Sobre Fernando Canto – Por Renivaldo Costa – @renivaldo_costa

Nosso querido amigo Fernando Canto.

Por Renivaldo Costa

O Fernando Canto é um dos seres humanos mais extraordinários que conheci até hoje. Me permito chamar de “irmão” a poucos amigos. Fernando é um deles. Nos conhecemos há 25 anos, quando ele ainda morava em Belém e desde então estabelecemos uma relação de amizade e apreço. Muito daquilo que escrevo tem forte influência de Fernando. Afinal, cresci lendo seus livros.

Em maio Fernando Canto completou 66 anos, data que nem pudemos comemorar como de praxe em razão da pandemia. Ele nasceu em 29 de maio de 1954 em Óbidos, mesma terra que gerou outros ícones da cultura brasileira como Inglês de Sousa. Suas incursões pela música e literatura são conhecidas pelo Brasil afora, mas creio que o Amapá precisa redescobrir ainda Fernando Canto.

Outro dia, numa conversa com o ex-deputado Antônio Feijão, ouvi o seguinte comentário: “Se tivesse nascido em qualquer outro lugar do mundo, o Fernando Canto seria considerado um legado cultural pelo seu povo. O Amapá precisa olhar mais pelos seus heróis”. De fato. A contribuição dado por Canto ao longo de sua trajetória no Amapá é um legado do qual temos que nos orgulhar. Obras como “O Bálsamo” e “Eqüino Cio” são dignas de premiações internacionais.

Este editor com o Canto. Meu amigo e herói literário.

Ademais, foi somente na gestão de Fernando Canto que a Confraria Tucuju ganhou notoriedade.

Provavelmente uma das maiores contribuições de Fernando Canto à cultura amapaense tenha sido a “marabaixeta”, um marabaixo fora de época que ele idealizou num momento em que esta manifestação passava por momento agônico e corria o sério risco de desaparecer. À época, Fernando sofreu críticas mas hoje – quase 23 anos depois – sua iniciativa pode ser melhor entendida. Hoje proliferam grupos de marabaixo e até já se promoveu um festival dessa manifestação, ideia aliás que nosso sociólogo defendia há mais de 20 anos.

Renivaldo, com Fernando e outros ilustres cidadãos do Laguinho, na “marabaixeta”.

Por fim, encerro esta homenagem relembrando uma história ocorrida com o Fernando Canto e contada pelo saudoso amigo Hélio Pennafort. “Levado por amigos, o Fernando Canto participou de uma animada festança lá para as “blelbas” do furo do Assacu. Conhecendo a rígida disciplina que nesses lugares impera no salão, Fernando, depois de muita excitação, conseguiu aproximar-se de uma brejeira cabocla, triste e solitariamente encostada na desnivelada parede de paxiúba:

A senhorita me permite esta contradança?
– O que ?
– Vamos dançar?
– Num dá. Eu só danço abenetando.

Fernando encabulou. Desencabulou. Novamente convidou. Mas qual… a dama encasquetou: – Já disse, só danço abenetando.

Sociólogo de vastos recursos, imaginou tratar-se de algum passo novo e, quem sabe, poderia adaptar-se a ele no decorrer da contradança. Insistiu: – Mas sim, vamos dançar?

– De novo? Puxa, só danço abenetando.
– Pois eu sei dançar abenetando.
Mas quando?… A Bené num tá.”

Hoje é o Dia do Gordo – Meu texto sobre nós (os gordos)!

Arte do amigo Jorge Júnior (o “Sombra”).

Hoje (10) é o Dia do Gordo. Li que o principal objetivo da data é a conscientização sobre a importância de se manter o respeito por aqueles que estão acima do peso, ou mesmo aquelas pessoas que apenas possuem uma estrutura corporal mais avantajada. Como sabemos, a obesidade pode ser prejudicial à saúde. Porém, não significa que a pessoa que apresenta uma constituição física maior tenha necessariamente alguma enfermidade. Afinal, existem pessoas magras que convivem com diversos problemas de saúde, e nem por isso são vistas com desprezo.

Portanto, o Dia do Gordo visa para desconstruir preconceitos, alterar os padrões de beleza estereotipados e combater a gordofobia, que recai principalmente sobre as mulheres.

Sobre o adiposo estado, sou (não estou, estar é temporário) porrudo desde 1998, quando deixei de ser uma garrafa e virei um freezer de cerveja. Costumo dizer que engordei muito, mas fiquei mais esperto. Ainda bem que, para muitos, o feio bonito lhe parece.

Sem qualquer tipo de apologia à obesidade, admiro gordos bem resolvidos. Eu não sou assim, mas também não me esforço como deveria para melhorar minha forma física. Sigo feliz ignorando preconceitos e cobranças. Mas confesso, é duro não poder usar algumas roupas ou bater bola com os amigos (só lembro do Bussunda, humorista gordo que morreu ao jogar uma pelada com amigos, em 2006).

A maioria dos gordos são alvo de piadas ofensivas, o que enche o saco de qualquer um que não é um babaca. Minha autoestima só não é mais abalada pela forma de geladeira por conta da sorte que sempre tive, depois de arredondar, com as mulheres. Disso posso me gabar. Afinal, gordo tem que se garantir!

Ah, uma coisa é fato, gordo só faz gordice. Somos desajeitados, gulosos, calorentos, engraçados, entre outras coisas. Sei que é preciso maneirar, pois a saúde cobra caro. Quem dera diminuir de ultramegagordo para somente gordo, mas isso é um processo dolorido e exige sacrifícios. A não ser que você tenha coragem de encarar uma cirurgia bariátrica, mas mesmo assim existe sofrimento no pós operatório e adaptação à nova vida.

E os apelidos? Já fui chamado de rolha-de-poço, barriga de lama, corpo de pipo, corpo de coxinha, sargento Garcia, entre tantos outros. O que pegou mesmo foi “Godão”. E eu até gosto desse apelido.

Já tive um corpinho bonito, que enterrei embaixo de toneladas de comidas deliciosas, aliadas a zero prática esportiva. Eu adoro quando um gordão ganha de um figura metido a maromba e quando a gordinha gente fina é mais interessante que a rata de academia sem cérebro.

Enfim, feliz Dia do Gordo a todos os que sofrem com a tiração de barato, encaram com bom humor e muitas vezes conseguem ser mais fodas que muitos idiotas magros ou bombados. Viva nós!

Elton Tavares

O Milagre – Conto de Mauro Guilherme

Conto de Mauro Guilherme

O pastor chegou no velório acompanhado de inúmeros fiéis da igreja, todos vestidos de preto. Pediu para que todos os presentes rezassem junto com ele, pois iria ressuscitar o morto. O alvoroço foi grande. Alguns protestaram, outros ficaram meio que atordoados, e o cochicho só terminou quando o pastor gritou: “Ó homens de pouca fé!” Então se fez silêncio.

O pastor começou uma oração fervorosa, segurando uma Bíblia. Os seus acompanhantes rezavam com ele, mas os outros presentes estavam mudos, estupefatos com o que estava ocorrendo. Em sua prece citava os milagres de Jesus, especialmente o referente a Lázaro, e lembrava que Jesus ressuscitara no terceiro dia. Depois ele começou a falar em outras línguas.

De repente, alguém disse que vira o morto se mexer. Foi quando luz se apagou. Algumas mulheres desmaiaram, outras correram, de modo que a confusão se estabeleceu. Quando a energia voltou, o corpo não estava mais no caixão, nem o pastor estava mais no velório.

A polícia foi chamada, mas não conseguiu descobrir como o corpo sumira, até porque os testemunhos eram na maioria muito estranhos, havendo gente que dissera que vira o finado sair caminhando pela porta, e outros que o viram subir numa carruagem de fogo ao céu.

No outro dia o templo do pastor estava lotado, com cinco vezes mais pessoas do que o habitual. O pastor curou um cego de nascença, fez um mudo falar e tirou o demônio de uma pessoa. Nunca o templo arrecadou tanto em um só dia de pregação.

Frases, contos e histórias do Cleomar (IV Edição Especial Coronavírus)

Tenho dito aqui – desde fevereiro de 2018 – que meu amigo Cleomar Almeida é cômico no Facebook (e na vida). Ele, que é um competente engenheiro, é também a pavulagem, gentebonisse, presepada e boçalidade em pessoa, como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade, além de inventor do “PRI” (Plano de Recuperação da Imagem), quando você tá queimado. Quem conhece, sabe.

Assim como a primeira, de março passado, a segunda de maio, a terceira em junho, segue a IV Edição Especial Coronavírus, cheia de disparos virtuais do nosso pávulo e hilário amigo sobre situações vividas em tempos de Covid-19 no mês de abril. Boa leitura (e risos):

Polpa

O cara que armazena a polpa de goiaba, junto com a de acerola no supermercado, deveria pegar uma surra.

Fim de mês

Aí, no fim do mês, o cara volta pra casa com seis notas no bolso. Rezar pra não perder nenhuma no caminho.

Em caso de premonição

Não gosto nem de pensar no que aconteceria, se no Carnaval eu soubesse que passaria os próximos cinco meses dentro de casa. Credo!

Bares na pandemia

Meu comportamento é inadequado para frequentar buteco em tempos de pandemia, quero logo abraçar todo mundo; cada um que chega é aquela sequência de dezoito toques com a mão. Na despedida, não saio sem falar com geral, até com quem não conheço. Definitivamente, não estou preparado.

Abuso

Quando envelhecer, quero ser um velho bacana, daqueles que dá gosto sentar ao lado e ouvir as histórias; tipo aqueles coroas maneiros que a gente admira. Recuso-me a ser um velho filho da puta, como o senhor desembargador.

Medo vence a sede

Descobri, depois da liberação do funcionamento dos bares, que tenho mais medo, do que sede.

Devassidão

Acordado em plena manhã de domingo, absorto em meus pensamentos, a única coisa que me vem, é a preocupação com o tamanho da devassidão que vai ser, se até o Carnaval, já estivermos livres disso tudo. Eu mesmo, já penso em ir nu logo.

Carapanãs

As vezes tenho a impressão que os carapanãs aqui de casa, também saíam pra trabalhar antes da pandemia, tipo, trabalhavam fora e retornavam no fim do expediente, na hora da “refrega”. Agora, obedecendo ao decreto, não saem nem pra cuspir. Tá lotado.

RAPADURA – Crônica de Flávio Cavalcante (@PedraDeClariana)

Foto: Tribuna Rural

Crônica de Flávio Cavalcante

Hoje, no sitio Macacos, distrito de Mangabeira, Município de Lavras da Mangabeira, visitamos um dos últimos engenhos de rapadura em funcionamento na região centro-sul do Ceará. Segundo o proprietário, senhor Gabriel Holanda Nunes, conhecido como Bié, de 79 anos, a “moagem” funciona desde à época do seu avô, quando ainda movida pela força animal, por juntas de boi. Dos 36 engenhos que funcionavam em Mangabeira, apenas o do sítio Macacos continua ativo, produzindo a tradicional e deliciosa rapadura.

Fotos: Tribuna Rural

Em meio roças, moendas e fornalhas, vários profissionais desempenham suas atividades na produção do saboroso tijolo, tais como os plantadores da cana, bagaceiro, caldeireiro e cacheador. Entre eles, o mestre, que, com sua experiência e prática, decide o momento exato em que o mel pode se transformar em rapadura.

Além dos conhecimentos práticos, adquiridos ao logo de séculos de observação e experiências, várias crenças e superstições envolvem o funcionamento do engenho. Uma delas consiste em parar toda a produção na primeira segunda-feira de agosto, pois esse dia é considerado de “má sorte” e pode causar um acidente ou uma pane nas máquinas.

No engenho dos Macacos, ao contrário de outras indústrias modernas, não há a adição de produtos químicos para aumentar o teor de sacarose na rapadura. Utiliza-se apenas as misturas tradicionais, como a cal, logo após a moagem da cana, que serve para limpar a garapa. No fim do processo, o mestre da rapadura também adiciona o sebo de gado, para endurecer o mel e fazer jus ao conhecido nome do produto final.

Ouvindo atentamente a explicação, meu tio Paulo Danúbio, professor aposentado, perguntou:

Seu Bié, o sinhô vende esse balde de Sebo de Gado?

– E o senhor vai botar um engenho de cana? – indagou o simpático proprietário da moagem.

– Não, seu Biê, quero ver se esse sebo serve pra endurecer outras coisa…

As minhas dezenas de fitas K7 e a nostalgia – Crônica de Elton Tavares

Crônica de Elton Tavares

Certa vez, há alguns anos, ao procurar meus livros dentro do armário do quarto, dei de cara com minhas duas caixas de sapatos repletas de fitas cassete. Constituída por dois carretéis de fitas magnéticas, a fita cassete é popularmente abreviada como K7. Esse tipo de “tecnologia” foi desenvolvida pela empresa Phillips, em 1963, para substituir a fita de rolo e o formato 8-track, que eram semelhantes, mas muito menos práticos e mais espaçosos.

A tecnologia desse artefato traz uma fita de áudio de 3,15 milímetros de largura, que rodava a uma velocidade de 4,76 centímetros por segundo. Antigamente a gente ouvia tudo na fita K7, no vinil e, muito depois, CD. Hoje, apesar de alguns ainda usarem o “Compact Disc”, quase tudo é no MP3 e MP4.

Minhas caixas, com quase 40 fitas, têm de tudo: Sony, Maxell, Bulk, Basf, Phillips e TDK, de 40, 60 e 90 minutos. A maioria não possui mais capa, mas as que ainda têm estão com os nomes das músicas ordenadamente anotadas no papel interior da fita.

Naquela época, nós caçávamos sons novos como as bruxas eram perseguidas durante a Inquisição, ou seja, incansavelmente. Época de micro system Sanyo (Alguém aí se lembra do que é “rewind”?), walkman Sony e festas de garagem.

Dentro das caixas os velhos companheiros: Depeche Mode, The Smiths, New Order,The Cure, Iron, U2, A-ha, David Bowie, Queen, Pearl Jam e Nirvana (muito Nirvana) Titãs, Ira!,Paralamas, Legião Urbana (muito Legião), Barão Vermelho, Engenheiros… todos esses e outros heróis da juventude. Além de umas do velho Chico Buarque.

Fizeram sucesso no final de 80, todos os 90 e início dos anos dois mil. Não tenho vergonha de ser tão antiquado. Meu brother André fala sempre, em tom pejorativo, que todo mundo já gravava CDs em 1999 e eu fitas. Bons tempos!

Aliás, gravar fitas era porreta. Quando curtia muito um som, todo um continha somente uma música (podia ser 30 ou 45 minutos de cada lado, com a mesma canção). Às vezes, ficava com o dedo no tape deck, esperando o locutor da FM calar a boca e soltar o som para que eu o tomasse. Oh, saudades!

Enrolar e desenrolar fitas com lápis ou caneta, sem falar em limpar cabeçotes do tape deck, isso sim é nostalgia.

A fita cassete não voltou como o vinil, que hoje é objeto cult. No máximo, estão em forma de adesivos de smarthfones (que acho legal pra cacete).

É, minhas velhas e empoeiradas caixas de sapato não estão somente repletas de fitas cassete, mas de ótimas lembranças. Eu as olhei por dezenas de minutos e as guardei novamente no armário, na memória e no coração…

Elton Tavares

Leitura alternativa do calendário maia sugere que o fim do mundo é hoje, 21 de junho – Égua-moleque-tu-é-doido!

Calendário maia antigo – Imagem New York Post

Se você pensou que COVID-19, distúrbios civis, gafanhotos, erupções vulcânicas e furacões sinalizaram o Armageddon – você pode estar certo!

A leitura do calendário maia estava errada, de acordo com uma teoria da conspiração no Twitter, e, embora o mundo não tenha terminado em 21 de dezembro de 2012, como foi originalmente profetizado pelos leitores do calendário, o dia do juízo maia é em algum momento. Postagens em redes sociais sugerem que houve um erro de cálculo e que na verdade o mundo acabaria em 21 de junho de 2020. Dia também conhecido como HOJE.

Após o calendário juliano, estamos tecnicamente em 2012… O número de dias perdidos em um ano devido à mudança para o calendário gregoriano é de 11 dias. Durante 268 anos, usando o calendário gregoriano (1752-2020) vezes 11 dias = 2.948 dias. 2.948 dias / 365 dias (por ano) = 8 anos ”, twittou o cientista Paolo Tagaloguin na semana passada, de acordo com o Sol. A série de tweets já foi excluída.

Se Tagaloguin estiver correto, somando todos os dias perdidos, a data do juízo final maia é … esta semana.

Em 2012, os teóricos do dia do juízo final estavam convencidos de que o mundo estava terminando em 21 de dezembro, e hordas de fiéis se reuniram em locais maias no México e na Guatemala – apenas para ficar desapontados e sujos devido à falta de saneamento nas pirâmides maias antigas.


Meu comentário: Bom, como eu disse, na virada de 1999 para o ano 2000, nos tempos do famoso “Bug do Milênio”; em 2012, por conta do tal calendário Maia (a existência se extinguiria em 12/12/2012 como dito no texto acima) e a teoria da facção religiosa chamada de “Deus Pentecostais em Camuy” (que afirmou que o fim chegaria entre os dias 22 e 28 de setembro de 2015, por meio de um asteroide); em 29 de julho de 2016 ( quando os polos da Terra se inverteriam, causando uma mudança de temperatura tão drástica que o planeta vai se tornar inóspito para a raça humana, provocando sua extinção) e em 2017, quando um asteroide arrepiaria tudo aqui,  repito: se o mundo acabar, minha vida valeu a pena. E como valeu!

Nessa vida, que segundo a previsão da tal releitura do calendário maia, está na reta dos boxes, curti, amei e honrei minha família e amigos; namorei muito; viajei bastante; bebi e comi demais; amanheci na farra incontáveis vezes; dei porrada em safados de todo tipo (verbal, textual e fisicamente); assisti a shows de rock; escrevi e disse o que quis para quem gosto e para os que detesto; pulei carnaval; vi o Flamengo ganhar vários títulos e a seleção brasileira ser campeã do mundo duas vezes; trabalhei e fui reconhecido; fui amado e também odiado quase na mesma proporção.

Portanto, querido leitorado deste site, se mesmo rolar apocalipse, diga “eu te amo” para familiares, amigos de verdade e seus amores. E que todos nós levemos o farelo. Pois, se ficarem uns gatos pingados pra contar vantagem, aí é sacanagem!

Apesar de eu ter certeza que é só mais um papo furado, caso este editor estiver errado, tenham um ótimo fim. Senão, este site seguirá com sua programação normal. É isso.

Elton Tavares

Fontes:    OVNI Hoje   , History &    New York Post 

Frases, contos e histórias do Cleomar (III Edição Especial Coronavírus)

Tenho dito aqui – desde fevereiro de 2018 – que meu amigo Cleomar Almeida é cômico no Facebook (e na vida). Ele, que é um competente engenheiro, é também a pavulagem, gentebonisse, presepada e boçalidade em pessoa, como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade, além de inventor do “PRI” (Plano de Recuperação da Imagem), quando você tá queimado. Quem conhece, sabe.

Assim como a primeira, de março passado e segunda de maio, segue a III Edição Especial Coronavírus, cheia de disparos virtuais do nosso pávulo e hilário amigo sobre situações vividas em tempos de Covid-19 no mês de abril. Boa leitura (e risos):

Barulho no Céu de Macapá

Alguém sabe me informar se tem algum barulho marcado pra essa noite?

Boçalidade

Quero entender como esse pessoal se reconhece por aí usando máscaras, eu não reconheço ninguém, aviso logo pra não parecer boçal.

Casal

Aqui em casa quem manda sou eu (as más línguas dirão que é a Nara), portanto ela decreta, digo, eu decreto, que o isolamento continua, visitas continuam suspensas até segunda ordem, minha é claro. Gostamos de vocês, mas nesse momento, vocês aí e nos aqui, protejam-se!

Dia dos Namorados

Queria ver se tivesse dia dos namorados toda semana, até onde vocês iriam com essa melação.

Lições da Vida

Hoje minha filha, com seu próprio dinheiro, comprou uma cama nova, fibra de bambu, molas ensacadas, comprou também um cobertor novo, tudo coisa de primeira. Logo depois, ela triste veio me falar que seu celular havia pifado. Dizer o quê? Bem vinda ao mundo cruel dos adultos minha filha, onde a gente compra uma camisa, e o ladrão leva duas da corda. 😁

BLEQUEFRAIDA – Conto de Fernando Canto

Conto de Fernando Canto

No Carnaval deste ano, a Blequefraida, filha do vizinho, pulou a cerca e foi conferir no quartinho de trás de casa se eu era mesmo bom de cama como diziam por aí. Ela ia desfilar no Piratão, uma escola de samba lá do Trem. Estava toda arrumada e linda, era uma das passistas. Iria de tapa-sexo.

Fiquei um tanto abalado com essa história, juro. Eu nunca fui de me gabar e nem tinha as medidas sexuais que rolava na lenda urbana sobre minha distinta pessoa. Hehehe! Mesmo assim eu mandava bala sem grandes esforços. A Bleque que o diga.

Mais tarde eu fui até o sambódromo porque iria sair em outra escola, uma de acesso, lá do meu bairro, o Jacareacanga, convidado pelo presidente Costa Barriga.

Antes de iniciar o desfile fui bisbilhotar as outras escolas para ver a organização das alas. Na frente do portão encontrei com ela, justamente conversando com Laive, uma destaque dessa escola. Essa mulher escultural saía em todas as agremiações carnavalescas.

Eu já tinha passado a rola nela, tinha namorado com ela, ia até em restaurante jantar. Tu é doido, é? Ela me meteu um chifre sem tamanho. Até hoje ando meio corcunda por causa isso. A Laive era muito viva, mano. Se casou com um ex-padre de família tradicional de Macapá, pensando que ia se dar bem, mas se deu mal depois, Pensava que o ex-religioso ia ter uma puta pensão da Santa Madre Igreja. Era uma ninfomaníaca. Malandra que só.

As duas conversavam sambando. Eu me aproximei e elas sorriam com aquelas bocas glamourosas cheias de lindos dentes brancos. Pediram-me uísque. Queriam um “esquenta”. Sabiam que eu trazia um cantil de aço inox tei-tei de Buchanan’s no bolso. Dei a elas e quase que eu fico sem um gole.

Laive pegou o beco e Bleque ficou ali se lembrando da foda da tarde, querendo mais.

Fui embora para o fim da concentração descendo a ladeira da avenida. Falei com muita gente conhecida. As mulheres me puxavam e eu tive que me desvencilhar delas porque senti a barra pesada no olhar dos homens ali perto.

Meu brother Estandibai me avisou que era praeu chamar o pessoal da Harmonia. A escola não demoraria a entrar. Ajudei a organizar as alas. Senti a mão da baixinha Delívere na minha costa. Me avisava que Naice, Vaibe e Loquinalda ainda não haviam chegado.

– Puta merda, Estândi! Reclamei. – E agora, cara? Como é que a gente vai fazer se elas não aparecerem?

– Sei não, chefe. Ele me encarou, com aquela cara de porre permanente.

– Fala com o Émersom Cupu pra ele ligar pressas porras agora, senão o carro vai sem destaques e aí já era.

Ele saiu cunscascos atrás do Cupu. Voltou dizendo que o Cupu falou que as destaques não eram de responsabilidade dele.

Nem pensar em falar com o presidente que a essa altura estava no carro abre-alas mandando beijinhos pra nossa minguada “torcida organizada”, diz-que.

Um pouco antes dos portões se abrirem para a entrada da nossa escola avistei a gostosona da Laive conversando de novo com a não menos gostosona da Bleque. Elas já haviam desfilado na primeira escola. Chamei as duas e disse que elas iriam ser nossos destaques no último carro. Elas toparam, queriam aparecer, mesmo… Eu e Delívere passamos uns brilhos com nossas cores nos corpos delas e em seguida os guindastes as puseram no alto do carro.

Quando, enfim passamos pelo portão e os seguranças não deixaram ninguém entrar, ainda deu pra ouvir os impropérios das destaques e seus braços varando pelas grades num último esforço de querer entrar.

Ao final do desfile encontrei o presidente com câimbra na boca de tanto sorrir e mandar beijinhos para a torcida e para os jurados, Estandibai bêbado que só a porra estirado em cima do carro abre-alas e as três destaques esperando a desocupação do último carro. Continuavam gritando vitupérios para mim e para as duas destaques arranjadas de última hora.

O presidente Costa veio me falar que até perdoava a minha “louvável atitude” de substituir as destaques. As oficiais não desfilaram porque o táxi em que vinham não conseguiu o acesso nas ruas para chegarem a tempo. E porque demoraram para se montar.

– Montar? Como assim? Indaguei, me fazendo de besta.

– Sim, montar. Disse o presidente Costa Barriga. – Elas são gays, são transformistas. Elas se montam. E o nosso enredo, Ó pateta, é sobre as diferenças sexuais. Sobre o sentimento dessas pessoas. Se não desse prelas virem no carro, ele devia vir vazio. Disse, aborrecido, olhando para mim e em volta, no que foi muito aplaudido pelos participantes do desfile.

– Presidente, quero que tu te fodas. Não vou ficar aqui neste palanque de viado. Nem vou mais te apoiar para vereador. Disse a ele bem enfático, com todo o meu orgulho e machismo.

Saí da dispersão com Laive e Blequifraida sob vaias, tapas e ameaças, coberto de lama que nos jogaram. Havia chovido antes do desfile. Felizmente, no meio da turma que nos vaiava, tinha umas pessoas que conheciam minha fama e nos protegeram de levar mais porrada.

Fomos a uma padaria, a pretexto de tomar café e nos limpamos da lama. Depois consegui pegar um taxi e fui com elas beber uísque em casa, transar e dormir, nós três.

Acordei pensando em aceitar o convite da vizinha para sair no Piratão no próximo ano, desde que junto com a Laive, a gata que voltei a me apaixonar para com certeza ser corneado de novo.

 

Feliz aniversário, Fernando Canto! – @fernando__canto

Toda vez é isso, como já escrevi noutra crônica de felicitações, quando é hora de escrever sobre o meu herói, quando o assunto é a arte da escrita. Não gosto de tempero artificial em textos de parabéns, tem que ter verdade. E é por isso que este texto é sobre admiração, muito respeito e amor.

Hoje, neste vigésimo nono dia de maio, Fernando Canto gira a roda da vida pela 66ª vez (bela marca). Ele é um dos mestres jedis da literatura e poesia da Amazônia. E, para mim, o maior escritor vivo do Amapá.

Fernando Pimentel Canto é compositor, cantor, músico, jornalista, sociólogo, professor Doutor, poeta, contador de histórias, causos e estórias, contista e cronista brilhante, apreciador e incentivador de arte, sociólogo, imortal da Academia Amapaense de Letras, ícone da cultura amapaense, escritor “imparável”, boemista, marido da Sônia, amante do carnaval, biriteiro considerado, embaixador do Laguinho, mocambo, membro fundador do Grupo Pilão, flamenguista e ex-atacante do Flamenguinho (time do Laguinho dos anos 60, onde segundo ele, o “Bira Burro” foi seu reserva), militante cultural e servidor da Universidade Federal do Amapá.

Com 17 livros publicados (de crônicas, poesia e contos) ; composições suas e outras com grandes nomes da música amapaense; ensaios teatrais, entre outras incontáveis contribuições para a cultura e resgate histórico do Amapá, além de cargos importantes ao longo de sua carreira, Canto é um ardoroso partidário da causa cultural tucuju. O “Cidadão Amapaense” mais amapaense que a maioria dos que aqui nasceram. Quem não o conhece ainda, ou não é do Amapá ou ‘bom sujeito não é’ – com a devida licença poética.

O cara é divulgador, incentivador e memória das artes tucujus. Ele é um acervo vivo de nossa identidade cultural. Uma espécie de Forrest Gump e Big Fish (grandes contadores de histórias do cinema) do Laguinho e de Macapá. Poucos atingem essa idade com a marca da genialidade, principalmente acompanhada de simplicidade e paideguice. Assim é o F.C.

Além de tudo isso, é um homem de bem e um cara muito porreta!. Sou fã dessa figuraça e muito me orgulha ser seu amigo.

Tenho cá minhas ambições como escritor. Comecei há pouco tempo e tenho um livro (prefaciado pelo Fernando), só esperando a pandemia passar, para ser lançado. Mas se fizer 10% do que esse cara fez, já ficarei feliz demais.

Apesar de ser um cara Phoda, Fernando Canto é humilde, tranquilo, gente fina. Desprovido da arrogância e boçalidade de muitos, que não possuem nem metade do talento e da bagagem cultural dele.

Existem uns poucos que falam bobagens do amigo. Ser uma pessoa de tanto talento e repertório, como Fernando, é realmente – às vezes- incomodar. Desconfio de gente assim e todos que conhecem o Fernando também, pois o grande artista das letras e palavras é um baita caboclo gente fina! Tenho muito orgulho de ser amigo dele.

Fernando Canto faz parte da lista de grandes amigos que fiz na vida. Eu o admiro e respeito. Apesar destes tempos tristes de pandemia, hoje é dia de ficarmos felizes pela vida do “papai smurf”, como o chamamos no grupo “Fuleiragem com Cerveja”.

Macapá possui pessoas especiais, seres que, em alguns casos, mesmo não nascidos aqui, para cá vieram e, como diz FC, ‘pegaram de galho’. Graças à passagem tridimensional que existe nessa cidade no meio do mundo, também conhecida como Linha do Equador.

Mestre Canto, que Deus, Morgan Freeman (ou seja lá o nome do “síndico”) te dê sempre saúde, tardes felizes no Abreu, Loro, Maria ou qualquer outro bar, onde tu és sempre bem-quisto e bem-vindo! Que curtas seus lindos netos e recebas sempre o amor da Sônia. Que sejas sempre feliz, como os periquitos que comem mangas na avenida, com a benção de São José e do Chefe dele. Que recebas mais visitas da Júlia. Que tu sejas esse pai, avô e amigo porreta, além desse artista e escritor incrível, por no mínimo mais 66 maios, “abenetando” ou não.

A gente, tua família e amigos, te ama. Meus parabéns pelo teu dia, mano velho. Feliz aniversário, querido Fernando!

Elton Tavares

Peixe-Tabaco – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Ele colocou a cabeça pra fora d’água e pediu um trago do meu cigarro. Achei bem estranho um peixe pedindo um trago de cigarro. Olhei para os lados para me certificar que estava sozinho na sala e que aquele peixe estava falando comigo mesmo. Encostei o cigarro em sua boquinha de peixe de aquário, esses peixinhos ornamentais que você juraria que fumar jamais passaria pela cabeça de um ser que irradia tanta pureza.

Ele tragou suave e longamente, curtindo aquele momento com muita intensidade. Quando a última baforada saiu e a fumaça já se dissipava, ele mergulhou rapidamente, pressentindo a chegada de alguém, e continuou com seus graciosos movimentos. Esse alguém que entrou na sala foi a minha amiga, a dona da casa em que eu estava. Dona da casa, do aquário, do peixe. Ela me sentiu um tanto desconfiado, como alguém que foi interrompido fazendo algo errado, e me perguntou:

– Você não deu nada pra esse peixe, deu?

Respondi que não, enquanto ela me mostrava uma placa, que eu não tinha visto ainda, acima do aquário. A placa dizia “não alimente os vícios do peixe”.

– É que ele sempre pede alguma coisa para as visitas.

Ah, bem.

Olhei para o peixe, que tranquilo estava e mais tranquilo ficou, me lançando uma piscadela de cumplicidade.

Uma tarde com a Big-Big – Conto (marginal) de Fernando Canto republicada.

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Conto marginal de Fernando Canto

Porra, eu andava puto porque tinha sido demitido da TV que trabalhava porque em uma transmissão ao vivo a Big Big apareceu e pegou no meu pau e eu gritei de dor. Não teve jeito nem chora minha nega. Fui pra rua mesmo por justa causa, falta de ética, descompostura, atentado ao pudor… essas coisas. O féla da pôta do patrão não estava nem aí pros meus argumentos. Não convenci o fresco do judeu insensível. Ele sabia que eu era solteiro e não adiantaria mentir.

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Conheci a dita cuja da Big Big quando eu cobria o Pronto Socorro para um jornal impresso. Ela tinha sido atropelada pela sétima vez. E já estava aleijada. A droga que ela se apaixonou por mim desde que me viu fazendo a reportagem pra televisão, pois me achou bonito e queria que eu a fizesse famosa. Onde eu chegava ela achava um jeito de passar a mão em mim. Até dedada eu levei dela. Ridículo. Logo eu, porra, um jornalista considerado…

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Fudido do jeito que eu estava, com o troco do salário que me deram, pois não tive direito a nada, fui lá na beira-rio tomar uma cerveja. Pensei em almoçar no bar do Nego, mas resolvi só beber e resolvi misturar cachaça com cerveja. Comecei a ficar porre e queria fazer sexo. Não vi nenhuma garota de programa pra afogar o ganso, o Neymar, o Messi e minhas mágoas. Bebi, mas bebi pra caralho. Quando já estava chamando uma coluna do bar de meu bem vi a Big Big caminhando arrastando a perna. Pensei, na minha visão meio truvisca, que ela dançava Marabaixo. Que nada! Ela dançava um reagge e estava linda com sua pele morena.

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Paguei a conta e ainda deixei dez por cento pro garçom Raimundo, que costumava me roubar nas contas quando eu estava por cima da carne do churrasco.

Chamei a linda Big Big e lhe disse sem pudor: – Pega à vontade no meu pau, amor.

Ela ficou me olhaaaando! Não disse nada.71759_461427497243620_567377479_n1

De repente eu caí em mim e vi a Matilde Joaquina com o câmera da emissora que eu trabalhava me filmando, só pra fazer o mal, pois ela havia ocupado meu antigo posto de trabalho. Porra, todo mundo ia saber que eu tinha quase um caso com a Big Big. Quase um caralho. Agora teriam certeza.

Pedi mais um copo cheio de cachaça pro garçom ladrão e segui desolado02253686300-217x300 até as muralhas da Fortaleza de São José de Macapá. Na realidade eu fui me lamentar naqueles muros. Chorei muito. Minhas lágrimas quase amolecerem as pedras da edificação secular.

O dia se punha no oposto do rio Amazonas. E os caminhantes habituais do parque do forte olhavam para mim, me reconheciam e riam. “Drogado”, diziam, “eu até que admirava teu trabalho”. “Safado”… Assim me chamavam.

oloucoFui cambaleando e encontrei um amigo artista plástico literalmente caído na sargeta. Tentei levantá-lo a todo custo, mas não conseguia . Até que senti uns braços fortes me ajudarem. Era a gostosa Big Big que pôs o pintor num lado do ombro e pediu com gestos que eu fizesse o mesmo com o meu. Levamos nosso amigo de cachaça até a prainha que fica entre aquelas falésias da Fortaleza e bebemos o resto da granada de duelo que ele tinha no bolso, e mais duas que ela guardava na calcinha, a gitinha logo. Cantamos e rimos até a lua surgir mais porruda que em qualquer outro lugar, como disse o poeta.

Acordamos com a maré enchendo suavemente, marulhando na areia.

A bacana companheira por fim falou e me revelou que a jornalista que me substituiu pagou a ela pra pegar no meu pau naquela reportagem que fiz ao vivo.

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Nessa altura do campeonato nem esquentei mais. Eu perdoei a Big Big porque ela precisava de dinheiro pra beber e pra dar pros caras dela. Agora, lúcidos que nem uns filhos de uma égua, estamos arquitetando um plano pra invadir o estúdio da TV ao vivo e pegar na buceta daquela jornalista desgraçada. Eu, meu amigo pintor e a minha noiva Big Big. Ora, Ora. Marrapá! Vamos sair na mídia nacional. Ihiihihihihihihih!

*Quando recebi este conto (ao qual gostei bastante), disse para o Fernando: os politicamente corretos cairão de pau na gente por causa deste escrito”. Canto, que é sábio e irreverente, disparou: “os bêbados e loucos fazem parte na nossa paisagem cotidiana da cidade”. É isso aí!

Frases, contos e histórias do Cleomar (II Edição Especial Coronavírus)

Tenho dito aqui – desde fevereiro de 2018 – que meu amigo Cleomar Almeida é cômico no Facebook (e na vida). Ele, que é um competente engenheiro, é também a pavulagem, gentebonisse, presepada e boçalidade em pessoa, como poucos que conheço. Um maluco divertido, inteligente, gaiato, espirituoso e de bem com a vida. Dono de célebres frases como “ajeitando, todo mundo se dá bem” e do “ei!” mais conhecido dos botecos da cidade, além de inventor do “PRI” (Plano de Recuperação da Imagem), quando você tá queimado. Quem conhece, sabe.

Assim como a primeira, de março passado, segue a II Edição Especial Coronavírus, cheia de disparos virtuais do nosso pávulo e hilário amigo sobre situações vividas em tempos de Covid-19 no mês de abril. Boa leitura (e risos):

Imagens: G1 Amapá

Jacaré

Não acho estranho aparecer jacaré, peixe boi, bicho preguiça por aqui, afinal, moramos no meio do mato. No mínimo eles é que acharam estranho esse silêncio todo e vieram ver que merda nós fizemos dessa vez.

Empório do índio

Tava aqui pensando, instalaram internet no Empório do Índio numa semana, na outra começou essa cagada toda. E o Trump achando que a culpa é dos chineses. Só não vê quem não quer, meus amigos.

Hospitais

Já pensou se todo aquele dinheiro investido na Copa, tivesse sido investido em Hospitais? Tudo é questão de o que se prioriza. Agora, no desespero, construímos hospitais de campanha dentro dos estádios. Não parece muito lógico, não é!?

Quarentena

Quadragésimo dia: Tô de saco cheio de mim, parei de falar comigo, tomei um porre e tô falando mal de mim, pra mim mesmo; sujeito sem palavra eu. Amanhã, não quero nem papo comigo!

La plata inútil

Adianta ter tanto dinheiro e não poder sair de casa? Não que eu tenha, mas também não tô podendo sair… Empatamos!

Esposa

Se minha mulher fosse uma super-heroína, ela seria a Mulher Q’Boa; dia desses ela quase desinfeta uma pizza aqui em casa.

Gordo

O problema de eu bater as botas agora, é que ainda vai aparecer uns FDP pra dizer: mas também, ele tava muito gordo.

O problema é o dinheiro

Minha mulher vive reclamando que eu gasto muito dinheiro na rua. Tô há uma semana trancado em casa e a grana acabou do mesmo jeito. Tá vendo!? O problema não sou eu; o problema é o dinheiro!!

O evangelho segundo eu – Conto de Ronaldo Rodrigues

Conto de Ronaldo Rodrigues

Quando Jesus reuniu os apóstolos para a Santa Ceia, a proposta já estava firme em sua mente. Para espanto geral dos apóstolos, Jesus falou muito diferente, sua voz soou num tom bem acima do que costumava ser:

– Pois bem, senhores. Esta reunião é bem mais que uma ceia. É neste momento que começa a grande revolução.

Pedro sentiu o assombro nos olhos dos outros apóstolos e falou:

– Mas, mestre… O que o senhor está dizendo? A grande revolução já começou há muito tempo, quando o senhor passou a falar do amor que deve existir entre os seres humanos.

Com os olhos resplandecentes, com um fulgor muito mais forte do que o de costume, Jesus ordenou que retirassem os pães e o vinho que seriam consumidos na ceia e desenrolou um pergaminho sobre a mesa:

– Eis o plano. Tudo foi meticulosamente arranjado. A tarefa de cada um de nós, os horários e os locais de cada ação. Tomaremos o poder e libertaremos nosso povo da servidão que o Império Romano vem nos submetendo há tanto tempo.

Tomé, que estava um pouco apartado do grupo, se aproximou do pergaminho:

– Perdão, mestre, mas o senhor sabe: só acredito vendo.

E passou a examinar o pergaminho. A cada ponto que se aprofundava na estratégia ali determinada, sua perplexidade aumentava.

Os demais apóstolos também reagiram dessa forma, exceto Judas, que tomou a palavra:

– Então, mestre, o senhor chegou à conclusão de que a nossa vitória se dará através da espada e não da palavra, aquilo que o senhor sempre defendeu? Eu não precisarei entregá-lo ao exército romano e à sanha da elite judaica, para que o senhor, se sentindo pressionado, tome a rédea da situação? Meu nome na história não será sinônimo de traição?

– Isso mesmo, Judas. Seu nome será coberto de glória. Você será lembrado como um dos maiores comandantes desta guerra.

E distribuindo as espadas entre os apóstolos, falou com a autoridade de quem tem Deus ao seu lado:

– Vamos à rebelião, senhores! E podem acreditar: ainda hoje entraremos triunfais no paraíso!