhantes habituais do parque do forte olhavam para mim, me reconheciam e riam. “Drogado”, diziam, “eu até que admirava teu trabalho”. “Safado”… Assim me chamavam.

oloucoFui cambaleando e encontrei um amigo artista plástico literalmente caído na sargeta. Tentei levantá-lo a todo custo, mas não conseguia . Até que senti uns braços fortes me ajudarem. Era a gostosa Big Big que pôs o pintor num lado do ombro e pediu com gestos que eu fizesse o mesmo com o meu. Levamos nosso amigo de cachaça até a prainha que fica entre aquelas falésias da Fortaleza e bebemos o resto da granada de duelo que ele tinha no bolso, e mais duas que ela guardava na calcinha, a gitinha logo. Cantamos e rimos até a lua surgir mais porruda que em qualquer outro lugar, como disse o poeta.

Acordamos com a maré enchendo suavemente, marulhando na areia.

A bacana companheira por fim falou e me revelou que a jornalista que me substituiu pagou a ela pra pegar no meu pau naquela reportagem que fiz ao vivo.

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Nessa altura do campeonato nem esquentei mais. Eu perdoei a Big Big porque ela precisava de dinheiro pra beber e pra dar pros caras dela. Agora, lúcidos que nem uns filhos de uma égua, estamos arquitetando um plano pra invadir o estúdio da TV ao vivo e pegar na buceta daquela jornalista desgraçada. Eu, meu amigo pintor e a minha noiva Big Big. Ora, Ora. Marrapá! Vamos sair na mídia nacional. Ihiihihihihihihih!

*Quando recebi este conto (ao qual gostei bastante), disse para o Fernando: os politicamente corretos cairão de pau na gente por causa deste escrito”. Canto, que é sábio e irreverente, disparou: “os bêbados e loucos fazem parte na nossa paisagem cotidiana da cidade”. É isso aí!

Nem morto! – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Fui ao médico e ele me disse uma coisa que me deixou muito chocado:

– Seu Ronaldo, sinto informar que o senhor não está mais entre nós.

– Hein? Como assim?

– Estou dizendo que o senhor está morto.

Me apalpei, me olhei, me examinei e nada indicava que eu estivesse morto:

– Doutor, o senhor disse: morto?

– Sim. Mortinho da silva, como se falava antigamente.

E o médico foi logo me apresentando um documento que acabara de assinar:

– Aqui está o seu atestado de óbito.

– Ei, o senhor está falando sério mesmo?

– Nunca falei tão sério!

Saí do consultório sem entender nada, mas eu não sou um exemplo de alguém que entende muito bem as coisas que acontecem. Devia ser a minha já conhecida distração. Me distraí e nem percebi que estava morto.

Já passei antes pela sensação de estar morto, mas aquela confirmação me deixou perplexo. E agora? O que fazer da minha morte, eu que nunca soube o que fazer da minha vida? Devia ser por esse motivo, o fato de eu estar morto, que as pessoas passavam por mim sem demonstrar qualquer sinal de me avistar. Atribuí ao costume atual de ninguém mais prestar atenção em ninguém, todos abduzidos pelos aplicativos dos celulares.

Levei o atestado de óbito ao INSS para saber quais seriam os próximos procedimentos, mas ninguém percebeu a minha presença. Achei normal, já que nessas repartições públicas dificilmente os funcionários prestam atenção em que está vivo, imagine em quem já morreu. Eu, que precisava provar que estava morto, tinha uma senhora ao lado que, para receber certo benefício, precisava dar conta de uma papelada imensa para provar que estava viva.

Bom, eu precisava me tocar (até me toquei, mas não senti o meu toque) e assumir a minha morte. Assumi tão poucas coisas na vida que assumir a própria morte seria algo bem estranho. Aí a curiosidade me tomou (sim, as pessoas continuam curiosas após a morte) e olhei mais atentamente o atestado de óbito para saber a causa da minha morte. Descobri que não teve um motivo só, mas vários motivos. Morri de tédio, de solidão, de euforia, de farra, de melancolia, de bebida, de cigarro, de respirar, de ficar doente, de ficar são, de sair pela madrugada, de ficar horas em frente à TV, de submissão, de rebeldia, de ouvir música, de falar palavrão, de gritar, de pedir silêncio, de comer, de jejuar, de fazer sexo, de fazer abstinência… Enfim, morri de uma coisa chamada vida. Lembrei imediatamente do meu amigo Gino Flex, que teve a mesma causa mortis: excesso de vida. Portanto, obrigado à vida que me deu tantos motivos para vivê-la, às vezes muito afoito, às vezes com uma preguiça terrível; aqui tomando as rédeas da situação, ali deixando as coisas rolarem.

Agora vou me encontrar com o Gino, fazer um brinde e continuar pela morte com a mesma disposição com que enfrentamos a vida.

Adeus! E saúde!

Sobre sonhos, pesadelos e outras viagens – Por Cleomar Almeida

Meu amigo Cleomar Almeida é um competente engenheiro. O cara também é a personificação da pavulagem e gentebonisse, presepeiro e boçal como poucos que conheço. Um figura divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade. Quem conhece, sabe. Hoje ele escreveu essa:

Sobre sonhos, pesadelos e outras viagens

Queria que alguns de meus sonhos pudessem ser gravados, só pra eu assistir novamente, tal a veracidade das coisas que neles acontecem. Alguns seriam dignos de um Oscar, outros, mero refugo da pornochanchada. Dia desses, digo, noite dessas, creio eu, de tanto ficar assistindo programa de bicho, me peguei dormindo em meio a uma mata, riacho passando ao lado, canto de pássaros e uma penumbra bacana.

Eis que ao longe vejo aquele enorme felino, rastejando em minha direção, nessa hora de desespero meu único pensamento é correr. Posiciono-me para iniciar a disparada da minha vida, como Usain Bolt na linha de partida para os cem metros e só então percebo que não estou só naquela situação periclitante, minha mulher dorme ao lado, alheia ao risco de virarmos bóia do animal faminto. Onça chegando, eu pronto pra correr, mulher dormindo ao lado, macaco gritando, desespero total na mata e é quando tomo a decisão, vou correr, não sem antes avisar minha parceira, isso seria uma covardia sem tamanho.

Dou-lhe um belo de um tapa na bunda e grito: Amor, corre que tem onça!! Minha disparada é curta e breve, minha cama é colada à parede, quase arrebento os cornos por conta da velocidade impressionante que atingi naquele meio metro que tinha pra avançar. Ainda atordoado olho para o lado, minha mulher sentada na cama me fita com ar de reprovação e diz: Eu “mínino”, tu vais quebrar esta parede!!!. Mal sabe ela a fogueira que acabamos de pular.